15º DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO B – 12 de julho de 2015

08/07/2015 0 Por Diocese de São José do Rio Preto

Leituras

Amós 7,12-15. Vai profetizar para Israel, meu povo.
Salmo 84/85,9-14. O Senhor nos dará tudo o que é bom.
2Efésios 1,3-14. Em Cristo, fomos escolhidos, antes da fundação do mundo.
Marcos 6,7-13. Quando entrardes numa casa, ficai ai até a vossa partida.

 15202841_zPA8o

“OS DOZE PARTIRAM E PREGARAM QUE TODOS SE CONVERTESSEM”

1- PONTO DE PARTIDA

Domingo do envio dos Doze Apóstolos. Celebrando nossa Páscoa semanal, fazemos memória de Jesus Cristo, que chamou e enviou os Apóstolos em missão e nos confia a continuidade de sua missão. Recebemos do Senhor a missão de pregar a conversão e o dom de expulsar o mal da vida das pessoas.

Celebramos a Páscoa de Jesus Cristo que se manifesta em todas as pessoas e grupos que se dedicam a cuidar da vida e da saúde dos pobres.

Neste encontro celebrativo, o Senhor nos fortalece e nos ajuda a recuperar a alegria e o entusiasmo de nossa consagração a serviço do Reino de Deus para que todos sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade.

2- REFLEXÃO BÍBLICA, EXEGÉTICA E LITÚRGICA

Primeira leitura – Amós 7,12-15. Amasias é sacerdote do templo real de Betel e expulsa com maus modos o profeta Amós (versículos 12-13). O profeta Amós responde que não foi ele quem escolheu essa missão: ele estava satisfeito com a sua profissão de “pastor e cultivador de sicomoros” (versículo 14. Foi o Senhor que “o tirou da guarda do rebanho” e foi o Senhor – nota-se a repetição – que lhe disse para ir profetizar em seu Nome ao seu Povo: versículo 15). Só o Senhor é que pode fornecer explicações.

Amós pertence ao começo dos profetas clássicos, um novo tipo de profetas, não mais videntes, mas representantes dos movimentos de renovação religiosa. Eles se sabem enviados por Deus mesmo a regiões fora de sua jurisdição natural, com uma mensagem de conversão.

A missão do profeta é muitas vezes muito difícil. Nós não nos fazemos profeta: Deus é que chama, mesmo a quem aparentemente não está preparado: por exemplo, Amós, pastor e agricultor. Amós apela para esta missão “forçada”, quando o sacerdote de Betel (em Israel, no Norte), farto de suas críticas o quer mandar de voltas para sua terra, Judá (no Sul).

Como vimos na liturgia de Domingo passado, a missão do profeta não é fácil. O profeta deve falar em nome de Deus e facilmente vai descontentar alguém. Neste caso, é evidente o embate de Amós com os interesses dos sacerdotes do templo real de Betel.

O termo “vidente” (versículo 12), que na boca de Amasias pretende ser depreciativo, exprime ao invés uma característica importante do profeta: ele não é apenas alguém “que fala” em nome de Deus, é também alguém “que vê” as coisas como Deus as vê. Amós defende-se recordando que o ofício de profeta não é um ofício que qualquer pessoa pode escolher para se governar. Pelo contrário, é uma vocação divina e uma missão divina. O profeta é apenas um instrumento escolhido por Deus e enviado ao povo de Israel (versículos 14-15). Mas reside aqui também a sua dignidade: quem desprezar o mensageiro, despreza Aquele que o enviou. Daqui deriva também a sua responsabilidade: Amós deverá cumprir a sua missão apesar da desaprovação de muitos.

Salmo responsorial 84/85,9-14. O Salmo 84/85 é uma súplica coletiva. Do meio do povo surge uma voz, falando em nome de Deus. Esse profeta anônimo afirma que Deus anuncia a paz para quem Lhe é fiel (versículo 9). Paz, para o povo da Bíblia, é plenitude de bens e de vida. A salvação está próxima e a glória de Deus vai habitar outra vez na terra (versículo 10). O universo inteiro vai participar de uma grande coreografia. É a dança da vida que está para começar. Já se formam os pares: Amor e Fidelidade, Justiça e Paz, Fidelidade e Justiça (versículos 11-12). É uma coreografia universal, pois da terra brota a Fidelidade, e do céu brota a Justiça. A coreografia do universo inicia uma grande procissão que percorre a terra. À frente vai a Justiça, atrás segue o Senhor e, depois Dele, a Salvação (versículo 14). Como isso vai se concretizar? Na troca de dons. O Senhor dá chuva à terra, e a terra dá fruto (versículo 13), para o povo viver e celebrar sua fé, alegrando-se com Deus.

