Artigos, Pe. Bendito Mazeti › 07/02/2019

5º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO C, 10 de fevereiro de 2019

“NÃO TENHAS MEDO! DE HOJE EM DIANTE, TU SERÁS PESCADOR DE HOMENS”

 

 

 

Leituras

         Isaias 6,1-2a.3-8. Desapareceu tua culpa e teu pecado está perdoado.

         Salmo 137/138,1-5.7c.8. Completai em mim a obra começada.

         1Coríntios 15,1-11. É pela graça de Deus que eu sou o que sou.

         Lucas 5,1-11. Deixaram tudo e seguiram a Jesus.

 

1- PONTO DE PARTIDA

Domingo do discipulado. Domingo Dia do Senhor, dia do encontro da comunidade para celebrar a Páscoa de Cristo, acontecendo na vida do povo. Neste domingo acompanhamos Jesus que está na Galiléia desenvolvendo seu ministério. Até então, Lucas apresenta Jesus atuando sozinho (cf. capítulos 3 e 4). Neste 5º Domingo do Tempo Comum, recordamos o acontecimento da pesca milagrosa e a vocação dos primeiros discípulos, celebramos nossa vocação ao discipulado.

Hoje somos convocados a estar às margens do lago de Genesaré e ouvimos a revelação de Deus, realizada em Jesus de Nazaré, através da palavra anunciada e da pesca milagrosa. A partir dessa experiência, a exemplo de Pedro, somos convidados a ter uma consciência, mais profunda dos nossos limites e a um ato de fé na Palavra de Jesus que nos convida  superarmos nossos medos e a segui-lo ser reservas. Adoremos o Senhor que nos criou e que nos chama a viver na sua intimidade

2- REFLEXÃO BÍBLICA, EXEGÉTICA E LITÚRGICA

 

Contemplando os textos

Primeira leitura Isaias 6,1-2a.3-8-. Isaias 6,1-8 ressalta a aparição divina e a missão do profeta, sob forma apocalíptica. Deus lhe aparece como em trono deslumbrante de glória, tendo por escolta de honra os Serafins. A revelação (Teofania) não é ficção ou visão alucinatória, pois aconteceu no ano da morte do rei Ozias (= Azarias, 2Reis 15), lá pelo ano de 742 antes de Cristo.

O Templo de Jerusalém era símbolo da presença real de Deus junto a seu povo (Levítico 26,11). Os Serafins são anjos, seres misteriosos e celestes sob forma humana, que servem a Deus em atitude de respeito e adoração (rosto velado; cf. Êxodo 3,6; 1Reis 19,13). “Serafim” etmologicamente diz purificação pelo fogo (“saraf”) ou ainda aquele que é nobre (árabe “sarufa”; cf. xerif). No antigo Oriente encontra-se com freqüência representações destes seres com asas: seriam os guardiães do fogo celeste queimando tudo que não é santo. Também, as serpentes em Números 21,6-9 e Deuteronômio são chamadas “serafins” no tempo de Isaias no templo a serpente de bronze (“saraf”; cf. 2Reis 18,4).

Os Serafins (versículo 3), em coro, proclamavam um hino de louvor ao Senhor  santíssimo e transcendente.  Quanto ao triságio, trata-se de um semitismo, sem que se deva admitir aí uma revelação da Trindade (cf. Jeremias 7,4; 22,20; Ezequiel 21,32). “Santo” exprime em grau absoluto pureza, perfeição interior, não contaminação, transcendência, distinguindo a Deus das criaturas. É a qualidade de Deus que mais tocou Isaias.  O Deus Santo é noção fundamental na teologia de Isaias, convicto de que, em razão de seus pecados, Israel não escapará do juízo e castigo. Diante do Deus Santo, Isaias sentiu-se imperfeito (versículo 5), limitado, – ele e o povo.

“A terra está cheia de sua glória”, penetrada da santidade divina; “glória” (“kabod”) é esplendor da santidade pessoal de Deus, que na antiga aliança era característica da divindade, ou ainda a revelação de sua presença no mundo. “Kabod” seria uma moldura luminosa que envolve a essência divina.

No versículo 4 prossegue o estilo imaginativo: com a proclamação da santidade divina, estremeceram as portas e o Templo encheu-se da fumaça da glória de Deus (cf. Apocalipse 15,8). São figuras que expressam a transcendência e imanência de Deus, o qual, para não misturar-se plenamente, se encobre com uma nuvem de fumaça, justamente para que o profeta recobre confiança e não desfaleça frente a presença do Senhor.

