Artigos, Pe. Bendito Mazeti › 04/10/2017

27º DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO A – 08 de outubro de 2017

Leituras
Isaias 5,1-7. Eu esperava deles fruto de justiça.

Salmo 79/80,9.12-16.19-10. Visitai a nossa vinha e protegei-a!

Filipenses 4,6-9. Apresentai vossas necessidades a Deus.

Mateus 21,33-43. Jogaram-no para fora da vinha e o mataram.

“A PEDRA QUE OS CONSTRUTORES REJEITARAM TORNOU-SE A PEDRA ANGULAR”

1- PONTO DE PARTIDA
Domingo dos vinhateiros homicidas.  Em continuidade à leitura do capítulo 21 de Mateus, iniciada no Domingo passado, hoje nos é apresentada a parábola dos vinhateiros e do proprietário da vinha. Mais uma vez, Mateus recorre a essa imagem para representar o Reino de Deus e para nos indagar sobre a forma como vivemos o seguimento de Jesus.
Somos convidados a celebrar a Páscoa de Jesus. Ela se realiza nas comunidades e grupos dispostos a colaborar para que o Reino de Deus prospere e produza frutos benfazejos a todo o Povo de Deus, vinha amada do Senhor.
2- REFLEXÃO BÍBLICA, EXEGÉTICA E LITÚRGICA
Contemplando os textos
Primeira leitura – Isaias 5,1-7. Não é fácil definir o gênero literário desta profecia. Essa profecia é o exemplo mais perfeito de parábolas que se encontra no Primeiro Testamento. Mas a parábola apresenta-se a si mesma como “canção de amor” (versículo 1). Canta-se o amor não correspondido de um noivo. O profeta assume o papel do “amigo do noivo” (cf. João 3,29).
Esse texto foi escrito há cerca de setecentos anos antes de Cristo e o profeta quer ajudar o povo a perceber as ambigüidades de sua relação com Deus, criou este poema sobre um amigo e uma vinha. O lagar é um tanque de onde se retira o doce suco das uvas. Este poema fala da nossa relação com Deus e nos chama a viver na fidelidade do amor.
Os versículos 1-2 cantam os cuidados com que o esposo cerca sua noiva. Os versículos 3-5 convidam a multidão a compreender o julgamento que ele vai fazer, votando sua esposa infiel à esterilidade (versículo 6). Enfim, o versículo 7 fornece, sob forma de glossa, a chave da alegoria.
Essa alegoria da vinha inaugura o tema das “bodas de Javé e Israel”, que freqüentemente voltará a aparecer na literatura bíblica: Israel é designado tanto como uma vinha (Jeremias 2,21; Ezequiel 15,1-8; 17,3-10; 19,10-14; Salmo 79/80,9-17), quanto como a esposa acariciada e depois repudiada (Ezequiel 16; Deuteronômio 22,2-14; 25,1-13). Aqui nesse texto essas duas linhas se misturam perfeitamente.
A profecia pode ser entendida também como “canção de colheita”, gênero literário que deve a sua origem no costume de cantar seja durante a própria colheita, seja durante a festa que se celebrava por ocasião da mesma. Seria, no caso, a Festa da Uva (cf. Isaias 5,11-12.22). A colheita tanto no Primeiro Testamento como no Novo Testamento muitas vezes figura como imagem do juízo de Deus.
Com o consentimento do auditório, isto é, dos “habitantes de Jerusalém e do povo de Judá” (versículo 3), o herói da canção – o noivo e amigo do poeta –, condena pessoalmente (na primeira pessoa do singular) a vinha ingrata ou a noiva infiel e estéril. E anuncia a execução da sentença.
No decorrer deste anúncio Isaias abre o jogo e esclarece que a sua canção não é a de um trovador ou poeta qualquer, mas de um profeta: “vou desmanchar a cerca, e ela será devastada… ela não será podada nem lavrada. Não deixarei as nuvens derramar a chuva sobre ela”. Aqui, nesta última frase, o profeta revela que o amigo de que ele está falando é Deus.
