4º DOMINGO DA PÁSCOA NA RESSURREIÇÃO DO SENHOR ANO A – 07 de maio de 2017

Leituras

Atos 2,14a.36-14. Salvai-vos dessa gente corrompida.
Salmo 22/23,1-3a.3b-4.5.6. Ele me guia pelo caminho mais seguro.
1Pedro 2,20b-25. Sobre a cruz, carregou nossos pecados.
João 10,1-10. Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância.

“EU SOU A PORTA DAS OVELHAS”

Bom Pastor - Prop - Cópia
1- PONTO DE PARTIDA

Domingo do Bom Pastor. O quarto domingo da Páscoa é denominado o domingo do Bom Pastor. É também Dia Mundial de Oração pelas Vocações. As leituras do Quarto Domingo da Páscoa se localizam no contexto das festas judaicas. O capítulo 10 de João tem como pano de fundo a festa da Dedicação do templo de Jerusalém, que durava oito dias. Um dos textos lidos nessa festa era Ezequiel 34, o qual denuncia os líderes (pastores) de Israel. Os pastores tinham se tornado lobos do rebanho. O texto dos Atos dos Apóstolos narra o sermão de Pedro, no dia de Pentecostes, outra festa judaica. É a festa das Semanas em que se comemora as sete semanas depois da Páscoa e o “dom da Torá”, a entrega da Lei.

O Senhor Ressuscitado se revela como Pastor de nossas vidas e manifesta ternura e cuidado para conosco. A alegria da Páscoa enche o universo e nos convida a dar graças a Deus pela vida que nasce da entrega de Jesus.

Neste Domingo do bom Pastor queremos nos reunir em torno de Jesus, nosso pastor por excelência. Ele, que nos conhece e doou sua vida em favor de cada um de nós, mostra-se presente também nos pastores que conduzem sua Igreja na paz e na unidade.

2- REFLEXÃO BÍBLICA, EXEGÉTICA E LITÚRGICA

Primeira leitura – Atos dos Apóstolos 2,14a.36-14. O texto de hoje nos mostra a última parte do sermão de Pedro no dia de Pentecostes. Anuncia sua conclusão: o apelo ao arrependimento e à conversão. A conversão ou o arrependimento propostos por Pedro em Jerusalém supõem, antes de tudo, um contexto judaico. Não se trata apenas de uma mudança de vida inspirada pela inquietude de uma pessoa em busca, mas de uma tomada de consciência de culpabilidade perante uma pessoa determinada. A conversão é a atitude daquele que já crê em Deus, mas arrepende-se de uma ofensa grave cometida contra Ele. Mais concretamente, é a reação do judeu que toma consciência da responsabilidade que assumiu com Deus ao crucificar seu Messias (Atos 2,22-23.36).

Deus concede àqueles que se arrependem a remissão de seus pecados (versículo38; cf. Atos 3,19; 5,31) e oferece o rito batismal (versículo 38). Celebrado “em nome de Jesus”, este batismo engaja uma profissão de fé e explicita no senhorio do Ressuscitado.

A fé dos apóstolos em Cristo culminava na concepção de sua entronização como “juiz da terra”. Ma seu poder de julgar não se confunde apenas com o de condenar. Julgar, para Ele, é também perdoar. A conversão permite obter o perdão (Atos 3,19-21; 17,30-31; 10,42-43), escapar, assim da condenação do julgamento e preparar-se sem temor para a volta do Senhor.

O anúncio do Apóstolo Pedro produz nas pessoas presentes um efeito que lembra de perto o que as palavras de Jesus causaram nos dois discípulos de Emaús, ou seja, arder o coração. O coração dos ouvintes começa a vibrar diversamente, a ponto de os tornarem disponíveis à conversão. (cf. Lucas 24,32.

Por que é que o coração é “trespassado”? Porque Pedro anunciou um Deus que se apresenta de um modo inaudito: Ele é reconhecível no Messias crucificado, e isto desconcerta verdadeiramente o mundo, obrigando a tomar posição. Por outro lado, se o Pai atuou em Jesus que as pessoas rejeitaram, quer dizer que as pessoas não estão na justiça, mas são precisamente “pecadores”: o coração das pessoas ali presentes então vibra porque se sente de algum modo coagido a reconhecer a necessidade do perdão. O ser humano é menos justo do que se pensa, e o anúncio do Evangelho revela a todos a necessidade de invocar a salvação.

Salmo responsorial -22/23,1-3a.3b-4.5.6. É um Salmo de confiança em Deus. A solicitude divina para com os justos, descrita com a dupla imagem do pastor (versículos 1-4) e do hospedeiro que oferece o festim messiânico (versículos 5-6).

