Artigos, Pe. Bendito Mazeti › 17/02/2017

7º DOMINGO DO TEMPO COMUM ANO A – 19 de fevereiro de 2017

Leituras

Levítico 19,1-2.17-18. Amarás o teu próximo como a ti mesmo
Salmo 102/103,1-4.8 e 10.12-13. O Senhor é indulgente, é favorável.
1Coríntios 3,16-23. O Espírito de Deus habita em vós.
Mateus 5,38-48. Não enfrenteis quem é malvado.

“SEJAM PERFEITOS COMO O VOSSO PAI CELESTE É PERFEITO”

bem-aventuranças
1- PONTO DE PARTIDA

Domingo da santidade de Deus. Acolhemos na Eucaristia, a Palavra do Senhor que nos convida a amar a todos, sem discriminação de cor, gênero ou ideologia, somente assim seremos perfeitos como o Pai celeste é perfeito. Vivendo numa sociedade marcada pela violência e pela injustiça, o cristão é convidado a fazer a diferença.

Celebramos a Páscoa de Jesus Cristo que se manifesta na luta de todas as pessoas e grupos que testemunham um amor e um perdão sem limites para com todos e comprometem-se com a causa da justiça.

“Confiei, Senhor, na tua misericórdia. Meu coração se alegra porque me salvas. Cantarei ao Senhor pelo bem que me fez” (Salmo 12,6).

2- REFLEXÃO BÍBLICA, EXEGÉTICA E LITÚRGICA

Contemplando os textos

Primeira leitura – Levítico 19,1-2.17-18. O povo de Israel, no decorrer de sua história, foi organizando coleções de mandamentos e de leis que lhe ajudassem a viver a Aliança com Deus. O que vamos ouvir e contemplar na liturgia deste domingo, é uma dessas coleções, chamada “Lei de Santidade”, procurando uma palavra de Deus para nós hoje.

O capítulo 19 faz parte da assim chamada “Lei de Santidade”, nome dado aos capítulos 17—26 do Levítico, porque neles se repetem freqüentemente a fórmula: “Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo”, ou fórmulas semelhantes (cf. 19,2; 20,7). A “Lei de Santidade”, ao lado do Código da Aliança (Êxodo 20—23) e do Código do Deuteronômio (12—26) constitui, não obstante alguns traços mais recentes, um dos códigos mais antigos de Israel. Suas leis exigem que o povo de Israel seja santo, isto é, saiba distinguir entre o sagrado e o profano e observe as leis morais e do culto em vista de um relacionamento correto com a santidade de Deus.

O texto lido hoje, além de do solene exórdio (versículos 1-2), se insiste na prática da justiça e da caridade nas relações sociais.

O termo “santo” para os povos semitas significa o aspecto inacessível, transparente e supra-humano da divindade. Diante de Deus o ser humano é profano e impuro (Isaias 6,3). Mas Deus pode fazer a pessoa humana participar de sua santidade e consagrá-lo a si (Jeremias 1,5). É nesta consagração que está interessada a “Lei de Santidade”.

Imitar a santidade de Deus tem como exigências fundamentais em relação ao próximo (versículos 17-18): exclui o ódio e a vingança, e exige que nos preocupemos com a vida moral do próximo (sua santidade) a ponto de amá-lo como a nós mesmos. “Odiar” é violar o princípio da solidariedade. Mas ser solidário com as pessoas exige a correção fraterna. A omissão deste dever é um pecado contra a solidariedade (cf. Ezequiel 3,18s; 33,8s) na vocação comum à santidade. “O próximo” a que se referem os versículos 17-18 é antes de tudo o israelita. Mas no versículo 34 são incluídos no mesmo conceito também os estrangeiros residentes no pais, com a justificativa: “porque já fostes estrangeiros no Egito. Assim, aos poucos vai se formando a noção universalista que o termo adquire no Novo Testamento: próximo é qualquer pessoa humana com a qual eu me relaciono; pode ser tanto samaritano ou um caído em desgraça (cf. Lucas 10,23-27), como até mesmo inimigo que explora e agride (cf. Mateus 5,38-48) e do amor ao próximo como a si mesmo, mesmo aos inimigos, nasce de nossa comum origem em Deus e do mistério da Encarnação: “Tudo é vosso, mas vós sois de Cristo e Cristo é de Deus” (1Coríntios 3,23). Cristo é o ponto de encontro de Deus com as pessoas e das pessoas entre si.

Salmo responsorial – Salmo 102/103,1-4.8 e 10.12-13. O Salmo é um hino ao amor paternal de Deus. Os versículos 1-2 começa em forma individual. O salmista agradece a Deus os benefícios recebidos: primeiro, o perdão dos pecados (versículo 3); em segundo lugar, de ter sido liberto do perigo da morte, de modo que sua vida parece recomeçar, numa nova juventude. O salmo é um hino de louvor que bendiz a Deus por todos os benefícios concedidos a uma pessoa e a todo o povo.

No versículo 8 rezamos a grande definição do que é Deus: uma fórmula litúrgica que concentra muitas experiências de conviver com Deus. Em sua atuação frente o pecado das pessoas, Deus mostra principalmente sua misericórdia: a confissão humilde é a grande apelação. O ápice do salmo é a ternura paternal de Deus.