Deus fez tudo de bom, no entanto, a resposta que recebeu foi a injustiça e a ingratidão.
Salmo responsorial – Salmo 79/80,9.12-16.19-10. Este Salmo é uma súplica coletiva. O povo clama a Deus por causa de uma tragédia nacional, resultado de um conflito internacional. Tem ligações com os salmos 77 e 78.
“Iluminai a vossa face sobre nós, convertei-nos para que sejamos salvos!” O povo clama a Deus, chamando-o de Pastor de Israel, pedindo que cuide de seu rebanho, que é o Reino do Norte (José, Efraim, Benjamim e Manassés, 2-3) está destruído por causa de uma invasão estrangeira. Portanto, este salmo surge na época da destruição das tribos do Reino do Norte conhecidas como Israel ou casa de José. Devido aos acontecimentos, Deus “parece estar dormindo” e o povo pede que Ele acorde. Os inimigos são chamados de “viandantes”, “javalis” e “feras” (13-14), símbolos da violência e destruição impiedosa. É muito importante perceber que o Salmo não surgiu dói nada, mas é fruto de um conflito internacional.
O rosto de Deus no Salmo. O salmo apresenta várias imagens: Deus-Pastor, povo-rebanho e vinha. Pede que o Senhor visite a vinha, mas reconhece que não foi Deus que abandonou a vinha, mas o rebanho que se afastou do Pastor. A imagem do Pastor é sugestiva. Pastor é quem tira dos currais e conduz para as pastagens. Foi o que Deus fez no passado, quando libertou seu povo do curral do Faraó.
A imagem da videira é assumida por Cristo no Novo Testamento, como concentração do Povo de Deus (João 15,5), e depois ela passa para a sua Igreja. Como Cristo, também a Igreja é pisada e entregue às contendas e gozações dos inimigos. Com Cristo a Igreja invoca a ajuda de Deus, e em Cristo ela contempla o rosto de Deus que brilha em poder e clemência.
Cantando este salmo na celebração deste domingo, peçamos ao Senhor que Ele nos visite, que não nos abandone, porque somos a sua vinha preciosa e precisamos de seu cuidado e carinho para produzirmos ótimas uvas. Que o Senhor reúna o nosso coração em torno do seu projeto e venha de novo nos guiar em nossa caminhada. Por isso com o Salmo 79/80, pedimos que sejamos iluminados e convertidos pelo Senhor:
A VINHA DO SENHOR É A CASA DE ISRAEL.
Segunda leitura – Filipenses 4,6-9. O Apóstolo Paulo, da prisão, escreve à comunidade de Filipos, dando-lhe orientações bem concretas sobre a oração e a vida cristã. Oferece pistas para que a vinha não seja entregue aos vinhateiros perversos nem produzam maus frutos: que a comunidade se ocupe de tudo que é verdadeiro, justo, puro, amável e honroso; e recomenda a oração, isto é, que se apresentem ao Pai as próprias necessidades, com súplicas e ação de graças. Paulo sabe que Deus é fiel mesmo para aqueles que lhe são infiéis. Quando há o arrependimento, ele está sempre pronto a acolher as orações e as súplicas.
Paulo aconselha a comunidade de Filipos, e dá também orientações bem concretas sobre a oração e a vida cristã. O agradecimento é que faz do pedido uma oração cristã, pois ela deve ser uma oração alegre em qualquer ocasião, e as preocupações a impedem de ser.
Paulo não nega o valor ou a necessidade da oração de pedidos do cristão, mas indica como ela deve ser feita, na alegria e na ação de graças. Quem rende graças, coloca-se sob a proteção da Paz de Deus, que na Bíblia significa salvação.
A “oração” brilha como fonte de confiança no meio das dificuldades; aconteça o que acontecer (versículo 6), a oração faz dos cristãos perceber que estão nas mãos de Deus que nos protege (versículo 7). Esta confiança conduz a uma vida que procura o bem em todo lugar (versículo 8) e não hesita em cumpri-lo, como o próprio Paulo fez (versículo 9a). Uma vida inspirada em tais valores fará que o Deus da “paz” esteja conosco (versículo 9b).
