Artigos, Pe. Bendito Mazeti › 30/11/2016

2º DOMINGO DO ADVENTO ANO A – 11 de dezembro de 2016

Leituras

Isaias 11,1-10. Ele trará justiça para os humildes.
Salmo 71/72,1-2.7-8.12-13.17: Nos seus dias a justiça florirá.
Romanos 15,4-9: Acolhei-vos uns aos outros, como também Cristo vos acolheu.
Mateus 3,1-12: Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo.

“PREPARAI O CAMINHO DO SENHOR”

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1- PONTO DE PARTIDA

Domingo de João Batista. ”Esta é a voz daquele que grita no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas!” Estamos no segundo domingo de preparação à vinda do Senhor. Mais uma vela se acende na coroa do Advento. A luz fica mais forte, podemos visualizar melhor o caminho a percorrer rumo à celebração do Natal de Jesus.

O 2º domingo do Advento é marcado pela figura de João Batista. É o último dos profetas. João é sinal da intervenção de Deus a favor de seu povo; como precursor do Messias, tem a missão de preparar os caminhos do Senhor. A liturgia de hoje nos convida os valores passageiros e a aderir aos valores fundamentais e eternos, como rezamos no domingo passado: “Caminhando entre as coisas que passam, abraçar as que não passam”. A liturgia também nos convoca ao compromisso com os valores do Reino de Deus, cuja concretização é anunciada por João Batista como muito próxima

Uma voz clama no deserto. Deus vem para fazer conosco sua Aliança e nos convida, através do testemunho de João Batista, a prepararmos no deserto os seus caminhos, pela conversão pessoal e comunitária.

2- REFLEXÃO BÍBLICA, EXEGÉTICA E LITÚRGICA

Primeira leitura – Isaias 11,1-10. Num tempo de crise e ameaças contra o povo, Isaias anuncia a vinda de um rei ideal que vai provocar uma mudança radical. No Ano A é lido, pelo menos em parte, as três grandes profecias de Isaias 7,10-17; 9,1-6 e 11,1-16. Elas pertencem ao “Livro do Emanuel”, isto é, Deus conosco (Isaias 6-12).

O oráculo do profeta Isaias é rico de referencias que se relacionam com toda a tradição profética e messiânica. Podemos distinguir nele pelo menos quatro temáticas: a plenitude do Espírito do Senhor sobre o ramo saído do tronco de Jessé (versículos 1-2). A sua tarefa prioritária será o de restabelecer a justiça, em defesa dos pobres (versículos 3-5); o efeito do seu governo será a paz (versículos 6-9); os povos procurarão por isso o reino messiânico da raiz de Jessé (versículo 10).

Quantas vezes Israel, na sua longa história, deixou claro a espera de uma ordem messiânica, entre as pessoas e no Universo, que tivesse Deus por origem e autor primeiro, e como seu “instrumento” visível e histórico um seu eleito! A recordação do oráculo de Natã a Davi (2Samuel 7) foi fonte de muitas profecias, como a de Isaías no texto litúrgico de hoje.

Entre as quatro seções temáticas da leitura de hoje, não se sabe qual a que melhor nos prepara para as festas natalinas! Acaso será a efusão do “Espírito do Senhor” ou o exercício da justiça em defesa dos pobres? É precisamente esta última ação messiânica que olha, com uma fervorosa invocação, para grande parte da Humanidade, mesmo dos nossos dias!

Essas extraordinárias qualidades do futuro rei serão, pois, um dom do Espírito de Deus. Para o profeta Isaias, o Espírito de Deus é, antes de tudo, a misteriosa realidade do vento, servo fiel dos desígnios de Deus, expressão de sua cólera contra os inimigos de seu povo (Isaias 17,12-14; 27,6-9; 30,27-30; 33,11). Entretanto, Isaias já espiritualiza essa misteriosa força do vento e discerne realmente na obra o Espírito de Deus, força divina oposta a tudo que é carne (Isaías 31,3; cf. Isaias 40,3-8). Essa força constituirá o Messias ideal como ela constituiu o rei Davi (1Samuel 16,13; 2Samuel 23,2).

Se o rei já possui as virtudes de seus antepassados, acrescenta ele ainda outra virtude importante e mais pessoal: a justiça (versículos 3-5) concedendo ao povo a garantia de seus direitos (Salmo 71/72) e realizando o ideal de justiça social formulada pelo próprio Isaias (Isaias 1,15-17.21-25).

