Artigos, Pe. Bendito Mazeti › 17/02/2016

2º DOMINGO DA QUARESMA ANO C – 21 de fevereiro de 2016

Leituras

Gênesis 15,5-12.17-18. Deus fez Aliança com Abraão, homem de fé.
Salmo 26/27,1.7-9.13-14. O Senhor é minha luz e salvação.
Filipenses 3,17—4,1. Nós, porém, somos cidadãos do céu.
Lucas 9,28b-36. Enquanto rezava, seu rosto mudou de aparência.

“ENQUANTO JESUS REZAVA, SEU ROSTO MUDOU DE APARÊNCIA”

Tranfiguracao do Senhor

1- PONTO DE PARTIDA

Domingo da transfiguração do Senhor. Neste domingo somos convidados a subir com Jesus à montanha para celebrarmos uma liturgia pascal e fazermos a experiência da amizade e da intimidade com Ele. Animados por sua Palavra desceremos ao chão da nossa realidade para transfigurá-la e transformá-la através de projetos concretos de justiça, paz e solidariedade. Recebemos na celebração de hoje a visão de sua glória e o mandamento de escutar a sua Palavra.

Fortalecidos pela experiência do deserto, prosseguimos nossa caminhada nesta segunda semana da Quaresma. O tema da Aliança perpassa a Liturgia de hoje. O Pai nos apresenta o mandamento de “escutar a Palavra do Filho amado” que, longe de manter fechados “em tendas”, nos desafia a descer para o chão real de nossa vida a fim de transfigurá-la, realizando a Páscoa.

Com a Quaresma a Igreja Católica no Brasil lança a campanha da Fraternidade Ecumênica. Ela tem como tema: “Casa comum, nossa responsabilidade”, e o lema: “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (cf. Amós 5,24). A Campanha da Fraternidade deste ano tem como objetivo geral “assegurar o direito ao saneamento básico para todas as pessoas e empenharmo-nos, à luz da fé, por políticas públicas e atitudes responsáveis que garantam a integridade e o futuro de nossa Casa Comum”.

2- REFLEXÃO BÍBLICA, EXEGÉTICA E LITÚRGICA

Contemplando os textos bíblicos

Primeira leitura – Gênesis 22,1-2.9a.10-13.15-18. O povo de Deus da primeira aliança, em sua caminhada de libertação, gostava de ligar tudo o que era da vida deles às histórias de quando Abraão andava no mundo. Para essas comunidades a caminhada começou com esse velho Abraão que um dia Deus escolheu para ser seu amigo.

A história da salvação tem seu início com a Palavra de Deus que é experimentada por uma pessoa concreta, Abraão, em uma hora determinada e em uma situação concreta. Isto se evidencia no versículo quando Deus conduz Abraão pra fora e pede-lhe para contemplar o céu estrelado e contar as estrelas se ele for capaz. E Deus acrescenta que tão numerosa como as estrelas do firmamento será a sua descendência. Quem age é Deus; é Ele quem toma a iniciativa; e Ele se revela a Abraão durante a noite. Esta referência que a manifestação de Deus aconteceu durante a noite não é mero acaso, acentuando a “distância” entre Deus e o ser humano; isto é, Deus e o ser humano não se relacionam como as pessoas entre si. Parece que é a noite, quando o ser humano para após o corre-corre do dia, que ele tem as melhores condições para receber a voz de Deus. O silêncio misterioso da noite condiciona no interior do ser humano e o capacita para que suas antenas tornem a estar em comunicação com Deus. Quanta mensagem divina já foi desperdiçada porque não queremos fazer silêncio e não o suportamos ou porque não somos ativos no silêncio!

“E Abraão acreditou em Deus e isto lhe foi computado como justiça” (versículo 6). À proposta de Deus corresponde a proposta de Abraão, pois ele acreditou na Palavra divina. E crer, no hebraico aman, significa que Abraão “entrou na de Deus”; ele se firmou, se ancorou n’Ele.

O patriarca assiste, então, em sonho à passagem de Deus, sob o símbolo da tocha (versículo 17), entre os animais partilhados. Este era o rito pelo qual as partes de um contrato aceitavam tornar-se semelhantes a estes animais desmembrados, caso sua infidelidade fosse revelado… Deus é o único a passar entre as vítimas: basta, pois, sua fidelidade para garantir a continuidade do contrato.

É então que Abraão pede a Deus que se comprometa mediante um contrato para garantir sua promessa. O versículo 9 descreve este sinal: Abrão prepara dois pássaros, uma rolinha e uma pombinha que não são desmembrados (versículos 9b e 10b). Contrariamente aos animais divididos, estes pássaros não são sacrificados. Talvez devemos ver neles os símbolos da posteridade masculina e feminina do patriarca, colocada simbolicamente sob a proteção de Deus (cf. Salmo 73/74,19; Deuteronômio 32,11). Podemos compreender porque Abraão não sacrifica os pássaros, como fez com os outros animais.

A leitura prossegue mostrando o patriarca adormecido em profundo sono (versículo 12), semelhante ao sono que assaltou Adão antes de ter Eva e, através dela, sua descendência (Gênesis 2,21); semelhante ainda ao sono que se apoderou de Noé antes de ser pai da multidão dos homens (Gênesis 9,20-29).

A leitura nos mostra Abraão fazendo aliança com Deus. Conforme o costume da época , quando as pessoas firmavam um pacto ou contrato deviam passar entre as metades de um animal sacrificado. O rito equivalia a um juramento. A aliança com Abraão é unilateral, porque somente Deus compromete-se. Abraão não realiza o rito; apenas Deus cumpre-o, em uma teofania misteriosa – escuridão, calor, fumaça e fogo. A aliança é renovação da promessa, pronunciada unicamente por Deus. A justiça de Abraão consiste em viver conforme a vontade de Deus expressa na promessa.

