Artigos, Pe. Bendito Mazeti › 21/07/2017

16º DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO A – 23 de julho de 2017

Leituras

Sabedoria 12,13.16-19. Concedes o perdão aos pecadores.
Salmo 85/86,5-6.9-10.15-16a. Escutai, ó Senhor, minha prece.
Romanos 8,26-27. O Espírito intercede por nós.
Mateus 13,24-43. Os justos brilharão como o sol no reino de seu Pai.

“VOU PROCLAMAR COISAS ESCONDIDAS DESDE A CRIAÇÃO DO MUNDO”

ESPIGAS Y JESUS SABADOmazet
1- PONTO DE PARTIDA

Domingo do trigo e do joio. Neste 16º Domingo do Tempo Comum, continuamos na escuta das parábolas do Reino. Jesus garante que o Reino está presente em nós, caminhando para a sua realização definitiva, independente das condições adversas da história.

Hoje a Palavra nos revela a paciência de Deus em relação às pessoas e ao mundo, bem como o Mistério do Reino. No tempo da espera, do cultivo e do desenvolvimento até a colheita, somos convidados a prestar atenção ao Reino de Deus que se realiza no silêncio, sem grandes publicidades, só percebido pelos pequenos e pelos que aderem ao projeto de Deus.

Reunimo-nos para celebrar a Eucaristia, fonte e ápice da vida cristã. Ela nos ajuda a penetrar nos pensamentos de Deus, que são, com freqüência, bem diferentes dos nossos. Nesta celebração, o Pai paciente e misericordioso vem em nosso auxílio para que, embora convivamos como o joio, não desanimemos nem desistamos da construção do seu Reino.

2- REFLEXÃO BÍBLICA, EXEGÉTICA E LITÚRGICA

Contemplando os textos

Primeira leitura – Sabedoria 12,13.16-19. A comunidade judaica, fora de sua terra, vivendo situações difíceis, perguntava: “Por que Deus não intervém? O sábio mostra que Deus intervém sim, mas do jeito Dele, não do nosso jeito. Escutemos o que o Senhor nos diz por meio da palavra que vamos ouvir na leitura de hoje.

A onipotência de Deus é incontestável, Ele é o Criador de tudo. Mas Deus não teria criado nada do que existe, se não tivesse amado aquilo que criou (Sabedoria 11,21.24-26). A leitura de hoje nos mostra que a última explicação da existência de tudo o que existe não é, pois a Onipotência de Deus, mas o Seu amor. O autor nos leva a entender que o amor de Deus é a explicação de tudo o que existe e acontece.

A leitura apresenta a misericórdia de Deus como a conseqüência do amor com que Ele criou todas as coisas; e a justiça divina como uma prolongação de Seu poder Criador. A Onipotência de Deus não precisa precaver-se contra ninguém, nem recorrer a soluções drásticas ou ataques de surpresa. Por isso Ele pode compadecer-se de seus piores inimigos e dar-lhes uma nova chance.

O poder de Deus se mostra na capacidade de perdoar. O israelita piedoso (como também o “bom cristão” gosta de repartir os homens em bons e maus, e, quando vê que Deus não observa a sua divisão, acusa-o de falta de personalidade… Mas a sabedoria de Deus mostra-se tanto na paciência quanto no juízo. E também os “bons” precisam da misericórdia de Deus – Sabedoria 12,13 (cf. Deuteronômio 32,39; Jó 34,12-15 – Sabedoria 12,18-19 cf. Salmo 115,1-3 {113,9-11}; 135/134,6; Sabedoria 11,23).

Salmo responsorial – Salmo 85/86,5-6.9-10.15-16a. Este salmo é uma súplica individual em tempo de perigo e perseguição. Com a segurança de ser ouvido, o salmista entoa alguns versículos tomados de hinos: o Senhor é Deus único e universal (versículos 7-10).

O Salmo apóia o tema central: a grandeza de Deus. Este salmo é inspirado na famosa cena da revelação de Deus a Moisés (Êxodo 34,5-6). O tema principal para hoje é, então, a “grandeza de Deus”, que tem lugar para todos, inclusive os pecadores, até o momento em que eles terão que decidir se aceitam a sua graça, sim ou não. Isto nos ensina também algo sobre o pecado: com o tempo, o pecado se transforma, ou em arrependimento, ou em orgulho “infernal”; como o joio que, com o tempo, desaparece ou se torna insuportável.

Nesta súplica o servo invoca seu Senhor, o fiel apela à fidelidade. O Deus único e universal, que opera maravilhas, é admirável, sobretudo, porque olha e ouve, atende e responde. Se o cristão busca “um sinal de bondade”, lhe será dado “o sinal de Jonas”, a Ressurreição de Cristo, que é a revelação suprema da misericórdia de Deus e o fundamento da nossa confiança.