O salmo canta a grandiosidade de Deus que perdoa, cura, redime da cova, coroa com a vida de amor e compaixão, sacia, faz justiça e defende todos os oprimidos. O nosso Deus é um Deus que faz história com seu povo, perdoando e sendo compassivo. Jesus mesmo o louvou e mostrou-o bondoso e compassivo também com os maus e injustos. Jesus ainda nos ensinou a chamá-lo de Abba, paizinho.

A paternidade de Deus é, no Primeiro Testamento, uma comparação, uma imagem sugestiva. Todavia, quando o Filho se torna homem, nosso irmão, nos faz seus filhos e filhas de Deus. a paternidade de Deus já não é uma simples imagem, mas a grande realidade da nossa vida: chamamo-nos e somos filhos de Deus.

O rosto de Deus nesse salmo. É, mais uma vez, o aliado fiel. Mesmo que as pessoas não lhe sejam fiéis e pequem, Ele permanece fiel e perdoa. O salmo mostra, portanto, a fidelidade radical de Deus ao seu povo. A imagem do pai é interessante: “Como um pai é compassivo com seus filhos, o Senhor é compassivo com aqueles que O temem” (versículo 13). Compaixão é a mais preciosa qualidade de um pai. É também a maior característica de Deus. É o aliado compassivo que caminha com seu povo perdoando, pois foi Ele quem nos criou. O rosto de Deus neste salmo é: indulgente, paciente, bondoso e compassivo.

De Jesus se diz que “amou até o fim”, ou seja, até as últimas conseqüências (João 13,1). A compaixão é a sua característica principal diante do sofrimento ou clamor das pessoas (Mateus 9,36; 14,14; 15,36; 20,34; Marcos 6,34; 8,2; Lucas 7,13). Jesus também perdoou pecados, curou os doentes, ressuscitou mortos, saciou famintos, fez justiça e defendeu todos os oprimidos.

Em Cristo, Jesus revela-se o amor do Pai, sua compreensão das pessoas, sua misericórdia perpétua.

Cantando este salmo, peçamos que o Espírito de Deus se uma ao nosso espírito para testemunhar que somos filhos e filhas de Deus.

BENDIZE, Ó MINHA ALMA, AO SENHOR,
POIS ELE É BONDOSO E COMPASSIVO!

Segunda leitura – 1Coríntios 3,16-23. No trecho que hoje lemos, Paulo encerra a exposição dos motivos doutrinários, iniciada em 1,18s, que o levam a condenar a divisão as comunidade de Corinto em “partidários” de Paulo, de Apolo. De Pedro e de Cristo (1Coríntios 10-17). A divisão na comunidade mostra que os cristãos de Corinto ainda não haviam assimilado os ensinamentos de Paulo sobre a loucura da cruz (1Coríntios 1,18s), na qual se revela a sabedoria de Deus.

Paulo mostra a eles que não entenderam a verdadeira função dos pregadores: A comunidade cristã é a lavoura de Deus na qual tanto Paulo como Apolo trabalharam, mas que Deus faz crescer (1Coríntios 3,5-9); é a edificação de Deus, para a qual Paulo lançou o único fundamento, que é Cristo Jesus. O trabalho de outros pregadores só tem sentido se for respeitado este fundamento original. (1Coríntios 3,9-15).

Não partidarismo, mas pertença completa a Cristo e Deus. No começo de 1Coríntios 3, Paulo descreve como se constrói a Igreja Templo de Deus. a partir de 3,16, tira as conclusões: a presença do Espírito de Deus torna santa a comunidade eclesial: abalar a comunidade é demolir Deus (3,17). Mas também, onde deus está presente, não há lugar para endeusar pessoas, instaurar culto de personalidades. Em Cristo, a Igreja recebe a sabedoria de Deus, e torna-se realidade divina (3,16 cf. 1Coríntios 6,19; 2Coríntios 6,16; Efésios 2,20-22 cf. Jó 5,13; Salmo 94/95,11).

A leitura de hoje continua a polêmica de Paulo com a sabedoria do mundo. Nas entrelinhas, aparece o ensejo desta polêmica: a divisão que os critérios demasiadamente humanos (vanglória, partidarismo, etc.) causaram na comunidade de Corinto. Tal divisão é bem o contrário daquilo que o Evangelho ensina. Ora, reconhecendo o que o Evangelho ensina é, no fundo, a única sabedoria que vale, quando se consideram todas as conseqüências, devemos dizer com Paulo que os critérios humanos, que todo o mundo acha tão importantes, são loucura diante de Deus. Poderíamos exercer aqui nossa criatividade em procurar exemplos de atualidade. Deve haver aos montes dentro da própria Igreja hoje: “Eu sou de tal movimento, de tal grupo, de tal pastoral, de tal ‘teologia’, de tal boa tradição” – “Eu tenho a fé esclarecida”, etc. Paulo ironiza os Coríntios, dos quais uns diziam: “eu sou de Paulo”, ou “de Apolo” ou “de Cefas” (“Ainda bem que quase não batizei ninguém”, observa ele, brincando; 1Coríntios 1,14). E diz agora: “Todos nós, apóstolos, somos vossos; e não só nós, toda a realidade da criação é vossa… mas vós sois de Cristo, e Cristo de Deus” (1Coríntios 3,21-23).

Somos de Cristo e de Deus. Por isso devemos ser como eles. Isto, porém, não o conseguiremos por um vaidoso esforço de nossa vontade, mas somente quando nos deixamos envolver no amor gratuito que Deus nos testemunhou em Jesus Cristo, dado por nós até o fim.

