7º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO C, 24 de fevereiro de 2019

7º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO C, 24 de fevereiro de 2019

22/02/2019 0 Por Diocese de São José do Rio Preto

“NÃO JULGUEIS E NÃO SEREIS JULGADOS”

Reprodução | Internet 

 

Leituras

         1Samuel 26,2.7-9.12-13.22-23-2a.3-8. Não o mates!

         Salmo 102/103,1-4.8.1.12-13. Bendize, ó minha alma ao Senhor.

         1Coríntios 15,45-49. O segundo home vem do céu.

         Lucas 6,27-38. Sede misericordiosos, como também o vosso Pai é misericordioso.

 

1- PONTO DE PARTIDA

Domingo do amor aos inimigos. Amar realmente, mesmo as pessoas amigas e os que nos querem bem, já é difícil. Quanto mais amar os nossos inimigos, os antipáticos, os intragáveis. Cristo não apenas pronunciou estas palavras, mas também as viveu integralmente até o fim. E assim como Ele falou depois do lava-pés, podemos dizer agora também: “Dei-vos o exemplo, agora fazei vós o mesmo”.

1- REFLEXÃO BÍBLICA, EXEGÉTICA E LITÚRGICA

 

Contemplando os textos

Primeira leitura 1Samuel 26,2.7-9.12-13.22-23-2a.3-8. O conteúdo do relato (26,1-25) é o mesmo do relato de 1Samuel 23,19-24,23. Ambas as narrativas são dedicadas à rivalidade entre Saul e Davi. Saul é o rei que está no poder e que, para manter-se no trono, movimenta a elite de suas forças armadas (cf. 24,3; 26,3) contra Davi e seus homens. Davi é o guerrilheiro subversivo que foge diante do rei e de suas tropas regulares, procurando refúgio nos esconderijos do deserto e das montanhas.

O grande guerreiro Abisai e seus companheiros interpretam a situação excepcional, em que Davi se encontra com Saul, não como conseqüência, mas como oportunidade criada por Deus para livrar-se de Saul: “Eis o dia do qual o Senhor te disse: Eu te entregarei o teu inimigo, e farás dele o que quiseres” (26,8). Esta interpretação funciona no relato como tentação. Abisai e os companheiros sugerem a Davi que aproveita a oportunidade de elimine Davi.

Davi homem sábio, porém, não de deixa enganar nem seduzir. Ele rejeita a interpretação dos companheiros como superficial, apressada, interesseira e maléfica. Nesta concepção de Deus, como Aquele que age em tudo, não se pode adotar uma tal atitude. Segundo Davi, Deus não lhe deu esta oportunidade para que eliminasse Saul de mão armada e se apoderasse do trono, mas para que mostrasse que a fúria de Saul, em última análise, não se dirige contra Davi (“uma pulga”: 24,15; 26,20) mas contra o próprio Deus. Saul persegue Davi como subversivo. Sem razão e em vão. Davi não tem planos subversivos. Se o rei vai perder o poder e o trono em favor de Davi, não é porque Davi o quer, mas porque Deus está guiando a história neste rumo. Esta mão de Deus na história é irreversível. A mão de Saul não poderá modificar esta história, perseguindo Davi. E Deus não precisa da mão de Davi para apressar esta história, matando Saul. E por isso Saul, Abisai e os companheiros de Davi se enganam. E por isso é que Davi não se deixa levar pelo ódio ou por sentimentos de vingança contra Saul. Assim, dá uma demonstração de perdão ao “inimigo político”. Deus quer o ser humano vivo. Da mesma forma, a pessoa também deve querê-lo vivo, ainda que seja seu adversário.

O rei Saul de deixou levar a essa perseguição contra Davi por seus assessores, portanto não se trata da vontade de Deus, mas da maldade dos homens. Uma vez que Davi não deu nenhuma razão para ser perseguido por Saul, o rei corre perigo de tornar-se culpado de um pecado alheio. Porque a perseguição pode obrigar Davi a refugiar-se numa terra inimiga e de procurar a ajuda de servidores de deuses estrangeiros. Quem ameaça a segurança nacional não será então Davi, mas o próprio rei Saul que põe Deus à prova por obrigar um patriota fiel e justo como Davi (26,23) a refugiar-se no campo inimigo. O próprio Saul, por dar ouvidos aos conselhos maléficos de seus ministros, ia se tornar a causa da traição da pátria e da “apostasia” do servo de Deus Davi.

