13º DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO C – 26 de junho de 2016

13º DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO C – 26 de junho de 2016

24/06/2016 0 Por Diocese de São José do Rio Preto

Leituras

1Reis 19,16b.19-21: Eliseu se levantou e seguiu Elias.
Salmo 15/16,1-2a.5.7-11: Vós me ensinais vosso caminho para a vida.
Gálatas 5,1.13-18: Vocês foram chamados para a liberdade.
Lucas 9,51-62: Eu te seguirei para onde quer que fores!

“ENTÃO ELE TOMOU A FIRME DECISÃO DE PARTIR PARA JERUSALÉM”

Jesus-disse-aos-seus-discípulos.

1- PONTO DE PARTIDA

Domingo do seguimento de Jesus. Neste 13º Domingo do Tempo Comum, o Senhor toma a firme decisão de partir para Jerusalém. É o lugar culminante de seu Mistério Pascal, de sua entrega definitiva ao Pai para a nossa salvação. Ele é o Messias, mas através da cruz, do sofrimento e da paixão. Aos poucos, os seguidores de Jesus vão compreendendo o que significa tomar a cruz, renunciar a si mesmo e optar por ele, como vimos no Evangelho de domingo passado.

A celebração quer nos ajudar a tomar a decisão de fazer a opção por aquilo que é importante na caminhada para a santidade. Com esta certeza somos chamados a nos alegrar e aplaudir o Senhor:

“Povos todos do universo, batam palmas ao Senhor, gritem de alegria com cantos de louvor” (Salmo 47/46,2).

2- REFLEXÃO BÍBLICA, EXEGÉTICA E LITÚRGICA

Contemplando os textos

Primeira leitura – 1Reis 19,16b.19-21. O trecho da leitura de hoje é tirado do Primeiro livro dos Reis. Javé, no monte Horeb (monte de Deus), ordena a Elias que, ao voltar, unja, além do rei da Síria e de Israel, a Eliseu, filho de Safat, de Abel-Meúla, como profeta sucessor e defensor de Javé. Elias chamou a Eliseu como seu colaborador (versículos 16b e 19-21), entregando-lhe mais tarde sua herança espiritual (2Reis 2,9).

O relato da vocação de Eliseu pertence ao antiqüíssimo “ciclo de Eliseu” (século VIII ou IX). O futuro profeta é um rico lavrador que dispõe de numerosos bois para a exploração de suas terras. Elias escolheu Eliseu como discípulo cobrindo-o com seu, manto, velho rito de tomada de posse, (Rute 3,9; Deuteronômio 23,1; 27,20; Ezequiel 16,8). O grande profeta Elias, no término de sua missão, estende o manto sobre Eliseu para indicá-lo como seu sucessor (19,19).

Elias não ungiu logo Eliseu como profeta, mas apenas convocou-o a seu serviço pela imposição de seu manto (versículo 19), com o que adquiriu certo direito sobre Eliseu (2Reis 2,13; Rute 3,9), conferindo-lhe sua própria missão. Isso implicava a renúncia à vida passada para servir a Deus, sob a jurisdição de Elias; Eliseu ao ser convocado abraçou a causa de imediato (versículo 20). Belo exemplo da obediência pronta, de disponibilidade generosa e de zelo pela glória de Deus. Naquele tempo o manto era considerado como parte da pessoa que o usava.

A veste para os judeus partilhava da personalidade de quem a vestia (1Samuel 18,4). No Oriente, o manto simbolizava a personalidade e os direitos de seu possuidor: “addereth” era um manto/pálio solene, luxuoso, usado pelos reis (Jonas 3,6) e profetas. O manto de Elias tinha poder sobrenatural (2Reis 2,8-14). Trata-se de uma “unção primária” para ocupar o lugar de Elias; não era a unção própria dos reis, mas a investidura ou consagração profética.

Com o sacrifício de dois bois, Eliseu começou oficialmente sua nova função; no sacrifício participou todo o povo, como noutro lugar (1Samuel 6,14; 2Samuel 24,22ss). Com isso ele tornou-se um servidor de Elias; servir ao mestre era como um “noviciado” para a missão profética. Podemos constar que Eliseu não mais aparece até o momento em que sucedeu ao mestre Elias em Gálgala (2Reis 2,1) a vocação dele é parecida à dos pescadores da Galiléia (Marcos 4,18-22) e de Levi (Marcos 9,9s: também ofereceu banquete de despedida) para entrar no seguimento de Cristo e seu apostolado.

Salmo responsorial – Salmo 15/16,1-2a.5.7-11. O Salmo começa em forma de súplica e passa depois à profissão de confiança e de entrega exclusiva a Deus. É um Salmo de que ressalta a experiência da comunhão com Deus. Nossa única herança, riqueza e segurança deve ser o Senhor. Ele aconselha e orienta o nosso coração para que sigamos o caminho da vida.

O Salmo ressalta que o Senhor é a porção da nossa vida. Esta porção introduz numa grande intimidade com Deus: mesmo quando estamos sozinhos, “a noite” pela experiência interior, e não apenas pelos canais oficiais. Não só na liturgia do templo de Jerusalém, mas em qualquer momento poderá sentir a presença e companhia de Deus, fonte de alegria, descanso e serenidade. A partir desta experiência de intimidade, o salmista espera confiante no futuro.

O rosto de Deus no Salmo 15. Sendo um salmo de confiança, mostra um Deus próximo, abrigo, bem supremo da pessoa, herança e taça do fiel, aquele que tem em suas mãos o destino da criatura, conselheiro que instrui até de noite, que caminha à frente, que se põe à direita da pessoa, que não a deixa morrer, pelo contrário, ensina-lhe o caminho da vida e põe o salmista à sua direita, no lugar de honra.