Salmo responsorial – Salmo 71/72,1-2.7-8.12-13.17. O Salmo 71/72 é súplica pelo rei, talvez no dia da coroação. Deus é o juiz verdadeiro, que faz justiça, isto é, que defende o direito dos pobres. Esta justiça Ele a pode exercer pessoalmente, e também pode confiá-la a um de seus escolhidos, em concreto, ao rei da dinastia eleita. Deste modo, o rei participa da justiça divina, que deve exercer unicamente a serviço do povo.

A liturgia leva-nos a traduzir em oração de reposta o que Isaías anuncia nos versículos 3-5 da primeira leitura: efetivamente, só do Senhor podem vir a “justiça e a paz”. Do Senhor, e daqueles que estão ao serviço de Deus e das pessoas e se inspiram nas opções de Jesus de Nazaré em favor dos pequenos e dos últimos.

Este Salmo tem a figuro do rei como centro. Lembremos que, em virtude do batismo, todos nós temos o sacerdócio régio (Sacrosanctum Concilium, n. 14). Como batizados, somos chamados a ser profetas, sacerdotes e reis. Portanto, cada um de nós, pela missão régia, assume com a Palavra proclamada o compromisso de servir o Reino e o fazemos, com o salmista, pedindo ajuda a Deus para agir com justiça.

O rosto de Deus neste Salmo é muito interessante, pois continua sendo o Deus da Aliança que, mediante a ação do rei faz justiça ao povo, defendendo os pobres, protegendo os indigentes, tornando-se o protetor dos abandonados, contra os opressores e violentos. Eis o rosto de Deus: Rei justiceiro.

O Novo Testamento viu em Jesus esse novo rei na visita dos magos (Mateus 2,1-12), capaz de fazer justiça (Mateus 3,15) e provocar o surgimento do Reinado de Deus (Mateus 4,17). Jesus disse a Pilatos que o Reino Dele não deste mundo (João 18,36), não para afirmar que reinará em outro planeta ou em outra dimensão, mas para mostrar que tem uma proposta nova de poder e de justiça. É seguindo essa proposta que chegamos à concretização do Reino de Deus.

Cantando este salmo neste 2º Domingo do Advento, peçamos a Cristo, em quem vemos realizada essa profecia que ouvimos do profeta Isaias, a graça de ver manifestada em nosso mundo a paz da justiça.

EM SEUS DIAS A JUSTIÇA FLORIRÁ.

Segunda leitura – Romanos 15,4-9. Concluindo a Carta aos Romanos, Paulo procura ajudar a comunidade a superar a tensão que existia entre dois grupos: os que se sentiam capazes de grandes renúncias e aqueles que tinham dificuldade em suportá-las. Vendo como Paulo procura resolver esta questão, recebamos uma palavra que pode nos ajudar a viver a unidade entre nós.

Em todo o capítulo 14 da Carta aos Romanos, Paulo enfrentou o problema dos fracos na fé, presentes na comunidade cristã: não se podem escandalizar, “mas acolher”, e levar à união de pensamento e à relação com Deus. Quem se julga “forte” e esclarecido nas suas convicções, pense também nos “fracos” e não os escandalize, saiba acomodar-se, para que a comunidade seja construída e não destruída (capítulos 14; 15,1s).

“Por isso” (Romanos 15,7) a dedução prática imediata: “acolhei-vos mutuamente”, respeitar-se e aceitar-se uns aos outros. Ninguém é dono da verdade toda, ou do bem comum. Ninguém pode isolar-se da ou na Comunidade cristã, pisotear intolerantemente os que têm sensibilidade diversa. A Construção (da Comunidade-Reino) exige a caridade do senso de “compromisso, tolerância e condescendência” para com o legítimo (“para o bem” 15,2) pensar e sentir diferente dos demais, sincera aceitação do próximo. Isso vale para todos. Ma precisa ser acentuado especialmente para aqueles que se sabem “fortes” (Romanos 14,1; 15,1), esclarecidamente convictos da própria liberdade (evangélica) frente a normas e critérios superados (cf. Romanos 14,22). Aceitar e acolher o outro para que se concretize a comunidade (a vinda do Reino) é seguir o caminho indicado pelo exemplo de Cristo e de Deus.