O rosto de Deus. Ele recebe vários nomes neste salmo (Javé, Deus, Senhor) e é invocado com muita insistência. O salmista insiste em afirmar que Deus é amor, fidelidade, piedade, compaixão, graça e salvação, portanto, o salmo é oração confiante ao Deus bondoso sempre disposto a perdoar. Essas palavras O associam ao acontecimento central da história do povo de Deus, a libertação da escravidão do Egito.

A ação de Jesus esteve voltada para os pobres e indigentes do seu tempo, confiando-lhes o Reino (Mateus 5,3; Lucas 12, 32), ouvindo seus clamores, libertando-os e mostrando-se cheio de amor e fidelidade (João 1,17). Ele disse que não rejeitava nenhum dos que o Pai lhe confiou, nem afastava os que se aproximasse dele (João 6,37).

Cantando este Salmo na celebração de hoje, elevemos nossa súplica a Deus que na sua fidelidade nos socorre sempre apesar de nossas infidelidades e ao mesmo tempo, agradeçamos ao Senhor Jesus pela sua infinita misericórdia para com todos.

Ó SENHOR, VÓS SOIS BOM, SOIS CLEMENTE E FIEL.

Segunda leitura – Romanos 8,26-27. O Apóstolo Paulo escrevendo aos romanos, nos conta como o Espírito atua em nós vindo em socorro da nossa fraqueza ensinando-nos a rezar. No momento, o Apóstolo aborda outra dificuldade: se o fiel tem em si o Espírito de Deus, como encontra tantas dificuldades em rezar? (versículos 26-27).

Paulo nos apresenta o terceiro gemido do Espírito. Ele vem em auxílio da nossa fraqueza humana. É dinamismo da ação cristã e também da oração. Nele é que oramos como filhos e filhas de Deus. O Espírito (Paráclito) age como mediador eficaz. Sua atuação, em nosso íntimo, gera a harmonia e orienta a vontade de Deus.

A exposição de Paulo sobre a oração situa-se numa exposição maior sobre o sentido do cosmo, e esta associação da dificuldade de rezar e da esperança cósmica não inesperada. Ele permite, pelo contrário, compreender que a oração não é uma evasão para Deus, mas a partilha do cristão e Deus de seu comprometimento comum com o mundo. A oração assume assim o sentido da realidade: só a pessoa adulta pode rezar, porque é companheira de Deus lutando e sofrendo com Ele no mundo.

O Espírito Santo auxilia nossa fraqueza. Fé e esperança são antecipações daquilo que ainda não está aí (Romanos 8,24). Assim, nossa vida cristã é uma vida “a amadurecer”, inacabada. O “sopro” (= “espírito”) de Deus a ajuda a se desenvolver desde sua infância (espiritual), desde sua fraqueza, que Ele “adota”. O Espírito conhece os dois “abismos”: o ser de Deus e o coração da pessoa humana. Como não temos bastante amplidão, seu soprar em nós é um gemido dirigido a Deus. No entanto, já nos faz santos, (cf. Hebreus 11,1; Romanos 5,5; 8,15; 1Coríntios 2,10; Gálatas 4,6; Jeremias 11,20).

Evangelho – Mateus 13,24-43. Jesus, hoje, propõe-nos as parábolas: do trigo e do joio, do grão de mostarda e do fermento na massa (cf. Mateus 13,24-43). “O Reino do Céu é como um homem que semeou boa semente […]”. A sociedade é um campo de semeaduras diferentes e contrastantes. Ao discípulo convicto e firme na prática da justiça compete semear a boa semente. Os que são contra os valores do Reino não perdem tempo, com insistência semeiam o joio. Isso causa perplexidade às comunidades cristãs. “Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? De onde veio então o joio?” Como explicar que Deus tolera que a injustiça se desenvolva na sociedade? Por que Deus não intervém diante da expansão do mal? “Queremos que arranquemos tudo? É a tentação de fazer justiça com as próprias mãos”. “Não, pode acontecer que, arrancando o joio, vocês arranquem também o trigo”.

Os discípulos têm pressa. Desejam, de imediato, separar os bons e os maus, os justos e os injustos. Jesus condena sua impaciência que os identifica aos fariseus e essênios que pretendiam organizar comunidades perfeitas. A seleção acontecerá na hora da colheita. Nessa hora, pelas espigas, será possível distinguir o que é trigo e o que é joio. No tempo do crescimento, a comunidade convive com o trigo e com o joio. Há que se tolerar a convivência do bom e do mau. Na construção do Reino, é preciso ter paciência e esperar a hora certa para o discernimento final. Mas esse modo de proceder não revela a própria incapacidade de transformação diante da realidade do mal?

