Ao falar da metodologia do querigma, pensa-se exatamente em simples estratégias para que anúncio fundamental e pessoal de Jesus Cristo chegue aos corações das pessoas. Para isso, deve-se ter profunda experiência do conteúdo, clareza da linguagem e ser pessoa de sensibilidade e diálogo.

Em sua dinâmica, o querigma não comporta uma representação fotográfica de elementos meramente doutrinais ou conceitos morais preestabelecidos: o querigma causa transformação e impulsiona numa direção criativa e de conversão. Como comunicação de um acontecimento fundante, carregado de potência dinâmica e transformadora, anúncio que interpela e solicita identidade com o mistério de Jesus, o querigma deve ser colocado como uma janela aberta sobre a totalidade do mistério pascal, oferecendo um princípio articulado que ilumina a vida e orienta aquele que fez a experiência. Por isso exige envolvimento pessoal e adaptação a realidade cultural, inculturando a mensagem conforme a idade e o ambiente sociocultural onde é anunciado e feito de modo que não apenas desperte no outro uma simpatia ou admiração por Jesus, mas a disponibilidade para a fé, processo de conversão e o desejo de caminhar na comunidade.

O querigma deve ser comunicado por pessoas acolhedoras, de fé, que sejam sinceras e bem aceitas na comunidade. Quando se tem confiança, torna-se fácil dizer coisas importantes a alguém: as verdadeiras relações humanas favorecem abertura ao anúncio e engendram afeto e estima. Em nenhum caso e em nenhum método pode faltar à experiência de fé e o testemunho do evangelizador e da comunidade cristã. Sem a palavra e o exemplo de cristãos tocados no mais profundo de suas vidas pelo encontro com Jesus Cristo, os métodos mais detalhados e sofisticados podem significar muito pouco. É uma exigência e uma necessidade que o Evangelho se torne palavra encarnada na vida daqueles que abraçaram a fé em Jesus como o Cristo, e o anunciam.

O diálogo é essencial e uma grande estratégia metodológica para o anúncio: rompe esquemas e quebra barreiras, assim como o de Jesus com a samaritana (cf. Jo 4,1-30), favorecendo a possibilidade de apresentar de maneira gradual o Evangelho. Neste contexto, uma conversa serena, cordial, bastante séria, em que o interlocutor tenha espaço para expressar-se, sanar suas dúvidas, é essencial. O aspecto coloquial é importante porque estimula a liberdade e a partilha, inclusive abre o colóquio para perguntas críticas, que quando respondidas com eficácia, são promotoras de direção. O diálogo individual, que também visa à experiência pessoal, requer um tempo livre e longo para que o interlocutor também dialogue consigo mesmo. Aquele que começa a interessar-se pela mensagem cristã deve ter a oportunidade de dizer quais as dificuldades que encontra para que sejam esclarecidas e até dissipadas. Aquele que anuncia deve desfazer dos obstáculos que nascem ao longo do caminho, demonstrar interesse em ouvir e ser terreno fecundo da experiência de fé e seguimento.

Envie também sua dúvida que poderá ser respondida na próxima edição do jornal, escreva e-mail para robertobocalete@hotmail.com. Obrigado e até o próximo mês com nova pergunta.

Pe. Roberto Bocalete
Administrador Paroquial da Paróquia São João Batista – Américo de Campos

Addthis Facebook Twitter Google+ PDF Online

Conteúdo relacionado

Deixe o seu comentário

Você deverá estar conectado para publicar um comentário.