O versículo 8 foi considerado a “Carta Magna” do humanismo cristão. A comunidade eclesial deve mostrar-se aberta e acolher todos os valores humanos, desde que assim sejam verdadeiramente. Humanismo e Evangelho têm uma raiz comum: Deus. O que distingue o Cristianismo não são os valores em si mesmos, mas a Pessoa de Jesus, revelação divina desses valores, chegada até nós através da Tradição: “O que aprendestes, recebestes, ouvistes e vistes em mim é o que deveis praticar” (versículo 9), recorda Paulo. Fidelidade ao Evangelho e fidelidade às pessoas, eis a síntese que os verdadeiros discípulos devem fazer.
Evangelho – Mateus 21,33-43. Depois da solene Entrada triunfal em Jerusalém (Mateus 21,1-11) Jesus não tenta mais convencer e converter os Seus adversários, mas explica a eles por que são rejeitados. Como no Domingo passado, Jesus conta-lhes outra parábola.
Qual era a situação original? A história profana e a geografia política e sócio-econômica dos tempos de Jesus informam que a parte setentrional do vale do Jordão e as margens setentrionais e setentrionais-ocidentais do lago de Genesaré, mas também grandes partes do interior montanhoso da Galiléia foram, naquele tempo, latifúndios. Sabe-se de documentos oficiais que algumas aldeias ao redor da de Giscala no ano 66 depois de Cristo fizeram parte dos domínios imperiais e deviam entregar trigo ao imperador romano. Berenice a rainha (cf. Atos 25,13.23; 26,30), deixou, na mesma época, armazenar muito trigo em Besara. Os aldeões da Galiléia, em parte antigos posseiros destas terras e agora reduzidos a trabalhadores rurais mal pagos e explorados, fomentaram uma propensão rebelde e revolucionária contra os latifundiários estrangeiros que invadiram suas terras. Esta oposição foi alimentada pelos zelotes, membros de um movimento revolucionário e nacionalista, que surgiu nestas regiões da Galiléia. Muitos outros estavam tomados de indignação e de frustração por verem as terras, recebidas de Deus, passar para as mãos de pagãos e estrangeiros.
Este quadro reproduz a situação econômica da época: o país estava dividido em gigantescos latifúndios que, quase sempre, pertenciam a estrangeiros. Influenciados pela propaganda zelota, os camponeses “galileus e judeus” que alugavam as terras, sentiam um ódio mortal em relação aos proprietários estrangeiros.
Matar o herdeiro era uma maneira de entrar na posse da terra, pois o direito concedia a terra ocupada aos primeiros ocupantes. Mas os vinhateiros da parábola se enganam: o proprietário retomará a posse de seu bem e o confiará a outros (versículo 41).
Que pretendeu Jesus contando essa parábola? Talvez Ele quis distanciar-se dos zelotas: embora reine a injustiça no mundo, o Reino de Deus não virá pela violência e pelo ódio. Jesus, porém, se dirige, sobretudo, aos chefes do povo que voluntariamente se comparavam a “vinhateiros”. Jesus faz com que compreendam que não foram fiéis à sua tarefa e que, por conseguinte, a terra será dada a outros, em particular aos pobres (cf. Mateus 5,4) versículo das Bem-Aventuranças.
Conhecendo melhor esta situação sócio-política, pode-se imagina que as palavras de Jesus sobre o dono que contratou lavradores para trabalhar na sua plantação de uvas, enquanto ele mesmo se mandou em viagem para o estrangeiro, despertou vivo interesse entre os ouvintes. Não se tocava nestes assuntos a não ser em voz baixa, por causa da censura, dos dedos duros e porque os zelotes estavam sendo perseguidos pelas forças armadas do Império Romano como subversivos (cf. Atos 5,36-37; 21,38). Os ouvintes devem ter guardado com muita curiosidade a explicação da parábola.
