2º DOMINGO DA PÁSCOA NA RESSURREIÇÃO DO SENHOR ANO A – 23 de abril de 2017

Leituras

Atos 2,42-47. Todos os que abraçavam a fé viviam unidos.
Salmo 117/118,2-3.13-15.22-24. O Senhor é minha força e o meu canto.
1Pedro 1,3-9. Ele nos fez nascer de novo, para uma esperança viva.
João 20,19-31. A paz esteja convosco.

“COMO O PAI ME ENVIOU, TAMBÉM EU VOS ENVIO”

ressurreiçao
1- PONTO DE PARTIDA

Hoje é o domingo da profissão de fé de Tomé. Há uma semana celebramos o Páscoa da Ressurreição. Nós batizados, fomos sepultados na morte com Cristo e ressuscitamos com ele. Neste Tempo Pascal, somos fortalecidos pela Palavra de Deus e pela Eucaristia a fim de darmos testemunho de Jesus ressuscitado, seja pela nossa vida pessoal, pela participação comunitária, seja pela atuação transformadora da sociedade.

Hoje também é o domingo da Divina Misericórdia instituído pelo papa João Paulo II. Somos convidados a deixar de lado o medo que nos impede de ser autenticas testemunhas do Ressuscitado e acolher o dom da paz e da reconciliação que Ele nos oferece. Hoje a Igreja toda se alegra com a beatificação do papa João Paulo II.

Celebramos a Páscoa de Jesus que se manifesta na comunidade dos discípulos e discípulas e em todas as pessoas e grupos que promovem a reconciliação no meio de nós.

2- REFLEXÃO BÍBLICA, EXEGÉTICA E LITÚRGICA

Contemplando os textos

Primeira leitura – Atos 2,42-47. Em três “resumos” (Atos 2,42-47; 4,32-36; 5,12-16) Lucas dá uma imagem idealizada da primeira comunidade cristã. No primeiro resumo que se lê hoje, fala-se pela primeira vez, nos Atos, de uma comunidade cristã.

A comunidade cristã é, pois, uma convivência, baseada na pregação dos Apóstolos, mantida pela comunhão de bens, alimentada pela fração do pão e animada pelo louvor de Deus, pela alegria e confiança mútua.

O segundo domingo do Tempo Pascal apresenta o primeiro dos três textos muito semelhantes dos Atos dos Apóstolos, através dos quais Lucas delineia o quadro das características da comunidade nascida da Páscoa e do Pentecostes. O primeiro versículo deste texto (cf. versículo 2) enumera os traços essenciais sem os quais uma comunidade não é Igreja; o resto enriquece a descrição e narra as reações de quem está fora: “simpatia”(versículo 47) sobretudo perante a vida de comunhão profunda que distingue o estilo de vida dos cristãos (versículos 44.46).

A comunidade parece consagrar todo o seu tempo ao culto e à missão: ela louva a Deus (Atos 2,47), mas também se preocupa com a repercussão de seu testemunho junto ao povo e com as conversões que daí resultam (Atos 2,47; 5,13-14).

Os cristãos de Jerusalém, na maioria, estrangeiros na cidade, galileus exilados, pobres sem lar, membros da Diáspora sem “domicílio”, alegravam-se sem dúvida com o encontro em volta de uma mesa comum e podiam ver nisso um reflexo um reflexo do banquete escatológico.

Não se trata simplesmente de um conjunto de pessoas juntas por um mesmo ideal, mas de um grupo que vive dos dons que o Espírito Santo oferece aos cristãos para sustentar a sua fé e tornar a comunidade realmente “cristã”, ou seja, conformada a Cristo: a palavra apostólica, a pão partido, a vida de comunidade, tudo num clima de oração.

De todas estas características o primeiro sumário parece evidenciar sobretudo a da “comunhão”: é a novidade das relações que persistem entre os cristãos a atrair o interesse “de todo o povo” (cf. versículo 47), isto é, de quem está fora. A narração dos Atos dos Apóstolos não mostra uma Igreja que converte todos os povos, mas a difusão da primeira comunidade que, precisamente através da vida fraterna dos seus membros, dá bom testemunho do Ressuscitado.

A Ressurreição de Cristo é um acontecimento. Mas é preciso “perseverar” (Atos 2,42; traduzido por “ser assíduo” na Bíblia de Jerusalém), isto é, encontrar instituições e estruturas que permitam vivê-la em todas as circunstâncias da vida. Os resumos dos Atos descrevem essas instituições: a instrução dos apóstolos, a comunidade fraternal, a liturgia, a missão, a vitória sobre o mal. A Igreja de hoje não pode reproduzir as características das comunidades primitivas: uma volta à instrução dos apóstolos seria às vezes arcaísmo, uma restauração das formas litúrgicas seria judaísmo, e o gosto pelo maravilhoso um anacronismo. Em vez disso, a Igreja deve pesquisar se seu ensinamento se baseia ainda no Mistério Pascal, se a fé no Cristo Ressuscitado inspira a luta dos cristãos contra o mal e a doença, se a caridade para com os pobres é realmente sinal da solidariedade espiritual de todas as pessoas em Cristo.

Salmo responsorial – 118/117,2-4.13-15.22-24. É uma oração coletiva de ação de graças. Este salmo encerra o Hallel (cf. Salmo 113-117). Um invitatório (vv. 1-4) precede o hino de ação de graças posto nos lábios da comunidade personificada, vv. 19s-25s, recitadas por diversos grupos quando a procissão entrava no Templo de Jerusalém. A Igreja da graças ao Senhor que ressuscita Jesus e nos faça participar da sua Páscoa.