Evangelho – Mateus 5,38-48. O Sermão da Montanha (Mateus 5,1—7,27) constitui o primeiro dos cinco ciclos de discursos de Jesus no Evangelho de Mateus. Após a mensagem das bem-aventuranças (5,1-12) e sal da terra e luz do mundo (5,13-16), segue um longo desenvolvimento sobre a Justiça Nova. O trecho lido no domingo passado destacou três exemplos de superação da Lei Antiga, caracterizando-se pela radicalização no quadro

– das relações entre irmãos (versículos 21-26);
– do comportamento do homem diante da mulher (versículos 27-32);
– dos juramentos (versículos 33-37).

A estrutura da oposição de palavras “ouvistes que foi dito aos antigos” / “eu porém vos digo” já apareceu quatro vezes (versículos 21.27.31.33); abre agora mais dois aperfeiçoamentos da Lei, lembrando-nos que o ensino se fazia oralmente:

-não vingar-se, mas ceder (versículos 38-42)
-amar até os seus inimigos (versículos 43-48).

Temos aqui o quarto exemplo de superação da Justiça Antiga. Difere dos outros porque Mateus não cita mais o Decálogo (Dez Mandamentos) mas sim Êxodo 21,23-25). Numa sociedade ainda pouco organizada juridicamente, a vingança era uma questão de honra; encontramos ainda este espírito na vendeta córsica ainda bem viva em várias regiões do Brasil.

“Aquele que te fere a face direita, oferece-lhe também a esquerda” (versículo 39b). A face direita é a mais nobre; o mais natural seria que o inimigo batesse com a mão direita na face esquerda do adversário. O filósofo Sêneca já aconselhava de não replicar por causa de uma bofetada; aconselhava a paciência como um modo de se mostrar superior (De Ira, II,34,5). Jesus supera até Eclesiástico 28,1-7, pedindo não só de “perdoar a injúria ao seu próximo” mas de oferecer-lhe a outra face, quer dizer de estar disposto a agüentar outras injúrias sem vingar-se!

“Se alguém fizer um processo para tomar a tua túnica, deixe também o manto” (versículo 40) Trata-se aqui de um caso previsto pela Lei, a penhora da roupa pelo credor: “Toma a veste de quem deu fiança por outro e retém-na em penhor pelos estranhos” (Provérbios 20,16). A túnica é a roupa de dentro, o manto é a roupa de cima. Temos então uma progressão: pode-se ficar sem a túnica sem parecer despido mas não sem o manto, isto é, a veste!

A segunda aplicação prática deve ser ligada à quarta com (versículo 42a) e à quinta (versículo 42b) que falam também do dom e do empréstimo.

“Se alguém te obrigar a andar um quilômetro, caminha dois com ele” (versículo 41). A milha é uma medida romana equivalente a mais ou menos 1478 metros. Temos provavelmente uma referencia às requisições impostas pelos militares ou funcionários romanos; foi isto que aconteceu com Simão o Cirineu (Mateus 27,32).

“Dá a quem te pedir” (versículo 42a). As duas últimas aplicações concretas divergem um pouco da intenção geral do discurso. Não se trata mais de “resistir ao malvado” mas de ajudar todo aquele que estiver precisando.

“E não vire as costas a quem te pede emprestado” (versículo 42b). Geralmente, o primeiro movimento é de recusar um empréstimo a quem está pedindo. Para o Senhor, entretanto, a propriedade privada não é um absoluto; tem seus limites e seus deveres. O credor até se preparar a não receber seu dinheiro de volta.

“Amar até seus inimigos” (versículos 43-48). Esta seção constituiu o quinto exemplo de superação da Lei. Jesus refere-se a Levítico 19,18: “Amarás a teu próximo como a ti mesmo”. A segunda parte do mandamento, “odiarás teu inimigo” não se encontra explicitamente no Primeiro Testamento mas só na Regra da Comunidade de Qumrâm: a fim de amem os filhos da luz… e a fim de que odeiem todos os filhos das trevas (1,9s; cf. 9,21)”. Não devemos esquecer que “odiar”, na linguagem hebraica que desconhecia os comparativos, significa “amar menos”.

Quando Cristo fala de “amar os inimigos” ele não quer deixar a mínima dúvida: o amor não pode se restringir às pessoas do mesmo clã, aos patrícios, às pessoas espontaneamente amáveis: “Com efeito, se amais aos que vos amam, que recompensa tereis? Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa. E, se saudais somente os vossos irmãos, o que fazeis de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa? Jesus afirma que é preciso ir mais longe. O autêntico amor não tem fronteira nem de raça, nem de religião, nem de preconceito, nem de classe social. A misericórdia é a essência de Deus que nos perdoa.

O amor aos inimigos não tem nada que ver com um amor romântico ou meramente sentimentalista. É um amor adulto baseado antes de mais nada no respeito, no direito e na justiça para com o outro. O cume do amor consiste em orar pelos que nos perseguem (versículo 44b). É a bem-aventurança dos pacíficos (Mateus 5,10-12) lembrando a dura realidade da Igreja Primitiva. Este mandamento é tão importante que Jesus mostrou o exemplo na Cruz (Lucas 23,34), O diácono Estevão agiu da mesma maneira (Atos 7,60).

3- DA PALAVRA CELEBRADA AO COTIDIANO DA VIDA

Como ser perfeitos num mundo que beira o caos da imperfeição?

