30º DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO C – 23 de outubro de 2016

Leituras

Eclesiástico 35,15b-17.20-22: A prece do humilde atravessa as nuvens.
Salmo 32/33,2-3-17-18.19.23: Do coração atribulado ele está perto.
2Timóteo 4,6-8.16-18: Mas o Senhor esteve do meu lado e me confortou.
Lucas 18,9-14: Dois homens subiram ao Templo para rezar.

“MEU DEUS, TEM PIEDADE DE MIM QUE SOU PECADOR”

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1- PONTO DE PARTIDA

Domingo do fariseu e do publicano. Celebramos a Páscoa de Cristo e a Páscoa que hoje continua de muitas maneiras na vida das pessoas que humildemente confessam ser pecadoras e necessitadas da misericórdia do Pai. Peçamos que ele nos dê um espírito de pobres, sedentos de justiça para reconhecermos e superarmos a auto-suficiência farisaica que carregamos em nós.

Tomemos parte na celebração despojados de toda presunção pela qual nos consideramos perfeitos e justos. Despojemo-nos preconceitos pelos quais rotulamos pessoas. Ao Senhor agrada a oferta e a oração que brota da humildade e da sinceridade de coração.

Confiantes na misericórdia do Pai, celebramos a Páscoa de Jesus Cristo que se manifesta na vida dos humilhados e sofredores.

2- REFLEXÃO BÍBLICA, EXEGÉTICA E LITÚRGICA

Contemplando os textos

Primeira leitura – Eclesiástico 35,15b-17. O Livro do Eclesiástico foi escrito por um judeu que viveu uns 200 anos antes de Cristo. Era um homem de família rica e tinha muito conhecimento. Um dia ele resolveu partilhar as coisas que sabia e o que aprendeu com os mais velhos e escrever o livro do Eclesiástico, que quer dizer “livro comunitário”. O assunto da leitura de hoje é sobre o culto que agrada a Deus.

Bem Sirac, o autor do Eclesiástico, demonstra em seu livro uma grande estima pelo culto. Nos primeiros versículos do capítulo 25, ele insiste na preponderância da Lei e a retidão moral sobre os quatro sacrifícios litúrgicos instituídos por Moisés. O autor afirma que as prescrições morais são superiores às rituais. Toda a bondade dos ritos exteriores e dos gestos de culto provém dos sentimentos interiores que animam aqueles que realizam estes atos. Este ensinamento, aliás, não é novo. Já os profetas mais antigos ensinavam isto (cf. Oséias 6,6; 14,3; Isaias 58; Amós 5,23; Isaias 1,12-17).

Como conseqüência desta verdade, ensina Bem Sirac em 35,12-14, seria um grave erro supor que se pode subornar Deus com ofertas ou sacrifícios. Ele é um juiz incorrupto, um Deus de justiça, que não faz diferença de pessoas. Diante dele nada valem a posição social, o dinheiro, a ciência ou o poder, mesmo numerosos sacrifícios. Mas se há alguém que Ele se inclina com mais carinho, é para o pobre, para o oprimido, para o injustiçado, para o órfão, para a viúva, para aquele que sofre qualquer tipo de violência por parte dos poderosos.

Bem Sirac imagina uma cena no Templo de Jerusalém em que o rico oferece numerosos sacrifícios para que Deus feche os olhos sobre suas injustiças (versículo 10), enquanto que o pobre oferece sua única queixa (versículos 12-18). Portanto, trata-se de uma espécie de concurso entre “dois tipos de sacrifício”, como o que distinguiu os de Abel e Caim (Gênesis 4,1-10), os de Elias e dos profetas de Baal (1Reis 18,20-40), os do fariseu e do publicano (Lucas 18,9-14). Bem Sirac a Deus o cuidado de julgar entre dois sacrifícios e de decidir entre o aproveitador e o oprimido. O julgamento de Deus é claro: concedendo ao pobre o objetivo de sua prece, revela que tipo de sacrifício responde a seu desejo.

Ainda hoje há cristãos que depositam na coleta dinheiro “desonesto” e buscam em sua participação na Missa uma boa consciência suficiente para nada mudar em sua conduta.

Deus põe sua grandeza em ser o apoio dos fracos, o defensor dos órfãos e das viúvas (versículo 14), pessoas que não tem ninguém por elas. Esta é uma afirmação constante na Bíblia de ponta a ponta. Já no episódio de e Abel, Deus toma a defesa e pede contas ao opressor do sangue do oprimido (Gênesis 4,9-10). Com outros personagens a mesma atitude retorna no caso de Urias (2Samuel 12,1-12), e da vinha de Nabot (1Reis 21,17-26). E a Lei mosaica é extremamente clara e explícita em apontar a verdade que Deus toma a defesa do pobre e do oprimido, não sem duras ameaças: Êxodo 22,22s; Deuteronômio 10,18; 24,17.

