18º DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO B 05 de agosto de 2018

18º DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO B 05 de agosto de 2018

03/08/2018 0 Por Diocese de São José do Rio Preto

Leituras

Êxodo 16,2-4.12-15. “Eis que farei chover para vós o pão do céu”.
Salmo 77/78,3-4.23-25.54. O homem se nutriu do pão dos anjos.
Efésios 4,17.20-24. Renovai o vosso espírito e a vossa mentalidade.
João 6,24-35. A obra de Deus é que acrediteis naquele que ele enviou.

“O PÃO DE DEUS É AQUELE QUE DESCE DO CÉU E DÁ VIDA AO MUNDO”

1- PONTO DE PARTIDA

Domingo do verdadeiro pão do céu. O 17º Domingo do Tempo Comum inaugurou a série de celebrações em que aparecem trechos do Evangelho de João, na Liturgia da Palavra. O cenário bíblico-litúrgico muda completamente. Abandona-se a perspectiva de Marcos que retornará no a partir do 22º Domingo e se adentra pelo caminho simbólico proposto pelo Evangelho de João, onde tem lugar a dinâmica do discurso de Jesus, com suas ricas conversas com os discípulos. Serão quatro domingos que em que se distribuirão partes do capítulo 6 do Evangelho de João. Na verdade, seriam cinco, mas a celebração da Assunção de Maria ocupa, no Brasil, o lugar do 20º Domingo. De todos os modos, há que se pensar a celebração no contexto de cinco semanas entre o 17º e o 21º Domingo.

Sabemos que povo que não tem memória, não é povo. Para nós cristãos, a memória semanal da Páscoa de Jesus, ligada aos fatos concretos da vida, é fundamental na perseverança da fé. Na celebração eucarística de hoje, somos convidados a dar um salto de qualidade na nossa fé. Ao invés de esperarmos o pão caído do céu, precisamos nos abrir para receber o verdadeiro Pão, que é Jesus.

Cada domingo é uma festa da Ressurreição do Senhor. Celebramos a Páscoa de Jesus Cristo que se manifesta no seu encontro com a multidão faminta, e em todas as lutas pela vida em abundancia.

2- REFLEXÃO BÍBLICA, EXEGÉTICA E LITÚRGICA

Primeira leitura – Êxodo 16,2-4.12-15. O Livro do Êxodo dividi-se em três partes: A Libertação ou o Êxodo do Egito (1,1-15,21; Israel no Deserto (15,22-18,27); Israel junto ao Monte Sinai: a Aliança e a Lei (19,1-40,38).

Na leitura de hoje contemplamos Deus que sacia o povo com o maná, no deserto. O caminho de Israel pelo deserto é ambíguo. O povo é duro de cabeça e de coração e murmura contra Deus. No entanto, Deus é generoso e atende ao murmúrio do povo com “o pão que desce do céu, como diz poeticamente o Salmo 77/78 (Salmo responsorial). Na realidade, o maná é um produto natural (resina de tamareira), mas, no contexto do Êxodo, era um sinal da incansável providencia de Deus (Êxodo 16,2-4; cf. Êxodo 5,20-21; 14,11-12; 15,24; 17,2-3; Números 11,4-9; Deuteronômio 8,3.16; Salmo 147,16-17[146,5-6]; Eclesiástico 43,21[19].

O maná é uma solução inesperada, a ponto de fazer surgir entre os israelitas a pergunta que ficará impressa para sempre no seu nome: “Man hû’: que é isto?” (versículo 15). O maná não é só alimento para sustentar o corpo, mas traz também consigo um forte valor simbólico. Mostra que a liberdade plena é possível porque Aquele que nos chama à liberdade está perto de nós, para nos ajudar a consegui-la. Esse sinal aponta, porém, para outra realidade bem mais importante: a Palavra de Deus. É ela que alimenta o povo, fortalece a esperança, esclarece a mente e anima o coração do caminheiro. O Livro do Deuteronômio vê assim o significado do sinal do maná: mais do que “encher a barriga”, Deus queria “educar” o seu povo para acolher e acreditar na sua Palavra. “O homem não vive somente de pão, mas de toda palavra que sai da boca de Deus” (Deuteronômio 8,2-5).

O fundo religioso do relato refere-se à certeza adquirida pelo povo de uma intervenção particular de Deus. Os hebreus passam por uma crise bastante forte de desânimo e colocam em questão a própria libertação (versículos 2-3), quando um fenômeno natural excepcional se produz (versículo 4). Os hebreus vêem nessa coincidência entre seu desânimo e a aparição do maná, um sinal da presença divina, destinado a dar-lhes segurança.