Como ser santos num contexto que nos ínsita a “chutar o pau da barraca”, como conseqüência do desespero e da falta de esperança, se consideramos a capacidade que o ser humano construiu de violar o direito dos seus iguais, de lhes imputar dor e sofrimento, de lhes causar o equivalente à morte: a impotência e a impossibilidade de se mover com segurança e liberdade?

Mais do que nunca a vocação cristã ganha espaço neste mundo. Porque é lá onde impera a desumanidade que a Igreja, corajosamente, é convocada pra sinalizar a beleza de sermos humanos.

Perguntarmo-nos, portanto, a respeito dos motivos de nossa esperança em continuar cristãos e cristãs, reunindo-nos para celebrar, planejar e empreender um mundo novo. Habitar o coração do mundo que se desintegra, torna-se sinônimo de habitar o coração de Deus pois é lá que sua atenção se encontra.

Se observarmos nossa comunidade de fé, as pessoas que convivem conosco, em que ritmo se encontra sua vida poderemos perceber como estamos próximos ou como estamos distantes daqueles planos que Deus usou para nos criar. Temos que ter muito cuidado, pois pode ser que estejamos muito ocupados com o “mundo” de Deus, pois Ele está muito ocupado com o nosso mundo… Inevitavelmente haverá um desencontro. Onde estiver o amor de Deus, aí está sua Palavra, aí estará Cristo e aí estarão os cristãos. E o amor de Deus está dedicado à sua criação, em especial, aos seres humanos, portadores de sua perfeição.

Com os dois mandamentos de evitar vinganças e o amor aos inimigos, Jesus propõe não a resignação ou a indiferença diante da violência e da injustiça, mas uma resistência ativa, não violenta. O que desarma o inimigo é o amor, não a passividade ou a indiferença. O Evangelho de hoje retoma as bem-aventuranças dos que promovem a paz, recordando a nossa vocação de construtores da paz.

Não podemos buscar esta meta sozinhos. A comunidade cristã é o ambiente favorável que nos lembra constantemente esta vocação. Cada um de nós é responsável por criar esse ambiente espiritual, no qual não serve a lógica da competição e da luta pelo poder. Imitar a integridade de Deus é justamente buscar qualidade interior e uma conduta de vida capaz de modificar o lugar onde habitamos.

Na liturgia somos a assembléia dos que foram santificados por Deus. Não porque sejamos pessoas boas, puras, perfeitas, mas porque Deus, que é perfeito, nos agraciou e nos chama a imitá-lo na santidade.

4- A PALAVRA SE FAZ CELEBRAÇÃO

Por que ir à Igreja aos domingos?

Timothy Radcliffe, em recente livro, tenta responder a esta questão desafiadora para o nosso tempo. Mas é o Arcebispo de Cantuária, no prefácio da obra, quem dá a síntese: “a Igreja permite que sejamos humanos de forma não encontrada em nenhum outro lugar”. Ele vê a celebração da Ação de Graças – a Eucaristia, como “a viagem ao coração generoso de Jesus Cristo (que é) também a descoberta de quem somos e de quem podemos vir a ser em Jesus”.
A Liturgia deste domingo confirma esta tese porque ela mesma nos situa no coração de Jesus, isto é, na Palavra que Deus Nele nos comunica, porque o cerne da vida de Cristo não é outro senão a Palavra de seu Pai que origina o Reino dos Céus. O Reino de Deus é o Reino de seu Verbo, da comunicação de si mesmo, de sua plenitude não-acumulada, mas, distribuída, porque transbordante, para a sua criação. Tal experiência do Verbo da Vida, que nos resgata a dignidade e a beleza de sermos humanos plenamente e assim se cumprir em nós a vontade de Deus, está manifestada no versículo da Aclamação ao Evangelho: “É perfeito o Amor de Deus em quem guarda sua Palavra”.

A celebração dominical nos recorda aquela paciência, bondade e compaixão com as quais Deus ama os seres humanos e os acompanha pelos caminhos da vida (cf. Salmo responsorial e Oração Eucarística VI-A)

Realizar a Palavra de Deus

A assembléia dominical tem por motivação fundamental dar corpo à vontade de Deus em suas palavras e ações (cf. Oração do Dia). A experiência da salvação de que trata a Antífona de Entrada, citando o Salmo 12,6 “Confiei em teu amor, tu me salvas e eu me alegro, ao Senhor eu cantarei pelo bem que me tem feito!”, se torna manifesta em cada gesto de apreço e cuidado que os irmãos e irmãs dispensam uns aos outros, tornando a festa celebrada ao redor da Mesa da Palavra de Deus e do Pão e Vinho consagrados uma escola para a existência e labor cotidianos. Não sem razão, a Eucaristia é sacramento da “iniciação”. Ela, continuamente, nos liga à razão de nosso ser, com vistas a nos tornar plenos (santos! Perfeitos!) não porque nos isenta do pecado e da morte, mas porque nos situa para além deles, permite-nos olhar adiante, com esperança e confiança. A celebração nos põe em dia com aquele plano do qual Deus se utilizou para criar o mundo e nele, cada homem e mulher.

5- LIGANDO A PALAVRA COM A AÇÃO EUCARÍSTICA

Nos reunimos para celebrar a Ação de Graças que nos leva ao coração de Trindade. Na Oração do Dia que concluiu os Ritos Iniciais, nos colocamos diante de Deus pedindo que Ele nos ajude a fazer a Sua vontade com palavras e ações.

