Podemos afirmar que o homem é um ser religioso e precisa da experiência com o Sagrado para sua felicidade?

O humano tem a necessidade de buscar a Deus e de relacionar-se com a Bondade; sente o desejo de lançar-se diante de um Criador que é capaz de levá-lo à perene realização de si mesmo como criatura; precisa salvar-se da angústia da finitude e das suas limitações, por isso mergulha na bem aventurança da perfeição e na eternidade daquele que lhe assegura a continuidade e a autossuperação; necessita conhecer a verdade e a comunhão, assim, busca a sabedoria e a relação com o Bem para compreender sua essência e seu lugar em meio à imensidão. Deus é uma das fontes de encontro do homem consigo mesmo, é o amor que convida o humano a experimentar a felicidade e a descobrir-se como ser espiritual e virtuoso.

Quem não é religioso não enriquece a própria humanidade; acaba por regredir ao instintivo do animal. A essência do homem está na sua capacidade de reproduzir a realidade de Deus e ser um ícone divino, marca que está na dignidade humana, no fato de ser pessoa e poder se realizar nos mais variados aspectos, adentrando a dinâmica das possibilidades (o homem vai além de si mesmo, dirige-se para Deus, para poder encontrar-se a si próprio)
Deus, portanto, é o único capaz de levar o homem à perfeita realização de si mesmo, de mantê-lo dinâmico frente ao movimento da existência, de sustentá-lo, sobretudo, nas situações limites e de acalmá-lo nos momentos de contradição entre o que é e o que aspira ser. Deus dá sentido ao anseio humano pelo infinito e a sua negação ou vínculo por meio de uma relação interesseira, seria a tragédia do homem que busca a si mesmo.

Santo Agostinho preocupou-se muito com a concretização da felicidade, por isso escreveu A Vida Feliz propondo um encontro entre Deus e o homem, afirmando que o sentido para vida, isto é, a verdadeira felicidade, só pode estar em Deus, na comunhão com a Trindade, no conhecimento de Deus, no desejo de retorno ao seio do Criador. A sabedoria, para ele, era o supremo tesouro que conduzia à verdadeira felicidade, posse do conhecimento capaz de saciar, plenamente, a aspiração humana pela beatitude. Deus, portanto, seria o único bem que poderia assegurar a felicidade.

Envie também sua dúvida que poderá ser respondida na próxima edição do jornal, escreva e-mail para robertobocalete@yahoo.com.br.

Addthis Facebook Twitter Google+ PDF Online

Conteúdo relacionado

Deixe o seu comentário

Você deverá estar conectado para publicar um comentário.