Artigos, Fabricio Carareto › 16/10/2019

Afinal, estamos mais corruptos?

Aí vai uma provocação: será que nós, brasileiros, estamos mais corruptos? Aparentemente, sim. Ao menos é o que diz o Barômetro Global da Corrupção – América Latina, divulgado no fim de setembro pela Transparência Internacional. Segundo o levantamento, 54% dos brasileiros acreditam que a corrupção aumentou no país. Foram ouvidas mil pessoas entre fevereiro e abril deste ano pelo Instituto Ipsos só no Brasil e mais de 16 mil em toda América Latina.

Quando se fala em corrupção, a primeira correlação que fazemos é com os mensalões, petrolões e outros “ões” da vida: os esquemas milionários ou bilionários de desvio de dinheiro público a favor de partidos ou políticos. Mas a corrupção vai muito além desse conceito. Ainda segundo a pesquisa, 11% dos brasileiros tiveram a coragem de reconhecer que pagaram suborno para acessar algum tipo de serviço público nos últimos 12 meses. E olha que nem estamos falando da famosa Lei de Gérson, aquela que destaca como sendo o máximo tirar vantagem de tudo e de todos. Que é, a seu modo, um tipo de corrupção enraizada e muitas vezes moralmente aceita no país.

Ainda falando do Brasil, 40% da população disse já ter recebido alguma oferta de propina em troca de voto. A corrupção impede o crescimento econômico e prejudica a oferta de serviços públicos. Em alguns casos, a corrupção também priva as pessoas de seus direitos humanos e de sua dignidade, como quando cidadãos são forçados a oferecer favores sexuais em troca de serviços públicos, como saúde e educação – uma prática conhecida como extorsão sexual. A falta de integridade política pode enfraquecer a base democrática do país e isso pode ser visto em abusos nos processos eleitorais, tais como a compra de votos e a disseminação de fake news.

Voltando aos números da pesquisa, 82% dos brasileiros disseram que o cidadão pode fazer a diferença na luta contra a corrupção. A questão é: o que eu, você e todos nós estamos fazendo para mudar esse quadro? No que efetivamente nós, como cristãos, temos agido pra reverter isso? O que estamos ensinando a nossos filhos – não com palavras, mas com prática no dia a dia – para combater essa chaga e entregar um país mais justo e menos corrupto às próximas gerações?

Um dos doutores da Igreja, Santo Agostinho, falou sobre o ato de corromper-se nas suas “Confissões”. “Vi claramente que todas as coisas que se corrompem são boas: não se poderiam corromper se fossem sumamente boas, nem se poderiam corromper se não fossem boas”. Ou seja, só aquilo que é bom pode ser corrompido. Que não deixemos jamais nosso caráter ser consumido por dinheiro, poder, status ou qualquer outra vaidade humana.

Fabrício Carareto

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