Sobressai, antes de tudo, a profissão de fé na leitura e na escuta das Sagradas Escrituras, reconhecidas aqui como Palavra de Deus, destinadas a “instruir” e reacender a “esperança” no Povo de Deus (versículo 4). Essa experiência de fé vem já do Primeiro Testamento (Isaias 55,8-11; 1Macabeus 12,9), e agora é retomada pelos Escritos apostólicos (2Timóteo 3,15-16).

Mas depois Paulo propõe como ponto central Jesus Cristo, a cuja existência terrena somos chamados referir-nos, O imitarmos: quer no que diz respeito à relação com Deus Pai, quer no acolhimento de todos, judeus e pagãos com a finalidade de dar glória a Deus. Por isso, para além do caminho espiritual para cada um – e do nível da fé alcançado – procuremos a unidade da fé e do abandono do “Deus da paciência e da consolação” (versículo 5).

Evangelho – Mateus 3,1-12. É preciso entender, nos seus temas diferentes, a mensagem transmitida por Mateus a respeito de João Batista. Sucedem-se quatro cenas: a profecia central de João Batista – “Convertei-vos, porque o Reino do Céu está próximo” – em ligação com a de Jesus (Mateus 1-3; 4,17) a figura espiritual de João que lembra a de Elias (versículos 4-6; Mateus 11,14; 17,10-13); os fariseus e os saduceus acusados por João de conversão não autêntica (versículos 7-10) finalmente, o anúncio a respeito d’Aquele que “batizará no Espírito Santo e com fogo” (versículos 11-12).

A expressão “conversão”, em hebraico, supõe a verificação de que erramos de caminho, que reconhecemos nossos limites e a Deus entregamos e a Deus entregamos o cuidado de nossa salvação (Jeremias 17,5-11; Isaias 2,6-22; Jeremias 31,16-22).

Não se trata de um simples remorso reduzindo em lamentar o passado, mas de um engajamento positivo no caminho oferecido por Deus. João Batista é particularmente explícito a este respeito: o Reino dos céus está próximo demais.

Um rito sela, ao mesmo tempo, a pregação de João e a conversão dos fiéis: o batismo no rio Jordão. Trata-se de um rito amplamente difundido nas religiões da época, e que o próprio judaísmo conhecia seja sob a forma de banhos de abluções no Tempo de Jerusalém, ou dos banhos purificadores de Qumrân, ou sob a forma de batismo dos prosélitos. Enquanto, que aqueles “batismos” eram banhos que cada um dava a si mesmo e podiam ser renovados no decorrer da existência (exceto o batismo dos prosélitos), mas agora recebem o batismo das mãos de um “profeta de Deus”. O batismo de João é um banho que se recebe das mãos de um “batista”, sendo administrado uma única vez e que engaja, além de uma pureza ritual e formal, a conversão pessoal.

João Batista comparou o comportamento dos fariseus e saduceus o das cobras venenosas. O deserto em que João atuava estava cheio delas. Avisadas por seu instinto natural, elas fogem de seus esconderijos quando se aproxima o fogo que queima o sertão. Os fariseus e saduceus fogem, então, do castigo que está chegando, como as cobras fogem do fogo. João Batista ensina, portanto, aos fariseus e saduceus que não é fugindo que se escapará do castigo que está chegando.

O papel de João Batista é apontar o caminho da conversão. Ele tem consciência de ser apenas a voz que clama no deserto. Por isso, a palavra de ordem deste segundo domingo do Advento é: “Preparai os caminhos do Senhor”.

A figura de João Batista é apresentada pelo evangelista Mateus na sua identidade austera, insensível a compromissos, paralela e subordinada à de Jesus. Mais que outros evangelistas, Mateus junta o ministério profético de João Baptista ao do Mestre: na cena do Batismo conferido a Jesus (Mateus 3,13-17), na alternância quanto à pregação do Reino dos Céus (Mateus 4,12-17); na pergunta que João, do cárcere, envia a Jesus através dos discípulos (Mateus 11,2-19); na narração da morte do precursor Mateus (14,1-12); finalmente, numa última recordação do Batismo recebido de João pelo Mestre, Jesus orienta os discípulos a identificarem João Batista como o Elias esperado por Israel (Mateus 17,10-13).

É desta singular figura profética que nos chega, atual e urgente, o apelo à conversão, também para vivermos intensamente o encontro com o Senhor que vem no Natal.