A “pedra angular” (ou “pedra cumeeira”; cf. Jeremias 51,26), que se pode tornar “pedra de tropeço”, é tema messiânico (Isaias 8,14; 28,16; Zacarias 3,9; 4,7; 8,6) e designará o Cristo (Mateus 21,42p; Atos 4,11; Romanos 9,33; 1Pedro 2,4s; cf. Efésios 2,20; 1Coríntios 3,11). Na tradição cristã, este versículo é aplicado ao dia da ressurreição de Cristo e utilizado na liturgia pascal.

Um ponto alto da Liturgia da Palavra na Vigília Pascal é o canto solene do aleluia com o Salmo 117(118) e a proclamação do Evangelho da ressurreição. Também ele é cantado como Salmo responsorial no Domingo de Páscoa dos Anos A, B e C. No Ano B, ele é cantado no Domingo de Páscoa, no Segundo Domingo e também no Quarto Domingo que é o “Domingo do Bom Pastor”. No Ano C, ele é cantado no Domingo de Páscoa e no Segundo domingo de Páscoa.

O rosto de Deus no Salmo 117/118. A primeira coisa que chama a atenção é a frequência com que aparecem o nome “Javé” (Senhor) e a expressão “em nome de Javé”. Sabemos que o nome de Deus no Primeiro Testamento é Javé, e esse nome está ligado à libertação do Egito. O nome dele recorda libertação, Aliança e posse da terra. Entende-se, portanto, por que o Salmo afirma que o amor dele é para sempre. Amor e fidelidade são as duas características fundamentais de Javé na Aliança com Israel. Aqui está o rosto de Deus: que ouve, alivia, anda junto do povo. A recordação da “direita” faz pensar na primeira “maravilha” de Deus, a libertação do Egito.

Jesus é a expressão máxima do amor de Deus. Com Jesus aprendemos que Deus é amor (1João 4,8), e Jesus foi capaz de mostrar esse amor para todos, dando a vida como consequência disso (João 13,1). A liturgia cristã leu este Salmo à luz da morte e ressurreição de Jesus. A Carta aos Efésios (1,3-14) nos ajuda a cantar a Deus, por causa de Jesus, um louvor universal.

No Salmo 117/118, somos convidados a dar graças ao Senhor que ressuscita Jesus e nos faz participar de sua Páscoa. A tradição cristã, aplica ao dia da ressurreição de Cristo e é utilizado na liturgia pascal.

DAI GRAÇAS AO SENHOR PORQUE ELE É BOM!
“ETERNA É A SUA MISERICÓRDIA!”

Segunda leitura – 1Pedro 1,3-9. O autor da primeira carta de Pedro parece inspirar-se num antigo hino cristão que poderia ter sido concebido em três estrofes dedicadas sucessivamente ao louvor do Pai, autor da nova criação, do Filho motivo de nosso amor até na provação e do Espírito manifestado nos profetas. Depois da saudação inicial, Pedro como outros escritores do Novo Testamento, começa a Carta com uma “bênção”, ou seja, com uma oração de ação de graças a Deus pelos Seus dons. O principal tema dessa “bênção” é nossa regeneração (cf. Tito 3,5; João 3,3-5; Tiago 1,17-18). A oração é aqui claramente articulada em três partes, centradas respectivamente na Trindade Santa.

O trecho da Carta de Pedro lida hoje, mostra que a existência cristã tem marcas da Trindade. Deus Pai está na origem da mesma (versículos 3-5). A esperança, o amor e a fé dos cristãos concentram-se em Jesus Cristo (versículos 6-8). O Espírito Santo, ou o Espírito de Cristo dá-lhe testemunho por meio dos profetas do Primeiro Testamento e dos pregadores do Evangelho (versículos 10-12).

A um grupo de comunidades cristãs na Diáspora (cf. 1Pedro 1,1), Pedro ensina o louvor como primeira atitude, capaz de conservar a unidade e de superar o sentido de frustração que nasce em quem se sente isolado e ainda mais em situação de perseguição. São cristãos que pertencem à segunda geração que “amam Jesus, mesmo sem o ter visto, e que crêem Nele, embora não O vejam agora (versículo 8).
Os dons que se devem agradecer a Deus estão resumidos na ação de Deus que em Cristo “fez renascer” os cristãos (versículo 3). Pedro ensina a “alegrarem-se” (cf. versículos 6.8b) por aquela que nós chamaríamos a vida de graça, isto é, aquela relação profunda com Cristo Jesus que transfigura inclusive os sofrimentos.

A leitura fala sucessivamente do futuro glorioso para o qual o Pai destina os cristãos (versículos 3-5). “Graças à fé, pelo poder de Deus, vós fostes guardados para a salvação que deve manifestar-se nos últimos tempos”. O ponto de referência de nossa atual cronologia Ocidental e cristã é a primeira vinda de Cristo. Dividindo a história em antes e depois de Cristo, introduziram-se uma contagem regressiva (antes dC) e outra progressiva (depois dC). É uma cronologia histórica. O ponto de referência da cronologia dos primeiros cristãos não era a primeira, mas a segunda vinda de Cristo. Não era, pois o passado, mas o futuro. A contagem não era progressiva, mas regressiva: não se ia somando a uma plenitude já dada, mas descontando de uma plenitude ainda esperada. Os primeiros cristãos não viviam, pois, do seu passado, mas do seu futuro em Cristo. Não é uma cronologia histórica, mas escatológica. À luz do futuro que consiste na participação plena da herança gloriosa de Cristo no fim dos tempos (versículos 3-5), os cristãos sabem encarar as aflições e provações do tempo presente como uma oportunidade para avaliar a sua fidelidade a Cristo.

