A transfiguração de Jesus em tempos de crise

A transfiguração de Jesus (Lucas 9 28-36) é uma passagem extremamente simbólica. Primeiro precisamos entender que o evangelista escreveu o texto após os acontecimentos da vida, morte e Ressurreição de Jesus. Os Evangelhos são narrativas que dão testemunho da experiência de fé e não crônicas, reportagens ou narrativas históricas. O evangelista escreveu todas as passagens do Evangelho a partir da experiência de fé na Ressurreição. Ao escrever já sabia que na figura humana de Jesus, que foi desfigurado como ser humano, há também a transfiguração, graças a Deus. O teólogo João Batista Libânio nos explica didaticamente: “O mesmo Jesus que tinha uma aparência simples e normal, simpática e agradável, que vivia com eles, dormindo, conversando, passeando, era o Jesus humano, como qualquer pessoa. Mas um dia – talvez um ou dois anos a frente – seria totalmente desfigurado pela paixão, pela coroa de espinhos, pela flagelação, pelo sangue, pela crucifixão, pelas zombarias. Era possível que os apóstolos não suportassem a desfigura de Jesus. Aí o evangelista, didaticamente, coloca essa passagem como para dizer que eles não se assustassem. Abre uma cena nova, levanta um pouco a cortina, para que eles vejam além, e transfigura Jesus – figura/desfigura/transfigura.”

Também na configuração da nossa vida, experimentamos momentos de desfiguração e de transfiguração. Quantas vezes por experiência própria ou de outros conhecemos a dor, o desrespeito, o desamparo, o sofrimento, a corrupção, a ignorância, a indigência, o desvario, etc. Mas também experimentamos o contrário: a alegria, o respeito, o amparo, o bem-estar, a honestidade, a esperança, a lucidez, etc. Se as primeiras experiências nos abatem, as últimas nos animam a viver a vida na sua plenitude. Por isso, a mensagem do Evangelho é muito bonita. Quando os apóstolos estiveram com Jesus desfigurado, não perderam toda a esperança, pois sonhavam com a transfiguração que, de fato, veio com a ressurreição. E nós, que como cristãos vivemos situações desfigurantes, situações de crise, temos a mesma fé dos Apóstolos?

Que a fé possa ser em nossa vida essa luz transfigurante, que nos livra do desespero e nos faz experimentar o mistério profundo de Deus, nossa esperança.

Érico Fumero, Professor de Filosofia no Centro de Estudos Superiores Sagrado Coração de Jesus

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