Artigos, Pe. Bendito Mazeti › 13/09/2019

25º DOMINGO DO TEMPO COMUM, ANO C – 22 de setembro de 2019

“OS FILHOS DESTE MUNDO SÃO MAIS ESPERTOS EM SEUS NEGÓCIOS DO QUE OS FILHOS DA LUZ”

 

Leituras

 

Amós 8,4-7. Contra aqueles que compram os pobres por dinheiro.

Salmo 113/112,1-2.4-6.7-8. O Senhor está acima das nações.

1Timóteo 2,1-8. Deus quer que todos cheguem ao conhecimento da verdade.

Lucas 16,1-13. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro

 

1- PONTO DE PARTIDA

 

Domingo do administrador esperto. Neste domingo, o Senhor renova em nós o seu amor, para nos tornar ativos, criativos e competentes na administração dos bens que nos confiou.

 

Na celebração da Páscoa do seu Filho, Deus Pai nos dá seu Espírito para que optemos por Jesus e pelo Reino por ele anunciado, sendo generosos, dignos de confiança e qualificados na realização de seu projeto de justiça, solidariedade e paz

 

O Senhor nos ilumina e alimenta para que, fazendo bom uso das riquezas e sendo solidários, colhamos os frutos que nos tornam participantes do Reino dos céus. O Senhor nos renova em seu amor, pois só o seu amor pode nos tornar hábeis na administração dos bens que lhe pertencem.

 

2- REFLEXÃO BÍBLICA, EXEGÉTICA E LITÚRGICA

 

Contemplando os textos

 

Primeira leitura – Amós 8,4-7.  Amós era um lavrador da aldeia de Técua, em Judá (Reino do Sul). Atuou como profeta em Israel (Reino do Norte) durante o governo de Jeroboão II. O luxo dos grandes se tornava cada vez mais gritante diante da miséria dos oprimidos. O culto nada tinha a ver com o verdadeiro Deus.

 

As investidas de Amós contra as injustiças dos ricos são particularmente numerosas (Amós 5,7-13; 8,4-7; 5,11-27; 6,17). As guerras do século VIII e as mudanças sociais tinham acarretado a multiplicação de grupos florescentes de traficantes do mercado negro que vendiam a preço alto os gêneros mais necessários. Nem mesmo o culto era capaz de frear seu lucro e os dias de festa lhes serviam apenas para melhor colocarem em prática meios de explorar os pobres (versículo 5). Pensamos normalmente em certos extremos da sociedade de consumo, tanto mais perceptíveis aos olhos de Amós quando ele permanecera numa sociedade de tipo nômade e pastoril.

 

Havia estabilidade política e prosperidade econômica tanto no Reino do Norte como no Reino do Sul. A riqueza, porém, não esta bem distribuída, problema que aparece ser privilégio nosso! As grandes diferenças econômicas provocam intoleráveis injustiças. O pior é que esta sociedade corrompida gosta de prestar culto e, por isso, multiplica seus sacrifícios. Celebrações sem moral, sacrifícios sem conteúdo religioso. A lua cheia, nova e sábado eram festas para os judeus e o comércio interrompido para recordar a saída do Egito e o descanso sabático de Deus, bem como reafirmar que Deus é o Senhor e o dono da Palestina.

 

Salmo responsorial – Salmo 113/112,1-2.4-6.7-8.   O salmo 113/112 é um hino à grandeza e misericórdia de Deus, capaz de provocar mudanças radicais na vida das pessoas. O horizonte do tempo e espaço não tem limites para o louvor. Servos do Senhor são todos os membros da assembléia, e de modo especial os sacerdotes. O primeiro motivo do louvor é a grandeza de Deus, que excede a todas as criaturas e ao universo.

 

Os versículos 6 a 7, mostra o motivo superior do louvor: o Deus sublime, maravilhoso é capaz de abaixar-se para elevar os humildes e consolar os aflitos.

 

O rosto de Deus. O salmo insiste em um nome, e esse nome é Javé. Isso seria o suficiente para falar do rosto de Deus. O salmo mostra o nome de Javé provocando grandes reviravoltas: o indigente senta com os príncipes, a estéril senta à mesa com os filhos. Isto mostra que a grande experiência que Israel fez de Deus está no êxodo. Javé está intimamente ligado à libertação da escravidão egípcia. Aí aconteceu a grande reviravolta. Fica bem que o rosto de Deus é misericórdia e libertador.

 

A Encarnação de Jesus é ponto alto deste salmo. Na Carta aos Filipenses (2,6-11), Paulo mostra como isso aconteceu. O próprio Filho de Deus desceu à nossa realidade e a viveu plena e intensamente. No Magnificat, Maria canta esta glória de Deus que “exalta os humildes”. Ela canta também a reviravolta provocada nela por Deus (Lucas 1,46-55). Jesus se misturou com os pecadores e excluídos (Mateus 9,913; Lucas 15,1-32   ). É precisamente nela que se realiza o supremo abaixar-se de Deus para a máxima elevação da pessoa humana: a Encarnação. Por isso Maria é “mãe de filhos” na casa de Cristo, que é a Igreja.