 O profeta ficou espantado diante da majestade de Deus (versículo 5) e sua primeira reação foi a de um condenado – “Ai de mim… estou perdido” – porque tivera uma visão: a do “Rei, o Senhor dos exércitos”. Para um israelita ver a Deus equivalia a morrer (Êxodo 33,20; cf. Gênesis 32,31; Judite 13,22). O confronto com Deus levou Isaias a reconhecer-se pecador, em solidariedade com seu povo, também pecador; Isaias teria desejado inserir-se no coro dos Serafins para anunciar a santidade de Deus, mas sentiu seu estado de “lábios impuros”, como os lábios do povo.  Insondável é o abismo entre o Deus Santo e a pessoa humana pecadora! Fácil é confessar nossos pecados se nos espelharmos em Deus. Difícil é nos compararmos aos irmãos. Uma vez declarado a situação de pecador, um dos Serafins com uma brasa purificou-lhe os lábios (versículo 6), expurgando simbolicamente tudo o que havia de profano e que pudesse afastá-lo da santidade de Deus.

“Quem enviarei eu? E quem irá por nós? É necessário levar a mensagem divina ao povo eleito. Para isso é preciso uma pessoa capacitada e generosa, como embaixador de Deus, para recuperar-lhe esse povo desviado. O motivo último dessa missão é procurar a glória de Deus em Israel, não apenas no Templo, mas também na vida real diária.

 

Salmo responsorial – 137/138,1-5.7c-8. O Salmo 137/138 é uma ação de graças individual e não individualista. A Eucaristia, isto é, ação de graças sai do coração, e vai se expressando para fora: nas palavras, no canto, no acompanhamento com instrumentos, no gesto corporal. Assim o culto é sincero e íntimo. Isto acontece no Templo, símbolo da presença do Senhor, onde assiste sua corte de “anjos”.

O salmista mostra que a ação de graças pessoal não basta, o convite se estende aos reis da terra, que escutam a Palavra de Deus. O motivo do canto se torna mais concreto, e tem um cunho de advertência para os grandes da terra.

O rosto de Deus neste salmo é muito interessante. Em primeiro lugar as expressões “amor e fidelidade” (versículo 2b) e “amor para sempre” (versículo 8a). Amor e fidelidade são as duas garantias oferecidas por Deus ao aliar-se com o seu povo. Aqui está o rosto de Deus estampado no Salmo: amor e fidelidade.

O Salmo expressa o ponto que define e articula o movimento da graça: agradecimento pela graça recebida – repouso, conclusão -, súplica confiante de graça continuada – começo, dinamismo -. Deste modo é fácil transportar o salmo para a nossa “Eucaristia”: nela voltamo-nos para Deus, para dar-lhe graças dignamente, e de Deus recebemos toda a graça. Rezemos este Salmo com todo nosso corpo, todo o nosso ser.

Com as palavras do Salmo, demos graças ao Senhor:

VOU CANTAR-VOS ANTE OS ANJOS, Ó SENHOR,

E ANTE O VOSSO TEMPLO VOU PROSTRAR-ME.

Segunda leitura – 1Coríntios 15,1-11.  A comunidade cristã de Corinto foi fundada por Paulo, durante sua permanência na cidade entre os anos 50 e 52. Formada pela população mais pobre a comunidade estava reproduzindo o mesmo ambiente vivido na cidade toda. Havia brigas e divisões, Por isso no ano 56, Paulo escreve, chamando a atenção para a unidade do corpo do Senhor. No texto de hoje ele parte do núcleo central do Evangelho: a morte e ressurreição de Jesus Cristo.

A comunidade de Corinto era composta de judeus e pagãos, e ambos tinham dificuldade para aceitar a ressurreição, principalmente os pagãos (Atos 17,32), pois os judeus tinham pouco a pouco pressentido esta realidade (cf. Salmo 16,10s; Jó 19,25s; Ezequiel 37,10) e alguns dos seus sábios a professavam abertamente (Daniel 12,2s; 2Macabeus 7,9 e 12,43-46). Havia confusão em Corinto. Paulo parte das informações da tradição sobre as aparições históricas do Cristo, fundamento da pregação apostólica e ponto chave para a compreensão do Cristianismo.

O versículo 3 empregando palavras do vocabulário técnico da tradição dos judeus (receber, transmitir; cf. guardar versículo 2 e 11,23). O Apóstolo, como a Igreja, transmite o que recebeu; atem-se ele assim à tradição dos apóstolos, e insinua a existência de tradições firmes anteriores ais escritos evangélicos. O Evangelho autêntico é tradição; a autêntica tradição é Evangelho.

O conteúdo propriamente dito da tradição recebida por Paulo começa com a afirmação da morte e ressurreição salvadoras de Cristo segundo as Escrituras. Não que ele tenha procurado provar essa afirmação pelas Escrituras, mas quer apenas mostrar a convicção da comunidade primitiva que encontrava em Isaias 53,5-9 (Servo Sofredor) a base para a compensação da morte e no Salmo 16,10; Jonas 2,1; Oséias 6,2, da ressurreição de Cristo, dando ênfase ao justo ao justo que Deus faz ressurgir das cinzas.

“Cristo morreu” corresponde “ressuscitou”, a “sepultado”, “apareceu”. Observa-se o mesmo esquema de outras cartas: crucificado, glorificado; humilhado, exaltado. Assim “sepultado” indica o realismo da morte de Cristo, se contrapondo ao “sepulcro vazio”. Essa imagem Paulo vai usar para simbolizar o batismo (cf. Romanos 6,4).

