Artigos, Pe. Bendito Mazeti › 10/05/2017

5º DOMINGO DA PÁSCOA NA RESSURREIÇÃO DO SENHOR ANO A – 14 de maio de 2017

Leituras

Atos 6,1-7. Escolheram sete homens cheios do Espírito Santo
Salmo 32/33,1-24,5.18-19. Pois reta é a Palavra do Senhor.
1Pedro 2,4-9. Aproximai-vos do Senhor, pedra viva.
João 14,1-12. Quem me viu, viu o Pai.

“EU SOU O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA”

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1- PONTO DE PARTIDA

Domingo das muitas moradas. Na celebração de hoje o Senhor se manifesta como Caminho, Verdade e Vida. Nele, o Pai revelou seu amor e renova, hoje, com todos os povos a sua Aliança. O Ressuscitado apresenta-se como o Caminho a ser seguido para chegar ao Pai, a Verdade que não escraviza e ilude, mas liberta, a Vida que se doa plenamente a toda a humanidade.

O Senhor nos convida a renovar nossa adesão a Ele e nosso desejo de comunhão e solidariedade uns para com os outros. Ele nos mostra o caminho a seguir, a verdade a buscar e a vida a defender.

2- REFLEXÃO BÍBLICA, EXEGÉTICA E LITÚRGICA

Primeira leitura – Atos dos Apóstolos 6,1-7. O texto de hoje nos mostra como a primeira comunidade cristã, diante das primeiras dificuldades, se organiza para permanecer fiel à sua missão.

No tempo de Jesus e da primeira comunidade cristã existia em Jerusalém um serviço de socorro aos pobres, muito bem organizado e regulamentado. Isto era necessário. Jerusalém e o Templo formavam o centro e o santuário nacionais de todos os judeus da Palestina e da Diáspora. Continuamente chegavam a Jerusalém romarias de todos os países situados em redor do Mar Mediterrâneo e às margens dos rios Tigre e Eufrates. Muitos dos romeiros não voltavam mais ao seu país de origem, mas resolviam ficar morando em Israel, a Terra Prometida, herdada dos pais e patriarcas. Estes se organizaram em comunidades ou bairros próprios, a maioria de língua grega, e tiveram suas próprias sinagogas (Atos 6,9).

Esta situação gerou graves problemas sociais. Muitos dos romeiros não traziam muito dinheiro para custear uma estadia prolongada em Jerusalém. E muitos daqueles que resolviam ficar não encontravam logo emprego ou ganha-pão para se sustentarem. Para enfrentar esses problemas havia uma distribuição diária de gêneros alimentícios para aqueles romeiros pobres que estavam de passagem. E para os pobres que tinham seu domicílio na cidade distribuíam-se uma vez por semana gêneros alimentícios e roupas.
Lucas nos dá nos Atos dos Apóstolos informações de que os cristãos imitaram esse exemplo, organizando um próprio serviço de assistência aos pobres. O que é um sinal de desligamento das comunidades cristãs do Judaismo. Os cristãos socorreram diariamente os pobres da comunidade, as viúvas em primeiro lugar. O destaque dado às viúvas talvez tem origem no desejo da comunidade primitiva de caprichar na execução das ordenações do Deuteronômio em favor das viúvas (cf. Deuteronômio 14,29; 16,11.14; 24,17.19-21; 26,12s). Talvez o número das viúvas desamparadas tenha sido relativamente grande. Muitos judeus idosos da Diáspora mudaram-se para Jerusalém para aí morrerem e serem sepultados. Muitos deles, ao morrerem, deixaram suas viúvas. Sem o socorro, organizado pela comunidade, elas teriam ficado desamparadas, por não terem parentes na cidade.

A queixa dos cristãos de língua grega a respeito da discriminação de suas viúvas, era devido que a organização do auxílio às viúvas estava em mãos de cristãos de língua aramaica. Os “hebreus” eram estes judeus que permaneceram ou voltaram à Palestina após o exílio. Falavam o aramaico, liam a Sagrada Escritura em hebraico na sinagoga e centravam sua vida religiosa no Templo. Os helenistas, ao contrário, viviam na Diáspora, falavam grego, liam a Sagrada Escritura segundo a tradição dos Setenta e observavam a Lei sem se purificarem de certos elementos inaceitáveis nas regiões onde viviam, o que causava desaprovação dos judeus de estreita observância. Portanto, a cisão religiosa se reforçava por um problema lingüístico, e mesmo cultural, ao ponto de os cristãos de língua grega possuírem suas sinagogas particulares em Jerusalém.