Tudo leva a crer que o Salmo surgiu em tempo de seca (versículo 13a) e fome. Sem a terra produzindo seus frutos, o povo está sem vida e não tem motivo para festejar. É, portanto, um clamor pela vida que brota da terra. Pede-se que Deus responda com a salvação, dê chuva à terra, para que a terra dê frutos e vida para o povo celebrar. Surgirá, então, uma grande celebração, a festa da vida, abraçando todo o universo: uma dança que envolve Deus e o povo, o céu e a terra, dando início à procissão da vida. Deus caminha com seu povo, precedido pela Justiça e seguido pela Salvação.

O Salmo revela o rosto de Deus. Amor e Fidelidade, Justiça, Paz e Salvação são as características do rosto desse Deus que caminha com seu povo. Ele habita o céu, mas da terra faz brotar a Fidelidade (versículo 12). Fidelidade e Justiça enlaçam céu e terra em perfeita harmonia.

Além disso, o Salmo mostra que o Deus de Israel está ligado à terra, símbolo da vida. Entre Deus e a terra há um diálogo aberto e uma troca de bens. Deus dá a chuva, e a terra dá alimento ao povo; o povo, por sua vez, festeja com Deus, oferecendo os primeiros frutos.

É fundamental estabelecer algumas relações deste Salmo com Jesus. Ele é o Amor e a Fidelidade de Deus para a humanidade (João 1,17), o verdadeiro Caminho para a Vida (João 14,6). O velho Simeão, ao tomar o Menino Jesus no colo, afirma estar vendo a glória divina habitando no meio do povo (Lucas 2,32). Jesus perdoou pecados e, em lugar de ira, mostrou-se misericordioso, manso e humilde de coração para com os pequenos e pobres, restaurando a vida dos que eram oprimidos. O profeta por excelência será Jesus Cristo, o perfeito e definitivo revelador da Palavra e do rosto do Pai.

Neste Salmo, peçamos que o Senhor nos dê a capacidade de ouvir e responder ao seu chamado.

MOSTRAI-NOS, Ó SENHOR, VOSSA BONDADE
E A VOSSA SALVAÇAO NOS CONCEDEI!

Segunda leitura – 2Efésios 1,3-14. O prólogo/hino com o qual começa a Carta aos Efésios é de uma solenidade extraordinária. Deus é “bendito”porque “nos abençoou em Cristo” (versículo 3), em Cristo nos escolheu (versículo 4) e “predestinou a fim de sermos seus filhos adotivos” (versículo 5), “por Ele temos a redenção” (versículo 7), “deu-nos a conhecer o mistério da sua vontade” (versículo 9), ou seja, o desígnio de “instaurar todas as coisas em Cristo” (versículo 10). E escuta do Evangelho nos traz o selo do “Espírito Santo” (versículo 13), “penhor da nossa herança” (versículo 14).

As cartas de Paulo logo após a saudação têm uma ação de graças ou um hino. A segunda leitura da Missa de hoje é justamente o hino introdutório da Carta aos Efésios, que de modo poético e sucinto resume toda a história da salvação. O texto pertence ao gênero literário das bênçãos (cf. 2Coríntios 1,3; 1Pedro 1,3) muito freqüente na liturgia judaica, bastando lembrar que a principal oração dos judeus são as “18 bênçãos”.

Todas as bênçãos têm sua origem em Deus, por esta razão Paulo se eleva ao plano celeste, e lá se mantém em toda a carta, Efésios 1,20: Cristo; Efésios 2,6; Igreja Efésios 3,10: fiéis; e até os espíritos maus (Efésios 6,12) para demonstrar o caráter radical da vitória de Cristo. É o Deus, não só Criador, mas o Deus Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo que nos abençoa. Paulo nos associa à confissão de fé na Filiação divina de Jesus, e indica que as bênçãos em nós são fruto da ação do Espírito, por conseguinte, bênçãos espirituais.

O termo “mistério” (versículo 9) serve para Paulo pra resumir numa palavra tudo o que – e não era certamente pouco – ele tinha compreendido de Deus, de Cristo, da Igreja, as Salvação, da Redenção, da Revelação, do Evangelho. O mistério tem quatro etapas. A primeira é o mistério de Deus. Não se trata do mistério de Deus em Si mesmo, mas do Seu projeto eterno de criar, redimir e santificar toda a Humanidade. Esse mistério de Deus torna-se “o mistério de Cristo” (segunda etapa) revelando-se e realizando-se plenamente em Cristo, na Sua vida, morte e ressurreição. O “mistério do Evangelho” constitui a terceira etapa: o Evangelho é Cristo anunciado, com toda a força da revelação e da salvação que o próprio Jesus tinha. A quarta etapa é o “mistério da Igreja”, que continua e torna visível no tempo e no espaço o mistério de Deus, de Cristo e do Evangelho. O elo de união das quatro etapas é constituído pelo Espírito Santo, que é Senhor e dá a vida.