Cantando este salmo neste Domingo, suplicamos ao Senhor que aumente em nós a confiança e a nossa entrega em Suas mãos nossa única herança e riqueza.

Ó SENHOR, SOIS MINHA HERANÇA PARA SEMPRE.

Segunda leitura – Gálatas 5,1.13-18. O texto de hoje nos apresenta duas contraposições. A primeira e entre a liberdade em Cristo e a escravidão (5,1ss), retomada explicitamente no versículo 13. A segunda é entre a carne e o espírito (versículos 16-26). Aqui no versículo 1, Paulo conclui todo o capítulo 4 com as palavras: “É para a liberdade que Cristo nos libertou. Permanecei firmes, portanto, e não vos deixes prender de novo ao jugo da escravidão”. Afinal toda mensagem doutrinal da carta está aqui sintetizada. Cristo nos libertou para a liberdade. Qual liberdade? É uma liberdade que se opõe ao jugo anterior da escravidão. Pelos versículos seguintes percebe-se que se trata da escravidão da Lei judaica com suas práticas. Aqui Paulo salienta a circuncisão. Esta liberdade da escravidão da Lei judaica Cristo nos trouxe através da sua entrega total por nós na cruz (cf. Gálatas 3,13; 1,4; 4,5). No versículo 13, Paulo relembra a vocação dos gálatas à liberdade. Mas não se pode confundir liberdade com libertinagem que são “os pretextos para a carne” (cf. 1Coríntios 6,12ss).

Paulo fala da liberdade que se deixa conduzir pelo Espírito. É uma liberdade para o sérico mútuo fundamentado no amor. O amor é a expressão dessa liberdade, pois o amor ao próximo resume toda a Lei. Em Romanos 13,8-10, onde Paulo fala que quem ama cumpriu a Lei, ele conclui com as saeguintes palavras: “Portanto a caridade é a plenitude da Lei”. Na carta aos Colossenses, Paulo faz uma bela afirmação a respeito do amor ao próximo: “Mas sobre tudo isso, revesti-vos da caridade, que é o vínculo da perfeição” (3,14).

Os versículos 16-18 trazem a segunda contraposição, isto é, entre Espírito e a carne. O Espírito deve ser o princípio de vida para o cristão. O “Espírito” está ligado a Cristo e à liberdade. A “carne” está ligada à Lei e à escravidão. Se o cristão se deixar guiar pelo Espírito, ele não estará debaixo da Lei judaica e, portanto, não satisfará os desejos da carne, pois há uma oposição entre a carne e o Espírito e as aspirações deste são contrárias às aspirações da carne. A carne aqui é símbolo do homem que se opõe a Deus; representa os instintos que levam o homem ao pecado.

Evangelho – Lucas 9,51-62. A leitura deste Domingo faz parte de uma longa seção própria de Lucas 9,51—19,27, cujo pano de fundo é a viagem de Jesus que começa na Galiléia e termina em Jerusalém.

Os primeiros versículos deste trecho (versículos 51-53) chamam a atenção dos leitores, sobretudo para a viagem de Cristo e dos seus discípulos a Jerusalém (cf. também Lucas 13,22; 17,11;18,31; 19,11). Devemos observar que o interesse de Lucas em relatar esta caminhada e insistir nela não é absolutamente de ordem histórica, geográfica, turística ou cronológica, mas estritamente teológica. A sua preocupação máxima é mostrar que o caminho leva Jesus até a morte em Jerusalém (cf. Lucas 13,33) e através de sua morte Ele alcança o perfeito cumprimento de sua missão (cf. Atos 1,2.11.22). “Estava chegando o tempo em que Jesus ia ser arrebatado do mundo…” (Lucas 9,51). O termo usado aqui pela primeira vez no Novo Testamento análempis (assunção, arrebatamento) tomado na tradição judaica indica todo o mistério pascal, isto é, paixão, morte, ressurreição e ascensão de Jesus. Portanto, o estádio final a que se dirige Cristo não é a cruz, mas a ascensão.

Jerusalém é para Lucas o centro em que sucederam os maiores acontecimentos da história da salvação, isto é, a morte, a ressurreição, a ascensão de Cristo, a efusão do Espírito Santo e o início da Igreja.

Os versículos 52-56 narram o incidente de Jesus na Samaria. Ele é rejeitado pelos samaritanos. Essa rejeição é facilmente por vários motivos. Eles eram descendentes do Reino do Norte e de interesses assírios (cf. 2Reis 17,24-41; Esdras 4,1-3; Neemias 4,1-9) que se estabeleceram em Israel depois da deportação dos israelitas em 721 antes de Cristo. Portanto, eram considerados pelos judeus como semi-pagãos e estrangeiros, mas professavam fundamentalmente a religião judaica, pois aceitavam a Tora (Lei). Os samaritanos não iam a Jerusalém porque julgavam-se com o direito de adorar a Deus e oferecer-lhes sacrifícios no monte Garizim (cf. João 4,20). Não viam com bons olhos quem passava por seu território para dirigir-se a Jerusalém como peregrino sobretudo, por ocasião das grandes festas judaicas. Por isso, os judeus e galileus evitavam atravessar a Samaria para não serem ofendidos e preferiam a estrada mais longa que atravessava a Peréia. Então, o motivo principal por que Jesus foi rejeitado é porque subia a Jerusalém. Os samaritanos interpretaram tal atitude como desprezo ao seu lugar de culto, o monte Garizim.