Deus não só toma a defesa do pobre e do oprimido, mas promete escutar com solicitude sua oração (versículos 16-19). E mais: toda oração feita com humildade, toda súplica dirigida de coração sincero atravessa as nuvens e chega até Deus. Se há uma preferência por parte de Deus é pelo pobre e oprimido que suplica desde seu sofrimento, de sua opressão. “Eu vi a aflição de meu povo que está no Egito, e ouvi os seus clamores por causa de seus opressores” (Êxodo 3,7). E mesmo para os que não são oprimidos externamente, a primeira condição para que sua oração seja ouvida por Deus é a humildade e a sinceridade de coração. Diante de Deus todos são pobres e indigentes. Reconhecer com sinceridade esta verdade é dar o endereço certo à oração: ela atravessa as nuvens e não voltará sem ser atendida da parte de Deus. O melhor esclarecimento desta verdade é a parábola do fariseu e do publicano.

Salmo responsorial – Salmo 33/34,2-3.17-19.23. O Salmo 33/34 é de caráter sapiencial, com elementos de ação de graças. O ensinamento proposto não é uma doutrina teórica, mas a formulação de uma experiência espiritual. Começa a lição com um breve ato de louvor: tríplice invocação do Senhor, convite aos que estão presentes.

“Olhos e ouvidos” de Deus significam em termos humanos o caráter pessoal de sua relação com as pessoas. A oposição simples de justos e malfeitores também é de estilo sapiencial. A vida dos servos de Deus estão resgatadas e protegidas e não sofrerão castigos devido a fidelidade.

O rosto de Deus neste Salmo é muito interessante. O Salmo faz uma longa profissão de fé no Deus da Aliança, aquele que ouve o clamor, toma partido do pobre injustiçado e o liberta, isto é, o rosto de um Deus libertador. O Salmo 33 é o mais antigo canto de comunhão.

São João aplica o versículo 21 deste salmo a Cristo morto na Cruz (João 19,36), reconhecendo a proteção do Pai sobre o corpo já morto do seu Filho. Esta proteção não é tardia; pelo contrário, prova que o poder de Deus supera a morte.

Na celebração deste domingo, bendigamos o nosso Deus, porque Ele sempre escuta a oração da pessoa que sofre e consola os aflitos de coração:

O POBRE CLAMA A DEUS E ELE ESCUTA:
O SENHOR LIBERTA A VIDA DOS SEUS SERVOS.

Segunda leitura – 2Timóteo 4,6-8.16-18. Estamos na conclusão da carta (versículos 6-22). O que vemos na primeira parte da leitura (versículos 6-8) é uma espécie de balanço da vida de Paulo. Alguns chamam de testamento espiritual. Paulo realmente vislumbra sua morte que não deve estar longe. É bom lembrar que ele está na prisão, aguardando, a qualquer momento, o seu processo. É com comoção que ele aborda o tema da sua morte. Aqui ele não manifesta tristeza, mas a coragem de um atleta vitorioso que cumpriu sua missão e está pronto para receber sua coroa. Paulo faz um balanço de sua vida, uma espécie de testamento do apóstolo, olhando primeiro o “presente” (versículo 6), depois o “passado” (versículo 7), em seguida o “futuro” (versículo 8).

O presente versículo 6. Paulo aborda o tema da morte em “duas” imagens significativas. A primeira é a imagem da libação que se fazia com vinho e óleo sobre a vítima no momento do sacrifício (cf. Êxodo 29,40). Paulo vê sua vida como um sacrifício contínuo, cujo momento de consumação está chegando. A imagem da libação de vinho indica sua libação de sangue como o foi a de Cristo (Filipenses 2,17-18).

O passado versículo 7. Os “três verbos” usados no passado, dão uma idéia da realização apostólica de Paulo. As imagens usadas (do combate e da corrida) são tiradas da vida esportiva a que ele recorre com freqüência (cf. 2,5; 1Timóteo 1,18; 1Coríntios 9,24s; Filipenses 2,16; 3,12s). “guardei a fé” refere-se á fidelidade á sua missão apostólica.

O futuro versículo 8. Da plena realização da sua missão apostólica ele conclui com certeza a sua vitória que será coroada pelo justo Juiz com uma coroa incorruptível. De novo uma imagem esportiva (1coríntios 9,25). Esta coroa não é apenas fruto das suas obras, mas fruto da bondade de Deus. É a coroa da justiça, isto é, que consiste na justiça misericordiosa de Deus. Esta coroa não será dada apenas a quem trabalhou com ele, mas a todos os que tiverem vivido com o mesmo amor, animados pela esperança escatológica do encontro com o Cristo triunfante, no dia da sua vinda (cf. versículo 1). A idéia de esperança está contida no verbo “amar”. De fato o texto grego diz “amado sua aparição”.
No versículo 16, Paulo lamenta o abandono dos seus amigos, quando ele apresentou pela primeira vez sua defesa diante do tribunal romano, mas ele perdoou a todos. Este perdão diante do abandono total nos lembra o perdão de Cristo no episódio da cruz ( Lucas 23,34), como também o perdão de Estevão diante do apedrejamento (Atos 7,60).

Seus amigos falharam, mas o Senhor não falhou (versículo 17). Com a força do Senhor ele conseguiu aproveitar-se da ocasião da defesa para proclamar o Evangelho “a todas as nações”. Ele conseguiu libertar-se também da “boca do leão”. Com essa expressão do Primeiro Testamento (cf. Salmo 22,22) ele quer dizer que se libertou da causa do malfeitor (cf. 2,9).