A existência deste joio não mostra a fraqueza do Evangelho mas, antes, a sua força, pois o que tem valor, para finalmente vencer, pode agüentar a imperfeição do provisório. O fraco é impaciente, porque acha que não agüenta. O forte tem força para dar tempo às coisas. Melhor, ele pode procurar vencer o mal pelo bem. Ninguém de nós pode julgar quem é trigo e quem é joio. Não se enxerga a diferença, enquanto não estiverem maduros.

Enquanto a justiça de Deus tarda, os opositores de Jesus escandalizam-se e riem de sua impotência. No pensar deles, o reino deveria ser instaurado à força. Para destacar o dinamismo interno da semente, Mateus trabalha com termos contrastantes: menor e maior. “A menor de todas as sementes, quando cresce, torna-se maior do que as outras plantas”. A semente do Evangelho lançado no campo (referência ao mundo) alcançará um desenvolvimento ilimitado (uma árvore maior que as outras). Nela os pássaros se aninharão, tornando-se fecundos. Aguardem! Esta parábola do grão de mostarda fala do crescimento do Reino em extensão. Nos ramos frondosos podem já as aves fazer ninho. É uma referencia à incorporação dos povos pagãos na Igreja. Assim acontecerá com os valores do Reino, garante Jesus. Do pequeno e do insignificante surgirá o Reino de Deus.

Na terceira parábola, numa linguagem proverbial, o que é pequeno e oculto contrasta com o seu tamanho e eficácia. “O Reino do Céu é como o fermento”. Contrapõe-se o pouco e o muito, ou seja, o dinamismo do fermento (um punhado insignificante) que desaparece transforma as três porções de farinha. A Boa-Nova do Reino (fermento) confiada aos pequenos subverterá a humanidade (a massa). Se a parábola do grão de mostarda fala do Reino em extensão, a do fermento fala do Reino em intensidade. Fermentando três medidas de farinha, o pão suficiente para cem pessoas. O seu sentido e lição são paralelos aos do grão de mostarda. Na pessoa e na de Cristo está já atuando eficaz e irresistivelmente o fermento do Reino.

“Então Jesus deixou as multidões e foi para casa”. Na intimidade do Mestre com seus discípulos, as parábolas assumem novos contornos. O foco não é mais nos outros, mas o empenho da própria comunidade em relação ao dinamismo da Palavra de Deus. Em casa, a explicação destaca o contraste entre os filhos do Reino (boa semente) e os adeptos do joio. Estes, na hora da colheita, haverão de ranger os dentes de raiva e desespero; os filhos do Reino, por sua vez, brilharão como sol no Reino do Pai. “Quem tem ouvidos, ouça”, o que indica que cada um deve ter seu discernimento.

3- DA PALAVRA CELEBRADA AO COTIDIANO DA VIDA

Hoje, como no Domingo anterior, o Evangelho, recolhendo três fragmentos do capítulo 13 de Mateus, continua expondo o mistério do Reino do Céu, na perspectiva do novo povo, isto é, as comunidades das primeiras gerações de cristãos.

Os discípulos de Jesus queriam ter clareza quanto à atuação do Reino de Deus. A Boa-Nova do Reino anunciada por Jesus não era clara, na prática, e sua realização não era transparente. Esperavam que o Mestre definisse os limites e esclarecesse as opiniões. Todavia, Jesus não só não faz o que eles esperam, como também diz que Deus não o faz e nem o quer fazer. Afirma que o Reino do Céu é um campo em que tudo está misturado. Nele convivem o trigo e o joio, os bons e os maus.

A paciência de Deus desafia a eficiência das pessoas. Deus, sem se estressar, acompanha e espera até que a plantação esteja madura para, na hora da colheita, fazer a separação do trigo e do joio. É Ele que faz crescer e esperar pacientemente pela colheita. No juízo final (a ceifa é imagem do juízo final), aparecerá a verdade da comunidade, ficará claro quem é justo e quem é ímpio. No tempo do crescimento e do amadurecimento, justos e pecadores convivem, mas, no final, a sorte será diferente.

Quantas vezes, em determinadas situações da comunidade ou da sociedade, nós queremos fazer justiça com as próprias mãos: “Queres que arranquemos o joio? À paciência de Deus devem corresponder a tolerância e a não-violência entre os humanos. A parábola do Evangelho nos incentiva à compreensão, à tolerância, à não violência, ao respeito mútuo. Convida-nos a sermos tolerantes com os outros como somos tolerantes conosco mesmos. O fato de sermos pecadores não elimina a fraternidade. Também os injustos são nossos irmãos. O modo de agir de Deus não coincide com o nosso ativismo calculado, de inversões e prazos que vencem, de eficácia avassaladora, de êxito imediata e palpável. Não é a produção de muitos nem os vultuosos resultados, nem mesmo a separação do bem e do mal, que manifestam a presença do reino de Deus.

