33º DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO B – 15 de novembro de 2015

33º DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO B – 15 de novembro de 2015

12/11/2015 0 Por Diocese de São José do Rio Preto

Leituras

Daniel 12,1-3. Os que tiverem sido sábios brilharão como o firmamento.
Salmo 15/16,5.8-11. Vós me ensinais vosso caminho para a vida.
Hebreus 10,11-14.18. Onde existe o perdão, já não se faz oferenda pelo pecado.
Marcos 13,24-32. Vereis o Filho do homem vindo nas nuvens do céu.

“AS MINHAS PALAVRAS NÃO PASSARÃO”

1- PONTO DE PARTIDA

Domingo dos sinais dos tempos. Recebemos de Jesus o ensinamento para ver os sinais dos tempos. Celebramos a Páscoa de Jesus Cristo que se manifesta em todas as pessoas e grupos que preparam a vinda do Reino.

Na caminhada do Ano Litúrgico, chegamos ao penúltimo domingo do Tempo Comum. Celebramos o mistério da morte e ressurreição de Jesus Cristo, com o qual o mundo e a história mergulham na plenitude dos tempos.

A celebração deste domingo nos motiva a assumir a condição de peregrinos nesta terra, onde tudo é passageiro. O céu e a terra passarão, a Palavra de Deus não passará. Ele nos pede a vigilância e o discernimento ativo dos sinais dos tempos, em atitude de esperança pela manifestação gloriosa da majestade do Senhor.

2- REFLEXÃO BÍBLICA, EXEGÉTICA E LITÚRGICA

Primeira leitura – Daniel 12,1-3. Esta passagem de Daniel contém uma das afirmações mais claras do Primeiro Testamento a respeito da Ressurreição. O livro de Daniel foi escrito com a finalidade de animar e confortar os judeus fiéis, que estavam sendo forçados pelo Rei Antíoco IV, Epifazes, a abandonar sua religião e seu Deus para adorar os costumes pagãos. Foi redigido provavelmente entre 167 e 164 antes de Cristo.

O versículo 1 inicia indicando de forma vaga quando vão acontecer os fatos de que vai falar. “Naquele tempo”, quer indicar, segundo a maior parte dos intérpretes, o tempo final, quando Deus vai fazer justiça aos que são fiéis.

Os sofrimentos e as perseguições, que os judeus estão sofrendo, aumentarão ainda mais neste tempo final, e serão tão grande como jamais houve desde que existem as nações. Mas justamente no momento da maior angústia é que se manifestará a salvação. E alcançarão esta salvação os que estiverem “inscritos no livro”. Este modo especial de falar expressa um pensamento bastante freqüente no Primeiro Testamento, que representa Deus anotando num livro as obras boas ou más e, segundo estas, inscrevendo seus autores no livro da Vida, ou excluindo-os (cf. Êxodo 32, 32-33; Salmo 68,29; Salmo 138,16). Portanto, a Palavra de Deus de Daniel 12,1, serão salvos aqueles piedosos judeus que tiverem sido fiéis a Lei e praticado a justiça.

O versículo 2 mostra como se dará esta salvação final: “os que dormem no pó da terra despertarão para uma vida eterna”. Em outras palavras: a salvação final se realizará por meio de uma ressurreição.

A verdade da ressurreição individual teve, no Primeiro Testamento, uma longa caminhada. Por longos séculos a tese tradicional era que Deus retribuía a cada um conforme suas obras aqui na terra. Mas o que apressou o desabrochamento da fé na ressurreição foi a crise da época dos Macabeus. Muitos judeus, para serem fiéis à Lei de Deus, tiveram que suportar a morte (cf. 2Macabeus 6-7). “É desejável passar para a outra vida nas mãos dos homens, tendo da parte de Deus as esperanças de ser um dia ressuscitado por ele. Mas para ti, ao contrário, não haverá ressurreição para a vida!” Também em, 2Macabeus 12,43-46 tem um trecho muito interessante sobre o sacrifício pelos mortos tendo como objetivo a fé na ressurreição. Naqueles dias Judas “mandou fazer uma coleta, recolhendo cerca dez mil dracmas (moeda grega), que enviou a Jerusalém para que se oferecesse um sacrifício pelo pecado. Ação justa e nobre, inspirada na sua crença na ressurreição. Pois, se ele não esperasse que os soldados mortos haviam de ressuscitar, teria sido vão e supérfluo rezar por eles” (2Macabeus 12, 43-44). A pergunta angustiante que se colocava em questão era: como entender que um Deus justo exigia a doação da vida para lhe ser fiel, se após a morte, todos, bons e maus, vão igualmente para o xeol? Este foi o último passo para a fé numa retribuição após a morte. Mas como o judeu não tem a idéia da imortalidade da alma, como o grego, ele pensa numa ressurreição do corpo.