Evangelho – João 20,19-31. Os domingos de Páscoa trazem, sobretudo nos evangelhos, o “material pascal”, as aparições de Jesus ressuscitado. Nesta coleção situa-se também João 20,19-31. A liturgia até conserva um certo realismo histórico, pois a segunda metade desta leitura situa-se “oito dias depois”, isto é, no segundo domingo depois da morte de Cristo (João 20,26). Quando se trata de estabelecer um relacionamento com a primeira leitura, pode-se pensar no tema “reunião”. Mais evidente, é o laço com a segunda leitura: crer sem ver (João 20,29; cf 1Pedro 1,8).

O capítulo 20 de João descreve os últimos sinais que Jesus realizou. Todos os sinais anteriores preparam e culminam nestes. Estes últimos sinais realizaram-se no primeiro dia (versículo 19) e no segundo (versículo 26) dos “primeiros dias da semana” ou “domingos” (cf. Apocalipse 1,10): “dia do Senhor”. É importante captar a intenção do evangelista. Ele escreveu no fim do primeiro século. Durante várias décadas as comunidades cristãs se reuniam no primeiro dia da semana para celebrar a Eucaristia e comemorar a ressurreição do Senhor Jesus (Atos 20,7-12; 1Coríntios 16,2). O evangelista ensina que a celebração dominical tem as suas raízes na reunião vespertina no “primeiro dia da semana” em que Jesus ressurgiu do sepulcro e subiu para seu Pai, e na repetição desta reunião oito dias depois. Essas reuniões de Jesus ressuscitado com os Seus discípulos são a inauguração das assembléias semanais das comunidades cristãs de todos os tempos. Todas elas são assembléias ao redor do Senhor ressuscitado, em que Ele está realmente presente como naquelas primeiras assembléias. Naqueles dois primeiros domingos Jesus veio ainda de modo visível, depois de modo invisível. “Felizes, porém, os que crêem sem O ver” (João 20,29). Hoje Ele está presente de maneira invisível, mas não menos real.

O sentido da celebração litúrgica semanal é dado em três etapas, marcadas pela antiga saudação litúrgica “A paz esteja com vocês”, que se repete três vezes, como uma espécie de “antífona” (versículos 19.21.26). Na primeira etapa (versículo 20), sublinha-se a “presença real” de Jesus apesar das portas fechadas. O fato de Jesus mostrar as mãos e o lado significa que é o próprio Jesus morto e ressuscitado que está presente, não somente nesta primeira reunião do Senhor ressuscitado com os seus discípulos, mas também em todas as demais assembléias litúrgicas.

Na segunda etapa (versículos 21-23), destaca-se a fundação da Igreja que se realiza em três atos: a comunicação da missão (versículo 21b), do Espírito Santo (versículo 22) e do poder de perdoar e reter os pecados (versículo 23). Esta fundação da Igreja nestes três atos é obra do Senhor morto e ressuscitado realizada no primeiro dos “primeiros dias da semana”. Ela não se repete, mas se renova e atualiza em cada celebração eucarística dominical em que se celebra a “memória” da mesma.

Na terceira etapa (versículos 26-29 preparada por versículos) realça-se que em todas as celebrações eucarísticas do “primeiro dia da semana” o Senhor morto e ressuscitado está tão presente como na segunda celebração deste dia, em que Tomé podia pôr o dedo no lugar das chagas. É a fé dos fiéis de todos os tempos que Jesus declara bem-aventurada com as palavras: “Felizes os que crêem sem Me ver!” Esta fé expressa-se na confissão litúrgica “Meu Senhor e meu Deus!” Ela não é fé de segunda categoria. É a mesma fé e a mesma comunhão com o Senhor. O Vivo contato com o Senhor é diferente, mas não menos real.

Jesus não esquece de ninguém: vem também para encontrar-se com o apóstolo Tomé, o homem de pouca fé, e capacita-o a pronunciar a confissão mais plena de todo o Evangelho: “Meu Senhor e meu Deus!” (versículo 28).

Os primeiros versículos (19-23) descrevem o mesmo fato que Lucas 24,36-43 narra sobre a as aparições do Senhor Ressuscitado. Jesus aparece, transformado; passa através de portas fechadas. João é mais claro do que Lucas, que apenas diz que Jesus esta de repente no meio; João menciona que as portas estavam fechadas por medo dos judeus, um motivo bem do evangelista (cf. 7,13; 19,38), refletindo talvez a situação dos cristãos no fim do século I (perseguição, exclusão da sinagoga, etc. cf. 9,22; 12,42s). João dá um sentido profundo ao tema da alegria.

Agora após a ressurreição, Cristo não é mais um homem comum como os outros, pois atravessa as paredes; mas não é um espírito de luz, pois podemos ver e tocar suas mãos e seu lado (versículo 20). Portanto, sua ressurreição conferiu-lhe um novo modo de existência corporal. João insiste tanto quanto Lucas sobre a demonstração: ele substitui as mãos e os pés pelo lado de Jesus. Isto demonstra claramente que a figura corpórea de Cristo não era a mesma de antes da ressurreição. Jesus agora possui um corpo real, pois não é um espírito; só que o seu corpo já não é material, é glorioso, “corpo espiritual”, diríamos com São Paulo, corpo imaterial capaz de atravessar muros e portas fechadas.