Confrontados com o problema, os apóstolos tomaram as medidas necessárias para resolver o caso, mas mostraram ao mesmo tempo muita habilidade para não serem envolvidos em posições partidárias nem serem desviados de sua principal missão que era a pregação da Palavra de Deus. Não se trata somente de uma subdivisão de tarefas que a Igreja indica, mas também uma atualização dos objetivos que contam e que não podem faltar na comunidade de Jesus Cristo.

Salmo responsorial – 32/33,1-2.4,5.18-19. É um salmo de tipo sapiencial. Os “justos” ou “retos” são a comunidade litúrgica do povo escolhido. Louvor e ação de graças freqüentemente se encontram unidos. Convida ao louvor de Deus com acompanhamento musical (versículos 1-2), leva a meditar sobre as obras de Deus. Em primeiro lugar as obras da Criação, todas sustentadas pela Palavra vivificadora (versículos 4-5), e depois a obra que o Senhor realiza na vida de cada um: vale a pena viver como justos, porque Deus vela sobre todos os seres humanos e não os abandona (versículos 18-19).

Deus olha para as pessoas que respeita e põe em prática o seu projeto e confia no seu amor. O salmista nos convida a colocar nossa esperança em Deus que é a nossa proteção. O Salmo finaliza com uma súplica pedindo que o olhar de Deus esteja sobre as nossas vidas e colocar Nele a nossa esperança.

O rosto de Deus. Neste salmo tem duas características fortes de Deus: Ele é o Criador e o Senhor da história. Não é somente o Deus de Israel, mas de toda a humanidade. O versículo 5 resume isso de forma clara: “Ele ama a justiça e o direito, e seu amor enche a terra”. Este salmo nos apresenta o Deus que deseja a justiça e o direito no mundo inteiro, e não somente em Israel. Podemos afirmar, então, que estamos diante do Senhor Deus, o aliado da humanidade. Ele quer, com todos os seres humanos, construir um mundo de justiça. Deseja que o mundo inteiro o tema e experimente o Seu amor misericordioso.

O Novo Testamento vê Jesus como a Palavra criadora do Pai (João 1,1-18) e como Rei universal. A Paixão segundo João O apresenta como Rei do mundo inteiro, um Rei que dá a vida para que a humanidade possa viver plenamente.

Na celebração de hoje agradeçamos ao Senhor o seu amor que se revela na criação do mundo e na caminhada da libertação do seu povo e em nossa vida:

SOBRE NÓS VENHA, SENHOR, A VOSSA GRAÇA,
DA MESMA FORMA QUE EM VÓS NÓS ESPERAMOS!

Segunda leitura – 1Pedro 2,4-9. Pedro atribui às comunidades cristãs que, certamente em parte, eram constituídas de pagãos convertidos, as prerrogativas mais sagradas do antigo povo de Deus. São dignos porque devem a sua origem e existência ao Cristo ressuscitado. Ele é o novo fundamento do povo de Deus. Pedro confirma esta interpretação dos eventos pascais, aplicando a Jesus vários textos do Primeiro Testamento. Entre eles o salmo 117/118,22 (nos versículos 4 e 7; Isaias 8,14 (no versículo 7); Isaias 28,16 (no versículo 6). Mediantes estes textos Jesus recebe nestes poucos versículos os títulos de “pedra viva, escolhida e preciosa aos olhos de Deus” (versículo 4), “pedra angular” (versículo 6) e “pedra principal” do novo povo de Deus. Esta “pedra” que sustenta o novo povo de Deus, serve ao mesmo tempo de contraforte contra quem os adversários e incrédulos se esbarraram para sua própria ruína. Por isso Jesus também é chamado de “pedra de tropeço e pedra de escândalo” (versículo 7). Por associação as comunidades cristãs são chamadas no versículo 5 de “templo espiritual” e “sacerdócio santo” ou “sacerdócio real”. São os títulos principais de que pode vangloriar-se o Povo de Deus nascido da fé em Jesus Cristo.

“Pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida e preciosa aos olhos de Deus” (cf. versículo 4); quase todos os termos são tirados de passagens do Primeiro Testamento, exceto um, que representa uma novidade, o de “pedra viva”. Nesta metáfora verifica-se a contraposição ao templo material, cujas pedras não são vivas, mas adverte-se, sobretudo, a referência à ressurreição de Jesus.