 

Com todos os pobres da terra, louvemos o Senhor, porque Ele sempre toma a defesa do fraco e julga com justiça os exploradores.

 

LOUVAI O SENHOR, QUE ELEVA OS POBRES!

 

Segunda leitura –  1Timóteo 2,1-8. O texto da leitura de hoje se enquadra dentro de um conjunto maior que poderíamos de: “A organização da comunidade”. Ocupa os capítulos 2 e 3. Primeiro, Paulo, recomenda a Timóteo sobre o serviço litúrgico (capítulo 2). No capítulo 3, fala sobre os ministros da Igreja. O nosso texto de hoje fala sobre a oração litúrgica. O “pois” do versículo 1 é uma ligação com o que precede, ou seja, a salvação dos pecadores. Assim Paulo recomenda à comunidade a prática de rezar durante o serviço litúrgico, muito provavelmente durante a celebração da Eucaristia, por todos os homens, pois isto agrada a Deus que quer a salvação de todos e quer que todos cheguem ao conhecimento da verdade. É justamente o que fazemos hoje após as leituras, creio e homilia, isto é, a oração dos fiéis. O conjunto formado pelos quatro termos “pedidos”, “orações”, “súplicas” e “ações de graças” mostra que a oração cristã se estenda a todas as direções. A intenção de Paulo aqui é insistir sobre a necessidade e universalidade da oração. A expressão “por todos os homens” (veja também os versículos 4 e 6) mostra como a oração cristã ultrapassa as fronteiras da oração da oração judaica que se limitava aos irmãos israelitas. Paulo não quer que se esqueça de ninguém nas orações. Recomenda particularmente rezar pelos “reis e todos os que detém a autoridade”. Veja que “reis” está no plural, portanto não se refere apenas a Nero César, mas a todos os que governam. Rezar pelo imperador romano pode também indiretamente demonstrar que o imperador não é um deus como ele se fazia crer, mas um homem necessitado de orações como todos os outros. A segunda parte do versículo 2 indica a finalidade dessas orações: “a fim de levarmos uma vida calma e serena com toda a piedade e dignidade”.

 

A razão principal pela qual Paulo recomenda as orações por todos os homens é expressa nos versículos 3 e 4: Deus quer a salvação de todos os homens e quer que todos cheguem ao conhecimento da verdade. Paulo não tinha ainda expressado tão claramente esta dimensão universal da salvação pela fé em Jesus Cristo (cf. 1,15-16). Chegar ao conhecimento da verdade (2Timóteo 2,25; 3,7; Tito 1,1) é o primeiro passo para a salvação. Implica conversão e fé. A condenação é a oposição livre do ser humano a este desejo de salvação de Deus.

 

O versículo 6a mostra que a universalidade da salvação (cf. versículos 1 e 4) foi conquistada por Cristo através de sua entrega como resgate por todos. A palavra resgate nos faz entender que Cristo pagou um preço pela nossa libertação. Isto se refere principalmente à sua morte de Cruz (Hebreus 9,15). Foi este o preço da nossa libertação. É assim que Cristo se torna o único Mediador, do qual Moisés foi apenas a figura (Hebreus 3,3-6). Enquanto Moisés foi mediador por missão, Cristo o é pelo seu próprio ser, pois em sua única pessoa estão unidas indissoluvelmente a “divindade e a humanidade”. O sacrifício de Cristo é chamado de testemunho a Paulo compete anunciar aos pagãos este testemunho de Cristo.

 

Evangelho – Lucas 16,1-13. Esta parábola sempre criou um certo mal-estar aos pregadores quando tinham que anunciá-la, e também uma certa curiosidade nos ouvintes. Nós muitas vezes esquecemos de ver que o louvor do Senhor não é à “desonestidade” do administrador e sim ao fato dele ter agido de “maneira esperta”.

 

Os pesquisadores dizem em resumo isto: Não há absolutamente nada de desonesto nos arranjos realizados pelo administrador em relação com os devedores de seu patrão. Essa negociações aliás, têm que ser explicadas positivamente se levarmos em conta a legislação judaica sobre os empréstimos com juros.

 

O administrador de uma fazenda atuava em nome e lugar de seu patrão ausente. Na medida em que ele não tinha remuneração nenhuma, ele podia ganhar um dinheirinho (às vezes um dinheirão), emprestando os bens de seu patrão a terceiros. O José da Silva, por exemplo, precisava de óleo, o administrador arrumava o que o José pedia sob a forma de um empréstimo com juros. Suponhamos que o José da Silva precisava de 50 pipas de azeite, o administrador lhe dava essas cinqüenta pipas (na época (na época, mais ou menos 1.750 litros) e também um bilhete dizendo: Eu, José da Silva, devo ao administrador da Fazenda “Santa Luzia 75 pipas de azeite!” Evidentemente a diferença das vinte e cindo pipas a mais representava a “comissão”, o “lucro”, que exigia o administrador, em compensação do empréstimo das cinqüenta pipas de azeite. Não havia – aparentemente, pelo menos- “agiotagem” diante da lei judaica que a proibia. Era o jeito da época! Sabendo disto, entende-se melhor o que o administrador fez quando soube da expulsão dele da fazenda. Simplesmente ele reuniu os devedores de seu patrão e lhes disse: “Quando deves ao meu patrão?” O devedor responde: “Cem pipas de azeite”. E o administrador acrescenta: “Está bem, toma a tua conta, senta-te depressa, e escreve cinqüenta!” O que significa isto? O seguinte: dessa cem pipas de azeite de que constava o recibo, 50 somente tinham sido emprestadas de fato pelo administrador e 50 outras representavam o “lucro” que o administrador queria tirar desse empréstimo para ele mesmo. Assim, quando o administrador transforma a importância do recibo, ele não rouba o seu patrão; simplesmente ele renuncia à sua “comissão”. Ao fazer assim, não somente ele permite ao patrão recuperar a dívida real dos bens emprestados mas, além disto, renunciando ao seu próprio proveito, ela faz amigos! A operação é perfeita  e de sua habilidade total. Entende-se assim por que ele é louvado!