São João afirma que Ele mostra aos discípulos as mãos e o lado. Isto significa que o Ressuscitado é o Crucificado e o Crucificado é o Ressuscitado, isto é, era a mesma pessoa e não um espírito de luz (João 20,20; 25-27).

Jesus se dirige aos discípulos com um voto de paz. Repete esse voto por três vezes nesta narração (versículos 19.21.26). É a hora em que se realizam as promessas feitas por Jesus na sua Despedida: os seus hão de revê-Lo(14,19; 16,16ss) com alegria (16,21s.24; cf. 15,11) e lhes dá a sua paz (14,27). A alegria e a paz formam um contraste claro com o medo em face dos judeus, que marca o início da cena. Realiza-se a promessa: “Tende coragem, eu venci o mundo” (16,33; cf. 16,11).

O dom do Espírito Santo também faz parte da realização das promessas da Despedida. João desconhece a separação temporal da Ressurreição do dom do Espírito Santo, característica de Lucas (Lucas 24,49; Atos 1,4; 2,1ss). Na concepção de João o dom do Espírito Santo depende somente do exercício do senhorio de Jesus, isto é, da sua glorificação, que coincide com a “morte-ressurreição”, a “exaltação” de Jesus. Aqui mostra-se o sentido profundo de chamar o Jesus ressuscitado de “Senhor”. A ressurreição é exercício do senhorio de Jesus Cristo sobre no céu e na terra.

O dom do Espírito Santo é uma missão para os que o recebem, prolongamento da própria missão de Jesus (versículo 22; cf. 17,18). Jesus “sopra” sobre eles o Espírito (= “sopro”) Santo, para que perdoem ou retenham os pecados. Terão, portanto, a missão de tirar o pecado do mundo, exatamente como Jesus (cf. 1,29-36). Se o fizerem, será válido; se não fizerem, também (versículo 23). Mas, isto não significa que poderão julgar de maneira arbitrária. Significa que eles têm o poder de santificação pelo Espírito Renovador (cf. Salmo 51/50,12-14; Ezequiel 11,19; 36,25-27; também Salmo 104/103,30).

Portanto, por sua ressurreição, Cristo tornou-se o Homem novo, animado pelo sopro que presidirá os últimos tempos e purificará a humanidade. Conferindo a seus discípulos o poder de perdoar os pecados, o Senhor não institui apenas um sacramento de penitência; Ele divide seu triunfo sobre o mal e o pecado.

A segunda parte da narrativa (versículos 24-29) é introduzida por uma transição, contém uma lição sobre a fé. Tomé quer apalpar o Ressuscitado, antes de crer. Jesus concedeu.

Os versículos 30-31 é a fórmula de conclusão do texto apóia-se no episódio de Tomé e estende a significação deste sobre o Evangelho inteiro. Tomé pode ver para crer.

Ver e não ver Jesus. A situação normal dos discípulos depois da exaltação de Jesus, é não vê-Lo (João 14,19; 16,10; 16,16ss). Para ver o Jesus novamente, somente na união escatológica e definitiva. Portanto, não é preciso ver Jesus para crer e estar unido com Ele. Crer sem ver é a beatitude dos cristãos (João 20,29).

Contudo, Jesus quis dar a Tomé uma visão para que ele acreditasse (João 20,26-28). Enquanto para os outros discípulos Ele mostrou seu lado aberto para anunciar a efusão do Espírito Santo, a Tomé mostra suas chagas para que acredite. Isto significa que existe uma maneira de ver que é útil, talvez necessária para a fé; pois com a mesma intenção o evangelista visualiza os “sinais” de Jesus para que os cristãos acreditem (João 20,30s).

Mas para chegar à fé pela visão, é preciso ver de uma maneira bem específica. Muitos viram sinais, e não creram (João 12,37), alguns até por medo (João 12,42s). Jesus sugere até que se pode ver sem ver nada: a multidão que participou da multiplicação dos pães encheu a barriga, mas não viu o sinal (João 6,26) e pede mais um (João 6,30)! E os fariseus, que constataram em processo a cura do cego de nascimento, mas não acreditaram, são chamados de “cegos” porque dizem que vêem (João 9,41). Mesmo vendo a ressurreição de Lázaro, não acreditaram.

3. DA PALAVRA CELEBRADA AO COTIDIANO DA VIDA

O Evangelho narra a aparição de Jesus ressuscitado á comunidade reunida. É fundamental voltarmos o nosso olhar para o momento que Jesus escolheu: a comunidade reunida! A comunidade cristã reunida deve aparecer como sinal de Cristo ressuscitado. “a paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio” (João 20,21). Isto mostra que a Igreja já nasceu missionária.

Na tarde do primeiro dia da semana, os discípulos estavam reunidos, de portas fechadas, quando o Senhor apareceu, ressuscitado. Era Ele mesmo. Fez questão de mostrar em seu corpo as marcas da paixão, para que ninguém tivesse dúvidas. Do lado dos discípulos, havia o medo, a incredulidade, a tristeza. Do lado de Jesus, a paz, a reconciliação e uma força capaz de provocar uma nova atitude no meio da comunidade.

Podemos perceber claramente que ao aparecer “no meio deles”, Jesus assume-se como ponto de referência, fator de unidade. A comunidade está reunida em volta dele, pois Ele é o centro onde todos vão beber essa vida que lhes permite vencer o “medo” e a hostilidade do mundo.

