Artigos, Pe. Bendito Mazeti › 25/11/2016

A LITURGIA DO TEMPO DO ADVENTO

1- O que é o Ano Litúrgico

O ciclo do Ano Litúrgico é o ritmo fundamental da vida de oração e de celebração da fé dos Cristãos.  Estudar o Ano Litúrgico é entrar no mistério do tempo, em especial Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida.

O Ano Litúrgico é luni-solar (sol e lua), Páscoa ligada com a lua cheia e Natal com a questão do sol (solstício de inverno) no hemisfério norte. Ele é santificado pelo Mistério Pascal de Cristo e estruturado para ser celebrado, mediante o ordenamento da liturgia cristã, em diversos tempos e festas; é marco temporal no qual se desenvolve o único e fundamental conteúdo celebrativo da Igreja, que é o mistério de Cristo: sua vida, morte e ressurreição, ápice da história da salvação. É preciso entender que apesar do Ano Litúrgico acontecer dentro do “ano civil” ele não é um concorrente do mesmo, porque Jesus Cristo entrou firme na história para fazer dela uma história de salvação. Ele acompanha o ano civil, mas não depende dele.

A definição da Constituição Dogmática do Concílio Vaticano II sobre a liturgia Sacrosanctum Concilium: é a celebração do mistério de Cristo e da obra da salvação ao longo de um ano. Segundo Odo Casel, o Ano Litúrgico é o mistério de Cristo. Portanto o Ano Litúrgico é uma realidade teológica.

Pode-se perceber claramente que o Ano Litúrgico não é uma idéia, um conceito antropológico ou uma simples explicação de uma maneira diferente de viver o ciclo de um ano, estas podem até constituir dimensões do mesmo, mas não pode defini-lo com tal. Ele não é um calendário que colocamos na parede da sacristia ou na secretaria da casa paroquial. O Ano Litúrgico é uma pessoa: Jesus Cristo. O tempo da liturgia é o tempo de hoje onde se torna sagrada a presença de Deus nele, novamente se encarnando sob novas formas e dimensões e o tornado vivo e eficaz no meio da humanidade. O Ano Litúrgico é o mistério de Cristo celebrado e vivido na história da Igreja como “memória”, “presença” e “profecia”.

2- Os nomes do Ano Litúrgico

Dentre tantos nomes tem-se usado outras denominações como: Ano cristão, Ano do Senhor, Ano eclesiástico ou da Igreja e ciclo Litúrgico. No século XIX, Próspero Guéranger é o primeiro a usar o nome Ano Litúrgico.

3- O Ano A de Mateus

No Advento, primeira fase do período natalino, destacam-se as “utopias messiânicas” do profeta Isaias (capítulos 2, 11 e 35), relacionadas com a esperança da justiça que vem de Deus, não do jogo oportunista do poder. Os evangelhos, tomados de Mateus, têm como teor fundamental essa justiça que vem de Deus e que se realiza no projeto divino de salvação, inaugurado nos tempos antigos e atestado pela Sagrada Escritura, bem como na atuação ética do ser humano, guiada pela vontade de Deus. Assim, as primeiras leituras (tomadas de Isaias) aparecem como projeção escatológica daquilo que deve acontecer no ser humano mediante a conversão (cf. sobretudo o 2º Domingo). Da interação de “utopia”  e conversão brotam a alegria e a esperança por causa da vinda do Cristo (3º Domingo) No 4º Domingo, ponto culminante, tanto a leitura de Isaias quanto o correspondente Evangelho de Mateus apontam para uma salvação personalizada: a salvação que vem de Deus não é uma utopia “em geral”, mas a própria presença de Deus, manifestada em Seu Filho e envolvendo os que pela conversão a Ele aderem. Esta primeira fase do Ciclo Natalino se estica assim entre Isaias e Mateus: leva-nos a celebrar, com Mateus, o cumprimento da esperança messiânica expressa em Isaias. Culmina na figura do Emanuel, Deus-conosco, que nos traz a justiça de Deus e exige nossa participação na mesma (Isaias 7,10s; Mateus1,18s).

4- A Palavra de Deus no Ano A

Vamos nos concentrar no Lecionário Dominical. No ano A, o Evangelho de Mateus mostra o cumprimento das promessas messiânicas anunciadas pelo profeta Isaias.