Somos semelhantes a Deus quando amamos as pessoas sem interesse nenhum. A assembléia litúrgica é sacramento visível do amor de Deus entre nós. É alimento de santidade e do compromisso com o amor e a justiça.

Vivemos num mundo dividido, injusto, violento, onde a vida cada vez mais é desfigurada. Mesmo assim somos chamados a celebrar a Eucaristia como sinal de esperança no sentido de que, na força do Cristo nossa Páscoa, as coisas poderão ser diferentes e novas. Sua morte e ressurreição nos mostram isso tanto no Novo Testamento, como na vida cotidiana.

Se estivermos prontos a “partilhar” o pão, podemos receber nossa parte de alimento; só se estivermos prontos a perdoar podemos também ser perdoados pelo Pai Celeste. Não podemos esquecer que a Eucaristia é para o perdão dos pecados (Mateus 26,26-28). Deus só aceita nossa Eucaristia se for sinal de nosso amor aberto a todas as pessoas e a todo o mundo, sobretudo aos que nos são próximos e também aqueles que não nos amam. Como Cristo se dá no sinal do pão e do vinho a todos os que o buscam na esperança da salvação, também o cristão deve encontrar, na Eucaristia, o modo como deve dar-se. Na Oração sobre as Oferendas podemos sentir isso quando rezamos com o presidente: “Ao celebrar com reverência vossos mistérios, nós vos suplicamos, ó Deus, que os dons oferecidos em vossa honra sejam úteis à nossa salvação”.

O Pão da Vida partido e repartido, acompanhado pelo canto do Cordeiro de Deus, nos inspira o caminho da santidade e da justiça e nos introduz a promover a paz, “bem-aventurados os que promovem a paz”. O Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, tira o pecado do nosso coração, quando comungamos desse pão partilhado e entregamos nossa vida nos gestos de reconciliação, partilha, paz e prática da justiça. Na Liturgia Maronita, na orara da distribuição do Corpo e Sangue de Cristo se diz aos comungantes: “O Corpo e Sangue de Cristo penhor da vida eterna”

6- ORIENTAÇÕES GERAIS

1. Evitar muitos e longos comentários durante a celebração.

2. Na liturgia da Palavra, deve-se substituir o breve comentário por um refrão meditativo.

3. Os cantos sejam condizentes com a celebração; evitar cantos não litúrgicos.

4. À medida que o povo for chegando, pode-se fazer um breve ensaio de cantos, especialmente dos refrões e do salmo responsorial.

5. A proclamação das leituras e das orações seja feita com “unção e solenidade”, pois é diálogo e encontro com o Senhor, santo e justo, que nos imanta com sua ternura e santidade.

7- MÚSICA RITUAL

O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos cantar a liturgia e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com cada domingo do Tempo Comum, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são do 7º Domingo do Tempo Comum, é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado. Jamais os cantos devem ser escolhidos para satisfazer o ego de um grupo ou de um movimento ou de uma pastoral. Não devemos esquecer que toda liturgia é uma celebração da Igreja corpo de Cristo e não de um grupo, de uma pastoral ou de um movimento.

A função do canto de abertura, inserido nos ritos iniciais, cumpre antes de tudo o papel de criar comunhão. Seu mérito é de convocar a assembleia e, pela fusão das vozes, juntar os corações no encontro com o Ressuscitado, na certeza de que onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí no meio deles (Mateus 18,20). Este canto tem que deixar a assembleia num estado de ânimo apropriado para a escuta da Palavra de Deus.
1. Canto de abertura. Júbilo por causa da bondade de Deus (Salmo 13/12,6). Somos chamados a colocar nossa esperança em Deus por que Ele é justo e nos defende. Para o canto de abertura, sugerimos como antífona o versículo 6 do Salmo 12/13. “Confiei em teu amor”, CD: Liturgia VI, melodia da faixa 8, exceto o refrão e estrofes do Salmo 31/30.

A Igreja oferece outras duas ótimas opções: “Canta meu povo”, CD: Festas Litúrgicas II, melodia da faixa 15; “Ó Pai, somos nós o povo eleito”, CD: Cantos de Abertura e Comunhão, melodia da faixa 1. Como canto de abertura não podemos deixar de entoar um desses cantos que nos introduzem no mistério a ser celebrado.

Ensina a Instrução Geral do Missal Romano que o canto de abertura tem por objetivo, além de unir a assembléia, inseri-la no mistério celebrado (IGMR nº 47). Nesse sentido o Hinário Litúrgico III da CNBB nos oferece uma ótima opção, que estão gravados no CD Liturgia VI e CD: Cantos de Abertura e Comunhão.

2. Ato penitencial. Nesse domingo seria oportuno rezar ou cantar a fórmula 1 do Missal Romano, página 391: “Confesso a Deus todo-poderoso, ou a fórmula das invocações para o Tempo Comum, página 394 formula 3: Senhor, que vistes para perdoar e não para condenar…”

3. Hino de louvor. “Glória a Deus nas alturas…” Vejam o CD Tríduo Pascal I e II e também no CD Festas Litúrgicas, Partes fixas do Ordinário da Missa do Hinário Litúrgico III da CNBB e também a versão da CNBB musicado por Irmã Miria e outros compositores.