Comer o maná significa, portanto, acreditar na Palavra de Deus e, também, aceitar o projeto de vida traçado pelo Senhor nos Mandamentos. Estes, depois, indicam que a própria liberdade se consegue somente lutando pela liberdade dos outros. Em última análise, o maná simboliza os ideais de justiça e de solidariedade que emergem da Aliança. Por isso, comer o “pão” que vem “do céu” comporta um forte empenho no serviço a todo o povo.

Salmo responsorial 77/78,3-4.23-25.54. É uma exposição sapiencial sobre a história de Israel. É um salmo histórico, pois conta parte da história do povo de Deus. Para o povo da Bíblia, contar a história é mostrar a sucessão de gerações, sem perder a memória histórica. Povo se memória é povo sem história, sem raízes e sem identidade.

Um acontecimento do passado pode exercer a sua influência sobre os nossos dias. Recordando (versículos 3-4) a dádiva do “maná” (versículos 23-25), os israelitas de todas as gerações são estimulados a acreditar no Senhor e a observar os seus Mandamentos. Só assim podem confiar n’Ele e rezar para os assista nas dificuldades que encontram

Os versículos 3-4 é um ensinamento tradicional, passado de pais para filhos: seu tema principal são as grandes ações históricas de Deus. A “tradição” é história e memória. Os versículos 23-25 coloca em destaque a providencia de Deus em favor do seu povo. Concede ao seu povo um alimento mais maravilhoso que a bebida: o maná e as codornizes.

A história da salvação continua até à ocupação da terra prometida: é terra “santa”, propriedade de Deus, e Ele a entrega como herança, para que as gerações futuras a herdem (versículos 54-55).

O rosto de Deus neste Salmo é de libertador, aliado fiel que não falha. Tem compaixão das fraquezas do parceiro, cumprindo sua parte e perdoando as cabeças do povo aliado. Os erros do povo não O fazem perder a paciência nem a confiança. Pelo contrário, quer que aprendemos com os nossos erros e os erros dos outros. No fundo, é o Deus que se sente feliz quando o ser humano é feliz.

Desde pequeno, Jesus aprendeu a história do seu povo. Os evangelhos O apresentam como o Deus-conosco (Mateus 1,23; 28,20), encarnado em nossa história (João 1,14). Ele também tem antepassados que acertaram e erraram. Basta estudar suas genealogias (Mateus 1,1-17 e Lucas 3,23-38). Encarnou-se a ponto de seus conterrâneos duvidarem Dele (Marcos 6,1-6). Ensinou a tirar lições das tragédias e fatos desagradáveis (Lucas 13,1-5).

Cantando este Salmo na celebração deste Domingo, bendigamos ao Senhor pelo maná no deserto e pela fecundidade da terra que nos dá, a cada dia, o sustento de nossa vida.

O SENHOR DEU A COMER O PÃO DO CÉU.

Segunda leitura – Efésios 4,17.20-24. Os primeiros versículos trazem presente os grandes temas da evangelização: “aprender, ensinar, ouvir” (versículo 21) supõe a pregação apostólica; a “maneira dos pagãos” (versículo 17) traz presente a conversão que esta evangelização acarretou.

O núcleo desta pregação e o motivo desta conversão são Jesus-Verdade (versículos 20-21). Este tema da verdade ocupa um lugar um lugar importante nessa temática (versículos 15, 21, 24, 25, 5, 9; 6, 14) e remonta provavelmente à primeira catequese batismal ao querigma apostólico (cf. Tiago 1,18; Efésios 1,23).

Para Paulo, essa verdade é a revelação de Deus em Cristo (2Coríntios 4,2) e, muito especialmente, a revelação do “mistério” (Romanos 16,25); Colossenses 1,26), a saber, o acesso de todas as pessoas à salvação.

Revestir-se com Jesus Cristo, o homem novo. Cristo é o homem novo; nele se plenifica a palavra de Gênesis 1,27: o homem é criado à imagem de Deus (Efésios 4,24). Devemos despir-nos do homem velho, inautêntico, e revestir-nos com o novo, que vive para sempre a verdade e a santidade (Efésios 4,17 cf. Romanos 1,21—4,22-24 cf. Colossenses 2,6-7; 3,9-10; Gálatas 6,8; Efésios 2,15; Gálatas 3,27; Romanos 13,14).