Jesus passa para os discípulos a missão que recebeu do Pai, dando-lhes o dom do Espírito Santo e a graça de oferecer o perdão.

Jesus “soprou” sobre os discípulos reunidos em sua volta. O verbo aqui utilizado é o mesmo do texto grego de Gênesis 2,7, o qual diz que Deus soprou sobre o homem de argila, infundindo-lhe a vida de Deus. Com um “sopro”, Jesus transmite aos discípulos a vida nova que fará deles homens novos. Agora, os discípulos possuem o Espírito, a vida de Deus, para poderem como o Mestre dar-se generosamente aos outros. É esse Espírito que constitui e anima nossas comunidades cristãs.

Jesus aparece-lhes não só para que dessem testemunho de sua ressurreição, mas também para dar-lhes o Espírito Santo e enviar-lhes em missão.

Pensemos no nosso hoje: se ouvíssemos de outros: “Vimos o Senhor!”, sem o testemunho narrado no Evangelho, será que nossa atitude seria muito diferente da de Tomé? Ele precisou ver para crer, por isso, arrependido, professa sua fé em Jesus Cristo: “Meu Senhor e meu Deus!” (João 20,28). É na vida da nossa comunidade (na sua liturgia, no seu amor, no seu testemunho) que encontramos as provas de que Jesus está vivo.

Nossa fé precisa ser, realmente, incondicional para que reconheçamos o Senhor. Mesmo sem podermos tocar em suas mãos e em seu peito aberto, é possível vê-Lo na Palavra anunciada e num simples pedaço de pão, porque Ele mesmo disse que ali estaria, se reunidos celebrássemos sua memória. Se estivéssemos, porém, ausentes da comunidade, do Espírito de amor e partilha que Ele nos propõe, poderemos ser o Tomé de hoje, incapazes de crer. Fora da comunidade, da fé e da vivência segundo o Espírito de Deus, dizer que Ele está vivo no meio de nós pode fazer-nos parecer meros visionários aos olhos de quem não crê.
Hoje também, é preciso acreditar antes de ver, pois é a fé que abre nossos olhos à presença de Jesus, a seus sinais e a sua graça.

Este é nosso desejo, todos “queremos ver Jesus”. Ver Jesus é o anseio mais profundo do coração humano, mesmo sem o saber. Em Jesus Cristo, Deus manifesta-se aos que o procuram e lhes oferece a vida em plenitude. E, contudo, podemos dizer que vemos, nós também: a realidade do Cristo glorioso, no Espírito.

Nós somos agora o “espaço” da salvação de Deus, do qual podem brotar equilíbrio e vida plena paras todos. Tornando-nos missionários da reconciliação pelo exercício do perdão. Isso, com certeza, é paz, justiça, saúde e vida para todos. “Como o Pai me enviou, também eu envio vocês”, disse Jesus. Daí a importância de vivermos em comunidade, a exemplo das primeiras comunidades cristãs, perseverantes na escuta da Palavra, na comunhão fraterna (caridade, solidariedade, ajuda mútua, partilha de bens, serviço à vida), na fração do pão (Eucaristia como memorial de Jesus) e nas orações diárias como alimento da fé.
A nossa celebração de cada domingo faz memória desta presença viva de Jesus ressuscitado. Hoje, esta presença não é visível como naquele domingo em que Tomé podia por o dedo em suas chagas. Agora, Ele se manifesta invisível, contudo não menos real. Ele entra em nossas assembléias na situação concreta de cada comunidade e de cada pessoa, vem ao encontro de nossa frágil fé, cheia de medo, cheia de dúvidas… E nós ouvindo-O dizer “Bem-Aventurados os creram sem ter visto”, fazemos a confissão amorosa da nossa fé esperando receber também o dom do Espírito Santo e a força para sermos testemunhas de sua ressurreição.

Contemplamos o Senhor ressuscitado com as mãos feridas pela morte. A ressurreição é a vitória sobre o mal, não sua negação ou fuga. Que Ele nos ajude a superar a cultura individualista e a cultura da morte e a viver o tempo novo da ressurreição.

4- A PALAVRA SE FAZ CELEBRAÇÃO

Conservar na vida o sacramento da Páscoa

O risco da ruptura entre Liturgia e Vida, Mistério e existência é para nós, um desafio que não nos abandona. A Oração depois da Comunhão conclui o rito do mesmo nome, falando que é necessário fazer perdurar na vida aquilo que fora experimentado no encontro com o Senhor. O Cristo que conhecemos no interior dos ritos deveria ser reconhecido no exterior das relações que se dão entre as pessoas, fora do âmbito nitidamente sagrado.

Na liturgia podemos afirmar “vimos o Senhor”, mas a questão é como esta experiência tem seus desdobramentos na vida cotidiana. Como a recordação da Aliança, o nutrir do vínculo dos batizados e batizadas com o Crucificado-Ressuscitado perdura de tal modo no coração de cada fiel que a história humana se vê nova e o mundo com ares de recriação?

A comunidade de fé como sinal sensível do Ressuscitado

O Prefácio da Páscoa V canta: “Vencendo a corrupção do pecado, realizou uma nova criação. E, destruindo a morte, garantiu-nos a vida em plenitude”. Esta constatação aparentemente simples, na obra redentora de Jesus, mediante sua ressurreição, revela o significado da comunidade dos fiéis redimidos. Ela é um “monumento pascal”. Os que vivem como comunidade dos que ressuscitam com Cristo são o testemunho notório de que a Páscoa aconteceu.

