Importantes na educação da fé dos adultos do povo da Bíblia eram as orações e recitações de relatos históricos. Assim recordava-se a ação de Deus na história e se proclamava de novo uma fé com a qual se iam construindo laços emocionais e históricos. Dois textos são particularmente ilustrativos no que diz respeito a esse processo.

Um dos textos é o Shemá Israel (escuta, Israel!), núcleo básico da fé da Aliança, repetido diariamente em oração: “Ouve, Israel! O Senhor nosso Deus é o único Senhor! Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças…”. O texto prossegue lembrando a necessidade de ter presente sempre os mandamentos do Senhor que, ainda hoje, judeus observantes atam às mãos e a fronte, colocam na porta e ensinam aos filhos, como oriente a Escritura (cf. Dt 6,4-9).

O outro texto é o chamado “credo histórico” do povo de Deus: “Meu pai era um arameu errante… Ele desceu do Egito, onde viveu como migrante. Lá os egípcios nos maltrataram, reduziram à pobreza e no impuseram dura escravidão. Então clamamos ao Senhor, o Deus de nossos pais, e ele nos ouviu. Viu quão pobre éramos, infelizes e oprimidos. O Senhor nos fez sair do Egito e nos fez chegar a este lugar, deu-nos esta terra, terra da qual manam leite e mel” (Dt 26,5ss). Aí se vê um processo de catequese que mantinha os adultos emocionalmente ligados à história das origens da revelação, sentindo-se comprometidos com a Aliança, envolvidos na história. Não se fala ‘eles, mas em ‘nós’.

Fonte: estudos da CNBB 80

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