O próprio rei foi a causa da perseguição. É Saul mesmo que reconhece e confessa agora: “Fiz mal!… Cometi um grande pecado” (26,21). Saul agiu por pura inveja e medo de perder o poder. Agora ele se curva diante do poder de Deus: “Bendito sejas, meu filho Davi! Tu triunfarás seguramente em todas as tuas obras”! (26,25).

Salmo responsorial – Salmo 102/103,1-4.8.1.12-13. O Salmo é um hino ao amor paternal de Deus. Os versículos 1-2 começa em forma individual. O salmista agradece a Deus os benefícios recebidos: primeiro, o perdão dos pecados (versículo 3); em segundo lugar, de ter sido liberto do perigo da morte, de modo que sua vida parece recomeçar, numa nova juventude. O salmo é um hino de louvor que bendiz a Deus por todos os benefícios concedidos a uma pessoa e a todo o povo.

No versículo 8 rezamos a grande definição do que é Deus: uma fórmula litúrgica que concentra muitas experiências de conviver com Deus.  Em sua atuação frente o pecado das pessoas, Deus mostra principalmente sua misericórdia: a confissão humilde é a grande apelação. O ápice do salmo é a ternura paternal de Deus.

O salmo canta a grandiosidade de Deus que perdoa, cura, redime da cova, coroa com a vida de amor e compaixão, sacia, faz justiça e defende todos os oprimidos. O nosso Deus é um Deus que faz história com seu povo, perdoando e sendo compassivo. Jesus mesmo o louvou e mostrou-o bondoso e compassivo também com os maus e injustos. Jesus ainda nos ensinou a chamá-lo de Abba, paizinho.

A paternidade de Deus é, no Primeiro Testamento, uma comparação, uma imagem sugestiva. Todavia, quando o Filho se torna homem, nosso irmão, nos faz seus filhos e filhas de Deus. a paternidade de Deus já não é uma simples imagem, mas a grande realidade da nossa vida: chamamo-nos e somos filhos de Deus.

“Vede que prova de amor nos deu o Pai: que sejamos chamados filhos de Deus. e nós o somos” (1João 3,1). “Todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. com efeito, não recebestes um espírito de escravos, para recair no temor, mas recebestes o espírito de filhos adotivos, pelo qual clamamos: Abba! Pai! O próprio Espírito se une ao nosso espírito para testemunhar que somos filhos de Deus” (Romanos 8,14-17).

Em Cristo, Jesus revela-se o amor do Pai, sua compreensão das pessoas, sua misericórdia perpétua.

Cantando este salmo, peçamos que o Espírito de Deus se uma ao nosso espírito para testemunhar que somos filhos e filhas de Deus.

O SENHOR É BONDOSO E COMPASSIVO.

Segunda leitura – 1Coríntios 15,45-49. São Paulo tratando a questão da relação entre a presença atual e ativa do Espírito de Jesus ressuscitado na comunidade e em cada um de seus membros e a futura ressurreição de todos. Agora o Apóstolo expõe a teoria sobre o primeiro e o segundo Adão. Para mostrar como os mortos ressuscitam,

Paulo para fazer compreender como os mortos ressuscitam, apresenta o confronto entre o primeiro homem (Adão) e o último homem (Cristo). Ele argumenta a partir da interpretação rabínica que contrapõe o homem descrito em Gênesis 1,26-27 (feito à imagem e semelhança de Deus, e por isso ideal e imortal) com o que é descrito em Gênesis 2,7 (o homem plasmado com pó da terra, e portanto terreno e mortal). Paulo realiza esta confrontação aplicando-a a Cristo: “o primeiro homem” é Adão, o terreno de Gênesis 2,7; e o “último Adão” é Cristo (cf. versículos 45.47).

O confronto evidencia a grandeza de Cristo: Adão, em virtude do sopro divino, tornou-se simplesmente um “ser vivo”; Cristo, o último Adão, tornou-Se, pelo contrário, “espírito que dá vida” (versículo 45), espírito vivificante, enquanto a Sua alma unida à divindade (Espírito), dá a vida sobrenatural e assegurará no fim do mundo a ressurreição do corpo dos que crêem. Para mostrar como os mortos ressuscitam, apresenta o confronto entre Adão (um ser vivo) e Cristo (um ser vivificante).