Mateus por sua vez, transforma a parábola numa alegoria destinada a explicar as razões e as conseqüências da morte trágica de Jesus Cristo. Cita os versículos 22-23 do Salmo 117/118 que a multidão acaba de utilizar (os versículos 25-26, citados em Mateus 21,1-10) para aclamar a Cristo algumas horas antes. Mateus lembra assim que a glória de Cristo passa pelo sofrimento e pela morte. O Salmo 117/118, aliás, era considerado como messiânico pela comunidade primitiva (cf. Atos 4,11; Mateus 21,9; 23,39; Lucas, 13,35; João 12,13; Hebreus 13,16.
Portanto, a morte de Cristo contribui para a construção de um Reino novo, pois a pedra rejeitada se tornou a pedra angular do templo definitivo. Podemos notar que Mateus associa particularmente a idéia de pedra rejeitada à da morte fora da cidade (versículo 39; cf. Hebreus 13,12-12), com uma finalidade eclesiológica: mostrar que o novo Povo de vinhateiros se apóia num sacrifício novo.Na parábola de Jesus, o drama não termina com o castigo dos vinhateiros, mas com a rejeição definitiva deles. E aquilo que Deus lhes confiou (a vinha), lhes é tirado e confiado a outros.
3- DA PALAVRA CELEBRADA AO COTIDIANO DA VIDA
Essa parábola de Jesus não é, em primeiro lugar, uma profecia da morte de Jesus (o filho), mas anúncio de um julgamento. O Reino de Deus é tirado do povo de Israel, representado pelos sacerdotes, anciãos e fariseus, e é dado a outros. É dado àqueles a quem esses chefes consideram como “aquela gente que não conhece a Lei e que está debaixo da maldição”. O julgamento de Deus consiste numa inversão radical.
Esta palavra nos questiona profundamente. O fato de termos sidos escolhidos para sermos o sinal do amor, da misericórdia e da salvação de Deus não nos garante o Reino. A parábola nos ensina que devemos corresponder a este chamado.
Muitas vezes certas lideranças religiosas impedem que o povo seja Povo de Deus para ser povo dos anciãos, dos escribas, dos sacerdotes, de fulano, de tal movimento… O povo vira joguete nas mãos dos chefes religiosos que há muito buscam seus interesses e não o Reino de Deus. É isso que Jesus critica, mesmo que sua denúncia profética lhe cause a morte.
Que frutos se esperam da vinha plantada e cuidada com tanto carinho? O Senhor esperava dela o direito e a justiça. Estabelecer o direito e a justiça é uma exigência de Deus como expressão da fidelidade à Aliança entre Deus e seu povo. Nosso Deus, que é Deus da vida e do amor, quer que, em nosso meio, reine a justiça, respeite-se o direito de todos, em especial dos mais pobres.
A Palavra de Deus nos lembra que, por não estarmos vivendo a justiça e o direito, há, entre aqueles que se dizem crentes em Deus, assassinos, gritos devido aos maus tratos. Na Bíblia a opressão contra os mais pobres é considerada um homicídio.
Os vinhateiros são homicidas não só porque matam os enviados, inclusive o filho, mas também porque despojam o pobre, violam o direito, não dão os frutos da justiça que pede o Senhor. Por ser assim, o Reino de Deus vai ser entregue a outras pessoas.
A Palavra de Deus de hoje nos questiona muito. O fato de sermos cristãos não nos garante o Reino. Somos escolhidos para sermos sinal do amor, da misericórdia e da salvação de Deus. É preciso provar essa escolha de Deus com frutos e ações concretas de justiça e direito. Ser cristão é dar a vida. Se colocarmos em prática o Evangelho, o Deus da paz vai estar conosco e dessa paz seremos testemunhas no mundo em que vivemos.