Para que a mente humana possa se sentir verdadeiramente satisfeita, ela precisa trabalhar por aquilo que deseja. Acontece que parte desse sentimento de satisfação está em esperar por aquilo que desejamos. O resultado da paciência dá muito mais prazer do que o imediato. O esperar ajuda-nos a discernir o que de fato queremos e o que é realmente importante para nós.

Jesus nos pede que superemos a impaciência e o pessimismo diante da realidade dos outros e da sociedade. O justo deve ser humano, isto é, compreensivo com outro que pensa e age diferente. O crescimento e o amadurecimento do Reino seguem caminhos desconcertantes à nossa impaciência. O êxito final pertence a Deus

As parábolas deste domingo são um estímulo para as comunidades, um empurrão aos desanimados na vivência da fé, que enxergam o mundo com os óculos escuros do pessimismo. Ninguém impede o crescimento do reino de Deus. ele é fermento que subverte a massa. Segundo os critérios humanos, ele pode iniciar com realidades pequenas e insignificantes (grão de mostarda). Mas, apesar das dificuldades iniciais e dos obstáculos da caminhada, o projeto de Deus vence as duras realidades sem empregar métodos e meios que violem a liberdade e a integridade das pessoas. Compreender o dinamismo incontido do Reino do Céu é dom do Espírito, que intercede por nós com gemidos que as palavras não explicam.

A paciência vitoriosa de Deus desafia todos a compreenderem a vida, a partir do dinamismo do Espírito, como um lento processo de desenvolvimento e de maturação. A pedagogia da paciência de Deus nos conduz à profundidade da vida e à busca de soluções duradouras para os problemas que nos afligem. Aos imediatistas e aos que sempre queixam de nunca dispor de tempo, a paciência de Deus interpela: em que valores são investidas as capacidades, as energias, o tempo e a própria vida? A mística do Reino de Deus requer perseverança no bem e respeito pela condição de cada pessoa.

Muitos cristãos, hoje em dia, são impacientes. Confrontados com a injustiça gritante, querem resolver a situação, expulsando, por iniciativa própria e com violência, isto é, fazendo justiça com as próprias mãos.

Nesta celebração, peçamos que o Senhor venha em auxílio de nossa fraqueza, para que saibamos acolher o Mistério do Reino superando os conflitos e as tensões, não nos deixando levar pela mentalidade do mundo, reconhecendo que nós mesmos somos, muitas vezes, o joio que dificulta o crescimento do Reino…

4- A PALAVRA SE FAZ CELEBRAÇÃO

Jesus revela no rosto de Deus

A Igreja celebra o memorial da morte-ressurreição de Jesus, contemplando na sua própria existência a bondade e misericórdia do Senhor. Celebrar a presença do Ressuscitado é, pois, tornar vivo, na comunidade de fé, o compromisso com o Reino que acontece quando testemunhamos o amor de Deus pela humanidade.

Mateus, na narrativa do Evangelho de hoje, citando o Salmo 78, diz que Cristo é aquele que revela as coisas escondidas desde a criação do mundo (versículo 35). O que Jesus revela é o próprio rosto de Deus, outrora escondido (cf. Êxodo 3,5), mas que, no Filho, é dado a conhecer. O Reino de Deus é Ele mesmo juntando a si, os seus.

Deus é clemente e cheio de bondade

A comunidade de fé reunida, em nome de Cristo, é chamada a ser, no mundo, sinal da presença de Deus, trazendo consigo as três virtudes teologais que a Oração do Dia explica: a fé, a esperança e a caridade. A liturgia de hoje nos coloca diante de uma maneira de olhar para Deus, com os olhos próprios de Jesus. Deus não é alheio à vida humana, mas, ao contrário, mostra-se clemente, cheio de bondade. Os que têm fé nesse Deus precisam, como Jesus, no Espírito, assumir uma postura que revele, no seu existir comunitário e pessoal, o Reino que é a presença de Deus governando, com amor e justiça, aqueles aos quais criou, à sua imagem e semelhança, para com eles se relacionar.

O convite à vida do Reino do Céu acontece para todos. Como servidores da messe, a graça de Deus, justo e clemente, transborda-se, em nós em um gesto de acolhida e comunhão com os que o Senhor escolheu para partilhar a vida.