Paulo afirma que Ele “apareceu” ou “foi visto”: termos usados no Primeiro Testamento e expressam a verdadeira aparição e não uma “visão”. Foi uma dessas aparições do Ressuscitado que o constituiu apóstolo. Pedro, ou melhor Cefas (em aramaico), pois o texto conserva seu nome original, como também era conhecido em Corinto, foi o primeiro a ver o Senhor ressuscitado. Talvez tenha sido a primeira aparição no tempo, talvez só indica a superioridade de Pedro na Igreja primitiva. De igual teor é a afirmação dos “Doze”, pois reconhece-se, já então, sua existência como “colégio apostólico”.

Evangelho – Lucas 5,1-11. Compreendemos melhor o alcance da pesca milagrosa, quando recordamos que o judeu considerava a água do mar como a habitação de Satã (Satanás) e das forças opostas a Deus (Gênesis 1; 7,17-24; Salmo 73/74,13; 23/24,2; Jó 38,16-17; Jonas 2,2-4; Apocalipse 9,1-3; 20,3;13,1). Até a vinda do Salvador, nada poderia ser empreendido, – a não ser um milagre do tipo do Mar Vermelho – para salvar aqueles que o mar inimigo devorava. A partir do momento que Ele chegou ao mundo, podemos pescar uma grande quantidade de pessoas e arrancá-los das garras do império do mal. Ser pescadores de homens é, portanto, participar deste empreendimento de salvação de todos aqueles que o mal destruiu. Jeremias 16,15-16a já previa esta missão.

Lucas considera, pois, a Igreja como uma instituição encarregada de salvar a humanidade da submersão que a ameaça. Para garantir a realização desta tarefa, alguns homens se encarregam de uma função apostólica especial no interior da Igreja.

Em geral os pescadores guardam seu segredo ou não o confiam a não ser a verdadeiros amigos. Pedro é sensível a esta confidência e logo se apropria do segredo daquele que lhe parece um pescador competente.

Sob o impacto da pesca milagrosa, Simão chama Jesus agora de Senhor e a si mesmo de homem pecaminoso. Pede a Jesus para cortar as relações com ele. O acontecimento derruba a arrogância de Simão. Rapidamente Simão, agora chama Pedro, percebe com quem está lidando, a saber, com o Senhor. O mesmo Simão que a pouco tinha a ousadia de expor suas dúvidas, cai agora aos pés de Jesus. Este gesto mostra como toda a sua auto-estima desabou. Ele reage como outrora Isaias (cf. primeira leitura): foge do Santo, do todo-poderoso, do todo Outro que encontrou no seu caminho. O temor de Pedro e dos demais pescadores é o mesmo de Isaias (Isaias 6,5).

Jesus, porém, não foge dele. Pelo contrário. Está à sua procura. Esta atitude de Jesus de acolhida dos pescadores não se faz se junta com o dogma do judaísmo, que a graça de Deus se destina somente aos justos. A bondade de Jesus a pessoa humana que não é justa e que reconhece isto e avisa Jesus quanto ao seu estado. Jesus agora não se retira dele? O “mestre” (versículo 5) da justiça que ensina a vontade de Deus não se afasta deste homem pecaminoso? (cf. Lucas 7,36-40; 15,1-2). Não se afasta! A reação de Jesus é radicalmente diferente. Em vês de se afastar de Simão o liga ainda mais a si. Obedecendo à primeira ordem de Jesus, Pedro já recebeu muito.

Não é, pois, na base de competência que alguém pode transformar-se em pescador de homens, mas por uma fé que encontrou a Deus e com Ele comunica, isto é, somos missionários não com base em nossas competências, mas por uma fé comprometida a partir de uma experiência pessoal com Jesus Cristo.

Ser hoje pescador de homens consiste, pois, em participar de todos os empreendimentos que promovem a vida humana e, por uma igualdade maior, por uma paz estável, uma possibilidade mais ampla de os humildes promoverem-se a si mesmos, concorrerem para retirar a humanidade do oceano que a submerge. A Igreja só pode dar testemunho da sua vocação de “pescadora de homens” se seus membros se mantiverem engajados num trabalho de salvação. Não poderá revelar jamais o amor de Deus se não compartilhar o amor para com as pessoas.

Lucas apresenta Jesus rodeado por uma multidão que está ali para escutar a Palavra de Deus. É a primeira vez que a pregação de Jesus é denominada “Palavra de Deus”. Neste cenário, o espaço ocupado por Jesus para a pregação é a barca de Pedro. Jesus vê duas barcas deixadas pelos pescadores junto à margem, mas Ele usa a barca de Pedro para ensinar o povo. Ele ensina sentado, como um mestre. Este ensinamento de Jesus é fonte vivificante para os que acreditam: “Felizes, antes, os que escutam a Palavra de Deus e a cumprem” (Lucas 11,28).