É um dos salmos mais conhecidos e belos do saltério, aplica ao próprio Deus a humilde imagem do “pastor” como expressão de terno cuidado e guia segura que Ele tem para com um rebanho amado e protegido (versículos 2-4). Além disso, recupera o tema da “unção” do fiel como sinal de predileção e de dignidade (versículos 5-6).

Nos versículos de 1-4, o tema pastoril fornece algumas imagens fundamentais: verde, água, caminho. A última imagem conjura o grande perigo, a escuridão temerosa plenamente superada. Na segunda parte versículos 5-6 adianta-se o plano real, imediato: a experiência religiosa tem lugar no Templo de Jerusalém. Ali a pessoa humana encontra asilo frente ao opressor, participa na mesa do banquete sagrado, recebe a unção que o consagra. A experiência religiosa intensa converte-se em esperança e desejo para toda a vida.

O rosto de Deus no Salmo 22. Sem dúvida é uma das imagens mais bonitas do Primeiro Testamento que mostra Deus como pastor. Outras imagens também mostram o rosto de Deus como hospedeiro, libertador e aliado. Jesus no Evangelho de João, assume as características de Javé pastor, libertador e aliado (João 10). Jesus é esse pastor que se compadece do povo explorado. Ele caminha à frente de seu rebanho, tanto para chegar ao pasto e à água, como para voltar ao curral de repouso, já na escuridão da noite. Este salmo é tradicionalmente aplicado à vida sacramental, especialmente ao Batismo e à Eucaristia.
Por este salmo, peçamos ao Senhor que restaure as nossas forças, que derrame sobre nós o óleo do seu amor e faça de nós instrumentos de salvação, no meio de nossas comunidades.

O SENHOR É O PASTOR QUE ME CONDUZ;
PARA AS ÁGUAS REPOUSANTES ME ENCAMINHA.

Segunda leitura – 1Pedro 2,20b-25 . Pedro está falando para cristãos escravos que sofrem injustamente nas mãos dos seus donos (cf. 1Pedro 2,18-20). Anima-os a continuarem a fazer o bem, aceitando com paciência as injustiças (versículo 20b). Podemos dizer que a escravidão, na época, não era sentida pela consciência humana da mesma forma como hoje, certas formas de neo-colonialismo ou de exploração social. Para apoio deste conselho, a passagem da Carta introduz um hino no qual Jesus é apresentado como “exemplo” de inocente perseguido que não se vinga, mas confia a Deus o sucesso da sua vida (versículos 21-25). No hino aparecem citações da figura do “servo do Senhor”, cuja morte traz a salvação à multidão (cf. Isaias 52,13—53,12).

A leitura nos convida a trilhar os passos de Jesus Cristo Pastor. Dirigido aos escravos (1Pedro 1,18-25), o texto da leitura vale para todos os cristãos. A todos, Cristo deu no Seu sofrer o exemplo da paciência, diz o texto, com palavras que lembram o Servo Sofredor de Isaias 53. A imagem das ovelhas perdidas praz presente a do pastor, ao qual o rebanho se confia pelo Batismo. Ele nos abre o caminho – 2,21 cf. João 13,15; Mateus 16,24 – 2,22-25 cf. Isaias 53,5-12; Ezequiel 34,5-6: Mateus 9,36.

O primeiro confronto com o hino depois de ouvir pode desiludir, porque Cristo aparece nele como um exemplo de aceitação paciente da injustiça. É necessário, porém recordar que nem todos os textos bíblicos dizem tudo, mas somente o que serve na altura; neste caso, a Pedro animar os cristãos a fazer o bem com perseverança, mesmo quando estão mergulhados no mal: não é uma posição de fraqueza, mas de força, própria somente de quem sabe que a sua sorte por último não depende dele, mas está nas mãos de Deus.

O hino é de um interesse notável pela riqueza das explicações: a morte de Jesus foi para nós princípio de uma vida nova como homens “justos”, enraizados na Sua justiça (versículo 24). Foi também fonte de cura (“pelas suas chagas fomos curados”, versículo 25a). Isso vem à nossa mente a passagem do Quarto Evangelho onde João narra como das Chagas de Jesus Crucificado saiu a água e o sangue (cf. João 19,34), o Espírito que nos concede o amor perfeito de Jesus e o torna nosso curando-nos. Finalmente, a morte de Jesus é morte de amor que reúne as ovelhas, dispersas em mil caminhos errados, em torno do amor do único Pastor (versículo 25b).