No versículo 18, da sua libertação física temporária Paulo passa a falar da sua verdadeira libertação de toda obra maligna. Aqui ele revela a tranqüilidade e a certeza da sua esperança de possuir o Reino celeste. Paulo termina adorando a Deus numa breve doxologia (glorificação) (cf. 1Timóteo 1,17).

Evangelho – Lucas 18,9-14. A parábola do fariseu e do publicano fecha a grande narração de Lucas descrevendo a “subida da Galiléia para Jerusalém” por Jesus (9,51—18,14). Isto demonstra a importância dada por Lucas e este problema tão importante. Seguindo sua viagem a Jerusalém, Jesus instrui os discípulos sobre a verdadeira atitude de quem se dirige a Deus em oração.

A parábola presente tem uma estrutura semelhante às do bom samaritano (Lucas 10,29-31), do rico insensato (Lucas 12,16-21), da construção da torre (Lucas 14,28-30), do rei partindo para guerrear (Lucas 14,31-32) e do administrador prudente (Lucas 16,1-8). Em todos esses casos mão temos comparação como nas outras parábolas, mas, sim uma lição, quer dizer, um exemplo dado por Jesus a fim de imitar tal tipo de atitude.

A parábola do fariseu e do publicano inicia-se revelando os destinatários: “Para alguns que confiavam na sua própria justiça e desprezavam os outros” (versículo 9). O núcleo da parábola encontra-se nos versículos 10-13, quando entram em cena os dois personagens: o fariseu e o publicano, representando atitudes opostas da sociedade do tempo de Jesus. Ambos, no Templo de Jerusalém, buscam relacionar-se com Deus mediante oração. Evidencia-se, porém, uma profunda contradição entre a palavra e a ação. Em cena, novamente, a hipocrisia e a falsidade do fariseu e a humildade do publicano. Portanto, a ação, se desenrola no Templo de Jerusalém, lugar da oração litúrgica a certas horas determinadas (Atos 3,1). A oração por excelência, a reza dos salmos, permitia a cada um abrir o seu coração diante de Deus de tal modo que o Templo tornou-se também o lugar privilegiado da oração pessoal.

A seita judaica dos fariseus (= “os separados”) era uma verdadeira casta social fechada contando mais ou menos com 6.000 membros na época de Jesus. Entre eles havia o conjuntos dos escribas e dos doutores da Lei assim como um certo número de sacerdotes. Como a seita dos Essênios, provém dos Hassideus (= “Os piedosos”, “os devotos”), homens valentes de Israel, todos aproximadamente dedicados à Lei (1Macabeus 2,42) que lutaram até a morte contra a infiltração da religião pagã.

O fariseu se considera justo e agradece por não ser ladrão, injusto, adúltero e enumera escrupulosamente o que faz: jejua duas vezes por semana e paga honestamente o dízimo de todos os seus rendimentos (versículo 12). A Lei prescrevia um único jejum público por ano, no dia da expiação (Levítico 16,29-39). Porém, o fariseu assumiu livremente um jejum particular bi-hebdomadário. Este último tipo de jejum era bastante espalhado e se praticava no segundo e no quinto dia da semana. Para não se misturar com os “hipócritas”, isto é, os fariseus, a Didaqué (81) convida os cristãos a jejuar no quarto dia e na vigília (sexta-feira).

A Lei prescrevia ainda o dízimo do trigo, do vinho novo, do azeite, dos primogênitos do gado e do rebanho a fim de poder ajudar o serviço do Templo e as obras de caridade (Deuteronômio 14,22-29). Mais uma vez, o fariseu ultrapassa as exigências da Lei: paga o dízimo de todos os seus rendimentos! Para não colaborar com aqueles que não teriam pago o dízimo, ele paga o dízimo de todos os alimentos que compra. Este homem piedoso, com efeito, se preocupa com o futuro do seu povo. É exatamente o contrário de uma pessoa interessada ou egoísta. Ele se sacrifica pelo bem comum. Qual o padre que não gostaria de tal dizimista? O fariseu acredita que, dessa forma, vai comover Deus com a força de seus argumentos ou convencê-lo pela força de suas palavras: “Oh Deus, eu te dou graças porque não sou como este publicano” (Lucas 18,11). O fariseu altivo se auto-apresenta a Deus e faz a auto-glorificação de si mesmo.

O publicano não é um santo, pelo contrário é um grande pecador público. Bem sabe disto e nem procura a mínima desculpa. Humilhado por sua profissão, hostilizado e considerado impuro, reconhece-se pecador, sem ter sequer méritos para apresentar suplica ao Senhor que tenha piedade dele (versículo 13). Consciente de sua situação, ele sabe que não vai persuadir a Deus pela força de suas palavras.