Nestas duas teorias o primeiro homem é o homem espiritual e celeste. Lendo o trecho de 1Coríntios 15,45-59 pode-se ver que Paulo inverte a ordem: “Não é o espiritual que vem primeiro, e sim o animal; o espiritual vem depois. O primeiro homem é tirado da terra e é terreno; o segundo vem do céu”. Os homens de agora reproduzem os traços de Adão de Gênesis 2, do Adão terrestre. Mas eles são chamados para reproduzirem no futuro os traços do segundo Adão que é Cristo, isto é, Jesus ressuscitado.

Os fenômenos espirituais não são sinais da libertação e irradiação de uma espiritualidade inerente ao homem desde sempre, mas da recriação do homem e de tudo em Jesus ressuscitado, isto é, com a ressurreição a Criação é renovada. No Cristianismo não se trata de mito, mas de história da salvação. Não de dualismo que despreza o que há de material e carnal no homem e só valoriza o que há de espiritual, mas de valorização do homem todo, que é chamado à ressurreição do corpo. A ressurreição deve ser vista como uma nova criação, pois pertence ao Espírito de Deus.

Evangelho – Lucas 6,27-38. Jesus acaba de descer do monte onde rezou, e começa o “Discurso da Planície” (cf. Lucas 12,17-26). O Evangelho de refere a segunda parte desse discurso, dirigido às multidões. Trata-se de um poema didático inspirado em textos sapienciais, onde Jesus aprofunda as conseqüências das bem-aventuranças: é a ultrapassagem da lei do talião (versículos 27-31); convite ao amor, tendo Deus por modelo (versículos 33-36); exortação a não julgar (versículos 37-38). Neste contexto imediato lêem-se as palavras de Jesus: “Amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam… Ao que tomar o que é teu, não reclames”.

Muitos tentaram e tentam instrumentalizar a mensagem de Jesus ao seu gosto. Só escaparemos desse perigo ao reconhecermos que em tudo que Jesus fez, ele realizou as duas partes do Sermão da Planície, a parte profética (Lucas 6,20-26) e a parte “moral” (Lucas 6,27s). Jesus declara bem-aventurados os pobres, os famintos, etc. e lhes fez bem. Jesus manda amar os inimigos, perdoar, etc. e o fez (cf. Lucas 23,34, etc. Em Jesus o Verbo do Sermão da Montanha se fez carne, se tornou história.

Por Sua bondade efetiva, Jesus mostra que a Sua proclamação “Bem-Aventurados vós que sois pobres, porque vosso é o Reino de Deus” não é mentira. Sua cruz revela que existe um conflito entre o reino e a vontade de Deus e a realidade deste mundo.

Atender ao apelo do Sermão da Planície significa fazer agora o que Jesus fez. Da parte de Deus Ele já se realiza “porque ele é bom para com os ingratos e maus (versículo 35) e “faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons” (Mateus 5,45). Este futuro de Deus se tornará realidade histórica para os ingratos e maus, para os pobres e famintos de nosso tempo se nós nos tornarmos “filhos do Altíssimo”, “sendo misericordiosos como também ele é misericordioso“ (versículo 36).

Jesus, nesta segunda parte do grande “Discurso da Planície” aprofunda o sentido das bem-aventuranças relacionadas com a vida cotidiana, colocando o “amor” no centro. O primeiro passo é o amor aos inimigos (versículo 27), uma introdução solene, autorizada e magistral a todas as outras exortações contidas no texto.

Jesus designa o perfil de quem está disposto a escutar o Evangelho: amar os próprios inimigos, fazer o bem, não odiar, dizer bem; rezar por aqueles que nos maltratam; dar a quem nos pede, sem espertar retribuição; não julgar (cf. versículos 27-30.37). A regra de ouro que resume todo o discurso é: “Como quereis que os outros vos façam, fazei vós também a eles” (versículo 31)

Finalmente, o amor que é exigido leva a seguir as pegadas do Senhor, amando a todos. Ressoa aqui o que Jesus diz em João 13,34: “Como eu vos amei, também vós deveis amar-vos uns aos outros”.

