Discípulos missionários: o seguimento de Jesus

O Documento de Aparecida insiste na expressão ‘discípulo missionário’. Ela aparece mais de cem vezes no texto, como podemos conferir no seu índice analítico (DAp). Essa repetição não é por acaso. Ela enfatiza a importância da expressão. Por isso podemos dizer que a palavra chave desse documento é ‘discípulo missionário’.

Discípulo missionário é todo aquele que fez um verdadeiro encontro com Jesus, se encantou com a sua proposta e se propôs segui-lo, dando continuidade a sua missão.

Vemos despontar, assim, a figura da pessoa do catequista na Igreja. Todo catequista é, ou deveria ser, um discípulo missionário de Jesus Cristo, pois sua missão é árdua. Está nas mãos dos catequistas a missão de iniciar, na vida cristã, crianças, jovens e adultos. É a base de nossa Igreja e, portanto, uma enorme responsabilidade. Da catequese dependem o presente e o futuro da Igreja, por isso se fala hoje de uma catequese querigmática. Sabemos que tamanha responsabilidade não pode ser confiada apenas aos catequistas, mas os catequistas tem a tarefa de ser os principais anunciadores dos valores do Reino e da missão da Igreja. Se eles não forem discípulos missionários, aquilo que eles ensinam dificilmente será entendido e vivido pelos catequizandos. E se eles não entendem o que é ser Igreja, não professarão a sua fé e não serão discípulos missionários. É preciso que os catequistas sejam, primeiros, discípulos missionários para poder ensinar a outros o caminho do discipulado.

O Documento de Aparecida inicia dizendo a razão dos bispos terem se reunido para a V Conferencia do Episcopado Latino-Americano: ‘fizemos isso como pastores que querem seguir estimulando a ação evangelizadora da Igreja, chamada a fazer de todos os seus membros discípulos e missionários de Cristo.’ Assim, a principal razão é estimular que todos os batizados sejam discípulos missionários e isso nãos e faz por decreto, mas com formação, preparação e, sobretudo, com conversão pastoral, como mostra o Documento n. 100 da CNBB, ‘Comunidade de Comunidades: uma nova paróquia. A conversão pastoral da paróquia’. Essa conversão pastoral supõe uma conversão integral, fazendo com que aqueles que receberam o primeiro anuncio, os que fizeram a experiência do encontro com Cristo, mudem radicalmente sua vida. Porem, para fazer esse encontro é preciso que nossas paróquias renovem suas estruturas, tornando-se comunidade de comunidades, lugares de acolhimento fraterno, onde as pessoas, de todas as idades, se sintam numa extensão de suas casas, ou, mais que isso, que enxerguem nesses espaços, nessas comunidades, na Igreja e todas as suas instancias e organismos, verdadeira casa de cristãos, de pessoas encantadas com a proposta de Jesus Cristo, que sentem a alegria do Evangelho e a alegria de anuncia-lo, como pede o Papa Francisco na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium.

Fonte: Livro: Catequistas discípulos missionários

Pe. José Eduardo Vitoreti

Pe. José Eduardo Vitoreti

Ver todos os posts
Addthis Facebook Twitter Google+ PDF Online

Deixe o seu comentário

Você deverá estar conectado para publicar um comentário.