O Senhor promete-lhe descendência numerosa como as estrela do céu. Abraão já era idoso e não tinha filhos, ou seja, não possuía nenhum sinal concreto de que tal promessa tivesse condições de se realizar. Mas esperava… “esperava contra toda esperança”. Sem filhos, fora de sua terra, acreditava no impossível: ser o pai de um grande povo. Morreu sem ter provas de que o esperado aconteceria; o futuro, porém, deu razão a sua esperança.

Abraão é considerado pelo Judaísmo, pelo Cristianismo e pelo Islamismo o “pai da fé”. A fé transfigurou suas decisões e as conseqüências dessa transfiguração iluminaram incontáveis vidas ao longo dos tempos.

Salmo responsorial 26/27, 7-8a.8b-9abc.13-14. É um salmo de confiança em Deus. Esta confiança vence o medo humano. Esta confiança pode entoar a súplica. Uma voz interna o convida a buscar a presença de Deus, e seu único temor é que Deus o rejeite, pois somente Nele está a sua salvação. O final resume toda a atitude do salmo: esperança. A “terra dos vivos” é a terra prometida, onde se realiza a vida verdadeira, perto de Deus.

Se a confiança refere-se ao presente, a esperança olha para o futuro: o horizonte deste futuro pode ser imediato, pode ser próximo e remoto. Por isso o cristão pode, rezando este salmo, expressar sua confiança presente: cumpre-se assim a expectativa dos antigos; além disso, pode expressar sua esperança, que olha para a consumação. O Templo do Senhor é a sua presença terrestre apoiando a confiança, e sua plenitude celeste dilatando a esperança. O mesmo acontece com a terra da vida: é a Igreja presente, como imagem e preparação; é sobretudo, a pátria celeste.

Firmamos nossa confiança em Deus. Ele vai fazer justiça rapidamente. Ele é luz, salvação, fortaleza e aliado do inocente perseguido que procura justiça. A grande experiência que provocou este Salmo foi o acontecimento do Êxodo, pois aí que o Senhor, ouvindo o clamor dos hebreus, libertou-os, educou-os para a esperança e a confiança no Aliado que não falha.

Como é o rosto de Deus neste salmo? Basta olhar as expressões de total confiança do inocente perseguido: Deus é luz, sallvação, fortaleza.

Nesta história de Abraão na primeira leitura o fogo que passa no meio dos animais é sinal de que Deus vai cumprir o que prometeu. E Abraão acreditou.

Cantando o Salmo 26/27, nós também, como Abraão, reafirmamos nossa fé na promessa de Deus que se cumpriu em Jesus Cristo, e pedimos que ela se manifeste em nossas vidas e na luta de todos os pobres.

O SENHOR É MINHA LUZ E SALVAÇÃO

Segunda leitura – Filipenses 3,17—4,1. Paulo escreve a Carta aos Filipenses enquanto estava na prisão. A comunidade de Filipos tinha um carinho especial pelo apóstolo Paulo e ele escreveu para agradecer-lhes as manifestações de amizade. Mas a preocupação maior do apóstolo era lembrar aos irmãos de Filipos o fundamento da fé cristã, pois havia alguns pregadores que estavam desviando a comunidade do caminho de Jesus.

Esta breve passagem faz parte de um longo relato de Paulo sobre a perfeição cristã (Filipenses 3,17; 4,3), no qual ele ataca os inimigos da Cruz de Cristo (versículo 18) que fazem do ventre o seu Deus (versículo 19; referencia às proibições alimentares). De fato trata-se dos judeus circuncisos que depositavam sua confiança na carne, em oposição àqueles – em particular o apóstolo – que a põem em Jesus Cristo. Paulo lamenta haver na comunidade pessoas negativas, desanimadas e presas a interesses egoístas, as quais prejudicavam o projeto de Jesus. Eram judaizantes que se prendiam a ritos puramente humanos, a observâncias alimentares, à circuncisão – ao que atribuíam – e inimigos da Cruz de Cristo.

Paulo afirma que Cristo transforma toda a pessoa humana que se torna seu fiel (Gálatas 2,20; 3,27; 4,23; 6,14), conferindo-lhe uma vida celeste (versículo 20; cf. 1Coríntios 15,47), isto é, uma vida que ultrapasse a vida terrestre, uma participação gratuita e inesperada na vida divina.

Com palavras duras Paulo diz o deus deles é o ventre, mas não se detém a lamentações negativas. Apela para o que a comunidade tem de melhor. “Somos cidadãos do céu”, diz ele. Mesmo que existam problemas, a esperança permanece e ele pode recomendar com confiança: “Permanecei firmes no Senhor!”.

A vida celeste que Paulo nos encoraja a esperar não é absolutamente, na sua opinião, uma apoteose ou uma recompensa da vida terrestre já plena de riquezas e de sucessos; ele vai além de uma “transfiguração” de um corpo de miséria, além de uma morte. Esta transformação não é somente um momento de nossa vida futura: basta sentir um pouco em nossa vida a superação de nós mesmos para adquirir a certeza de que é possível esta transfiguração de nosso ser por aquele que ultrapassou a morte.

Evangelho – Lucas 9,28b-36. O texto de Lucas ao narrar a Transfiguração começa que “mais ou menos oito dias depois dessas palavras…” entre a cena anterior que é a confissão de Pedro com o anúncio da Paixão e reflexão sobre o seguimento de Cristo. Os “oito dias” refere-se à semana romana. Marcos 9,2 coloca a cena entre “seis dias”.