Também os que crêem em Cristo se tornam por isso “pedras vivas” (versículo 5a), no sentido de que são habitados e transformados pelo poder vivificante do Ressuscitado. Constroem assim um “templo espiritual” (versículo 5b), não só no sentido de “não material”, mas precisamente no sentido de que são invadidos e animados pelo Espírito do Ressuscitado. E obtêm assim a qualificação de “sacerdócio santo” (versículo 5c cf. versículo 9): sacerdotes enquanto não tornados capazes de entrar no dinamismo de Cristo, que Se dá todo a Deus e aos homens. Nota-se, porém, que não se fala tanto das pessoas singulares como sacerdotes, mas como de um povo que, no seu conjunto, constitui um sacerdócio santo e real. É forte, portanto, o convite a viver em unidade: de resto, se essas pedras formam um edifício único, como poderia uma separar-se das outras sem produzir um grave dano a toda a comunidade?

Evangelho – João 14,1-12. Os evangelhos de hoje e dos domingos seguintes propõem trechos do discurso após a Ceia. De fato, trata-se de três textos sucessivos. O primeiro (João 13,33-14,31), é um discurso de despedida, no fim do qual os Apóstolos e Cristo “se levantam” (João 14,31): portanto, a reunião já terminou. O segundo (João 15-16), nesses dois capítulos é uma repetição do primeiro, cujos temas principais desenvolvem. O terceiro discurso (João 17), reproduz a oração “sacerdotal” de Cristo a seu Pai.

O Evangelho deste Domingo do Ano A pertence ao primeiro discurso. Depois que Jesus anunciou a traição de Judas e sua morte os Apóstolos manifestam sua inquietude e sua tristeza diante do abandono de Cristo. Jesus anuncia-lhes que se reencontrarão junto do Pai (João 14,1-3.19.28), e garante-lhes sua presença entre eles no amor (João 13,33-35; 14,21) e no conhecimento (João 14,4-10).

Na primeira parte (João 14,1-4) acontece a interpretação tradicional dos eventos da Páscoa. Morrendo, Jesus não permanecerá no túmulo, mas irá para o céu, “a casa do Pai”. Aí ele vai preparar um lugar para todos que Nele vierem a crer.

Esta passagem de João traz presente dois temas bíblicos importantes: o da casa e o do caminho. A casa de Deus indica o Templo de Jerusalém. Mas Jesus já havia declarado que a verdadeira morada do Pai não podia mais ser confundida com esta casa de comércio e de formalismo (João 2,17-20). Também fez compreender que Ele era esta casa de Deus (João 2,20-22), pois sua fidelidade ao Pai constitui o sacrifício definitivo e porque, Nele, todas as pessoas serão acolhidas de modo mais hospitaleiro que no Templo de Sião-Jerusalém.

Agora ele revela que a verdadeira casa do Pai é a glória na qual vai entrar e para onde podem acompanhá-Lo aqueles que ainda não venceram a morte e o pecado (versículos 1-3; cf. 2Coríntios 5,1). A casa torna-se, assim, de alguma forma, uma experiência: a de “viver” com o Senhor e com o Pai (versículo 3); ela não é mais um lugar, mas um modo de existir na vida divina e na comunhão com o Pai.

A imagem da casa traz presente muito espontaneamente a dos caminhos que a ela conduzem: êxodo que conduz à Terra Prometida, peregrinação que leva ao Templo, caminho de volta do exílio.

Este tema do caminho introduz a idéia da meditação de Cristo. Assim como a morada do Pai não é mais um lugar propriamente falando, mas a experiência de uma comunhão, da mesma forma o caminho que a ela conduz não é mais localizado, mas torna-se a própria pessoa daquele que foi o primeiro a fazer esta experiência e a comunicá-la a seus irmãos (versículo 10) pelo ensino de sua “verdade” e pela comunicação de sua “vida” (versículo 6).

Jesus é Verdade porque é a perfeita revelação do Pai, segredo de todas as coisas. Ele é Vida porque, desde agora, faz o ser humano partilhar da comunhão com Deus vivo (João 3,36; 5,24; 6,47). Ele é, antes de tudo, o Caminho porque estas funções de verdade e de vida realizam-se num contexto escatológico cujo cumprimento está próximo.

Somente por meio de Jesus é possível chegar ao Pai (versículo 6). Jesus não é um homem de Deus igual a tantos outros, que indicam o caminho, que ensinam a verdade e prometem a vida. Ele mesmo em pessoa, em sua existência concreta, é a revelação de Deus por excelência, porque Nele entre Deus e a pessoa humana a distancia é eliminada, a verdade divina é revelada tornando-se realidade na Sua existência, e a vida divina e eterna é dada. Por tudo isso o Pai está presente Nele. “Pois nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Gálatas 2,9). Conhecer Jesus significa conhecer o Pai. Crer Nele é encontrar-se com o Pai. Em Jesus o Pai torna-se presente e transparente.