Por que tanto radicalismo da parte de Jesus? Por que o fariseu apesar de todos os seus méritos, cometeu um duplo erro. Primeiro, ele se auto-justificava, não pedia nada a Deus, não esperava nada d’Ele. Certo ele cumpria a Lei mas de maneira formal e material sem abandonar-se nas mãos de Deus, esquecendo que só Ele é Justo, que só Ele justifica. O segundo erro (pecado) do fariseu é o maior: não age por amor pois menospreza o pecador. Ele dá graças a Deus não porque Ele é a fonte de toda justiça, mas porque não é “como os outros homens, ladrões, injustos, adúlteros e nem como este publicano”. Ele se preocupa com o futuro da não mas não ama o seu povo. Fica sozinho com a contagem de seus méritos.

A figura central da parábola é a do publicano. O fariseu foi introduzido para servir de contraste como também é o caso do filho mais velho na parábola do “filho pródigo”. Aliás estas duas parábolas têm um objetivo comum: manifestar o Amor misericordioso de Deus de Deus que perdoa àquele que “estava perdido e foi reencontrado” (Lucas 15,32).

Mesmo que o farisaismo histórico tenha desaparecido há tempo, a lição da parábola vale mais do que nunca para hoje. Ninguém pode julgar ninguém: só o Amor misericordioso e gratuito de Deus pode salvar (cf. Marcos 10,26s).

3- DA PALAVRA CELEBRADA AO COTIDIANO DA VIDA

Alguma vez já nos perguntamos sobre o modo como nos relacionamos com Deus? O fariseu e o publicano buscavam a comunhão com Deus pela oração, embora por vias diferentes: o fariseu pela via da auto-suficiência e o publicano, pelo caminho da humildade confiante na misericórdia de Deus. Porém, nem tudo é oração. O profeta Isaías adverte: Deus aceita a oração que brota da prática do bem e da justiça. Só a justiça é capaz de mover Deus para que incline seus ouvidos e escute a oração, transforme o coração e mude o pecado em compaixão e perdão (cf. Is 1,16-18).

Jesus desmascara a falsa prática religiosa daqueles que pela observância escrupulosa de preceitos e pela execução mecânica de orações desejam manipular Deus em favor de seus interesses. Denuncia aqueles que acham que podem impressionar Deus com suas qualidades aparentes e seus sacrifícios e boas obras formais, sem extirpar do coração a auto-suficiência e o desprezo pelos outros, sobretudo pelos desqualificados da sociedade.

O fariseu é criticado na parábola por estar convencido de ser melhor do que “o resto dos homens”, os quais ele considera injustos, ladrões e adúlteros, e por isso os despreza. O publicano nem sequer ousava olhar para o céu. Os olhos abaixados são a expressão mais forte da humildade, do reconhecimento da própria pequenez e da soberania de Deus.

Há, em nossas comunidades, pessoas que se julgam “bons cristãos”, que usurpam a religião para convencer a si mesmos e aos outros de sua prática, isto é, a exemplo do altivo fariseu, fazem da oração expressão de seu orgulho. Tidos por bons e justos, já não vivem animados pela gratuidade do amor e do serviço solidário com os pobres e sofredores. Cientes de que Deus os reconhecerá como justos e merecedores de sua benevolência, sua oração não se traduz tanto na escuta, mas no pronunciamento de muitas palavras que revelam os méritos e as obras pessoais, frutos da própria virtude. A Deus não agrada esse tipo de postura nem lhe são agradáveis as oferendas conseguidas às custas do menosprezo aos pobres. O Deus de quem organiza sua vida a partir dos critérios expressos pela oração do fariseu não pode ser o Deus de Jesus Cristo, fonte de todo amor, de toda graça, causa de toda esperança e de toda a vida. A coerência da honestidade entre a ação e a oração abre as portas para o diálogo com Deus.. A falsidade e a presunção fecham-nas.

A oração do publicano é curta e seu conteúdo se resume em pedir perdão, proclamando por um lado a misericórdia de Deus e por outro reconhecendo a própria condição de pecador, reforçada pelo gesto de golpear o peito. Ele manifesta a fé no Deus que atende à súplica do humilde que nele deposita sua confiança.

Para os seguidores do Senhor, todo lugar é espaço para a relação amorosa com o Senhor pela oração. O fariseu acredita que o lugar de rezar é só o Templo. Ao Deus que habita no Templo ele narra o que se passa lá fora, seja a respeito de sua vida, seja dos outros. O publicano apresenta-se diante de Deus, no Templo, mas demonstra que Deus não está apenas ali. Tem consciência que Deus conhece sua situação. Por isso, não eleva a voz, não se aproxima muito do altar nem usa belas palavras para dirigir-se a ele. Expressa aquilo que sente no cotidiano. Para o publicano, o mundo é o grande santuário da oração; é o altar do sacrifício e da oferenda existencial.

Com esta parábola, Jesus ensina aos discípulos em que consiste o autêntico relacionamento com Deus. Imitando o publicano, eles devem humildemente depositar sua confiança em Deus, que não faz distinção entre pessoas. Sua oração precisa traduzir-se na abertura ao mistério de Deus, que deseja justiça e dignidade para todos os seus eleitos. O discípulo não atribui a si os mistérios de suas obras, quando se percebe agraciado pela abundância da misericórdia do Pai. Só quem aprendeu a amar a infinita bondade do Pai compreenderá as exclamações de alegria e de gratidão perante a obra da compaixão de Deus pelos pobres, sofredores e oprimidos.