Na sucessão dos evangelhos dos quatro domingos do Ano A, podemos descobrir um caminho, que a partir do anúncio da vinda escatológica (primeiro domingo), passa ao anúncio da vinda na História. (segundo domingo), situa-se na identificação de Jesus, testemunhado pelas suas obras como “Aquele que deve vir” (terceiro domingo), e culmina com o “anúncio” a José a respeito do Filho de Maria como Salvador e Deus-conosco (quarto domingo). Pelas leituras da Missa, o Quarto Domingo do Advento aparece como o Domingo dos Patriarcas do Primeiro Testamento e da Bem-Aventurada Virgem Maria, na expectativa do Natal do Senhor.

No que diz respeito à primeira leitura projeta-se, a partir do Primeiro Domingo, um itinerário de consciência progressiva do caráter salvífico da vinda d’Aquele que foi prometido e que será reconhecido, no Quarto Domingo, em Jesus de Nazaré. Tudo isto contribui para caracterizar num sentido jubiloso a expectativa. A caminhada, que a segunda leitura convida a fazer nos domingos do Ano A, parece conduzir, através da vigilância, da paciência, da aproximação das Escrituras e da assimilação dos seus ensinamentos, ao reconhecimento, em Jesus, do Filho de Deus, e à “obediência à fé” do Quarto Domingo.

Os quatro domingos querem convidar à vigilância e á conversão, na espera jubilosa e perseverante de uma vinda que, se for destruidora no tocante à injustiça e à impiedade, será de salvação para quem crê. A vinda encontrou já uma das suas primeiras realizações em Jesus: em Jesus e no seu acontecimento a salvação de Deus já se tornou presente na História das pessoas, e no mistério litúrgico é tornada acessível ao cristão que a celebra. Às atitudes da vigilância (primeiro domingo) e da conversão (segundo domingo) junta-se o da alegria (já pela primeira vinda) e da espera confiante e paciente (terceiro domingo).

O Papa Bento XVI fez, em 2006, uma bela reflexão sobre o sentido do Tempo do Advento: “Façamos uma pequena reflexão: o texto bíblico não diz que ‘Deus veio’, nem mesmo que ‘Deus virá’. Mas usa o verbo no presente: ‘Deus vem’. Se prestarmos atenção, veremos que se trata de um presente contínuo, isto é, de uma ação que sempre está acontecendo, aqui e agora, em qualquer momento. O verbo ‘vir’ se apresenta como um verbo ‘teológico’ e ‘teologal’, porque diz algo que tem a ver com a própria natureza de Deus. Anunciar que ‘Deus vem’ significa anunciar simplesmente a Deus mesmo, através de uma de suas características essenciais e significativas: ‘Deus conosco’, ‘Deus que vem’”. Podemos afirmar com toda a certeza: está vindo Aquele que sempre vem.

5- Orientações para celebrar bem o Tempo do Advento

Mais um final de ano se aproxima. Percebe-se claramente que a propaganda comercial “natalina” começa a agitar por todo lado, prometendo muita alegria e felicidade, ilusoriamente “embutidas” nos produtos de consumo.

De nossa parte, como comunidade cristã, iniciamos hoje nosso tempo de preparação para o Natal. Chamamos esse tempo de Advento: tempo de espera, de expectativa, de esperança. “Quando virá, Senhor, o dia?… Expectativa de que, afinal? A Palavra de Deus proclamada no tempo do Advento vai nos dar a resposta.

No ciclo do Natal, fazemos memória da manifestação do Senhor Jesus em sua encarnação e em nossa história atual, enquanto aguardamos a sua nova vinda. O ciclo do Natal engloba o tempo do Advento, as festas do Natal e o tempo do Natal.

Com a celebração do Advento, iniciamos não só um novo tempo litúrgico, mas também um “novo ano litúrgico.” Somos convocados a percorrer com Jesus Cristo um itinerário pascal. Nesse caminho, passamos pela espera ardente do Advento da definitiva vinda do Senhor, pela divinização, encarnação e manifestação do Filho de Deus em nossa humanidade, celebrada no Natal e Epifania; pelo deserto da Quaresma; pela paixão da cruz e a vitória da ressurreição; pelo fogo de Pentecostes. É a Páscoa de Cristo na nossa páscoa e a nossa páscoa na Páscoa de Cristo; ou seja, a lenta e perseverante identificação com o Cristo Jesus ao longo do tempo ou festa do Ano Litúrgico revela, realça, manifesta, nomeia as experiências pascais (na vida pessoal, comunitária, familiar e social…) feitas no dia a dia, à luz da Páscoa de Cristo.