A fé cristã consiste substancialmente num encontro, ou seja, na descoberta d’Aquele que tomou opções radicais e as levou a termo à custa do próprio sangue. É precisamente neste ato de relacionar-se com Jesus, em procurar compreender cada vez mais em profundidade quem Ele foi e que sentido Ele deu à Sua vida, que o cristão, aos poucos, vai mudando o seu modo de pensar e de julgar a realidade em que vive. Desta experiência sai depois um novo modo de comportar-se com os outros, expressão visível de opções pessoais, diversas vezes em contraste com o modo comum de pensar. Nasce assim um homem novo, que absorve em si a justiça e a santidade de Deus.

Evangelho – João 6,24-35. No Evangelho que lemos hoje em nossa celebração, Cristo acaba de realizar a multiplicação dos pães (João 6,1-15). Dessa ação de Jesus, a multidão ficou maravilhada e interpretou como fosse um sucesso de Jesus, como Messias político.

O discurso do pão da vida parte destes dois fatos. As multidões comeram um alimento perecível, mas existe um outro alimento que permanece para a vida eterna (versículos 26-17); as multidões procuram um fazedor de milagres, mas a personalidade de Jesus é de outra ordem (versículos 26-27), e não são as obras realizadas até então pelo povo que poderão merecer a salvação: a única obra que vale é a de seguir Jesus Cristo (versículos 28-29).

As multidões ficaram decepcionadas com a argumentação de Jesus e querem rebaixar as pretensões de Jesus: Ele afirma que os antigos viram melhor (versículos 30-31). Portanto, se Jesus quer revelar o mistério de sua pessoa, o povo exige um sinal mais visível. Jesus responde afirmando que é o pão da vida (versículos 32-35).

Esses versículos colocam a questão da pessoa de Jesus e da capacidade, para a fé, de captar seu mistério por trás dos sinais que o expressam. Os versículos sobre o pão da vida nos convidam claramente a colocar-nos em estado de busca verdadeira para sermos capazes de captar o alcance do discurso que se segue.

Os sinais e as obras realizadas por Jesus não são apenas meios para legitimar sua reivindicação ou justificar sua missão. O problema não é o de se mostrar mais forte do que Moisés, mas fazer compreender que o maná do deserto, assim como o pão multiplicado por Jesus, engajam, um e outro, o amor oferecido ao mundo pelo Pai. Ultrapassando o significado material (versículo 32), Jesus estava realmente na linha do Primeiro Testamento, que muitas vezes procurou ver por trás deste alimento a Palavra de Deus vivificante (Deuteronômio 8,2-3; Sabedoria 16,26). Por este procedimento, Jesus faz compreender que Ele também, multiplicando os pães, ultrapassa a vida material e física, ao mesmo tempo por sua mensagem e pelo mistério de sua pessoa (versículo 35). Mas o povo que estava ao redor de Cristo não consegue sair do plano material (versículo 34).

No momento em que revela sua própria pessoa, Cristo emprega uma fórmula nova: pão da vida, que não era conhecida pelo Primeiro Testamento. Portanto, no conceito de pão da vida, há uma tonalidade do Paraíso, isto é, da eternidade: Jesus é a verdadeira vida de imortalidade, à qual a pessoa humana tem em vista desde o início e que lhe torna finalmente acessível, pela fé.

O interessante é que João coloca o mistério eucarístico em relação com a Encarnação (versículo 35) quando afirma que o verdadeiro pão é o Filho de Deus descido do céu, e saciamos a nossa fome vindo a Ele.

Todo aquele que acredita em Cristo e em sua Palavra já se alimenta de Cristo. Mas a dimensão pascal deste pão pode ser eliminada. O tema do maná pode ser sugerido a Cristo pela proximidade da festa da Páscoa (João 6,4) e as homilias feitas nas sinagogas, com a aproximação dessa festa (cf. João 6,59). A palavra “dar”, que volta três vezes na passagem de hoje, já anuncia o dom do Calvário e revela que só haverá verdadeiro pão quando a obra salvadora do Filho tiver sido perfeitamente realizada. Não podemos comer o pão da vida apenas com a fé; um pão concreto é necessário, que exigirá uma refeição real e nos ligará assim ao mistério da cruz.