Embora os olhos dos nossos “Tomes” contemporâneos muitas vezes não consigam captar o significado da comunidade de fé, como continuadora da presença do Crucificado-Ressuscitado, enxergando a Igreja apenas como uma instituição de ordem religiosa ou social, sua existência revela a vitória da vida sobre a morte. Dito de outro modo, quem vê a vida em comum dos cristãos (descrita com dedos de artista na segunda leitura) deveria enxergar o Senhor e exclamar: Nós o vimos!

Cada celebração do Mistério Pascal é tempo gasto para aperfeiçoar a obra de arte que é a vida em comum em Cristo Ressuscitado. A perfeição das relações que experimentamos, mediante os gestos de abraçar, beijar, lançar um olhar na mesma direção, escutar a mesma palavra, beber e comer juntos e nos banharmos na mesma água, conduzem a comunidade à verdade sobre si mesma, para que ela ilumine o cotidiano e contemplando nossa comunhão se diga: Vimos o Senhor.

5- LIGANDO A PALAVRA COM A AÇÃO EUCARÍSTICA

A Eucaristia é o momento da paz. Em cada Eucaristia, Cristo nos dá a sua paz e quer que a atualizemos para nossos irmãos e irmãs. A paz de Cristo é a paz do Ressuscitado. É diferente da paz do mundo que quer a paz à custa de armas.

Nesta Eucaristia, apresentemos a Cristo a cegueira do mundo, para que Ele a ilumine. Apresentemos o ódio do mundo, para que Ele o converta em amor. Apresentemos o sofrimento de tantos inocentes, para Ele os console.

Na eucaristia o Senhor nos une num só coração e numa só alma e, na mesa eucarística, partilha seu corpo e seu sangue como alimento. Ele nos dá a sua paz ao perdoar nossos pecados e nos convoca a sermos suas testemunhas, fortalecidos pela presença do Espírito Santo.

Após escutarmos e refletirmos a Palavra na homilia, como Tomé, fazemos nossa profissão de fé com o Credo.

Através do ministro que preside a assembléia eucarística, na liturgia eucarística, quando temos Jesus presente no pão e no vinho, é Ele mesmo que nos diz, como outrora aos discípulos: “A paz do Senhor esteja sempre convosco”.

Depois de comungarmos o próprio Jesus que se dá a nós em alimento, com a bênção de Deus Pai, de Deus Filho e de Deus Espírito Santo, somos enviados em missão, tal qual os discípulos, que de Jesus receberam a missão confiada a Ele pelo Pai. A cada celebração litúrgica, esta missão nos é confiada novamente, e a cada celebração damos graças a Deus, “porque ele é bom; porque eterna é a sua misericórdia”.

Não é em experiências pessoais, íntimas, fechadas, egoístas que encontramos Jesus ressuscitado, mas sim no diálogo comunitário, na Palavra partilhada, no pão repartido, no amor que une is irmãos e irmãs em comunidade de vida.

6. ORIENTAÇÕES GERAIS

1. No Ano A, as primeiras leituras de cada um desses domingos são tiradas dos Atos dos Apóstolos: descrevem a vida da primeira comunidade que se reúne na fé em Jesus Cristo Ressuscitado. As segundas leituras são da Primeira Carta de São Pedro: a vida cristã é uma vida pascal; seguindo nos passos de Jesus, como povo novo, constroem sobre o fundamento, a pedra principal que é Cristo. Nos evangelhos destes domingos (São João e a narração dos discípulos de Emaús de São Lucas no Terceiro Domingo), o Cristo Ressuscitado continua presente na reunião dos discípulos e é a porta de acesso ao Pai, no Espírito Santo.

2. Os cinqüenta dias que vão desde o Domingo de Páscoa na Ressurreição do Senhor até o Domingo de Pentecostes devem ser celebrados com verdadeira alegria como se fosse um grande domingo. Esses cinqüenta dias é como se fosse um só dia de festa, “símbolo da felicidade eterna” (Santo Atanásio). Os domingos pascais se caracterizam pela ausência de elementos penitenciais e pela acentuação de elementos festivos. A alegria deve ser a característica do Tempo Pascal. A alegria deve estar presente nas pessoas da comunidade e também no espaço litúrgico, na cor branca (ou amarela), nas flores, no canto alegre do “Aleluia”, na alegria de sermos aspergidos pela água batismal, no gesto da acolhida e da paz. O Tempo Pascal constitui-se em “um grande domingo”. Vivenciamos dias de Páscoa e não após a Páscoa.

3. O Círio Pascal deve estar sempre presente, junto à Mesa da Palavra em todas as celebrações do Tempo Pascal. É importante que o Círio seja aceso no início da celebração, após o canto de abertura, enquanto a assembléia entoa um refrão pascal. Ele é o sinal do Cristo ressuscitado, Senhor de nossas vidas.

4. Dar destaque durante o Tempo Pascal para a água batismal. Onde há pia batismal, ela deve ser o ponto de referência para a realização de ritos como aspersão, renovação de promessas, compromissos. Onde não há pia batismal, preparar alguma vasilha de cerâmica, de preferência junto do Círio Pascal.

5. Vivamos intensamente este tempo de festa, celebrando a vida nova que Cristo nos deu, vencendo a morte. É importante que o espaço celebrativo da Vigília Pascal continue o mesmo para a celebração do Domingo de Páscoa e todo o Tempo Pascal.

6. O Tempo Pascal é, muito indicado, liturgicamente, para as celebrações da Crisma e da Primeira Eucaristia, numa continuidade com a noite batismal da Páscoa.