 

O versículo 8 na sua totalidade, procura evidenciar a habilidade, a esperteza, a agudeza e a vivacidade do administrador. O senhor não elogia a desonestidade do administrador, mas a sua esperteza.

 

A viagem de Jesus e de seus discípulos à cidade de Jerusalém segue seu curso normal. As dificuldades de seguir o Mestre revelam-se sob diferentes ângulos. Difícil é tomar a decisão de abandonar tudo. Por isso, o Evangelho de hoje se mostra preocupado com as questões que envolvem o poder econômico, concernentes à riqueza e à sua administração. Jesus condena, de forma taxativa, a condita farisaica de administrar os bens.

 

Na época de Jesus, não faltavam maus administradores, como não faltam hoje entre nós. A parábola do administrador infiel (Lucas 16,1-13) tem como destinatários todos quantos seguem o Mestre na caminhada para Jerusalém. Ele os alerta sobre os obstáculos, desafios e exigências do discipulado, tentando mover os indecisos e alienados. Permanecendo nesta situação, arriscam-se a ser demitidos.

 

O administrador era alguém muito esperto nas questões econômicas e em suas negociatas. Em face de má suspeita e da possibilidade de ser demitido (Lucas 16,2-3) ele não entra em pânico. Sem perder o tempo, para não ficar à mercê da sorte, muda de estratégia. A fim de ganhar a simpatia dos amigos devedores de seu patrão, passa de usurpador e concentrador a solidário com os sofredores e necessitados. Abre mão de seus lucros para conquistar a benevolência dos devedores que garantirão seu futura (Lucas 16,6). Sua força de vontade e coragem fizeram com que ele pensasse numa solução. A atitude é desonesta, mas ele não quer morrer à beira do caminho. Usa inteligência e esperteza para resolver o problema. O patrão elogia a esperteza do administrador (Lucas 16,8). Com habilidade ele resolve sua situação que é crítica.

 

“E eu lhes declaro: usem o dinheiro injusto para fazer amigos” (Lucas 16,9) Dinheiro injusto aí diz respeito à fortuna, aos bens adquiridos em prejuízo dos outros. Jesus manda os discípulos usarem dos bens materiais para, por meio de esmolas e boas obras, conquistar amigos que os recebam nas moradas eternas quando dinheiro faltar, isto é, no momento da morte. Em seguida, Lucas faz uma aplicação da parábola. Ele joga com três tipos de conceitos duplos: pouco/muito (Lucas 16,10), dinheiro injusto/dinheiro verdadeiro (Lucas 16,11), bens alheios/bens próprios (Lucas 16,12). O primeiro termo de cada conceito refere-se aos bens materiais e o segundo, aos bens espirituais. E conclui com a interrogação: a quem o discípulo deseja pertencer? Servir a dois senhores não é possível (Lucas 16,13).

 

3- DA PALAVRA CELEBRADA AO COTIDIANO DA VIDA

 

Há pessoas em nossas comunidades que observam com rigor os preceitos do culto, mas seu coração está longe de Deus (cf. Isaias 29,13). Presentes na igreja, mas distantes do Senhor por sua prática centrada nos bens, no lucro e no desejo de possuir sempre mais. Como “filhos” da sociedade que cultua o “ter”, fazem dos bens materiais o seu deus e, por conseqüência, são enredados na mala da injustiça, da corrupção e da exploração. Espertos na procura do dinheiro fácil, são apáticos nas coisas que os transformam “em filhos da luz”. Todavia, quem quer seguir Jesus e coloca como seu fim último os bens materiais, pisando em tudo para alcançar seus objetivos, não pode servir a Deus. Quem quer seguir a caminhada com Jesus precisa distinguir entre o que ajuda e o que atrapalha; deve ter coragem, de renunciar a tudo que obscurece o caminho.

 

Os bens materiais, como dinheiro, casa, terras, carro etc., são meios que podem favorecer a relação filial com Deus e a relação fraterna com o próximo. Mas, se forem adquiridos de forma injusta, podem também dificultar e tirar a paz interior, prejudicando as relações religiosas e sociais.