O Evangelho de hoje continua o de domingo passado, que apresentou o sinal da multiplicação dos pães. Por ficar apenas na superficialidade do sinal, com os olhos como que ofuscados pelo aspecto milagroso, o povo quer coroar Jesus como rei. Ele seria um governante extraordinário! Ninguém precisaria por a mão no arado, semear nem trabalhar. Todos teriam comida na boca na hora que precisassem. Isso, para Jesus é não ver o sinal. O que aquela gente viu foi só a barriga cheia. Jesus, porém, não cai na armadilha. Ele foge. Do outro lado do mar Ele começa seu grande discurso sobre o pão da vida. Na primeira parte do discurso, Jesus quer que superemos uma visão puramente materialista sobre sua missão e atinjamos um nível mais avançado e profundo, o da fé. Ele se apresenta como alimento que perdura para sempre. Sua própria vida (“carne”) é o pão oferecido a quem tem fome de Deus tanto quanto do alimento material. É isso que o sinal do pão multiplicado significa. Ele aponta para a própria pessoa de Jesus e sua mensagem. Retomando a interpretação do Deuteronômio sobre o maná, Jesus que todos descubram que Ele é a própria Palavra de Deus feito carne, isto é, feito vida humana pelo mistério da Encarnação, e por isso é o verdadeiro pão do céu, dado por Deus, para alimentar a nossa caminhada. Quem acolhe Jesus assim está “vendo os sinais”.

3- DA PALAVRA CELEBRADA AO COTIDIANO DA VIDA

O Evangelho de hoje é o início do “sermão do Pão da Vida”, com o qual o evangelista João dá continuidade ao “sinal” da multiplicação dos pães narrado Domingo passado. Nos próximos domingos, o tema continua.

A liturgia da Palavra de hoje nos permite, mais uma vez, pensar na questão do imediatismo, presente em muitas iniciativas tanto das Igrejas quanto em outras instituições. Queremos resultados imediatos, conseguidos de preferência pelas vias mais fáceis e cômodas. Andamos à procura de milagres e prodígios. O maravilhoso nos atrai e os pequenos sinais de Deus passam despercebidos, porque nada têm de espetacular (cf. Mateus 25,31-46). Num primeiro momento, nada significam. Com o tempo vão se mostrando eficazes e duradouros. Só depois descobrimos que o dedo de Deus agia dentro de nós e de nossas ações!

Hoje aprendemos a “ver sinais”, isto é, a penetrar fundo no sentido dos fatos, indo às entranhas dos acontecimentos. Ai, na profundidade e não na superfície, vemos a presença de Deus e fica claro para nós para onde Ele quer nos levar. O cristão vai amadurecendo na fé quando não se contenta com a superficialidade, com o senso comum, mas vai a fundo, investiga e se esclarece. Hoje as pessoas estão muito na superficialidade, não querem mais se reunirem, aprofundar, investigar, ler, só ficam na superficialidade da internet conectados com o mundo, mas longe de todos. Nos programas de combate à fome, por exemplo, legítimos e necessários, não podemos achar que basta dar um prato de comida aos nossos irmãos famintos. Por mais que esse trabalho sensibilize e mobilize a sociedade, apenas dar o pão não bastará para se chegar ao cerne daquilo que Deus quer para seus filhos e filhas: A VIDA.

Jesus multiplica-se doando. Mais do que dar comida para o povo, Jesus se dá. Nele se realiza o dom de Deus que não acaba. O maná se estragava com o tempo. Jesus é o alimento para a vida eterna, Ele se multiplica doando-se, desde quando deixou sua casa, quando fez de seus discípulos sua família, quando se fez solidário com os excluídos e, principalmente, quando assumiu a própria morte como sinal de sua entrega pela redenção dos pecadores. E nós nos damos a Jesus quando seguimos seus passos, identificando-nos sempre mais com o Evangelho e suas exigências para crescer com Ele e sermos capazes de ir ao Calvário em sua companhia.

Muitos gestos de colaboração e campanhas de solidariedade que vemos surgir por aí nada mais são que meros “desencargos de consciência”, quando não são simples “jogadas de marketing” para ser notados e fazer sucesso. Muita gente só dá aquilo que lhe sobra, e muitos donativos que se arrecadam são objetos que poderiam ir para o lixo. Essas doações, muitas vezes, são vazias de personalidade e de real humanismo, porque quem os dá não se doa neles. Nossa participação efetiva na Igreja não acontece apenas quando contribuímos financeiramente para as obras de nossa comunidade. É preciso ir além. Bem participamos quando nos doamos por inteiro, quando somos capazes de nos gastar em benefício dos outros.

Na celebração, repartindo o pão em memória da entrega de Jesus, acolhemos o amor de Deus que se manifesta em todo gesto de partilha e de solidariedade. Que Ele nos renove e nos consagre totalmente na escola do seu serviço.