O versículo 54 mostra-nos a mentalidade de certos discípulos de Jesus e por que Ele os chamou de “filhos do trovão” (Marcos 3,17). Mas no versículo 55 podemos ver a atitude misericordiosa de Jesus, característica do Evangelho de Lucas, e mostra-nos que o caminhar de Jesus exige de nós respeito pela pessoa humana, mesmo que não partilhe de nossa mentalidade, não ouça nossa palavra, nem nos aceite. Ninguém tem o direito de pedir a Deus que alguém seja imediatamente destruído, porque Ele sempre dá oportunidade de conversão ao ser humano como, de fato, concedeu aos samaritanos (cf. Lucas 10,30-37; 17,11-19; João 4; Atos 8,5-25; também Atos 1,8; 9,31).

A primeira condição é a paciência diante do fracasso. Tiago e João acreditam poder dispor do fogo divino para julgar ou destruir os samaritanos rebeldes (cf. 2Reis 1,10-12). Mas Jesus, fiel ao ensinamento transmitido nas parábolas do joio e da rede (cf. Mateus 13,24-25 e 47-48), convida os seus discípulos a tomar o tempo necessário às demoras da conversão e o itinerário (versículos 54-56).

A segunda atitude exigida dos discípulos é a da vida comum, com o Mestre. Ele é um Mestre itinerante, por isso, a vida comum com Ele reveste, para os discípulos que o seguem, uma espécie de desconforto e de pobreza (versículos 57-58): os discípulos deverão contentar com a hospitalidade oferecida, desconforto que os prepara para partilhar do trágico destino do Servo sofredor (Lucas 14,27; 17,33).

Uma terceira atitude do discípulo deve ser seu engajamento missionário ao qual tudo deve estar subordinado (versículos 59-60). A passagem de Lucas 10,1-11 realçará bastante este engajamento, mas já aparece no versículo 60, onde Cristo impõe a seu discípulo as rupturas necessárias pra “divulgar o Reino” e recusa toda demora.

Enfim, deve recusar aos vínculos humanos (versículos 61-62). A primeira vista a resposta de Jesus parece dura demais (versículo 60a), visto que a piedade filial (cf. Eclesiástico 3,1-18; Provérbios 6,20-21), sobretudo de enterrar os pais, possui profundas raízes na tradição judaica (cf. Gênesis 49,28—50,3; Êxodo 13,19; Tobias 4,3; 6,15), mas não é preciso tomá-la ao pé da letra, pois é um jogo de palavras: que os espiritualmente mortos enterrem os fisicamente mortos. O Pai é mensagem de vida através do Filho. As suas palavras levam à reflexão. Seguir Jesus Cristo significa uma ruptura total com o passado, até com os laços familiares, porque Deus é acima de tudo e as demais coisas são executadas por amor a esse Deus que é eterno. Não vai aqui nenhum desrespeito aos pais, mas Cristo condena o apego demasiado aos laços de sangue que possam impedir a caminhada. Jesus foi mais exigente que Elias (cf. 1ª leitura).

No versículo 61 apresenta alguém que quer seguir Jesus, mas pede para se despedir dos seus. Percebe-se boa vontade nesta pessoa, mas não basta, pois é necessário desapego, prontidão para se dedicar sem demora à tarefa missionária. A resposta de Jesus (versículo 62) exige um esquecimento ao passado. O que passou, passou e o que importa é olhar para frente (cf. também Filipenses 3,13). Na expressão proverbial “ninguém que põe a mão no arado…” há uma referência à vocação de Eliseu feita por Elias (cf. 1ª leitura). Jesus é mais exigente que Elias, porque arar no Reino supõe sacrifício e muita atenção, porque não se pode olhar para trás sem que se perca o sulco. O seguimento a Cristo pede dos cristãos abertura total aos valores do Reino e não suporta demoras, indecisões, apego aos bens terrenos.

3- DA PALAVRA CELEBRADA AO COTIDIANO DA VIDA

Ouvindo o episódio de Eliseu, narrado na 1ª leitura, poderíamos pensar que ele se aplica apenas aos ministérios ordenados e à vida religiosa. No entanto, não é somente a eles. O episódio aplica-se ao chamado à vida cristã e ao chamado de cada pessoa batizada para desempenhar um ministério na sua própria comunidade.

Quando alguém é atraído por Cristo, deve saber que é o Pai quem o está chamando para dar continuidade à sua obra de restauração da humanidade, para que todos encontrem a vida em plenitude.

A opção radical por Cristo é condição para responder ao chamado.

Aquele que é chamado pelo Pai a seguir Cristo precisa fazer uma opção firme e total, assim como Ele caminhou seguro para Jerusalém, sem se importar com o desprezo e a rejeição. O cristão, confiando n’Aquele que o chama, rompe com idéias, lugares e relacionamentos que o impedem de ser fiel e cumprir sua missão de construir o Reino. Ser discípulo de Cristo não consiste apenas em conhecer a sua doutrina, mas seguir a Ele, aderir inteiramente a Ele. É trilhar o mesmo caminho que Cristo percorreu.

Não basta unicamente entusiasmo e idealismo. Estes podem logo desaparecer. A caminhada é exigente. Temos pretextos legítimos para justificar certas atitudes de nossa vida, mas quando se trata de seguir o Mestre, algumas coisas devem ter precedência. Qual a minha hierarquia de valores no que tange ao seguimento de Cristo?