3- DA PALAVRA CELEBRADA AO COTIDIANO DA VIDA

No Evangelho, Jesus quer e exige o amor, sem limites para com os irmãos. Por isso pede aos Seus discípulos que amem a todos, mesmo aos inimigos, que rezem e façam o bem desinteressadamente. Tudo dever ser feito sem esperar recompensa, para sermos autênticos filhos e filhas de Deus, o qual é bom para com todos sem fazer distinção entre quem merece e não merece (cf. Lucas 6,35b). A sabedoria hebraica afirma que “um só homem equivale à Criação inteira” (Abot de Rabi Natan) A 31), por isso o amor por uma pessoa revela e significa o amor por cada homem, por cada mulher de todos os tempos e pela Criação inteira. O amor realiza de fato o ideal do ser humano.

Davi, embora perseguido por Saul e podendo vingar-se dele, matando-o inclusive, tem clemência e desiste de matá-lo. Torna-se assim um exemplo concreto de pessoa capaz de amar aos seus inimigos, embora o modelo insuperável seja o de Jesus Cristo, que decide deixar-Se crucificar por amor da Humanidade, para salvar precisamente aqueles que O crucificaram e, até perdoá-los: “Pai, perdoa-lhes, não sabem o que fazem” (Lucas 23,34). Na verdade o Senhor “não nos trata segundo os nossos pecados, nem nos castiga segundo as nossas culpas” (Salmo responsorial: Salmo 102,10).

Só um coração novo, um coração convertido, uma mente iluminada pela oração, pelo Espírito e pela Palavra, pode viver um amor com a intensidade desejada por Cristo, tornando-nos capazes de amar os nossos inimigos e de abençoar os que nos causam mal.

Podemos verificar muitas figuras de cristãos que viveram com fé profunda a caridade sem medida para com os inimigos: os mártires da primeira geração, como também os santos do século sucessivos, como São Francisco de Assis, São Maximiliano Maria Kolbe, Santa Teresa de Calcutá, e ainda irmãos de outras Igrejas, como Aleksander Men, sacerdote da Igreja Ortodoxa, assassinado há pouco tempo à machadada, de manhã, quando ia celebrar a Eucaristia.

É necessário o auxílio do Pai misericordioso para estarmos atentos à voz do Espírito, a fim de conhecermos o que é de acordo com a Sua vontade. Estamos convencidos de que “como trouxemos em nós a imagem do terreno, traremos também em nós a imagem do homem celeste” (1Coríntios 15,49), isto é, de Cristo. Ele é o novo Adão que redimiu a humanidade decaída e com a Sua morte tornou-nos participantes da Sua vida imortal.

Neste celebração, peçamos que o Senhor nos renove em seu amor e faça crescer em nosso íntimo a força da compaixão e da bondade. Que nos ajude a sermos pessoas de compaixão, a valorizarmos o que há de bom dentro das pessoas e a colaborarmos com a humanidade na busca da paz e da concórdia.

4- A PALAVRA SE FEZ CARNE E SE FAZ CELEBRAÇÃO

 

O caminho do discipulado implica amar gratuitamente a todos e fazer o bem, sem esperar recompensas e favores. Como no tempo de Jesus e das comunidades primitivas, pessoas maltratadas pela vida, empobrecidas pela sociedade necessitam de gestos concretos de compaixão e solidariedade. O poder opressor romano e judeu perseguia os cristãos e nas comunidades deveriam encontrar acolhida e misericórdia.

Nesta celebração onde somos desafiados a viver o amor até aos inimigos e a superar toda atitude de julgamento, peçamos que Deus mesmo, no seu Espírito venha em socorro de nossas impossibilidades. A vingança é sinal de decadência e fraqueza.

 

5- ORIENTAÇÕES GERAIS

  1. A cor usada é o verde que também simboliza a paz.

  1. Cada pessoa que chega deve sentir-se de fato na Casa aconchegante de Deus. Por isso, é de suma importância que todos sejam bem acolhidos, num espaço também acolhedor. Não de Maneira formal, artificial, como acontece muitas vezes em ambientes de prestação de serviços públicos. Mas de maneira profundamente humana, carinhosa, afetuosa, divinamente humana. Acolher na celebração é uma forma de oração!