 

É uma ação legítima ter e buscar os bens necessários a uma vida digna para si, para a família e para a sociedade. Observemos que são inúmeras as iniciativas e ações da Igreja em busca de dinheiro para as obras sociais e de evangelização. Os bens se transformam em sinal de bênção de Deus quando são frutos da justiça e postos a serviço solidário de irmãos e irmãs.

 

O mal não está nos bens, mas no modo como são adquiridos e usados. O mal reside na atitude egoísta de se apropriar, impedindo a partilha fraterna e solidária. O mal está em transformar a produção, a acumulação e o lucro no fim supremo (idolatria econômica), em detrimento de outras dimensões da vida pessoal, familiar e comunitária. Contra isso o profeta tem palavras duras e assegura que Deus toma a defesa dos explorados e oprimidos, castigando toda espécie de injustiça (Salmo 113/112).

 

A parábola do Evangelho tem um fim pedagógico: quer ensinar como usar bem as riquezas. A solução apresentada é simples: tome suas posses e as distribua para fazer amigos entre os pobres. Os pobres que são solidários, na hora “do aperto”, na hora do juízo final da vida, acolherão você no Reino de Deus. Seria oportuno fazer uma reflexão sobre como partilhar. Não basta dar esmola. É preciso repensar a sociedade atual que concentra muitas riquezas nas mãos de poucos e empurra para a miséria grandes multidões.

 

Tomemos cuidado, porque todos somos administradores, mais do que senhores absolutos dos bens. Corremos o perigo de nos deixar seduzir por eles e utilizá-los de modo pouco justo.

 

Jesus, embora elogie o comportamento do administrador infiel, não aprova sua atitude fraudulenta. Exalta a inteligência e a habilidade com as quais ele agiu criativamente diante da situação que lhe era desfavorável. Ele não desanima nem se deixa abater, cruzando os braços. O Mestre pede aos discípulos que, mesmo em situações desfavoráveis, usem a inteligência e sejam criativos em tudo aquilo que os transforma em filhos da luz e que dignifica a vida da comunidade. Os discípulos receberam a inteligência e as condições para solucionar questões embaraçosas. Eles devem imitar a sagacidade, a tenacidade e a astúcia dos filhos das trevas, não a forma moral de sua conduta.

 

Engana-se quem imagina que seguir Jesus seja um caminho fácil e cômodo, bastando ser bonzinho, obediente, calado. O Mestre quer bem mais de seus seguidores. Como filhos da luz, em virtude do batismo, devem ser perspicazes, hábeis e criativos no combate da fé, fecundando as atividades humanas e sociais com a Boa –Nova do Reino, ocupando os espaços que a sociedade ainda oferece e respondendo às suas interrogações de forma qualificada.

 

Há quem pense fugir do “mundo das trevas”, refugiando-se no simples espiritualismo e no desprezo pelos bens materiais, esquecendo que a vida cristã é um constante “combate na fé”. No caminho com Jesus a Jerusalém, não há lugar para comodismo, mediocridade e superficialidade. Dos seguidores exigem-se constância e qualidade de vida, temperadas pela oração e por relações novas, marcadas por justiça e fraternidade.

 

4- A PALAVRA SE FEZ CARNE E SE FAZ CELEBRAÇÃO

 

Ele se tornou pobre para nos enriquecer

 

Jesus realiza em sua vida aquela imagem de Deus que cria e, interessado por sua obra, dela cuida com carinho e ternura próprios de um Pai. A modalidade deste cuidado que se exprime plenamente em Jesus nos é detalhada pela Oração do dia articulada com o versículo aleluiático (aclamação): Deus resumiu sua Lei no Amor a Ele e ao próximo. Por tal amor Jesus assume nossa humanidade para enriquecê-la (cf. Oração do dia e Aclamação ao Evangelho).

 

Este acontecimento celebrado hoje na fé tem uma implicação ou desdobramento teológico e ético muito interessante: é mediante o amor humano que o amor divino é veiculado. O evangelho, pela parábola do administrador, evidencia bem este fato. É no cuidado que dispensamos ao mundo, aos bens, às pessoas como seres criados e participantes dessa mesma ordem criada, que Deus alcança o mundo e o governa.

 

Mas os cristãos cuidam do mundo, administram-no, não a partir da noção de sua superioridade frente aos outros elementos da criação (pois ele é um desses elementos), nem tampouco em relação ao seus semelhantes, mas a partir do protótipo do amor de Jesus que enriquece e plenifica os seus amores.

 

Dar-vos graças é justo, bom e necessário

 

A frase com a qual as anáforas começam são bastante significativas para falar de como Deus administra a sua criação. Lembrando-nos que o Prefácio tem por objeto o louvor pelas maravilhas que Deus realiza no mundo, isto é, por seu reinado ou governo (administração!) que se dá no interior da história humana e do cosmos, é justo, bom e necessário dar graças porque esta atitude é reveladora de que Deus trabalha e se esforça pelo mundo que gerou. A culminância destas ações maravilhosas é o envio do próprio Amor mediante seu Filho – nascido de mulher (isto é, humano como nós). Por isso é justo, bom, necessário e salvífico dar graças, porque confessamo-nos enriquecidos por Deus em Cristo e esta consciência é fundamental na consecução do seu reinado no mundo. Por isso, muito acertadamente, a Oração Eucarística três, traz como súplica “que este sacrifício da nossa reconciliação estenda a paz e a salvação ao mundo inteiro” e que a Igreja “cresça na fé e na caridade”. Ora, uma vez identificados com o Corpo de Cristo, somos nós os responsáveis a enriquecer o mundo com o amor de Deus, segundo a lógica do Evangelho de Jesus. Aqui reside a tarefa missionária da Igreja.

 

5- LIGANDO A PALAVRA COM A AÇÃO EUCARÍSTICA

 

Neste 25º Domingo do Tempo Comum, celebrando a Páscoa semanal, fazemos memória da doação ilimitada de Jesus e de seu compromisso fiel com as causas dos explorados e injustiçados pelos administradores poderosos e corruptos da terra.

 

O Senhor, que, “nos revela as Escrituras e parte o pão para nós”, quer nos renovar em sua luz, para que como “filhos da luz” sejamos ativos, criativos e hábeis administradores dos bens que lhe pertencem. Que nossa ação de graças ao Pai por todos os bens criados nos transforme em sábios filhos da luz a serviço do Reino.

 

A proclamação e a escuta da Palavra do Senhor renovem em nós a consciência de que Deus é a fonte de todos os bens, liberte-nos da ganância concentradora das riquezas e constitua-nos em promotores da justa distribuição de renda. A oferta de dons e a participação à mesa eucarística estreitem nossos laços de comunhão com Deus e com os irmãos. A participação na ceia eucarística nos faça vivenciar a morte e a ressurreição de Cristo, acontecendo nas pessoas que, no exercício profético de seu batismo, denunciam as injustiças, os sistemas auto-sustentáveis de corrupção e de acúmulo de riquezas.

 

“Ao participar no sacrifício da cruz, o cristão comunga do amor de doação de Cristo, habilitando-se e comprometendo-se a viver esta mesma caridade em todas as atitudes e comportamentos de vida. Em resumo, no próprio ‘culto, na comunhão eucarística, está contido o ser amado e, por sua vez, o amar os outros. Uma eucaristia que não se traduza em amor concretamente vivido é em si mesma fragmentária” (Bento XVI, Sacramentum Caritatis, n. 82).

 

Que o Pai nos dê seu Espírito para que possamos sempre optar pelo seguimento de Jesus e de seu Reino, sendo desprendidos, solidários, dignos de confiança e capazes de, em qualquer situação, realizar o seu projeto de justiça e de paz.

 

  1. ORIENTAÇÕES GERAIS

 

  1. Preparar a celebração de maneira que toda ela aconteça num clima acolhedor e festivo.
  2. Preparar bem a celebração. A preparação feita por uma equipe que tenha formação litúrgica adequada pode assegurar uma celebração mais autêntica do mistério pascal do Senhor, assim como a ligação como os acontecimentos da vida, inseridos neste mesmo mistério de Cristo (cf. Doc. da CNBB 43, n. 211). Garantir que o povo de Deus exerça o direito e o dever de participar segundo a diversidade de ministérios, funções e ofícios de cada pessoa (Doc. da CNBB 43, n. 212; Sacrosanctum Concilium, n.14). Preparar a celebração e utilizar de uma metodologia – um caminho.

 

  1. Falando da importância da preparação, recordamos que para a participação de toda a assembléia ser “plena e ativa0” (Sacrosanctum Concilium, n.14) é conveniente que a preparação desenvolva-se com os seguintes passos: 1º: pedir as luzes do Espírito Santo; 2º: avaliar a celebração anterior; 3º: aprofundar e conversar sobre o que se vai celebrar; 4º: ler e aprofundar as leituras bíblicas e as orações; 5º: exercitar a criatividade; 6º: escolher os cantos relacionados com o mistério celebrado; 7º: elaborar o roteiro; 8º: distribuir os vários ministérios e serviços.

 

  1. Cada vez mais, cai em desuso os chamados “comentários” antes das leituras. Preferem-se as brevíssimas monições que exortam os fiéis para o acontecimento que se seguirá. São mais afetivos e introdutórios, do que informativos de qualquer conteúdo teológico ou catequético. São, inclusive, dispensáveis, sendo preferível o silêncio ou um refrão meditativo que provoque na assembléia aquela atitude vigilante para a escuta e conseqüentemente acolhida da Palavra de Deus. Sugerimos, neste caso, antes de iniciar a Liturgia da Palavra, o refrão “Senhor que a tua Palavra”.

 

7- MÚSICA RITUAL

 

O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos cantar a liturgia e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com cada domingo, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são do Tempo Comum, é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado. A função da equipe de canto não é simplesmente cantar o que gosta, mas cantar o mistério da liturgia deste 25º Domingo do Tempo Comum. Os cantos devem estar em sintonia com o Ano Litúrgico, com a Palavra proclamada e com o sacramento celebrado. Não devemos esquecer que toda liturgia é uma celebração da Igreja corpo de Cristo e não de um grupo, de uma pastoral ou de um movimento.