A partir do versículo 4, a multidão desaparece e entra em cena a pessoa de Simão. O experiente pescador sabia que a pesca era melhor à noite, porém numa atitude de fé e confiança, obedece à ordem do Mestre e as redes, em pleno dia: “Mestre, trabalhamos a noite inteira sem nada apanhar; mas, porque mandas, lançarei as redes”. Simão lança a rede – “lançarei as redes” – e os companheiros – “(…) trabalhamos a noite inteira…” – obtêm como resultado uma quantidade maravilhosa de peixes.

Ele reconhece a sua condição de pecador e chama Jesus de Senhor, tornando-se a primeira pessoa, na atividade pública de Jesus, a chamá-lo assim. Simão Pedro reconhece a distância entre ele (pecador) e Jesus (o Senhor) e declara-se indigno.

Mas ao contrário do que Simão pensa, Jesus veio “chamar os pecadores” (cf. Mateus 9,13). Está à procura deles. Jesus admite os pecadores a seu serviço e os chama para participar na obra da salvação. A exigência do Mestre e Senhor é radical: deixar tudo e segui-Lo A iniciativa é sempre dele.

3- DA PALAVRA CELEBRADA AO COTIDIANO DA VIDA

Neste Dia do Senhor, iluminados pela pesca milagrosa, o chamado de Simão Pedro, ou Cefas, Tiago e João e unção do profeta Isaías, deixemo-nos questionar pela abundância recriadora da Palavra de Deus.

O Senhor sempre nos chama no contexto da realidade, dentro de nossa fragilidade humana, como aconteceu com Isaias, os apóstolos; porém o Senhor a todos mantém com sua graça e apenas nos pede adesão plena e generosa na entrega.

Ninguém é aspirante à fé cristã ou a algum serviço na Igreja porque é apto devido às suas qualidades pessoais, espirituais e técnicas, mas porque Deus o escolhe e lha dá sua graça. Esta é a mística da vocação ao seguimento de Jesus que deve nos acompanhar durante a vida toda. Deus conhece nossas fraquezas e está disposto a cobri-las com a graça.

Reconhecemos que nossa boca é impura e não podemos participar do canto dos Serafins. Precisamos do fogo que vem do altar do Senhor, gesto de Deus que purifica para ouvirmos sua voz, sua Palavra e assim poder proclamá-la. A pergunta de Deus: “Quem irá por nós” é impressionante. A vocação profética é missão para ser porta voz de Deus. Com Isaias respondamos confiados na graça e misericórdia do Senhor: “Aqui estou! Envia-me!”

Deus se dá a conhecer suscitando profetas, enviando Jesus, convocando discípulos e apóstolos. Mesmo dentro de limitações e incapacidades, a força de Deus nos leva à experiência de Sua santidade e poder e nos transforma em seus mensageiros. Como temos respondido à confiança que Deus deposita em nós? De nós Ele espera apenas fidelidade ao Seu projeto.

Na celebração de hoje estamos com Jesus às margens do lago de Genesaré, e ouvimos a revelação de Deus, realizada em Jesus de Nazaré, através da sua Palavra anunciada e da pesca milagrosa.

Nesta celebração o Senhor nos convida a olhar e a perceber o que nos divide interiormente. Confiando em sua promessa de paz, peçamos que Ele unifique nossos corações e nos ajude a concentrar todas as nossas forças em seu projeto.

4- A PALAVRA SE FAZ CELEBRAÇÃO

 

Os frutos do seguimento de Jesus

 

A oração depois da comunhão, deste domingo, suplica a Deus que da união com Cristo Jesus, união existencial e não só ritual, surjam frutos para a salvação do mundo. Interessante perceber que, segundo a lógica deste formulário da missa, os beneficiados com a vocação gerada no interior da comunidade, vão para além desta mesma. Mesmo que nem todos sejam “convocados” ou respondam à convocação para o seguimento e serviço explícito ao Reinado de Deus, todos têm o direito de se beneficiar daquilo que os vocacionados produzem, já que, em última instância, é desdobramento do trabalho de Deus em Cristo Jesus, do qual são membros. Os frutos, portanto, são do Evangelho.

O fruto do seguimento: uma vida nova

 

No final da celebração, uma das fórmulas de despedida é “glorificai a Deus com a vossa vida”. A liturgia ensina que a grande resposta que se tem a dar ao chamamento que Deus nos faz para construir uma vida que corresponda ao seu amor por nós. Na verdade, essa vida é resposta à Palavra de Deus. É seu desdobramento e sua interpretação. Assim como os ritos são interpretação das Escrituras, as atitudes, comportamentos, ações e sentimentos que deles brotam são efeito e ressonância, no mundo, da voz de Deus. Trata-se, simplesmente, na linha do pensamento paulino, transmitir aquilo que recebemos por graça de Deus.