  1. “O culto eucarístico, a oração individual ou comunitária diante do sacrário (tabernáculo), a bênção do Santíssimo Sacramento, procissões, como a de Corpus Christi, são desdobramentos da celebração do mistério da Eucaristia, que não devem ofuscar a natureza da Eucaristia como celebração da memória do sacrifício de Jesus Cristo em forma de ceia. Por isso, tais devoções não devem ser inseridas na missa” (Guia Litúrgico Pastoral, Edições CNBB, página 24).

6- MÚSICA RITUAL

O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos cantar a liturgia e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com cada domingo, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são do Tempo Comum, é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado. A função da equipe de canto não é simplesmente cantar o que gosta, mas cantar o mistério da liturgia deste 7º Domingo do Tempo Comum. Os cantos devem estar em sintonia com o Ano Litúrgico, com a Palavra proclamada e com o sacramento celebrado. Não devemos esquecer que toda liturgia é uma celebração da Igreja corpo de Cristo e não de um grupo, de uma pastoral ou de um movimento. Jamais os cantos devem ser escolhidos para satisfazer o ego de um grupo ou de um movimento ou de uma pastoral.

A equipe de canto não deve ficar tratando, à vista de todos, dos cantos que serão  cantados, que os instrumentistas cheguem bem antes para afinar os instrumentos e passar o som, equalizando-o para não distrair as pessoas da oração pessoal antes da celebração. Devemos valorizar os momentos de oração pessoal antes da celebração.

  1. Canto de abertura. Confiança em Deus e recompensa: ação de graças. (Salmo 12/13,76. “Confiei em teu amor, tu me salvas e eu me alegro” CD: Liturgia VI, melodia da faixa 8 exceto o refrão. Este canto nos introduz no mistério celebrado.

Somos uma Igreja profética e missionária. Nesse sentido a Igreja oferece outras opção: “O Senhor necessitou de braços para ajudar a ceifar a messe”, CD: Cantos de Abertura e Comunhão, melodia da faixa 9.

  1. Hino de louvor. “Glória a Deus nas alturas…” Vejam o CD Tríduo Pascal I e II e também no CD Festas Litúrgicas, Partes fixas do Ordinário da Missa do Hinário Litúrgico III da CNBB e também a versão da CNBB musicado por Irmã Miria e outros compositores.

O Hino de Louvor, na versão original e mais antiga, é um hino cristológico, isto é, voltado para Cristo, que exprime o significado do amor do Pai agindo no Filho. Portanto, não é um hino trinitário. O louvor, o bendito, a glória e a adoração ao Pai (primeira parte do Hino de Louvor) se desdobram no trabalho do Filho Único: tirar o pecado do mundo, exprimindo e imprimindo na história humana a compaixão do Pai. Lembremo-nos: o Hino de Louvor não se confunde com a “doxologia menor” (Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo). O Hino de Louvor encontra-se no Missal Romano em prosa ou nas publicações da CNBB versificado numa versão que facilita o canto da assembléia.

  1. Salmo responsorial 102/138. Deus é bom e compassivo, paciente e misericordioso. “O Senhor é bondoso e compassivo”; CD: Liturgia XI Ano C, melodia da faixa 11 ou CD: Cantando os Salmos – Ano C, melodia da faixa 3.

O Salmo responsorial é uma resposta que damos àquilo que ouvimos na primeira leitura. Isto mostra que o salmo é compromisso de vida e ele também atualiza e leitura para a comunidade celebrante. Primeira leitura, Palavra proposta e salmo Palavra resposta. Por isso deve ser cantado da Mesa da Palavra (Ambão) por ser Palavra de Deus. Valorizar bem o ministério do salmista.

  1. Aclamação ao Evangelho. “O novo mandamento do amor” (João 13,34). “Aleluia… ” eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros, como eu vos amei, CD Liturgia XI, melodia da faixa 2. O canto de aclamação ao evangelho acompanha os versos que estão no Lecionário Dominical.

Por ser diferente do Salmo Responsorial, o verso é uma citação do Evangelho que se segue.

Esta aclamação é quase sempre “ALELUIA” (menos nas missas da Quaresma por seu um tempo penitencial). É uma aclamação pascal a Cristo que é o Verbo de Deus. É um vibrante viva Deus. Os versos que acompanham o refrão devem ser tirados do Lecionário.