O Hino de Louvor, na versão original e mais antiga, é um hino cristológico, isto é, voltado para Cristo, que exprime o significado do amor do Pai agindo no Filho. O louvor, o bendito, a glória e a adoração ao Pai (primeira parte do Hino de Louvor) se desdobram no trabalho do Filho Único: tirar o pecado do mundo, exprimindo e imprimindo na história humana a compaixão do Pai. Lembremo-nos: o Hino de Louvor não se confunde com a “doxologia menor” (Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo). O Hino de Louvor encontra-se no Missal Romano em prosa ou nas publicações da CNBB versificado numa versão que facilita o canto da assembléia.

4. Salmo responsorial 102/103. Deus é clemente e misericordioso. “Bendize, ó minha alma, ao Senhor, pois ele é bondoso e compassivo!”, CD: Liturgia VI, mesma melodia da faixa 6.

Para a Liturgia da Palavra ser mais rica e proveitosa, há séculos um salmo tem sido cantado como prolongamento meditativo e orante da Palavra proclamada. Ele reaviva o diálogo da Aliança entre Deus e seu povo, estreita os laços de amor e fidelidade. A tradicional execução do Salmo responsorial é dialogal: o povo responde com um refrão aos versos do Salmo, cantados um ou uma salmista. Deve ser cantado da mesa da Palavra.

5. Aclamação ao Evangelho. “O Espírito é que vivifica” (João 6,63.68) “Aleluia… Ó Senhor, tuas palavras são espírito e vida.” CD: Liturgia VI, melodia da faixa 10. O canto de aclamação ao evangelho acompanha os versos que estão no Lecionário Dominical, página 260.
A aclamação ao Evangelho é um grito do povo reunido, expressando seu consentimento, aplauso e voto. É um louvor vibrante ao Cristo, que nos vem relatar Deus e seu Reino no meio das pessoas. Ele é cantado enquanto todos se preparam para ouvir o Evangelho (todos se levantam, quem está presidindo vai até ao Ambão).

6. Apresentação dos dons. O canto de apresentação das oferendas, conforme orientamos em outras ocasiões, não necessita versar sobre pão e vinho. Seu tema é o mistério que se celebra acontecendo na fraternidade da Igreja reunida em oração. Neste domingo seria oportuno entoar o Canto de São Francisco de Assis: “Senhor, fazei-me um instrumento de vossa paz”. Outra opção seria o Salmo 115, “A vós, Senhor apresentamos estes dons: o pão e o vinho, aleluia!”, CD: Liturgia VI, melodia da faixa 9, ou também Salmo 133 “Como é bom viver em harmonia” de autoria da Irmã Miriam Kolling seria muito oportuno para acompanhar a apresentação dos dons do pão e do vinho, bem como a preparação do Altar.

7. Canto de comunhão. “Se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? (Mateus 5,46a). “Se amam somente quem ama a vocês!” articulado com o Salmo 33/34, CD: Liturgia VI, mesma melodia da faixa 7. Sem dúvida, este é o canto de comunhão mais adequado pra esse domingo.

Outra ótima opção para o canto de comunhão neste 7º Domingo do Tempo Comum, sugerimos Efésios 1,3-10: “Bendito seja Deus, Pai do Senhor, Jesus Cristo, Por Cristo nos brindou todas as bênçãos do Espírito”, CD: Cantos de Abertura e Comunhão, melodia da faixa 17 e também está no Ofício Divino das Comunidades página 254. Se a comunidade não conhecer estes dois cantos, outra opção excelente é cantar a Oração de São Francisco de Assis: “Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz”. Se foi entoado como canto das oferendas, não tem sentido cantar como canto de comunhão. Estes cantos retomam o Evangelho na comunhão de maneira autentica. Veja orientação abaixo.

O fato de a Antífona da Comunhão, em geral, retomar um texto do Evangelho do dia revela a profunda unidade entre a Liturgia da Palavra e a Liturgia, Eucarística e evidencia que a participação na Ceia do Senhor, mediante a Comunhão, implica um compromisso de realizar, no dia-a-dia da vida, aquela mesma entrega do Corpo e do Sangue de Cristo, oferecidos uma vez por todas (Hebreus 7,27).

8- ESPAÇO CELEBRATIVO

1. O lugar onde celebramos a Eucaristia é Casa da Igreja e antes disso é Casa da Palavra, pois é esta que, sacramentalmente, forja a comunidade dos cristãos. De certo modo, a construção de pedra é imagem da construção viva, da qual fala Paulo em suas cartas, que a Igreja, Corpo de Cristo. Neste sentido, é lugar de interlocução, de diálogo a partir das escrituras que são interpretadas pelos ritos. Assim, toda a celebração litúrgica é Palavra de Deus dirigida ao povo reunido. Mas também é resposta deste povo aos apelos que lhe são expressos.

2. A pergunta que nos vem é: como tornar nossos lugares de celebração, ambientes aptos à escuta da Palavra e à sua resposta por parte da Assembléia celebrante? Um dos meios é permitir que o silêncio se estabeleça. Que a equipe de celebração não fique tratando, à vista de todos, das questões que devem ser observadas e providenciadas, que os instrumentistas cheguem bem antes para afinar os instrumentos e passar o som, equalizando-o para não distrair as pessoas da oração pessoal antes da celebração.