3- DA PALAVRA CELEBRADA AO COTIDIANO DA VIDA
Como possibilitar que em nós e a partir de nós ressoe a Palavra proclamada na Liturgia deste domingo? João batista clama: “preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas”. Na sociedade atual, são tantas as veredas a endireitar… a violência, as agressões à vida em suas diferentes formas, a guerra, o terrorismo, o tráfico de drogas, a corrupção, a discriminação e muitas, muitas mais.

Na sociedade atual são tantos os caminhos a preparar; é preciso limpá-los das injustiças, da indiferença, do consumismo, das desigualdades, das exclusões e de muito, muito mais.

É necessário recobrir os caminhos e as veredas com a esperança, a coerência entre fé e vida, os valores evangélicos, a solidariedade, a alegria de sermos discípulos missionários, a promoção da vida, o cuidado com a biodiversidade e com muito, muito mais.

Por isso contamos com o Espírito Santo, que repousa também sobre nós, cumulando-nos de dons. Cada um descubra os dons que recebeu em abundância e veja qual a melhor forma de usá-los no dia-a-dia, visando a própria conversão dos que lhe são próximos.

Um caminho bem preparado não tem desníveis. Quando transitamos por estradas mal conservadas, reclamamos dos buracos. No caminho que conduz a Deus, eles são produzidos por nossas falhas e omissões. Vamos nos esforçar para que a estrada que transitamos rumo à casa de Deus tenha o mínimo de buracos, de desníveis. Para que isso aconteça reforcemos, pela oração, nosso compromisso com a Palavra de Deus e o manifestemos em nossas atitudes e posturas.

Tal qual João Batista, somos chamados a testemunhar o Reino do Pai. Sobre isso, a Mensagem da Conferencia de Aparecida nos ensina: “No seguimento, ouvimos e vemos acontecer o Reino de Deus, a conversão de cada pessoa, ponto de partida para a transformação da sociedade, e se abrem para nós os caminhos da vida eterna. Na escola de Jesus, aprendemos uma ‘vida nova’, dinamizada pelo Espírito Santo e refletida nos valores do Reino. Identificados com o Mestre, a nossa vida é movida pelo impulso do amor no serviço aos demais. Esse amor implica uma contínua opção e discernimento para seguir o caminho das Bem-Aventuranças”.

João Batista nos convida a produzirmos frutos. A Mensagem de Aparecida reafirma: “Inseridos na sociedade, façamos visível o nosso amor e solidariedade fraterna, promovendo o diálogo com os diversos atores sociais e religiosos. Em uma sociedade cada vez mais plural, sejamos integradores de forças na construção de um mundo mais justo, reconciliado e solidário”.

João Batista adverte que ele batiza com água, mas virá aquele que batizará com o Espírito Santo e o fogo. A Mensagem de Aparecida reafirma que “com o fogo do Espírito vamos inflamar de amor o nosso Continente: “Recebereis a força do Espírito Santo, que virá sobre vós. E sereis minhas testemunhas até os confins da terra (Atos 1,8). Jesus convida a todos a participar de sua missão. Que ninguém fique de braços cruzados”.

Agora, somos nós mesmos que temos de endireitar os caminhos tortuosos. Olhando para dentro de nós e para o mundo que nos cerca, descobrimos uma infinidade de coisas que não andam direito. Acolher o Senhor que vem é dar novo rumo ao caminho de nossas vidas.

Que o Senhor, nesta celebração, nos dê o seu Espírito e nos purifique no fogo do seu amor, para que, entramos de verdade, na fila dos que se colocam para ir ao encontro do Senhor. Que Ele mesmo venha nos ajudar a tirar de nossa vida tudo o que impede a sua chegada.

4- A PALAVRA SE FAZ CELEBRAÇÃO

Dito e Feito!

A celebração do Advento do Senhor nos faz reconhecer o cumprimento das promessas de Deus anunciadas pelos profetas. Mas não se trata, obviamente, apenas do realizar-se histórico em Cristo Jesus – sua pessoa e sua mensagem – mas da permanente atuação deste mesmo evento no Corpo da Igreja.

O Prefácio II do Advento, após rememorar o anúncio e o cumprimento da vontade do Senhor pela boca dos profetas (dentre os quais João Batista se destaca) e no seio da Virgem Maria, respectivamente, nos insere a todos em tal acontecimento: “O próprio Senhor nos dá alegria de entrarmos agora no mistério do seu natal”. A vigilância, continua o prefácio, ganha sentido: nossa atenção se volta para a busca do Senhor nos caminhos da vida. Uma vez reconhecendo-lhe, corremos para encontrar-lhe e abraçar-lhe (cf. eucologia do segundo domingo do advento).