Paulo dá o exemplo de alguém que se sente tranqüilo depois de toda a caminhada de vida, para esperar de Deus um sinal de que “combater o bom combate não foi em vão”. O Apóstolo garante que todos os que lutam por uma causa esperam e confiam que essa luta vai lhes trazer a vitória.

“Eu declaro a vocês: este último voltou para casa justificado, o outro não” (v. 14). Quem mesmo Deus vai premiar? Só podemos concluir: nossos esforços para sermos bons, justos, agentes, evangelizadores, construtores do Reino etc. Têm valor e não serão esquecidos por Deus. Mas o que salva tudo isso é o próprio Deus que aceita a nossa humilde entrega (nossa realidade de pecadores e santidade) em suas mãos. A oração que salva é aquela que, a exemplo do publicano, brota do coração que reconhece sua condição de criatura e faz de sua fragilidade a própria oração. Havendo gratuidade, confiança e entrega generosa à ação de Deus, a oração será autêntica e eficaz.

Este gesto do publicano diante de Deus se atualiza em nossa celebração ao reconhecermos nosso pecado, no ato penitencial, e ao escutar e acolher a Palavra que nos desvela e nos converte. A oração litúrgica nos educa a uma constante abertura ao mistério de Deus e a uma atenta vigilância, para que não nos fechemos em nós mesmos. Só Deus é justo e capaz de nos justificar diante Dele. A salvação não depende da nossa santidade, mas da sua misericórdia.

4- A PALAVRA SE FAZ CELEBRAÇÃO

O pobre clama, Deus escuta

Os pobres são elogiados pela tradição cristã porque sua condição existencial manifesta e ensina algo importantíssimo sobre a dimensão espiritual do ser humano, em particular de todo crente (e por isso bem mais profunda que apenas sócio-política, econômica ou psíquica): parece revelar quão frágeis e necessitados da solidariedade divina somos. Ainda que a tendência seja mascarar esta nota de nossa humanidade, mediante mecanismos de defesa, diria a psicologia, não há para onde fugir.

Deus só pode ser experimentado como segurança e conforto se houver quem assuma a tribulação e o sofrimento (cf. Salmo). A Palavra que “hoje” e “aqui” salva (cf. versículo da Aclamação ao Evangelho) opera sobre a fragilidade assumida e confessada.

Kyrie eleison

A expressão com a qual o publicano se dirige ao Senhor denuncia sua nudez diante do Mistério Divino, sua necessidade de remissão. Parece ecoar aqui a prece do Salmo 78(79),9: “Socorre-nos, ó Deus salvador nosso, por causa da glória do teu nome! Perdoa nossos pecados, ó Senhor, liberta-nos por causa do teu nome”. É assim que muito se revela de Deus mas também do ser humano quando se entoa o Kirye eleison na celebração eucarística. Assumimos, a humildade do publicano e rejeitamos a empáfia do fariseu que compreendia a si mesmo justificado por suas várias práticas religiosas e já não tinha para onde evoluir. Como pode o sacramento realizar na assembléia o que significa (cf. oração depois da comunhão) se a fragilidade e caducidade de nossa condição humana não estiver desnuda diante dos olhos de Deus, mas sobretudo dos nossos?

5- LIGANDO A PALAVRA COM A AÇÃO EUCARÍSTICA

Na celebração do memorial da Páscoa de Jesus, aproximemo-nos de Deus com o coração humilde e confiante. Ao cantarmos: “Senhor, tende piedade de nós”, sintamo-nos pobres e necessitados na presença do Deus que é rico em misericórdia. Que nossa oração e nosso louvor brotem da experiência da bondade do Senhor, e não de nossos méritos.

Jesus Cristo, ao mesmo tempo em que nos exorta à penitência e à conversão, nos acolhe em nossa condição de pecadores e nos reconcilia com o Pai. Na Eucaristia, memorial de sua paixão, morte e ressurreição, Jesus nos revela o grande mistério da misericórdia do Pai que escuta com afeição a oração dos humildes. Assim, a Eucaristia se transforma numa experiência singular da ternura e da compaixão de Deus.

As ofertas que agradam a Deus são aquelas que brotam do coração humilde e arrependido (cf. Salmo 50/51,19). Nesse sentido, Cristo, pela voz de quem preside, suplica: “Lembrai-vos Pai de todos os que circundam este altar, dos quais conheceis a fidelidade e a dedicação em vos servir. Eles vos oferecem conosco este sacrifício de louvor por si e por todos os seus, e elevam a vós as suas preces para alcançar o perdão de suas faltas, a segurança em suas vidas e a salvação que esperam” (Oração Eucarística, I). A salvação não depende da santidade da comunidade eclesial, mas da misericórdia de Deus.

O Senhor nos convida a vencer a auto-suficiência que esvazia nossa missão. Convoca-nos ao seguimento pessoal e confiante, cultivado pela oração sincera e humilde de quem reconhece que a salvação é graça de Deus. “O culto que agrada a Deus nunca é um ato meramente privado, sem conseqüências nas nossas relações sociais: requer o testemunho público da própria fé. Evidentemente, isto vale para todos os batizados, mas impõe-se com particular premência a quantos, pela posição social ou política que ocupam, devem tomar decisões sobre valores fundamentais. […] A celebração eucarística surge aqui em toda a sua força como fonte e ápice da existência eclesial, enquanto exprime a origem e simultaneamente a realização do culto novo e definitivo, o culto espiritual” (Bento XVI, Sacramentum Caritatis, nn. 83 e 70).

6. ORIENTAÇÕES GERAIS

1. A introdução do Lecionário ressalta a preparação dos leitores. Esta preparação é de capital importância e, com certeza, não se restringe aos leitores, mas deve ser praticada por todos os ministros e ministras: “Para que os fiéis, ao ouvirem as leituras divinas, concebam no coração um suave e vivo afeto pelas Sagradas Escrituras, é necessário que os leitores, mesmo que não tenham sido instituídos para essa função, sejam realmente capazes de desempenhá-la e se preparem cuidadosamente. Esta preparação deve ser, sobretudo espiritual, embora seja também necessário o preparo técnico. A preparação espiritual supõe, pelo menos, uma dupla formação: bíblica e litúrgica. A formação bíblica deve levar os leitores a saber compreender as leituras no seu contexto próprio e entender à luz da fé o núcleo central da mensagem revelada. A formação litúrgica deve facilitar aos leitores e leitoras certa percepção do sentido e da estrutura da Liturgia da Palavra e as motivações da relação entre a Liturgia da Palavra e a Liturgia Eucarística. A preparação técnica deve capacitar os leitores para que se tornem sempre mais aptos na arte de ler diante do povo, seja de viva voz, seja com a ajuda dos modernos instrumentos para a amplificação vocal” (Introdução ao Lecionário, 5).

2. Uma acolhida pessoal e muito carinhosa a todos que se aproximam, manifesta, desde o início da celebração, a bondade gratuita de Deus.

7- MÚSICA RITUAL

O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos cantar a liturgia e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com cada domingo, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são do Tempo Comum, é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado. A função da equipe de canto não é simplesmente cantar o que gosta, mas cantar o mistério da liturgia deste 30º Domingo do Tempo Comum. Os cantos devem estar em sintonia com o Ano Litúrgico, com a Palavra proclamada e com o sacramento celebrado. Nunca é demais lembrar que toda liturgia é uma celebração da Igreja corpo de Cristo e não de um grupo, de uma pastoral ou de um movimento.

Por que cantar um canto bíblico? O texto do salmo que cantamos é o texto da história da salvação. Não podemos fazer letra e falar aquilo que Jesus nunca falou ou que Ele não é. Exemplo: Deus é meu chapa, Deus é meu amigão, Deus é 10, Deus é meu mano, etc.

O canto litúrgico tem que ser bíblico ou de inspiração bíblica. O canto bíblico é memorial, isto é, recordação e atualização. Atualiza no hoje da nossa vida a ação de Deus. Não podemos esquecer que no ambiente da liturgia o foco é Cristo e seu Mistério Pascal e não o movimento ou a pastoral que pertencemos. É Ele que canta o Salmo na voz do salmista.

1. Canto de abertura. A alegria dos que busca a face de Deus (Salmo 104/105,3-4). As estrofes estão articuladas com o Salmo 129/130. “Exulte de alegria quem busca a Deus”, CD: Liturgia VII, melodia da faixa 14. “Exulte, quem procura a Deus” Hinário Litúrgico da CNBB, página 389,395.

2. Hino de louvor. “Glória a Deus nas alturas.” Vejam o CD Tríduo Pascal I e II e também no CD Festas Litúrgicas I; Partes fixas do Ordinário da Missa do Hinário Litúrgico III da CNBB e também a versão da CNBB musicado por Irmã Miria e Reginaldo Veloso e outros compositores.

O Hino de Louvor, na versão original e mais antiga, é um hino cristológico, isto é, voltado para Cristo, que exprime o significado do amor do Pai agindo no Filho. O louvor, o bendito, a glória e a adoração ao Pai (primeira parte do Hino de Louvor) se desdobram no trabalho do Filho Único: tirar o pecado do mundo, exprimindo e imprimindo na história humana a compaixão do Pai. Lembremo-nos: o Hino de Louvor não se confunde com a “doxologia menor” (Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo). O Hino de Louvor encontra-se no Missal Romano em prosa ou nas publicações da CNBB versificado numa versão que facilita o canto da assembléia.

3. Salmo responsorial 33/34. Deus atende ao justo, ao oprimido. “O pobre clama a Deus e ele escuta: o Senhor liberta a vida dos seus servos”, CD: Liturgia XII, melodia da faixa 12.

O Salmo responsorial é uma resposta que damos àquilo que ouvimos na primeira leitura. Isto mostra que o salmo é compromisso de vida e ele também atualiza e leitura para a comunidade celebrante. Primeira leitura, Palavra proposta e salmo Palavra resposta. Por isso deve ser cantado da Mesa da Palavra (Ambão) por ser Palavra de Deus. Valorizar bem o ministério do salmista.