O Tempo do Advento abre para a Igreja a grande celebração da manifestação do Salvador em nossa humanidade. O Advento é um tempo de preparação para as festas epifânicas; tem como tarefa preparar-nos para receber o Senhor que vem e se manifesta a nós. Sendo assim, a manifestação do Senhor tem dois aspectos: a manifestação em nossa carne, que constitui sua primeira vinda; e a manifestação em glória e majestade no final dos tempos, que constitui sua segunda vinda.

O Advento manifesta as duas fisionomias da vida do Senhor: nas duas primeiras semanas, o “Advento Escatológico”, ou seja, sua vinda definitiva, e, nas duas últimas semanas, o “Advento Natalício”, ou seja, sua primeira vinda – o Natal. “Abre as portas, deixa entrar o rei da Glória. É o tempo, ele vem orientar a nossa História (Salmo 23). Com o profeta Isaias e com João Batista, acolhemos o apelo à conversão para que seja superadas todas as formas de dominação, exclusão e miséria, para que se realize uma sociedade com liberdade e dignidade para todos. Com Maria, vivemos a alegria e a confiança. “A Virgem, Mãe será, um Filho à luz dará. Seu nome, Emanuel: conosco Deus do céu; o mal desprezará, o bem acolherá” (Salmo 147). Maria está presente durante todo o tempo do Advento, de maneira especial no período no período final que são os dias 17/12 ao 24/12. Também pode-se chamar este período de “semana santa do Natal. Com José, o justo, não deixemos a dúvida dominar a nossa vida. A dúvida deve ser vencida pela obediência da fé.

A comunidade reunida é sinal da espera do Advento do Senhor. Dar atenção especial aos ritos iniciais, cuja finalidade é de constituir a assembléia, formando o Corpo vivo do Senhor. Fazer uma acolhida afetuosa às pessoas, reconhecendo em cada uma delas a presença do Senhor que chega entre nós.

Como tempo especial de escuta e atenção à Palavra de Deus, dar destaque especial a todo o rito da Palavra. Cuidar de preparar bem a proclamação dos vários textos bíblicos, da homilia, do canto do salmo.

Escolher com cuidado os cantos de modo que a assembléia cante o mistério de Cristo, celebrado neste tempo de espera vigilante. As equipes de canto não devem colocar o seu gosto pessoal, é um direito da assembléia cantar o mistério celebrado. O melhor instrumento musical que temos é a nossa voz já dizia Santo Agostinho. É um direito da assembléia saber quais são os cantos da celebração para que possa participar de maneira ativa e consciente. É dever da equipe de canto ensinar a assembléia os cantos, ela tem o direito de ter a letra dos cantos nas mãos.  O Hinário Litúrgico I, da CNBB, oferece ótimas sugestões, assim como o Ofício Divino das Comunidades, onde encontramos salmos, hinos e refrões. Existe um CD publicado pela Paulus com as músicas do Hinário adequadas pra este Ano A: o volume “Liturgia IV”.

Embora o Advento insista em nossa conversão, não tem aquele acentuado caráter penitencial da Quaresma. A conversão consiste em prepararmos alegres e rápidos, cheios de esperança, o caminho do Senhor que vem. O Diretório Litúrgico indica a cor roxa própria do Tempo do Advento, o silêncio dos instrumentos musicais quando não acompanham o canto, isto é, a música instrumental. Lembra-nos que é período de recolhimento, de alegria discreta, de expectativa e preparação. No Terceiro Domingo do Advento usa-se tradicionalmente o Róseo no lugar do roxo, porque antigamente era um momento de pausa no jejum que se fazia rigorosamente em preparação à festa do Natal. Não cantaremos o Hino de Louvor (a não ser nas solenidades e festas, e em alguma celebração especial); fica reservado para a noite de Natal, quando juntamos nossa voz à dos anjos para dar glória a Deus pela salvação que realiza em nosso meio. Também não se canta o Te Deum, isto é, o canto de louvor a Deus após a comunhão. O Aleluia…, no entanto, continua ressoando. Usar os instrumentos musicais com moderação para não antecipar a alegria do Natal do Senhor.