Evangelho – João 10,1-10. Hoje, amanhã e terça-feira, proclama-se como Evangelho a parábola do Bom Pastor, dirigida inicialmente por Jesus aos fariseus. A parábola global contém várias imagens parciais: porta, pastor e ovelhas, que se vão desenrolando com maior relevo nas sucessivas etapas da parábola: a porta (João 10,6-10), o pastor (versículos 11-18) e as ovelhas (versículos 26-30). Tudo aponta para uma mesma idéia: Jesus é o pastor, isto é, a sua autoridade e missão são autênticas e realizam-se em serviço até à entrega da própria vida para dar a vida eterna às suas ovelhas.

Nesta leitura predomina o gênero literário da parábola e da alegoria. A situação concreta que supõe é simples: à noite, as ovelhas dos diferentes rebanhos são agrupadas num redil (curral) comum, fechado e vigiado por um único porteiro. Os ladrões só podem ai entrar transpondo as paliçadas. De manhã, os pastores que passaram a noite na tenda familiar voltam ao redil e o porteiro abre-lhes a porta sem hesitação. Podem, então, chamar suas ovelhas e levá-las à pastagem. Portanto, a lição desta parábola é a seguinte: as ovelhas só têm confiança no “seu pastor”, título que os falsos messias ou chefes de seitas não podem reivindicar.

Na parábola de 10,1-5 descreve-se um pastor em contraste, primeiro, com o ladrão e, depois com o estranho. Diferente do ladrão e do salteador, ele entra pela porta (versículos 1-2); diferente do estranho, ele é conhecido pelo porteiro e pelas ovelhas. Elas seguem o seu pastor, enquanto fogem do estranho (versículos 3-5).

Depois a parábola é desdobrada em uma explicação alegórica de duas palavras-chaves da parábola, a saber, “porta” (versículos 7-10) e “pastor” (versículos 11-18). Estas alegorias aplicam-se a Jesus. Duas vezes repetem-se as palavras-chaves em quatro auto-afirmações de Jesus: “eu sou a porta” (versículos 7 e 9); “eu sou o bom pastor” (versículos 11 e 14). A primeira vez elas são seguidas por uma descrição daquilo que Jesus não é; a segunda vez por uma descrição daquilo que Jesus representa na ordem da salvação. A parábola dá, portanto, a razão por que Jesus merece o título de “porta das ovelhas” (versículos 9b-10) e de “bom pastor” (versículos 14b-18).

No texto Jesus se auto-define como a porta das ovelhas. Ele é a porta que conduz à vida e à imortalidade, abrindo-nos a porta fechada do paraíso perdido e franqueando-nos o acesso ao pai e ao seu reino. “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (João 10,10).

As duas imagens de “pastor e porta” deve ser entendido a partir da temática bíblica do Êxodo e da caminhada de Israel para a Terra Prometida, através dos momentos-chaves que podem ser resumidos em três verbos utilizados pelo evangelista: “fazer sair” (versículo 3), “caminhar” (versículo 4), “entrar” (versículo 9). Nas imagens do pastor e da porta esconde-se, pois, o caminho da liberdade que Jesus torna possível.

A parábola da porta constitui a resposta de Jesus à questão dos fariseus, cuja autoridade colocou em dúvida: “por acaso nós também somos cegos?” (João 9,40-41). Dois temas se sucedem: o do pastor e dos ladrões (versículos 1-10), o objetivo desta leitura, e o do bom pastor (versículos 11-16), retomado no Evangelho do Ano B.

A parábola poderia intitular-se o Bom Pastor e o ladrão. Cristo aí se opõe aos falsos pastores que não conhecem a entrada do redil, nele só entram por arrombamento e são incapazes de fazer entrarem ou saírem as ovelhas (versículos 1-5a). Jesus é, igualmente, pastor, diferente dos ladrões (versículos 5,8,10), porque somente Ele possui a vida (versículo 10) e o conhecimento (versículo 5). Estes dois temas fornecerão a trama da parábola seguinte, chamada do Bom Pastor (versículos 10-16).

Este Evangelho é a continuação lógica da segunda leitura 1Pedro 2,25). Com efeito, toda a realidade da Igreja (o redil) é comandada pela presença, nela, do Único Pastor, o que permanece para a eternidade, pois deu sua vida uma vez por todas. O ministério pastoral na Igreja só tem sentido como um serviço exercido exclusivamente como irradiação do pastoreio de Cristo. Os ministros entram no aprisco, pela porta que é Jesus Cristo, na medida em que seu serviço faz aparecer o foco irradiante da claridade de Cristo e religa existencialmente o sacrifício espiritual de cada um ao sacrifício único na Cruz.