Evangelho – Marcos 6,7-13. O texto relata a versão de Marcos do discurso missionário. Jesus chama os doze e envia-os “dois a dois”, transmitindo-lhes o Seu “poder sobre os espíritos impuros” (versículo 7); quanto menos coisas levarem com eles, melhor: só bastão e sandálias; não devem levar “pão”, nem sacola, nem “dinheiro” (cf. versículos 8-9. Podem entrar nas casas (versículo 10); e se não forem recebidos por alguém, irão para outro lugar. Eles partem, convidam à “conversão” (versículo 12), “expulsam os demônios” e “curam os doentes” (versículo 13).

Comparando com Mateus e Lucas, Marcos é o evangelista que mais insiste sobre a missão dos Doze (Mateus prefere chamar-lhes “discípulos, e Lucas “apóstolos), serão eles o elo de ligação entre Jesus e a Igreja.

Marcos distingue e destaca três momentos que lhes dizem respeito: a vocação (capítulo 1); a instituição (capítulo 3); e a missão (capítulo 6). Os Doze são, além disso, apresentados sempre junto de Jesus para “assimilarem a Sua doutrina. Deverão continuar a missão de Jesus e, por isso recebem o Seu “poder sobre os espíritos impuros” e para “curar” os doentes (cf. versículos 7.13). Já que a sua força deriva só do Senhor, devem deixar tudo (versículos 8,9). Deslocarão de terra em terra, com o Mestre, e como Ele serão por vezes recebidos e outras vezes não (versículos 10-11). Mas deverão continuar a anunciar o Evangelho da “conversão” (versículo 12). Rejeitando os Apóstolos, eles privam as pessoas que os rejeitam de qualquer esperança. Até o pó que fica na sola do sapato é contaminado e “poluído” por este gesto de rejeição e se torna terra condenada. No dia do juízo este gesto será alegado contra eles como testemunho do descaso e da incredulidade deles.

Os Doze recebem o poder de Jesus sobre os maus espíritos (Marcos 6,7; cf. Marcos 1,27; 3,15 etc.). Jesus não foi bem recebido em Nazaré (Evangelho de Domingo passado, Marcos 6, 1-6); o mesmo pode acontecer com os Apóstolos (Marcos 6,11). Os Apóstolos pregam a conversão (Marcos 6,12) como Jesus (Marcos 1,14-15). Expulsam como Ele (cf. Marcos 3,22) os demônios (Marcos 6,13a) e curam como Ele (cf. 6,5b) os doentes (Marcos 6,13b). Sem negar a historicidade destas missão, pode-se dizer que nos elementos citados transparece mais a teologia-de-missão do evangelista Marcos.

Na missão dos Doze está claramente refletida a missão perene da Igreja fundada por Cristo.

3- DA PALAVRA CELEBRADA AO COTIDIANO DA VIDA

Como Deus chamou Amós (primeira leitura) e os outros profetas da primeira Aliança e os enviou a falar em seu Nome, assim Jesus chama e envia os Doze em missão (Evangelho), para proclamarem a sua missão evangelizadora. Os Doze são o núcleo primordial da Igreja, que é chamada e enviada a continuar, no tempo e no espaço, a missão de Jesus e dos Doze. É explícita e forte a relação com a missão de Jesus: o mesmo conteúdo evangelizador; as mesmas dificuldades; os mesmos poderes divinos (sobre o mal e sobre as doenças); as mesmas modalidades missionárias (não fundadas sobre meios humanos poderosos e eficientes, mas sim sobre a pobreza que caracterizou o ministério de Jesus). Como Amós, como Jesus, como os Doze, também a Igreja na sua missão encontrará dificuldades, mas não podemos ter medo, tudo está previsto.

A Palavra de Deus deste Domingo nos lembra que o seguimento de Jesus acontece no comum do dia-a-dia: trabalhando em conjunto, comunitariamente, com desprendimento e disponibilidade; anunciando a Boa Nova, não como simples funcionário, mas como profeta, respondendo a uma missão divina que não se escolheu, porém para a qual se foi escolhido antes da criação do mundo e enviado como servidor do povo. Escolha que é graça, e também exigência de sobriedade, recusa de privilégio social e econômico; autentico desprendimento pessoal em um serviço nem “profissional nem funcional”.