3- DA PALAVRA CELEBRADA AO COTIDIANO DA VIDA

A meta da nossa caminhada pascal é a casa do Pai, seu abraço aconchegante que nos espera, seu rosto amoroso, benigno, confiável e, sobretudo a participação na sua intimidade que nos leva à saciedade e à plenitude de nossa identidade.
A casa do Pai, aberta a todos, tem lugar sobretudo para os mais pobres que nunca tiveram uma casa própria, para os filhos pródigos que desejam regressar, para quem é desprezado pelo sistema e para os fiéis que souberam carregar o peso do trabalhos e da vida.

Um caminho nos leva ao Pai! No Primeiro Testamento, o “caminho” traz presente a marcha do Êxodo em direção à Terra Prometida. O evangelho revela que Jesus é o Caminho, o meio, a porta para a vida, pois Ele é a revelação do Pai, no qual está a fonte e o horizonte de toda caminhada humana. Hoje existem muitos descaminhos oferecidos pelo consumismo, pelos meios de comunicação, e muita gente desencaminhada ou, até sem rumo na vida. Seguindo no caminho proposto por Jesus, a comunidade deve realizar o projeto de Deus, na vida, morte e ressurreição de Jesus.

Jesus é a verdade, porque é revelador do Pai. Ele é a revelação mais autentica do projeto de Deus. Ele tornou realidade visível o grande amor que o Pai tem por nós. Viver Jesus-Verdade é fazer concretamente em nossa vida a vontade do Pai: construir Seu reino de amor e paz. É ser fiel, como Jesus, ao projeto de Deus e denunciar as mentiras enganosas do mundo atual.

Jesus é a Vida, porque o Pai, Senhor do sopro da vida, está Nele presente. Recebemos de Jesus a vida em abundância (João 10,10) e a função da comunidade é apontar para essa vida que está em Jesus e profeticamente ser uma voz contra todas as mentiras e mortes. Não é indicar onde a vida se encontra, mas vivê-la profundamente através do mandamento do amor, síntese do projeto de Deus. Ao se declarar Caminho, Verdade e Vida, Jesus resume todo o Seu Evangelho.

Quando Jesus diz que é o “caminho”, está declarando que é o único caminho e que fora Dele não há salvação. Até mesmo para as pessoas crentes de outras religiões, a salvação passa por Cristo. São os “cristãos anônimos”, como definia o teólogo Karl Rahner. Nas religiões não-cristãs, encontram-se sementes do Verbo. Por isso, não é de bom tom ter atitudes proselitistas diante de seus fiéis. O próprio Jesus valorizou a fé de outras pessoas crentes que não faziam parte do povo de Israel. É o caso do centurião romano que pertencia a um império pagão e suplicou a Jesus que curasse o seu empregado. Diante da fé daquele pagão Jesus respondeu. “Em verdade vos digo que, em Israel, não encontrei em Israel alguém que tivesse tal fé” (Mateus 8,10b). conhecendo a abertura ecumênica de Jesus, diante de crentes de outras religiões, somos convidados a testemunhar nossa fé e com eles colaborar na construção da paz e na defesa de toda a criação, realizando, desta forma, o projeto do Reino de Deus. Em nossa existência seguimos muitos caminhos, temos muitas verdades e buscamos a vida em muitos lugares; entretanto, Jesus se proclama o Caminho, a Verdade e a Vida para conhecer Deus como Pai.

4- A PALAVRA SE FAZ CELEBRAÇÃO

A experiência de Deus que os discípulos fizeram por meio de Jesus ainda continua hoje. Também nós fazemos nossa experiência de Deus por meio das mediações da vida e da nossa religião. A teologia chama esse tipo de relação de economia salvífica, isto é, o jeito que Deus faz para nos dar a salvação. Esse “jeito” é sacramental, por meio dos sinais sensíveis. Por isso entendemos Jesus dizendo a Filipe: “quem me vê, vê o Pai”, pois Jesus é sacramento do Pai. Ele media a nossa relação com Deus. Nós cristãos, cremos que só chegamos ao Pai por meio de Jesus, o único mediador, sacramento de Deus.

Hoje, também nós, temos acesso a Deus e à salvação em uma relação mediada: Deus nos deixou sinais sagrados, aos quais chamamos sacramentos. O principal sacramento é a Igreja, comunidade daqueles que foram incorporados a Cristo pelo Batismo, que participam da sua unção profética, régia e sacerdotal, que tomam parte na sua mesa, partilhando Seu Corpo e Sangue. A Igreja é sacramento de Cristo e opera, unida a Ele, em favor da salvação da humanidade. Ele media a nossa salvação com Jesus e Jesus a nossa relação com o Pai. Funciona como uma cadeia simbólica, com a qual e pela qual entramos em comunhão com Deus e com os irmãos.