A Palavra de Deus no Seio da Igreja

Neste tempo em que cultivamos com especial atenção o “aspecto mariano” de nossa espiritualidade, contemplamos em nossa vida o “devir” daquele mesmo evento ocorrido no Seio da Virgem Maria: a habitação do Verbo na Tenda de seu Corpo.

Lembrando o gesto de João Batista que aponta para o Senhor no meio do povo, neste tempo somos impelidos a apontar para o seio da comunidade dos fiéis e indicar a realização de sua Vontade, a presença eficaz de sua Palavra. São Bernardo de Claraval, ainda em seu Sermão sobre o Advento do Senhor em que fala da vinda intermediária nos diz que tal Advento se dá exatamente no instante em que guardamos a Palavra de Deus, de modo que ela “penetre em todos os seus sentimentos e costumes” (Reflexão que colocamos no Primeiro Domingo do Advento).

5- LIGANDO A PALAVRA COM A AÇÃO EUCARÍSTICA

Novamente nos perguntamos: qual o mistério que celebramos, agora, neste segundo domingo do Advento?

No 2º Domingo do Advento, avançamos rumo ao Natal do Senhor. Na oração do Dia, esperançosos, pedimos ao Pai: “Que nenhuma atividade terrena nos impeça de correr ao encontro de vosso Filho”. No Prefácio, recordamos que Jesus está no meio de nós “agora e em todos os tempos, ele vem ao nosso encontro, presente em cada pessoa humana”. Ao final da celebração, elevamos a Deus ainda um pedido: “Pela participação nesta Eucaristia, nos ensineis a julgar com sabedoria os valores terrenos e colocar nossas esperanças nos bens eternos” (Oração depois da Comunhão)

Que a Palavra de Deus ouvida e a Eucaristia celebrada, neste tempo tão importante de Advento, nos ajudem e nos preparem para o que está por vir, a fim de vivermos e celebrarmos dignamente a vinda do Salvador e para que possamos festejar um dia, com todos os justos, sua vinda gloriosa e definitiva, na plenitude eterna da “Paz da justiça”.

6- ORIENTAÇÕES GERAIS

1. A comunidade reunida é sinal da espera do Advento do Senhor. Dar atenção especial aos ritos iniciais, cuja finalidade é de constituir a assembléia, formando o Corpo vivo do Senhor. Fazer uma acolhida afetuosa às pessoas, reconhecendo em cada uma delas a presença do Senhor que chega entre nós.

2. A cor própria do Tempo do Advento é o roxo. Lembra-nos que é período de recolhimento, de contida alegria, de expectativa e preparação. Não cantaremos o Hino de Louvor (a não ser nas solenidades e festas, e em alguma celebração especial); fica reservado para a noite de Natal, quando juntamos nossa voz à dos anjos para dar glória a Deus pela salvação que realiza em nosso meio. O Aleluia…, no entanto, continua ressoando.

3. Acender a segunda vela da Coroa do Advento com solenidade, sendo acompanhado pelo canto significativo que está em Musica Ritual, nº 7.

4. Atenção: Não se canta e nem se reza o glória.

5. Os instrumentos musicais (órgãos, violão, teclado e outros) sejam usados com moderação, conveniente ao caráter próprio deste tempo, de modo a não antecipar a plena alegria do Natal do Senhor. O mesmo vale para as ornamentações com flores: discrição, comedimento, expressando o tempo de espera por algo bom que vai chegar.

6. É importante lembrarmos às comunidades a Coleta Campanha para a Evangelização, que será realizada no 3º Domingo do Advento, no dia 18 de dezembro. A Campanha para a Evangelização é, na Igreja do Brasil, uma resposta firme e significativa de todos aqueles que acreditam e assumem a responsabilidade evangelizadora. A Boa-Nova da salvação deve chegar a todos os cantos de nosso país: das grandes cidades às pequenas aldeias, das periferias às comunidades rurais, alcançando as crianças, os jovens, os adultos, os ricos e os pobres, de modo especial a todos aqueles que sofrem. Nossa generosidade seja uma oferta viva ao Cristo, que por nós se encarnou no ventre da Virgem Maria.