 

  1. Apresentação dos dons. A escuta da Palavra e colocá-la em prática, deve gerar na assembléia a partilha para que ela possa ser sinal vivo do Senhor na dimensão missionária. Devemos ser oferenda com nossas oferendas. Podemos cantar: “A vós, Senhor, apresentamos estes dons: o pão e o vinho, aleluia”, articulado com o Salmo 115 CD: Liturgia VI, faixa 9.

 

  1. Canto de comunhão. Profissão de fé em Jesus, Filho do Deus vivo (João 11,27). “Amai os vossos inimigos e fazei o bem aos que vos odeiam” (Marcos 6,27). Sem dúvida, o canto de comunhão mais adequado pra esse dia é: “Senhor, tu nos mandas amar sem medida assim como o Pai, que a seus filhos deu vida”, CD Liturgia XI, faixa 10, exceto o refrão. Outra possibilidade é também o canto 1Coríntios 13: “Se eu não tiver o amor eu nada sou, Hinário Litúrgico III, página 370. Estes dois cantos retomam o Evangelho na comunhão de maneira autentica.

Forma de executar o Canto de Comunhão. A forma que a tradição litúrgica oferece para o Canto de Comunhão, a de um refrão tirado do texto do Evangelho do dia alternado por versos de um Salmo apropriado ou um trecho do Novo Testamento, foi mantida no 3º fascículo do Hinário Litúrgico da CNBB, nos cantos de Comunhão dos Anos A, B e C.

7- ESPAÇO CELEBRATIVO

  1. Gregório Lutz, conhecido liturgista, há pouco tempo lançou um escrito

chamado “Eucaristia, a família de Deus em festa”. Nesse opúsculo, ele relata e argumenta de forma bastante clara e simples sobre a dimensão “festiva da Eucaristia”. Ele diz que esse caráter festivo pode ser visualizado nas vestes dos convidados, nas toalhas, velas e flores do espaço, que indicam a presença daquele que é festejado e da alegria dos convidados em desfrutarem a sua “hora”.

  1. A respeito do uso do data-show nas celebrações, a CNBB orienta que deve ser colocado somente os cantos, produções de imagens para a homilia e avisos. Não se deve colocar as leituras bíblicas e nem a Oração Eucarística para que não seja ofuscado as duas peças principais do espaço celebrativo que é o altar da ceia e a mesa da Palavra ou ambão.

  1. AÇÃO RITUAL

Fazer uma acolhida bem fraterna e amorosa de cada pessoa que chega para a celebração e, realizar os vários serviços com cordialidade (= de coração). A equipe de acolhida ou a equipe de liturgia pode estar às portas do templo, recebendo as pessoas sem alarde, cumprimentando-as e, desde já, inserindo-as no contexto celebrativo daquele dia, enunciando um versículo bíblico em consonância com o mistério celebrado. Para este domingo, pode ser: “Bem vindo, bem vinda! Você que é membro do Corpo de Cristo”.

Antes da celebração, um refrão meditativo é sempre oportuno. Para este 5º Domingo, sugerimos o “Com a fumaça do incenso, suba a nossa oração; chegue a ti, Senhor, chegue a ti, Senhor, esta louvação! “Eu vos dei o exemplo, eu vos dei o exemplo para que façais o mesmo!” (https://www.youtube.com/watch v=Sk15q5ZdIL8)

Fazer com grande esmero, os ritos iniciais, vivenciando o seu sentido de reunir a comunidade de irmãos, formando o corpo vivo do Senhor.

Ritos Iniciais

Seria muito oportuno a saudação inicial de 2Tessalonicensses 3,5:

“O Senhor, que encaminha os nossos corações para o amor de Deus e a constância de Cristo, esteja convosco”.

  1. O sentido do Ato Penitencial nos ritos iniciais pode ser apreendido pela própria forma com a qual é realizado. Trata-se de uma confissão geral (cf. IGMR 51). Por confissão geral, se entende não a descrição de pecados, mas da condição pecadora do fiel, no sentido de evidenciar aquela humildade de que fala o trecho evangélico a ser proclamado nesta celebração. Assumimos o último lugar para que Deus nos convide e nos eleve para o primeiro. Deixamos que Deus seja Deus e realize em nós a Páscoa vitoriosa de seu filho, conforme diz a exortação ao rito prevista no Missal: “No dia em que celebramos a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte, também nós somos convidados a morrer ao pecado e ressurgir para uma vida nova. Reconheçamo-nos necessitados da misericórdia do pai”.