4- A PALAVRA SE FAZ CELEBRAÇÃO

Para a Eucaristia vamos famintos do Pão da Palavra e do Pão da Eucaristia. A assembleia se serve de duas mesas, indo para casa com o coração saciado de Deus. A celebração deste Domingo se abre com um versículo tirado do Salmo 69, no qual se canta: “Meus Deus, vem libertar-me, não demores, Senhor, em socorrer! Só tu és meu arrimo, libertador, vem depressa me valer”. A comunidade entra em diálogo como Senhor, por meio de Jesus Cristo, manifestando sua dependência do auxílio divino. Anuncia sua sede da presença de Deus e a fome por seus cuidados. No percurso da celebração, vai-se constituindo a narração e o discurso do próprio Senhor, como Palavra que nutre e comunica vitalidade; Pão que sacia e conserva a vida enquanto o povo faz sua travessia neste mundo. O próprio versículo da aclamação ao Evangelho aponta para esta direção: “O homem não vive somente de pão, mas vive de toda Palavra que sai da boca de Deus e não só de pão”. Mas é a oração do Dia que traz, em seu núcleo, a súplica que conduz à experiência do povo de Deus a caminho: “Manifestai, ó Deus vossa inesgotável bondade para com os filhos e filhas que vos imploram e se gloriam de vos ter como criador e guia, restaurando para eles a vossa criação, e conservando-a renovada”. Esta oração chama a Deus de “guia”, aquele que vai à frente e conduz os seus, desde o interior da vida de seu povo, misturando-se com eles. Ganha grande sentido a saudação: “O Senhor esteja convosco”, e sua resposta, em português: “Ele está no meio de nós”. O texto original dessa oração do Dia suplica a Deus “derrame”, “faça chover” vida sobre o seu povo, de modo que ele experimente o restaurar de suas forças para continuar a jornada. Uma bonita referência à primeira leitura e ao próprio Evangelho, pois o alimento que Deus oferece ao povo “vem do céu”.

5- LIGANDO A PALAVRA COM A AÇÃO EUCARÍSTICA

Necessitados de força, de coragem, de sentido para a vida e de perseverança, participamos da ceia do Senhor onde se realiza entre nós a multiplicação dos pães e se revela como o pão verdadeiro que desceu do céu.

Jesus, o Pão da vida, sacia nossa fome com a Palavra que nos revela o sentido da vida e com a ceia eucarística, sacramento da salvação, sinal e antecipação do banquete sem fim a que somos destinados.

Ele nos convida a abrir nossas mãos e nosso coração “que para tudo guardar se fecham” para gestos de partilha e solidariedade, a fim de vencermos nossas dificuldades, a fome e a miséria do mundo.

A eucaristia é o pão que sacia a necessidade que temos de alimento para conservar a vida, ter coragem perseverança e segurança; o pão que nos dá forças para superar as atribulações que existem e atormentam nossa vida. É a segurança de que Deus nos ama, e a certeza da Ressurreição; é Deus-conosco.

6. ORIENTAÇÕES GERAIS

1. É importante e decisivo, na formação litúrgica das equipes, oferecer pequenas vivências, como: proclamação das leituras de maneira serena e calma tendo uma boa postura, preparação do Altar, animação do canto, proclamação das preces dos fiéis, distribuição da comunhão, modo de caminhar e sentar-se

2. É preciso valorizar o uso da veste litúrgica por leitores e salmistas, pois ela torna visível o serviço de quem proclama a Palavra, ela é a marca da função ministerial, isto é, colocar-se a serviço de Deus e da assembléia orante.

3. O mês de agosto é também chamado de “mês vocacional”, isto é, o mês de destacar a pastoral vocacional. A comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada, insiste numa nova terminologia para os domingos deste mês. Não devemos refletir somente sobre a vocação especifica. É importante que tenhamos presente esse conteúdo para preparar as preces e alguma referência particular em relação às vocações:

– 1º Domingo: vocação para os ministérios ordenados (bispo, presbítero e diácono);

– 2º Domingo: vocação para a vida em família;

– 3º Domingo: vocação para a vida consagrada (vida religiosa contemplativa e missionária, institutos seculares, sociedades de vida apostólica e outras novas formas de vida religiosa);

– 4º Domingo: vocação para os ministérios e serviços na comunidade e na sociedade.

4. O CD: Liturgia VI, Ano A, CD: Liturgia IX, Ano B e o CD: Cantos de Abertura e Comunhão Tempo Comum I e II, da coleção Hinário Litúrgico da CNBB nos oferecem cantos adequados para cada Domingo. O repertório bem ensaiado manifestará, mais harmonicamente, o mistério celebrado.