Se observarmos com atenção o mundo ao nosso redor, reparamos que existe abuso de poder, corrupção, violência; não são estes, certamente, os frutos que Deus esperava. O Evangelho obriga-nos a olhar em frente, em direção ao futuro, para transformamos esses frutos da nossa sociedade, que infelizmente não correspondem ao Reino de Deus para onde caminhamos. A parábola exorta-nos a não sermos conformistas: Deus, como no tempo de Isaias, continua a esperar de nós, “justiça” e “retidão”.
4- A PALAVRA SE FAZ CELEBRAÇÃO
A vocação universal da Igreja
A vinha do Senhor já não se confunde com a escolha de uma etnia, de uma cultura determinada, de um grupo geográfico da Terra. Vimos na festa de Pentecostes que desde cedo a Igreja se deu conta de sua vocação para falar a todos os povos, raças e línguas, levando a Boa-Nova do Evangelho a todas as nações, continentes, hemisférios, culturas, costumes e hábitos.
Os “arrendatários da vinha” já não são os dirigentes, a cúpula da sociedade ou o clero apenas, mas sim as comunidades e todos os seus participantes, que devemos ser “sal da terra e luz do mundo”. É neste sentido que São Paulo nos diz na Segunda Leitura que devemos nos ocupar com tudo o que é verdadeiro, respeitável, justo, amável, honroso e virtuoso (Filipenses 4,6-9).
O perdão e a reconciliação
Esta parábola é uma ótima ocasião para propormos mudanças em nossas comunidades e paróquias, onde o quadro é, às vezes, de declarada disputa e rivalidade entre os grupos, pastorais e movimentos, como “uvas azedas” em lugar de frutos bons no sentido do Reino, por cuja implantação lutamos. Lutamos? Ou estamos satisfeitos em azedar o ambiente, sobretudo o campo adversário? Lembrar a contínua necessidade do perdão e reconciliação, como dia a Oração do Dia: “… derramai sobre nós a vossa misericórdia, perdoando o que nos pesa na consciência e dando-nos mais do que ousamos pedir”.
Em sua infinita fidelidade, o Pai está sempre pronto a nos acolher; portanto, ao nos darmos conta de nossa infidelidade, não devemos temer em pedir, como fazemos hoje na oração sobre as oferendas: “Ó Deus, […] encontrar na eucaristia a seiva que nos faz produzir frutos da vida eterna”.
5. ORIENTAÇÕES GERAIS
1. O ensaio de cantos com a assembléia, seguido de um momento de silêncio e oração pessoal, ajuda a criar um clima alegre e orante para a celebração.
2. Cuidar que todos os textos bíblicos, inclusive o canto do salmo responsorial, sejam bem preparados e proclamados como proposta de Aliança que Deus faz, “acontecimento de salvação” para a comunidade reunida.
3. “É muito recomendável que os fiéis recebam o Corpo do Senhor em hóstias consagradas na mesma Missa e participem do cálice nos casos previstos, para que, também através dos sinais, a comunhão se manifeste mais claramente como participação do Sacrifício celebrado” (IGMR nº 56 h). Um dos mais graves abusos nas celebrações da eucaristia é a distribuição da comunhão do sacrário como prática normal. Assim pecamos contra toda a dinâmica da ceia eucarística, que consta da preparação das oferendas, da ação de graças sobre os dons trazidos, da fração do pão consagrado e da sua distribuição àqueles que, com a oblação deste pão, se oferecem a si mesmos com Jesus ao Pai.
6- MÚSICA RITUAL
O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos cantar a liturgia e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com cada domingo do Tempo Comum, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são do 27º Domingo do Tempo Comum, é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado. Jamais os cantos devem ser escolhidos para satisfazer o ego de um grupo ou de um movimento ou de uma pastoral. Não devemos esquecer que toda liturgia é uma celebração da Igreja corpo de Cristo e não de um grupo, de uma pastoral ou de um movimento.
Ensina a Instrução Geral do Missal Romano que o canto de abertura tem por objetivo, além de unir a assembléia, inseri-la no mistério celebrado (IGMR nº 47). Nesse sentido o Hinário Litúrgico III da CNBB nos oferece uma ótima opção, que estão gravados no CD: Liturgia VII e CD: Cantos de Abertura e Comunhão e Ofício Divino das Comunidades.