O anúncio é envolvido pela caridade. Isto não estava claro para os discípulos no episódio hoje narrado. Para nós, seguidores de Jesus a Tiago e João que queriam destruir os que não queriam aceitar a presença de Jesus. Ninguém pode ser identificado apenas por seus atos exteriores ou por suas aparências. Dentro de cada um existe um mistério profundo e impenetrável, cujo conhecimento é reservado unicamente a Deus. É preciso respeitá-lo sabendo que, por trás de cada ato humano, existe uma história que não podemos compreender na sua plenitude.

O discípulo não é chamado para lutar contra ninguém, não recebeu ordem de desencadear guerras ou perseguições. Foi convidado apelas para seguir o Mestre. Não há lugar para o fanatismo. O único fogo que desce do céu é o do Espírito que transforma os corações. É este o fogo que Jesus veio trazer à terra. (cf. Lucas 12,49).

Não é pela força e nem pelo sentimentalismo religioso que se deve trazer as pessoas para Cristo, e sim pela vivência da caridade e pela própria força da Palavra de Deus.

Se muitos rejeitam a proposta de Jesus, isto não pode desanimar o discípulo e nem fazê-lo desejar a destruição de quem o rejeitou. É preciso crescer sempre mais na paciência amorosa. É preciso saber como mostrar Jesus, caminho que salva, verdade que liberta e vida que enche de alegria todo ser humano. O discípulo deve sempre ter claro que não é o único que faz o bem, Também pessoas que não conhecem a Cristo são capazes de fazer o bem, como os samaritanos, como ouviremos no Evangelho do 15º Domingo do tempo Comum, no próximo dia 11 de julho.

Livres para amar: eis o objetivo da Lei. Cristo nos libertou de todo pecado e das amarras e egoístas para que pudéssemos amar tão intensamente como Ele nos amou. Saibamos sempre perceber os perigos do pensamento humano que nos levam para longe do pensar; sentir e agir de Deus; não nos fechemos à ação do Espírito, que em nós produz corações livres para amar.

O homem é o único ser sobre a terra capaz de se entregar a um valor, a uma causa, por toda a sua vida, entregar até mesmo a própria vida.

Nossa liberdade é uma “liberdade de” e uma “liberdade para”, isto é, somos livres de coisas e pessoas que nos afastam dos valores do Reino e somos livres para seguir o Mestre onde e quando for preciso. Não sejamos como os gálatas, que abraçaram o cristianismo com entusiasmo, mas logo se deixaram iludir por alguns fanáticos que afirmavam ser preciso voltar à observância das pequenas normas e prescrições impostas pela lei antiga. Paulo lembra que o mais importante é o novo mandamento de Cristo: “Toda a Lei se resume neste único mandamento: ‘amarás o teu próximo como a ti mesmo’” e o fato de “estar em Cristo” e ser “nova criatura”.

4- A PALAVRA SE FAZ CELEBRAÇÃO

Brilhe a vossa luz

A oração do Dia chama aos que nasceram da graça – referência ao batismo – de Filhos da luz. À memória vem-nos o rito da iluminação na celebração batismal, em que os batizados recebem a Luz de Cristo, que lhes é entregue, para que caminhem como filhos da luz. Iluminados era também o título que os cristãos e cristãs recebiam no início da Igreja, conforme nos recorda Justino, no século II. Os cristãos são iluminados porque “ficam iluminados em sua inteligência”. A inteligência iluminada no Batismo significa, em Justino, que aqueles que optaram por Cristo o fizeram por escolha consciente e sobre os quais o Nome, isto é, unidos a Deus produzam frutos. E é esta a grande questão debatida no Evangelho: seguir a Jesus significa unir-se existencialmente a Ele, participar de seu destino de modo que sua luz brilhe em suas vidas, conforme conclui a oração do Dia.

A Shekinah: luz da glória no meio de nós
As sete luzes da menorá, candelabro de sete braços da tradição judaica, evidenciam, segundo Cláudio Pastro, que a glória de Deus resplende, no mundo, conforme cantamos no Santo (os céus e a terra estão repletos de vossa glória!) e sua presença o habita. Segundo o artista sacro, é Deus que está 1. Acima; 2. Abaixo; 3. Ao lado direito; 4. Ao lado esquerdo; 5. À frente; 6. Às costas e 7. Dentro dos que foram mergulhados em seu Mistério.

Esta presença é evocada em nós, quando escutamos as Escrituras serem proclamadas, pois a voz de Deus acorda sua vida em nós, nos ressuscita, faz a luz recebida no batismo brilhar com fulgor, para que o mundo ao nosso redor seja por ela embelezado.

O gesto de acender as luzes da Menorá, na abertura da Liturgia da Palavra, enquanto se entoa um canto apropriado, abre, portanto, os sentidos para a epifania da shekinah no meio do povo que a escuta e a fará resplandecer perante o mundo, mediante uma vida santificada (cf. Oração sobre as oferendas).

5- LIGANDO A PALAVRA COM A AÇÃO EUCARÍSTICA

Estamos concluindo o mês de junho, mês em que lembramos diversos santos que, ao seguir a Jesus de forma exemplar, deram seu testemunho até o fim. Hoje, eles intercedem por nós junto ao Pai. Seria interessante na homilia lembrar estes santos e associá-los aos grandes personagens das leituras de hoje, Elias, Eliseu, Paulo, discípulos, samaritanos, gálatas, com o próprio Cristo e com aqueles que o querem seguir.