Por ser Lucas o Evangelho da oração, um elemento importante no seu relato sobre a Transfiguração é a oração de Jesus ao Pai. “Subiu à montanha pra orar”. Lucas gosta de colocar Jesus em oração nos momentos mais decisivos de sua vida, e o momento da Transfiguração é um deles. Talvez fosse este o melhor momento para unir-se ao Pai. Antes mesmo de subir à Cruz, Jesus está morto: morto para a missão que ele acreditava cumprir; morto para suas aspirações de sucesso terreno e influencia que venceu nas tentações do deserto como vimos e contemplamos no 1º Domingo da quaresma (Lucas 4,1-13); morto, talvez para uma face de Deus que ordenara bem as coisas e o faz realizar milagres. A Oração de Jesus consistiu, então, em oferecer-se tal qual ao olhar de seu Pai e em revelar uma nova fisionomia de Deus: aquela que só se percebe após a morte de si mesmo, quando todas as seguranças tiverem sido abaladas. A Transfiguração exterior de Jesus, foi produzida a partir de uma certeza profunda e interior: a convicção de que Deus permanecia o mesmo Deus para além da morte de tudo e do fracasso total, de que Ele permanecia tanto mais disposto a glorificar Jesus e seus discípulos com ele que tinha abandonado radicalmente qualquer busca de glória humana.

Lucas anota que Jesus não se transfigurou totalmente, mas apenas o rosto e no traje. Para Lucas “seu rosto mudou de aparência e sua roupa ficou muito branca e brilhante” (versículo 29b. Êxodo 34,29-35; Salmo 34,6). Usar a expressão transfigurar poderia gerar conflitos entre os cristãos da comunidade de Lucas, porque eram cristãos vindos do paganismo. Poderia confundir Jesus com as divindades pagãs. Jesus não se identifica com as divindades pagãs. O objetivo do Mistério da Transfiguração foi pra encorajar os discípulos contra os obstáculos na caminhada. Eles estavam desanimados no seguimento de Jesus.

Neste momento Ele tem uma entrevista com Moisés e Elias os representantes de todo o Primeiro Testamento. Moisés representa a Lei e Elias representa os Profetas. Significa que todo o Primeiro Testamento nas pessoas de Moisés e Elias testemunha Jesus Cristo, isto é, aprova a sua missão. Eles falam com Jesus do “êxodo”, que há de cumprir em Jerusalém. Esse “êxodo” é a passagem para a sua glorificação.

Esses dois personagens da história da salvação, já estão na glória, dão testemunho de Jesus. Podemos chamar Moisés e Elias de “testemunhas celestes”. A Lei e os Profetas, isto é, as Escrituras, testemunham que, por sua morte, Jesus irá realizar o definitivo “êxodo”. Sua entrega na cruz em Jerusalém será o cumprimento do seu programa libertador (Lucas 4,18-20).

Jesus escolheu e separou para acompanhá-lo, nesta cena, três discípulos: Pedro, João e Tiago maior os quais aparecem mais vezes como testemunhas de confiança dos mistérios de Jesus. Jesus escolheu por testemunhas da Transfiguração aqueles que estariam presentes na sua agonia: Pedro, Tiago e João (2Pedro 1,16ss; Marcos 14,33). Deus não apenas se faz presente e fala no meio da nuvem e do fogo (Deuteronômio 5,2-5), como ainda aparece, diante de Moisés e Elias, aos discípulos, transfigurado pela glória de Deus, o que lhes provocará assombro – temor religioso frente o divino (cf. Lucas 1,29s) – e a reflexão de Pedro que exprime seu júbilo pela glorificação daquele cuja messianidade acabara de proclamar.

Pedro, Tiago e João estão num profundo sono quando a cena aconteceu. Eles serão as “testemunhas terrestres” na hora exata, porque as testemunhas celestes se afastam, cedendo o lugar para o testemunho deles. Apesar de estarem dormindo, ainda viram a glória de Jesus. O testemunho das Sagradas Escrituras, das testemunhas celestes, atinge agora o seu ponto alto. Como o Filho se revelará fiel ao Pai, seus discípulos são agora chamados a serem fiéis a Jesus como suas testemunhas: “Escutai o que ele diz!”.

É certo que Lucas viu em Jesus Cristo a realização da profecia de Deuteronômio 18,15, onde é prometido a Moisés um sucessor à sua altura. Esta profecia reaparece freqüentemente em sua obra (versículo 35b: “Este é o meu Filho, o escolhido. Escuta o que ele diz”; cf. Atos 3,22; 7,37). Portanto, Jesus é para Lucas como para Mateus um segundo Moisés (cf. Lucas 14,27). Mas Lucas vai mais longe que Mateus ao mostrar como Jesus inaugura o novo “Êxodo” (versículo 31). Portanto, só Lucas fala do assunto de Jesus com Moisés e Elias: sua morte em Jerusalém o que dá sentido ao evento, isto é, preparar a tragédia do Calvário, predita no Primeiro Testamento. A morte é expressa com o termo “êxodo” (cf. 2Pedro 1,15). Para Lucas, este novo Êxodo parte da Jerusalém terrestre, incrédula (Marcos 19,41-44; 13,33-34; 21,37) à imagem do antigo Egito, e dirige-se para a nova Jerusalém (cf. Gálatas 4,25-26; Hebreus 12,22), a moradia do Pai, passando pela submersão no mar (Lucas 12,50). Com efeito, desde a Transfiguração, Jesus põe-se a caminho de Jerusalém, etapa que só atingirá deixando a antiga capital para o monte das Oliveiras e o da Ascensão (Atos 1,6-11).