Também os sacramentos (Batismo, Crisma, Eucaristia, Reconciliação, Ordem, Matrimônio e Unção dos enfermos) são sinais que mediam essa relação de salvação. Por eles entramos em comunhão com a Igreja, com Cristo, com o Espírito Santo e com o Pai. Também neles e por eles Deus nos toca, fortalece, consola, corrige, envia, transforma, renova e salva. Da nossa parte, como membros da Igreja e participantes dessa rede de comunhão com Deus, devemos ter, como nos ensina o Papa Bento XVI, uma existência sacramental. Todos nós devemos promover a comunhão das pessoas com a Igreja, com Cristo e com o Pai. Isso se dá através do nosso testemunho, do nosso empenho missionário e da “nossa vida litúrgica”. Em cada desses momentos, o próprio Cristo age em nós. Não sem razão, em toda Missa aclamamos: “Por Cristo, com Cristo e em Cristo…”!

5- LIGANDO A PALAVRA COM A AÇÃO EUCARÍSTICA

Somos pedras vivas, pessoas ressuscitada! Formamos nesta assembléia litúrgica o edifício espiritual, a nação santa, com Cristo, nossa pedra angular, isto é, nossa pedra cumeeira, rocha sobre a qual selamos a Nova Aliança.

Na Profissão de fé, retomemos nosso compromisso de seguir Jesus, Caminho da Verdade que nos conduz à verdadeira Vida, construindo desde já uma morada que seja lugar de paz, de aconchego, de convivência prazerosa, de relações gratuitas, verdadeiras e duradouras, onde possamos ensaiar a comunhão plena de todos nós, humanidade e universo com o Pai.

Como povo sacerdotal, proclamemos na Eucaristia o mistério de nossa fé, as maravilhas daquele que, com a entrega de sua vida, nos arrancou do poder do mal e da morte e nos chamou das trevas para sua luz maravilhosa.
Ofereçamos com ele ao Pai o culto espiritual, a oferta agradável de nosso louvor e de nossa vida. Que os nossos corações não se perturbam! Pois, pela comunhão de Seu Corpo e Sangue, participamos da força e do dinamismo de seu Espírito. Podemos então realizar, conforme sua promessa, as obras que ele realizou: transformação pascal de nossa realidade e contemplar a face luminosa do Pai no rosto sofrido dos pobres, dos pequenos, dos irmãos e irmãs em nossa convivência na família, na comunidade, no trabalho e em todos os lugares onde ele faz sua especial morada.

6. ORIENTAÇÕES GERAIS

1. O Círio Pascal deve estar sempre presente, junto à Mesa da Palavra em todas as celebrações do Tempo Pascal. É importante que o Círio seja aceso no início da celebração, após o canto de abertura, enquanto a assembléia entoa um refrão pascal. Ele é o sinal do Cristo ressuscitado, Senhor de nossas vidas.

2. Dar destaque durante o Tempo Pascal para a água batismal. Onde há pia batismal, ela deve ser o ponto de referência para a realização de ritos como aspersão, renovação de promessas, compromissos. Onde não há pia batismal, preparar alguma vasilha de cerâmica, de preferência junto do Círio Pascal.

3. Vivamos intensamente este tempo de festa, celebrando a vida nova que Cristo nos deu, vencendo a morte. É importante que o espaço celebrativo da Vigília Pascal continue o mesmo para a celebração do Domingo de Páscoa e todo o Tempo Pascal.

4. O Tempo Pascal é, muito indicado, liturgicamente, para as celebrações da Crisma e da primeira eucaristia, numa continuidade com a noite batismal da Páscoa.

7- MÚSICA RITUAL

O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos “cantar a liturgia” e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com “cada Domingo do Tempo Pascal”, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são da Páscoa, “é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado”. Jamais os cantos devem ser escolhidos para satisfazer o ego de um grupo ou de um movimento ou de uma pastoral. Não devemos esquecer que toda liturgia é uma celebração da Igreja corpo de Cristo e não de um grupo, de uma pastoral ou de um movimento.

“Não tem sentido, por exemplo, escolher os cantos de uma celebração em função de alguns que se apegam a um repertório tradicionalista, ou ainda de outros que cantam somente as músicas próprias “de seu grupo ou movimento”, nem de outros que querem cantar exclusivamente cantos ligados à realidade sócio-política, ou cantos concentrados em certos temas, se isto vai provocar rejeição da parte da assembléia” (A música Litúrgica no Brasil, estudos da CNBB, página 78).