Todos eles ouviram a Palavra. Alguns deram uma resposta positiva, outros não; alguns o fizeram com mais dificuldade, outros tiveram que morrer por causa de sua fé. E nós? Como reagimos diante da Liturgia da Palavra que todos os domingos nos é proclamada? Vivenciamos a atitude do diálogo com o Senhor durante a liturgia da palavra? Nossa vida corresponde ao que viemos celebrar?

Comungar o Corpo e Sangue de Cristo é assumir com ele a mesma missão: estar a serviço da vida, produzindo abundantemente frutos que permaneçam. Isto pede a oração após a comunhão deste domingo: “Unidos a vós pela caridade que não passa, passamos produzir frutos que permaneçam”. Comungando, assumimos a mesma missão de Jesus de ser instrumento do amor do Pai para com a humanidade.

6. ORIENTAÇÕES GERAIS

1. Lembrar e rezar pelas pessoas da comunidade que exercem algum ministério ou serviço específico, aqueles que também “deixaram” alguém ou algo para exercer este trabalho.

2. O método da leitura orante auxilia muito na preparação da celebração. Seria bom que os membros da equipe e toda a assembléia criassem o hábito de praticar a leitura orante fiariamente.

3. A celebração dominical da Ceia do Senhor, como sacramento culminante e fontal da “iniciação cristã”, permite a assembléia dos batizados aprofundar e fortalecer sua identidade, configurada pelo batismo na Páscoa de Cristo. Por isso, cada vez que se come do pão e se bebe do cálice, morte e ressurreição de Cristo são proclamadas e reverberam no mundo criado, mediante o “corpo eclesial”.

4. E preciso cuidar da formação técnica, teológica e espiritual de todos os (as) ministros (as).

5. A leitura contínua do Evangelho, harmonizada com a primeira leitura, tirado do Primeiro Testamento, dá a tônica da celebração e apresenta um itinerário de seguimento. Aí temos a espiritualidade a ser vivida durante a semana e a vida toda.

6. A homilia (conversa familiar) interpreta as leituras bíblicas a partir da realidade atual, tendo o mistério de Cristo como centro do anúncio e fazendo a ligação com a liturgia eucarística (dimensão mistagógica) e com a vida (compromisso e missão). A homilia dever ser um elemento integrador da espiritualidade do Tempo Comum. Permite uma profunda educação para a fé, fundada na teologia das atividades de Jesus.

7. Rezar a Oração pelas Vocações no momento das Preces dos Fiéis.

8. A mesa da Palavra e a mesa da Eucaristia formam um só ato de culto; portanto, é preciso manter um equilíbrio de tempo entre as duas. Demasiada atenção dada à procissão com o Lecionário ou com a Bíblia, homilias prolongadas, introduções antes das leituras parecendo comentários ou pequenas homilias, tudo isso prejudica o rito eucarístico, que em conseqüência acaba sendo feito às presas.

9. “É muito recomendável que os fiéis recebam o Corpo do Senhor em hóstias consagradas na mesma Missa e participem do cálice nos casos previstos, para que, também através dos sinais, a comunhão se manifeste mais claramente como participação do Sacrifício celebrado” (IGMR nº 56 h). Um dos mais graves abusos nas celebrações da eucaristia é a distribuição da comunhão do sacrário como prática normal. Assim pecamos contra toda a dinâmica da ceia eucarística, que consta da preparação das oferendas, da ação de graças sobre os dons trazidos, da fração do pão consagrado e da sua distribuição àqueles que, com a oblação deste pão, se oferecem a si mesmos com Jesus ao Pai.

10. Dia 28 é memória de Santo Irineu, bispo de Lion e mártir.

11. Lembrar que a festa de S. Pedro e S. Paulo, que ocorre no dia 29 de junho, será transferida para o próximo domingo. Neste dia comemora-se o Dia do Papa e é realizada a coleta, chamada de Óbolo de São Pedro, que é destinada à caridade do papa para atender as necessidades do mundo que a Igreja procura ajudar, fazendo-se solidária, sobretudo, nas calamidades e catástrofes.

7- MÚSICA RITUAL

O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos cantar a liturgia e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com cada domingo do Tempo Comum, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são do 13º Domingo do Tempo Comum, é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado. Jamais os cantos devem ser escolhidos para satisfazer o ego de um grupo ou de um movimento ou de uma pastoral. Não devemos esquecer que toda liturgia é uma celebração da Igreja corpo de Cristo e não de um grupo, de uma pastoral ou de um movimento. Como a equipe de canto da sua paróquia executa os cantos durante o Tempo Comum? É com atitude espiritual?

A equipe de canto faz parte da assembléia. Não deve ser um grupo que se coloca à frente da assembléia, como se estivesse apresentando um show. A ação litúrgica se dirige ao Pai, por Cristo, no Espírito Santo. Portanto, a equipe de canto deve se colocar entre o presbitério e a assembléia e estar voltada para o altar, para a presidência e para a Mesa da Palavra.

O canto de abertura sugerido pelo Hinário III da CNBB, assumindo a antífona de entrada retirada do Salmo 26/27 é uma ótima opção. É sempre importante recuperar a tradição de cantar os salmos nas celebrações, já que eles contam as maravilhas que Deus realiza por meio da história de seu povo.

1. Canto de abertura. Aplauso universal para Deus (Salmo 47/46,2. “Povos todos do universo, batam palmas ao Senhor…”, e versos do Salmo 26/27, CD Liturgia VI, faixa 12, exceto o refrão; “Povo que és peregrino…” Hinário Litúrgico III da CNBB, páginas 319; “Povos todos aplaudi o nosso Deus…”, Hinário Litúrgico da CNBB, páginas 383-392.