3- DA PALAVRA CELEBRADA AO COTIDIANO DA VIDA

Jesus se apresenta, hoje, como Porta do redil. Naquele tempo os povoados tinham seu redil (curral) comunitário, construído normalmente em forma circular. Quando as ovelhas entravam, o pastor procurava deitar-se na brecha por onde o rebanho havia entrado, tornando-se assim a própria porta do redil. Nem pastores nem ovelhas entravam ou saiam, a não ser por essa porta/pastor, guarda e guia do rebanho. Por ela entravam os pastores para guardar e proteger as ovelhas e com elas saírem para a pastagem, livres e seguras. Por essa porta só não passavam ladrões e salteadores do rebanho.

Jesus não é apenas o Pastor verdadeiro, mas é a Porta das ovelhas e dos pastores. Ele nos conhece pelo nome, guia-nos para fora, caminha à nossa frente. Revela sua ternura, mansidão, paciência e amor dedicado, qualidades que sempre costumam acompanhar os pastores, inclusive até sua entrega à morte.

As imagens de pastor e porta trazem presente também nossa missão pastoral na comunidade. As críticas de Ezequiel 34 aos maus pastores de Israel poderiam recair perfeitamente sobre alguns de nós que atualmente exercemos algum trabalho pastoral. Em nossa realidade, há líderes religiosos ou políticos que se aproveitam da função e poder para tirar vantagem pessoal, à custa do empobrecimento geral. Esses não merecem o título de pastores. Seja qual for o serviço e a função que temos (bispo, padre, catequista, diácono animador(a) de comunidade, ministro ou ministra…), é muito importante aprendermos as atitudes de Jesus. É fundamental a atitude carinhosa de conhecer pelo nome, ser capaz de baixar-se, deitar-se para ser porta de passagem e de proteção da vida e bem-estar das ovelhas. E devemos estar convencidos de que o verdadeiro, o único, o santo pastor de nossas vidas é Jesus Cristo, que deu a vida por todos nós.

O texto de Jesus Pastor e Porta é proposta para uma séria revisão: somos lideranças que vamos ao encontro das pessoas, ou ficamos de braços cruzados esperando que elas venham? Estamos saindo rumo às pastagens do mundo, passando por Jesus e seu projeto, ou vamos levando a ideologia imperialista que domina hoje? Sabemos discernir entre pastores e assaltantes? Também nós cedemos à tentação de nos servir do povo para subir na vida? A tarefa da comunidade, das lideranças, de agentes de pastoral e de quem tem qualquer responsabilidade no rebanho de Jesus Cristo é lutar pela “vida”, em qualquer lugar onde ela esteja ameaçada.

4- A PALAVRA SE FAZ CELEBRAÇÃO

O conhecido e apreciado Salmo 22/23, também chamado de “salmo do Bom Pastor” é de fato uma das “pérolas” do livro dos salmos. A sua beleza poética e riqueza de imagens encantam cristãos, judeus e até pessoas de outras religiões. O mais belo deste salmo talvez seja a forma de tratamento que reconhecemos receber de Deus: “mesa farta”, “águas tranqüilas”, segurança, bem-estar… é a imagem do “Deus protetor”. Aquele que não desampara sua criação, provendo-lhe vida e salvação…

Mas nos salmos, como ensina santo Agostinho no comentário do Salmo 98, devemos procurar Cristo. E com esse mesmo olhar e inteligência que cantamos o salmo 22/23. Pois Cristo é o Pastor que nos conduz à vida plena com sua Ressurreição. É Ele quem nos conduziu à fé, fruto da Palavra que nutre e dá sentido à nossa vida, qual prado verdejante para o rebanho. Assim nutridos, passamos pelas “águas repousantes e tranqüilas” do Batismo e nos saciamos nas delícias da mesa eucarística, onde participamos do banquete do Reino, preparado para nós.

É por isso que a Igreja faz dos salmos a sua oração. Todos nós deveríamos, se já não o fazemos, rezar os salmos através do Ofício Divino das Comunidades, com a Liturgia das Horas como Canto de Abertura e Comunhão. Nesta oração, não só rezamos em nosso próprio proveito, como é justo, mas nos unimos ao Cristo para que Ele ore em nós com a sua própria Palavra, a Palavra inspirada nos salmos. Realizamos assim, aquilo que o mesmo Agostinho fala da unidade com Cristo na oração: “Cristo e a Igreja, sendo dois, tornam-se uma só pessoa, Cabeça e Corpo, Esposo e Esposa… Se são dois numa só carne, porque não seriam dois numa só voz? Fala Cristo, porque fala a Igreja em Cristo e Cristo na Igreja: o corpo na Cabeça e a Cabeça no Corpo”.

5- LIGANDO A PALAVRA COM A AÇÃO EUCARÍSTICA

Hoje o Ressuscitado, Pastor e Porta nos reúne, ovelhas de seu rebanho. Conhecendo-nos profundamente, chama-nos pelo nome para um encontro de intimidade com Ele, celebrando a memória da sua Páscoa.