“Senhor, eu não sou digno”

 

Como vimos, tanto Isaías quanto Paulo se percebem fracos para corresponder, à altura, ao encargo que o Senhor lhes dá. O próprio Pedro pede que Jesus se afaste, pois se percebe pecador. Em cada eucaristia, nós nos confessamos fracos diante das responsabilidades da missão e o manifestamos também imediatamente antes da comunhão: “Senhor não sou digno que entreis em minha morada…”.

Entretanto, em auxílio de nossa fraqueza vêm os dons do Pão e Vinho transformados em vida eterna (cf. oração sobre as oferendas). Ambos são a visualização daquela Palavra que nos foi proferida por Deus, e que agora arderá na boca, para que seja transmitida com nossa vida. Desse modo, através daqueles a quem ele chamou, deus continuará dando de beber aos que têm sede e de comer aos que têm fome (cf. Antífona de comunhão).

5- LIGANDO A PALAVRA COM A AÇÃO EUCARÍSTICA

A exemplo de Isaías, de Paulo e de Simão Pedro, colocamo-nos diante do mistério infinito de Deus, como nos convida a antífona de entrada: “Entrai, inclinai-vos e prostrai-vos: adoremos o Senhor que nos criou, pois ele é o nosso Deus”.

Celebrar a eucaristia nos faz participantes do mistério pascal do Senhor Jesus. Ao anunciar a morte de Cristo, proclamar a sua ressurreição e esperar confiante a sua segunda vinda, professamos a nossa fé na vida, na ressurreição. Como reza o Prefácio, a última palavra não é a morte: “Compadecendo-se da fraqueza humana, ele nasceu da Virgem Maria. Morrendo no lenho da cruz, ele nos libertou da morte. Ressuscitando dos mortos, ele nos garantiu a vida eterna” (Prefácio do Tempo Comum II).

Que a escuta da Palavra de Deus e a participação em todas as ações simbólicas nos tornem disponíveis para a graça de Deus e para o anúncio da Boa-Notícia. Diante da proposta de Deus, que nos ama e nos chama independentemente de nossa fragilidade, a nossa resposta seja sem restrições, como a de Isaías: “Aqui estou!Enviai-me”; disponível e confiante, como a de Paulo: “É pela graça de Deus que eu sou o que sou. Sua graça para comigo não foi estéril: a prova é que tenho trabalhado mais do que os outros apóstolos – não propriamente eu, mas a graça de Deus comigo”; corajosa, como a de Simão Pedro e seus companheiros: “Então levaram as barcas para a margem, deixaram tudo e seguiram a Jesus”.

Essa relação profunda com o Senhor é proposta na liturgia, que é essencialmente diálogo, relação de aliança.

 

6- ORIENTAÇÕES GERAIS

  1. A cor usada é o verde que também simboliza a paz.

  1. Dia 11, segunda-feira fazemos memória de Nossa Senhora de Lourdes e é Dia Mundial do Enfermo. Dia 12, lembramos irmã Dorothy Stang, assassinada em Anapu, Pará.

7- MÚSICA RITUAL

O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos cantar a liturgia e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com cada domingo, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são do Tempo Comum, é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado. A função da equipe de canto não é simplesmente cantar o que gosta, mas cantar o mistério da liturgia deste 5º Domingo do Tempo Comum. Os cantos devem estar em sintonia com o Ano Litúrgico, com a Palavra proclamada e com o sacramento celebrado. Não devemos esquecer que toda liturgia é uma celebração da Igreja corpo de Cristo e não de um grupo, de uma pastoral ou de um movimento. Jamais os cantos devem ser escolhidos para satisfazer o ego de um grupo ou de um movimento ou de uma pastoral.

A equipe de canto não deve ficar tratando, à vista de todos, dos cantos que serão  cantados, que os instrumentistas cheguem bem antes para afinar os instrumentos e passar o som, equalizando-o para não distrair as pessoas da oração pessoal antes da celebração. Devemos valorizar os momentos de oração pessoal antes da celebração.

  1. Canto de abertura. Adoração de Deus no seu santuário (Salmo 95/96,6-7). “Vão entrando e, de joelhos ao Senhor nós adoremos” CD: Liturgia VI, melodia da faixa 1 exceto o refrão.

Somos uma Igreja chamada a evangelizar. O Senhor precisa de nós. Nesse sentido a Igreja oferece outras duas ótimas opções: “O Senhor necessitou de braços para ajudar a ceifar a messe”, CD: Cantos de Abertura e Comunhão, melodia da faixa 9; “Ó Pai somos nós o povo eleito, que Cristo veio reunir”, CD: Cantos de Abertura e Comunhão melodia da faixa 1. “Nós somos a rede vazia”, Hinário Litúrgico III da CNBB, página 359. Sem dúvida, estes cantos nos introduzem no mistério celebrado deste Domingo.

 

  1. Hino de louvor. “Glória a Deus nas alturas…” Vejam o CD Tríduo Pascal I e II e também no CD Festas Litúrgicas, Partes fixas do Ordinário da Missa do Hinário Litúrgico III da CNBB e também a versão da CNBB musicado por Irmã Miria e outros compositores.