9. AÇÃO RITUAL

A Liturgia ensina que Deus é fonte de santidade e sem Ele ninguém pode ser bom. Nesse sentido, amadurecer no relacionamento com Ele (= comunhão) é o caminho para alimentar em nós a santidade que lhe é natural, mas para nós é dom. Este itinerário se faz na escuta atenta da Palavra de Deus e no compartilhar do Pão e Vinho Consagrados.

Ritos Iniciais

1. A celebração tem início com a reunião da comunidade cristã (IGMR 27.47). O canto de abertura começa tendo em conta essa realidade eclesial, e vai introduzir a assembléia no Mistério celebrado.

2. Após a saudação presidencial e antes do sentido litúrgico, o animador, ou o próprio presidente convida a todos para a recordação da vida. Trazemos a vida na celebração porque acreditamos que Deus age na história. Trazer os fatos de maneira orante e não como noticiário.

3. Sugerimos na saudação inicial, a fórmula “c”, do Missal Romano que são as palavras conforme a 2Ts 3,5:

O Senhor, que encaminha os nossos corações para o amor de Deus e a constância de Cristo, esteja sempre convosco.

4. Em seguida, dar o sentido litúrgico da celebração. O Missal deixa claro que o sentido litúrgico da celebração pode ser feito pelo presidente, pelo diácono um leigo/a devidamente preparado (Missal Romano página 390). Em seguida propõe o sentido litúrgico:

Domingo da santidade de Deus. Domingo do amor aos inimigos e da santidade do Pai. Acolhendo a Palavra que o Senhor dirige aos seus discípulos no alto da montanha, somos chamados a amar os nossos inimigos e a ser santos como o Pai do céu é Santo.

5. O ato penitencial é uma forma de nos reconhecer frágeis e pecadores diante de Deus. É um momento, não de confissão. Por isso, ao invés de escolher cantos penitenciais descritivos dos pecados, optar por uma das três formas do Missal: “Confesso a Deus”, ou “Tende compaixão de nos, Senhor”, em que reconhecemos nossa fragilidade diante de Deus. Ou algum dos tropos, em que a misericórdia e o amor de Deus nos leva ao reconhecimento da nossa condição pecadora. Para as duas primeiras formas, segue-se a conclusão: “Deus todo poderoso tenha compaixão…” “e o Senhor, tende piedade”. A segunda forma, apenas a conclusão.

a) A renovação conciliar inovou com o Rito Penitencial ou Ato Penitencial, que não estava previsto na Missa de Pio V como rito de toda a assembléia. O Confiteor e o Misereatur eram orações privadas do presbítero antes ou durante a celebração. Segundo a Instrução Geral do Missal Romano, o sentido do Ato Penitencial é de confissão genérica ou geral. Para guiar a reflexão em torno desta “novidade” pós-conciliar, José Aldazábal traz algumas considerações interessantes: “Sem ser um elemento muito importante da celebração, porque ainda estamos no início, o ato penitencial pode ser um pequeno gesto educativo da comunidade, que prepara para deixar-se encher da graça da Palavra e da Eucaristia”.

b) No Brasil, como fruto da reforma litúrgica, surgiram diversos “Atos Penitenciais” em forma de música, cujas letras se afastam da natureza específica desse rito e o “deforma”. Por conseqüência, tornou-se, não poucas vezes, uma lista de possíveis pecados cometidos pelos fiéis ou, na pior das hipóteses, uma reflexão da natureza do pecado. Exemplos do primeiro caso são os textos (musicados ou não) que começam com “Pelas vezes que…”; “Pelos pecados, erros passados”… exemplo do segundo caso são os textos que (musicados ou não) são semelhantes a: Perdão, Senhor, porque sou pequeno e sem valor” ou “O pecado arrancou a alegria deste chão”, etc. São compositores que não assimilaram ainda a reforma do Concílio Vaticano segundo e que muitas vezes têm uma noção doentia de pecado.

c) A conseqüência foi o esquecimento das fórmulas previstas pelo Missal: O Confiteor, simplificado para a recitação ou canto da assembléia (Confesso a Deus todo-poderoso e a vós, irmãos e irmãs…), o “Tende compaixão”, diálogo simples, mas de densidade bíblica relevante e as invocações a Cristo articuladas com o Kyrie. Não tem sentido o presidente da celebração dar absolvição, porque ele se inclui pecador junto com a assembléia. O Missal Romano não prevê a mão levantada.

d) Sugerimos que tais textos sejam melhores aproveitados em nossas assembléias, conforme a circunstância litúrgica e a índole da celebração. Para este domingo, sugerimos que se entoe a fórmula 1 do Missal Romano, página 391: “Confesso a Deus todo-poderoso, ou a fórmula das invocações para o Tempo Comum, página 394 formula 3: Senhor, que vistes para perdoar e não para condenar…”

6. Na Oração do Dia suplicamos a Deus que Ele nos ajude a conhecer o que é reto e fazer o que agrada a Ele com palavras e atos. Esta oração nos suscita o desejo de nos conformarmos com Deus.

Rito da Palavra

1. Inspirados no versículo da Aclamação ao Evangelho pode-se entoar como refrão de abertura da Liturgia da Palavra o refrão “A vossa Palavra, Senhor, é sinal de interesse por nós”, seguido da estrofe: “É feliz quem escuta a Palavra e a guarda em seu coração”.