7- MÚSICA RITUAL

O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos cantar a liturgia e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com cada domingo, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são do Tempo Comum, é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado. A função da equipe de canto não é simplesmente cantar o que gosta, mas cantar o mistério da liturgia deste 18º Domingo do Tempo Comum. Os cantos devem estar em sintonia com o Ano Litúrgico, com a Palavra proclamada e com o sacramento celebrado. Não devemos esquecer que toda liturgia é uma celebração da Igreja corpo de Cristo e não de um grupo, de uma pastoral ou de um movimento.

Dar uma passada nos cantos (refrão e uma estrofe), seguido de um momento de silêncio e oração pessoal, ajuda a criar um clima alegre e orante para a celebração. É fundamental uns momentos de silêncio antes da celebração. O repertório bem ensaiado previamente e com o povo, minutos antes da celebração, irá colaborar para a participação de todos.

A celebração tem início com a reunião da comunidade cristã (IGMR 27.47). O canto de abertura começa tendo em conta essa realidade eclesial.

1. Canto de abertura. “Meu Deus, vem libertar-me”. (Salmo 69/70,2.6). Para o canto de abertura, sugerimos este Salmo que a comunidade em diálogo com o Senhor em forma de súplica. “Meu Deus, vêm libertar-me”, CD: Liturgia VI, mesma melodia da faixa 24. As estrofes são do Salmo 33/32, nos dá a certeza de que o Senhor protege sempre quem espera em seu amor.

Como canto de abertura da celebração, sugere-se o canto proposto pelas Antífonas do Missal Romano e ricamente musicadas pelo Hinário Litúrgico III da CNBB. Isso não significa rigidez. Mas a equipe de liturgia, a equipe de celebração, a equipe de canto juntamente com o padre têm a liberdade de variar sua escolha, desde que isso manifeste o Mistério celebrado e seja fiel aos princípios que regem a escolha de uma música adequada para a celebração. Uma sugestão, para entender bem o que significa isto, seria o canto: “Vós sois o Caminho, a Verdade e a Vida”, CD: Cantos de Abertura e Comunhão, melodia da faixa 10 é uma boa opção para iniciar a celebração

2. Hino de louvor. “Glória a Deus nas alturas…” Vejam o CD Tríduo Pascal I e II e também no CD Festas Litúrgicas, Partes fixas do Ordinário da Missa do Hinário Litúrgico III da CNBB e também a versão da CNBB musicado por Irmã Miria e outros compositores.

O Hino de louvor “Glória a Deus nas alturas” é antiqüíssimo e venerável, com ele a Igreja, congrega no Espírito Santo, glorifica e suplica a Deus e ao Cordeiro. Não é permitido substituir o texto desse hino por outro (cf. IGMR n. 53). O CD: Festas Litúrgicas I propõe, na faixa 2, uma melodia para esse hino que pode ser cantado de forma bem festivo, solista e assembléia. Ver também nos outros CDs que citamos acima.

3. Salmo responsorial 77/78. Deus fez chover o maná e deu o pão do céu. “O Senhor deu a comer o pão do céu”, CD: Liturgia IX, melodia da faixa 8.

A função do salmista é de suma importância. Sua função ministerial corresponde à função dos leitores e leitoras, pois o salmo é também Palavra de Deus posta em nossa boca para respondermos à sua revelação. Por isso, o salmo dever ser proclamado do Ambão e, se possível, cantado.

4. Aclamação ao Evangelho. “Não só de pão vive o homem (Mateus 4,4b; Deuteronômio 8,3). “Aleluia… O homem não vive somente de pão, mas vive de toda palavra que sai da boca de Deus”, CD: Liturgia VII, mesma melodia da faixa 11. O canto de aclamação ao evangelho acompanha os versos que estão no Lecionário Dominical.

Preserve-se a aclamação ao Evangelho cantando o texto proposto pelo Lecionário Dominical. Ele ajudará a manifestar o sentido litúrgico da celebração, conforme orientações da Igreja na sua caminhada litúrgica.

5. Canto de Apresentação dos dons. O canto de apresentação das oferendas, conforme orientamos em outras ocasiões, não necessita versar sobre pão e vinho. Seu tema é o mistério que se celebra acontecendo na fraternidade da Igreja reunida em oração, no Domingo do Pão da Vida. Devemos ser oferendas com nossas oferendas para socorrer os necessitados. Expressemos nossa compaixão para com os que sofrem. “Dai-lhes vós mesmos de comer, que o milagre vai acontecer”, CD: Festas Litúrgicas II, melodia da faixa 9.

