Mística tem relação com a espiritualidade encarnada: pode-se entender a mística como sendo espiritualidade em ação, atitude que parte da experiência de fé em vista da iluminação transformadora da realidade, difundindo no “agora da vida” os valores cristãos. A mística é a aceitação do mistério e ao mesmo tempo favorecimento dessa experiência a outras pessoas. No que eu aceito, eu conduzo.

A palavra mística é um adjetivo da palavra mistério em grego. Diz-se que alguém é místico quando tem uma experiência pessoal com Deus e age com base nessa experiência, tendo-a como referencial de valor em samor_de_deusuas decisões e ações. O místico testemunha um encontro com Deus e constrói um caminho experiencial rumo ao sentido último da vida, agindo sempre em favor do que mais precisa ser reconhecido.

A mística cristã não consiste, em primeiro lugar, num mergulhar em si mesmo, mas no encontro com a palavra que nos precede, encontro com o Filho e com o Espírito Santo. Assim, o orante se torna um só com o Deus vivo, que está sempre tanto em nós como acima de nós.

No Catecismo da Igreja católica, a mística é entendida como parte essencial da santidade cristã, definida como a união íntima com Cristo, que nos faz partícipes do mistério de Jesus pelos sacramentos. O místico, a caminho da santidade, sabe que encontrou o fundamento de sua vida, sendo assim, age a partir de Jesus Cristo.

Na cultura, seria um grande processo de humanização agir de acordo com a mística do Reino de Deus, lutando pela integralidade da pessoa. Nesse sentido, a espiritualidade não pode ser senão encarnada e geradora de novos valores. Mesmo que me obriguem a adorar outros deuses, tais como o consumo, os bens, os padrões de beleza, mantenho-me fiel à minha experiência libertadora e comunico a mística no testemunho.

Doação, solidariedade, compaixão, experiência de cuidado com o outro exige mística, exige um movimento de sair de si em busca do outro. É na vida, numa dada cultura e no cotidiano das relações, que se manifesta a espiritualidade: o dinamismo interno que impulsiona ao amor pela dignidade da pessoa, rejeitando aquilo que fere, ofende, denigre e desfigura o outro; a caridade como amor em prática e o cultivo de sementes que façam germinar de forma autônoma uma opção pelos valores cristãos são evidências de uma mística capaz de sanar as “epidemias” de uma pós-modernidade cética e indiferente.

Envie, também, sua dúvida que poderá ser respondida na próxima edição do jornal, escreva e-mail para robertobocalete@yahoo.com.br.
Obrigado e até o mês que vem.

 

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