A nossa vivência religiosa tem conseqüência social, política e econômica. Esta foi a postura de Jesus. É o próprio Evangelho que nos propõe fazer política, isto é, ação transformadora. Contudo, não uma política segundo os interesses do “rei” ou dos poderosos, mas conforme o Evangelho, segundo o interesse do amor, da fraternidade, da justiça e da opção pelos pobres.

Como discípulos e discípulas de Jesus, recebemos uma missão frente o capitalismo mundial, imperialista, invasor, explorador e excludente que não respeita o direito internacional da convivência entre os povos. Também junto aos movimentos populares, os quais lutam pelos direitos das minorias, temos a proposta de Jesus a oferecer.

Fomos marcados por Cristo com o Espírito Santo para assumirmos a ação transformadora de Deus. O compromisso do cristão é fazer com que este mundo de injustiça se converta numa sociedade de irmãos. Jesus sempre chamou à conversão, que não é uma questão moral somente, mas a modificação integral de nossa maneira de viver.

Nossa celebração, assumindo a simplicidade como estilo e tendo como eixo a Aliança de Deus com o seu povo, é sinal bem visível e profundo do Reino anunciado por Jesus e nos firma na mesma missão de vencer o mal e anunciar a salvação.

Como seguidores de Jesus, temos o Reino como projeto, causa e missão?

4- A PALAVRA SE FAZ CELEBRAÇÃO

O horizonte da gratuidade

A celebração nos faz rever nossas pretensões institucionais. O espírito expansionista da religião cristã muitas vezes carrega pecados ocultos: confundir a missão com profissão rentável e sem o horizonte da gratuidade é uma das questões a se rever. Outra questão séria é a nossa dificuldade de proclamar a universalidade da salvação, para além de nossa ânsia de arrebanhar multidões. Em tempo de religião de mercado, onde a fé se confunde com artigo de compra, seria conveniente vigiar nossas atitudes frente ao comportamento mercantil que nos invade. A missão de Cristo que se prolonga no seu Corpo, a Igreja, tem Dele os mesmos requisitos de despojamento de si, de despretensão, de gratuidade. Nossa herança é outra: a salvação que vem de Deus. Por isso, só Nele devemos confiar, sobretudo quando agimos em seu nome.

Ide em paz

Terminada a celebração eucarística, dá-se início à missão como decorrência de nossa união com o Senhor. “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele, diz o Senhor” (antífona de comunhão). O envio, pelo brevíssimo rito de despedida “Ide em paz e o Senhor vos acompanhe”, terá para nós esse sentido: Cristo continua em nós o seu agir salvífico, descendo às profundezas da humanidade, ao encontro dos males e das doenças que rondam a vida do povo e da sociedade, para lá anunciar a chegada do Reino que liberta, cura e salva.

5- LIGANDO A PALAVRA COM A AÇÃO EUCARÍSTICA

A assembléia eucarística é lugar privilegiado da salvação cuja força vem da Palavra ouvida e acolhida em nosso coração e do Espírito que nos faz, com Cristo, uma oferenda agradável a Deus.

Participando da celebração, Ele nos consagra como enviados, entregando-nos seu Espírito, e nos fortalece para que nunca percamos o entusiasmo e a alegria em nossa missão, fazendo sempre bem cada tarefa que assumimos. O rito da unção com óleo perfumado evidencia este mistério.

O profetismo também se manifesta na perseverança e na radicalidade com que vivemos o nosso cotidiano.

6. ORIENTAÇÕES GERAIS

1. É importante e decisivo, na formação litúrgica das equipes, oferecer pequenas vivências, como: proclamação das leituras de maneira serena e calma tendo uma boa postura, preparação do Altar, animação do canto, proclamação das preces dos fiéis, distribuição da comunhão, modo de caminhar e sentar-se

2. É preciso valorizar o uso da veste litúrgica por leitores e salmistas, pois ela torna visível o serviço de quem proclama a Palavra, ela é a marca da função ministerial, isto é, colocar-se a serviço de Deus e da assembléia orante.

3. O CD: Liturgia VI, Ano A, CD: Liturgia IX, Ano B e o CD: Cantos de Abertura e Comunhão Tempo Comum, da coleção Hinário Litúrgico da CNBB nos oferecem cantos adequados para cada Domingo. O repertório bem ensaiado manifestará, mais harmonicamente, o mistério celebrado.