Revela-nos Seu plano de amor, no desejo de que escutemos sua voz, distinguindo-a em meio ao vozerio de ladrões e assaltantes que rondam nossa vida, tentando nos enganar com falsas e alucinantes propostas, destruidoras de grandes valores.

Vamos então, na profissão de fé, como ovelhas atentas à voz do Pastor, renovar nosso compromisso de sempre segui-Lo, acompanhando Seus passos que vão à nossa frente, conduzindo-nos por caminhos bem traçados, para as fontes de água viva, onde nos faz repousar e ganhar foras.

Supliquemos para que Ele, que carregou nossos pecados em seu próprio Corpo e por suas feridas nos curou, nos faça viver na justiça e, como pastores solícitos no amor, prontos na defesa dos irmãos e irmãs enfraquecidos, estejamos a serviço da vida, principalmente onde ela estiver mais ameaçada. Rezemos também para que mais pessoas se dediquem ao trabalho pastoral em nossas comunidades e, rebanho e pastores, possam atingir, apesar da fraqueza, a fortaleza do Pastor.

Agradeçamos ao Pai, que sempre nos oferece mesa farta com o pão da Palavra e da Eucaristia, fazendo nossa taça transbordar de vida e esperança.

6. ORIENTAÇÕES GERAIS

1. No Ano A, as primeiras leituras de cada um desses domingos são tiradas dos Atos dos Apóstolos: descrevem a vida da primeira comunidade que se reúne na fé em Jesus Cristo Ressuscitado. As segundas leituras são da Primeira Carta de São Pedro: a vida cristã é uma vida pascal; seguindo nos passos de Jesus, como povo novo, constroem sobre o fundamento, a pedra principal que é Cristo. Nos evangelhos destes domingos (São João e a narração dos discípulos de Emaús de São Lucas no Terceiro Domingo), o Cristo Ressuscitado continua presente na reunião dos discípulos e é a porta de acesso ao Pai, no Espírito.

2. Os cinqüenta dias que vão desde o Domingo de Páscoa na Ressurreição do Senhor até o Domingo de Pentecostes devem ser celebrados com verdadeira alegria como se fosse um grande domingo. Esses cinqüenta dias é como se fosse um só dia de festa, “símbolo da felicidade eterna” (Santo Atanásio). Os domingos pascais se caracterizam pela ausência de elementos penitenciais e pela acentuação de elementos festivos. A alegria deve ser a característica do Tempo Pascal. A alegria deve estar presente nas pessoas da comunidade e também no espaço litúrgico, na cor branca (ou amarela), nas flores, no canto alegre do “Aleluia”, na alegria de sermos aspergidos pela água batismal, no gesto da acolhida e da paz. O Tempo Pascal constitui-se em “um grande domingo”. Vivenciamos dias de Páscoa e não após a Páscoa.

3. O Círio Pascal deve estar sempre presente, junto à Mesa da Palavra em todas as celebrações do Tempo Pascal. É importante que o Círio seja aceso no início da celebração, após o canto de abertura, enquanto a assembléia entoa um refrão pascal. Ele é o sinal do Cristo ressuscitado, Senhor de nossas vidas.

4. Dar destaque durante o Tempo Pascal para a água batismal. Onde há pia batismal, ela deve ser o ponto de referência para a realização de ritos como aspersão, renovação de promessas, compromissos. Onde não há pia batismal, preparar alguma vasilha de cerâmica, de preferência junto do Círio Pascal.

5. Proclamar com vibração a ação de graças (Oração Eucarística), pode-se cantar o Prefácio da Páscoa e, nas celebrações da Palavra, entoar um “Bendito Pascal”.

7. Vivamos intensamente este tempo de festa, celebrando a vida nova que Cristo nos deu, vencendo a morte. É importante que o espaço celebrativo da Vigília Pascal continue o mesmo para a celebração do Domingo de Páscoa e todo o Tempo Pascal.

8. O Tempo Pascal é, muito indicado, liturgicamente, para as celebrações da Crisma e da primeira eucaristia, numa continuidade com a noite batismal da Páscoa.

7- MÚSICA RITUAL

O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos “cantar a liturgia” e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com “cada Domingo do Tempo Pascal”, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são da Páscoa, “é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado”. Jamais os cantos devem ser escolhidos para satisfazer o ego de um grupo ou de um movimento ou de uma pastoral. Não devemos esquecer que toda liturgia é uma celebração da Igreja corpo de Cristo e não de um grupo, de uma pastoral ou de um movimento.