O versículo 3 apresenta em belas imagens a recompensa dos bons. Não só retorno à vida, mas participação de uma glória e de uma situação de felicidade perenes. “Resplandecer com o brilho do firmamento”, “luzir como estrelas” expressa de forma plástica e forte glória, a alegria e a paz eternas. Mostra o termo de chegada da história humana. E o Novo Testamento complementa o quadro mostrando-nos a segunda vinda de Cristo que encerrará e levará à plenitude a história da humanidade e transfigurará o próprio universo, fazendo-o participar da gloriosa liberdade dos filhos de Deus (Romanos 8,21).

A realidade da esperança está presente no Livro de Daniel. Deus está do lado e é companheiro dos que praticam a justiça, e a vitória final será de Deus e daqueles que são fiéis a Ele. O objetivo do profeta Daniel é infundir ânimo nos seus leitores para que permaneçam fiéis à fé, embora estejam inseridos em um ambiente de ódio. Quem, diante das perseguições, das catástrofes da natureza, das crises pessoais e sociais, age na integridade e pratica a justiça; quem não prejudica seu próximo; quem honra e teme o Senhor, jamais será abalado (Salmo responsorial).

Salmo responsorial – 15/16,5.8-11. É um salmo de confiança individual. Deus aqui é tido como amigo íntimo, próximo (versículo 8), no qual a pessoa deposita total confiança mesmo diante da barreira fatal, a morte (versículo 10), certa de que Deus lhe mostrará o caminho da vida, dando-lhe alegria que não termina (versículo 11). Refugiado no Templo, o salmista expressa sua confiança no Senhor que é sua herança e sua taça, Senhor de seu destino.

O Salmo mostra que na partilha da terra prometida o levita não obtém nenhum lote, porque o Senhor deve ser sua porção e sua herança. O próprio Deus sorteou os lotes pelas mãos de Josué, movendo as sortes ou nomes na taça do sorteio expressos no versículo 5.

Não só no Templo, mas em qualquer momento poderá sentir a presença e companhia de Deus, fonte de alegria, descanso e serenidade. Nos versículos de 10 a 11 mostra que a partir desta experiência de intimidade, o salmista espera confiante no futuro.

A amizade com Deus é vista pelo salmista como o bem supremo da vida (versículo 5). Ele vê nela uma promessa divina de fidelidade e de proximidade (versículos 8-9), que o fazem olhar para a morte com confiança: o Senhor “não o abandonará”, jamais, e por isso ele espera uma vitória sobre a morte (versículos 10-11).

O rosto de Deus neste salmo é muito interessante. Sendo um salmo de confiança, mostra um Deus próximo, abrigo, bem supremo da pessoa, herança e taça do fiel. Aquele que tem em suas mãos o destino da criatura, conselheiro que instrui até de noite, que caminha à frente, que se põe à direita da pessoa, que não a deixa morrer, pelo contrário, ensina-lhe o caminho da vida e põe o salmista à sua direita, no lugar de honra.

No Novo Testamento Jesus é motivo de confiança para o povo (Marcos 5,36; 6,50; João 14,1; 16,33). Ele próprio manifesta total confiança no Pai (João 11,42). Os primeiro cristãos leram os versículos finais deste salmo à luz da morte e ressurreição de Jesus (Atos dos Apóstolos 2,25-28).

Segunda-leitura – Hebreus 10,11-14.18. Os versículos da leitura de hoje pertencem à conclusão da parte central da carta aos Hebreus (5,11-10,18), que manifestou a superioridade do sacerdócio de Cristo sobre o sacerdócio levítico. Na leitura de hoje, o autor lembra dois argumentos que desenvolveu em favor desta superioridade.

Contrariamente ao sumo sacerdote judaico, Cristo penetrou num santuário eterno (versículos 12-18). Esta entrada simboliza sua subida para junto do Pai, para além dos céus que a cosmologia judaica se representava sob a forma de uma tenda (Salmo 103/104,2). Por conseguinte, Cristo atravessou uma “tenda” que não foi feita pela mão do homem (Hebreus 9,11), a saber, a criação propriamente dita, e assentou-se acima dela.

Por oposição aos muitos sacrifícios do Templo, o sacrifício de Cristo é único (versículos 12, 14 e 18): tudo está realizado uma vez por todas. Com efeito, ao oferecer sua vida e seu sangue, Jesus supera tudo o que havia sido realizado antes (Hebreus (cf. 9,9-12); em seguida, seu sacrifício torna perfeito todo aquele que dele se beneficia (versículo 14), o que nenhum rito anterior conseguira obter (cf. Hebreus 8,7-13). O próprio fato de o Senhor estar de agora em diante “sentado” (versículo 12), e não mais de pé na atitude sacrifical, manifesta que seu sacrifício não deve ser renovado: os pecados estão efetivamente perdoados. Portanto, como é lamentável a imagem do cristão incessantemente preocupado em negociar seu perdão.

A leitura da Carta aos Hebreus na celebração de hoje evidencia-se a atitude de esperança. As comunidades tomadas pelo desânimo, em meio às perseguições, perpetuam o sacrifício de Cristo. Embora a situação a comunitária não evidencie o novo, um dia Cristo vencerá, colocando seus inimigos embaixo de seus pés (versículo 13). Ele e todos os que como Ele imolaram sua vida obterão o triunfo total.