Lucas adota, assim, uma via intermediária entre Mateus e Marcos. Enquanto Mateus vê sobretudo, neste episódio a revelação do novo Moisés, legislador da Nova Aliança, e Marcos se sensibiliza sobretudo com os acontecimentos da Páscoa do Senhor, Lucas mantém firme as duas perspectivas: ele continua a fazer de Jesus Cristo o novo Moisés, mas um Legislador que sela não uma Nova Aliança porem na realização de seu Êxodo pessoal, isto é passa pelo mar do sofrimento e da morte para depois ressuscitar.

A presença de Moisés e Elias indica que Jesus insere-se na continuação e na culminância da história da Aliança feita com Israel. Eles representam a Lei e os Profetas e conversam sobre a “saída”, o Êxodo de Jesus que se cumpriria em Jerusalém. Essa saída é, ao mesmo tempo, a morte de Jesus, evoca-se a obra Moisés, levando Israel para a liberdade e para a terra prometida, e define-se a missão de Jesus junto de seu povo.

E com o Testemunho da Lei e dos profetas, simbolizados em Moisés e Elias, nos ensina que, pela paixão e cruz, chegará à glória da ressurreição.

Devido a esta sua condição, o esplendor da divindade penetra e transfigura a sua humanidade que transparece na glória do Filho amado do Pai e preanuncia a exaltação final. Aqui, a teologia da cruz aparece unida ao kerigma da ressurreição, e aparece claro o núcleo da cristologia primitiva: fusão da divindade com a humanidade de Cristo, Messias e Filho de Deus. Jesus chegará à glória da ressurreição, mas não sem ter passado antes pela prova suprema da sua paixão e morte. As leituras recordam o dom de Deus no Filho Jesus para a Nova Aliança. É nesta luz que deve ser entendido o relato evangélico da transfiguração “este é o meu filho predileto”, aquele que é dado e se oferece para a Aliança. Este Jesus transfigurado é quem foi oferecido pelo Pai aos homens e mulheres para restabelecer a Aliança. Uma característica importante é que Elias e Moisés não aparecem aos discípulos, mas a Jesus. A atenção se concentra em Jesus porque Elias e Moisés desaparecem ficando somente Jesus. O êxodo de que fala o Evangelho significa a morte de Jesus. Aí ensina-se que para os justos a morte é um “êxodo”, uma passagem da terra para Deus, e não uma eliminação da companhia dos viventes.

A Transfiguração, que em grego significa “metamorfose”, com conotações pagãs, apresenta-se neste Evangelho em contexto de oração

A narração da Transfiguração de Jesus retoma temas centrais do Primeiro testamento, como: montanha (cf. Êxodo 19), onde se realizou a Aliança de Deus com o povo e onde Israel refugiava-se para se organizar como povo livre; tenda (Juízes 5,24), que é referência ao projeto de Deus, de uma sociedade igualitária, sem palácios, templo e rei. O versículo 33 traz, na palavra de Pedro, a proposta de Jesus e das comunidades cristãs de retomar o projeto tribal, igualitário. Faz também uma referência indireta a Êxodo 23,16, Levítico 23,42 e Deuteronômio 16,13, que falam da Festa das Tendas celebrando um aspecto de libertação.

A nuvem luminosa encobre Moisés, Elias e Jesus, da mesma forma como estava sobre o Sinai (cf. Êxodo 40,34-35) e sobre o Templo (cf. 1Reis 8,10-12). A nuvem (cf. Êxodo 13,20-21; 14,20; 19,9) indica a presença velada de Deus. Nela penetram Pedro, Tiago e João; e dela soa a voz do Pai, o testemunho supremo, a revelação mais alta, com palavras tomadas de Isaias 42,1 e 49,7, em que Deus dirige-se ao seu Eleito, servo desprezado pelos povos.

A Transfiguração simboliza a presença constante do Senhor glorioso e vencedor na Igreja; também, ela sustenta a comunidade que sofre no caminho da cruz e não se entende fora do contexto de morte e ressurreição.

3- A PALAVRA DE FAZ CELEBRAÇÃO

A Glória do crucificado

Segundo o Rito Romano, as procissões de entrada em nossas celebrações eucarísticas são presididas pela cruz. Essa cruz, segundo a tradição, é a cruz gloriosa, que manifesta tanto a morte quanto a ressurreição redentoras de Jesus. O costume no início do Cristianismo, era representar o Cristo vivo sobre a mesma, somente mais tarde as cruzes começaram a ostentar o Cristo morto, conforme conhecemos contemporaneamente. . Muito antiga também era a cruz gemada, que recorda as marcas da paixão-ressurreição, do abaixamento e humilhação total de Cristo, nos quais residem toda a sua exaltação e dignidade.

Neste tempo da Quaresma, em que os cristãos são convocados a converter o coração e buscar a misericórdia divina é ocasião para viver a espiritualidade da genuflexão diante da cruz do Salvador. Sobe-se ao monte Calvário, simbolizado pelo sacramento da Eucaristia para depois descer aos jardins do sepulcro vazio, com os pés da fé.

A Palavra de Deus no monte

Seguindo o itinerário quaresmal, a eucologia litúrgica insiste no fato de que a Palavra de Deus que calibra o olhar dos batizados, para que reconheçam na crux a glória do Filho: “alimentai o nosso espírito com a vossa Palavra, para que purificado o olhar da nossa fé, nos alegremos com a visão da vossa glória.” O monte da Transfiguração aparece como uma estilização do que acontecerá no monte Calvário. Ao celebrarmos o acontecimento que lá se deu, damo-nos a oportunidade de ser conduzidos por Deus, verdadeiro guia no caminho quaresmal, a redescobrir a chave interpretativa para compreender a paixão do Salvador.