7- MÚSICA RITUAL

O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos cantar a liturgia e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com o Tempo Pascal e com cada domingo, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são da Páscoa, é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado. O canto de abertura deve nos introduzir no mistério celebrado.

1. Canto de abertura. “Como crianças recém-nascidas…” (1Pedro 2,2). (4Esdras 2,36-37) “A glória de vossa vocação”, (4Esdras 2,36-37) , “Na verdade, o Cristo ressuscitou”, CD: Liturgia XVI, faixa 1.

2. Refrão para o acendimento do Círio Pascal. “Cristo-Luz, ó Luz, ó Luz bendita…”, CD: Festas Litúrgicas I, melodia da faixa 9; “Salve Luz eterna, és tu Jesus…”, Hinário Litúrgico II da CNBB, página 292.

3. Canto para o momento da aspersão com a água batismal. “Eu vi, eu vi, a água manar…”, CD: Tríduo Pascal II, faixa 12; “Banhados em Cristo, somos uma nova criatura…”, CD: Tríduo Pascal II, melodia da faixa 11, ou Hinário Litúrgico II da CNBB, página 196.

4. Hino de louvor. “Glória a Deus nas alturas…” Vejam o CD: Tríduo Pascal I e II e também no CD Festas Litúrgicas I, Partes fixas do Ordinário da Missa do Hinário Litúrgico III da CNBB e também a versão da CNBB musicado por Irmã Miria e outros compositores.

O Hino de Louvor, na versão original e mais antiga, é um hino cristológico, isto é, voltado para Cristo, que exprime o significado do amor do Pai agindo no Filho. O louvor, o bendito, a glória e a adoração ao Pai (primeira parte do Hino de Louvor) se desdobram no trabalho do Filho Único: tirar o pecado do mundo, exprimindo e imprimindo na história humana a compaixão do Pai. Lembremo-nos: o Hino de Louvor não se confunde com a “doxologia menor” (Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo). O Hino de Louvor encontra-se no Missal Romano em prosa ou nas publicações da CNBB versificado numa versão que facilita o canto da assembléia.

5. Salmo responsorial. A Pedra rejeitada tornou-se a pedra angular. “Dai graças ao Senhor, porque ele é bom; eterna é a sua misericórdia!”, CD: Liturgia XVI melodia da faixa 6.

6. Aclamação ao Evangelho. “Felizes os que creêm sem terem visto”, (João 20,29). “Acreditaste, Tomé, porque me viste…”, CD: Liturgia XVI, melodia da faixa 3. O canto de aclamação ao evangelho acompanha os versos que estão no Lecionário Dominical ou a versão do CD: Liturgia XVI

7. Apresentação dos dons. O canto de apresentação das oferendas, conforme orientamos em outras ocasiões, não necessita versar sobre pão e vinho. Seu tema é o mistério que se celebra acontecendo na fraternidade da Igreja reunida em oração, no Tempo Pascal. “A terra, apavorada emudeceu”, CD: Liturgia XVI, melodia da faixa 4; “Senhor, vencestes a morte…”, CD: Liturgia XV, melodia da faixa 4.

8. O canto do Santo. Um lembrete importante: para o canto do Santo, se for o caso, sempre anunciá-lo antes do diálogo inicial da Oração Eucarística. Nunca quando o presidente da celebração termina o Prefácio convidando a cantar. Se o (a) comentarista comunica neste momento o número do canto no livro, quebra todo o ritmo e a beleza da ligação imediata do Prefácio como o canto do Santo.

9. Canto de comunhão. “Não sejas incrédulo mas crê”, (João 20,27). “Cristo ressuscitou, e nós com ele!”, CD: Liturgia XVI, faixa 5; “Põe a mão nas minhas chagas, não hesites, crê somente, Aleluia, Aleluia!”. Mesma melodia da música “Celebremos nossa Páscoa, na pureza na verdade, Aleluia, Aleluia!”, e estrofes do Salmo 117, CD: Liturgia X, melodia da faixa.

8. O ESPAÇO CELEBRATIVO

1. Preparar de forma festiva o ambiente, dando destaque ao Círio Pascal e à pia batismal, com flores e a cor branca ou amarelada nas vestes e toalhas. Ornamentar com flores, mas em exageros, para não transformar o espaço da celebração numa floresta, para não roubar a cena do Altar e do Ambão.

2. A Tradição Romana usa a cor branca neste tempo. Talvez, de acordo com a nossa cultura, podemos caprichar, usando o amarelo ou várias cores fortes de acordo com a nossa cultura.

3. Seria interessante colocar, próximo ao Círio Pascal, as faixas jogadas ao chão e o véu dobrado, é mais um símbolo para contemplarmos o Ressuscitado com os olhos da fé.

4. O Tempo Pascal não é nada mais, nada menos do que a própria celebração da Páscoa prolongada durante sete semanas de júbilo e de alegria. É o tempo da alegria, que culmina na festa de Pentecostes. Tudo isso deve ficar evidente no espaço da celebração.

9. AÇÃO RITUAL

Valorizar os ritos iniciais, pois a reunião da comunidade é lugar da manifestação do Ressuscitado. A incensação do altar ajudará a recordar essa presença que nos reúne.

Ritos Iniciais

1. Na procissão de entrada entrar com as pessoas que foram batizadas ou pessoas que receberam um dos sacramentos na Vigília Pascal, ou crianças com vestes brancas, trazendo flores.