Evangelho – Marcos 13,24-32. O Evangelho deste domingo traz para a meditação da comunidade as questões relacionadas aos últimos tempos. O fim do mundo é descrito com imagens comuns da época do primeiro século: “O Filho de Deus virá com poder e majestade”.

Para entender o contexto do Evangelho de hoje, no ano 49, o Imperador Calígula exigiu que se edificasse sua estátua no Templo de Jerusalém. Este sacrilégio foi evitado na época. No ano 70 esse sacrilégio foi cometido pelo imperador Tito que forçou a edificação de sua estátua no Templo. Nessa época as comunidades judaicas difundiram escritos vendo em Calígula o novo Antíoco (Marcos 13,14), temendo que a partida de Sião se desse no inverno (Marcos 13,18). Assim, na base de Marcos 13, haveria um apocalipse judaico redigido na espera angustiada da destruição do Templo e nitidamente inspirada em textos do Primeiro Testamento (cf. Jeremias 29,9; Deuteronômio 18,7; Daniel 2,28; Isaias 19,2; Miquéias 7,6-7).

Depois, os judeu-cristãos retrabalharam o texto judaico, inserindo nele palavras de Jesus (por exemplo, versículo 26), mas também exprimindo nele certa febre apocalíptica que Marcos se encarregava de acalmar na redação definitiva deste capítulo. É assim que Marcos acrescenta uma parte do versículo 24 para entender que a vinda do Filho do Homem não está necessariamente ligada à destruição do Templo. Também ele ataca os falsos profetas que indevidamente agitam o povo, acrescentando os versículos 9-11 e 13b.

Marcos dá uma descrição equilibrada e simples da queda de Jerusalém. Isto quer dizer que o Dia de Javé, descrito em Marcos e Mateus, é o dia do julgamento de Jerusalém e não a Parusia final, isto é, o fim do mundo e seu julgamento.

Mas, se Marcos 13 visa apenas a queda de Jerusalém, que sentido devemos dar à visão do Filho do Homem? (versículo 26).

Na realidade, no Novo Testamento, o advento da vinda do Filho do Homem que vem sobre as “nuvens” (Daniel 7,13) significa a Ressurreição de Cristo e sua entronização como Senhor do mundo (cf. Mateus 26,61-64; Atos 7,41-56: duas passagens em que o sinal do Ressuscitado está ligado à destruição do Templo; cf. ainda Mateus 23,38). A expressão “eles verão o Filho do Homem” lembra o tema da visão do Ressuscitado na fé (João 16,17).

Portanto, cabe a nós apenas compreender a reunião dos povos (cf. Zacarias 2,10; Deuteronômio 30,4), anunciada no versículo 27 do Evangelho de hoje: “ele enviará os anjos aos quatro cantos da terra e reunirá os eleitos de Deus de uma extremidade à outra da terra”, como advento do Filho do Homem. Esse versículo significa a ação missionária da Igreja congregando as nações por intermédio de seus “anjos” que são os enviados missionários homens e mulheres de ontem e de hoje (como em Apocalipse 2,1.8.12.18; 3,1.7.14). Vários textos insistem sobre a ação missionária da Igreja que toma o lugar de Jerusalém judaica para congregar as nações (Isaias 66,18-19; Mateus 12,30; Hebreus 12,22-23; Apocalipse 7,1-9; Mateus 13,30-47).

Provavelmente Cristo empregou a imagem da figueira verde no sentido em que a Escritura a entendia: sinal de bênção e de felicidade (Joel 2,22). Portanto, podemos crer que Jesus retomou esse símbolo a fim de anunciar os tempos de salvação: o desabrochar da figueira significa no fim do inverno, a proximidade do verão e a renovação que ele promete. É também um aviso de que, dos escombros das estruturas do velho mundo judaico brotarão um novo céu e uma nova terra.

Os versículos 30-32 são importantes na medida em que revelam que esta catástrofe cósmica se produzirá nos anos que se seguirão, porque a “geração” dos ouvintes de Cristo presenciará tudo. Trata-se apenas da queda de Jerusalém cuja data certa o próprio Jesus ignora. Com efeito, Jesus concebe seu senhorio sobre o mundo, que resultará desses acontecimentos, não como um direito, mas como dom gratuito do Pai e fruto de sua livre iniciativa. Seu acesso à glória não é automático; é dom de amor livre, gratuito e inesperado.

Marcos elabora uma catequese sobre os últimos tempos: o retorno do Filho de Deus e a salvação dos eleitos que perseveraram. Ele tem como objetivo animar e fortalecer a perseverança e a esperança dos seguidores de Cristo. As comunidades devem confiar na “revelação gloriosa do Senhor”. Nesse dia irá se manifestar a justiça de Deus, os inimigos serão derrotados e os bons, glorificados.

3- DA PALAVRA CELEBRADA AO COTIDIANO DA VIDA

Neste penúltimo domingo do Ano Litúrgico, emerge com especial ênfase a realidade da escatologia, isto é, das últimas realidades dos tempos. “O dia da revelação da glória do Cordeiro Imolado”, Senhor e Juiz da humanidade.

Na terra tudo é passageiro. As pessoas nascem, crescem, amadurecem, chegam ao ápice e depois de declinam. Muitos têm a graça de se aposentar e de viver a velhice com dignidade. O fim, porém, é o mesmo para todas as pessoas: morte e sepultamento. “os dias do homem são como a relva, ele floresce como a flor do campo; roça-lhe um vento, e já não existe” (salmo 103,15).

Em linguagem própria do estilo apocalíptico, caracterizada por imagens fortes e elementos simbólicos, é evidenciada a luta entre o bem e o mal, a vitória e a derrota, a salvação e a condenação. Mais do que causar medo, a linguagem apocalíptica deseja animar, suscitar esperança e fortalecer a resistência dos bons. Diante de fatos como guerras, ações terroristas, catástrofes naturais e sofrimentos provocados pela corrupção e pela injustiça humana, muitos gritam pela justiça de Deus e outros se revoltam e se perguntam porque Deus permite tudo isso e se ele existe.

Temos que reconhecer que não é fácil perceber os sinais da vinda e da presença de Deus no cotidiano, os quais, muitas vezes, acontecem por vias inesperadas. O ambiente social de hoje dificulta a fidelidade cristã. A vida humana é submetida a diferentes formas de desrespeito, como a manipulação genética, a legalização do aborto, a eutanásia, a mistanásia (morte infeliz), a esterilização, a comercialização do sexo, e do corpo e as diversas outras formas de violência. O respeito pela verdade é sacrificado por interesses ilegítimos. O mundo dos negócios e da política é governado pela lei do império do lucro.

“O céu e a terra desaparecerão, mas minhas Palavras não desaparecerão.” Essa afirmação relativiza o mundo criado e proclama que a Palavra de Deus é perpétua. As fontes de energia e as riquezas da terra, os sistemas de convivência humana e de governo passarão. Permanecerá aquilo que a escuta da Palavra concretizou: a vivência do amor, os gestos de caridade solidária, a promoção da justiça e da paz; a defesa da verdade em favor da dignidade da vida. No presente e para a convivência social não se transforme num “fim de mundo”, a Palavra de Jesus Ressuscitado impulsiona os filhos e filhas de Deus e empreenderem “ações solidárias”, que revelem confiança de que “um outro mundo é possível”.

Esse novo estilo de vida, realmente cristão, pois vivido no seguimento do Mestre, de Cristo, poderá nos ensinar que há algo além do presente, que o momento presente não é um absoluto, seja ele de dor ou de alegria. Aprenderemos a viver a esperança: tempo presente pleno aberto para o futuro pleno.

Enquanto aguardamos a plena manifestação de Deus no final glorioso da nossa história humana, cuidemos de viver intensamente cada momento da vida, procurando dar o melhor de nós, na missão que Ele nos confia. Na celebração, o Espírito Santo que opera em nós a santificação, nos confirma e nos sustenta neste caminho rumo à eternidade.

4- A PALAVRA SE FAZ CELEBRAÇÃO

Às vésperas da conclusão do Ano Litúrgico, a comunidade dos fiéis se debruça numa espécie de “balanço” de sua caminhada. Procura discernir a respeito de sua finalidade à Aliança. A recompensa por este serviço é a ressurreição. Pelo menos isto é o que os textos escatológicos deixam entrever. A palavra recompensa, para a nossa cultura e sua linguagem soa estranha, pois parece submeter a ação da Graça de Deus às disposições ou indisposições humanas. Entretanto, a compreensão de fundo não é esta. A liturgia deste domingo, na verdade, ao tratar de recompensa, o faz em sentido bíblico. Sabe-se que esta idéia está unida ao sentido de juízo (cf. evangelho). O sujeito desta ação é sempre Deus, que em relação ao bem-fazer dos homens e mulheres, sempre lhes cumula de bens, e não segundo a sua capacidade, frágil, de ser fiel.

Deve-se entender como recompensa e Aliança. Falar em recompensa tem a ver com o juízo em torno da fidelidade à Aliança. Não é que Deus negue a vida plena (sua vida) aos que são infiéis e desfiguram-se humana e religiosamente. Mas, a conseqüência normal e notória da infidelidade à ação bondosa de Deus é a infelicidade, a não-vida, a morte. Quando Deus realiza a Aliança e o povo dela faz memória durante o seu incurso pela história, para que ela continue refletindo o amor de Deus, ela se dispõe de sua vida. Em chave cristã, poderíamos dizer que Deus ao fazer Aliança já destina o mundo à ressurreição e dela todos já podem se beneficiar. O juízo, portanto, consta de por sob os olhos de Deus e existência para que sua Palavra julgue se há ou não fidelidade à Aliança, de nossa parte. Se já desfrutamos, ainda que não em plenitude, da vida de Deus que nos chega pela ressurreição, a pergunta final é: sendo fiéis a Aliança estamos de pé, ressuscitados ou nossa infelicidade nos fez homens e mulheres prostrados, mortos?

5- LIGANDO A PALAVRA COM A AÇÃO EUCARÍSTICA

A ação eucarística é vivencia antecipada da manifestação gloriosa de Cristo, acontecendo hoje, pela prática da fé e da caridade solidária. “Anunciamos, Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição, enquanto aguardamos vossa vinda”. Há uma íntima unidade entre a ação litúrgica e a escatologia, espera da vinda de Cristo. “Maranatá” (1Coríntios 16,22). “Vem, Senhor Jesus” (Apocalipse 22,20). “Venha o Senhor, passe o mundo.” Em cada celebração eucarística, renova-se para a Igreja a esperança do retorno glorioso de Cristo. E com fé sempre renovada, ela reafirma o desejo do encontro final com aquele que virá para realizar o seu plano de salvação universal.

A eucaristia que celebramos é memória da “volta do Senhor”. Paulo afirma: “Todas as vezes que comeis desse pão e bebeis desse cálice, anunciais a morte do Senhor até que ele venha” (1Coríntios 11,26). “Pregareis minha morte, anunciareis a minha ressurreição, esperareis a minha vida, até que eu venha novamente do céu até vós” (liturgia ambrosiana e Missal de Stowe).

A ação litúrgica (em particular a eucaristia), ao mesmo tempo em que do presente resgata o passado, projeta o futuro inserindo seus participantes no “tempo novo”: “Assim como aqui nos reunistes, ó Pai, à mesa do vosso Filho (…) reuni no mundo novo, onde brilha a vossa paz, os homens e as mulheres de todas as classes e nações, de todas as raças e línguas, para a ceia da comunhão eterna, por Jesus Cristo, nosso Senhor” (Oração Eucarística VIII sobre a Reconciliação II).

6- ORIENTAÇÕES GERAIS

1. Receber de maneira fraterna a todas as pessoas que se reúnem para celebrar, pois elas esperam ser bem acolhidas na comunidade litúrgica.

2. Valorizar os momentos de silêncio durante a celebração (no início da celebração, após cada leitura e o canto do salmo, após a homilia, após a comunhão…) para que o louvor bote do coração e da vida, não só dos lábios. Privilegie-se o silêncio como expressão de intimidade pessoal e comunitária com o mistério celebrado.

3. Dia 19, lembramos os santos, Roque Gonzáles, Afonso Rodrigues e João Castilho, missionários e mártires no Rio Grande do Sul e Paraguai. Dia 20, recordamos Zumbi, líder do quilombo dos Palmares, em Alagoas, e é Dia da Consciência Negra. Dia 21, fazemos memória da Apresentação de Maria, mãe do Senhor no Templo de Jerusalém.

7- MÚSICA RITUAL

O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos cantar a liturgia e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com cada domingo, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são do Tempo Comum, é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado. A função da equipe de canto não é simplesmente cantar o que gosta, mas cantar o mistério da liturgia deste 32º Domingo do Tempo Comum. Os cantos devem estar em sintonia com o Ano Litúrgico, com a Palavra proclamada e com o sacramento celebrado. Não devemos esquecer que toda liturgia é uma celebração da Igreja corpo de Cristo e não de um grupo, de uma pastoral ou de um movimento. Jamais os cantos devem ser escolhidos para satisfazer o ego de um grupo ou de um movimento ou de uma pastoral.

A escolha dos cantos para as celebrações seja feita com critérios válidos. Não se devem escolher os cantos para uma celebração porque “são bonitos animados e agradáveis”, ou porque “são fáceis”, mas porque são litúrgicos. Que o texto seja de inspiração bíblica, que cumpram a sua função ministerial e que se relacionam com a festa ou o tempo. Que a música seja a expressão da oração e da fé desta comunidade; que combinem com a letra e com a função litúrgica de cada canto.

O uso do repertório litúrgico, proposto nas celebrações, conforme o Hinário Litúrgico da CNBB, deve ser mantido. Contudo, as variações e opções não devem restringir, mas se ampliar, segundo o espírito da celebração e a inteligência da liturgia.

1. Canto de abertura. Deus fomenta projetos de paz e não de aflição. “De paz são meus pensamentos…”, de Irmã Míria no CD: Liturgia VII, melodia da faixa 15; “O pensamento do Senhor é paz”…, Hinário Litúrgico III, página 390-396; “Felizes os pobres reunidos…” Ofício Divino das Comunidades, página 285; “Canta meu povo…!”, CD Festas Litúrgicas II, faixa 15, ou CD Cantos de Abertura e Comunhão: Hinário Litúrgico da CNBB (Paulus).

Como canto de abertura da celebração, sugere-se o canto proposto pelas Antífonas do Missal Romano e ricamente musicadas pelo Hinário Litúrgico III da CNBB. Isso não significa rigidez. Mas a equipe de liturgia, a equipe de celebração, a equipe de canto juntamente com o padre têm a liberdade de variar sua escolha, desde que isso manifeste o Mistério celebrado e seja fiel aos princípios que regem a escolha de uma música adequada para a celebração. A assembleia litúrgica é o povo de sacerdotes, que participam do sacerdócio de Cristo. Sugerimos, como canto de abertura, o canto “Felizes os pobres reunidos…” Ofício Divino das Comunidades, página 285.

Ensina a Instrução Geral do Missal Romano que o canto de abertura tem por objetivo, além de unir a assembléia, inseri-la no mistério celebrado (IGMR nº 47). Nesse sentido o Hinário Litúrgico III da CNBB nos oferece uma ótima opção, que estão gravados nos CDs Liturgia VI, VII e Cantos de Abertura e Comunhão.

Antífona do Hinário:
De paz são meus pensamentos, onde estiverem, onde estiverem, onde estiverem, os livrarei do sofrimento.

Proposta de revisão:
De paz são meus pensamentos, não de aflição, diz o Senhor; Onde estiverem, os livrarei do sofrimento.
2. Hino de louvor. “Glória a Deus nas alturas…” Vejam o CD: Tríduo Pascal I e II e também no CD: Festas Litúrgicas e também a versão da CNBB musicado por Irmã Miria e outros compositores.

O Hino de Louvor é chamado de “doxologia maior” em contraposição com a “doxologia menor” que é o “Glória ao Pai…”. Trata-se de um hino antiqüíssimo, iniciando com o louvor dos anjos na noite do Natal do Senhor (Lucas 2,14), desenvolveu-se antigamente no Oriente, como homenagem a Jesus Cristo. Não constitui uma aclamação à Santíssima Trindade, mas um hino Cristológico, isto é, os louvores se concentram no Filho Jesus. É um hino pelo qual, a Igreja reunida no Espírito Santo entoa louvores ao Pai e dirige súplicas ao Filho, Cordeiro e Mediador.

3. Salmo responsorial 15/16. Deus não deixa a morte triunfar no justo. “Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio…!…”, CD: Liturgia IX, melodia da faixa 14.

Para a Liturgia da Palavra ser mais rica e proveitosa, há séculos um salmo tem sido cantado como prolongamento meditativo e orante da Palavra proclamada. Ele reaviva o diálogo da Aliança entre Deus e seu povo, estreita os laços de amor e fidelidade. A tradicional execução do Salmo responsorial é dialogal: o povo responde com um refrão aos versos do Salmo, cantados um ou uma salmista. Deve ser cantado da mesa da Palavra.

4. O canto ritual do Aleluia. Vigiar e orar para ser dignos quando vier o Senhor (Lucas 21,36. “É preciso vigiar e ficar de prontidão”, CD: Liturgia VI, melodia e estrofes iguais à faixa 20. O canto de aclamação ao evangelho acompanha os versos que estão no Lecionário Dominical, página 669.

Aleluia é uma palavra hebraica “Hallelu-Jah” (“Louvai ao Senhor!”), que tem sua origem na liturgia judaica, ocupa lugar de destaque na tradição cristã. Mais do que ornamentar a procissão do Evangeliário, sempre foi a expressão de acolhimento solene de Cristo, que vem a nós por sua Palavra viva, sendo assim manifestação da fé presença atuante do Senhor.

Esta aclamação é quase sempre “ALELUIA” (menos nas missas da Quaresma por seu um tempo penitencial). É uma aclamação pascal a Cristo que é o Verbo de Deus. É um vibrante viva Deus. Os versos que acompanham o refrão devem ser tirados do Lecionário.

5. Apresentação dos dons. Momento de partilha para com as necessidades do culto e da Igreja. O verdadeiro cristão sempre passa das trevas à luz. A exemplo de Cristo, nós devemos partilhar com os necessitados. Devemos ser oferendas com as nossas oferendas para socorrer os necessitados. “Bendito seja Deus Pai…” CD: Liturgia VII, melodia da faixa 12.

6. Canto de comunhão. “Ele enviará os anjos aos quatro cantos da terra e reunirá os eleitos de Deus de uma extremidade à outra da terra” (Marcos 13,27) . “Vem o dia por nós esperado”, CD: Liturgia VII, melodia da faixa 18, exceto o refrão. Articulado com o Salmo 61/62.

O que orientamos a respeito do canto de abertura, vale também para o canto de comunhão, não se trata de rigidez. Nesse contexto a Igreja oferece também outra excelente opção: “Nós te damos muitas graças, ó Pai santo”, CD: Cantos de Abertura e Comunhão, melodia da faixa 14. Estes dois cantos retomam o Evangelho na comunhão de maneira autentica.

8- ESPAÇO CELEBRATIVO

1. Preparar o espaço celebrativo. A mesa da Palavra receba também destaque semelhante à mesa eucarística: toalhas, cor litúrgica (verde). Os enfeites não podem ofuscar as duas mesas principais: mesa da Palavra e o altar.

2. “O altar dentro da Igreja goza da mais alta dignidade, merece toda honra e distinção, pois nele se realiza o mistério Pascal de Cristo, do qual é o símbolo por excelência. Pela sua dignidade e valor simbólico, o altar não pode ser um móvel qualquer ou uma peça sem expressão, mas precisa ser nobre, belo, digno, plasticamente elegante. Nada se sobrepõe ao altar. Ele pode ser realçado com a toalha, as velas, a cruz processional, as flores. Todos estes elementos devem enfatizar a sua nobreza e sobriedade, sem escondê-lo ou dificultar as ações litúrgicas”.

3. Os castiçais com as velas, a cruz processional, as flores sejam preferivelmente colocados ao lado, deixando a mesa livre para que apareçam os sinais sacramentais do pão e do vinho. A toalha, caindo somente nas laterais, sem esconder totalmente a frente do altar, pode ser colocada para a celebração da Eucaristia, dando ênfase ao banquete que o Senhor nos prepara. Durante o dia, o altar pode permanecer desnudo ou com um ‘trilho’ na cor litúrgica do tempo” (Guia Litúrgico Pastoral, páginas 105-106).

9. AÇÃO RITUAL

Acolher bem as pessoas, que aos poucos vão formando a assembléia, símbolo do Corpo do Senhor. O ensaio dos cantos e um breve momento de silêncio favorecem o clima de oração, de participação interior e exterior, de encontro de Deus Pai com seus filhos e filhas reunidos em assembléia.

No início da celebração, antes da procissão de abertura, pode ser entoado um refrão meditativo: Indo e vindo, trevas e luz: tudo é graça, Deus nos conduz!

Ritos Iniciais

1. A celebração tem início com a reunião da comunidade cristã (IGMR 27.47). O canto de abertura começa tendo em conta essa realidade eclesial, e vai introduzir a assembléia no Mistério celebrado. O uso do repertório litúrgico, proposto nas celebrações, conforme o Hinário Litúrgico da CNBB, deve ser mantido. Contudo, as variações e opções não devem restringir, mas se ampliar, segundo o espírito da celebração e a inteligência da liturgia. Veja orientação acima em Musica Ritual.

2. Na saudação de quem preside, poderiam ser usadas as palavras conforme a fórmula “d” inspirada em Romanos 15,13:

O Deus da esperança, que nos cumula de toda alegria e paz em nossa fé, pela ação do Espírito Santo, esteja convosco.

3. O sentido Litúrgico, deve ser após a saudação de quem preside e não antes do canto de abertura. Após a saudação presidencial, o diácono, o diácono ou um leigo propõe o sentido litúrgico espontaneamente, inspirado nas palavras que se seguem:

Domingo dos sinais dos tempos. Celebramos a Páscoa de Jesus como acontecimento que nos atrai para o último instante da história da salvação. Tudo o que Deus realizou em seu Filho se estende a nós, a Igreja, seu corpo presente no mundo. A Páscoa de Jesus é inauguração das realidades esperadas e desejadas por toda a humanidade.

4. Após a saudação do presidente, e o sentido da celebração, o animador propõe a todos que façam a recordação da vida. Trata-se de um momento onde todos vão recordar os acontecimentos que marcaram a semana. Não somente acontecimentos religiosos, mas também sociais, políticos, ecológicos, econômico, culturais que ajudam a revelar a proximidade do Reino e do Senhor Jesus. Os fatos podem ser retomados por quem preside na hora da homilia. Por isso vale a pena uma breve explicação do que vem a ser esta recordação da vida. Se o teor da partilha não alcançar os âmbitos sociais, político, ecológico, cultural e econômico, alguém da equipe que acompanhou os noticiários pode ajudar, para lembrar a todos que a vida também esconde e revela a ação de Deus e a urgência do Reino. Não devemos colocar como se fosse uma reportagem, mas em forma orante. Quando colocamos os fatos da vida numa celebração, é porque acreditamos que Deus age na história.

5. Sugerimos que a motivação para o Ato Penitencial seja a fórmula 2 para o Tempo Comum da página 391 do Missal Romano:

No início desta celebração eucarística, peçamos a conversão do coração, fonte de reconciliação e comunhão com Deus e com os irmãos e irmãs.

6. Seria muito conveniente um ato penitencial, conforme algum dos formulários propostos pelo Missal Romano. Vale a pena uma leitura atenta dessas propostas que exaltam a misericórdia de Deus acima dos nossos pecados. A melhor opção para o Ato penitencial seria a fórmula 1 para o Tempo Comum, página 393 do Missal Romano que destaca Cristo como Caminho que nos leva ao Pai, a verdade que ilumina os povos e a vida que renova o mundo.

7. Cada Domingo do Tempo Comum é Páscoa semanal. Cantar de maneira festiva o Hino de louvor (glória).

8. Na Oração do Dia deste Domingo destaca que ao servir o Criador de todo bem teremos plena felicidade. A oração usa uma expressão muito forte e tocante ao coração da humanidade: “felicidade completa”. O desejo de felicidade, qual meta para onde tende a vida humana, é a busca de todo homem e mulher que vem a este mundo.

Rito da Palavra

1. Na liturgia da Palavra, antes da primeira leitura iniciar com um refrão meditativo. Nessa hora, pessoas com velas acesas, partindo de diferentes pontos da assembléia, podem se aproximar da mesa da Palavra como sinal de vigilância.
2. A Primeira leitura seria muito bom estar atento ao gênero literário (apocalíptico), que narra as vicissitudes de um povo, neste caso, em tom de anúncio das realidades futuras, com objetivo de despertar a esperança em tempos difíceis. O leitor deve exprimir essa vitalidade do texto, procurando não ler para si, mas para os ouvintes (discípulos). Na voz do leitor, o texto deve ganhar vida.