1. Canto de abertura. “A criação é obra do amor de Deus (Salmo 32/33,5-6). Neste Quarto Domingo da Páscoa um canto muito oportuno é o Samba da Ressurreição: “Cristo está vivo, ressuscitou”, CD: Liturgia XVI, melodia da faixa 7. Ele ajuda a comunidade a manifestar a alegria pascal e a tomar consciência de nossa vocação cristã de pastores e missionários no mundo. Neste canto quem preside pode dar destaque para a segunda estrofe, “Ide e anunciar” que manifesta a missão dos pastores da Igreja que é de anunciar a Palavra de Deus para todos.

A função do canto de abertura, inserido nos ritos iniciais, cumpre antes de tudo o papel de criar comunhão. Seu mérito é de convocar a assembléia e, pela fusão das vozes, juntar os corações no encontro com o Ressuscitado, na certeza de que onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí no meio deles (Mateus 18,20). Este canto tem que deixar a assembléia num estado de ânimo apropriado para a escuta da Palavra de Deus.

Ensina a Instrução Geral do Missal Romano que o canto de abertura tem por objetivo, além de unir a assembléia, inseri-la no mistério celebrado (IGMR nº 47). Nesse sentido o Hinário Litúrgico II da CNBB nos oferece uma ótima opção, que estão gravados no CD Liturgia XVI.

2. Refrão para o acendimento do Círio Pascal. “Cristo-Luz, ó Luz, ó Luz bendita…”, CD Festas Litúrgicas I, melodia da faixa 9; “Salve Luz eterna, és tu Jesus…”, Hinário Litúrgico II da CNBB, página 292.

3. Canto para o momento da aspersão com a água batismal. “Eu vi, eu vi, a água manar…”, CD Tríduo Pascal II, faixa 12; “Banhados em Cristo, somos uma nova criatura…”, CD Tríduo Pascal II, melodia da faixa 11, ou Hinário Litúrgico II da CNBB, página 196.

4. Hino de louvor. “Glória a Deus nas alturas…” Vejam o CD Tríduo Pascal I e II e também no CD Festas Litúrgicas I, Partes fixas do Ordinário da Missa do Hinário Litúrgico III da CNBB e também a versão da CNBB musicado por Irmã Miria e outros compositores.

O Hino de Louvor, na versão original e mais antiga, é um hino cristológico, isto é, voltado para Cristo, que exprime o significado do amor do Pai agindo no Filho. O louvor, o bendito, a glória e a adoração ao Pai (primeira parte do Hino de Louvor) se desdobram no trabalho do Filho Único: tirar o pecado do mundo, exprimindo e imprimindo na história humana a compaixão do Pai. Lembremo-nos: o Hino de Louvor não se confunde com a “doxologia menor” (Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo). O Hino de Louvor encontra-se no Missal Romano em prosa ou nas publicações da CNBB versificado numa versão que facilita o canto da assembléia.

5. Salmo responsorial 22/23. “O Senhor é o pastor que me conduz; para as águas repousantes me encaminha”, CD: Liturgia XVI melodia da faixa 6.

6. Aclamação ao Evangelho. “Eu conheço as minhas ovelhas”, (João 10,14). “Aleluia… Eu sou o bom pastor, diz o Senhor”, CD Liturgia XVI, melodia da faixa 3. O canto de aclamação ao evangelho acompanha os versos que estão no Lecionário Dominical ou a versão do CD Liturgia XVI.

7. Apresentação dos dons. O canto de apresentação das oferendas, conforme orientamos em outras ocasiões, não necessita versar sobre pão e vinho. Seu tema é o mistério que se celebra acontecendo na fraternidade da Igreja reunida em oração, no Tempo Pascal. “Cristo é o dom do Pai”, CD: Liturgia XVI, melodia da faixa 8.

8. Canto de comunhão. “Pelos bons caminhos me conduz” (Salmo 22/23,3b). Ressuscitou o bom Pastor… O canto mais adequado para hoje é a versão do Salmo 22, musicado por Frei Fabreti: “Pelos prados e campinas verdejantes, eu vou”, CD: Liturgia XVI, melodia da faixa 9, bastante conhecido por nosso povo e que nos ajuda a mergulhar no mistério desta liturgia. Este Salmo também está musicado no CD: Liturgia X (Tempo Pascal Ano B) e CD: Liturgia XV (Tempo Pascal Ano C).

O canto de comunhão deve retomar o Evangelho. No Quarto Domingo da Páscoa, somos chamados a contemplar Jesus como “Bom Pastor e a porta das ovelhas” que com Sua Ressurreição nos conduz à vida em abundância. “Pelos prados e campinas verdejantes eu vou”.

8- ESPAÇO CELEBRATIVO

1. Preparar de forma festiva o ambiente, dando destaque ao Círio Pascal e a pia batismal, com flores e a cor branca ou amarelada nas vestes e toalhas. Ornamentar com flores, mas em exageros, para não transformar o espaço da celebração numa floresta, para não roubar a cena do Altar e do Ambão.