4. Lembrar que no dia 14 é dia de São Camilo declarado pela Igreja patrono dos enfermos e dos hospitais. Dia 16 de julho, é a festa de Nossa Senhora do Carmo. Esta festa tem a íntima relação com a Ordem Carmelita, ordem estabelecida no século XII no Monte Carmelo, na Palestina. O Escapulário de Nossa Senhora tem aceitação universal entre o povo católico. Ele é um sinal externo de devoção mariana. O Escapulário é um sacramental, quer dizer, segundo o Concílio Vaticano II, “um sinal sagrado segundo o modelo dos sacramentos, por meio do qual se significam efeitos, principalmente espirituais, obtidos pela intercessão da Igreja” (SC, nº 32). Dia 17, memória de Santo Inácio de Azevedo e seus companheiros mártires do século XVI, e Bartolomeu de Las Casas, bispo defensor dos povos indígenas e dos negros, na América Central, do mesmo século. É bom lembrar que este bispo afirmava que não podia celebrar a Eucaristia dignamente quem explorasse o trabalho escravo dos indígenas.

7- MÚSICA RITUAL
O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos cantar a liturgia e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com cada domingo, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são do Tempo Comum, é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado. A função da equipe de canto não é simplesmente cantar o que gosta, mas cantar o mistério da liturgia deste 15º Domingo do Tempo Comum. Os cantos devem estar em sintonia com o Ano Litúrgico, com a Palavra proclamada e com o sacramento celebrado. Não devemos esquecer que toda liturgia é uma celebração da Igreja corpo de Cristo e não de um grupo, de uma pastoral ou de um movimento.

Antes da celebração, evitar a correria e agitação da equipe litúrgica e a equipe de canto, com afinação de instrumentos e testes de microfone. Tudo isso deve ser feito antes. A equipe de canto não deve ficar fazendo apresentação de cantos para entretenimento da assembléia É importante criar um clima de silêncio orante.

1. Canto de abertura. Na justiça, saciar-se contemplação de Deus (Salmo 16/17,15). Para o canto de abertura, sugerimos este Salmo. “Assim que a tua glória”, CD: Liturgia VI, mesma melodia da faixa 19. As estrofes são do Salmo 32/33, nos convida a alegrar-nos no Senhor que é bom, que cumpre o que promete. Outra opção seria outra versão desse mesmo salmo: “Ó quão formosos”, Hinário Litúrgico III da CNBB, página 315.

Como canto de abertura da celebração, sugere-se o canto proposto pelas Antífonas do Missal Romano e ricamente musicadas pelo Hinário Litúrgico III da CNBB. Isso não significa rigidez. Mas a equipe de liturgia, a equipe de celebração, a equipe de canto juntamente com o padre têm a liberdade de variar sua escolha, desde que isso manifeste o Mistério celebrado e seja fiel aos princípios que regem a escolha de uma música adequada para a celebração. Uma sugestão, para entender bem o que significa isto, seria “A tua Igreja vem feliz e unida agradecer a ti, ó Deus da vida”, CD: Cantos de Abertura e Comunhão – “As Mais Belas Parábolas, CNBB/Paulus), melodia da faixa 6 é uma boa opção para iniciar a celebração

Ensina a Instrução Geral do Missal Romano que o canto de abertura tem por objetivo, além de unir a assembléia, inseri-la no mistério celebrado (IGMR nº 47). Nesse sentido o Hinário Litúrgico III da CNBB nos oferece uma ótima opção, que estão gravados no CD: Liturgia VI.

2. Ato penitencial. “Senhor, servo de Deus, que libertastes a nossa fraqueza”, CD: Partes Fixas Ordinário da Missa, melodia da faixa 2. A letra é muito oportuna para este 15º Domingo do Tempo Comum

3. Hino de louvor. “Glória a Deus nas alturas…” Vejam o CD Tríduo Pascal I e II e também no CD Festas Litúrgicas, Partes fixas do Ordinário da Missa do Hinário Litúrgico III da CNBB e também a versão da CNBB musicado por Irmã Miria e outros compositores.

O Hino de louvor “Glória a Deus nas alturas” é antiqüíssimo e venerável, com ele a Igreja, congrega no Espírito Santo, glorifica e suplica a Deus e ao Cordeiro. Não é permitido substituir o texto desse hino por outro (cf. IGMR n. 53). O CD: Festas Litúrgicas I propõe, na faixa 2, uma melodia para esse hino que pode ser cantado de forma bem festivo, solista e assembléia. Ver também nos outros CDs que citamos acima.

4. Salmo responsorial 84/85. Quero escutar o que disser o Senhor. “Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade e a vossa salvação nos concedei!”, mesma melodia da faixa 7 do CD: Liturgia IX.