Somos chamados a tomar a nossa cruz e entrar no seguimento de Jesus. Pela Cruz se chega à ressurreição, isto é, somos transportados da morte à vida. Nesse sentido temos duas ótimas opções: “Canta, meu povo, canta o louvor de teu Deus”, CD: Cantos de Abertura e Comunhão, melodia da faixa 11 ou também no CD: Festas Litúrgicas II, melodia da faixa 15.

2. Hino de louvor. “Glória a Deus nas alturas.” Vejam o CD Tríduo Pascal I e II e também no CD Festas Litúrgicas I; Partes fixas do Ordinário da Missa do Hinário Litúrgico III da CNBB e também a versão da CNBB musicado por Irmã Miria Reginaldo Veloso e outros compositores.

O Hino de Louvor, na versão original e mais antiga, é um hino cristológico, isto é, voltado para Cristo, que exprime o significado do amor do Pai agindo no Filho. O louvor, o bendito, a glória e a adoração ao Pai (primeira parte do Hino de Louvor) se desdobram no trabalho do Filho Único: tirar o pecado do mundo, exprimindo e imprimindo na história humana a compaixão do Pai. Lembremo-nos: o Hino de Louvor não se confunde com a “doxologia menor” (Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo). O Hino de Louvor encontra-se no Missal Romano em prosa ou nas publicações da CNBB versificado numa versão que facilita o canto da assembléia.

3. Refrão meditativo. È muito oportuno este refrão meditativo para acolher a Palavra de Deus. “Senhor que a Tua Palavra transforme a nossa vida, queremos caminhar com retidão na tua luz”.

4. Salmo responsorial 16/15. “Senhor, és minha herança e recompensa”. “Ó Senhor, sois minha herança para sempre…”, CD Liturgia XI, melodia igual à faixa 17.

O Salmo responsorial é uma resposta que damos àquilo que ouvimos na primeira leitura. Isto mostra que o salmo é compromisso de vida e ele também atualiza e leitura para a comunidade celebrante. Primeira leitura, Palavra proposta e salmo Palavra resposta. Por isso deve ser cantado da Mesa da Palavra (Ambão) por ser Palavra de Deus. Valorizar bem o ministério do salmista.

5. Aclamação ao Evangelho. Conhecer a esperança de nossa vocação/ (1Samuel 3,9; João 6,68c) “Fala, Senhor”. “Aleluia… Pois eu sou a luz do mundo…”, CD Liturgia XI, melodia igual à faixa 7. O canto de aclamação ao evangelho acompanha os versos que estão no Lecionário Dominical.

6. Apresentação dos dons. Nossa decisão de entrar no seguimento de Jesus deve gerar na assembléia a partilha. Devemos ser oferenda com nossas oferendas. “Senhor, meu Deus, obrigado, Senhor…”, CD Liturgia XI, faixa 15. Outro canto ótimo de “apresentação dos dons”, que retoma não só o mistério celebrado, mas os gestos até então vividos pela assembléia é “Brilhe vossa luz”, numa referencia á Oração do Dia. A partitura encontra-se no CD Festas Litúrgicas I. Mas desde que a assembléia tenha a letra na mão. É um direito da assembléia, saber, quais serão os cantos da celebração e ter a letra nas mãos.

7. Canto de comunhão. (Salmo 13/102,1) Louvor a Deus, do fundo do coração / (João 17,20-21) Prece pela unidade dos fiéis, para que o mundo acredite na missão de Jesus. “Partiste a Jerusalém, ao encontro da cruz sem temor…”, CD: Liturgia XI, faixa 18; “Ó Pai, eu te rogo por eles”, Hinário Litúrgico III, da CNBB, páginas 383-393.

Temos também outra opção para o canto de comunhão neste 13º Domingo do Tempo Comum: Efésios 1,3-10. “Bendito seja Deus, Pai do Senhor Jesus Cristo”, CD: Cantos de Abertura e Comunhão, melodia da faixa 17. Estes três cantos retomam o Evangelho na comunhão de maneira autentica. Veja orientação abaixo.

O canto de comunhão deve retomar o sentido do Evangelho de cada Domingo. Esta é a sua função ministerial. Na realidade, aquilo que se proclama no Evangelho nos é dado na Eucaristia, ou seja: é o Evangelho que nos dá o “tom” com o qual o Cristo se dirige a nós em cada celebração eucarística reforçando estes conteúdos bíblico-litúrgicos, garantindo ainda mais a unidade entre a mesa da Palavra e a mesa da Eucaristia. Isto significa que comungar o corpo e sangue de Cristo é compromisso com o Evangelho proclamado. Portanto, o mesmo Senhor que nos falou no Evangelho, nós o comungamos no pão e no vinho. É de se lamentar que muitas vezes são escolhidos cantos individualistas de acordo com a espiritualidade de certos movimentos, descaracterizando a missionariedade da liturgia. Toda liturgia é uma celebração da Igreja e não existem ritos para cada movimento e nem para cada pastoral.

Desafio para os instrumentistas. É transformar as ondas sonoras do violão, do teclado e dos outros instrumentos na voz de Deus, isto é, em sintonia com o coração de Deus. Muitas vezes os instrumentistas acham que para agradar a Deus e o povo é preciso barulho e agitação. É preciso uma conscientização maior dos instrumentistas de que Deus não gosta do barulho. Assim fala o Senhor: “Afasta de mim o barulho de teus cantos, eu não posso ouvir o som de tuas harpas” (Amós 5,23). Deus gosta da brisa leve, da serenidade, da mansidão, do silêncio… Veja o exemplo da experiência que o profeta Elias fez de Deus na brisa suave e não na agitação do furacão, nem do terremoto e nem do fogo (1Reis 19,11-13). É preciso muito cuidado com os instrumentos de percussão. As equipes de canto e as bandas barulhentas, não expressam aquilo que Deus é, mas aquilo que os músicos são. “O barulho não faz bem, o bem não faz barulho” (São José Marello).

8- O ESPAÇO CELEBRATIVO

1. O espaço da celebração deve recordar para nós a Jerusalém celeste de que nos fala a segunda leitura. Portanto, o lugar da celebração deve ser preparado para as núpcias do Cordeiro. Deve ser belo, sem ser luxuoso; deve ser simples, sem ser desleixado; deve ser aconchegante para que todos se sintam participantes do banquete. A mesa da Eucaristia é o lugar de convergência de toda a ação litúrgica. Assim o altar não pode ser “escondido” por imensas toalhas, arranjos de flores e outros objetos. O altar é Cristo. É ele o ator principal da liturgia. “As flores, por exemplo, não são mais importantes que o altar, o ambão e outros lugares simbólicos. Nem a toalha é mais importante que o altar. Os excessos desvalorizam os sinais principais. A sobriedade da decoração favorece a concentração no mistério celebrado” (Guia Litúrgico Pastoral, página 110).

2. O lugar onde celebramos a Eucaristia é Casa da Igreja e antes disso é Casa da Palavra, pois é esta que, sacramentalmente, forja a comunidade dos cristãos. De certo modo, a construção de pedra é imagem da construção viva, isto é, o povo de Deus, da qual fala Paulo em suas cartas, que a Igreja, Corpo de Cristo. Neste sentido, é lugar de interlocução, de diálogo a partir das escrituras que são interpretadas pelos ritos. Assim, toda a celebração litúrgica é Palavra de Deus dirigida ao povo reunido. Mas também é resposta deste povo aos apelos que lhe são expressos.

3. A pergunta que nos vem é: como tornar nossos lugares de celebração, ambientes aptos à escuta da Palavra e à sua resposta por parte da Assembléia celebrante? Um dos meios é permitir que o silêncio se estabeleça. Que a “equipe de celebração e a equipe de canto” não fique tratando, à vista de todos, das questões que devem ser observadas e providenciadas, que os instrumentistas cheguem bem antes para afinar os instrumentos e passar o som, equalizando-o para não distrair as pessoas da oração pessoal antes da celebração.

9. AÇÃO RITUAL

Ritos Iniciais

1. Neste Domingo após o canto de abertura que nos motiva a alegrar e bater palmas ao nosso Deus, podemos convidar a assembléia a aplaudir nosso Deus de maneira bem alegre.

2. A opção “d”, do Missal Romano para a saudação presidencial é muito oportuna para iluminar o sentido litúrgico deste domingo:

“O Deus da esperança, que nos cumula de toda a alegria e paz em nossa fé, pela ação do Espírito Santo, esteja convosco” (Romanos 15,13).

3. O sentido litúrgico, após a saudação do presidente, pode ser feito por quem preside, pelo diácono ou um ministro devidamente preparado como orienta o Missal Romano, na página 390, número 3, com palavras semelhantes às que seguem:

Domingo do seguimento de Jesus. Colocar o Reino em primeiro lugar significa confiar inteiramente no Senhor, desapegando-nos de tudo o que possa “atrasar” o caminho da missão. Tal opção corresponde ao exercício pleno da liberdade: não há nada que deve impedir o anúncio do Reino de Deus, nem mesmo a tentação de olhar para trás.

4. O ato penitencial pode ser substituído pela aspersão da comunidade, o que tornará a proclamação da segunda leitura mais viva e cheia de sentido, no horizonte da celebração, pois pelo batismo fomos todos mergulhados na cruz de Cristo.

5. O ato penitencial é um apresentar-se pequeno diante da grandeza de Deus, reconhecendo sua misericórdia e nossa indignidade. Não deve ser confundido com o sacramento da penitência. Evitem-se, pois, as descrições de pecados.

6. O Domingo é Páscoa semanal dos cristãos. Cantar de maneira festiva o Hino de louvor (glória).

Liturgia da Palavra

1. Pode-se entoar um refrão meditativo para despertar a assembléia para a proclamação dos textos bíblicos. Sugerimos: “Senhor que a Tua Palavra transforme a nossa vida, queremos caminhar com retidão na tua luz”. Veja a partitura em “Música Ritual, nº 7. O acendimento da menorá neste momento conforme descrito em “A Palavra se faz celebração” será muito oportuno.

2. Em todo o rito, a Palavra se conjuga com o silêncio. Momentos de silêncio após as leituras, o salmo e a homilia, fortalecem a atitude de acolhida da Palavra. O silêncio é o momento em que o Espírito Santo torna fecunda a Palavra no coração da comunidade. Nem tudo cabe em palavras.

3. Convém fazer bem feito a proclamação da Palavra de Deus (leituras, canto do salmo, evangelho). Proclamar de tal maneira que a assembléia sinta que é realmente Deus quem está falando para o seu povo. Para que isso aconteça, fazer previamente um bom ensaio e, mais que isso, uma verdadeira vivência da Palavra de Deus com os (as) leitores e o(a) cantor(a) do salmo responsorial. A Palavra merece, e a assembléia agradece.