O Hino de Louvor, na versão original e mais antiga, é um hino cristológico, isto é, voltado para Cristo, que exprime o significado do amor do Pai agindo no Filho. Portanto, não é um hino trinitário. O louvor, o bendito, a glória e a adoração ao Pai (primeira parte do Hino de Louvor) se desdobram no trabalho do Filho Único: tirar o pecado do mundo, exprimindo e imprimindo na história humana a compaixão do Pai. Lembremo-nos: o Hino de Louvor não se confunde com a “doxologia menor” (Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo). O Hino de Louvor encontra-se no Missal Romano em prosa ou nas publicações da CNBB versificado numa versão que facilita o canto da assembléia.

  1. Salmo responsorial 137/138. Adoração de Deus no Templo. “Vou cantar-vos ante os anjos, ó Senhor…; CD: Liturgia XI, melodia da faixa 3.

O Salmo responsorial é uma resposta que damos àquilo que ouvimos na primeira leitura. Isto mostra que o salmo é compromisso de vida e ele também atualiza e leitura para a comunidade celebrante. Primeira leitura, Palavra proposta e salmo Palavra resposta. Por isso deve ser cantado da Mesa da Palavra (Ambão) por ser Palavra de Deus. Valorizar bem o ministério do salmista.

  1. Aclamação ao Evangelho. “Farei de vós pescadores de homens”(Mateus 4,19). “Aleluia… Eu os escolhi foi do meio do mundo, para que vocês dêem um fruto que dure”, CD Liturgia XI, melodia da faixa 8. O canto de aclamação ao evangelho acompanha os versos que estão no Lecionário Dominical.

Por ser diferente do Salmo Responsorial, o verso é uma citação do Evangelho que se segue.

Esta aclamação é quase sempre “ALELUIA” (menos nas missas da Quaresma por seu um tempo penitencial). É uma aclamação pascal a Cristo que é o Verbo de Deus. É um vibrante viva Deus. Os versos que acompanham o refrão devem ser tirados do Lecionário.

 

  1. Apresentação dos dons. A escuta da Palavra e colocá-la em prática, deve gerar na assembléia a partilha para que ela possa ser sinal vivo do Senhor na dimensão missionária. Devemos ser oferenda com nossas oferendas. Podemos cantar: “De mãos estendidas” CD: Liturgia VI, faixa 4.

 

  1. Canto de comunhão. Ação de graças por alimento e bebida (Salmo 106/107,8-9); Bem-aventurança dos aflitos e famintos (Mateus 5,5-6) ou “Mestre, nós trabalhamos a noite inteira e nada pescamos. Mas, em atenção à tua palavra, vou lançar as redes” (Marcos 5,5). Sem dúvida, o canto de comunhão mais adequado pra esse dia é: “Muito embora cansados, Senhor” CD Liturgia XI, faixa 3, exceto o refrão. Outra possibilidade é também o canto: “Nós somos a rede vazia”, Hinário Litúrgico III, página 359. Estes dois cantos retomam o Evangelho na comunhão de maneira autentica. Veja orientação abaixo.

O canto de comunhão deve retomar o sentido do Evangelho da Festa do Batismo do Senhor. Esta é a sua função ministerial. Na realidade, aquilo que se proclama no Evangelho nos é dado na Eucaristia, ou seja: é o Evangelho que nos dá o “tom” com o qual o Cristo se dirige a nós em cada celebração eucarística reforçando estes conteúdos bíblico-litúrgicos, garantindo ainda mais a unidade entre a mesa da Palavra e a mesa da Eucaristia. Isto significa que comungar o corpo e sangue de Cristo é compromisso com o Evangelho proclamado. Portanto, o mesmo Senhor que nos falou no Evangelho, nós o comungamos no pão e no vinho. É de se lamentar que muitas vezes são escolhidos cantos individualistas de acordo com a espiritualidade de certos movimentos, descaracterizando a missionariedade da liturgia. Toda liturgia é uma celebração da Igreja e não existem ritos para cada movimento e nem para cada pastoral. Cantos de adoração ao Santíssimo, cantos de cunho individualista ou cantos temáticos não expressam a densidade desse momento. Tipos de cantos que devem ser evitados numa celebração eclesial: “Eu amo você meu Jesus”; “Ti olhar, ti tocar”; “Fica comigo Jesus”.

Forma de executar o Canto de Comunhão. A forma que a tradição litúrgica oferece para o Canto de Comunhão, a de um refrão tirado do texto do Evangelho do dia alternado por versos de um Salmo apropriado ou um trecho do Novo Testamento, foi mantida no 3º fascículo do Hinário Litúrgico da CNBB, nos cantos de Comunhão dos Anos A, B e C.

  1. Canto de saída. Como canto de saída da comunidade, podemos entoar: “Procurando a liberdade”, do Hinário Litúrgico II da CNBB, página 285.