 

A equipe de canto faz parte da assembléia. Não deve ser um grupo que se coloca à frente da assembléia, como se estivesse apresentando um show. A ação litúrgica se dirige ao Pai, por Cristo, no Espírito Santo. Portanto, a equipe de canto deve se colocar entre o presbitério e a assembléia e estar voltada para o altar, para a presidência e para a Mesa da Palavra.

 

  1. Canto de abertura. Eu sou a salvação do povo meu, do povo meu, quem diz é o Senhor… (Missal Romano) e estrofes do Salmo 125/124. Quem confia no Senhor a sua vida não será abalada. Música da faixa nº 9, exceto o refrão, CD: Liturgia VII.

 

Outro canto de abertura que destaca a justiça e a partilha e nos introduz no mistério celebrado neste Domingo é o canto “Vós sois o caminho, a verdade e a vida”, inspirado em João 14,6 no diálogo com o apóstolo Tomé, CD: Cantos de Abertura e Comunhão, melodia da faixa 10. Outra terceira excelente opção bem conhecido nas comunidades seria o canto: “Oi louvai ao Senhor nosso Deus por tudo aquilo que Ele nos fez” (Ofício Divino das Comunidades, página 279). Este canto entoa o amor de Cristo que reúne os irmãos; que Deus cumpriu em seu Filho a palavra de salvação.

 

  1. Hino de louvor. “Glória a Deus nas alturas.” Vejam o CD Tríduo Pascal I e II e também no CD Festas Litúrgicas I; Partes fixas do Ordinário da Missa do Hinário Litúrgico III da CNBB e também a versão da CNBB musicado por Irmã Miria Reginaldo Veloso e outros compositores.

 

O Hino de louvor é um canto dos que foram redimidos e se alegram em Deus porque a sua Glória no Céu se desdobra em Paz na terra. É uma imagem do Pai que desce em Jesus para alcançar sua criação e realizar no mundo e na humanidade seus desígnios de amor. Não é um “agradecimento” por nossas pequenas vitórias pessoais, mas verdadeiro elogio (eulogeo/oração) ao Pai e ao Cordeiro por seus planos de amor e não por nossos impulsos, por melhores que possam ser (cf. Oração depois da comunhão). Por isso não deve ser substituído por outra peça musical. É um direito da assembléia ter a letra dos cantos na mão e evitar músicas complicadas.

 

  1. Salmo responsorial 113/112. Deus protege e promove o pobre e o indigente. “Louvai o Senhor, que eleva os pobres”, CD: Liturgia XII, melodia da faixa 6.

 

O Salmo responsorial é uma resposta que damos àquilo que ouvimos na primeira leitura. Isto mostra que o salmo é compromisso de vida e ele também atualiza e leitura para a comunidade celebrante. Primeira leitura, Palavra proposta e salmo Palavra resposta. Por isso deve ser cantado da Mesa da Palavra (Ambão) por ser Palavra de Deus. Valorizar bem o ministério do salmista.

 

  1. Aclamação ao Evangelho. Cristo enriqueceu-nos com seu despojamento (2Coríntios 8,9). “Aleluia… O Cristo que era rico, de rico se fez pobre”, melodia da faixa nº 7, CD: Liturgia XII. O canto de aclamação ao evangelho acompanha os versos que estão no Lecionário Dominical.

 

  1. Refrão após a homilia. Após uns momentos de silêncio após a homilia entoar este refrão: “Onde estiver teu tesouro irmão. Lá estará inteiro o teu coração”, Ofício Divino das Comunidades, página 467.

 

  1. Apresentação dos dons. A escuta da Palavra e colocá-la em prática, deve gerar na assembléia a partilha para que ela possa ser sinal vivo do Senhor. Devemos ser oferenda com nossas oferendas. Quando administramos com justiça, o nosso coração nos chama a partilhar. “As mesmas mãos que plantaram as sementes aqui estão”, CD: Liturgia VII, melodia da faixa 4, ou “Ó Deus, recebe o trigo, moído”, CD: Liturgia XII, melodia da faixa 8.

 

  1. Canto de comunhão. “Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará um e amará o outro, ou se apegará a um e desprezará o outro”. (Lucas 16,13) e estrofes do Salmo 112/111. “Não é possível servir a dois senhores com agrado. Se somos de Jesus Cristo, o mundo fique de lado…”, CD: Liturgia XII, melodia da faixa 9, articulado com o Salmo 111/112.

 

“Bem-aventurado quem pensa no fraco e no indigente, no dia da infelicidade o Senhor o salva” (Salmo 40,2) ou “Bem-aventurado os pobres em espírito porque deles é o Reino dos Céus” (Mateus 5,3). É bem-aventurado toda pessoa que teme o Senhor e ama seus mandamentos. Somos bem-aventurados quando ajudamos os outros. Nessa linha da caridade para com o próximo, a Igreja oferece outra ótima opção para o canto de comunhão. “Bem-aventurados os que têm um coração de pobre, porque deles é o Reino dos céus!,articulado com o Salmo 24, CD: Festas Litúrgicas IV, melodia da faixa 14 ou Hinário Litúrgico III da CNBB, página 345.