2. Dar particular destaque à acolhida do Círio Pascal. Por exemplo, após o canto de abertura, fazer um pequeno lucernário, solenizando o acendimento do Círio Pascal: uma pessoa acende o Círio e diz: “Bendita sejas, Deus da Vida, pela ressurreição de Jesus Cristo e por essa luz radiante!”. Ou outros refrões que revela o sentido pascal: “Salve, luz eterna és tu, Jesus!/ Teu clarão é a fé que nos conduz! (Hinário II, pág. 292). “Cristo-Luz, ó Luz bendita,/ Vinde nos iluminar!/ Luz do mundo, Luz da Vida,/ Ensinai-nos a amar! A seguir, incensa o Círio pascal e a comunidade reunida.

3. Se a comunidade tiver dificuldade para fazer este pequeno lucernário, a procissão de entrada pode ter à frente o Círio Pascal aceso. Neste caso, não se us a cruz processional, que permanece em seu lugar de costume.

4. Na acolhida, pode-se retomar o costume das Igrejas Orientais de saudarem-se com as seguintes palavras: “O Senhor ressuscitou, verdadeiramente ressuscitou!”, ou “Irmãos e irmãs, Jesus ressuscitou e está vivo em nosso meio sua graça e sua paz estejam convosco.

5. Substituir o ato penitencial pelo rito de aspersão com a água (se possível perfumada) que foi abençoada na Vigília Pascal. Ajudar a comunidade a aprofundar sua consagração batismal. Não havendo água abençoada na Vigília Pascal, o ministro reza o oração de bênção conforme o Tempo Pascal que está no Missal Romano página 1002. No ato da aspersão, a assembléia canta: “Banhados em Cristo, somos u’a nova criatura./ As coisas antigas já se passaram,/ Somos nascidos de novo./ Aleluia, aleluia, aleluia! Outra opção é o canto “Eu vi foi água”. Ver em Música Ritual.

6. A Oração do Dia destaca o Batismo que nos lavou, o sangue que nos remiu, e o espírito que nos deu nova vida. E também suplicamos ao Deus de eterna misericórdia que reacende a nossa fé.

Rito da Palavra

1. As leituras são sinais do próprio Cristo que fala. O cuidado na preparação e na proclamação vão colaborar, para que os fiéis participem mais plenamente do Mistério celebrado.

2. No final da proclamação, a assembléia pode aclamar três vezes, repetindo a profissão de fé de Tomé: “Meu Senhor e meu Deus”.

3. Neste Domingo é oportuno dar o abraço da paz após a proclamação do Evangelho ou após a homilia.

4. A Profissão de Fé é o lugar ideal de manifestar a adesão e o reconhecimento pessoal da manifestação do Ressuscitado.

5. As preces sejam feitas do Ambão, incluindo pedidos para que se fortaleça a fé pascal dos que crêem em Cristo Ressuscitado.

Rito da Eucaristia

1. A Oração sobre as Oferendas, nos convida a acolher os oferendas do povo. Renovados pela profissão de fé e pelo Batismo passemos à vida eterna.

2. Seria oportuno o Prefácio I em que contemplamos a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte. E ressalta também a Oitava da Páscoa: “… mas sobretudo neste dia em que Cristo, nossa Páscoa, foi imolado”. Onde for possível, cantar o Prefácio e, nas celebrações da Palavra, cantar a Louvação Pascal do Hinário II da CNBB, página 156.

3. A Oração Eucarística com prefácio próprio. Não é demais recordar que somente a oração 1,2, e 3 admitem outro prefácio. As demais não poderão ser rezadas nesse tempo. É muito oportuno usar a Oração Eucarística I que oferece o “comunicantes” próprios da Vigília Pascal até o 2º Domingo da Páscoa, página 471 do Missal Romano.

4. Dar realce ao gesto da “fração do pão”. Cristo nosso Páscoa, é o Cordeiro imolado, Pão Vivo e verdadeiro. Um (uma) solista canta: “Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo. A assembléia responde: Tende piedade nós.

5. O pão e o vinho são sinais da paixão e da ressurreição de Jesus. Seguindo a Antífona da comunhão, o andar em procissão, estender a mão e receber a comunhão é prolongar, através dos sinais, a experiência de confirmação da fé vivida por Tomé.

Ritos Finais

1. Na Oração após a Comunhão, suplicamos a Deus para conservar em nossa vida o sacramento pascal.
2. Dar a bênção final própria para o Tempo Pascal, conforme o Missal Romano, página 523. No final o povo responde com os dois “Aleluias”, no envio dos fiéis.

3. As palavras do envio podem estar em consonância com o mistério celebrado: “Como o Pai me enviou eu também vos envio”. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.

10- CONSIDERAÇÕES FINAIS

“O primeiro dia da semana” (Mateus 28,1), é o Dia da Ressurreição, como símbolo do novo tempo, de uma nova era, o DIA DO SENHOR por excelência, o dia santo, a Páscoa. Após o Tempo Pascal, o Santo Domingo é a Páscoa semanal dos cristãos. Não mais o sábado judaico, memorial do “repouso” de Deus após a criação, mas o Domingo cristão, memorial da “ação restauradora” de Deus em Cristo, que morreu e ressuscitou, tornando-se Espírito vivificante: “Este é o Dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos!” (Salmo 117/118,24).

Celebremos nossa Páscoa, na pureza e na verdade, aleluia, aleluia.

O objetivo da Igreja é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas aquelas outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.

Um abraço fraterno a todos
Pe. Benedito Mazeti

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