7. Revitalizar na Igreja, através do Advento, o espírito missionário de anúncio do Messias a todos os povos e a consciência de ser sinal concreto de esperança. Desafia-nos a um amor concreto por todos, preferencialmente pelos pobres, através de práticas solidárias e ações sócio-transformadoras.

7- MÚSICA RITUAL

O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos cantar a liturgia e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com cada domingo do Advento, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são do Tempo do Advento, é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado. Jamais os cantos devem ser escolhidos para satisfazer o ego de um grupo ou de um movimento ou de uma pastoral. Não devemos esquecer que toda liturgia é uma celebração da Igreja corpo de Cristo e não de um grupo, de uma pastoral ou de um movimento.

1. Canto de abertura. O Senhor vem! (Isaias 30,19.30) “Eis que de longe vem o Senhor para as nações do mundo julgar…”, CD: Liturgia IV, melodia da faixa 5;

2- Canto para o acendimento das velas da Coroa do Advento

Refrão meditativo. “Atentos ficai”, CD: A Palavra se fez carne, melodia da faixa 1.

3- Ato penitencial. É muito significativo para este Segundo Domingo do Advento escolher a fórmula n. 1 do Missal Romano.

4. Salmo responsorial 71/72. Deus, dá a tua justiça ao Rei! “Eis que vem o Senhor soberano, tendo em suas mãos poder e glória!”, CD Litirgia IV, melodia da faixa 7. Ou o refrão do Lecionário: “Nos seus dias a justiça florirá”.

Para a Liturgia da Palavra ser mais rica e proveitosa, há séculos um salmo tem sido cantado como prolongamento meditativo e orante da Palavra proclamada. Ele reaviva o diálogo da Aliança entre Deus e seu povo, estreita os laços de amor e fidelidade. A tradicional execução do Salmo responsorial é dialogal: o povo responde com um refrão aos versos do Salmo, cantados um ou uma salmista. Deve ser cantado da mesa da Palavra.

5. Aclamação ao Evangelho. Preparar o caminho para o Senhor (Lucas 3,4.6) “Aleluia… Voz que clama no deserto:..”, CD Liturgia IV, melodia da faixa 3. O canto de aclamação ao evangelho acompanha os versos que estão no Lecionário Dominical.

Esta forma responsorial só é completa, quando o versículo bíblico é cantado, pois, caso contrário, a resposta não tem seu verdadeiro efeito. Por ser diferente do Salmo Responsorial, o verso é uma citação do Evangelho que se segue.

Esta aclamação é quase sempre “ALELUIA” (menos nas missas da Quaresma por seu um tempo penitencial). É uma aclamação pascal a Cristo que é o Verbo de Deus. É um vibrante viva Deus. Os versos que acompanham o refrão devem ser tirados do Lecionário.

6- Canto para a resposta das preces

R: Vem, vem, Senhor Jesus, vem,/ Vem, bem-amado Senhor! (bis); Hinário Litúrgico I, página 88-89.

7. Apresentação dos dons. Devemos tornar oferenda com as nossas oferendas do pão e do vinho. É importante lembrar às comunidades a Coleta para a Evangelização que nos chama a ser solidários. Esta Campanha é, na Igreja do Brasil, uma resposta firme e significativa de todos aqueles que acreditam e assumem a responsabilidade evangelizadora. “A nossa oferta apresentamos no altar e te pedimos: vem, Senhor, nos libertar”, CD: Liturgia IV, melodia da faixa3. Outra opção é o canto “Pão e vinho apresentamos com louvor…, do Pe. José Weber.

8. Canto de comunhão. “Preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas” (Mateus 3,3b. “Ouço uma voz lá no deserto a gritar:…, articulado com estrofes do Salmo 147, CD: Liturgia IV, melodia da faixa 7. Este canto retoma o Evangelho na comunhão de maneira autentica.

9. Canto de louvor a Deus após a comunhão: Durante o Tempo do Advento omite-se este canto

8- ESPAÇO CELEBRATIVO

1. Durante o tempo do Advento, como já é costume, tem destaque a Coroa do Advento. Evite-se utilizar flores e matérias artificiais e espalhafatosos, muitas vezes típicos da linguagem comercial: pisca-pisca, festões, papai Noel, etc. Fiel à sua origem, a Coroa do Advento é confeccionada apenas com galhos verdes em forma circular, símbolo do eterno que mergulha e se deixa entrever no tempo. A nossa exagerada criatividade fez a coroa tomar outras formas e, conseqüentemente, perder seu sentido. As quatro velas acesas uma a cada domingo, de forma crescente, anunciam que a Luz vence as Trevas. Proclamam o porvir da Páscoa do Natal. A Coroa pode ser colocada próximo ao altar ou da mesa da Palavra.

