Artigos, Pe. Bendito Mazeti › 18/01/2018

3º DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO B – 21 de janeiro de 2018

Leituras

Jonas 3,1-5.10. Os ninivitas creram em Deus.

Salmo 24/25,4-9 O Senhor é piedade e retidão.

1Coríntios 7,29-31. A figura desse mundo passa.

Marcos 1,14-20. O tempo já se completou e o reino de Deus está próximo.

“CONVERTEI-VOS E CREDE NO EVANGELHO!”

1- PONTO DE PARTIDA

 

Domingo do chamamento dos apóstolos. A Liturgia deste Terceiro Domingo do Tempo Comum continua o assunto vocacional, contudo o enfoque não é tanto o seguimento a Jesus, mas a conversão diante da iminência do Reinado de Deus. Cristo, profeta e servidor, dá início à sua atividade messiânica. Convoca pescadores para formar com Ele uma comunidade de vida.

 

Testemunhando, nesta celebração, o início da missão de Jesus, suas primeiras palavras e gestos, recebemos Dele o convite para segui-Lo.

 

Celebramos a Páscoa de Jesus, que se manifesta na luta de todas as pessoas e grupos que tornam presente entre nós o Reino que Jesus veio anunciar.

 

2- REFLEXÃO BÍBLICA, EXEGÉTICA E LITÚRGICA

 

Primeira leitura – Jonas 3,1-5.10.  O livro de Jonas é aproveitado uma só vez no Lecionário litúrgico dominical e festivo. A leitura de hoje não se trata de uma narração histórica, mas de uma parábola da pregação de Jonas em Nínive e da conversão inesperada desta grande cidade. Foi escrito no século IV antes de Cristo e conservou da mensagem de Jeremias a idéia de que Deus poderia arrepender-se de sua cólera, se o povo se convertesse (Jonas 3,9; cf. Jeremias 18,7-8; 26,3-19). O vocabulário particular de Jeremias é, aliás, manifesto logo nos primeiros versículos de Jonas: “desde os grandes até aos pequenos”(versículo 5; cf. Jeremias 5,4-5; 6,13; 44,12) “o fogo da cólera” (versículo 9; cf. Jeremias 4,826; 12,13; 25,37-38); “os homens e animais” (versículos 7-8; cf. Jeremias 21,6; 27,54; 36,29).

 

Jonas não vai a Nínive como missionário, mas executor do terrível juízo de Deus sobre as nações. Aos olhos dos judeus, o juízo consiste, com efeito, em fazer justiça a Israel, punindo e destruindo os povos pagãos. Acontece que Deus perdoa a Israel em vez de puni-lo (Jeremias 18,7-8), mas também usa da mesma compaixão para com os povos pagãos.

 

O autor desenvolve esta doutrina a partir do credo central, citado em 4,2; Deus é “um Deus compassivo, clemente, rico em misericórdia e pronto a renunciar aos castigos”. Este credo aparece pela primeira vez na auto-revelação de Deus e Moisés em Êxodo 34,6. Mas ganhou um lugar fixo na celebração da penitencia do Primeiro Testamento (cf. Joel 2,13b; Salmo 85/86,15; 102/103,8; 144/145,8; Neemias 9,17).  Com a ajuda de outros textos bíblicos (Ezequiel 26-28 em Jonas 1; Jeremias 36 em 3; 1Reis 19 em Jonas 4; Jonas 2 é um florilégio de textos dos Salmos),  o autor estende também este credo aos pagãos: também para com eles Deus é um Deus compassivo.

 

Em primeiro lugar o livrinho é um protesto contra o particularismo judaico,     e exorta a conversão de todos e não só do povo de Israel. Por isso, Jonas deve pregar a conversão em Nínive, capital do império dos pagãos.  Deus oferece como graça o chamado à conversão; quem o aceita é salvo: 3,15 cf. Mateus 12,41; Lucas 11,32; Gênesis 6,6; Jeremias 26,3; 18,7-8.

 

Salmo responsorial 24/25,4-9. Este Salmo é uma mistura de súplica individual com temas dos salmos sapienciais (veja Salmo 1). Mas predomina a súplica. Uma pessoa – na terceira idade pede duas coisas a Deus: o perdão dos desvios (pecados) de sua juventude e a libertação das mãos dos inimigos.

 

O Salmo recupera a religiosidade popular, o sentido das caminhadas, das procissões. Faz pensar na liturgia enquanto celebração da vida e expressão da fé. Ajuda a superar o ritualismo e uma religião de aparências.