2. Após a homilia, pode-se valorizar o rito da paz, transpondo o gesto do lugar em que está previsto (após o Pai Nosso). Nesse caso, mantenha-se a oração prevista após o embolismo, ainda que não mais se repita o gesto do abraço da paz. Para que ninguém se escandalize quanto a esta sugestão, tal rito já conhecera outros lugares na celebração e não somente onde está hoje. Sem acusar o fato de que, seja como “saudação”, “louvor” ou “súplica”, o tema da paz aparece em vários ritos durante a Missa: Hino de louvor, “Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens por ele amados”; aparece também no momento da fração do Pão acompanhado pelo “Cordeiro de Deus… dai-nos a paz”, etc. e, nesses casos, não está atrelado ao gesto de abraçar ou oscular os irmãos. Se a comunidade se sentir com liberdade para terminar a homilia exortando a assembléia para que manifeste a paz suscitada por Cristo no Evangelho proclamado, faça-o sem medo. Senão, faça-se uma alusão mistagógica sobre o rito a ser feito no momento previsto pelo Missal e, naquele momento, a exortação para a saudação da paz também recupere a intenção apresentada no Evangelho de distribuir a paz, mediante o trato dos irmãos. Aqui, articule-se santidade e paz.

Rito da Eucaristia

1. Para acompanhar a procissão do pão e do vinho, pode-se entoar o Canto de São Francisco de Assis, “Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz”. Ver em Música Ritual nº 7, item 6. Outra opção é uma versão do Salmo 133 “Como é bom viver em harmonia” de autoria da Irmã Miriam Kolling seria muito oportuno para acompanhar a apresentação dos dons do pão e do vinho, bem como a preparação do Altar. Também as comunidades privadas da celebração eucarística, mas que celebram o Dia do Senhor com a Liturgia da Palavra e Ação de Graças, podem cantá-lo durante o rito em que os fiéis se apresentam para compartilhar os seus bens para o sustento da comunidade e o serviço dos pobres.

2. Na Oração sobre as oferendas pedimos a Deus que celebremos a Eucaristia com reverência e que os dons do pão e do vinho sejam dom para a honra de Deus e para a nossa salvação.

3. Para este Domingo, sugerimos o Prefácio dos Domingos do Tempo Comum VII, página 434 do Missal Romano que focaliza o “amor gratuito” de Deus pelos homens manifestado em Jesus Cristo. Seguindo esta lógica, cujo embolismo reza “De tal modo amastes o mundo, que nos enviastes, como Redentor, vosso próprio Filho, em tudo semelhante a nós, exceto no pecado. Amando-o até o fim, amastes nele nossa humilde condição…”. O grifo no texto identifica aqueles elementos em maior consonância com o Mistério celebrado neste Domingo e que pode ser aproveitado na própria, ao modo de mistagogia. Usando este prefácio, o presidente deve escolher a I, II ou a III Oração Eucarística. A II admite troca de prefácio. As demais não admitem um prefácio diferente e também não podem ter os prefácios substituídos porque causaria grave prejuízo para a unidade teológica e literária da eucologia.

4. No momento do convite à comunhão, quando se apresenta o Pão consagrado e o cálice com o sangue de Cristo, é muito oportuno o texto bíblico de João 8,12, que é a fórmula “b” do Missal Romano:

“Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida”.

5. A comunhão em duas espécies é muito importante para cumprir o mandamento do Senhor de tomar parte no seu Corpo e Sangue. Cuide-se para que a partilha dos dons eucaristizados seja feita com cuidado e sem ruí- dos. Distribuir a comunhão de maneira orante e sob as duas espécies, pois como diz a Instrução Geral do Missal Romano (IGMR): “A comunhão realiza mais plenamente o seu aspecto de sinal quando sob as duas espécies. Sob esta forma se manifesta mais perfeitamente o sinal dom banquete eucarístico e se exprime de modo mais claro a vontade divina de realizar a nova e eterna Aliança no Sangue do Senhor, assim como a relação entre o banquete eucarístico e o banquete escatológico do Reino do Pai” (n. 240).

Ritos finais

1. Na Oração depois da comunhão, rezamos que sempre devemos desejar o alimento que traz a verdadeira vida.

2. A Bênção Solene para o Tempo Comum de n. 2 (A Paz de Deus, que supera todo entendimento), página 525 do Missal Romano, seria oportuno para terminar a celebração, sobretudo por trazer uma expressão afim com a participação na santidade (perfeição) de Deus: “guarde vossos corações e mentes no conhecimento e no amor de Deus”.

3. As palavras do rito de envio devem estar em consonância com o mistério celebrado: “Sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito”. Ide em paz e o Senhor vos acompanhe!”.

10- CONSIDERAÇÕES FINAIS

Essa comunidade só pode aprender a “não revidar a injúria”, “a oferecer a outra face”, “a amar o inimigo” até morrer por ele, fazendo seu o gesto d’Aquele que deu sua vida para que todas as pessoas pudessem viver vida plena, que suportou a injustiça para que nascesse no mundo uma nova justiça, a justiça de um mundo do fraterno. Isto é precisamente a celebração da Eucaristia. Aí os cristãos poderão compreender que se a plenitude da revelação de Deus se exprime na Palavra: “Deus é Amor”, o último estágio da revelação bíblica do ser humano é o “sede misericordioso, como vosso Pai é misericordioso”.

O objetivo da Igreja é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas aquelas outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.

Um abraço fraterno a todos
Pe. Benedito Mazeti

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