6. Canto de comunhão. “O pão do céu” (Sabedoria 16,20); “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede” (João 6,35). “Eu sou o pão necessário, é o próprio Pai quem vos dá”, CD: Liturgia IX, melodia da faixa 9, exceto o refrão

O orientamos a respeito do canto de abertura, vale também para o canto de comunhão. O Evangelho de hoje, mostra que os judeus não entenderam a multiplicação dos pães, não souberam reconhecer no Senhor o “Pão que desceu do céu”. Outra ótima opção para o canto de comunhão é o canto “Eu sou o pão que vem do céu”, CD: Cantos de Abertura e Comunhão, melodia da faixa 22 ou CD: Festas Litúrgicas II, melodia da faixa 8 . Estes cantos também permitem estabelecer e experimentar a unidade das duas mesas, considerando a Liturgia um único ato de culto.

8- ESPAÇO CELEBRATIVO

1. Preparar o espaço da celebração bem festivo, porque cada domingo é Páscoa semanal. Os enfeites não podem ofuscar as duas mesas principais: mesa da Palavra e o Altar.

2. O ambão, segundo a tradição cristã, faz referência ao sepulcro vazio, ao lugar da Ressurreição e do anúncio do Cristo vivo. Ao lado dele, no Tempo Pascal e quando há celebrações de Batismo e Crisma, se coloca o símbolo de Cristo Ressuscitado, o Círio Pascal. Para isso, haja espaço suficiente para um belo candelabro e, se for oportuno, em algumas circunstâncias, um arranjo floral. Em outras oportunidades se pode também colocar a Menorá (candelabro de sete braços).

3. A cor litúrgica é o verde nos paramentos no ambão.

8. AÇÃO RITUAL

A equipe de acolhida, incluindo quem preside, recebe as pessoas que vão chegando de maneira afetuosa, saudando-as cordialmente.

Ritos Iniciais

1. A celebração tem início com a reunião da comunidade cristã (IGMR 27.47). O canto de abertura começa tendo em conta essa realidade eclesial, e vai introduzir a assembleia no Mistério celebrado.

2. A opção “c”, do Missal Romano para a saudação presidencial é muito oportuna para iluminar o sentido litúrgico deste domingo:

“O Senhor, que encaminha os nossos corações para o amor de Deus e a constância de Cristo, esteja convosco” 2Tessalonicenses 3,5).

3. O sentido litúrgico, após a saudação do presidente, pode ser feito por quem preside, pelo diácono ou um ministro devidamente preparado como orienta o Missal Romano, na página 390, número 3, com palavras semelhantes às que seguem:

Domingo do verdadeiro pão do céu. A bondade de Deus manifesta em nossa celebração, quando Cristo nos reúne e nos dá seu Corpo e Sangue como alimento. Deus nos oferece, hoje, seu próprio Filho, por meio da sua Palavra e por meio da Eucaristia, para que sejamos, igualmente, dádivas suas para a salvação do mundo.

4. Em seguida fazer a “recordação da vida” trazendo os fatos que são as manifestações da Páscoa do Senhor na vida da comunidade, do país e do mundo, mas de forma orante e não como noticiário. Deve ter presente a realidade de sofrimento em que vive hoje a multidão de empobrecidos, a grande massa sobrante e excluída do processo de desenvolvimento social, econômico e político em nosso país e no mundo usando alguns símbolos. Trazer os acontecimentos de maneira orante e não como noticiário.

5. Rezar ou cantar o Ato Penitencial da formula 1, para os domingos do Tempo Comum na página 393 do Missal Romano, que destaca Cristo como Caminho, Verdade e Vida.

6. Cada Domingo do Tempo Comum é Páscoa semanal. Cantar de maneira festiva o Hino de louvor (glória).

7. Na Oração do Dia supliquemos a Deus que manifeste sua bondade, restaurando a criação e conservando-a renovada

Rito da Palavra

1. As leituras, bem preparadas e proclamadas pelos ministros leitores, ajudarão as comunidades a se desprenderem dos folhetos e a acolher a Palavra de Deus como discípulos atentos que ouvem o próprio Cristo que lhes fala ao coração.