5- LIGANDO A PALAVRA COM A AÇÃO EUCARÍSTICA

A Eucaristia atualiza a ação amorosa de nosso Deus. O mundo, a sociedade e nossas comunidades são campo onde convivem e amadurecem o trigo e o joio, o bem e o mal. Pessoalmente, cada um de nós é santo e pecador. Deus, em sua paciente misericórdia, acolhe-nos como somos e nos ampara com sua graça para não naufragarmos nas tribulações.

As forças do mal foram vencidas pela morte e ressurreição de Cristo. A Eucaristia, como memorial do Mistério Pascal de Cristo, torna-nos participantes do triunfo da vida sobre a morte e nos garante que o Reino caminha para sua realização plena, apesar dos limites e das contradições provocadas pelo joio que cresce junto com o trigo.

Na convivência conflitiva com o “joio”, O Espírito fortalece nossa confiança, porque “é Deus que nos ajuda, é o Senhor quem defende nossa vida. Senhor, de todo coração haveremos de vos oferecer o sacrifício e dar graças ao vosso nome, porque sois bom” (antífona do 16º Domingo). Assim, na Ceia Eucarística somos reconfortados pela certeza da esperança na difícil luta pela libertação integral da pessoa e pela construção de uma sociedade justa, solidária e fraterna.

6. ORIENTAÇÕES GERAIS

1. Como no Domingo passado, dar especial destaque à Palavra de Deus na celebração dominical deste dia; seria significativo que, logo na entrada da Igreja, as pessoas vissem o Livro da Palavra de Deus (Lecionário ou a Bíblia) colocado num lugar de destaque, junto com sementes próprias das culturas locais.

2. A leitura contínua do Evangelho, harmonizada com a primeira leitura, tirado do Primeiro Testamento, dá a tônica da celebração e apresenta um itinerário de seguimento. Aí temos a espiritualidade a ser vivida durante a semana e a vida toda.

3. Dia 22 memória de Santa Maria Madalena, discípula de Jesus. Dia 23, recordamos Santa Brígida, mãe dos pobres e também recordamos a morte violenta de oito adolescentes na Candelária, no Rio de Janeiro, em 1993.

7- MÚSICA RITUAL

O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos cantar a liturgia e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com cada domingo, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são do 16º Domingo do Tempo Comum, é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado. Jamais os cantos devem ser escolhidos para satisfazer o ego de um grupo ou de um movimento ou de uma pastoral. Não devemos esquecer que toda liturgia é uma celebração da Igreja corpo de Cristo e não de um grupo, de uma pastoral ou de um movimento.

“Uma enxurrada de coisas produzidas sem melhores critérios e divulgadas sem maiores cuidados, com força devastadora, invade as mentes e os corações dos fiéis menos avisados, solapando os fundamentos sólidos da fé e da piedade” (Canto e Música na Liturgia, Edições CNBB, página 7).

Ensina a Instrução Geral do Missal Romano que o canto de abertura tem por objetivo, além de unir a assembléia, inseri-la no mistério celebrado (IGMR nº 47). Nesse sentido o Hinário Litúrgico III da CNBB nos oferece uma ótima opção, que estão gravados no CD: Liturgia VI e CD: Cantos de Abertura e Comunhão, Cantos de Abertura e Comunhão – As Mais Belas Parábolas e Ofício Divino das Comunidades.

1. Canto de abertura. “Deus me protege, Deus é bom” (Salmo 54/53,6-8) “É Deus quem me abriga, o Senhor, quem sustenta a minha vida”, melodia e estrofes iguais à faixa nº 19, exceto o refrão – CD: Liturgia VI.

Somos uma Igreja que tem como missão anunciar o Reino do céu, é o que nos mostra as parábolas do joio e do trigo; do grão de mostarda e do fermento na massa. Nesse sentido, a Igreja oferece outra opção para o canto de abertura que nos introduz no mistério celebrado: “Um pouco além do presente, alegre, o futuro anuncia”, CD: Cantos de Abertura e Comunhão, melodia da faixa 5.

2. Hino de louvor. “Glória a Deus nas alturas.” Vejam o CD Tríduo Pascal I e II e também no CD Festas Litúrgicas I; Partes fixas do Ordinário da Missa do Hinário Litúrgico III da CNBB e também a versão da CNBB musicado por Irmã Miria Reginaldo Veloso e outros compositores.

O Hino de Louvor, na versão original e mais antiga, é um hino cristológico, isto é, voltado para Cristo, que exprime o significado do amor do Pai agindo no Filho. O louvor, o bendito, a glória e a adoração ao Pai (primeira parte do Hino de Louvor) se desdobram no trabalho do Filho Único: tirar o pecado do mundo, exprimindo e imprimindo na história humana a compaixão do Pai. Lembremo-nos: o Hino de Louvor não se confunde com a “doxologia menor” (Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo). O Hino de Louvor encontra-se no Missal Romano em prosa ou nas publicações da CNBB versificado numa versão que facilita o canto da assembléia.