1. O espaço litúrgico é ambiente propício para conduzir os fiéis ao Mistério celebrado. O despojamento do espaço indica que nele falta Alguém que vem e ao qual esperamos.

9. AÇÃO RITUAL

Ritos Iniciais

1. A celebração tem início com a reunião da comunidade cristã (IGMR 27.47). O canto de abertura começa tendo em conta essa realidade eclesial, e vai introduzir a assembleia no Mistério celebrado. A procissão de entrada pode ser acompanhada com a entrada do Evangeliário, que deve ser colocado na mesa do Altar, até a hora da aclamação ao Evangelho, durante a qual é levado, solenemente, até a mesa da Palavra.

2. Para saudação presidencial, sugerimos a fórmula “d” do Missal Romano da Carta aos Romanos 15,13:

O Deus da esperança, que nos cumula de toda a alegria e paz em nossa fé, pela ação do Espírito Santo, esteja convosco.
3. Após o sinal da cruz, da saudação presidencial, e da recordação da vida, antes de dar o sentido litúrgico, inicie-se o rito de acendimento da primeira vela da Coroa do Advento. É válido recordar que a coroa deve ser feita de forma circular, com ramagens verdes naturais. Evite-se o uso de objetos natalinos, pois dão a impressão de que a coroa é uma guirlanda, o que tira todo o seu simbolismo. As velas não precisam ser coloridas, visto que o símbolo, mesmo, é a luz que delas irradiam. Acende-se solenemente a coroa com a seguinte oração de bênção, dentro do rito proposto.

4. Alguém se aproxima da coroa, trazendo uma pequenina chama ou uma vela pequena acesa (evitem-se os fósforos que criam ruído, apagam-se facilmente, enfraquecendo a ação simbólica, do ponto de vista exterior, o que acarreta na assembleia dispersão e impaciência). Depois de acesa a segunda vela, cantar este refrão que está no CD: Cristo Clarão do Pai, melodia da faixa 2, Paulus. Se a equipe de canto não tiver o CD, é só entrar no Google que encontra-se a música e também a partitura.

Acendamos a segunda vela, acendamos a segunda vela.
Sentinela a vigiar:
logo o Senhor virá, logo o Senhor virá.
Deus-Conosco: luz a brilhar. Deus-Conosco: luz a brilhar!
5. Terminado o acendimento da Coroa, o presidente da celebração, ou diácono ou mesmo o animador leigo, dá o sentido da celebração:

Domingo de João Batista. Uma voz clama no deserto. Deus vem para refazer conosco sua Aliança e nos convida, através do testemunho de João Batista, a prepararmos no deserto os seus caminhos, pela conversão pessoal e comunitária.

6. Ato penitencial. Não se trata de Rito penitencial, mas Ato penitencial. O Ato penitencial é concluído pela absolvição do presidente, absolvição que, contudo, não possui a eficácia do Sacramento da Penitencia. Por confissão geral, se entende não a descrição de pecados, mas da condição pecadora do fiel, no sentido de evidenciar aquela humildade de que fala o Evangelho. Não é para pedir perdão dos pecados, mas para reconhecer-se pecador e dignos da Mesa do Senhor. É para tornar a assembleia atenta ao apelo de Jesus que diz: “Convertei-vos e crede na Boa-Nova” (Marcos 1,15 e para obedecer à ordem de reconciliar os irmãos antes de apresentar a oferenda Mateus 5,24), que a Igreja celebra a penitência ao iniciar sua celebração. Seria interessante que seja cantado. O Missal também não prevê a imposição das mãos de quem preside. É muito significativo para este Segundo Domingo do Advento escolher a fórmula n. 1 do Missal Romano:

“Senhor que viestes ao mundo para nos salvar”.

7. Na Oração do Dia, suplicamos a Deus que é cheio de misericórdia que nada nos impeça e Deus nos ensine a participar da vida de seu Filho, isto é, nada do que é passageiro deve impedir que os cristãos e cristãs tomem parte na vida divina.