Assim, lembramos:

  1. a) No Rito Latino (Romano) existem apenas três formas de realizar o que se chama Ato Penitencial:

As duas primeiras centram a atenção na “condição do fiel”:

* A fórmula “Confesso a Deus”;

* O diálogo “Tende Compaixão”

A fórmula 3 centra a atenção na face misericordiosa de Deus, manifesta em cristo:

* A forma tropária, com invocações antepostas ao Kyrie que é trazido para dentro do Rito Penitencial: “Senhor, que sois o caminho que nos leva ao Pai, tende piedade de nós…” Aqui, é importante frisar que, mesmo ligado ao Ato Penitencial, o Kyrie permanece com o sentido original de ser primeiramente aclamação a Cristo Salvador e não pedido de perdão. Prova disso são as várias opções apresentadas pelo Missal que não trazem nenhum tipo de “pedido genérico de perdão” (pelas vezes que fomos egoístas, etc.).

  1. b) Portanto, não tem sentido e é um abuso:

* Cantar cantos de perdão e confissão genérica de pecados no lugar do Ato Penitencial, mesmo que contenham a expressão “Senhor, piedade” ou equivalente (Misericórdia, Senhor; Tende pena de nós);

* Confundir o Kyrie com o Ato Penitencial, rezando ou cantando-o sem as inovações prévias – O Ato Penitencial só é substituído na Missa dominical pelo Rito de aspersão; O Ato Penitencial pode não figurar na celebração eucarística, quando os ritos iniciais são modificados a depender a celebração: por ex. na Festa da Apresentação do Senhor, no Domingo de Ramos, na Vigília Pascal, na Quarta-Feira de Cinzas, etc. É bom lembrar que a procissão substitui o Ato penitencial.

“O Senhor Jesus, que nos convida à mesa da Palavra e da Eucaristia, nos chama à conversão. Reconheçamos ser pecadores e invoquemos com confiança a misericórdia do Pai”.

  1. Após uns momentos de silêncio cantar ou recitar a Fórmula 2 do Ato penitencial da página 392 do Missal Romano, em que contemplamos a misericórdia de Deus.

Tende compaixão de nós, Senhor.

T: PORQUE SOMOS PECADORES.

Manifestai, Senhor, a vossa misericórdia.

T: E DAÍ-NOS A VOSSA SALVAÇÃO.

Deus todo-poderoso tenha compaixão de nós, perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna. Amém

Senhor, tende piedade de nós.

T: SENHOR, TENDE PIEDADE DE NÓS

Cristo, tende piedade de nós.

T: CRISTO, TENDE PIEDADE DE NÓS.

Senhor, tende piedade de nós.

T: SENHOR, TENDE PIEDADE DE NÓS.

  1. Cada Domingo é Páscoa semanal, o Hino de Louvor (Glória) deve ser cantado solenemente por toda a assembléia. Deve-se estar atento na escolha dos cantos para o momento do glória. Ideal seria cantar o texto mesmo, tal como nos foi transmitido desde a antiguidade, que se encontra no Missal Romano, ou, pelo menos, o mesmo texto em linguagem mais adaptada para o nosso meio e também a versão da CNBB musicado por Irmã Miria e outros compositores (como já existe!). Evitem-se, portanto, os “glórinhas” trinitários! O hino de louvor (glória) não de caráter Trinitário e sim Cristológico.

  1. Na Oração do Dia suplicamos a Deus que Ele nos ajude a conhecer o que é reto e fazer o que agrada a Ele com palavras e atos. Esta oração nos suscita o desejo de nos conformarmos com Deus.

Rito da Palavra

  1. Antes de ler, é preciso primeiro mergulhar na Palavra, rezar a Palavra. Pois “na liturgia da Palavra, Cristo está realmente presente e atuante no Espírito Santo. Daí decorre a exigência para os leitores, ainda mais para quem proclama o Evangelho, de ter uma atitude espiritual de quem está sendo porta-voz de Deus que fala ao seu povo”.