4. A PALAVRA CELEBRADA AO COTIDIANO DA VIDA

Os evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas) narram a cena da transfiguração de Jesus depois das tentações. A transfiguração de Jesus é um aperitivo do mundo novo que virá. Não podemos, porém, ficar aí parados, acomodados em tendas. É preciso descer do monte e enfrentar os conflitos do dia-a-dia da nossa vida. Na celebração de hoje entendemos que o começo da fé é escutar Jesus, o Filho amado do Pai, como nos diz a voz saída da nuvem da transfiguração. Cristo é a Palavra pessoal do Pai; e onde melhor se houve é na solidão e no vazio interior. Por isso, devemos “subir à montanha”, com Jesus, para orar e depois descer e enfrentar a realidade de uma economia que não é colocada a favor da vida.

A cena da transfiguração revela aos discípulos, que haviam escutado de Jesus o anúncio da paixão, um sinal da sua vitória sobre a morte. Pedro, os discípulos e todos os demais que esperam um Messias no sentido de um rei terrestre, devem mudar de mentalidade. A palavra de ordem é escutar o Filho amado de Deus.

Jesus é apresentado como o novo Moisés, como guia do povo de Deus e Servo humilhado de Deus. Sua glória será manifestada após a Ressurreição, mas Ele vai atingi-la em plenitude somente por sua paixão e morte. Os discípulos não compreendem isso e só conseguirão lucidez à luz da Páscoa de Jesus. Será que temos melhor compreensão do Mistério do Messias Servo Sofredor?

Hoje vemos tanto “oba-oba”, o desejo de ficar longe da realidade e alienação naqueles que dizem ser discípulos de Jesus!

Ser cidadão do céu não é desligar-se da terra e sonhar com os anjos pulando em cima do altar. É viver aqui mesmo de tal forma que, honrando o nome do Senhor, promovamos sua vontade, na justiça, na fraternidade e numa economia voltada para a vida do povo. “Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu”,, rezamos diariamente no Pai- Nosso.

Na verdade, nenhuma comunidade está imune de problemas. Sempre é possível existir pessoas que atrapalhem e desfiguram sua realidade. Mas a proposta atual é transformar a vida, a pessoa, a Igreja, o mundo, a natureza! Que transfiguração Deus nos propõe hoje?

A fé exigida das testemunhas da transfiguração leva hoje a Igreja a não fugir das necessárias encarnações na realidade e do despojamento que essas mesmas encarnações acarretam consigo, a fim de não procurar um Reino de poder que se separe da morte. A Igreja também é alertada a não desejar encarnação sem transfigurar a realidade. Ela só é chamada a estar presente nas estruturas da sociedade para transformá-las. A Igreja só é chamada a transformar a sociedade aceitando morrer a todo conforto e a toda auto-segurança.

A celebração de hoje faz com que todos nós sejamos encorajados a ficarmos de pé diante dos sofrimentos. O Senhor Jesus assumiu toda a fraqueza de nossa condição humana e, entregando-se ao Pai, foi vitorioso. Que o Pai nos ajude a permanecermos em seus amor, a ouvirmos sempre a voz do seu Filho muito amado e a seguirmos o seu caminho.

Levando em conta o tempo oportuno da Quaresma, que luzes nos traz a liturgia deste domingo para a transfiguração de cada um de nós, de nossa Igreja e do mundo?

A transfiguração de Jesus é um “aperitivo” do mundo novo que haverá de vir. Não podemos, porém, ficar aí parados (acomodados em tendas.). É preciso descer do monte e enfrentar os conflitos do dia-a-dia deste mundo.

* O que significa hoje trabalhar para a transfiguração do mundo?

* Há sinais de ressurreição na atual ordem econômica, política e social do mundo
Globalizado?

* Qual a proposta concreta de nossas Igrejas, de nossas comunidades para a
Transfiguração do mundo?

5- LIGANDO A PALAVRA COM A AÇÃO EUCARÍSTICA

No prefácio da oração eucarística de hoje transparece o sentido da transfiguração: “Tendo predito aos discípulos a própria morte, Jesus lhes mostra, na montanha sagrada, todo o seu esplendor. E com o testemunho da Lei e dos profetas, simbolizados em Moisés e Elias, nos ensina que, pela paixão e cruz, chegará á glória da ressurreição”.

O aspecto mais profundo da espiritualidade da Quaresma consiste na participação do mistério de Cristo, ou seja, sua paixão e ressurreição. A eucaristia é a celebração memorial da ceia de Jesus. É isto que expressamos no coração da liturgia eucarística: “Anunciamos, Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus! A aclamação eucarística expressa bem que anunciamos o mistério da morte e ressurreição do Senhor, enquanto esperamos a sua vinda glorioso. Nas nossas celebrações antecipamos festivamente o grande banquete celeste e nosso encontro com o Cristo glorioso “Eu vos digo: Não beberei mais deste fruto da videira até o dia em que convosco beberei o vinho novo no Reino do meu Pai” (Mt 26,29). Assim, a assembléia litúrgica é um sinal escatológico do encontro com o Ressuscitado, o Cordeiro imolado.

Acolhemos com alegria a revelação que o Pai nos faz de sermos, em Jesus, seus filhos amados. Participamos de seu esplendor desde o banho batismal, o qual nos despojou da roupagem velha e nos revestiu do brilho de nova criatura.

Agradecidos, pela ação eucarística participamos do mistério de sua morte e ressurreição, recebemos seu corpo glorioso e somos motivados a transfigurar com Ele nossa realidade e, particularmente, a realidade da “economia” do nosso país, tão impiedosamente desfigurada por projetos interesseiros e egoístas.