Dentro desse clima de piedosa espera do Salvador, os instrumentos musicais (órgãos, violão, teclado e outros) sejam usados com moderação, conveniente ao caráter próprio deste tempo, de modo a não antecipar a plena alegria do Natal do Senhor. O mesmo vale para as ornamentações com flores: discrição, comedimento, expressando o tempo de espera por algo bom que vai chegar.

Nos dois primeiros domingos temos os prefácios I, IA, II, IIA. O prefácio I contempla as duas vindas de Cristo. O prefácio IA, contempla Cristo como Senhor e Juiz da História. Estes dois prefácios podem ser escolhidos nas Missas do Advento e em todas as outras, desde o primeiro domingo até 16 de dezembro, exceto nas Missas com prefácio próprio. O prefácio mais indicado para o Primeiro Domingo é o Advento I que realça a primeira vinda de Cristo para nos abrir o caminho da salvação e nos coloca em estado de “vigilância” para a segunda vinda de Cristo. O Prefácio II contempla as duas esperas de Cristo pelos profetas e pela Virgem Maria e nos convida a alegrar com a proximidade do Senhor. Este prefácio nos coloca em clima de preparação para o Natal. É indicado nas Missas do Advento e em todas as outras, de 17 a 24 de dezembro, exceto nas Missas com prefácio próprio. O Prefácio IIA contempla Maria, a nova Eva. Ela nos devolve a graça que Eva por Eva tínhamos perdido. É indicado nas Missas do Advento e em todas as outras, de 17 a 24 de dezembro, exceto nas Missas com prefácio próprio. O Hinário Litúrgico I da CNBB, página 73, apresenta para este domingo a louvação, em melodia popular, própria do Advento, muito apropriada para o eito de Ação de graças na Celebração da Palavra.

É necessário fazer do Advento um tempo de aprofundar e melhorar nossas relações na família, na comunidade, na vizinhança, como sinal visível da chegada do Reino entre nós.

O tempo do Advento é marcado de grande riqueza espiritual, alimentando a esperança dos cristãos. Para aproveitar bem toda sua riqueza, convém que se cuide com o maior carinho de todos os detalhes externos deste tempo (cantos, espaço litúrgico, os diferentes enfoques das leituras e das orações, principalmente dos Prefácios).

Para este tempo, é costume decorar o local da celebração com uma Coroa de Advento (ou “coroa de luzes de Advento”). Trata-se de um suporte em forma circular, revestido de ramagem verde amarrada (adornada) com uma fita colorida. Na coroa se colocam quatro velas. Pode-se colocar a coroa junto ao altar ou próximo ao ambão (mesa de onde se proclama a Palavra). Mas não deve “roubar a cena” do altar e da mesa da Palavra! As velas vão sendo acesas, gradativamente, nas quatro semanas do Advento: no primeiro domingo, uma; no segundo domingo, duas; no terceiro, três, e no quarto, todas. No segundo domingo do Advento a primeira vela deve estar acesa deste o início da celebração. Após a saudação do presidente acende-se a segunda vela e assim também nos outros domingos. Estão presentes na coroa três simbologias significativas: a luz como salvação, o verde como a vida que esperamos, a forma arredondada como símbolo da eternidade. Ela expressa muito bem (como o fazem as leituras, as orações e os cantos) a espera de Cristo como Luz e Vida para todos.

As quatro velas que progressivamente vão sendo acesas, retoma o costume judaico de celebrar a vinda da luz na humanidade dispersa pelos quatro pontos cardeais, mostrando que Jesus veio para todos os povos. Portanto as velas recordam que Jesus Cristo é a luz do mundo. Nos quatro domingos do Advento as velas acesas convidam-nos a uma atitude crescente de vigilância, de prontidão e abertura ao Salvador que vem, e marcam o ritmo de espera deste tempo. Nós o aguardamos acordados e vamos a Ele com lâmpadas acesas. É preciso estar sempre acordados. Em cada domingo, acendemos uma vela. Com a aproximação do Natal cresce, portanto, a luz na coroa.

Observação: evidentemente a Coroa do Advento perde sua força simbólica se já nela antecipamos o Natal, seja através de um material que não seja folhas verdes naturais, seja por enfeites e decorações de muitas cores brilhantes que lembrariam, antes, o brilho da plena luz do Natal do que a alegre espera do Senhor, cuja vinda esperamos no Natal e no fim da nossa vida e da história. Não podemos queimar etapas, isto é, atropelar o Advento para celebrar o Natal antes do tempo. Nunca usar na Coroa folhas verdes artificiais ou material seco. Evitar a todo custo colocar bolas da árvore de Natal ou outros enfeites natalinos na Coroa, senão vira coroa de Natal e não Coroa do Advento.

O tempo do Advento é próprio para um bom “balanço” da caminhada cristã, pessoal, familiar e comunitária, em direção ao reino definitivo. Por isso, trata-se de um tempo muito adequado para a celebração do sacramento da Penitência. As equipes de liturgia devem organizar neste sentido a celebração.

Nesta dinâmica de preparação, muitas comunidades gostam de celebrar também a reconciliação, o “perdão e a penitência”, como sinal de conversão e mudança para uma vida nova. É sempre necessário que uma equipe prepare com carinho estas celebrações, levando em conta o tempo litúrgico do Advento para a escolha dos textos bíblicos, cantos, orações e símbolos.

“Antes do Natal, muita gente quer se confessar para estar preparada para a festa do Natal de nosso Senhor. Sabemos que, quando a pessoa tem consciência de pecado grave, deve recorrer à confissão individual para se reconciliar com Deus e com a Igreja e, assim, poder participar dos sacramentos. É preciso pensar nisso com muito carinho e organizar o tempo necessário, seja para confissões individuais, seja para as celebrações comunitárias nas quais estão inseridas as confissões e absolvições individuais. Existe também a possibilidade de confissão e absolvição coletivas, em casos excepcionais e de grave necessidade, a serem definidos pelo bispo diocesano” (Carta Apostólica de João Paulo II sob forma de ‘Motu Próprio’, A Misericórdia de Deus; sobre alguns aspectos da celebração do sacramento da penitência. São Paulo, Paulinas, (Coleção a Voz do Papa, 182).

A celebração de reconciliação e de penitência que ajuda as comunidades no caminho de conversão. É importante que se faça uma celebração antes do atendimento individual para que todos possam perceber o apelo de Deus.

Assumir como gesto litúrgico a participação da mulher principalmente a partir do dia 17 de dezembro ou do 3º Domingo do Advento, nos diversos ministérios litúrgicos e acolher as mulheres grávidas por meio de algum serviço que elas exerçam. No Quarto Domingo do Advento, convidar uma mulher grávida para aceder a quarta vela da Coroa do Advento.

Descobrir, através do Advento o Mistério de Cristo em cada página da Escritura. Alimentando-nos da esperança profética de Isaias, no seu contundente anúncio de expectativa no futuro e de que Deus cumpre as suas promessas. Buscamos a atitude austera, humilde e simples de João Batista, o qual tem a missão de preparar os caminhos do Senhor. Acreditamos, com Zacarias e Isabel, nas promessas de Deus; deixando-nos fecundar, como Maria, pela Palavra; e acolhemos o Senhor no mais íntimo de nossa vida. A leitura e meditação da Palavra de Deus conduzem-nos dia a dia na experiência do resplandecer da luz do Sol nascente que nos visita.

Perceber como a Maria coopera no mistério da redenção, aceitando ser a mãe do Filho de Deus. O Filho de Deus entra no mundo como “nascido de mulher”. Ela une o Salvador ao ser humano. O Advento, principalmente a partir do dia 17 de dezembro, insere Maria na vivência e celebração do Mistério Pascal. Como fazer que Maria seja inserida na celebração do Advento? No final da celebração, cantar um hino mariano. Celebrar bem as duas festas marianas que ocorrem no Advento: dia 8 Imaculada Conceição e dia 12, Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira principal da América Latina.

O melhor da festa é esperar por ela, diz um ditado popular. A espera e a preparação de um acontecimento são, do ponto de vista humano, tão importante quanto o evento. Daí a necessidade de fazermos uma avaliação do que significa e de como vivenciamos o tempo do Advento em nossas comunidades. Seria oportuno se as equipes de liturgia, ao prepararem as celebrações desse tempo, pudessem se fazer a seguinte questão: que importância damos ao tempo do Advento?