1 Canto de abertura. “Senhor, tudo está em vosso poder” (Ester 13,9.10-11).  As estrofes são do Salmo 124/125: “Quem confia no Senhor a sua vida não será abalada”. A Antífona de Entrada proposta pelo Missal Romano é tirada do livro de Ester. A CNBB em seu Hinário III propõe uma versão muito boa: “Senhor, em tuas mãos: a nossa vida, a nossa lida, a ti ninguém resiste. Ó Deus do Universo, o céu e a terra, tu os fizeste e tudo quanto existe”. Música e letra igual a faixa 9, CD: Liturgia VII.
Outra ótima proposta é o canto: “Nós somos muitos, mas formamos um só corpo”,  CD: Cantos de Abertura e Comunhão”, melodia da faixa 6.
2. Hino de louvor. “Glória a Deus nas alturas.” Vejam o CD Tríduo Pascal I e II e também no CD Festas Litúrgicas I; Partes fixas do Ordinário da Missa do Hinário Litúrgico III da CNBB e também a versão da CNBB musicado por Irmã Miria Reginaldo Veloso e outros compositores.
O Hino de Louvor, na versão original e mais antiga, é um hino cristológico, isto é, voltado para Cristo, que exprime o significado do amor do Pai agindo no Filho. O louvor, o bendito, a glória e a adoração ao Pai (primeira parte do Hino de Louvor) se desdobram no trabalho do Filho Único: tirar o pecado do mundo, exprimindo e imprimindo na história humana a compaixão do Pai. Lembremo-nos: o Hino de Louvor não se confunde com a “doxologia menor” (Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo). O Hino de Louvor encontra-se no Missal Romano em prosa ou nas publicações da CNBB versificado numa versão que facilita o canto da assembléia. 3. Refrão para motivar a escuta da Palavra: “Senhor, que a tua Palavra, transforme a nossa vida/ Queremos caminhar com retidão na tua luz”.
4. Salmo responsorial 79/80. A vinha de Israel ameaçada.  “A vinha do Senhor é a casa de Israel”. CD: Liturgia VII, melodia da faixa 10.
O Salmo responsorial é uma resposta que damos àquilo que ouvimos na primeira leitura. Isto mostra que o salmo é compromisso de vida e ele também atualiza e leitura para a comunidade celebrante. Primeira leitura, Palavra proposta e salmo Palavra resposta. Por isso deve ser cantado da Mesa da Palavra (Ambão) por ser Palavra de Deus. Valorizar bem o ministério do salmista.
5. Aclamação ao Evangelho. Produzir frutos em Cristo (João 15,16). “Aleluia… Eu vos escolhi, foi do meio do mundo”, CD: Liturgia VII melodia da faixa 11. O canto de aclamação ao evangelho acompanha os versos que estão no Lecionário Dominical.
6. Apresentação dos dons. A escuta da Palavra e colocá-la em prática, deve gerar na assembléia a partilha para que ela possa ser sinal vivo do Senhor. Devemos ser oferenda com nossas oferendas. Quando somos fiéis ao Senhor, o nosso coração nos chama a partilhar. “Bendito seja Deus Pai, do universo criador”, CD: Liturgia VII, melodia da faixa 12.
7. Canto de comunhão. “Então agarraram o filho, jogaram-no para fora da vinha e o mataram”, Mateus 7,39. Somos felizes quando somos fiéis ao projeto do Reinado de Deus. Somos chamados a ser a vinha do Senhor. “Ó Pai, somos nós esta vinha que tu com carinho plantastes”, CD: Liturgia VII, melodia da faixa 13.
Outra ótima opção e o canto: “Eis meu povo o banquete”, CD: Cantos de Abertura e Comunhão da CNBB, melodia da faixa 18.