 

O rosto de Deus. O Salmo tem muitas palavras que recordam a Aliança: caminho (versículos 8.9), direito (versículo 9). O Deus deste Salmo é, mais uma vez o aliado do pobre explorado e oprimido, o mesmo Javé que, no passado, libertou os hebreus da escravidão do Egito, aliou-se a eles e os conduziu para a terra da promessa. É por isso que o salmista tem tanta coragem em pedir e tanta confiança em ser atendido, evitando a vergonha e a confusão de um Deus neutro, surdo e indiferente.

 

No Novo Testamento Jesus proclamou felizes os mansos (os oprimidos) porque possuirão a terra (Mateus 5,5) perdoou pecados (Lucas 7,36-50; João 8,1-11) e advertiu os gananciosos que acumulam bens (Lucas 12,15).

 

Cantando este Salmo na celebração de hoje, supliquemos ao Senhor que tenha piedade de nós pecadores e nos mostre o os Seus caminhos e Sua verdade nos oriente e nos conduza pelos caminhos da salvação.

 

Segunda leitura – 1Coríntios 7,29-31. O capítulo 7 desta Carta ocupa-se com o matrimônio e o celibato. A leitura de hoje pretende dar uma justificativa escatológica a estes estados de vida, particularmente ao dos que renunciam voluntariamente ao matrimônio. O Apóstolo é claro e incisivo: exige de todos – casados ou não – o espírito de continência diante da realidade da “eternidade”. O versículo 31b deixa claro: “…a figura deste mundo passa”, continua e ilustra o versículo 29: …o tempo é breve”.

 

“Os que têm mulher vivam como que não tivessem mulher”. Não significa renunciar ou ficar indiferente às relações matrimoniais normais; trata-se de um princípio geral: não ser escravos delas a ponto de não de já não poder viver sem elas. Deve haver um espaço para a liberdade. O que Paulo muitas vezes sugere, por exemplo, quando aconselha a abstenção matrimonial temporária e de comum acordo para fins de oração.  O matrimônio no Primeiro Testamento, representa a instituição ideal, pela qual o homem de geração em geração, prossegue a obra da criação, a fim de conduzi-la à recriação prevista para os últimos tempos. Mas estes tempos já chegaram: desde a vinda de Cristo, com efeito, Deus está de tal modo presente na humanidade e no universo, que os transfigura. Progressivamente, até a sua divinização. O casamento não cessa, pois, de ser uma instituição ideal pela qual o homem e a mulher expressam sua colaboração na criação e na história, pois traduz doravante a presença de Deus nos últimos tempos. A instituição matrimonial não é mais, aos olhos de Paulo, o único meio de passar o tempo pela procriação. Agora, que Deus está presente em todas as coisas e em todas as pessoas pela mediação de seu Filho, a própria virgindade é, também de maneira privilegiada, o sinal da eternidade presente no ser humano.

 

“Os que fazem compras, como se não possuíssem coisa alguma”. Os coríntios possuíam uma capacidade comercial muito grande, inclusive os cristãos. O Apóstolo não os proíbe, sob condição de evitar toda fraude, conservando certa liberdade cristã, a qual deve aceitar toda a sua vida. Não se trata de fazer do cristão um alienado da realidade. “Os que usam deste mundo, como se dele não usassem”… porque o tempo é curto. “Mundo” incluiria tudo que é a vida sócio-politico-cultural, os relacionamentos, os bens.

 

As resposta de Paulo, cheias de bom senso e sem desprezo algum da sexualidade humana, revelam um tom de “relativismo escatológico”, ou seja: tudo isso não é o mais importante para quem vive na expectativa da Eternidade. Porque “o tempo é breve” (7,29), matrimônio ou celibato, dor ou alegria, posse ou pobreza são, num certo sentido, indiferentes: são um “esquema” que passa. Paulo continua, pois, mostrando o valor do seu celibato, como plena disponibilidade para as coisas de cristo: uma espécie de antecipação da Eternidade (1Coríntios 7,32 – 7,29 cf. Romanos 13,11; 2Coríntios 6,2.8-10 – 7,31 cf. 1João 2,16-17).

 

Evangelho – Marcos 1,14-20.  Marcos é o único evangelista que chama a sua narrativa de Evangelho, isto é, Boa Nova. Com a notícia da prisão de João Batista termina a missão do precursor, e com a chegada de Jesus na Galiléia, precisamente a partir de uma região excluída e obscura da terra, continua a marcha triunfal de Deus que quer estabelecer o Seu Reino entre as pessoas, mediante o Seu Messias.

 

Geralmente, Marcos 1,14-15 é considerado como o começo da atividade pública de Jesus, especialmente na Galiléia. Isto, porém, não deve fazer esquecer a ligação com o contexto anterior, o batismo (onde Jesus recebe o Espírito profético) e a sua retirada no deserto (pelo impulso do mesmo Espírito). Jesus realiza, na sua atuação, a plenitude do profetismo. Plenifica o profetismo-de-milagres, estilo Elias-Eliseu (o revezamento do Batista por Jesus lembra o revezamento de Elias por Eliseu, 2Reis 2,9.15; respeito de João Batista como novo Elias.

 

O Evangelho de Marcos é pleno de um mistério que só aos poucos e revelado. A expressão de 1,15 é típica, neste sentido. Parece um anúncio do Dia do Senhor, e por isto o Anunciador pede conversão (cf. o Batista). Mas na segunda parte, diferentemente do Batista, Jesus pede a fé, e fé numa Boa-Nova! E este termo, Marcos o emprega com convicção , pois ele é o único dos evangelistas que intitula seu “depoimento” sobre Jesus com este termo (Marcos 1,1). Assim os versículos 14-15 realizam uma surpreendente proximidade entre a exigência da conversão e alegria do Reino. Converter-se, no sentido de Marcos 1,15 é aceitar com confiança igual fé a alegria do Reino que chegou.

O Reino de Deus é a força humilde mais irresistível da vontade de Deus. Observe-se que Jesus não costuma chamar Deus de “Rei” (o que combinaria com “reino terrestre”), mas de Pai! O Reino de Deus é o amor paterno de Deus tomando conta das pessoas.

 

Não é uma conversão de penitencia em cinzas e jejum, mas a alegria de seguir Jesus. Enquanto a mensagem de Jonas ganhou êxito por causa do medo, e mensagem de Jesus solicita conversão na base da fé na Boa-Nova. Não é a adesão a uma entidade abstrata, mas ao “Reino de Deus S.A.”; mas adesão a uma pessoa, Jesus de Nazaré.

 

3- LUGAR NA LITURGIA

 

A palavra-chave que une este texto do Evangelho com a primeira leitura é: conversão. Contudo, existe uma grande diferença para com a conversão dos ninivitas: 1) a conversão dos ninivitas é negativa; só serve para escapar do juízo; a que Jesus pede é a conversão “positiva” à alegria do Reino. 2) a conversão dos ninivitas expressa em jejum e cinza; a do Evangelho em seguimento generoso. 3) O Deus da ameaça (em Jonas) deixa-se implorar para mudar seu plano; o Deus da salvação o realiza gratuitamente, quando o tempo se completa; depois vem a contribuição da pessoa: acolhê-Lo.

 

4- DA PALAVRA CELEBRADA AO COTIDIANO DA VIDA

 

Ao nos entregarmos e nos comprometermos com o projeto de Deus, a nós trazido por seu Filho Jesus, assumimos que esta vida é passageira. Que a Igreja aqui é peregrina. Nós, cristãos, visamos as coisas que não passam, portanto, nosso comprometimento com as coisas deste mundo é infinitamente menor do que com as coisas do alto.

 

O Evangelho expressa o envio missionário atribuído a todos nós. “A Igreja peregrina é missionária por natureza, porque tem sua origem na missão do Filho e do Espírito Santo, segundo o desígnio do Pai” (Ad Gentes,2). Conforme o texto conclusivo da Conferência de Aparecida, no hoje da nossa história: “Assumimos o compromisso de uma grande missão em todo o continente, que de nós exigirá aprofundar e enriquecer todas as razões e motivações que permitam converter a cada cristão em um discípulo missionário” (Documento de Aparecida, 362).

 

Assim como os discípulos de Jesus, na narrativa evangélica, “deixaram” suas coisas para dedicar tempo ao Reinado de Deus, a Igreja, hoje, é desafiada a fazer o mesmo. Quando toda a comunidade, na prece dominical, volta-se para o alto, ou horizontalmente – estabelece o oriente de sua existência. Este é um “ensaio ritual” do que deve ocorrer permanentemente em sua vida. Quando os discípulos e discípulas reunidos recitam ou cantam: Pai Nosso, venha o teu Reino, faça-se a tua vontade, estão permitindo que se cumpra neles aquele anúncio de Jesus: convertam-se creiam no Evangelho. Sobre isso a oração da Igreja, o Ofício Divino, trata com poesia:

 

“Brilhai, ó Sol Verdadeiro,

com vosso imenso esplendor,

e dentro de nós derramai

do Santo Espírito o fulgor {…}

Na luta fortes nos guarde

vencendo o anjo inimigo.

Nas quedas, dê-nos a graça,

de nós afaste o perigo.

 

Dizer que a figura desse mundo passa significa reconhecer que diante da manifestação de Deus e seu reinado, o mundo (kosmou) deve ser experimentado em função do que é eterno. Assim, tudo na vida deve ser vivido “eucaristicamente”, como oportunidade para mostrar o Reino acontecendo. Não se trata de negar o mundo, mas de vê-lo como ocasião de encontro com o Senhor.

 

Com este fim, a comunidade dos fiéis é despedida no final de cada celebração eucarística. “Em nome do Senhor, ide em paz e o Senhor vos acompanhe.” Por onde formos, no lugar em que estivermos, em qualquer circunstância da vida ou em qualquer lugar, tudo será vivido segundo o Reinado de Deus. Tornar-se tarefa da comunidade verificar se este rito confere vitalidade ou simplesmente, “passa” como todas as outras realidades do mundo.

 

5- PALAVRA SE FAZ CELEBRAÇÃO

 

Jesus entoa um canto novo

 

A primeira parte do Tempo Comum ainda respira os “ares” da Natividade e Epifania do Senhor. As notas festivas do Salmo 95 “Cantai ao Senhor Deus um canto novo” (cf. Antífona de Abertura) nos recordam a Noite de Natal onde o mesmo texto é entoado como Salmo Responsorial.

 

O canto novo ao qual se refere o Salmista e vários outros textos líricos da Bíblia não se refere a uma peça musical, mas é imagem da vida nova em Cristo, fruto da comunhão com o Senhor, conforme a súplica da Oração depois da Comunhão: “Concedei-nos, Deus todo poderoso, que, tendo recebido a graça de uma nova vida (…).”

 

A liturgia deste Terceiro Domingo do Tempo Comum continua o assunto vocacional, contudo o enfoque não é tanto o seguimento de Jesus, mas a conversão diante da iminência do Reinado de Deus

 

A realidade do Reinado de Deus

 

O emblemático anúncio de Jesus: “O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho!” (Marcos 1,15) não é só promessa de um acontecimento futuro. Ainda que seja a meta da história (cf. Gaudium et Spes 39), o Reino de Deus tem sua face revelada no rosto de Jesus perambulando no mundo e cuidando das pessoas. Participando da vida d’Ele, como Simão Pedro, André, Tiago e João no Evangelho de hoje, a Igreja se torna sinal desse Reinado no meio de uma humanidade às vezes dividida e de um mundo ferido (cf. Lúmen Gentium 5).

 

Esta é a forma de ver santificado em nós o nome de Deus, conforme suplicamos no Pai Nosso em toda a Oração Eucarística: uma vez que o Reino de Deus vem a nós, em nós e por nós, o mundo amadurece na semelhança com seu Criador.

 

Na celebração eucarística, após a narração da instituição da Eucaristia, quem preside proclama: “Eis o mistério da fé”. Sobre o altar está o grande mistério, o sacramento da fé, da Aliança como o Pai, através de Cristo e no Espírito Santo. O conteúdo e realidade principal da nossa fé é Jesus Cristo na Palavra, no Verbo que Deus nos comunica; é em seu Corpo e Sangue que se realiza a nova e eterna Aliança. Ele é a Palavra de Vida, o Pão da Vida. Quem o aceitar, quem comer dele, terá a vida eterna (João 6,54).

 

“Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos, vossa verdade me oriente e me conduza!”. Assim reza o Salmo responsorial deste domingo. Deus nunca nos abandona. Ele sempre está à nossa disposição seus caminhos, sua verdade para que possamos nos orientar para o amor, a justiça e a paz.

 

6- ORIENTAÇÕES GERAIS

 

  1. Fazer com grande esmero, os ritos iniciais, vivenciando o seu sentido de reunir a comunidade de irmãos, formando o corpo vivo do Senhor.

 

  1. Ao anunciar os cantos, cuidado com alguns possíveis “cacoetes”. Por exemplo, “vamos acolher o celebrante com o canto tal”, ou “vamos cantar o número tal”. Primeiro: a finalidade do canto inicial não é acolher o celebrante, mas fazer com que a comunidade, cantando, já faça a experiência de ser acolhida por Deus em sua casa. Segundo: celebrante é toda a assembléia, e a pessoa que normalmente costumamos chamar de “celebrante” é o presidente da assembléia celebrante. Terceiro: nunca se canta o “número” e sim o canto, que tem letra e música próprias para o momento celebrativo.

 

  1. Dia 26, celebramos a memória dos Santos Timóteo e Tito bispos e discípulos do Apóstolo Paulo; no dia 28, Santo Tomás de Aquino, presbítero e doutor da Igreja.

 

7- MÚSICA RITUAL

 

O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos cantar a liturgia e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com cada domingo, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são do Tempo Comum, é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado. A função da equipe de canto não é simplesmente cantar o que gosta, mas cantar o mistério da liturgia deste 2º Domingo do Tempo Comum. Os cantos devem estar em sintonia com o Ano Litúrgico, com a Palavra proclamada e com o sacramento celebrado. Não devemos esquecer que toda liturgia é uma celebração da Igreja corpo de Cristo e não de um grupo, de uma pastoral ou de um movimento.

 

Ensina a Instrução Geral do Missal Romano que o canto de abertura tem por objetivo, além de unir a assembleia, “inseri-la no mistério celebrado” (IGMR nº 47). Nesse sentido o Hinário Litúrgico III da CNBB nos oferece uma ótima opção, que estão gravados no CD: Liturgia VI e Cantos de Abertura e Comunhão. Encontramos também no Ofício Divino das Comunidades ótimas opções.

 

A equipe de canto faz parte da assembléia. Não deve ser um grupo que se coloca à frente da assembléia, como se estivesse apresentando um show. A ação litúrgica se dirige ao Pai, por Cristo, no Espírito Santo. Portanto, a equipe de canto deve se colocar entre o presbitério e a assembléia e estar voltada para o altar, para a presidência e para a Mesa da Palavra.

 

  1. Canto de abertura. Cantai ao Senhor Deus um canto novo (Salmo 96/95,1.6). Sem dúvida, o canto de abertura mais adequado para esse dia é o Salmo 96/95, somos chamados a elevar ao Senhor um canto novo com toda a terra porque só Ele é Deus. “Canto novo ao Senhor que é Deus”, CD: Liturgia VI, melodia da faixa 1, exceto o refrão.

 

Como canto de abertura da celebração, sem dúvida, sugere-se o canto proposto pelas Antífonas do Missal Romano e ricamente musicadas pelo Hinário Litúrgico III da CNBB. Mas a equipe de liturgia, a equipe de celebração, a equipe de canto juntamente com o padre têm a liberdade de variar sua escolha, desde que isso manifeste o Mistério celebrado e seja fiel aos princípios que regem a escolha de uma música adequada para a celebração. Uma sugestão, para entender bem o que significa isto, seria cantar Água: “Aqui chegando, Senhor, Senhor, que poderemos te dar {…} E teu amor em nós será manancial”, CD: Cantos de Abertura e Comunhão, melodia da faixa 3. Em perfeita consonância com a Oração do Dia, antecipa na assembléia aquele sentimento eclesial com o qual deverá celebrar. Para que o Reinado de Deus aconteça na nossa história, o Senhor necessita de pessoas disponíveis para a missão. Nesse sentido é muito oportuno o canto “O Senhor necessitou de braços para ajudar a ceifar a messe”, CD: Cantos de Abertura e Comunhão, melodia da faixa 9. Como canto de abertura, não podemos deixar de entoar um destes três cantos que nos introduzem no Mistério a ser celebrado.

 

Isto significa que a escolha dos cantos para as celebrações seja feita com critérios válidos. Não se devem escolher os cantos para uma celebração porque “são bonitos animados e agradáveis”, ou porque “são fáceis”, mas porque são litúrgicos. Que o texto seja de inspiração bíblica, que cumpram a sua função ministerial e que se relacionam com a festa ou o tempo. Que a música seja a expressão da oração e da fé desta comunidade; que combinem com a letra e com a função litúrgica de cada canto.

 

  1. Ato penitencial. Sugerimos a fórmula 3 n. 3 do Tempo Comum, Missal Romano, que insiste no aspecto da conversão. “Senhor, que viestes não para condenar, mas para perdoar, tende piedade de nós”.

 

  1. Hino de louvor. “Glória a Deus nas alturas…” Vejam o CD Tríduo Pascal I e II e também no CD Festas Litúrgicas, Partes fixas do Ordinário da Missa do Hinário Litúrgico III da CNBB e também a versão da CNBB musicado por Irmã Miria e outros compositores.

 

  1. Refrão meditativo: Em vez de comentário cantar este refrão meditativo para afinar o coração na escuta da Palavra: “Guarda a Palavra, guarda no coração”, CD: Deus é bom, (Paulus) melodia da faixa…

 

O Hino de Louvor, na versão original e mais antiga, é um hino cristológico, isto é, voltado para Cristo, que exprime o significado do amor do Pai agindo no Filho. O louvor, o bendito, a glória e a adoração ao Pai (primeira parte do Hino de Louvor) se desdobram no trabalho do Filho Único: tirar o pecado do mundo, exprimindo e imprimindo na história humana a compaixão do Pai. Lembremo-nos: o Hino de Louvor não se confunde com a “doxologia menor” (Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo). O Hino de Louvor encontra-se no Missal Romano em prosa ou nas publicações da CNBB versificado numa versão que facilita o canto da assembléia.

 

  1. Salmo responsorial 24/25. Deus guia ao bom caminho os pecadores. “Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos, vossa verdade me oriente e me conduza”, CD: Liturgia IX, melodia igual à faixa 1.

 

O Salmo responsorial é uma resposta que damos àquilo que ouvimos na primeira leitura. Isto mostra que o salmo é compromisso de vida e ele também atualiza e leitura para a comunidade celebrante. Primeira leitura, Palavra proposta e o salmo Palavra resposta. Por isso deve ser cantado da Mesa da Palavra (Ambão) por ser Palavra de Deus. Valorizar bem o ministério do salmista.

 

É um dos cantos mais importantes da liturgia da Palavra. É um tipo de leitura da Bíblia. Por isso, é melhor que não seja cantado por todos, mas cantado por uma só pessoa: o salmista. A comunidade toda deverá ouvir atentamente e responder com o refrão. Sendo um canto bíblico, não deverá ser substituído por outro canto. O salmo nos permite dar uma resposta (por isso responsorial) à proposta que Deus nos faz na primeira leitura. Por isso ele é compromisso de vida. Ou como diz o profeta Isaias 55,10-11: “A chuva cai e a terra responde com frutos”. Deus fala e a comunidade responde na fé, na esperança e no amor. Além da resposta, o Salmo atualiza a primeira leitura para a comunidade celebrante.

 

  1. Aclamação ao Evangelho. “O Pai do Senhor Jesus nos dê sabedoria”, (Efésios 1,17-18). “Aleluia! Que o Pai do Senhor Jesus Cristo”, CD: Liturgia VI, melodia da faixa 13. O canto de aclamação ao evangelho acompanha os versos que estão no Lecionário Dominical, página 735.

 

Aleluia é uma palavra hebraica “Hallelu-Jah” (“Louvai ao Senhor!”), que tem sua origem na liturgia judaica, ocupa lugar de destaque na tradição cristã. Mais do que ornamentar a procissão do Evangeliário, sempre foi a expressão de acolhimento solene de Cristo, que vem a nós por sua Palavra viva, sendo assim manifestação da fé presença atuante do Senhor.

 

A aclamação ao Evangelho é um grito do povo reunido, expressando seu consentimento, aplauso e voto. É um louvor vibrante ao Cristo, que nos vem relatar Deus e seu Reino no meio das pessoas. Ele é cantado enquanto todos se preparam para ouvir o Evangelho (todos se levantam, quem está presidindo vai até ao Ambão).

 

  1. Refrão meditativo após a homilia: Após uns momentos de silêncio entoar este refrão meditativo do Evangelho de Marcos 1,15: “Agora o tempo se cumpriu, o Reino já chegou, irmãos convertam-se, e creiam firmes no Evangelho”, CD: Liturgia XIV, Quaresma Anos B e C, melodia da faixa 3.

 

  1. Apresentação dos dons. O canto de apresentação das oferendas, conforme orientamos em outras ocasiões, não necessita versar sobre pão e vinho. Seu tema é o mistério que se celebra acontecendo na fraternidade da Igreja reunida em oração. “De mãos estendidas”, CD Liturgia VI, melodia da faixa 4.

 

  1. Canto de comunhão. “O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho” (Marcos 1,15). Sem dúvida, o canto de comunhão mais adequado para esse dia é “Está próximo o reino de Deus! Ouçam todos e mudem de vida! É Jesus quem nos dá este alerta: Acreditem na boa-notícia”, “tirado do versículo 15 e articulado com Cântico de Zacarias, Lucas 1,68-79, CD: Liturgia VI, melodia da faixa 5.

 

O fato de a Antífona da Comunhão, em geral, retomar um texto do Evangelho do dia revela a profunda unidade entre a Liturgia da Palavra e a Liturgia, Eucarística e evidencia que a participação na Ceia do Senhor, mediante a Comunhão, implica um compromisso de realizar, no dia-a-dia da vida, aquela mesma entrega do Corpo e do Sangue de Cristo, oferecidos uma vez por todas (Hebreus 7,27).

 

A forma de executar o Canto de Comunhão. A forma que a tradição litúrgica oferece para o Canto de Comunhão, a de um refrão tirado do texto do Evangelho do dia alternado por versos de um salmo apropriado, foi mantida no 3º fascículo do Hinário Litúrgico da CNBB, nos cantos de Comunhão dos Anos A, B e C.

 

8- ESPAÇO CELEBRATIVO

 

  1. O lugar onde celebramos a Eucaristia é Casa da Igreja e antes disso é Casa da Palavra, pois é esta que, sacramentalmente, forja a comunidade dos cristãos. De certo modo, a construção de pedra é imagem da construção viva, da qual fala Paulo em suas cartas, que a Igreja, Corpo de Cristo. Neste sentido, é lugar de interlocução, de diálogo a partir das Escrituras que são interpretadas pelos ritos. Assim, toda a celebração litúrgica é Palavra de Deus dirigida ao povo reunido. Mas também é resposta deste povo aos apelos que lhe são expressos.

 

  1. A pergunta que nos vem é: como tornar nossos lugares de celebração, ambientes aptos à escuta da Palavra e à sua resposta por parte da Assembléia celebrante? Um dos meios é permitir que o silêncio se estabeleça. Que a equipe de celebração e a equipe de canto não fiquem tratando, à vista de todos, das questões que devem ser observadas e providenciadas, que os instrumentistas cheguem bem antes para afinar os instrumentos e passar o som, equalizando-o para não distrair as pessoas da oração pessoal antes da celebração.

 

  1. AÇÃO RITUAL

 

A celebração deste domingo, o Terceiro do Tempo Comum, nos recorda Jesus chamando os seus primeiros discípulos. De fato, a Liturgia de hoje fala do “nascimento” do Ministério de Jesus junto ao povo excluído da Galiléia.

 

Ritos Iniciais

 

  1. Como canto de abertura sugerimos “Água”: Aqui chegando Senhor, que poderemos te dar. Ver orientações em Música Ritual.

 

  1. Logo após o beijo do Altar e terminado o canto de abertura, sugerimos que a saudação do presidente seja a fórmula “c” do Missal Romano inspirada em 2Tessalonicensses 3,5:

 

“O Senhor, que encaminha os nossos corações para o amor de Deus e a constância de Cristo, esteja convosco”.

 

  1. Após a saudação inicial, conforme propõe o Missal Romano, dar o sentido litúrgico da celebração, isto é, o mistério celebrado. Pode ser feito por quem preside, ou o diácono ou um leigo ou leiga preparado, dar o sentido da celebração com estas palavras ou outras semelhantes:

 

Domingo do chamado dos primeiros discípulos. Testemunhando, nesta celebração, o início da missão de Jesus, suas primeiras palavras e gestos, recebemos dele o convite para segui-Lo.

 

  1. Em seguida trazer presente a recordação da vida, com acontecimentos que marcaram a semana que passou, fatos tristes e alegres da comunidade, do país e do mundo. Colocar os acontecimentos de forma orante e não como noticiário.

 

  1. Pela insistência de Jesus no aspecto da conversão, é oportuno realizar o Ato Penitencial, sobretudo com a fórmula 3 n. 3 do Tempo Comum, Missal Romano:

 

Senhor, que vistes não para condenar, mas para perdoar, tende piedade de nós.

 

  1. Introduzir o Hino de Louvor (Glória), lembrando a alegria de sermos chamados pelo Senhor como discípulos missionários.

 

  1. Na Oração do Dia, suplicamos a Deus que Ele dirija a nossa vida e que frutifiquemos em boas obras em nome de Jesus

 

Rito da Palavra

 

  1. Em vez de comentários antes das leituras que caíram em desuso, no CD: “Deus é bom” (Paulus) temos um refrão meditativo que muito pode contribuir para afinar a escuta da Palavra de Deus: Guarda a Palavra, guarda no coração. Durante o canto, pode-se queimar incenso junto ao Ambão.

As preces podem ser dirigidas a Deus com o seguinte esquema:

Vocativo: Senhor Deus, rei dos Céus…

Memória: que enviaste a Nínive vossa Palavra,

Súplica: dai-nos a graça de um coração aberto à conversão.

Aclamação-suplicante: Senhor Deus da missão, atendei-nos.

 

Rito da Eucaristia

 

  1. O pão e vinho são sinais trazidos do seio do mundo, para que sejam “fecundados” pela graça de Deus e se tornem morada do Mistério e todos que deles participarem possam ser beneficiados pela presença de Deus. Assim, pão e vinho consagrados se tornam imagem do mundo e da humanidade redimida, imagem da própria Igreja – Corpo de Cristo, como entendia Santo Agostinho.

 

  1. Aqui se nota a importância de se manter sempre vivo o costume da procissão dos dons feita por membros da comunidade de fé. Embora já não se traga o pão para a celebração, das casas, como em outras épocas, é salutar que não se perca o sentido de apresentar o mundo e a humanidade nos sinais do pão e vinho, frutos do suor e trabalho humanos a ser submetidos ao trabalho divino (= consagrar/ santificar/ eucaristizar). Cantar a glória do Reino teu por toda a terra.

 

  1. Na oração sobre as oferendas, suplicamos a Deus que acolha com bondade as oferendas, sinal de salvação.

 

  1. O Prefácio do Tempo Comum I mostra-se em sintonia com o Mistério celebrado, sobretudo por afirmar: “Por ele (Cristo) vós nos chamastes das trevas à vossa luz incomparável, fazendo-nos passar do pecado e da morte à glória de sermos vosso povo…”. Medita a obra da salvação por Cristo. Seguindo esta lógica, cujo embolismo reza: “Por ele vós nos chamastes das trevas à vossa luz incomparável, fazendo-nos passar do pecado e da morte à glória de sermos o vosso povo, sacerdócio régio e nação santa, para anunciar, por todo o mundo, as vossas maravilhas”. O grifo no texto identifica aqueles elementos em maior consonância com o Mistério celebrado neste Domingo e que pode ser aproveitado na própria, ao modo de mistagogia. Usando este prefácio, o presidente deve escolher a I, II ou a III Oração Eucarística. A II admite troca de prefácio. As demais não admitem um prefácio diferente. Elas não podem ter os prefácios substituídos com grave prejuízo para a unidade teológica e literária da eucologia.

 

  1. É muito oportuno usar a fórmula “b” do Missal Romano, João 8,12 para o convite à comunhão:

 

Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida.

 

Ritos Finais

 

  1. A Oração depois da Comunhão afirma que a celebração da Eucaristia nos traz a graça uma nova vida por Deus sempre.

 

  1. O Senhor esteja convosco…

 

A seguir, uma fórmula de bênção conclusiva inspirada no Ritual de Bênçãos, página 151:

 

O Senhor vos guie no caminho de volta às vossas casas e atividades.

            Amém.

O Senhor permaneça sempre convosco e se digne ser vosso companheiro.

            Amém.

 

E a vossa vida seja em consonância com o Evangelho que escutastes, pois o Reinado de Deus está próximo.

           Amém.

 

  1. Outra possibilidade é fazer a Oração sobre o Povo n. 9 seguida da bênção final, conforme possibilita o Missal romano.

 

  1. As palavras do rito de envio podem estar em consonância como mistério celebrado: Anunciai a todos que o Reino de Deus chegou. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.

 

  1. É comum além, de entrar em procissão no início da celebração guiados pela cruz, também retirar-se do espaço sagrado em procissão, igualmente guiados pela cruz.

 

10- CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

A mediação da conversão e da Fé tem o poder de tornar presente o Reino de Deus sempre iminente mo meio de nós.

 

O objetivo da Igreja é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas aquelas outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.

 

Um abraço fraterno a todos

Pe. Benedito Mazeti

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