A função do salmista é de suma importância. Sua função ministerial corresponde à função dos leitores e leitoras, pois o salmo é também Palavra de Deus posta em nossa boca para respondermos à sua revelação. Por isso, o salmo dever ser proclamado do Ambão e, se possível, cantado.

5. Aclamação ao Evangelho. Quando recebestes a palavra de Deus… a acolhestes, não como palavra humana, mas como é realmente, palavra de Deus (1Ts 2,13). “Aleluia… Esta palavra de Deus, irmãos, acolham”, CD: Liturgia VII, mesma melodia da faixa 7. O canto de aclamação ao evangelho acompanha os versos que estão no Lecionário Dominical.

Preserve-se a aclamação ao Evangelho cantando o texto proposto pelo Lecionário Dominical. Ele ajudará a manifestar o sentido litúrgico da celebração, conforme orientações da Igreja na sua caminhada litúrgica.

6. Apresentação dos dons. A Palavra semeada em nosso coração, nos chama à ao desprendimento. A prova da conversão é a partilha. Devemos ser oferenda com as nossas oferendas. “Bendito e louvado seja o Pai nosso criador”, CD: Liturgia VI, melodia da faixa 14.

7. Canto de comunhão. “Eles partiram e proclamaram e proclamaram que era preciso converter-se” (Marcos 6,12). “Enviados ao mundo por ti”, CD: Liturgia VI, mesma melodia da faixa 16. Outras duas ótimas opções de cantos bíblicos é Efésios 1,3-10, “Bendito seja Deus, Pai do Senhor Jesus Cristo”, CD: Cantos de Abertura e Comunhão, melodia da faixa 17 e o Salmo 22 que se encontra nos CDs do Tempo Pascal Anos A, B e C. Outra versão desse Salmo está no Hinário Litúrgico III da CNBB, página 384. Sem dúvida, estes três cantos são os mais adequados pra esse Domingo. Além desses cantos bíblicos o Hinário Litúrgico III, oferece outros cantos: “Benditos os pés que evangelizam, página 348; “Quando o Espírito de Deus soprou, o mundo inteiro se iluminou, página 367.

A mesma orientação dada para o canto de abertura vale para o canto de comunhão. Mas na mesma liberdade e bom senso, sugerimos um canto bem conhecido com várias palavras de Jesus tiradas dos quatro evangelhos. O Canto de Comunhão Efésios 1,3-10, “Bendito seja Deus, Pai do Senhor Jesus Cristo”, e os outros cantos mencionados, gravados pela Paulus, também articula-se com a Liturgia da Palavra, o que permite estabelecer e experimentar a unidade das duas mesas, considerando a Liturgia um único ato de culto. O canto de comunhão deve retomar o sentido do Evangelho do dia. Esta é a sua função ministerial. Na realidade, aquilo que se proclama no Evangelho nos é dado na Eucaristia, ou seja: é o Evangelho que nos dá o “tom” com o qual o Cristo se dirige a nós em cada celebração eucarística reforçando estes conteúdos bíblico-litúrgicos, garantindo ainda mais a unidade entre a mesa da Palavra e a mesa da Eucaristia.

8- ESPAÇO CELEBRATIVO

1. Prepara o espaço da celebração bem festivo, porque cada Domingo é Páscoa semanal. Os enfeites não podem ofuscar as duas mesas principais: mesa da Palavra e o altar.

2. “O altar dentro da Igreja goza da mais alta dignidade, merece toda honra e distinção, pois nele se realiza o mistério Pascal de Cristo, do qual é o símbolo por excelência. Pela sua dignidade e valor simbólico, o altar não pode ser um móvel qualquer ou uma peça sem expressão, mas precisa ser nobre, belo, digno, plasticamente elegante. Nada se sobrepõe ao altar. Ele pode ser realçado com a toalha, as velas, a cruz processional, as flores. Todos estes elementos devem enfatizar a sua nobreza e sobriedade, sem escondê-lo ou dificultar as ações litúrgicas.

3. Os detalhes merecem cuidado especial, pois nunca devem se sobrepor ao essencial. As flores por exemplo, não são mais importantes que o altar, o ambão e outros lugares simbólicos. Nem a toalha é mais importante que o altar. Os excessos desvalorizam os sinais principais. A sobriedade da decoração favorece a concentração no mistério celebrado” (Guia Litúrgico Pastoral, página 110).

9. AÇÃO RITUAL

Valorizar, nos vários momentos da celebração, todas as pessoas que trabalham com doentes e os próprios doentes presentes. Lembrar também, em momento adequado, nomes de profetas e evangelizadores(as) de hoje que, como Amós, Jesus e os discípulos, dão a vida pelos irmãos e irmãs.