4. O salmista é de suma importância. Sua função ministerial corresponde à função dos leitores e leitoras, pois o salmo é também Palavra de Deus posta em nossa boca para respondermos a sua revelação. Por ser Palavra de Deus deve ser cantado da Mesa da Palavra (Ambão) e nunca do lugar onde está a equipe de canto.

5. Destacar o Evangeliário. Depois da procissão de entrada deve permanecer sobre a Mesa do Altar até a procissão para a Mesa da Palavra como é costume no Rito Romano.

6. Após a leitura não é preciso mostrar o livro. Por que? Porque quando o(a) leitor(a) diz “Palavra do Senhor” (para as leituras) ou “Palavra da Salvação” (para o Evangelho), refere-se à Palavra do Senhor que acabou de ser proclamada e ouvida pela assembléia e não ao livro em si.

7. Ao final da leitura, nunca dizer “Palavras do Senhor” ou “Palavras da salvação” (no plural), pois não são “palavras” que são proclamadas e sim “a Palavra” (Deus mesmo, Cristo que fala ao povo reunido em assembléia!).

Liturgia Eucarística

1. Um bom canto de “apresentação dos dons”, que retoma não só o mistério celebrado, mas os gestos até então vividos pela assembléia é “Brilhe vossa luz”, numa referencia á Oração do Dia. A partitura encontra-se no CD Festas Litúrgicas I. Mas desde que a assembléia tenha a letra na mão.

2. Sugerimos o Prefácio dos Domingos do Tempo Comum I, página 428 do Missal Romano. Esse texto relata a vocação cristã enfatizando o mistério pascal e o povo de Deus Seguindo esta lógica, cujo embolismo reza: “Por ele, vós nos chamastes das trevas à vossa luz incomparável, fazendo-nos passar do pecado e da morte à glória de sermos o vosso povo, sacerdócio régio e nação santa, para anunciar, por todo o mundo, as vossas maravilhas”. O grifo no texto identifica aqueles elementos em maior consonância com o Mistério celebrado neste Domingo e que pode ser aproveitado na celebração, ao modo de mistagogia. Recorde-se que para prefácios móveis, usam-se apenas as Orações Eucarísticas I, II e III. As demais não podem ter os prefácios substituídos sem grave prejuízo para a unidade teológica e literária da eucologia..

3. Valorizar o rito da fração do pão, “gesto realizado por Cristo na última ceia, que no tempo apostólico deu o nome a toda a ação eucarística, significa que muitos fiéis pela Comunhão no único pão da vida, que é o Cristo, morto e ressuscitado pela salvação do mundo, formam um só corpo (1Coríntios 10,17” (IGMR, nº 83).

4. No momento do convite à comunhão, quando se apresenta o Pão consagrado e o cálice com o sangue de Cristo, é muito oportuno o texto bíblico de João 8,12, que é a fórmula “b” do Missal Romano:

“Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida”. Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

5. Distribuir o corpo de Cristo de forma consciente e orante, como um gesto de profundo serviço, expressando nele o próprio Cristo que se dá como servo de todos. Isso vale tanto para quem preside como para seus ajudantes.

6. “A comunhão realiza mais plenamente o seu aspecto de sinal quando sob as duas espécies. Sob essa forma se manifesta mais perfeitamente o sinal do banquete eucarístico e se exprime de modo mais claro a vontade divina de realizar a nova e eterna Aliança no Sangue do Senhor, assim como a relação entre o banquete eucarístico e o banquete escatológico no Reino do Pai” (IGMR, nº 240). Quando bem orientada, a comunidade aprende fácil esse rito que é resposta obediente ao mandamento do Senhor “tomai e bebei”.

Ritos Finais

1. Os ritos iniciais remetem aos ritos finais, pois neles somos convocados para estar com o Senhor e sermos enviados em missão (cf. Marcos 3,14), para sermos sacramento de unidade e da salvação de todo o ser humano (cf, Lumem Gentium 1), mensageiros de solidariedade, de paz, de justiça, transformação pascal, vida, salvação, aliança entre todos os povos e culturas.

2. Para confirmar a missão recebida, recordam-se os compromissos (os avisos, comunicações), propostos como expressões do envio. Portanto, feitos com objetividade, clareza e a devida motivação, para maior envolvimento da comunidade Evitem longos comentários sobre cada aviso.

3. Na bênção em nome da Santíssima Trindade levem-se em conta as possibilidades que o Missal Romano oferece (bênçãos solenes, na oração sobre o povo). Ela expressa que a ação ritual se prolonga na vida cotidiana do povo em todas as suas dimensões, também políticas e sociais.

4. As palavras do rito de envio estejam em consonância com o mistério celebrado. Vão anunciar o Reino de Deus. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.

10- CONSIDERAÇÕES FINAIS

Há ocasiões em nossas vidas em que somos chamados de uma hora para outra para prestar um socorro, levar alguém ao hospital, rodoviária ou aeroporto, e até mesmo para participar de uma festinha, de uma confraternização. Nestas situações a disponibilidade e a prontidão são fundamentais. Nesse sentido é que podemos entender o chamado para servirmos ao Reino de Deus como batizados. Desse chamado decore uma pergunta: o que fiz, o que posso fazer pelo serviço ao Reino de Deus?

Celebremos a Páscoa semanal do Senhor. Que estejamos atentos ao seu chamado para que todos cheguem à salvação.

O objetivo da Igreja e da nossa equipe diocesana de liturgia é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas aquelas outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.

Um abraço fraterno a todos

Pe. Benedito Mazeti