7- O ESPAÇO CELEBRATIVO
A vinha, símbolo do Povo de Deus, nos leva a dar atenção especial, para a comunidade reunida em assembléia, como Corpo de Cristo, a vinha do Pai, chamada a produzir frutos de justiça, santidade e paz.Criar um bonito arranjo com uvas (naturais!) que, desde o início, leve a pensar em bons frutos. Isso faz lembrar as cenas das lavouras de uva.
O pé da cruz processional pode ser ornado com algumas folhagens naturais de videira (pé de uva), lembrando que a cruz é a árvore da vida. Mas não o Altar, propriamente dito. Os ramos de parreira podem sim, ser usados nos arranjos florais.
8. AÇÃO RITUAL
O domingo pode ser denominado de “Domingo da fidelidade”. Deus nos chama a ser fiéis, a seguir o exemplo de Cristo que foi totalmente fiel, mesmo nos momentos mais difíceis, mais dolorosos, de maior confrontação. Cristo resistiu à tentação e permaneceu fiel à missão para a qual o Pai o enviara.
Ritos Iniciais1. Após a saudação inicial, apresentar o sentido da celebração, abrindo para a recordação da vida, com acontecimentos que marcaram a semana que passou, fatos tristes e alegres da comunidade, do país e do mundo.
4. A saudação presidencial, já predispondo a comunidade, pode ser a fórmula “c” do Missal Romano (2Tessalonicences 3,5). Depois disso é que se propõe o sentido litúrgico e não antes do canto de entrada.
O Senhor, que encaminha os nossos corações para o amor de Deus e a constância de Cristo, esteja sempre convosco.
Quem anima ou quem preside introduz a assembleia com palavras semelhantes a estas:
Domingo da fidelidade. Escutemos com atenção a parábola dos trabalhadores que se apossaram da vinha. Recordamos a Aliança que Deus veio fazer conosco e percebemos também nossas infidelidades. Fazemos memória do Cristo, a vinha fecunda e parceiro fiel do Pai no cuidado do seu povo
2. O Ato Penitencial pode seguir a fórmula 3 do Missal Romano com os seguintes tropos:
Senhor, Videira da qual, nós somos os ramos,TENDE PIEDADE DE NÓSOh Cristo, Filho bendito do Pai, enviado para o cuidado da vinha,TENDE PIEDADE DE NÓS.Senhor, garantia de frutos duráveis na Vinha que é a Igreja,TENDE PIEDADE DE NÓS.
3. Pode-se executar os tropos com um tom sálmico (recitativo livre), aos quais a assembléia responde com o Kyrie eleison, isto é, Senhor tende piedade, segundo uma melodia conhecida por todos. Um bom exemplo que serve para o texto acima se encontra no CD: Cantar a Liturgia (Paulus). Seria muito significativo, que este rito fosse feito com a assembléia de joelhos, voltada para a cruz processional ornada com as folhas de videira. O Ato Penitencial pode ser feito após a homilia.
4. Cada Domingo do Tempo Comum é Páscoa semanal. Cantar de maneira festiva o Hino de louvor (glória).
5. A oração do dia pede que Deus derrame em nossos corações a sua misericórdia, e que nos concede mais do que merecemos e ousamos pedir.
Rito da Palavra
1. Cada vez mais, cai em desuso os chamados “comentários” antes das leituras.. São, inclusive, dispensáveis, sendo preferível o silêncio ou um refrão meditativo que provoque na assembléia aquela atitude vigilante para a escuta e conseqüentemente acolhida da Palavra de Deus.  Para abrir a Liturgia da Palavra, seria oportuno um breve refrão meditativo. Sugerimos este refrão: “Senhor que a tua Palavra, transforme a nossa vida, queremos caminhar com retidão na tua luz”.2. Cantar com particular solenidade o Salmo responsorial que enaltece a misericórdia de Deus.
3. Destacar o Evangeliário. Depois da procissão de entrada deve permanecer sobre a Mesa do Altar até a procissão para a Mesa da Palavra como é costume no Rito Romano.