Ritos Iniciais

1. É importante que não se diga nenhuma palavra antes da saudação: nem “Bom dia ou Boa noite”, nem comentários ou introduções! Bom dia e boa noite não é saudação. Primeiro devemos saudar a Trindade.

2. O sinal-da-cruz é a primeira ação litúrgica do povo de Deus reunido para celebrar a Eucaristia. Fazer de maneira orante para que a assembléia se sinta abraçada pela Santíssima Trindade.

3. A pós a saudação o presidente o sentido da celebração pode ser exposto por quem preside ou um ministro devidamente preparado com palavras semelhantes às que seguem:

Domingo do envio dos Doze Apóstolos. Somos enviados por Jesus para anunciar o Reinado de Deus. Na Eucaristia, reunimo-nos ao seu redor para acolher seu ensinamento e para partilhar, em clima de fraternidade e gratidão, pão e vinho, sinais do seu Corpo e Sangue. Recebemos do Senhor a missão de pregar a conversão e o dom de expulsar o mal da vida das pessoas.

4. Em seguida fazer a recordação da vida trazendo os fatos que são as manifestações da Páscoa do Senhor na vida da comunidade, do país e do mundo, mas de forma orante e não como noticiário. Lembrar de maneira especial as pessoas que trabalham com doentes, nomes de profetas e evangelizadores de hoje que, como Amós, Jesus e os discípulos, dão a vida pelos irmãos e irmãs, sobretudo os excluídos.

5. O Ato Penitencial na Missa pode ser concebido como uma atitude de confiança e esperança na misericórdia do Senhor que socorre os seus na sua fraqueza e limitação. O amor visceral do Senhor (misericórdia, segundo Lucas 1,78) nos alcança. Essa é a experiência da piedade divina. Lembrando-nos que piedade é a tradução de “pietas” que em latim traduz o grego “eleos”, palavra conservada ainda no Kyrie “eleison”, significando o carinho de Deus para com suas criaturas e a confiança dessas em sossegar-se em seu aconchego. Não confundir o Ato penitencial com pedidos de perdão como muitas vezes acontece. Nunca dizer: Vamos fazer o Ato penitencial pedindo perdão dos nossos pecados. Neste Domingo, pedimos a Deus que nos ajude a rejeitar o que nos afasta d’Ele e nos faça crescer em santidade. Por isso, procuremos dar especial destaque ao Ato Penitencial, através da aspersão, conforme diz a Instrução Geral do Missal Romano, nº 51: “aos domingos, em lugar do ato penitencial de costume, pode-se fazer, por vezes, a bênção e aspersão da água”.

6. Sugerimos que a motivação para o Ato Penitencial seja a fórmula I da página 391 do Missal Romano:

No início desta celebração eucarística, peçamos a conversão do coração, fonte de reconciliação e comunhão com Deus e com os irmãos e irmãs.

Após uns momentos de silêncio cantar:

Senhor, servo de Deus, que libertastes a nossa vida, tende piedade de nós!
(CD: Partes Fixas, Ordinário da Missa, melodia da faixa 2)

Outra opção para o Ato Penitencial é a formula 4, para os domingos do Tempo Comum na página 394 do Missal Romano, que evidencia a preocupação de Deus para com os excluídos:

Senhor, que viestes procurar quem estava perdido…

7. Cada Domingo do Tempo Comum é Páscoa semanal. Cantar de maneira festiva o Hino de louvor (glória).

8. Na Oração do Dia supliquemos a Deus que nos dê a luz da verdade para evitar o que contradiz o nome de cristão e fazer o que lhe é adequado.

Rito da Palavra

1. O Evangelho merece destaque especial. Fazer a proclamação com entusiasmo, seguida da apresentação do evangeliário para toda a assembléia.
2. Pensando numa liturgia inculturada do Evangelho de Marcos, pode-se após a homilia e o silencio, fazer a unção com óleo como sinal da salvação que o Senhor realiza em nós, por meio de sua Palavra. Quem preside pega uma vasilha com óleo perfumado e reza:

Ó Deus, que ungistes Jesus com o óleo da alegria para anunciar boas notícias ao vosso povo, nós vos bendizemos por este óleo e vos pedimos que as pessoas que forem ungidas por ele recebam a força do vosso Espírito, e sintam a ternura da vossa compaixão. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

3. Terminada esta oração, unge-se a fronte de cada pessoa com óleo perfumado, enquanto a assembléia canta o Salmo 22.

4. Se houver dificuldade dessa ação ritual, outra opção seria a imposição das mãos sobre a assembléia.

5. As preces, como ressonância da Palavra proclamada, sejam elevadas do Ambão, evitando-se formas indiretas: “para que…”, “pela nossa…”, “a fim de que…”. recordem o aspecto memorial e a suplica seja feita com base no que foi recordado. São formas de se valorizar a Palavra na celebração. Neste Domingo, pode ser feita uma prece por todas as vocações: leigas, ministeriais, matrimoniais, religiosas, missionárias, presbiterais e diaconais. Todos nós somos anunciadores do Reino e enviados por Jesus.

