Artigos, Pe. Bendito Mazeti › 26/10/2016

31º DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO C – 30 de outubro de 2016

Leituras

Sabedoria 11,22-12,2: O Senhor é Soberano e amigo da vida.
Salmo 144/145,1-2.8-9.10-11.13cd-14: Misericórdia e piedade é o Senhor.
Tessalonicenses 1,11-2,2: Não cessamos de rezar por vós
Lucas 19,1-10: Zaqueu desce depressa, que hoje preciso ficar em tua casa.

“HOJE A SALVAÇÃO ENTROU NESTA CASA”

7
1- PONTO DE PARTIDA

Domingo de Jesus na casa de Zaqueu. Recebemos, como Zaqueu, a visita do Senhor em nossa casa e apresentamos a Ele nossos compromissos de vida nova.

Celebramos a Páscoa de Jesus Cristo que se manifesta em todas as pessoas e grupos missionários que rompem barreiras e estabelecem novas relações.

Estamos concluindo o mês missionário, a celebração de hoje nos apresenta Deus que ama e espera que seus filhos e filhas voltem para Ele. A missão da Igreja tem a finalidade de ajudar as pessoas através do anúncio de Jesus Cristo a encontrarem o verdadeiro sentido de suas vidas, para que possam colaborar na missão e não desanimar mesmo frente às perseguições.

No momento em que Zaqueu recebe Jesus em sua casa e decide mudar sua vida, repartindo os bens e devolvendo o que roubou, Jesus proclama que a salvação entrou naquela casa.

Não me abandones jamais, Senhor! Meu Deus, não fiques longe de mim! Depressa vem em meu auxílio, ó Senhor, minha salvação! (Salmo 38,22-23).

2- REFLEXÃO BÍBLICA, EXEGÉTICA E LITÚRGICA

Contemplando os textos

Primeira leitura – Sabedoria 11,22-12,2. O Livro da Sabedoria se divide em três grandes partes: Sabedoria 1-5 aconselha a amar a justiça em vista do contraste justo-ímpio; Sabedoria 6-9 louva a sabedoria; Sabedoria 10-19 mostra a sabedoria na história: Deus protege fielmente seu povo e o abençoa. A sabedoria salva o justo mediante um profeta santo: Moisés (Sabedoria 10,1-11,1).

O texto da liturgia de hoje Sabedoria 11,23-12,2 coloca a Onipotência divina como fundamento de sua misericórdia, relacionando-as na ordem da criação e da especial tutela para com as pessoas.

No versículo 23 Deus todo-poderoso pode fazer justiça contra os pecadores como e quando quer (versículo 17-22); entretanto atua com misericórdia, tem compaixão de todos – justos e ímpios – porque Ele pode tudo; protela o castigo para que as pessoas se arrependam, “fecha os olhos sobre os pecados dos homens” (versículo 23; cf. Eclesiástico 12,16; 18,13). São Tomás de Aquino ensina que o exercício da misericórdia é expressão cabal da onipotência divina, porque perdoando e tendo piedade com as pessoas, as faz participantes de um bem infinito, efeito último do poder divino, já que o efeito da misericórdia divina é o fundamento de todas as obras de Deus (Suma Teológica, I, 21,4; 25,3). Só pode perdoar quem tem poder par isso. O amor de Deus para com suas criaturas culmina na pessoa humana e, para que esse amor não resulte inútil, é preciso resgatar e converter o pecador. É o que visa a bondade do Senhor (cf. Ezequiel 33,11; Romanos 2,4; 2Pedro 3,9).

O versículo 24 afirma que foi o amor que moveu Deus a criar o mundo. Antes de existir, Ele amou. Pelo fato de existirem, as criaturas são boas como seres humanos (Suma Teológica, I, 20,2), participam das perfeições divinas. Deus ama as criaturas como o artista estima a sua obra, como pai ama seus filhos.

O versículo 25 nos mostra que o amor de Deus é dinâmico, sempre atuante. Ele não se contenta apenas em contemplar a sua obra. Mantém as criaturas na existência, conserva-se em sua variedade e atividade. Tudo é obra de seu amor. Afirma-se aqui a total dependência delas. Nada existe sem Ele, nada surge do ódio divino. A soberania de Deus não destrói a natureza das coisas, nem as diviniza como na filosofia panteísta, mas as faz ser o que são de maneira transcendental. Tudo o que existe evoca a ação criadora de Deus, seu amor, sua bondade.

O versículo 26 retoma o tema da compaixão, da bondade e da providencia divinas para com todos os seres, porque são seus, obra de suas mãos e, conseqüentemente, deles é Senhor (versículo 24s), que ama a vida. A pessoa humana, entre todos os seres, goza de especial preferência, porque traz em si a imagem e semelhança de Deus, razão pela qual Deus perdoa a todos sejam quais forem os pecados, contando que se arrependam.

Em Sabedoria 12,1 apresenta-se o motivo da bondade de Deus pelas criaturas (11,26): por ser o Espírito de Deus incorruptível e imortal, está presente em todo o universo para vivificá-lo (cf. 1,7; 7,24; 8,1).

Sabedoria 12,2 resume 11,23-26. É a pedagogia divina com os pecadores, cheia de misericórdia, a qual prenuncia a do Novo Testamento (Lucas 15,14ss). “Aqueles que caem” (Sabedoria 11,23, os pecadores são castigados com brandura, sendo corrigidos aos poucos (Sabedoria 11,9) e não de uma vez, sem serem aniquilados). É a paciência divina que sabe esperar e dar tempo para a conversão (Sabedoria 12,10, corrigindo, censurando). A meta dessa paciência divina é levar o pecador, com o auxílio da graça divina, a deixar o seu pecado, confiar em Deus e entregar-se a Ele, radicalmente, a fé que leva a mudar de vida (cf. Gálatas 5,6). Tudo dentro de uma linha universalista.

Salmo responsorial – Salmo 144/145,1-2.8-11.13-14. O convite começa na primeira pessoa do singular. Domina o tema do Reino de Deus. O tema comum é a misericórdia de Deus. O Salmo 144/145, diante da beleza da criação, que é reflexo da magnitude e perfeição do Criador, bendiz o nome do Senhor. Afirma que o Senhor é misericórdia, piedade, amor, paciência e compaixão. O Senhor ama a todos e é bom para com todos: sua ternura abraça toda a criatura. Vale a pena retomar as afirmações do Salmo a respeito de Deus, pois resumem e expressam muito bem o que a liturgia toda proclama.

O rosto de Deus. Os títulos dados a Javé sintetizam o rosto de Deus neste salmo: grande, piedoso, bom, fiel, amoroso e justo. A expressão “meu Deus” (versículo 1b) o mostra como aliado que faz justiça, defendendo os encurvados da ganância dos injustos.

Este salmo ecoa de muitos modos em Jesus, principalmente em suas obras maravilhosas. Ele amparou os que caiam e, literalmente, endireitou os encurvados (Lucas 13,10-17). O reino por Ele inaugurado não tem fim Lucas 1,34), está sempre mais próximo (Marcos 1,15) e nos compromete (Mateus 10,7).

Cantando este Salmo façamos nossa a prece do salmista bendizendo a Deus por sempre nos perdoar com paciência e compaixão.

BENDIREI ETERNAMENTE VOSSO NOME;
PARA SEMPRE, Ó SENHOR, O LOUVAREI!

Segunda leitura – Tessalonicenses 1,11-2,2. “Será glorificado em vós o nome de nosso Senhor Jesus, e vós nele”. Paulo como costumava fazer, termina a introdução da carta com uma oração (1Tessalonicenses 1,2; 3,11ss; Filipenses 1,3.9; Romanos 1,8.10), que confirma sua disposição de sempre rezar pelas comunidades por ele fundadas.

“… Para que o nosso Deus vos faça dignos da sua vocação” (versículo 11b). Deus que chamou os tessalonicenses, faça-os dignos desse chamado! A Deus é atribuído o chamamento, assim co o a realização de tal chamado. O que se dizia do povo do Primeiro Testamento, agora é dito desta comunidade. Enquanto são eleitos, o que inclui uma certa preferência por parte de Deus, mas também como uma responsabilidade, pois eles devem frutificar no bem e ter uma fé ativa. Ser digno da vocação será fazer o bem, isto é, tornar a fé uma realidade dinâmica na vida, onde as obras da fé serão uma manifestação sensível da vocação interior, dom de Deus.

A realização concreta dessa vocação é a glorificação de Cristo na pessoa humana, garantia da glorificação da pessoa humana em Cristo. O nome, que representa, concretiza e identifica a pessoa, é o próprio Cristo. Glorificar o nome de Jesus Cristo é glorificá-lo, e esse é o fim de toda obra redentora de Deus, ser glorificado em seu Filho e em seus filhos e filhas. Então, já agora os fiéis glorificam a Deus por suas vidas, santas pelo amor ao bem e a prática da fé. Em comunhão com Cristo também desde agora começam a ser glorificados. Dizer que os cristãos serão glorificados só na Eternidade, quando for manifestado o poder de Cristo neles é condicionar a participação na glória à contingência de tempo. É verdade que essa glorificação se completará na Eternidade, mas é também certo que “aqui e agora” ela começa.

Na segunda parte da leitura, Paulo procura contestar falsos ensinamentos, quanto à vinda de Jesus Cristo, que lhe são atribuídos, e lembra os dois momentos cruciais do fim dos tempos: a vinda do Senhor e o agrupamento do povo messiânico ao seu redor. Para alguns esse dia já iniciara, e por não saberem discernir o que era ensinamento de Paulo dos falsos ensinamentos, não se importavam mais com nada e deixaram até de trabalhar (2Tessalonicenses 3,10-12). Paulo diz que não merecerem crédito as palavras que os exaltados lhe atribuíam, nem se deveria dar ouvidos aos falsos profetas. Certamente se trata dos profetas presentes na comunidade, que entusiasmados chegavam a profetizar falsamente nas assembléias.

Diante desta leitura nos vem em mente os falsos profetas de hoje, e o medo que insinuam no povo simples. Para o nosso povo que se amedrontam com os falsos profetas do “fim do mundo” convém lembrar o convite da carta: “não vos perturbeis”; e aos falsos profetas de hoje a palavra de Cristo: “daquele dia e da hora, ninguém sabe… nem o Filho, mas só o Pai” (Mateus 24,36 cf. Atos 1,6-7).

Evangelho – Lucas 19,1-10. Lucas insere esta narração no fim da viagem salvífico-messiânica de Jesus, pois Ele está atravessando Jericó (Lucas 19,1) e estava próximo de Jerusalém (Lucas 19,11).

As parábolas do fariseu e do cobrador de impostos (Lucas 18,9-14); Jesus e as crianças (Lucas 18,15-17); o jovem rico (Lucas 18,18-27) e a cura do cego de Jericó (Lucas 18, 31-43). Esses elementos são retomados no relato de Zaqueu com novas dimensões, pois Zaqueu não perde a oportunidade nem volta atrás como o jovem rico, mas se converte. Ao mesmo tempo o episódio vem revelar o que significam os acontecimentos iminentes em Jerusalém: Jesus consegue cumprir bem a sua missão salvadora.

A história de Zaqueu é exclusiva do Evangelho de Lucas. Sintetiza dramaticamente alguns temas importantes do discipulado, no momento em quem Jesus se aproxima de Jerusalém: a riqueza acumulada por vias injustas, o comer com publicanos e pecadores, a murmuração contra Jesus… Zaqueu como “chefe dos coletores de impostos”, tinha mais oportunidade de roubar, não os romanos, mas os pobres cidadãos. Por isso, Zaqueu é considerado um pecador. Embora seja pessoa de certa importância, sua posição não o impede de subir numa árvore nem de admitir publicamente a sua culpa e professar seu arrependimento. Jesus vai comer na casa de um pecador e desta vez Jesus não espera ser convidado, mas Ele mesmo se convida. Jesus toma a iniciativa, mas a sua palavra não seria eficaz se Zaqueu não estivesse disposto a aceitá-la.

O apego dos fariseus à Lei e ao judaísmo, que reservavam para si o título de filhos de Abraão. Zaqueu é um homem profundamente marcado pelo paganismo, embora não seja um pagão. O povo judeu e, sobretudo, os fariseus tinham aversão e desprezo aos publicanos e cobradores de impostos e os consideravam como pagãos porque estavam a serviço dos romanos, poder dominante.

O tema do relacionamento de Jesus com os cobradores de impostos e os pecadores aparece freqüentemente nos evangelhos, pelo que possui um fundo histórico.

O significado de Jericó é desconhecido e discutido. Em hebraico é Yerihõ e Yerehô de Yareah (lua) donde é denominada geralmente cidade da lua ou cidade das palmeiras (juízes 3,13). Atualmente chama-se Erihã ou Er-Rihã. É a cidade mais antiga da Palestina e uma das mais antigas conhecidas até hoje (8 a 4 milênios antes de Cristo). Foi várias vezes destruída. Localiza-se quase nos limites entre a Judéia e a Peréia, tornando-se passagem para os que vinham da Galiléia (caminho mais longo) e dirigiam-se para Jerusalém. Naquele tempo era uma cidade muito importante por causa da passagem de caravanas. E do comércio do bálsamo. Era o centro tributário da Arábia e por ai escoava o tráfico da Transjordânia e da Arábia para a Judéia. Por isso os romanos colocaram lá muitos cobradores de impostos.

Jesus toma a iniciativa e se oferece para ir à casa de Zaqueu, chamando-o pelo nome, como se fossem velhos amigos. Dar nome é raro em Lucas, visto que geralmente fala de um modo impessoal para que a mensagem sirva para todos. O nome indica a essência e a missão da pessoa. De fato, Zaqueu, convertendo-se, tornava-se “puro”, “inocente” com a missão de praticar a justiça.

O versículo 9 conclui a leitura com as palavras de Jesus dirigidas à multidão, embora ele esteja dentro da casa para dar uma explicação aos que o acompanhavam da atitude que tomar: à casa de Zaqueu (toda a família) veio a salvação porque Zaqueu também pertence duplamente à descendência de Abraão, isto é, pelo vínculo de sangue, porque era israelita pelo vínculo da fé que o salvou. É uma resposta à murmuração dos fariseus que se julgavam os únicos herdeiros das promessas abraâmicas. Lucas amplia assim o conceito de filiação de Abraão também para aqueles que não são de seu sangue, mas vivem a fé.

No versículo 10 Jesus aparece como o Salvador e o Libertador em que se cumprem os tempos messiânicos. Em Jesus se realiza o “hoje” da salvação, “Oxalá ouvísseis hoje a sua voz” (cf. Salmo 94/95,7b). A salvação messiânica cumpre-se concretamente em Zaqueu e sua família pela libertação do pecado. A fé em Cristo o salvou.

A condição fundamental para que Deus aplique sua misericórdia libertadora a qualquer pessoa humana, possibilitando-lhe assim a salvação e fazendo-o participar nas promessas abraâmicas, é o compromisso de fé em Jesus Cristo e não os laços de sangue.

3- DA PALAVRA CELEBRADA AO COTIDIANO DA VIDA

No coração do ser humano existe uma bênção original, uma faísca divina, uma imagem da compaixão de Deus, com seu chamado persistente a libertar-se de qualquer culpa ou medo que o impeça de gozar da sua bondade e de uma imagem positiva de nós mesmos. Há uma dignidade humana que está além de qualquer comportamento ou do papel que exercemos na sociedade, pelo simples fato de sermos humanos. Jesus vê em Zaqueu um filho de Abrão que deveria não ser condenado, mas sim receber ajuda para encontrar o caminho de volta à sua identidade original. Desta forma, a salvação não depende se os atos humanos seguem ou não as normas sociais ou religiosas. A salvação é um dom de Deus que, dado aos humanos, renova-os radicalmente e os faz agir a partir deste núcleo mais profundo que é a própria existência de Deus em nós.

A palavra final de Jesus, “hoje a salvação entrou nesta casa”, sintetiza, para Lucas, a missão de Jesus, que é a de visitar seu povo e o libertar, anunciada por Zacarias em seu canto (Lucas 1,68). É também a missão dos discípulos para com aqueles que têm a dignidade humana desfigurada. É um apelo para continuar a defesa inegociável dos direitos humanos e a aposta firme na capacidade dos pobres de transformar suas vidas e a vida das sociedades.

Em nossa celebração, acolhamos a salvação como um dom de Deus que nos é dado por Jesus Cristo, muito além de nossa prática religiosa ou de nossa atuação humana.

Depois de refletir sobre tudo isso, qual a nossa atitude para com aqueles a quem excluímos da nossa convivência? Vamos justificar o que está errado na sociedade, no nosso ambiente, na nossa família, no nosso trabalho? Claro que não. Precisamos de senso crítico (cristão)!; não podemos tolerar tudo ou fechar os olhos fazendo-nos até cúmplices, por certo comodismo. Precisamos consertar os desvios e trabalhar por um mundo fraterno e justo. Por outro lado, saibamos julgar com critério e não levianamente.

Certo é que não conseguimos muito com dureza e violência. Jesus dá uma dica: amor, compreensão, confiança no outro…O amor toca o coração, o afeto, a estima, o sentir-se valorizado. Tudo isto ajuda o outro a tomar coragem e mudar de caminho. Isto se aplica, especialmente, às nossas relações familiares. Por que certas pessoas se sentem excluídas na família? Também a família deve se perguntar o que está ou foi errado e o que causou os problemas: ausência dos pais, falta de atenção, desarmonia familiar…

Esta semana, poderíamos pensar numa pessoa do nosso convívio, um membro da nossa família, um colega de trabalho ou outra pessoa das nossas relações e aproximarmo-nos dela mostrando amizade, amor e confiança. Talvez até possamos descobrir valores dessa pessoa que não tínhamos percebido antes. Jesus nos deu o exemplo, e com que resultado!

4- A PALAVRA SE FAZ CELEBRAÇÃO

Deus de poder e misericórdia

Há quem não goste de chamar Deus de “todo-poderoso”. Talvez porque esqueçam que seu poder e força residem na bondade e na justiça. A celebração deste domingo começa, exatamente, recorrendo à imagem de Deus como poder e misericórdia (cf. Oração do Dia). E também, que se Deus deixar o seu “trono de poder” vazio, certamente não faltará quem queira ocupá-lo.

Gregório de Nazianzo no século IV, ao justificar sua recusa de se tornar bispo, fala da vergonha que sente dos que se aproveitam daqueles que não vêem o lugar de poder que exercem como exemplo de virtude, mas se apropriam dele como meio de vida deixando de lado o caráter de ministério. Esse, parece ser, exatamente, o crime de que Zaqueu e os publicanos, seus empregados, são acusados: usar da posição para defraudar os outros e ganhar a vida. A conseqüência é ser malvistos e maltratados pelos seus.

Jesus que parecia ter muita influência na sociedade de então, não se utiliza de sua posição para defraudar, mas assume a posição de quem deseja recuperar a obra criada, a fim de salvá-la. Por isso, não cansamos de repetir em nossas liturgias que Ele é compaixão, piedade e misericórdia no canto do Kyrie eleison.

Jesus nos salva como ser humano

O prefácio dos domingos do tempo comum III reza: “Nós reconhecemos ser digno de vossa imensa glória vir em socorro de todos os mortais com a vossa divindade. E servir-se de nossa condição mortal para nos libertar da morte e abrir-nos o caminho da salvação”. Ora, a experiência de Jesus com Zaqueu ao se tornarem convivas é a mesma mesa, não obstante o quanto defraudamo-nos uns aos outros dos nossos lugares de poder. Mas, tal experiência que a liturgia media, revela aquele cuidado que o próprio Senhor Deus teve em se misturar com a obra criada, para recuperá-la das fraudes que sofreu. O Prefácio, o Evangelho, a Liturgia ensinam que Deus nos salva, misturando-se conosco. A divindade se mistura com a humanidade. Do mesmo modo, como Igreja, podemos cooperar na obra da salvação misturando-nos com aqueles e aquelas que defraudam a vida humana e o mundo com o intuito de preservar o que é bom, justo e verdadeiro.

5- LIGANDO A PALAVRA COM A AÇÃO EUCARÍSTICA

A liturgia da Palavra nos anuncia a misericórdia divina que nos chama à conversão. “A conversão nasce do anúncio e por ele se sustenta; por sua vez, o discipulado, fiel ao chamado amoroso e íntimo do Mestre, deve traduzir-se sempre em serviço, humanizador e libertador, à vida; a comunhão deve traduzir-se em testemunho de comunhão dentro da comunidade cristã; bem como em diálogo dos que buscam o Reino de coração sincero.” (DGAE, n. 53).

A Eucaristia é o alimento da caminhada dos discípulos missionários. Quando falamos em Missão Continental, sabemos que é objetivo de nossa Igreja, conforme o mandato de Jesus cristo, anunciar a todos o Evangelho, para que, em Cristo, nossos povos tenham vida plena. Os cristãos só poderão ser missionários de fato se estiverem totalmente imbuídos da força de Deus pela Eucaristia celebrada e recebida na comunidade.

Na celebração eucarística também se manifesta a comunhão dos membros do povo de Deus em torno do altar. Comunhão entre si, todas as pessoas e com Deus.

Zaqueu muda de vida depois de seu encontro com Jesus. A Eucaristia deve produzir também em nós – individual e coletivamente – mudança que torne visível o amor de Deus acontecendo.

6. ORIENTAÇÕES GERAIS

1. Falando da importância da preparação, recordamos que para a participação de toda a assembléia ser “plena, consciente e ativa” (Sacrosanctum Concilium, n.14) é conveniente que a preparação desenvolva-se com os seguintes passos: 1º: pedir as luzes do Espírito Santo; 2º: avaliar a celebração anterior; 3º: aprofundar e conversar sobre o que se vai celebrar; 4º: ler e aprofundar as leituras bíblicas e as orações; 5º: exercitar a criatividade; 6º: escolher os cantos relacionados com o mistério celebrado; 7º: elaborar o roteiro; 8º: distribuir os vários ministérios e serviços.

2. Uma acolhida pessoal e muito carinhosa a todos que se aproximam, manifesta, desde o início da celebração, a bondade gratuita de Deus.

3. A mesa da Palavra e a mesa da Eucaristia formam um só ato de culto; portanto, é preciso manter um equilíbrio de tempo entre as duas. Demasiada atenção dada à procissão com o Lecionário ou com a Bíblia, homilias prolongadas, introduções antes das leituras parecendo comentários ou pequenas homilias, tudo isso prejudica o rito eucarístico, que em conseqüência acaba sendo feito às presas.

4. Quarta-feira é a comemoração de todos os fiéis defuntos. No dia 3, lembramos Martinho de Lima, irmão dedicado à medicina popular no Peru. Dia 4, fazemos memória de Carlos Borromeu, amigo dos pobres

7- MÚSICA RITUAL

O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos cantar a liturgia e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com cada domingo, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são do Tempo Comum, é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado. A função da equipe de canto não é simplesmente cantar o que gosta, mas cantar o mistério da liturgia deste 31º Domingo do Tempo Comum. Os cantos devem estar em sintonia com o Ano Litúrgico, com a Palavra proclamada e com o sacramento celebrado. Nunca é demais lembrar que toda liturgia é uma celebração da Igreja corpo de Cristo e não de um grupo, de uma pastoral ou de um movimento.

A equipe de canto faz parte da assembléia. Não deve ser um grupo que se coloca à frente da assembléia, como se estivesse apresentando um show. A ação litúrgica se dirige ao Pai, por Cristo, no Espírito Santo. Portanto, a equipe de canto deve se colocar entre o presbitério e a assembléia e estar voltada para o altar, para a presidência e para a Mesa da Palavra.

Ensina a Instrução Geral do Missal Romano que o canto de abertura tem por objetivo, além de unir a assembléia, inseri-la no mistério celebrado (IGMR nº 47). Nesse sentido o Hinário Litúrgico III da CNBB nos oferece uma ótima opção, que estão gravados nos CDs Liturgia VI e XI.

1. Canto de abertura. (Salmo 38/37,22-23) Deus é fiel e atende o nosso pedido e estrofes do Salmo 143/144. “Não me abandones, Senhor”. Música da faixa nº 15, CD Liturgia VII.

2. Hino de louvor. “Glória a Deus nas alturas.” Vejam o CD Tríduo Pascal I e II e também no CD Festas Litúrgicas I; Partes fixas do Ordinário da Missa do Hinário Litúrgico III da CNBB e também a versão da CNBB musicado por Irmã Miria e Reginaldo Veloso e outros compositores.

O Hino de Louvor, na versão original e mais antiga, é um hino cristológico, isto é, voltado para Cristo, que exprime o significado do amor do Pai agindo no Filho. O louvor, o bendito, a glória e a adoração ao Pai (primeira parte do Hino de Louvor) se desdobram no trabalho do Filho Único: tirar o pecado do mundo, exprimindo e imprimindo na história humana a compaixão do Pai. Lembremo-nos: o Hino de Louvor não se confunde com a “doxologia menor” (Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo). O Hino de Louvor encontra-se no Missal Romano em prosa ou nas publicações da CNBB versificado numa versão que facilita o canto da assembléia.

3. Salmo responsorial 144/145. A bondade de Deus para com as suas criaturas. “Bendirei eternamente vosso nome; para sempre, ó Senhor, o louvarei”! faixa nº 12, CD Liturgia XII.

O Salmo responsorial é um dos cantos mais importantes da Liturgia da Palavra. É o único canto da Missa que nunca deve ser substituído por outro canto. Ele faz parte do Lecionário e foi escolhido em relação com as leituras especialmente com a primeira. Seria empobrecer a Liturgia da Palavra substituir o Salmo por qualquer canto religioso, já que é um texto bíblico pelo qual Deus fala a seu povo e tem íntima relação com a leitura bíblica. Seria antipedagógico transformar a Missa numa espécie de festival de canções religiosas que nada têm a ver com a ação litúrgica.

4. Aclamação ao Evangelho. (Isaias 61,1). “Aleluia… O Espírito do Senhor”, melodia da faixa nº 13, CD Liturgia XII. O canto de aclamação ao evangelho acompanha os versos que estão no Lecionário Dominical.

5. Apresentação dos dons. A escuta da Palavra e colocá-la em prática, deve gerar na assembléia a partilha para que ela possa ser sinal vivo do Senhor. Devemos ser oferenda com nossas oferendas. A conversão sincera em Deus nos leva a partilhar. “Procuro abrigo nos corações, de porta em porta desejo entrar”. Hinário Litúrgico da CNBB, página 366. Este canto é muito oportuno hoje porque expressa que nossas casas são lugares onde a salvação de Deus acontece. Ou pode ser também: “Bendito seja Deus Pai, do universo criador“, CD Liturgia VII, faixa 12.

6. Canto de comunhão. (Lucas 19,5 e estrofes do Salmo 103/102). É um louvor a Deus que cura as nossas enfermidades. “Desce logo, Zaqueu, desce logo”, melodia da faixa nº 11, CD Liturgia XII; “Ensinai-me os caminhos da vida”, Hinário Litúrgico da CNBB, página 389,395.

O canto de comunhão deve retomar o sentido do Evangelho de cada Domingo. Esta é a sua função ministerial. Na realidade, aquilo que se proclama no Evangelho nos é dado na Eucaristia, ou seja: é o Evangelho que nos dá o “tom” com o qual o Cristo se dirige a nós em cada celebração eucarística reforçando estes conteúdos bíblico-litúrgicos, garantindo ainda mais a unidade entre a mesa da Palavra e a mesa da Eucaristia. Isto significa que comungar o corpo e sangue de Cristo é compromisso com o Evangelho proclamado. Portanto, o mesmo Senhor que nos falou no Evangelho, nós o comungamos no pão e no vinho. É de se lamentar que muitas vezes são escolhidos cantos individualistas de acordo com a espiritualidade de certos movimentos, descaracterizando a missionariedade da liturgia. Toda liturgia é uma celebração da Igreja e não existem ritos para cada movimento e nem para cada pastoral. Cantos de adoração ao Santíssimo, cantos de cunho individualista ou cantos temáticos não expressam a densidade desse momento. Tipos de cantos que devem ser evitados numa celebração eclesial: “Eu amo você meu Jesus”; “Ti olhar, ti tocar”; “Fica comigo Jesus”, “Eu quero subir…”

7. Desafio para os instrumentistas. É transformar as ondas sonoras do violão, do teclado e dos outros instrumentos na voz de Deus, isto é, em sintonia com o coração de Deus. Muitas vezes os instrumentistas acham que para agradar a Deus e o povo é preciso barulho e agitação. É preciso uma conscientização maior dos instrumentistas de que Deus não gosta do barulho. Assim fala o Senhor: “Afasta de mim o barulho de teus cantos, eu não posso ouvir o som de tuas harpas” (Amós 5,23). Deus gosta da brisa leve, da serenidade, da mansidão, do silêncio… Veja o exemplo da experiência que o profeta Elias fez de Deus na brisa suave e não na agitação do furacão, nem do terremoto e nem do fogo (1Reis 19,11-13). É preciso muito cuidado com os instrumentos de percussão. As equipes de canto e as bandas barulhentas, não expressam aquilo que Deus é, mas aquilo que os músicos são. “O barulho não faz bem, o bem não faz barulho” (São José Marello).

8- O ESPAÇO CELEBRATIVO

1. É preciso ter consciência que o primeiro espaço a ser cuidado e ser valorizado são as pessoas, o espaço por excelência. Na Igreja primitiva os cristãos ainda não tinham locais para as suas celebrações, mas mesmo assim celebravam nas casas. Os santos padres faziam questão de lembrar aos cristãos que o templo não são as paredes e os muros, mas as pessoas que se reúnem e forma a assembleia celebrante. Nos primeiros séculos do Cristianismo, as casas onde os cristãos se reuniam se chamavam “domus eclesiae”, isto é, a casa da Igreja.

2. Por isso, o espaço de nossas igrejas devem ser belo, sem ser luxuoso; deve ser simples, sem ser desleixado; deve ser aconchegante para que todos se sintam participantes do banquete. Portanto, o lugar da celebração deve ser preparado para as núpcias do Cordeiro.

9. AÇÃO RITUAL

A celebração eucarística é ocasião de convivência com a divindade. Ela nos oferece participar de sua vida ao fazermos memória da Páscoa de Jesus. Experimentamos, então, o “Hoje da Salvação” acontecendo em nós e para nós. É Deus que continua interessado por nós em sua clemência e misericórdia.

Ritos Iniciais

1. Devemos lembrar que a procissão (seja na entrada, na apresentação dos dons ou na comunhão) não são gestos funcionais, apenas. Primeiro, sendo um “rito religioso de significado universal” simboliza o mover-se para a reunião, comunhão e unidade. A procissão é oportunidade não somente de se estabelecer a ligação entre saída e chegada, ir de um lugar a outro, mas de viver o percurso, a peregrinação que evoca a vida humana fluente. Assim, com base neste significado antropológico e religioso universal, na Missa, o deslocar-se da assembléia e/ou seus ministros em algum rito também passou a chamar-se procissão. A procissão de entrada dos ministros (que são “retirados” da assembléia, no sentido de que fazendo parte dela, se põem a serviço) é imagem da comunidade que se deslocou de suas casas, de seus afazeres, de seu mundo familiar e social para unir-se à de Cristo. O canto de entrada que acompanha este gesto ritual qualifica a comunidade reunida como assembléia sacerdotal, que passa do culto existencial (vida cotidiana) para o culto ritual, realizando nela aquilo que se espera ter em plenitude no fim dos tempos: que Cristo seja tudo em todos.

2. Neste domingo é interessante, ainda, notar o fato de que a procissão de entrada recorda o Cristo que entra HOJE na casa da humanidade, para fazê-la partícipe da salvação que ele representa e oferece.

3. Uma vez feita a saudação do altar e da comunidade e a assembléia tendo sido introduzida na celebração do dia (sentido litúrgico na monição inicial), seria oportuno uma breve recordação da vida.

Sugerimos o seguinte esquema:
a. Procissão de entrada/canto de entrada

b. Saudação do altar, (sinal da cruz) e saudação da comunidade;

4. Logo após o beijo do Altar e terminado o canto de abertura, como saudação inicial propomos a fórmula “d” do Missal Romano:

“O Deus da esperança, que nos cumula de toda alegria e paz em nossa fé, pela ação do Espírito Santo, esteja convosco” (Romanos 15,13).

5. Em seguida, dar o sentido litúrgico da celebração. O Missal deixa claro que o sentido litúrgico da celebração pode ser feito pelo presidente, pelo diácono um leigo/a devidamente preparado (Missal Romano página 390).

c. Sentido Litúrgico com introdução à recordação da vida;

Domingo de Jesus na casa de Zaqueu. Como o publicano Zaqueu recebemos, a visita do Senhor em nossa celebração e apresentemos a Ele o nosso sincero desejo de conversão. Irmãos e irmãs em Cristo, ao nos reunirmos para celebrar o Dia do Senhor, permitimos que Ele nos visite, adentre em nossa casa e se revele para nós como salvação. Tudo que a compõe se torna oportunidade para que Deus se mostre e o mundo se torne, de fato, a sua Casa, na qual convivemos como parceiros e companheiros, membros de uma única aliança. Vamos, então, silenciosamente, recordar a semana que passamos. Quais acontecimentos que se deram no interior das casas pelas quais passamos (família, trabalho, amigos…) foram sinais da salvação de Deus acontecendo?

(Se for oportuno, especialmente nas pequenas assembléias, pode-se deixar que algumas pessoas partilhem suas lembranças de maneira breve).

6. Sugerimos a fórmula 3, opção 3 do Tempo Comum, do Ato Penitencial:

Senhor, que viestes, não para condenar, mas para perdoar, tende piedade de nós.
Cristo, que vos alegrais pelo pecador arrependido, tende piedade de nós.
Senhor, que muito perdoais a quem muito ama, tende piedade de nós.

7. Cada Domingo do Tempo Comum é Páscoa semanal. Cantar de maneira festiva o Hino de louvor (glória).
8. A Oração do Dia põe em destaque o poder e a misericórdia de Deus que nos concede a graça de sempre servi-Lo como convém. Somos chamados a correr em encontro das promessas divinas que não falham.

Liturgia da Palavra

1. O uso do Evangeliário nas celebrações litúrgicas dominicais está se tornando cada vez mais comum. Recuperar este bom costume pode ajudar nossas assembléias a descobrirem cada vez mais no rosto de Cristo o olhar de Deus, que vela por nós. E em seu Evangelho a voz de Deus que nos fala respondendo às questões mais importantes e profundas de nossa vida.

2. Mas, muitas pessoas reclamam que tal Livro não é acessível, sobretudo por ser uma publicação um pouco mais cara. Por que a própria comunidade não confecciona seu Evangeliário? Um artista da comunidade pode pintar em madeira o ícone de Cristo, conforme a figura abaixo, na qual há destaque para o olhar do Senhor, e transformá-lo na capa do Evangeliário. A cada domingo, acrescenta-se o Evangelho que vai ser proclamado.

3. Em todo o rito, a Palavra se conjuga com o silêncio. Momentos de silêncio após as leituras, o salmo e a homilia, fortalecem a atitude de acolhida da Palavra. O silêncio é o momento em que o Espírito Santo torna fecunda a Palavra no coração da comunidade. Nem tudo cabe em palavras.

4. Cantar com particular solenidade o Salmo responsorial.

5. Destacar o Evangeliário. Depois da procissão de entrada deve permanecer sobre a Mesa do Altar até a procissão para a Mesa da Palavra como é costume no Rito Romano.

Liturgia Eucarística

1. O pão e vinho são sinais trazidos do seio do mundo, para que sejam “fecundados” pela graça de Deus e se tornem morada do Mistério e todos que deles participarem possam ser beneficiados pela presença de Deus. Assim, pão e vinho consagrados se tornam imagem do mundo e da humanidade redimida, imagem da própria Igreja – Corpo de Cristo, como entendia Santo Agostinho.

2. Aqui se nota a importância de se manter sempre vivo o costume da procissão dos dons feita por membros da comunidade de fé. Embora já não se traga o pão para a celebração, das casas, como em outras épocas, é salutar que não se perca o sentido de apresentar o mundo e a humanidade nos sinais do pão e vinho, frutos do suor e trabalho humanos a ser submetidos ao trabalho divino (= consagrar/ santificar/ eucaristizar). Cantar a glória do Reino teu por toda a terra.

3. Procuro abrigo nos corações é uma peça de nossa tradição litúrgica que fala da Salvação acontecendo hoje, tornando nossas casas (nós mesmos e por consequência o lugar em que habitamos a Casa de Deus, porque ali sua presença se dá). Atenção para o sentido de algumas expressões que se ligam ao sentido litúrgico: “nasci para caminhar”; “vou batendo até alguém abrir”; “é feliz quem ouve a minha voz”; “o amor entretém”; “teremos tudo em comum”; “finalmente, nós seremos um”, “faremos refeição ‘nós dois’ (os parceiros da aliança Deus e a humanidade em Cristo)”. São todas expressões que indicam o significado da Salvação que entrou hoje em nossa casa. Pode ser cantado como canto de apresentação dos dons ou como Canto de Comunhão.

4. Recorde-se que em caso de prefácio móvel, somente as orações eucarísticas I, II e III devem ser escolhidas. A II admite troca de prefácio. Se for escolhida uma dessas orações eucarísticas, escolher o Prefácio dos Domingos do Tempo Comum IV, que contempla a compaixão de Cristo. “Nascendo na condição humana, renovou inteiramente a humanidade. Sofrendo a paixão, apagou nossos pecados. Ressurgindo, glorioso, da morte, trouxe-nos a vida eterna. Subindo, triunfante, ao céu, abriu-nos as portas da eternidade”. O grifo no texto identifica aqueles elementos em maior consonância com o Mistério celebrado neste Domingo e que pode ser aproveitado na própria, ao modo de mistagogia. Nunca é demais lembrar que as demais não podem ter os prefácios substituídos sem grave prejuízo para a unidade teológica e literária da eucologia.

5. Proclamar com vibração a ação de graças (Oração Eucarística). Na Oração Eucarística, “compete a quem preside, pelo seu tom de voz, pela atitude orante, pelos gestos, pelo semblante e pela autenticidade, elevar ao Pai o louvor e a oferenda pascal de todo o povo sacerdotal, por Cristo, no Espírito”.

6. Seria muito oportuno para este Domingo o convite à comunhão do Salmo 33,9 página 503 do Missal Romano, que expressa como Deus é bom e acolhedor. Quem se refugia Nele tem a felicidade completa:

“Provai e vede como o Senhor é bom; feliz de quem nele encontra seu refúgio”.

7. Distribuir a comunhão de maneira orante e sob as duas espécies, pois como diz a Instrução Geral do Missal Romano (IGMR): “A comunhão realiza mais plenamente o seu aspecto de sinal quando sob as duas espécies. Sob esta forma se manifesta mais perfeitamente o sinal dom banquete eucarístico e se exprime de modo mais claro a vontade divina de realizar a nova e eterna Aliança no Sangue do Senhor, assim como a relação entre o banquete eucarístico e o banquete escatológico do Reino do Pai” (n. 240). A comunhão em duas espécies revelará, com maior força e expressão, a convivialidade do banquete eucarístico, no qual encontramos “felicidades sem limites” (antífona de comunhão).

Ritos Finais

1. Os ritos iniciais remetem aos ritos finais, pois neles somos convocados para estar com o Senhor e sermos enviados em missão (cf. Marcos 3,14), para sermos sacramento de unidade e da salvação de todo o ser humano (cf. Lumem Gentium 1).

2. Na bênção em nome da Santíssima Trindade levem-se em conta as possibilidades que o Missal Romano oferece (bênçãos solenes, na oração sobre o povo). Ela expressa que a ação ritual se prolonga na vida cotidiana do povo em todas as suas dimensões, também políticas e sociais. Ver a bênção final do Tempo Comum V do Missal Romano página 526. Nela se contempla a nossa atenção à Palavra de Deus; e nos convida a abraçar o bem e a justiça.
3. As palavras do rito de envio podem estar em consonância com o mistério celebrado: Acolhei o Senhor em vossas casas na pessoa do próximo. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.

4. É comum além, de entrar em procissão no início da celebração guiados pela cruz, também retirar-se do espaço sagrado em procissão, igualmente guiados pela cruz.

10- CONSIDERAÇÕES FINAIS

A corrupção ronda a nossa vida. Isto acontece quando as pessoas abandonando os caminhos da justiça e sabedoria divinas, se faz deus e senhor de sua vida e de seus irmãos.

O objetivo da Igreja e da nossa equipe diocesana de liturgia é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas aquelas outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.

Um abraço fraterno a todos

Pe. Benedito Mazeti

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