Vale aqui também lembrar o que escreve o liturgista Frei José Ariovaldo da Silva, na revista Mundo e Missão, de dezembro de 2004: “Atualmente, muitas comunidades eclesiais, influenciadas pela onda consumista por ocasião das festas natalinas e de final de ano, estão assumindo o costume de enfeitar suas igrejas já bem antes de o Natal chegar. Em pleno tempo do Advento, que é um tempo de piedosa espera e alegre expectativa, já ornamentam suas igrejas com flores, pisca-piscas, árvores de Natal e outros motivos natalinos, como já se fosse Natal. Posso dar uma sugestão? Não sejam tão apressadas. Não entrem na onda dos símbolos consumistas da nossa sociedade. Evitem enfeitar a igreja com motivos natalinos durante o Advento. Deixem o Advento ser Advento e o Natal ser Natal. Enfeites natalinos dentro da igreja, só quando o Natal chegar. Então, a festa com certeza será melhor. Sobretudo se houver na comunidade uma boa preparação espiritual”. Precisamos silenciar o nosso coração e contemplar a beleza da espera do Advento, contemplar também a figura de Maria grávida e esperar com calma e sem atropelamentos o Natal do Senhor.

Na metade do mês de setembro de 2016, o comércio colocou enfeites natalinos e montou o presépio nas lojas. Muitas paróquias e capelas, totalmente influenciadas pelo comércio, colocaram enfeites natalinos e armaram presépios já na 33ª Semana do Tempo Comum. No ano de 2012, em muitas paróquias iniciaram a novena em preparação para o Natal já na 31ª Semana do Tempo Comum não esperando a chegada do Advento, argumentado que é preciso ganhar tempo… É preciso uma urgente espiritualidade do Advento e também ter senso crítico frente a essa onda consumista que atropela tudo. Será que a onda consumista tem mais força do que a espiritualidade do Advento-Natal?

Como muitas comunidades já armam o presépio no primeiro domingo do Advento e colocam o Menino Jesus no presépio. A esse respeito Frei José Ariovaldo da Silva disse num curso diocesano: “Então no Advento já é Natal. Para que então Advento? Qual a diferença entre Advento e tempo do Natal? Na composição do Ano Litúrgico, tem que aprender a marcar as diferenças de tempo para tempo, não misturar as coisas, portanto. Nós brasileiros temos a mania de misturar as coisas. Acho que é por causa das feijoadas que comemos…” Seria muito significativo armar o presépio a partir do 3º Domingo do Advento, onde iniciamos a preparação direta para o Natal.

É preciso tomar o cuidado de não abortar o Advento ou de celebrá-lo superficialmente. Esse cuidado nos levará a não antecipar o Natal, seja fazendo celebrações natalinas antes do previsto, seja usando ritos próprios da festa. Se nós cantamos ”Noite Feliz” no dia 15 de dezembro, o que iremos cantar na noite do dia 24 para 25? Mas também não podemos celebrar o Advento como se Cristo ainda não tivesse nascido. A longa noite da espera terminou. O mundo já foi redimido, embora a história da salvação continue…

É importante lembrarmos às comunidades a Coleta Campanha para a Evangelização, que é realizada no 3º Domingo do Advento, mostrando que “Jesus está no meio de nós” na partilha. A Campanha para a Evangelização é, na Igreja do Brasil, uma resposta firme e significativa de todos aqueles que acreditam e assumem a responsabilidade evangelizadora. A Boa-Nova da salvação deve chegar a todos os cantos de nosso país: das grandes cidades às pequenas aldeias, das periferias às comunidades rurais, alcançando as crianças, os jovens, os adultos, os ricos e os pobres, de modo especial a todos aqueles que sofrem. Nossa generosidade seja uma oferta viva ao Cristo, que por nós se encarnou no ventre da Virgem Maria.

Revitalizar na Igreja, através do Advento, o espírito missionário de anúncio do Messias a todos os povos e a consciência de ser sinal concreto de esperança. Desafia-nos a um amor concreto por todos, preferencialmente pelos pobres, através de práticas solidárias e ações sócio-transformadoras.

Pe. Benedito Mazeti

 

Pe. Benedito Mazeti

Pe. Benedito Mazeti

Ver todos os posts
Addthis Facebook Twitter Google+ PDF Online

Deixe o seu comentário

Você deverá estar conectado para publicar um comentário.