Porém, para que a nossa liturgia seja agradável a Deus, é necessário que ela seja continuada na grande missão de transfigurar este mundo tão marcado por contradições em Reino de Deus.

6. ORIENTAÇÕES GERAIS

1. O CD: da Campanha da Fraternidade 2016 trouxe um belíssimo repertório quaresmal. Não podemos deixar de utilizar o CD: Liturgia XIV, Quaresma Ano B e C, editado pela Paulus, com muitos cantos bíblicos. Após o ensaio de cantos uns momentos de silêncio e oração pessoal ajudam a criar um clima alegre e orante para a celebração.

2. Na liturgia da Palavra, Deus chama e propõe as condições da Aliança, enquanto o povo as ouve e aceita. Na liturgia eucarística a Aliança é “selada” no sangue do Cordeiro que tira o pecado mundo. Agora o Cristo, em seu mistério pascal (Evangelho), é a chave da leitura da revelação bíblica (demais leituras) e dos acontecimentos dos dias de hoje (a vida que trazemos para a Eucaristia).

4. Daí decorre a exigência de a proclamação expressar uma atitude espiritual de quem está sendo porta-voz de Deus que fala ao seu povo.

5. Ao final da leitura, nunca dizer “Palavras do Senhor” ou “Palavras da salvação” (no plural), pois não são “palavras” que são proclamadas e sim “a Palavra (Deus mesmo, Cristo que fala ao povo reunido em assembleia”!). É a Palavra de uma só pessoa: Deus.

6. À preparação espiritual se alia a preparação corporal: postura do corpo, tom de voz, semblante, a maneira de aproximar-se da mesa da Palavra, as vestes dos ministros…

7. A mesa da Palavra e a mesa da Eucaristia formam um só ato de culto; portanto, é preciso manter um equilíbrio de tempo entre as duas. Demasiada atenção dada à procissão com o Lecionário ou com a Bíblia, homilias prolongadas, introduções antes das leituras parecendo comentários ou pequenas homilias, tudo isso prejudica o rito eucarístico, que em conseqüência acaba sendo feito às presas.

7. MÚSICA RITUAL

O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos cantar a liturgia e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com cada domingo da Quaresma, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são da Quaresma, é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado. Jamais os cantos devem ser escolhidos para satisfazer o ego de um grupo ou de um movimento ou de uma pastoral. Não devemos esquecer que toda liturgia é uma celebração da Igreja corpo de Cristo e não de um grupo, de uma pastoral ou de um movimento.

1 Canto de abertura. “Tua face, Senhor, eu procuro: não desvieis de mim teu rosto” (Salmo 26/26,8-9). Na procissão de entrada, entoar um canto que expresse nossa caminhada quaresmal. “Ah, se o povo de Deus no Senhor cresse”, CD: Liturgia XIV, melodia da faixa 14.
2- Salmo responsorial 26/27. Esperança em Deus, luz e salvação. “O Senhor é minha luz e salvação!”. CD: Liturgia XIV, melodia da faixa 15.

3- Aclamação ao Evangelho. Honra, glória, poder e louvor… De uma nuvem brilhante falou Deus… CD: Liturgia XIV, melodia da faixa 12.

4. Canto após a homilia. Onde for possível, cantar o Hino da CF 2016.

Na Idade Média, era costume o povo responder ao sermão (hoje homilia) com o canto de “Kyrie Eleison!”.

Houve, no passado, pregadores famosos, que deixavam o povo cantar cânticos no início ou no fim do seu sermão.

A forma ideal do Canto Pós-Homilético seria a forma “aberta” de um canto alternado. Um canto estrófico (“fechado”) ia isolar muito a Oração Universal, enquanto a Liturgia da Palavra somente termina após as preces dos fiéis.

5. Apresentação dos dons: Sem dúvida, um canto condizente com a procissão das oferendas é: “Todo o povo sofredor”, CD: Liturgia XIV, melodia da faixa 13. Outra opção e o canto “Eis o tempo de conversão”, CD: Liturgia XIV, melodia da faixa 6 ou no Hinário Litúrgico da CNBB, Vol II, pág. 217.

6. Canto de comunhão: Este é o meu Filho amado: escutai-o. “Então da nuvem luminosa dizia uma voz: ‘Este é meu Filho amado’”, CD: Liturgia XIII, melodia da faixa 8 ou Hinário Litúrgico II da CNBB, página 41.

O canto de comunhão deve retomar o sentido do Evangelho. Como bons discípulos, no Domingo da Transfiguração do Senhor, devemos escutar a voz do Pai, já que esse é o seu maior desejo. Devemos também deixar que a nuvem luminosa nos cubra com sua sombra. E, fazendo memória do que ouvimos no Evangelho, cantamos: “Então da nuvem luminosa dizia uma voz…”, Hinário Litúrgico da CNBB, pág. 31.

7. Desafio para os instrumentistas. É transformar as ondas sonoras do violão, do teclado e dos outros instrumentos na voz de Deus, isto é, em sintonia com o coração de Deus. Muitas vezes os instrumentistas acham que para agradar a Deus e o povo é preciso barulho e agitação. É preciso uma conscientização maior dos instrumentistas de que Deus não gosta do barulho. Assim fala o Senhor: “Afasta de mim o barulho de teus cantos, eu não posso ouvir o som de tuas harpas” (Amós 5,23). Deus gosta da brisa leve, da serenidade, da mansidão, do silêncio… Veja o exemplo da experiência que o profeta Elias fez de Deus na brisa suave e não na agitação do furacão, nem do terremoto e nem do fogo (1Reis 19,11-13). É preciso muito cuidado com os instrumentos de percussão. As equipes de canto e as bandas barulhentas, não expressam aquilo que Deus é, mas aquilo que os músicos são. “O barulho não faz bem, o bem não faz barulho” (São José Marello).