4. Aclamação ao Evangelho. Louvemos nosso Deus que revela o seu mistério aos pequenos (Mateus 11,25). “Aleluia… Eu te louvo, ó Pai santo, Deus do céu Senhor da terra”, CD: Liturgia XI melodia da faixa 7. O canto de aclamação ao evangelho acompanha os versos que estão no Lecionário Dominical.

5. Apresentação dos dons. A escuta da Palavra e colocá-la em prática, deve gerar na assembléia a partilha para que ela possa ser sinal vivo do Senhor. Devemos ser oferenda com nossas oferendas. A oração sincera e confiante em Deus nos leva a partilhar. “Bendito seja Deus Pai, do universo criador“, CD: Liturgia VII, melodia da faixa 12.

6. Canto de comunhão. “Meu Deus, tem piedade de mim, que sou pecador” (Lucas 18,13b), articulado com o Salmo 102/103, que é um louvor a Deus que cura nossas enfermidades e perdoa os pecados. “Piedade, meu Deus, piedade”, CD: Liturgia XII, melodia da faixa 11.

8- O ESPAÇO CELEBRATIVO

1. “O altar dentro da Igreja goza da mais alta dignidade, merece toda honra e distinção, pois nele se realiza o mistério Pascal de Cristo, do qual é o símbolo por excelência. Pela sua dignidade e valor simbólico, o altar não pode ser um móvel qualquer ou uma peça sem expressão, mas precisa ser nobre, belo, digno, plasticamente elegante. Nada se sobrepõe ao altar. Ele pode ser realçado com a toalha, as velas, a cruz processional, as flores. Todos estes elementos devem enfatizar a sua nobreza e sobriedade, sem escondê-lo ou dificultar as ações litúrgicas”.

2. Os castiçais com as velas, a cruz processional, as flores sejam preferivelmente colocados ao lado, deixando a mesa livre para que apareçam os sinais sacramentais do pão e do vinho. A toalha, caindo somente nas laterais, sem esconder totalmente a frente do altar, pode ser colocada para a celebração da Eucaristia, dando ênfase ao banquete que o Senhor nos prepara. “Durante o dia, o altar pode permanecer desnudo ou com um ‘trilho’ na cor litúrgica do tempo” (Guia Litúrgico Pastoral, páginas 105-106).

9. AÇÃO RITUAL
A celebração do Mistério Pascal do Jesus revela não somente quem Deus é, mas também quem somos nós. Os ritos que realizamos evidenciam nossa condição humilde diante da grandeza e onipotência de Deus que em sua clemência nos convida a ser melhores. Deus nos dá “sua palavra” de que isso é possível (e para que isso seja possível), para que assumamos o quão humanos somos, a fim de que enxerguemos o quanto divinos podemos nos tornar.

Ritos Iniciais

1. Neste 30º Domingo do Tempo Comum podemos perceber uma sintonia entre a Antífona de Entrada e a de Comunhão que exprimem a vida de oração como permanência sob o olhar de Deus. Por isso sugerimos que o canto de abertura “Exulte de alegria” do CD: Liturgia VII, modificando, entretanto, o refrão para a seguinte versão da Antífona de Entrada:

A vós, buscamos, Senhor,
Porque atendeis e ouvis o clamor
E ouvis o clamor:
Guardai-nos à luz do vosso olhar!

2. Logo após o beijo do Altar e terminado o canto de abertura, como saudação inicial propomos a fórmula “d” do Missal Romano:

“O Deus da esperança, que nos cumula de toda alegria e paz em nossa fé, pela ação do Espírito Santo, esteja convosco” (Romanos 15,13).

3. Em seguida, dar o sentido litúrgico da celebração. O Missal deixa claro que o sentido litúrgico da celebração pode ser feito pelo presidente, pelo diácono um leigo/a devidamente preparado (Missal Romano página 390).

4. O sentido litúrgico pode ser proposto, através das seguintes palavras, ou outras semelhantes:

Domingo do fariseu e do publicano. O Senhor nos conta a parábola do fariseu que se orgulha de sua justiça e do publicano que se humilha, e nos introduz em um caminho de humildade. Celebramos a Páscoa de Jesus Cristo que se manifesta na vida dos humilhados e sofredores.

5. Após a saudação inicial, apresentar o sentido da celebração, abrindo para a recordação da vida, com acontecimentos que marcaram a semana que passou: fatos tristes e alegres da comunidade, do país e do mundo que são as manifestações da Páscoa do Senhor na vida. Trazer os fatos de maneira orante e não como noticiário.

6. O sentido do Ato Penitencial nos ritos iniciais pode ser apreendido pela própria forma com a qual é realizado. Trata-se de uma confissão geral (cf. IGMR 51). Por confissão geral, se entende não a descrição de pecados, mas da condição pecadora do fiel, no sentido de evidenciar aquela humildade de que fala o trecho evangélico a ser proclamado nesta celebração. Assumimos o último lugar para que Deus nos convide e nos eleve para o primeiro. Deixamos que Deus seja Deus e realize em nós a Páscoa vitoriosa de seu filho, conforme diz a exortação ao rito prevista no Missal: “No dia em que celebramos a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte, também nós somos convidados a morrer ao pecado e ressurgir para uma vida nova. Reconheçamo-nos necessitados da misericórdia do pai”.
Assim, lembramos:

a) No Rito Latino (Romano) existem apenas três formas de realizar o que se chama Ato Penitencial:
As duas primeiras centram a atenção na “condição do fiel”:

* A fórmula “Confesso a Deus”;
* O diálogo “Tende Compaixão”

A fórmula 3 centra a atenção na face misericordiosa de Deus, manifesta em cristo:

* A forma tropária, com invocações antepostas ao Kyrie que é trazido para dentro do Rito Penitencial: “Senhor, que sois o caminho que nos leva ao Pai, tende piedade de nós…” Aqui, é importante frisar que, mesmo ligado ao Ato Penitencial, o Kyrie permanece com o sentido original de ser primeiramente aclamação a Cristo Salvador e não pedido de perdão. Prova disso são as várias opções apresentadas pelo Missal que não trazem nenhum tipo de “pedido genérico de perdão” (pelas vezes que fomos egoístas, etc.).

b) Portanto, não tem sentido e é um abuso:

* Cantar cantos de perdão e confissão genérica de pecados no lugar do Ato Penitencial, mesmo que contenham a expressão “Senhor, piedade” ou equivalente (Misericórdia, Senhor; Tende pena de nós);

* Confundir o Kyrie com o Ato Penitencial, rezando ou cantando-o sem as inovações prévias – O Ato Penitencial só é substituído na Missa dominical pelo Rito de aspersão; O Ato Penitencial pode não figurar na celebração eucarística, quando os ritos iniciais são modificados a depender a celebração: por ex. na Festa da Apresentação do Senhor, no Domingo de Ramos, na Vigília Pascal, na Quarta-Feira de Cinzas, etc.

7. Neste domingo, sugerimos que se use a fórmula 1 (Confesso a Deus). Pode-se fazer destaque do gesto de “bater no peito” – o mesmo usado pelo publicano no Evangelho.

Concluir com o Kyrie eleison (Senhor tende piedade de nós_.

8. Na Oração do Dia deste domingo suplicamos a Deus: “dai-nos amar o que ordenais, para conseguirmos o que prometeis”.

Rito da Palavra

1. Após a homilia, fazer uns momentos de silêncio em seguida pode-se cantar o refrão: Confiemo-nos ao Senhor, Ele é justo e tão bondoso (CD: Coração Confiante, Paulinas/COMEP).

2. Terminando o rito, todos são convidados a professar a fé, prolongando esta atitude de confiança irrestrita no Senhor.

Rito da Eucaristia

1. Na Oração sobre o pão e o vinho celebramos o sacrifício de tal modo, que sirva para honrar a Deus.

2. Recomendamos a Oração Eucarística VII (Sobre Reconciliação I). Recorde-se que em caso de prefácio móvel, somente as orações eucarísticas I, II e III devem ser escolhidas. Se for escolhidas uma dessas orações eucarísticas, escolher o Prefácio dos Domingos do Tempo Comum IV, Cristo nos justificou por sua morte. “Nascendo na condição humana, renovou inteiramente a humanidade. Sofrendo a paixão, apagou nossos pecados. Ressurgindo, glorioso, da morte, trouxe-nos a vida eterna. Subindo, triunfante, ao céu, abriu-nos as portas da eternidade”. O grifo no texto identifica aqueles elementos em maior consonância com o Mistério celebrado neste Domingo e que pode ser aproveitado na própria, ao modo de mistagogia. Usando este prefácio, o presidente deve escolher a I, II ou a III Oração Eucarística. A II admite troca de prefácio. Nunca é demais lembrar que as demais não podem ter os prefácios substituídos sem grave prejuízo para a unidade teológica e literária da eucologia.

3. Seria muito oportuno o convite à comunhão do Salmo 33,9 página 503 do Missal Romano, que expressa como Deus é bom:

“Provai e vede como o Senhor é bom; feliz de quem nele encontra seu refúgio”.

Ritos Finais

1. Na oração pós-comunhão contemplamos a fecundidade do sacramento e real posse do que a celebração significa.

2. Recomendamos a bênção solene do Tempo Comum III, para que o envio seja a completude da Palavra celebrada.

3. As palavras do rito de envio podem estar em consonância com o mistério celebrado: Orai a Deus com sinceridade. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.

10- CONSIDERAÇÕES FINAIS

Reconhecemo-nos pecadores, necessitados de perdão é o caminho para sermos salvos. Esse reconhecimento não nos atinge com em passe de mágica. É antes de mais nada, o exercício de quem se coloca a serviço de Deus, para uma jornada que se fará entre percalços, erros e dificuldades, mas que nos dará a consciência de nossa pequenez.

O objetivo da Igreja e da nossa equipe diocesana de liturgia é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas aquelas outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.

Um abraço fraterno a todos
Pe. Benedito Mazeti

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