2. Antes de ler, é preciso primeiro mergulhar na Luz Palavra, rezar a Palavra. Pois “na liturgia da Palavra, Cristo está realmente presente e atuante no Espírito Santo. Daí decorre a exigência para os leitores, ainda mais para quem proclama o Evangelho, de ter uma atitude espiritual de quem está sendo porta-voz de Deus que fala ao seu povo”. Portanto, dar real importância à proclamação das leituras e do Salmo.

3. O Salmo responsorial, muito caro à piedade do povo, seja cantado, de tal forma que a assembléia responda à primeira leitura de forma orante e piedosa.

Rito da Eucaristia

1. Na Oração sobre o pão e o vinho suplicamos a Deus que santifique as oferendas colocadas sobre o Altar e que faça de nós uma oferenda eterna.

2. A partilha do pão é a grande ação simbólica que dever marcar esta celebração. Dar maior destaque a toda a liturgia eucarística, e na celebração da Palavra, após a celebração, pode-se realizar a partilha de algum alimento, como ágape fraterno.

3. A mesa eucarística seja expressão daquilo que foi proclamado no Evangelho. Além das observações do domingo anterior, seria muito conveniente o uso de pães ázimos em lugar de hóstias.

4. Se for escolhida outra oração eucarística sugerimos o Prefácio Comum VI, página 433 do Missal Romano o qual destaca Jesus Cristo como penhor da vida futura. Seguindo esta lógica, cujo embolismo reza “Em vós vivemos, nos movemos e somos. E, ainda peregrinos neste mundo, não só recebemos, todos os dias, as provas de vosso amor de Pai, mas também possuímos, já agora, a garantia da vida futura”. O grifo no texto identifica aqueles elementos em maior consonância com o Mistério celebrado neste Domingo e que pode ser aproveitado na própria, ao modo de mistagogia. Usando este prefácio, o presidente deve escolher a I, II ou a III Oração Eucarística. A II admite troca de prefácio. As demais não admitem um prefácio diferente. As demais não podem ter os prefácios substituídos sem grave prejuízo para a unidade teológica e literária da eucologia.

5. Neste Domingo é muito oportuno apresentar o pão e o vinho para o convite à comunhão utilizando João 6,35:

“Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede”

6. A comunhão expressa mais nitidamente o mistério da Eucaristia quando distribuída em duas espécies, como ordenou Jesus na última ceia, “tomai comei, tomai bebei”. Vale todo esforço e tentativa no sentido de se recuperar a comunhão no Corpo e Sangue do Senhor para todos, conforme autoriza e incentiva a Igreja. “A comunhão realiza mais plenamente o seu aspecto de sinal quando sob as duas espécies. Sob essa forma se manifesta mais perfeitamente o sinal do banquete eucarístico e se exprime de modo mais claro a vontade divina de realizar a nova e eterna Aliança no Sangue do Senhor, assim como a relação entre o banquete eucarístico e o banquete escatológico no Reino do Pai” (IGMR, nº 240).

Ritos Finais

1. Na Oração depois da comunhão suplicamos que a Deus que “acompanhai com proteção constante os que renovastes com o pão do céu”.

2. Para a bênção final sugerimos a Bênção do Tempo Comum V onde suplicamos ao Senhor que nos livre de toda adversidade, nos torne atentos à sua Palavra e nos faça abraçar o bem e a justiça. Outra opção é a oração sobre o povo, número 05, página 531 do Missal Romano.

Concedei, ó Deus, a vossos fiéis a bênção desejada, para que nunca se afastem de vossa vontade e sempre se alegrem com os vossos benefícios. Por Cristo, nosso Senhor.

3. As palavras do rito de envio devem estar em consonância com o mistério celebrado: “A obra de Deus é que acrediteis em Cristo, o Pão da vida”. Ide em paz e o Senhor vos acompanhe!

4. É comum além, de entrar em procissão no início da celebração guiados pela cruz, também retirar-se do espaço sagrado em procissão, igualmente guiados pela cruz.

9- CONSIDERAÇÕES FINAIS

Hoje, comendo o pão à mesa do Senhor, a gente se recorda que a multiplicação dos pães é apenas sinal do banquete que Deus prepara todos os povos e, amo mesmo tempo, é o começo de um tempo novo, sem sofrimento e sem fome. A Eucaristia nos convida a abrir as mãos e o coração para apressar a vinda deste tempo de fartura que esperamos.

Celebremos a Páscoa semanal do Senhor valorizando os que assumem a sua missão em nossa diocese e no mundo inteiro aliviando a fome de muitas pessoas.

O objetivo da Igreja é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas aquelas outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.

Um abraço fraterno a todos

Pe. Benedito Mazeti