8- O ESPAÇO DA CELEBRAÇÃO

1. Preparar bem o espaço da celebração, mantendo-o despojado para garantir a centralidade do mistério que celebramos, dando destaque a três símbolos fortes: a cruz, a caminhada e a luz. Colocar em volta da mesa da Palavra várias velas acesas lembrando o brilho da transfiguração.

2. Todos nós sabemos que o Tempo da Quaresma exige sobriedade quanto à ornamentação do espaço da celebração. Ele deve manifestar nossa fragilidade diante do mistério, nossa nudez diante da graça de Deus que nos acompanha e nos solicita total perseverança evangélica. A ausência de flores, com exceção do quarto domingo (Domingo Laetare), quer causar a sensação de sobriedade, sem aparência festiva.

3. No domingo anterior já falamos de alguns símbolos que podem melhor ajudar as comunidades a celebrarem o itinerário quaresmal. Um deles é a cruz gloriosa. Para este domingo, sugerimos que esteja bastante iluminada. Onde for possível criar um ambiente de penumbra, sobretudo à noite, seria eficiente um foco de luz sobre a cruz, de modo que ela fique em evidencia.

4. Preparar o espaço celebrativo levando em conta o tempo quaresmal. O ambiente deve estar despojado a austero. Isso vale também para outros tempos litúrgicos. Devemos “fazer uma limpeza” de tudo o que é supérfluo no espaço celebrativo, como cartazes, folhagens, fitas, adornos, faixas, muitas imagens, etc. Os exageros de enfeites causam uma verdadeira poluição visual, e é preciso achar um lugar para pousar o olhar e contemplar. Por outro lado, devemos valorizar e destacar o que é realmente essencial para a celebração do Mistério de Cristo, isto é, o altar, a mesa da Palavra, a cadeira presidencial e a pia batismal. Durante a Quaresma outros símbolos fortes são importantes, como a cruz, a cor roxa e outros próprios para cada celebração.

5. A equipe procure caracterizar o ambiente e organizar toda a celebração dentro de uma certa sobriedade (cor roxa, sem flores, sem glória, sem aleluia e sem o canto de louvor a Deus após a comunhão. Isso não quer dizer que o ambiente seja de tristeza. A fé cristã une numa mesma celebração a dor e a alegria, a luta e a festa. Na Quaresma se retoma o silêncio, as celebrações são mais silenciosas, sóbrias, simples, austera. Não se enfeita o espaço celebrativo com flores. Os instrumentos apenas acompanham o canto. Não deve ter baterias e instrumentos de percussão fazendo aquele barulho como se fosse uma boate. É o silêncio que predomina.

9. AÇÃO RITUAL

1. Onde for possível, reunir o povo fora da Igreja, fazendo uma acolhida muito fraterna. A equipe de celebração vai acolhendo a cada um com um abraço ou aperto de mão. Podendo ser distribuídos velas acesas, enquanto se entoa refrões quaresmais. A assembléia pode recordar alguns fatos (acontecimentos) importantes, alegres ou dolorosos, da comunidade, do município, do país, do mundo. Depois, motivar para que a procissão de entrada na igreja seja sinal de nossa peregrinação quaresmal rumo à Páscoa. Vamos fazer com Jesus uma parada na igreja pra orar. Nossa igreja vai ser hoje o monte Tabor. Se não for possível realizar esta ação fora da igreja, após o sinal da cruz e a saudação, fazer uma recordação da vida tornando presentes as realidades que hoje precisam ser transfiguradas, transformadas.

Ritos Iniciais

1. Motivar para que a procissão de entrada na igreja seja sinal de nossa peregrinação quaresmal rumo à Páscoa. Vamos fazer com Jesus uma parada na igreja pra orar. Nossa igreja vai ser hoje o monte Tabor.

Seria muito oportuno a saudação inicial de 2Tessalonicensses 3,5:

“O Senhor, que encaminha os nossos corações para o amor de Deus e a constância de Cristo, esteja convosco”.

2. Em seguida quem preside, ou o diácono ou um leigo ou leiga preparado, dar o sentido da celebração com estas palavras ou outras semelhantes:

Domingo da transfiguração do Senhor. Em nossa caminhada para a Páscoa, subimos a montanha junto com Jesus e três dos seus discípulos, para fazermos a experiência da intimidade com Jesus e recebermos a visão de sua glória e o mandamento de escutar sua Palavra.

3. O Ato Penitencial poderia ser celebrado como preparação à escuta da Palavra. Quem preside convida a assembleia a uma revisão de vida diante da Palavra de Deus. Pode ser feito por toda a assembleia, de joelhos, defronte a cruz do Senhor. Quem preside convida a assembleia a uma revisão de vida diante da Palavra de Deus. Sugerimos o convite ao ato penitencial da fórmula 1 da página 390 do Missal Romano.

O Senhor Jesus transfigurado que nos convida à mesa da Palavra e da Eucaristia, nos chama à conversão.

4. Sugerimos para o Ato Penitencial a invocação da Quaresma número 3 da página 397 do Missal Romano. Todos se coloquem de joelhos.

Senhor, que fazeis passar da morte para a vida quem ouve a vossa Palavra, tende piedade de nós.

5. Na Oração do Dia suplicamos ao Pai, que alimente o nosso espírito com a Palavra que nos vem através do Filho amado; que o olhar de nossa fé seja purificado, para que enxerguemos a verdadeira glória em Jesus Cristo.