3. Refrão para motivar a escuta da Palavra: “A vossa Palavra Senhor, é sinal de interesse por nós”; “Senhor que a tua Palavra transforme a nossa vida, queremos caminhar com retidão na tua luz”.

4. Salmo responsorial 85/86. Deus, lento em cólera, rico em graça e fidelidade. “Ó Senhor, vós sois bom, sois clemente e fiel”, melodia e estrofes iguais à faixa nº 21, CD: Liturgia VI.

O Salmo responsorial é uma resposta que damos àquilo que ouvimos na primeira leitura. Isto mostra que o salmo é compromisso de vida e ele também atualiza e leitura para a comunidade celebrante. Primeira leitura, Palavra proposta e salmo Palavra resposta. Por isso deve ser cantado da Mesa da Palavra (Ambão) por ser Palavra de Deus. Valorizar bem o ministério do salmista.

5. Aclamação ao Evangelho. Revelação do Mistério aos pequenos (Mt 11,25). “Aleluia, Eu te louvo, ó Pai Santo, Deus do céu, Senhor da terra”, CD Liturgia V, melodia da faixa 20. O canto de aclamação ao evangelho acompanha os versos que estão no Lecionário Dominical, página 297.

6. Apresentação dos dons. A escuta da Palavra e colocá-la em prática, deve gerar na assembléia a partilha para que ela possa ser sinal vivo do Senhor. Devemos ser oferenda com nossas oferendas. “A mesa santa que preparamos”, CD Liturgia VI, melodia da faixa 23.

7. O canto do Santo. Um lembrete importante: para o canto do Santo, se for o caso, sempre anunciá-lo antes do diálogo inicial da Oração Eucarística. Nunca quando o presidente da celebração termina o Prefácio convidando a cantar. Se o (a) comentarista comunica neste momento o número do canto no livro, quebra todo o ritmo e a beleza da ligação imediata do Prefácio como o canto do Santo.

8. Canto de comunhão. Memorial do Senhor, alimento dos fiéis. Salmo 111/110,4-5); “Eis que estou à porta e bato” (Apocalipse 3,20). “Quem pertence ao Reino de Deus, é a boa semente, é farol”, Mateus 13,43, articulado com o Salmo 118/119, CD: Liturgia VI música e letra iguais a faixa 22.

A Liturgia oferece também outras opções importantes. “A melhor semente do trigal foi plantada pelo lavrador“, CD: Cantos de Abertura e Comunhão – As Mais Belas Parábolas, melodia da faixa 17 – Paulus; “Todo fermento é pouco”, Hinário Litúrgico III da CNBB, pág. 375; “Bendito seja Deus, Pai do Senhor Jesus Cristo, por Cristo nos brindou todas as bênçãos do Espírito”, Efésios 1,3-10, CD: Cantos de Abertura e Comunhão, melodia da faixa 17.

O canto de comunhão deve retomar o sentido do Evangelho de cada Domingo. Esta é a sua função ministerial. Na realidade, aquilo que se proclama no Evangelho nos é dado na Eucaristia, ou seja: é o Evangelho que nos dá o “tom” com o qual o Cristo se dirige a nós em cada celebração eucarística reforçando estes conteúdos bíblico-litúrgicos, garantindo ainda mais a unidade entre a mesa da Palavra e a mesa da Eucaristia. Isto significa que comungar o corpo e sangue de Cristo é compromisso com o Evangelho proclamado. Portanto, o mesmo Senhor que nos falou no Evangelho, nós o comungamos no pão e no vinho. É de se lamentar que muitas vezes são escolhidos cantos individualistas de acordo com a espiritualidade de certos movimentos, descaracterizando a missionariedade da liturgia. Toda liturgia é uma celebração da Igreja e não existem ritos para cada movimento e nem para cada pastoral. Cantos de adoração ao Santíssimo, cantos de cunho individualista ou cantos temáticos não expressam a densidade desse momento.

8- O ESPAÇO CELEBRATIVO

1. Preparar bem o espaço celebrativo, de modo que seja acolhedor, aconchegante. Neste Domingo, a mesa da Palavra receba também destaque semelhante à mesa eucarística: toalhas, cor litúrgica (verde). Os enfeites não podem ofuscar as duas mesas principais: mesa da Palavra e o altar. Colocar na frente da mesa do Palavra em destaque sementes simbolizando a semeadura da Palavra de Deus.

