Artigos, Dicas de Saúde › 11/10/2017

A Gula: Um mal físico e espiritual

Gula é o desejo insaciável, além do necessário, em geral por comida, bebida ou drogas.

A gula na tradição cristã é considerada um dos sete pecados capitais. Segundo tal visão, esse pecado também está relacionado ao egoísmo humano: querer ter sempre mais e mais, não se contentando com o que já tem; uma forma de cobiça. A Gula é comer além do necessário para se alimentar. O grande erro é quando o prazer de comer passa a ser um fim em si mesmo.

Os grandes tesouros que os padres do deserto nos deixaram, foram seus escritos. Evágrio Pôntico foi um escritor, asceta e monge cristão.

Vejam a definição dele sobre a gula, que chama de gastrimargia:

“A origem do fruto é a flor e a origem da disciplina espiritual é a moderação. Quem domina o próprio estômago, diminui as paixões; pelo contrário, quem é subjugado pela comida, aumenta os prazeres. Assim como Amalec é a origem dos povos, também a gula é a origem das paixões.”

Portanto, a falta de moderação sobre o que comemos indica descontrole em todas as áreas de nossas vidas, tanto física quanto mental e espiritual. Uma pessoa que não resiste à comida, também vai cometer outros excessos com drogas, vai se deixar levar por fofocas e outros sentimentos negativos. Precisamos ter controle sobre nosso apetite ou seremos levados a cometer outros pecados e males, como a preguiça, o comodismo e a avareza.

Avareza porque muitas vezes já estamos satisfeitos e mesmo assim comemos mais, deixando o outro passar fome. Não dividimos o que temos, pois queremos aproveitar sozinhos.

Um corpo pesado debilita o espírito. Santo Agostinho dizia que temia não a impureza da comida, mas a do apetite. Ele escreve uma página sábia sobre isso: “Vós me ensinastes a ingerir os alimentos como se tratasse de remédios”. Santa Catarina de Sena dizia que “o estômago cheio prejudica a mente”. E Santo Ambrósio afirmava que: “Aquele que submete o seu próprio corpo e governa sua alma, sem se deixar submergir pelas paixões, é seu próprio senhor, pode ser chamado rei, porque é capaz de reger a sua própria pessoa”. E o líder pacifista indiano, Gandhi, afirmava que “a verdadeira felicidade é impossível sem verdadeira saúde, e a verdadeira saúde é impossível sem o rigoroso controle da gula. Todos os demais sentidos estarão, automaticamente, sujeitos ao controle quando a gula estiver sob controle”.

Por isso, é importante sabermos o que é gula, pois ela também leva a um mal não tanto religioso, que é a doença. Uma pessoa que come demais, não pensa no que ingere e prefere porcarias a ingredientes frescos e saudáveis, sendo assim, está propensa a ter problemas de saúde como diabetes, doenças cardíacas, pressão alta e obviamente, obesidade.

O antídoto para a gula, segundo a Igreja, é a temperança. Devemos evitar excessos, tanto na alimentação quanto em outras questões. Viver no equilíbrio faz bem para o corpo, para a mente e para o espírito.

São Paulo ensinou aos Gálatas e aos Romanos que somente o Espírito pode destruir em nós as paixões. “Conduzi-vos pelo Espírito Santo e não satisfareis o desejo da carne” (Gl 5,16). “Se viverdes segundo a carne, morrereis, mas se pelo Espírito fizerdes morrer as obras do corpo, vivereis” (Rm 8,12). A ação poderosa do Espírito Santo, aliada à nossa vontade, vem em auxílio da nossa fraqueza e nos dá a graça de superar os vícios. Além disso, como remédio contra a gula a Igreja propõe também o jejum; não como um valor em si mesmo, mas como um instrumento para dominar as paixões e vícios.

Dr. Rubens Siqueira

Dr. Rubens Siqueira

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