Rito da Palavra

1. Convém fazer bem feito a proclamação da Palavra de Deus (leituras, canto do salmo, evangelho). Proclamar de tal maneira que a assembléia sinta que é realmente Deus quem está falando para o seu povo. Para que isso aconteça, fazer previamente um bom ensaio e, mais que isso, uma verdadeira vivência da Palavra de Deus com os(as) leitores e o(a) cantor(a) do salmo responsorial. A Palavra merece, e a assembléia agradece.

2. Após a leitura não é preciso mostrar o livro. Por que? Porque quando o(a) leitor(a) diz “Palavra do Senhor” (para as leituras) ou “Palavra da Salvação” (para o Evangelho), refere-se à Palavra do Senhor que acabou de ser proclamada e ouvida pela assembléia e não ao livro em si.

3. Onde houver batismo de adultos na Vigília Pascal, pode-se fazer, neste domingo após a homilia, um pequeno rito com a bênção e entrega da Bíblia aos catecúmenos. 2. Onde houver Batismo na Vigília Pascal, depois da homilia, os catecúmenos, junto com os padrinhos e madrinhas, colocam-se diante do presidente da celebração para o terceiro escrutínio (Ritual da Iniciação Cristã dos Adultos, pág. 77). A entrega da Oração do Senhor pode ser feita também na semana depois do terceiro escrutínio.

4. Cuidar para que o “Creio” não se torne apenas a recitação decorada, mas a renovação da fé e da adesão ao projeto de Deus que a comunidade, sustentada pela Palavra que ouvimos do “Filho amado”, como o Pia hoje nos propõe, ajudará a criar uma atitude de adesão mais consciente à Profissão de Fé, ao “Creio” e a todo o rito eucarístico. Seria interessante erguer o livro da Palavra, enquanto se canta um refrão adequado. Pode-se também erguer o livro da Palavra no momento do Creio.

Rito da Eucaristia

1. Na Oração sobre as Oferendas, peçamos a Deus que as oferendas que trazemos ao Altar lavem os nossos pecados para que sejamos santificados.

2. É tempo de usar os Prefácios do Tempo da Quaresma, que são muito bonitos e trazem uma boa síntese teológica desse tempo litúrgico. Nos dois primeiros domingos do Ano C os prefácios são ainda mais significativos e se harmonizam perfeitamente aos evangelhos. Nesse caso, as orações possíveis são as três primeiras. As demais não admitem um prefácio diferente. No Prefácio próprio para este Domingo, contemplamos Jesus que na “montanha sagrada” mostra todo o seu esplendor e que pela “paixão e cruz” chegará à glória da ressurreição.

3. A fração do Pão antes da comunhão deve ser feita de modo que todos possam acompanhar este gesto, tão significativo. Não precisa ter pressa. Aguarde-se que o povo conclua o abraço da paz (se houver) para iniciar a fração do pão com calma. Inicia-se o hino do “Cordeiro de Deus” só quando começa a fração do pão. Este hino é muito antigo, feito exatamente para acompanhar esta ação ritual. Seu sentido é este: vendo o Cordeiro sendo partido e repartido, a assembléia prorrompe no canto: “Cordeiro de Deus…!

4. É muito oportuno usar a fórmula “b” do Missal Romano, João 8,12 para o convite à comunhão:

Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida.

5. Não esquecer de, após a comunhão, reservar um tempo para a assembléia fazer um profundo silêncio contemplativo do encontro havido com Deus. Seria bom que até se fizesse uma breve motivação para esse momento de silêncio orante, previsto pelo Missal Romano, nº 121, página 57.

Ritos Finais

1. Na Oração depois da Comunhão, suplicamos a Deus que depois de comungar o mistério da glória, nos ajude aqui na terra, já participarmos da realidade eterna de Deus.

2. Nos Ritos Finais, seria interessante dar a bênção à comunidade com o Livro dos Evangelhos (Evangeliário), conforme venerável tradição, antes reservada ao Papa e agora aberta aos bispos e presbíteros. Apresentamos a seguir a sugestão de bênção solene, inspirada nos oracional e liturgia da Palavra deste domingo:

– Deus que revelou no monte a glória de seu Filho, vos ilumine neste itinerário quaresmal. Amém!

– Cristo, cuja Palavra vos foi anunciada, vos permita assumir a cruz para celebrar a ressurreição que ela manifesta. Amém!

– O Espírito vos dirija o caminhar, para que o fulgor do Crucificado dê sentido à vossa vida. Amém!

– Abençoe-vos Deus todo poderoso Pai e Filho + (com o Evangeliário) e Espírito Santo. Amém.

3. As palavras do envio podem estar em consonância com o mistério celebrado: Que as vossas vidas sejam transfiguradas em Cristo. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.

10- CONSIDERAÇÕES FINAIS

O relato da Transfiguração foi escrito para renovar a confiança dos discípulos de outrora e de hoje. A esperança, em certas ocasiões, perde a força diante das muitas inquietações e preocupações. As dificuldades e desafios, na maioria das vezes, levam-nos a estar em oração, como Jesus com os discípulos, e a esperar o auxílio de Deus. Mas em outras situações, perdemos a alegria e ficamos sombrios com os problemas e dificuldades que enfrentamos.

Para nós cristãos, o anúncio do sofrimento não deve esmorecer a fé. Fato concreto para as comunidades cristãs é a certeza de que a esperança nunca decepciona (Romanos 5,5). E que o anúncio do sofrimento é sempre seguido do anúncio da glória.

O objetivo da Igreja e da nossa equipe diocesana de liturgia é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas aquelas outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.

Um abraço fraterno a todos
Pe. Benedito Mazeti

Assessor diocesano de liturgia

Pe. Benedito Mazeti

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