3. Nos comentários, na homilia e nas preces sublinhar a dimensão da esperança. Em um tempo em que se multiplicam os profetas da desesperança que pregam a destruição do mundo e do derrotismo, as comunidades cristãs são desafiadas a serem sinais vivos de esperança.

4. A homilia deve ajudar a assembléia a ligar a Palavra de Deus com a realidade em que vivemos e com o mistério que celebramos.

Rito da Eucaristia

1. A preparação dos dons tem uma finalidade prática, expressa na procissão com que o pão e o vinho são trazidos ao altar. Segundo o costume das refeições judaicas, bendiz-se a Deus pelo alimento básico, o pão, e pela bebida mais significativa, o vinho. Evitar chamar este momento de “ofertório”, pois ele acontece após a narrativa da ceia (consagração).

2. Na Oração sobre o pão e o vinho destaca a graça de servir a Deus fielmente e conseguir a feliz eternidade.

3. Se for escolhida outra oração eucarística sugerimos o Prefácio dos Domingos do Tempo Comum VI que destaca Cristo com o penhor da Páscoa eterna e que também que já recebemos o penhor da vida futura. Seguindo esta lógica, cujo embolismo reza: “Possuindo as primícias do Espírito, por quem ressuscitastes Jesus dentre os mortos, esperamos gozar, um dia, a plenitude da Páscoa eterna”. O grifo no texto identifica aqueles elementos em maior consonância com o Mistério celebrado neste Domingo e que pode ser aproveitado na celebração, ao modo de mistagogia. Usando este prefácio, o presidente deve escolher a I, II ou a III Oração Eucarística. A II admite troca de prefácio. As demais não admitem um prefácio diferente. As demais não podem ter os prefácios substituídos sem grave prejuízo para a unidade teológica e literária da eucologia.

4. Se for escolhida as Orações Eucarísticas I, II e III, quer admitem troca de Prefácio, sugerimos o Prefácio do Tempo Comum VI, que relaciona a Páscoa de Jesus com as realidades últimas.

5. A narrativa da instituição da eucaristia não é uma imitação da última ceia; por isso não se parte o pão neste momento como algumas vezes acontece. A liturgia eucarística, como se disse, é fazer o que Jesus fez: tomou o pão e o vinho, deus graças, partiu o pão e o deu (comer e beber). O partir o pão, como Jesus fez, corresponde à fração do pão em vista da comunhão. Por isso, a Redemptionis Sacramentum, número 55, considera um abuso partir o pão durante o relato da instituição.

6. No momento do convite à comunhão, quando se apresenta o Pão consagrado e o cálice com o sangue de Cristo, é muito oportuno o texto bíblico de João 8,12, que é a fórmula “b” do Missal Romano:

“Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida”.

7. A comunhão em duas espécies manifestará o caráter escatológico da Eucaristia (Lucas 22,18). Também De acordo com as orientações em vigor, a comunhão pode ser sob as duas espécies para toda a assembléia. “A comunhão realiza mais plenamente o seu aspecto de sinal quando sob as duas espécies. Sob essa forma se manifesta mais perfeitamente o sinal do banquete eucarístico e se exprime de modo mais claro a vontade divina de realizar a nova e eterna Aliança no Sangue do Senhor, assim como a relação entre o banquete eucarístico e o banquete escatológico no Reino do Pai” (IGMR, nº 240). Quando bem orientada, a comunidade aprende fácil esse rito que é resposta obediente ao mandamento do Senhor “tomai e bebei”.

8. Fazer o sagrado silêncio após a comunhão. Reservar à comunidade celebrante instantes de silêncio e depois cantar: o Magnificat ou “Quando o dia da paz renascer”. Ver sugestões acima em música ritual.

Ritos Finais

1. Na oração pós-comunhão suplicamos a Deus que a celebração do memorial de Cristo nos faça crescer em caridade.

2. Como bênção final, sugerimos a oração sobre o povo, numero 16 ou 18.

3. As palavras do rito de envio podem estar em consonância com o mistério celebrado: Ele reunirá todos os eleitos, de uma extremidade à outra da terra! Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.

10- REDESCOBRINDO O MISSAL ROMANO

1. Um erro grave nas celebrações da eucaristia é a distribuição da comunhão do sacrário como prática normal. Assim pecamos contra toda a dinâmica da ceia eucarística, que consta da preparação das oferendas, da ação de graças, sobre os dons trazidos, da fração do pão consagrado e da distribuição àqueles que, com a oblação deste pão, se oferecem a si mesmos com Jesus ao Pai (cf. IGMR 56 h).

11- CONSIDERAÇÕES FINAIS

Celebremos a Páscoa semanal do Senhor valorizando os que assumem a sua missão em nossa diocese e no mundo inteiro, a levar a paz e a esperança para que aconteça um novo céu e uma nova terra.

O objetivo da Igreja e da nossa equipe diocesana de liturgia é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas aquelas outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.

Um abraço fraterno a todos

Pe. Benedito Mazeti