 

O canto de comunhão deve retomar o sentido do Evangelho de cada Domingo. Esta é a sua função ministerial nos levar ao coração do Evangelho.

 

8- O ESPAÇO CELEBRATIVO

 

  1. Preparar bem o espaço celebrativo, de modo que seja acolhedor, aconchegante, sóbrio e sem ostentação como nos pede o Evangelho de hoje.

 

  1. O lugar onde celebramos a Eucaristia é Casa da Igreja e antes disso é Casa da Palavra, pois é esta que, sacramentalmente, forja a comunidade dos cristãos. De certo modo, a construção de pedra é imagem da construção viva, isto é, o povo de Deus, da qual fala Paulo em suas cartas, que a Igreja, Corpo de Cristo. Neste sentido, é lugar de interlocução, de diálogo a partir das escrituras que são interpretadas pelos ritos. Assim, toda a celebração litúrgica é Palavra de Deus dirigida ao povo reunido. Mas também é resposta deste povo aos apelos que lhe são expressos.

 

  1. AÇÃO RITUAL

 

O Senhor nos chama a ser criativos e fiéis na administração dos bens que Deus nos confia. Tudo pertence ao Pai celeste.

 

Ritos Iniciais

 

  1. A cruz dos cristãos (referência à vida gasta em favor do próximo) deve ser assumida, carregada pelo caminho da vida, à maneira de Jesus. Cláudio Pastro diz que ela é sinal da nossa vitória. Por isso “Uma procissão atrás da Cruz, traz presente a Igreja peregrina que segue a Cristo e caminha sob sua bandeira”.

 

  1. A celebração tem início com a reunião da comunidade cristã (IGMR 27.47). O canto de abertura começa tendo em conta essa realidade eclesial, e vai introduzir a assembléia no Mistério celebrado.

 

  1. É o canto do “Próprio” que revela com maior propriedade o mistério celebrado em cada ocasião do ano litúrgico. Articulado com as partes fixas, a comunidade pode ir chegando, paulatinamente, à experiência e compreensão das nuances do Mistério Pascal de Jesus a ser descobertas e vividas cotidianamente. Sugerimos, por isso, como canto de abertura essa terceira opção: “Oi louvai ao Senhor nosso Deus por tudo aquilo que ele nos fez!” (ODC). Esse canto entoa o amor de Cristo que reúne os irmãos; que Deus cumpriu em seu Filho a palavra de salvação, etc.

 

 

  1. A opção “D”, da saudação inicial, Romanos 15,13 é uma boa opção para essa celebração:

 

O Deus da esperança, que nos cumula de toda alegria e paz em nossa fé, pela ação do Espírito Santo, esteja sempre convosco.

 

  1. Em seguida, dar o sentido litúrgico da celebração. O Missal deixa claro que o sentido litúrgico da celebração pode ser feito pelo presidente, pelo diácono um leigo/a devidamente preparado (Missal Romano página 390).

 

  1. O sentido litúrgico pode ser proposto, através das seguintes palavras, ou outras semelhantes:

 

Domingo da partilha e da justiça. O Senhor nos renova em seu amor, pois só o Seu amor pode nos tornar hábeis na administração dos bens que Lhe pertencem. O Senhor nos conta a parábola do administrado desonesto e nos convida a viver como filhos e filhas da luz.

 

  1. Após a saudação e o sentido litúrgico, fazer a recordação da vida trazendo os fatos que são as manifestações da Páscoa do Senhor na vida. Trazer os fatos de maneira orante e não como noticiário.

 

  1. Como na celebração do domingo anterior, sugerimos que se faça o Ato Penitencial conforme a fórmula C, opção 5, para o Tempo Comum, página 394 do Missal Romano. Ali aparece claramente Jesus Cristo visto como “plenitude da graça”, que se fez “pobre para nos enriquecer” e como aquele enviado “para nos tornar todos santos”.

 

  1. A Oração do Dia nos convida a chamar a Deus de Pai para que possamos amar a Deus e ao próximo e assim chegar à vida eterna.

 

Rito da Palavra

 

Bênção da luz e dos filhos da luz

 

  1. Após a proclamação do Evangelho, quem preside convida a assembléia à oração:

 

            Pr: O Senhor esteja convosco.

            T: Ele está no meio de nós.

 

Ó Deus da luz, que expulsais toda escuridão, por vosso Filho amado, abençoai a nós e a estas velas e, por vossa força e bondade, dai-nos a graça de viver sempre como filhos e filhas da luz. Por Cristo nosso Senhor. Amém

 

  1. Como refrão após a homilia, seria oportuno cantar “Onde estiver teu tesouro irmão”. Lá estará inteiro o teu coração. (Ofício Divino das Comunidades, página 467).

 

  1. Em todo o rito, a Palavra se conjuga com o silêncio. Momentos de silêncio após as leituras, o salmo e a homilia, fortalecem a atitude de acolhida da Palavra. O silêncio é o momento em que o Espírito Santo torna fecunda a Palavra no coração da comunidade. Nem tudo cabe em palavras.

 

  1. Destacar o Evangeliário. Depois da procissão de entrada deve permanecer sobre a Mesa do Altar até a procissão para a Mesa da Palavra como é costume no Rito Romano.