9. AÇÃO RITUAL

Celebremos a sabedoria e a ciência de Deus que ultrapassa todo conhecimento humano e se revela para nós como paciente, misericordiosa e justa. Só Deus, livre de qualquer condicionamento, é capaz de amar sem medida, pode nos dar um juízo justo.

Preparar uma acolhida agradável para as pessoas que vêm do meio das tribulações diárias tão afetadas pelo joio sintam-se acolhidas e valorizadas.

Antes da celebração, ensaiar os cânticos e, depois reservar um breve tempo para a oração pessoal; se oportuno, cantar um refrão meditativo, como: “Onde reina o amor, fraterno amor; onde reina o amor, Deus aí está”.

Ritos Iniciais

1. O silêncio é um elemento importante na liturgia. Ele deve fecundar nossas ações na celebração. Podemos fazer silencio em alguns momentos significativos, ou mesmo deixar que ele nos inspire a falar menos e escutar mais; a ter atitudes calmas dentro da celebração não deixando que nada nos tire do foco que é Deus; ou mesmo cantando sem gritar, com suavidade e moderação. Outras ações podem ser inspiradas e transformadas pela inspiração que o silêncio nos dá. Procure-se, antes da celebração, começar com um momento de silêncio na sacristia com os ministros, ou valorizar o tempo de silêncio nos ritos iniciais antes da “Oração do Dia”.

2. A saudação presidencial, já predispondo a comunidade, pode ser a fórmula “d” do Missal Romano (Romanos 15,13). Depois disso é que se propõe o sentido litúrgico e não antes do canto de entrada.

O Deus da esperança, que nos cumula de toda alegria e paz em nossa fé, pela ação do Espírito Santo, esteja convosco.

3. Em seguida, dar o sentido litúrgico da celebração. O Missal deixa claro que o sentido litúrgico da celebração pode ser feito pelo presidente, pelo diácono ou outro ministro devidamente preparado (Missal Romano página 390). Pode ser com estas palavras o sentido litúrgico da celebração ou outras semelhantes:

Domingo do joio e do trigo. Continuando a escutar as parábolas do Reino, recebemos, hoje, de Jesus a certeza de que o Reino já está presente entre nós, caminhando para a sua realização definitiva.

4. A recordação da vida pode ser o espaço ideal para manifestar os fatos marcantes como aniversários, bodas, momentos de dor e de luto, missa de 7º e 30º dia, etc. A lembrança pelos falecidos pode ser feita na Oração Eucarística (memento dos mortos) e as demais necessidades manifestadas nas preces. Trazer presente as pequenas iniciativas comunitárias, mesmo que frágeis, que são sinais do Reino de Deus, presente no meio do seu povo; entre tantas dificuldades, o que está ajudando a comunidade seguir sua caminhada. A comunidade poderia responder à cada lembrança com o refrão: “O Reino de Deus chegou”.

5. Para motivar o Ato penitencial, usar a Fórmula 3 do Missal Romano, página 392 que nos convida a abrir o nosso coração ao arrependimento. Após um momento de silêncio sugerimos que o Ato Penitencial seja a fórmula 4 da página 394 do Missal Romano, onde contemplamos o Senhor que procura quem está perdido, dá a vida em resgate e nos congrega na unidade:

Senhor, que viestes procurar quem estava perdido, tende piedade de nós.
Ó Cristo, que vistes dar a vida em resgate de muitos, tende piedade de nós.
Senhor, que congregais na unidade os vossos filhos dispersos, tende piedade de nós.

6. Cada Domingo é Páscoa semanal, cantar de maneira festiva o Hino de louvor (glória).

7. A Oração do dia traz presente as três virtudes dos cristãos. Repletos de fé, esperança e caridade, guardemos os mandamentos de Deus.
Rito da Palavra

1. A Palavra de Deus exige de nós reverência e completa docilidade, escuta atenta e coração aberto. Ele é como o bom juízo de Deus sobre nossas vidas. Escutemos atentamente o que Deus nos fala e preparemos a capacidade de escuta da assembléia com um “refrão meditativo”, antes da primeira leitura, no lugar do comentário.

2. Cada vez mais, cai em desuso os chamados “comentários” antes das leituras. São, inclusive, dispensáveis, sendo preferível o silêncio ou um refrão meditativo que provoque na assembléia aquela atitude vigilante para a escuta e conseqüentemente acolhida da Palavra de Deus. Sugerimos, neste caso, antes de iniciar a Liturgia da Palavra, um refrão: “Senhor que a tua Palavra transforme a nossa vida, queremos caminhar com retidão na tua luz”; “A vossa Palavra Senhor, é sinal de interesse por nós”.