Rito da Eucaristia

1. Destacar toda a liturgia eucarística, momento em que o Pai nos entrega seu Filho como alimento e bebida. Toda sua grandeza se manifesta neste ato de entrega e doação a nós.

2. Na Oração sobre o pão e o vinho suplicamos a Deus que acolha as nossas oferendas, e que a participação nos dons eucarísticos nos faça crescer em santidade.

3. A Oração Eucarística VI-C – Jesus, Caminho para o Pai – ajudará a ressaltar o caráter missionário da comunidade cristã com as palavras do prefácio: “Fazei que todos os membros da Igreja, à luz da fé, saibam reconhecer os sinais dos tempos e empenhem-se, de verdade, no serviço do Evangelho. Tornai-nos abertos e disponíveis para todos, para que possamos partilhar as dores e as angústias, as alegrias e as esperanças, e andar juntos no caminho do vosso Reino.

4. Se for escolhida outra oração eucarística sugerimos o Prefácio dos Domingos do Tempo Comum I, página 428 do Missal Romano o qual evidencia o Mistério Pascal e o Povo de Deus. Seguindo esta lógica, cujo embolismo reza “Por ele, vós nos chamastes das trevas à vossa luz incomparável, fazendo-nos passar do pecado e da morte à glória de sermos o vosso povo, sacerdócio régio e nação santa, para anunciar por todo o mundo as vossas maravilhas”. O grifo no texto identifica aqueles elementos em maior consonância com o Mistério celebrado neste Domingo e que pode ser aproveitado na própria, ao modo de mistagogia. Usando este prefácio, o presidente deve escolher a I, II ou a III Oração Eucarística. A II admite troca de prefácio. As demais não admitem um prefácio diferente. As demais não podem ter os prefácios substituídos sem grave prejuízo para a unidade teológica e literária da eucologia.
5. A comunhão expressa mais nitidamente o mistério da Eucaristia quando distribuída em duas espécies, como ordenou Jesus na última ceia, “tomai comei, tomai bebei”. Vale todo esforço e tentativa no sentido de se recuperar a comunhão no Corpo e Sangue do Senhor para todos, conforme autoriza e incentiva a Igreja. “A comunhão realiza mais plenamente o seu aspecto de sinal quando sob as duas espécies. Sob essa forma se manifesta mais perfeitamente o sinal do banquete eucarístico e se exprime de modo mais claro a vontade divina de realizar a nova e eterna Aliança no Sangue do Senhor, assim como a relação entre o banquete eucarístico e o banquete escatológico no Reino do Pai” (IGMR, nº 240).

Ritos Finais

1. Na Oração depois da comunhão suplicamos que a Deus que a participação na comunhão eucarística faça crescer em nós a salvação.

2. Pode-se explorar o tema do envio, da missão, nos avisos ao final da celebração, mas sem longos discursos. Disponha-se, pois, os avisos da comunidade na perspectiva da missão da semana, missão da comunidade de Cristo que queremos ser.

3. A bênção final pode ser feita com a oração sobre o povo, números 20 ou 22, páginas 533 e 534 do Missal Romano.

4. As palavras do rito de envio devem estar em consonância com o mistério celebrado: “Anunciai a todos que o Reino de Deus chegou na pessoa de Jesus”. Ide em paz e o Senhor vos acompanhe!”.

5. É comum além, de entrar em procissão no início da celebração guiados pela cruz, também retirar-se do espaço sagrado em procissão, igualmente guiados pela cruz.

10- CONSIDERAÇÕES FINAIS

À medida que nosso envio expressar coerência de vida e ação, ele será testemunho e apelo ao seguimento. Sem o testemunho visível e atuante a evangelização será como uma máquina de escrever sem fita, ou um computador com o visor apagado.

Celebremos a Páscoa semanal do Senhor valorizando os ministérios que existem dentro da casa de nossa comunidade.

O objetivo da Igreja e da nossa equipe diocesana de liturgia é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas aquelas outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.

Um abraço fraterno a todos

pe. Benedito Mazeti

Compartilhe: