Dos adultos às crianças

No início da Igreja, a catequese se dirigia preferencialmente aos adultos, no contexto do catecumenato. As primeiras comunidades preparavam os cristãos a vivência comunitária através da escuta da Palavra de Deus, das celebrações e do testemunho de vida. A própria vida da comunidade fazia parte importante do conteúdo da catequese. Catequese e comunidade eclesial era um só jeito de ser.

A partir do século V, a catequese deixou de ser iniciação à vida de comunidade de fé, pois a sociedade inteira se considerava animada pelo cristianismo: foi a época da cristandade. A catequese se fazia por um processo de imersão nessa cristandade. Generalizando-se o batismo de crianças, pensava-se que os adultos não precisavam mais da catequese catecumenal. E, então, a catequese para as crianças tornou-se costumeira, endereçando-se posteriormente, sobretudo, à preparação para a primeira eucaristia e para a crisma, o que perdura até hoje.

A partir do século XVI, com o Concílio de Trento a catequese infantil passou a ser organizada sistematicamente, com características profundamente doutrinal e cada vez mais no estilo escolar, priorizando a dimensão intelectual. E assim as crianças foram e continuam sendo as principais destinatárias da catequese, em prejuízo da Catequese de Adultos. Esta, quando existia, era apenas concebida como prolongamento ou substitutivo da catequese infantil e elementar.

Não sabemos conjugar a catequese recebida na infância com os chamados de Deus na vida, muitos adultos católicos apresentam uma fé individualista, intimista, infantil, ritualista, desencarnada. É comum encontrar adultos preocupados em sua fé somente com interesses pessoais, bem materiais e com a salvação pessoal. E não raro encontram pessoas que se declaram cristãs, mas que são totalmente analfabetas na fé e que, evidentemente, se abalam profundamente com toda uma avalanche de propostas mais variadas e desencontradas sobre assuntos religiosos.

O que dissemos acima não invalida o fato de que cada fase da vida tem a maturidade específica daquele limite de idade ou de situação. Nesse sentido, catequese de crianças deve ser infantil (em relação à linguagem e aos interesses desta faixa etária), mas não infantilizada (boba, de baixa qualidade teológica, com a desculpa de que as crianças não compreendem outra coisa). Algo semelhante se poderia dizer da educação da fé de adolescentes, jovens ou adultos de baixa escolaridade. O mesmo se diga de certas ‘estórias’ e subsídios preparados para crianças.

Fonte: estudos da cnbb 80.

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