3. Em circunstâncias em que o joio parece triunfar, o melhor que temos a fazer é lembrar a oração da serenidade: “Senhor, dê-me serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, coragem para mudar as coisas que posso e a sabedoria para distinguir uma das outras”. Após a homilia e o silêncio que segue a mesma, fazer esta oração e pedir para a assembléia ir repetindo.

4. As preces explicitem o desejo da comunidade de submeter ao juízo de Deus, sendo paciente nas dificuldades e fugindo da tentação de julgar condenar.

Rito da Eucaristia

1. A Oração sobre as oferendas nos mostra que o sacrifício da Cruz é único e perfeito. Os dons que cada um trouxe sirvam para a salvação de todos.

2. A Cruz e a Ressurreição são, a última e definitiva, sentença de Deus sobre o destino da humanidade. Seria bom ajudar a assembléia a fazer o memorial da Páscoa do Senhor, envolvendo-a na Oração Eucarística através do canto das aclamações e intervenções, da proclamação pausada e orante do presidente, da orientação de todos, pelos gestos e palavras, ao Pai que, em Cristo e no Espírito, recebe a nossa adoração.

3. Seria oportuno para este Domingo o Prefácio dos Domingos do Tempo Comum IV, página 431 do Missal Romano “que contempla a renovação das pessoas em Cristo” e apaga nossos pecados com sua paixão e morte. Seguindo esta lógica, cujo embolismo reza “Nascendo na condição humana, renovou inteiramente a humanidade. Sofrendo a Paixão, apagou nossos pecados. Ressurgindo, glorioso, da morte, trouxe-nos a vida eterna. Subindo, triunfante, ao céu, abriu-nos as portas da eternidade”. O grifo no texto identifica aqueles elementos em maior consonância com o Mistério celebrado neste Domingo e que pode ser aproveitado na própria, ao modo de mistagogia. Usando este prefácio, o presidente deve escolher a I, II ou a III Oração Eucarística. A II admite troca de prefácio. As demais não admitem um prefácio diferente e também não podem ter os prefácios substituídos porque causaria grave prejuízo para a unidade teológica e literária da eucologia.

4. Para que nisso aconteça, fazer a proclamação da Oração Eucarística de forma expressiva, não simplesmente recitada; por ela a Igreja dá graças pela ação amorosa de Deus em favor dos pequenos e fracos de seu povo a caminho do reino definitivo.

5. Cantar com vibração o “Amém” conclusivo da Oração Eucarística. Por Cristo, com Cristo…

5. No momento do convite à comunhão, quando se apresenta o Pão consagrado e o cálice com o sangue de Cristo, é muito oportuno o texto bíblico de João 8,12, que é a fórmula “b” do Missal Romano:

“Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida”.

6. A comunhão expressa mais nitidamente o mistério da Eucaristia quando distribuída em “duas espécies”, como ordenou Jesus na última ceia, “tomai comei, tomai bebei”. Vale todo esforço e tentativa no sentido de se recuperar a comunhão no Corpo e Sangue do Senhor para todos, conforme autoriza e incentiva a Igreja. “A comunhão realiza mais plenamente o seu aspecto de sinal quando sob as duas espécies. Sob essa forma se manifesta mais perfeitamente o sinal do banquete eucarístico e se exprime de modo mais claro a vontade divina de realizar a nova e eterna Aliança no Sangue do Senhor, assim como a relação entre o banquete eucarístico e o banquete escatológico no Reino do Pai” (IGMR, nº 240). Pelo menos aos Domingos, Páscoa semanal dos cristãos, é muito oportuno que a comunhão seja feita sob as duas espécies para toda a assembléia.

Ritos Finais

1. Na Oração depois da comunhão já saciados com o Corpo e Sangue do Senhor, suplicamos a Ele que nos ajude a despojarmos do homem velho e revestirmos do homem novo.

3. Proferir sobre a assembléia reunida, na bênção final e envio à missão, a bênção própria para o Tempo Comum, nº 14, do Missal Romano (PP. 526): “Que Deus vos livre sempre de toda adversidade”.

4. As palavras do rito de envio podem estar em consonância com o mistério celebrado: Lançai a semente da Palavra e sejais pacientes para com os irmãos e irmãs. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.

10- CONSIDERAÇÕES FINAIS

Até o dia do Juízo, contentaremos com nosso esforço de ver no espelho, em parte, em parte, no enigma até que tudo se torne transparente. Esforço, porém, de que não podemos abdicar até da morte. E toca-nos ir anunciando sempre as sementes do Reino presentes, colocando o fermento, plantando os grãos de trigo, Deus contudo dá incremento

O objetivo da Igreja é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas aquelas outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.

Um abraço fraterno a todos

Pe. Benedito Mazeti

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