2. Colocar junto do Ambão ou em outro lugar do presbitério um ícone ou imagem do Cristo Bom Pastor. Pode ser também na entrada da Igreja.

3. A Tradição Romana usa a cor branca neste tempo. Talvez, de acordo com a nossa cultura, podemos caprichar, usando o amarelo ou várias cores festivas.

4. Sugerimos colocar, próximo ao Círio Pascal, as faixas jogadas ao chão e o véu dobrado.

5. O Tempo Pascal não é nada mais, nada menos do que a própria celebração da Páscoa prolongada durante sete semanas de júbilo e de alegria. É o tempo da alegria, que culmina na festa de Pentecostes. Tudo isso deve ficar evidente no espaço da celebração.

9. AÇÃO RITUAL

Celebramos o bom Pastor que com sua Ressurreição, conduz-nos à vida plena. Cristo morrendo e ressuscitando dos mortos conduz nossa humanidade pelo vale tenebroso, até a vida plena que Deus nos preparou em sua ressurreição.

Ritos Iniciais
1. Onde for possível, a celebração pode começar do lado de fora da Igreja. Depois do canto de abertura, a saudação inicial, escolhida em harmonia com o Evangelho do dia ajudará a manifestar a face cuidadora do nosso Deus. Após a saudação e o sentido litúrgico, inicia-se à procissão para o interior da Igreja.

2. Na procissão de entrada entrar com as pessoas que foram batizadas ou pessoas que receberam um dos sacramentos na Vigília Pascal, ou crianças com vestes brancas, trazendo flores. Além da cruz processional e das velas, podem ser levados símbolos da caminhada pastoral da comunidade como: cajado, bolsa de pastor, sandálias, instrumentos de trabalho das diversas pastorais. Quem preside pode entrar com um cajado simbolizando que está à frente do rebanho para conduzi-lo, mas diferente do báculo episcopal

3. Após o canto de abertura, fazer um pequeno lucernário, solenizando o acendimento do Círio Pascal: uma pessoa acende o Círio e diz: “Bendita sejas, Deus da Vida, pela ressurreição de Jesus Cristo e por essa luz radiante!”. Ou outros refrões que revela o sentido pascal: “Salve, luz eterna és tu, Jesus!/ Teu clarão é a fé que nos conduz! (Hinário II, pág. 292). “Cristo-Luz, ó Luz bendita,/ Vinde nos iluminar!/ Luz do mundo, Luz da Vida,/ Ensinai-nos a amar! A seguir, incensa o Círio pascal e a comunidade reunida. Após a saudação inicial, caberia muito bem a Recordação da Vida como nos ensina Lucas 24,14-24.

4. Se a comunidade tiver dificuldade para fazer este pequeno lucernário, a procissão de entrada pode ter à frente o Círio Pascal aceso. Neste caso, não se usa a cruz processional, que permanece em seu lugar de costume.

5. A saudação presidencial deve ser a opção “c”, do Missal, pois reflete o mistério no qual Cristo nos conduz a Deus:

“O Senhor, que encaminha os nossos corações para o amor de Deus e a constância de Cristo, esteja convosco”.

6. Após a saudação presidencial dar o sentido litúrgico:

Domingo do Bom Pastor. A alegria da Páscoa enche o universo e nos convida a dar graças a Deus pela vida que nasce da entrega de Jesus. Nesta celebração, peçamos que o Senhor coloque em nosso coração o desejo de escutar sempre a sua Palavra e de buscar a comunhão com Ele, com os nossos pastores e as pessoas de nossa convivência.

7. Nas palavras de boas vindas, o presidente da assembléia procure não fazer deste domingo unicamente um “domingo das vocações”. É Cristo morto e ressuscitado que é festejado e cantado em todos os domingos da Páscoa. Hoje, ele nos é apresentado com traços de Pastor, que nos precede e nos guia para as fontes de vida. O Ressuscitado é o Caminho, a Verdade e a Vida.

8. Substituir o ato penitencial pelo rito de aspersão com a água (se possível perfumada) que foi abençoada na Vigília Pascal. Ajudar a comunidade a aprofundar sua consagração batismal. Não havendo água abençoada na Vigília Pascal, o ministro reza o oração de bênção conforme o Tempo Pascal que está no Missal Romano página 1002. No ato da aspersão, a assembléia canta: “Banhados em Cristo, somos u’a nova criatura./ As coisas antigas já se passaram,/ Somos nascidos de novo./ Aleluia, aleluia, aleluia! Outra opção é o canto “Eu vi foi água”. Ver em Música Ritual.

9. Cantar com vibração o Hino de louvor. Durante a Quaresma ele foi silenciado, agora deve ser cantado com exultação porque é o Hino Pascal do Glória.