Rito da Palavra

1. Antes da Primeira Leitura, cante-se o refrão meditativo preparando o coração da assembleia para acolher a Palavra:

Refrão meditativo. “Atentos ficai”, CD: A Palavra se fez carne, melodia da faixa 1.

O REINO VIRÁ, PRÓXIMO ELE ESTÁ.
CONVERTAM-SE E ABRAM O CORAÇÃO.
QUE O ESPÍRITO DE DEUS
OS RENOVARÁ! (cf. Mateus 24,37-44)

2. Deixar sempre uns instantes de silêncio após cada leitura e também após a homilia, para um diálogo orante de amor e compromisso da comunidade com o Senhor.

3. Outra opção, é no momento das preces, cantar a Ladainha do Advento, substituindo-se as fórmulas convencionais, de todos os domingos. Esta sugestão vale para todos os domingos do Advento, ver no roteiro do domingo anterior.

Rito da Eucaristia

1. O canto de “apresentação dos dons”, conforme orientamos em outras ocasiões, não necessita versar sobre pão e vinho. Seu tema é o mistério que se celebra acontecendo na fraternidade da Igreja reunida em oração. Para este domingo, sugerimos o canto “No céu se formam as nuvens” que trata da Palavra de Deus na vida da comunidade dos fiéis, a Igreja (Hinário Litúrgico I da CNBB, página 82).

2. Mesmo neste Segundo Domingo do Advento, escolher o Prefácio Advento I, que contempla as duas vindas de Cristo. Seguindo esta lógica, cujo embolismo reza: “Revestido da nossa fragilidade, ele veio a primeira vez para realizar seu eterno plano de amor e abrir-nos o caminho da salvação. Revestido de sua glória, ele virá uma segunda vez para conceder-nos em plenitude os bens prometidos que hoje, vigilantes esperamos”. O grifo no texto identifica aqueles elementos em maior consonância com o Mistério celebrado neste Domingo e que pode ser aproveitado na celebração, ao modo de mistagogia. Nas missas do Advento e em todas as outras, desde o primeiro domingo até 16 de dezembro, exceto nas Missas com prefácio próprio.

3. Valorizar o rito da fração do pão, “gesto realizado por Cristo na última ceia, que no tempo apostólico deu o nome a toda a ação eucarística, significa que muitos fiéis pela Comunhão no único pão da vida, que é o Cristo, morto e ressuscitado pela salvação do mundo, formam um só corpo (1Coríntios 10,17” (IGMR, nº 83).

4. Fazer o sagrado silêncio após a comunhão. Reservar à comunidade celebrante instantes de silêncio.

Ritos Finais

1. Bênção solene própria do Advento, com imposição das mãos sobre o povo (página 519 do Missal Romano).

2. As palavras do rito de envio podem estar em consonância com o mistério celebrado: Preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas! Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.

3. O Tempo do Advento é muito oportuno para aprofundar e exercitar a piedade mariana, dando-lhes os contornos da espiritualidade do Advento que é da memória e expectativa a respeito da manifestação do Verbo de Deus no seio do mundo.

4. É comum além, de entrar em procissão no início da celebração guiados pela cruz, também retirar-se do espaço sagrado em procissão, igualmente guiados pela cruz.

10- REDESCOBRINDO O MISSAL ROMANO

1. “Até o dia 16, de dezembro, inclusive, não se permitem as missas para diversas circunstâncias, votivas ou cotidianas pelos defuntos, a não ser que a utilidade pastoral o exija.” (IGMR, nº 333). É o Advento escatológico.

2. “Os dias de semana dos dias 17 a 24 de dezembro inclusive visam de modo mais direto a preparação do Natal do Senhor.” (IGMR, nº 42). A partir do dia 17 de dezembro iniciamos o Advento natalício, isto é, preparação direta para o Natal.

11- CONSIDERAÇÕES FINAIS

Preparemo-nos dignamente para a vinda do Salvador. É preciso promover, a partir de nossos próprios lares, a reconciliação e a paz. Vivamos intensamente o novo céu e a nova terra, com que Cristo nos presenteia no seu nascimento. Deus abre o caminho para nós. Não recusemos entrar nele.

O objetivo da Igreja e da nossa equipe diocesana de liturgia é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas aquelas outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.

Um abraço fraterno a todos

Pe. Benedito Mazeti

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