8- ESPAÇO CELEBRATIVO

  1. Neste 5º Domingo do Tempo Comum, a liturgia nos convida a nos percebermos como “peixinhos de Cristo”, conforme falava Tertuliano, no século II, pois nós nascemos das águas profundas do batismo. É daí que surge a missão de viver o segundo o Evangelho de Jesus. Esta vida corresponde, para Tertuliano, à vida vivida “na água, isto é, uma existência segundo o Batismo”.

  1. Junto à mesa da Palavra, pode se preparar um recipiente com brasas, para ser aceso, por exemplo, antes da Liturgia da Palavra.

  1. AÇÃO RITUAL

Fazer uma acolhida bem fraterna e amorosa de cada pessoa que chega para a celebração e, realizar os vários serviços com cordialidade (= de coração). A equipe de acolhida ou a equipe de liturgia pode estar às portas do templo, recebendo as pessoas sem alarde, cumprimentando-as e, desde já, inserindo-as no contexto celebrativo daquele dia, enunciando um versículo bíblico em consonância com o mistério celebrado. Para este domingo, pode ser: “Bem vindo, bem vinda! Você que é membro do Corpo de Cristo”.

Antes da celebração, um refrão meditativo é sempre oportuno. Para este 5º Domingo, sugerimos o “Com a fumaça do incenso, suba a nossa oração; chegue a ti, Senhor, chegue a ti, Senhor, esta louvação! “Eu vos dei o exemplo, eu vos dei o exemplo para que façais o mesmo!” (https://www.youtube.com/watch v=Sk15q5ZdIL8)

Fazer com grande esmero, os ritos iniciais, vivenciando o seu sentido de reunir a comunidade de irmãos, formando o corpo vivo do Senhor.

Ritos Iniciais

Seria muito oportuno a saudação inicial de 2Tessalonicensses 3,5:

“O Senhor, que encaminha os nossos corações para o amor de Deus e a constância de Cristo, esteja convosco”.

  1. Após a saudação inicial e o sentido litúrgico, tem lugar a bênção da água e aspersão como recordação do Batismo. Sugerimos a seguinte monição e bênção adaptada, segundo o mistério celebrado neste domingo:

Irmãos e irmãs, nascidos das águas profundas do Batismo, somos convocados por Deus para tornar nossa vida uma contínua recordação do Mistério Pascal de seu Filho. Somos impulsionados a “continuar na água” pois só nela encontramos nossa identidade e só mergulhando mais profundamente nela, seremos bons missionários e missionárias. Bendigamos a Deus pela água e supliquemos que Ele a santifique, para que, sendo aspergida sobre nós nos mantenha fiéis à vocação que nos foi dirigida:

Deus de bondade e compaixão, tu nos deste a irmã água, fonte de toda a vida e quiseste que por ela recebêssemos o Batismo que nos vincula a ti, mergulhando-nos na vida de teu Filho Jesus. Abençoa esta água, que ela nos proteja neste dia a ti consagrado, e renova em cada um de nós a fonte viva da tua graça, para que livres de todos os males, possamos ser fiéis discípulos missionários, caminhando sempre em tuas estradas, praticando o que é agradável aos teus olhos. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

  1. Se optar pelo ato penitencial, veja esta sugestão. Pedro deu atenção à Palavra do Senhor para lançar a rede novamente. O presidente da celebração convida os fiéis à penitencia com a Formula 1:

“O Senhor Jesus, que nos convida à mesa da Palavra e da Eucaristia, nos chama à conversão. Reconheçamos ser pecadores e invoquemos com confiança a misericórdia do Pai”.

  1. Após uns momentos de silêncio cantar ou recitar a Fórmula 2 do ato penitencial da página 394 do Missal Romano, em que contemplamos Cristo oferecendo perdão a Pedro arrependido.

Senhor, que oferecestes o vosso perdão a Pedro arrependido, tende piedade de nós.

Cristo, que prometestes o paraíso ao bom ladrão, tende piedade de nós.

Senhor, que acolheis toda pessoa que confia na vossa misericórdia, tende piedade de nós.

  1. Cada Domingo é Páscoa semanal, o Hino de Louvor (Glória) deve ser cantado solenemente por toda a assembléia. Deve-se estar atento na escolha dos cantos para o momento do glória. Ideal seria cantar o texto mesmo, tal como nos foi transmitido desde a antiguidade, que se encontra no Missal Romano, ou, pelo menos, o mesmo texto em linguagem mais adaptada para o nosso meio e também a versão da CNBB musicado por Irmã Miria e outros compositores (como já existe!). Evitem-se, portanto, os “glórinhas” trinitários! O hino de louvor (glória) não de caráter Trinitário e sim Cristológico.

  1. Na oração do dia podemos contemplar o incansável amor de Deus e sua graça em nosso favor.

Rito da Palavra

  1. Abrir o rito da Palavra com o refrão inspirado da primeira leitura: “Que arda como brasa tua Palavra nos renove, esta chama que a boca proclama”. Enquanto se entoa o refrão, alguém se dirige ao Ambão e acende o recipiente. Para isto, basta embeber um pouco de algodão em álcool e lançá-lo no recipiente com as brasas acesas.