1. Canto de abertura. “Cantai ao Senhor um canto novo” (Salmo 97/98,1-2). Além do Salmo 97/98 como canto de abertura, neste Quinto Domingo da Páscoa um canto muito oportuno é o Samba da Ressurreição: “Cristo está vivo, ressuscitou”, CD: Liturgia XVI, melodia da faixa 7. Neste canto quem preside pode dar destaque para a primeira estrofe, “A tristeza que foi companheira da gente deu lugar à alegria” que manifesta a nossa alegria, devido a presença do Senhor Ressuscitado que nos mostra o rumo certo a seguir.

Ensina a Instrução Geral do Missal Romano que o canto de abertura tem por objetivo, além de unir a assembleia, inseri-la no mistério celebrado (IGMR nº 47). Nesse sentido o Hinário Litúrgico II da CNBB nos oferece uma ótima opção, que estão gravados no CD Liturgia XVI.

2. Refrão para o acendimento do Círio Pascal. “Cristo-Luz, ó Luz, ó Luz bendita…”, CD: Festas Litúrgicas I, melodia da faixa 9; “Salve Luz eterna, és tu Jesus…”, Hinário Litúrgico II da CNBB, página 292.

3. Canto para o momento da aspersão com a água batismal. “Eu vi, eu vi, a água manar…”, CD: Tríduo Pascal II, faixa 12; “Banhados em Cristo, somos uma nova criatura…”, CD: Tríduo Pascal II, melodia da faixa 11, ou Hinário Litúrgico II da CNBB, página 196.

4. Hino de louvor. “Glória a Deus nas alturas…” Vejam o CD Tríduo Pascal I e II e também no CD Festas Litúrgicas I, Partes fixas do Ordinário da Missa do Hinário Litúrgico III da CNBB e também a versão da CNBB musicado por Irmã Miria e outros compositores.

O Hino de Louvor, na versão original e mais antiga, é um hino cristológico, isto é, voltado para Cristo, que exprime o significado do amor do Pai agindo no Filho. O louvor, o bendito, a glória e a adoração ao Pai (primeira parte do Hino de Louvor) se desdobram no trabalho do Filho Único: tirar o pecado do mundo, exprimindo e imprimindo na história humana a compaixão do Pai. Lembremo-nos: o Hino de Louvor não se confunde com a “doxologia menor” (Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo). O Hino de Louvor encontra-se no Missal Romano em prosa ou nas publicações da CNBB versificado numa versão que facilita o canto da assembléia.

5. Salmo responsorial 32/33. O louvor ao Deus bom e fiel. “Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça, da mesma forma que em vós nós esperamos”, CD: Liturgia XVI melodia da faixa 2.

6. Aclamação ao Evangelho. “Eu sou o Caminho a Verdade e a Vida”, (João 14,6). “Aleluia… Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém chega ao Pai senão por mim”, CD: Liturgia XVI, melodia da faixa 3. O canto de aclamação ao evangelho acompanha os versos que estão no Lecionário Dominical ou a versão do CD Liturgia XVI.

7. Apresentação dos dons. O canto de apresentação das oferendas, conforme orientamos em outras ocasiões, não necessita versar sobre pão e vinho. Seu tema é o mistério que se celebra acontecendo na fraternidade da Igreja reunida em oração, no Tempo Pascal. “Cristo é o dom do Pai”, CD: Liturgia XVI, melodia da faixa 8.

8. Canto de comunhão. “Permanecer em Cristo” (João 15,1-5). Um ótimo canto de comunhão para este Quinto Domingo seria o Salmo 138/139 com a antífona “Ressuscitei, Senhor, contigo estou, Senhor, teu grande amor, Senhor, de mim se recordou. Tua mão se levantou, me libertou”, CD: Liturgia XVI, melodia da faixa 10.

Neste 5º Domingo da Páscoa o Senhor se revela como Caminho, a Verdade e a Vida. A Igreja também oferece outra ótima opção de canto de comunhão: “Vós sois o Caminho, a Verdade a Vida, o pão da alegria descido do céu”, CD: Cantos de Abertura e Comunhão, melodia da faixa 10.

8- ESPAÇO CELEBRATIVO

1. Preparar de forma festiva o ambiente, dando destaque ao Círio Pascal e a pia batismal, com flores e a cor branca ou amarelada nas vestes e toalhas. Ornamentar com flores, mas em exageros, para não transformar o espaço da celebração numa floresta, para não roubar a cena do Altar e do Ambão.

2. Colocar junto ao Círio Pascal, um quadro ou ícone com a face do Senhor, lembrando as palavras Dele a Filipe: “Quem me vê, vê o Pai”.

3. A Tradição Romana usa a cor branca neste tempo. Talvez, de acordo com a nossa cultura, podemos caprichar, usando o amarelo ou várias cores festivas.

4. Sugerimos colocar, próximo ao Círio Pascal, as faixas jogadas ao chão e o véu dobrado.

5. O Tempo Pascal não é nada mais, nada menos do que a própria celebração da Páscoa prolongada durante sete semanas de júbilo e de alegria. É o tempo da alegria, que culmina na festa de Pentecostes. Tudo isso deve ficar evidente no espaço da celebração.

9. AÇÃO RITUAL

Celebramos a salvação que Deus nos oferece na comunhão com Cristo que se realiza na comunhão dos irmãos e irmãs. Deus nos constitui a todos sinais de sua presença quando nos uniu a Jesus pelo Batismo. Em cada Missa fortalecemos essa comunhão. Também sobre nós se oferece aquela Palavra que Jesus diz hoje “Quem me vê, vê o Pai”, pois somos o Corpo de Cristo! (1Coríntios 12,12.27).

Ritos Iniciais

1. Na procissão de entrada entrar com as pessoas que foram batizadas ou pessoas que receberam um dos sacramentos na Vigília Pascal, ou crianças com vestes brancas, trazendo flores. Além da cruz processional, podem ser levados símbolos da caminhada pastoral da comunidade.

2. Após o canto de abertura, fazer um pequeno lucernário, solenizando o acendimento do Círio Pascal: uma pessoa acende o Círio e diz: “Bendita sejas, Deus da Vida, pela ressurreição de Jesus Cristo e por essa luz radiante!”. Ou outros refrões que revela o sentido pascal: “Salve, luz eterna és tu, Jesus!/ Teu clarão é a fé que nos conduz! (Hinário II, pág. 292). “Cristo-Luz, ó Luz bendita,/ Vinde nos iluminar!/ Luz do mundo, Luz da Vida,/ Ensinai-nos a amar! A seguir, incensa o Círio pascal e a comunidade reunida. Após a saudação inicial, caberia muito bem a Recordação da Vida como nos ensina Lucas 24,14-24.

3. A saudação inicial pode ser a seguinte:

“Irmãos e irmãs, a vocês, pedras vivas na construção que é a Igreja, Graça e Paz da parte de Jesus, Caminho que nos leva ao Pai, esteja sempre com vocês”.

Em seguida, o presidente introduz a assembléia no mistério celebrado. Segue-se o convite para a recordação da vida. O convite deve expressar que cada pessoa que se torna seguidor de Cristo-Caminho é chamada a ser pedra viva na construção da Igreja de um modo novo.

4. Em seguida, dar o sentido litúrgico da celebração. O Missal deixa claro que o sentido litúrgico da celebração pode ser feito pelo presidente, pelo diácono um leigo/a devidamente preparado (Missal Romano página 390).

Domingo das muitas moradas. O Senhor se manifesta como caminho, verdade e vida. Nele, o Pai revelou o Seu amor e renova, hoje, com todos os povos a Sua Aliança. O Senhor nos convida a renovar nossa adesão com Ele e nosso desejo de comunhão e solidariedade uns para com os outros.

5. Neste dia seria muito oportuno recordar o Batismo através do rito da aspersão. Quem preside, não se esqueça de motivar a comunidade, lembrando que pelo Batismo entramos em comunhão com Deus através de Jesus Cristo. Rezar a oração de bênção conforme o Tempo Pascal (Missal Romano página 1002. Seria oportuno a mesma água que foi abençoada na Vigília Pascal. No ato da aspersão, a assembléia canta: “Eu vi, eu vi, foi água manar”, CD Tríduo Pascal II, faixa 12. “Banhados em Cristo, somos u’a nova criatura.).

6. Cantar com vibração o Hino de louvor. Durante a Quaresma ele foi silenciado, agora deve ser cantado com exultação porque é o Hino Pascal do Glória.

7. A nossa adoção filial se dá no Batismo. Na Oração do Dia com a confiança de filhos e filhas, peçamos ao Pai, a verdadeira liberdade e a herança eterna. Esta oração é inspirada em João 8,31ss: a liberdade dos filhos de Deus, filhos adotivos, por certo, mas verdadeiramente “gente da casa” para Deus, e herdeiros de sua graça e vida.

Rito da Palavra

1. Quando se lêem as Sagradas Escrituras na Missa, é o próprio Cristo quem fala (SC 7). Por isso, toda preparação é bem-vinda, para que, através do ministério dos leitores e salmistas, o Cristo fale à sua Igreja reunida.

2. Hábitos, como comentários e anúncio do nome dos leitores são cada vez mais dispensáveis, quando compreendemos que é o próprio Cristo que proclama a primeira leitura, o salmo, a segunda leitura e o Evangelho (Isaias 61,1-2; cf. Lucas 4,18-19.21). É Cristo que fala pela boca dos leitores que estão a serviço da comunidade. O que precisa mesmo é uma boa proclamação e não acessórios que nada acrescentam na nossa relação com Deus.
3. Após as leituras, o salmo e a homilia, prever momentos de silêncio, para fortalecer a atitude de acolhida da Palavra em nossa vida e em nossa ação. Após a homilia e uns momentos de silêncio, entoar este refrão: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”. (bis).

4. Na profissão de fé, convidar os que receberam os sacramentos na Vigília Pascal para se aproximarem do Círio Pascal com velas acesas.

Rito da Eucaristia

1. O pão e vinho são sinais trazidos do seio do mundo, para que sejam “fecundados” pela graça de Deus e se tornem morada do Mistério e todos que deles participarem possam ser beneficiados pela presença de Deus. Assim, pão e vinho consagrados se tornam imagem do mundo e da humanidade redimida, imagem da própria Igreja – Corpo de Cristo, como entendia Santo Agostinho.

2. Aqui se nota a importância de se manter sempre vivo o costume da procissão dos dons feita por membros da comunidade de fé. Embora já não se traga o pão para a celebração, das casas, como em outras épocas, é salutar que não se perca o sentido de apresentar o mundo e a humanidade nos sinais do pão e vinho, frutos do suor e trabalho humanos a ser submetidos ao trabalho divino (= consagrar/ santificar/ eucaristizar). Cantar a glória do Reino teu por toda a terra.

3. Na Oração sobre as Oferendas, somos chamados a participar da Única e Suprema divindade do nosso Deus. Assim conhecemos a verdade de Deus e lhe ser fiel.

4. Seria oportuno escolher o Prefácio da Páscoa II onde contemplamos Cristo nosso guia para a vida nova.

5. Onde for possível, cantar o Prefácio e, nas celebrações da Palavra, cantar a louvação pascal com a melodia da louvação do Natal Hinário I da CNBB, pag. 74, e a letra do Hinário Litúrgico II da CNBB, pag. 156. Proclamar com vibração a ação de graças (Oração Eucarística), pode-se cantar o Prefácio.

6. Motivar o abraço da paz como a paz do Ressuscitado. Não se trata de um momento de confraternização, nem momento para cantar. O rito mais importante é o que vem a seguir, ou seja, a fração do pão, que deve ser uma ação visível acompanhada pela assembleia com o canto do Cordeiro.

7. Dar realce ao gesto da “fração do pão”. Cristo nosso Páscoa, é o Cordeiro imolado, Pão Vivo e verdadeiro. Um (uma) solista canta: “Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo. A assembleia responde: Tende piedade nós… Deve ser executado assim, para não perder o caráter de ladainha.

8. De acordo com as orientações em vigor, a comunhão pode ser sob as duas espécies para toda a comunidade. “A comunhão realiza mais plenamente o seu aspecto de sinal quando sob as duas espécies. Sob essa forma se manifesta mais perfeitamente o sinal do banquete eucarístico e se exprime de modo mais claro a vontade divina de realizar a nova e eterna Aliança no Sangue do Senhor, assim como a relação entre o banquete eucarístico e o banquete escatológico no Reino do Pai” (IGMR, nº 240).
Ritos Finais

1. Na Oração depois da Comunhão, peçamos que Deus permaneça junto de nós para que passemos da antiga à nova vida.

2. Dar a bênção final própria para o Tempo Pascal, conforme o Missal Romano, página 523. No final o povo responde com os dois “Aleluias”, no envio dos fiéis.

3. As palavras do rito de envio podem estar em consonância com o mistério celebrado: Cristo é o Caminho, a Verdade e a Vida, ninguém chega ao Pai sem Ele. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.

10- CONSIDERAÇÕES FINAIS

Contemplamos a manifestação de Jesus Ressuscitado como Caminho, Verdade e Vida, pelo qual chegamos ao Pai. O jeito de ser de Jesus nos revela o “rosto” do Pai, que nos ama e quer realizar conosco uma Aliança de amor e fidelidade.

Celebremos nossa Páscoa, na pureza e na verdade, aleluia, aleluia.

O objetivo da Igreja é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas aquelas outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.

Um abraço fraterno a todos

Pe. Benedito Mazeti

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