10. Na Oração do Dia suplicamos ao Pai, para que nos fortifique com a fortaleza do Bom Pastor apesar de nossas fraquezas e assim possamos ser conduzidos à comunhão das alegrias celestes.

Rito da Palavra

1. O Salmo responsorial seja preferencialmente cantado, bem como o Evangelho e se possível a resposta das preces.

2. Após as leituras, o salmo e a homilia, prever momentos de silêncio, para fortalecer a atitude de acolhida da Palavra em nossa vida e em nossa ação.

3. Lembrar e rezar pelo papa, pelo bispo diocesano, pelo pároco e por todas as lideranças da comunidade. Fazer memória das pessoas que conduziram a comunidade nos últimos anos.

5. Rezar a oração pelas vocações como conclusão das preces.

6. Na profissão de fé, convidar os que receberam os sacramentos na Vigília Pascal para se aproximarem do Círio Pascal com velas acesas.

Rito da Eucaristia

1. Na Oração sobre as Oferendas, peçamos que Deus nos conceda que o Mistério Pascal, seja fonte de renovação e eterna alegria.

2. Seria oportuno o Prefácio I do Tempo Pascal em que contemplamos Cristo como O verdadeiro Cordeiro Pascal. Outra opção é o Prefácio II, no qual contemplamos Cristo abrindo as portas do Reino aos fiéis redimidos, remete ao capítulo 10 de João, bem como à ressurreição de Cristo como a vida para a qual somos conduzidos pelo Pastor. Onde for possível, cantar o Prefácio e, nas celebrações da Palavra, cantar a Louvação Pascal (Bendito Pascal) do Hinário II da CNBB, página 156. Seria oportuno a proclamar com vibração a ação de graças (Oração Eucarística I).

3. A Oração Eucarística com prefácio próprio. Não é demais recordar que somente a oração I, II, e III, admitem outro prefácio. As demais não poderão ser rezadas nesse tempo. O folheto o Domingo errou ao colocar a Oração Eucarística V.

4. Onde for possível, cantar o Prefácio e, nas celebrações da Palavra, cantar a louvação pascal com a melodia da louvação do Natal Hinário I da CNBB, pag. 74, e a letra do Hinário Litúrgico II da CNBB, pag. 156.

5. Motivar o abraço da paz como a paz do Ressuscitado. Não se trata de um momento de confraternização, nem momento para cantar. O rito mais importante é o que vem a seguir, ou seja, a fração do pão, que deve ser uma ação visível acompanhada pela assembléia com o canto do Cordeiro.

6. Dar realce ao gesto da “fração do pão”. Cristo nosso Páscoa, é o Cordeiro imolado, Pão Vivo e verdadeiro. Um (uma) solista canta: “Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo. A assembléia responde: Tende piedade nós… Deve ser executado assim, para não perder o caráter de ladainha.

7. A mesa farta, preparada pelo Bom Pastor, contará com pão no lugar de hóstias onde for possível e vinho para todos. Os fiéis, onde for possível, poderiam comungar no próprio Altar. De acordo com as orientações em vigor, a comunhão pode ser sob as duas espécies para toda a comunidade. “A comunhão realiza mais plenamente o seu aspecto de sinal quando sob as duas espécies. Sob essa forma se manifesta mais perfeitamente o sinal do banquete eucarístico e se exprime de modo mais claro a vontade divina de realizar a nova e eterna Aliança no Sangue do Senhor, assim como a relação entre o banquete eucarístico e o banquete escatológico no Reino do Pai” (IGMR, nº 240).

Ritos Finais

1. Na Oração depois da Comunhão, suplicamos ao Supremo Pastor que olhe com solicitude sobre o rebanho para que viva nos prados eternos.

2. Dar a bênção final própria para o Tempo Pascal, conforme o Missal Romano, página 523. No final o povo responde com os dois “Aleluias”, no envio dos fiéis.

3. As palavras do rito de envio podem estar em consonância como mistério celebrado: “Cristo é a porta, entrai por ela”. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.

10- CONSIDERAÇÕES FINAIS

Olhando para Deus, nosso Pastor, e a Jesus que entre nós apresentou estes traços do Pai, podemos confiar que Ele também hoje nos enviará pastores conforme as necessidades de seu povo. Também hoje Deus chama pessoas que, como Jesus, podem ser um pouco imagem de Deus para os irmãos e irmãs. Fiquemos nós em silêncio para escutar a voz do Pastor.

Celebremos nossa Páscoa, na pureza e na verdade, aleluia, aleluia.

O objetivo da Igreja é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas aquelas outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.

Um abraço fraterno a todos

Pe. Benedito Mazeti

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