  1. Em seguida faz-se silêncio e a pessoa que acendeu o recipiente diz: “Vem, ó Deus, falar-nos de tua vida. Põe tua Palavra em nossa boca, para que, ardendo viva, seja por nós proclamada, por nós vivida e pelo povo aprendida!”. Volta a entoar o refrão.
  2. Antes de ler, é preciso primeiro mergulhar na Palavra, rezar a Palavra. Pois “na liturgia da Palavra, Cristo está realmente presente e atuante no Espírito Santo. Daí decorre a exigência para os leitores, ainda mais para quem proclama o Evangelho, de ter uma atitude espiritual de quem está sendo porta-voz de Deus que fala ao seu povo”.

Rito da Eucaristia

  1. Na oração sobre o pão e o vinho, suplicamos a Deus que o alimento da nossa existência humana se torne sacramento da vida eterna.

  1. Sugerimos o Prefácio Comum, V página 432 do Missal Romano. Esse texto canta a história da salvação mostrando que Deus criou o homem e a mulher à Sua imagem e lhes confiastes toda a criação. Seguindo essa lógica, cujo embolismo reza: “Vós criastes o universo e dispusestes os dias e as estações. Formastes o homem e a mulher à vossa imagem, e a eles submetestes toda a criação. Libertastes os fiéis do pecado e lhes destes o poder de vos louvar, por Cristo, Senhor nosso”. O grifo no texto identifica aqueles elementos em maior consonância com o Mistério celebrado neste Domingo e que pode ser aproveitado na celebração, ao modo de mistagogia. Usando este prefácio, o presidente deve escolher a I, II ou a III Oração Eucarística. A II admite troca de prefácio. As demais não admitem um prefácio diferente. As demais não podem ter os prefácios substituídos sem grave prejuízo para a unidade teológica e literária da eucologia.

  1. Após o Prefácio, enquanto toda a comunidade, a uma só voz, entoa o “Santo, Santo, Santo”, mais incenso é depositado no braseiro, que está junto ao altar.

  1. Dar maior destaque ao rito eucarístico: cantar o prefácio escolhido, o Santo, as aclamações da Prece Eucarística, amém final, o Pai Nosso e o Cordeiro de Deus que acompanha a fração do Pão.

  1. Valorizar o rito da fração do Pão, devidamente acompanhado pela assembléia com o canto profundamente contemplativo e orante do Cordeiro de Deus.

  1. No momento do convite à comunhão, quando se apresenta o Pão consagrado e o cálice com o sangue de Cristo, é muito oportuno o texto bíblico de João 8,12, que é a fórmula “b” do Missal Romano:

“Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida”.

  1. “A comunhão realiza mais plenamente o seu aspecto de sinal quando sob as duas espécies. Sob essa forma se manifesta mais perfeitamente o sinal do banquete eucarístico e se exprime de modo mais claro a vontade divina de realizar a nova e eterna Aliança no Sangue do Senhor, assim como a relação entre o banquete eucarístico e o banquete escatológico no Reino do Pai” (IGMR, nº 240). Quando bem orientada, a comunidade aprende fácil esse rito que é resposta obediente ao mandamento do Senhor “tomai e bebei”.

  1. Distribuir o corpo de Cristo de forma consciente e orante, como um gesto de profundo serviço, expressando nele o próprio Cristo que se dá como servo de todos. Isso vale tanto para quem preside como para seus ajudantes.

 

Ritos Finais

  1. Na oração após a comunhão, suplicamos a Deus que unidos pelo mesmo pão e pelo mesmo cálice, possamos produzir frutos pra a salvação do mundo.

  1. Seria oportuno antes de traçar a bênção, rezar o n. 21 das orações sobre o povo, para que sejamos purificados e que Deus nos inspire verdadeiro arrependimento. Página 534 do Missal Romano:

Ó Deus, purificai os vossos fiéis, inspirando-lhes verdadeiro arrependimento, para que possam trinfar dos maus desejos e comprazer-se sempre em vosso amor. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

  1. As palavras do rito de envio podem estar em consonância como mistério celebrado: Sigam Jesus e obedecei a sua Palavra. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.

 

10- CONSIDERAÇÕES FINAIS

Quando ouvimos falar em vocação, pensamos imediatamente nas vocações dos padres, bispos, freiras, etc. Esquecemo-nos da raiz de todas elas, a vocação batismal que nos faz a todos participantes da vida e do ministério de Jesus, que se desdobra nas diversas opções de vida que assumimos.

E essa vocação comum de discípulos missionários que o Documento de Aparecida (2007) evidenciou ao convocar toda a Igreja das Américas e do Caribe para viver “em estado permanente de missão”. As leituras de hoje tratam dessa vocação, para nós irrenunciável, necessária e urgente: ser discípulas e discípulos missionários.

O objetivo da Igreja é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas aquelas outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.

Um abraço fraterno a todos
Pe. Benedito Mazeti

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