  1. Ao final da leitura e do Evangelho, nunca se deve dizer “Palavras do Senhor” e “Palavras da Salvação”, mas “Palavra do Senhor” e “Palavra da Salvação” (usa-se o singular, pois é Jesus, a Palavra do Pai, que acabou de falar!). A Palavra é realçada também por momentos de silêncio, por exemplo. Após as leituras, o salmo e a homilia, fortalecendo a atitude de acolhida à Palavra de Deus. No silêncio, o Espírito torna fecunda a Palavra no coração da comunidade e de cada pessoa. Nunca é demais insistir: proclamem-se bem as leituras até mesmo fazendo um breve silêncio entre cada uma delas. Por exemplo, após o salmo responsorial, não iniciar logo a segunda leitura. Dar uma pequena pausa para assimilar-se a riqueza do salmo.

Rito da Eucaristia

  1. Na Oração sobre as oferendas pedimos a Deus que celebremos a Eucaristia com reverência e que os dons do pão e do vinho sejam dom para a honra de Deus e para a nossa salvação.

  1. Sugerimos o Prefácio dos Domingos do Tempo Comum, III. Esse texto canta a misericórdia de Deus e a salvação da morte. Parece-nos uma forma de abordar o “matrimônio” entre Deus e a humanidade. Seguindo esta lógica, cujo embolismo reza: “Nós reconhecemos ser digno de vossa imensa glória vir em socorro dos mortais com a vossa divindade. E servir-vos de nossa condição mortal, para nos libertar da morte e abrir-nos o caminho da salvação…”. O grifo no texto identifica aqueles elementos em maior consonância com o Mistério celebrado neste Domingo e que pode ser aproveitado na celebração, ao modo de mistagogia. Usando este prefácio, o presidente deve escolher a I, II ou a III Oração Eucarística. A II admite troca de prefácio. As demais não admitem um prefácio diferente. As demais não podem ter os prefácios substituídos sem grave prejuízo para a unidade teológica e literária da eucologia. Outra opção é o Prefácio Comum I que canta Deus como “fonte de salvação para todos”.

  1. Dar maior destaque ao rito eucarístico: cantar o prefácio escolhido, o Santo, as aclamações da Prece Eucarística, amém final, o Pai Nosso e o Cordeiro de Deus que acompanha a fração do Pão.

  1. Valorizar o rito da fração do Pão, devidamente acompanhado pela assembléia com o canto profundamente contemplativo e orante do Cordeiro de Deus.

  1. No momento do convite à comunhão, quando se apresenta o Pão consagrado e o cálice com o sangue de Cristo, é muito oportuno o texto bíblico de João 8,12, que é a fórmula “b” do Missal Romano:

“Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida”.

  1. “A comunhão realiza mais plenamente o seu aspecto de sinal quando sob as duas espécies. Sob essa forma se manifesta mais perfeitamente o sinal do banquete eucarístico e se exprime de modo mais claro a vontade divina de realizar a nova e eterna Aliança no Sangue do Senhor, assim como a relação entre o banquete eucarístico e o banquete escatológico no Reino do Pai” (IGMR, nº 240). Quando bem orientada, a comunidade aprende fácil esse rito que é resposta obediente ao mandamento do Senhor “tomai e bebei”.

  1. Distribuir o corpo de Cristo de forma consciente e orante, como um gesto de profundo serviço, expressando nele o próprio Cristo que se dá como servo de todos. Isso vale tanto para quem preside como para seus ajudantes.

 

Ritos Finais

  1. Na Oração depois da comunhão, rezamos que sempre devemos desejar o alimento que traz a verdadeira vida.

  1. Seria oportuno antes de traçar a bênção, rezar o n. 21 das orações sobre o povo, para que sejamos purificados e que Deus nos inspire verdadeiro arrependimento. Página 534 do Missal Romano:

Ó Deus, purificai os vossos fiéis, inspirando-lhes verdadeiro arrependimento, para que possam triunfar dos maus desejos e comprazer-se sempre em vosso amor. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

  1. As palavras do rito de envio podem estar em consonância como mistério celebrado: Rezai por aqueles que vos caluniam e vos perseguem. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.

9- CONSIDERAÇÕES FINAIS

Para todos deve haver um lugar na Igreja, a salvação de Cristo se destina a todos. Esta salvação se manifesta concretamente em uma digna condição de vida para todos, no respeito pela pessoa do próximo, no amor fraterno e no perdão entre todos. É o Reino de Deus crescendo entre nós.

O objetivo da Igreja é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas aquelas outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.

Um abraço fraterno a todos

Pe. Benedito Mazeti