 

Rito da Eucaristia

 

  1. O pão e vinho são sinais trazidos do seio do mundo, para que sejam “fecundados” pela graça de Deus e se tornem morada do Mistério e todos que deles participarem possam ser beneficiados pela presença de Deus. Assim, pão e vinho consagrados se tornam imagem do mundo e da humanidade redimida, imagem da própria Igreja – Corpo de Cristo, como entendia Santo Agostinho.

 

  1. Aqui se nota a importância de se manter sempre vivo o costume da procissão dos dons feita por membros da comunidade de fé. Embora já não se traga o pão para a celebração, das casas, como em outras épocas, é salutar que não se perca o sentido de apresentar o mundo e a humanidade nos sinais do pão e vinho, frutos do suor e trabalho humanos a ser submetidos ao trabalho divino (= consagrar/ santificar/ eucaristizar). Cantar a glória do Reino teu por toda a terra.

 

  1. Na preparação dos dons leva-se pão e vinho para o altar. Ao serem levados ao altar, eles podem ser acompanhados por outros dons (frutos do trabalho e da generosidade da comunidade para serem repartidos no final da celebração ou até por flores lembrando a chegada da primavera).

 

  1. Na Oração sobre o pão e o vinho suplicamos a Deus que acolha nossas oferendas. Que recebemos nos sacramentos o que proclamamos na fé.

 

  1. Se for escolhida as Orações Eucarísticas I, II e III sugerimos o Prefácio para os Domingos do Tempo Comum III que contempla a astúcia de Deus em nos salvar. Nunca é demais lembrar que a Oração Eucarística II, admite troca de Prefácio. “Nós reconhecemos ser dignos da vossa imensa glória vir em socorro de todos os mortais com a vossa divindade. E servir-vos de nossa condição mortal, para nos libertar da morte e abrir-nos o caminho da salvação, por Cristo, Senhor nosso”. O grifo no texto identifica aqueles elementos em maior consonância com o Mistério celebrado neste Domingo e que pode ser aproveitado na própria, ao modo de mistagogia. Usando este prefácio, o presidente deve escolher a I, II ou a III Oração Eucarística. A II admite troca de prefácio. As demais não podem ter os prefácios substituídos sem grave prejuízo para a unidade teológica e literária da eucologia.

 

 

  1. No momento do convite à comunhão, quando se apresenta o Pão consagrado e o cálice com o sangue de Cristo, é muito oportuno o texto bíblico de João 8,12, que é a fórmula “b” do Missal Romano:

 

“Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida”. Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

 

  1. Distribuir a comunhão de maneira orante e sob as duas espécies, pois como diz a Instrução Geral do Missal Romano (IGMR): “A comunhão realiza mais plenamente o seu aspecto de sinal quando sob as duas espécies. Sob esta forma se manifesta mais perfeitamente o sinal dom banquete eucarístico e se exprime de modo mais claro a vontade divina de realizar a nova e eterna Aliança no Sangue do Senhor, assim como a relação entre o banquete eucarístico e o banquete escatológico do Reino do Pai” (n. 240).

 

Ritos Finais

 

  1. Na oração pós-comunhão pedimos a Deus que nos auxilie sempre com os sacramentos para que possamos colher os frutos da redenção na liturgia e na vida.

 

  1. Os ritos iniciais remetem aos ritos finais, pois neles somos convocados para estar com o Senhor e sermos enviados em missão (cf. Marcos 3,14), para sermos sacramento de unidade e da salvação de todo o ser humano (cf. Lumem Gentium 1).

 

  1. Na bênção em nome da Santíssima Trindade levem-se em conta as possibilidades que o Missal Romano oferece (bênçãos solenes, na oração sobre o povo). Ela expressa que a ação ritual se prolonga na vida cotidiana do povo em todas as suas dimensões, também políticas e sociais. Seria oportuno neste Domingo o n.23 das Orações sobre o Povo do Missal Romano página 534.

 

Confirmai, ó Deus, os corações dos vossos filhos e filhas, e fortaleceu-os com vossa graça, para que sejam fiéis na oração e sinceros no amor fraterno. Por Cristo, nosso Senhor.

 

  1. Destacar, nos ritos de envio em missão, o compromisso da comunidade de ter gestos concretos de partilha.

 

  1. As palavras do rito de envio podem estar em consonância com o mistério celebrado: Não podeis servir a Deus e ao dinheiro. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.

 

10- CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

A lei do cristão é agir com decisão, descobrindo o apelo de Deus em cada momento, na confiança inabalável de que tudo é abrigado por um sentido absoluto, acolhido no mistério da plenitude. Meditemos com Cassiano Ricardo o poema. O Relógio. Diante da coisa tão doida, / conservemo-nos serenos./ Cada minuto da vida / nunca é mais / sempre é menos./ O ser é apenas a outra face/ do não-ser e não do ser./ Desde o instante em que se nasce / já se começa a morrer.

 

O objetivo da Igreja é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas aquelas outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.

 

Um abraço fraterno a todos
Pe. Benedito Mazeti

 

Pe. Benedito Mazeti

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