Rito da Eucaristia
1. O pão e vinho são sinais trazidos do seio do mundo, para que sejam “fecundados” pela graça de Deus e se tornem morada do Mistério e todos que deles participarem possam ser beneficiados pela presença de Deus. Assim, pão e vinho consagrados se tornam imagem do mundo e da humanidade redimida, imagem da própria Igreja – Corpo de Cristo, como entendia Santo Agostinho.
2. Aqui se nota a importância de se manter sempre vivo o costume da procissão dos dons feita por membros da comunidade de fé. Embora já não se traga o pão para a celebração, das casas, como em outras épocas, é salutar que não se perca o sentido de apresentar o mundo e a humanidade nos sinais do pão e vinho, frutos do suor e trabalho humanos a ser submetidos ao trabalho divino (= consagrar/ santificar/ eucaristizar). Cantar a glória do Reino teu por toda a terra.
3. A Liturgia Eucarística, marcada pelo sentido de unidade do novo Povo de Deus, pode valorizar, neste Domingo, os sinais sensíveis do “pão e do vinho” (fruto da videira) para todos.
4. A oração sobre as oferendas deixa claro que a celebração do Mistério é em honra do Senhor. A oração pede a Deus que “completai a santificação dos que salvastes” pelo sacrifício instituído.
5. Para este Domingo, seria muito sugestivo o uso da Oração Eucarística IV. Inspirada na Anáfora Alexandrina de São Basílio (século IV), traz um resumo da História da Salvação, sobre a qual o trecho do Evangelho deste Domingo nos proporciona lampejos com a parábola da vinha. Se for escolhida uma Oração Eucarística que admite troca de prefácio, escolher o VII, que expressa a Igreja reunida pela unidade da Santíssima Trindade.
6. Um bom canto para acompanhar a distribuição da comunhão seria “Ó Pai, somos nós esta vinha que tu com carinho plantaste”, gravado pela Paulus. Há grande sintonia com o Mistério celebrado.
7. Distribuir a comunhão de maneira orante e sob as duas espécies, pois como diz a Instrução Geral do Missal Romano (IGMR): “A comunhão realiza mais plenamente o seu aspecto de sinal quando sob as duas espécies. Sob esta forma se manifesta mais perfeitamente o sinal dom banquete eucarístico e se exprime de modo mais claro a vontade divina de realizar a nova e eterna Aliança no Sangue do Senhor, assim como a relação entre o banquete eucarístico e o banquete escatológico do Reino do Pai” (n. 240). Assim estamos sendo coerentes e sensíveis com aquilo que o Senhor disse no momento da narrativa da Ceia: Ele não disse somente “tomai, todos e comei”, mas também “tomai todos e bebei…”.Ritos Finais
1. Na oração depois da comunhão expressa-se o fundamento da unidade do novo Povo de Deus: a Eucaristia nos deve transformar naquele que recebemos. Recorrendo aos sinais eucarísticos, podemos dizer: somos o corpo de Cristo, a vinha do Pai.
2. Para a bênção final, como envio em missão, usar o texto da bênção para o Tempo Comum II, Filipenses 4,7 que retoma a segunda leitura de hoje.
“A paz de Deus, que supera todo entendimento, guarde vossos corações e vossas mentes no conhecimento e no amor de Deus, e de seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo”. Amém.
3. As palavras do rito de envio podem estar em consonância com o mistério celebrado: Sejam fiéis ao Senhor como vinha preciosa. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.
4. É comum além, de entrar em procissão no início da celebração guiados pela cruz, também retirar-se do espaço sagrado em procissão, igualmente guiados pela cruz.
9- CONSIDERAÇÕES FINAIS
Peçamos o Espírito que se realize em nós a unidade de vida e de missão: porque somos cristãos sejamos também pessoas novas e convertidas, cheios de todas as virtudes. Então poderemos tornar visível o amor de universal de Deus, porque nós mesmos nos fizemos sinais Dele no meio das pessoas.
O objetivo da Igreja é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas aquelas outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.

Um abraço fraterno a todos

Pe. Benedito Mazeti

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