Cnbb › 22/06/2017

Ano Mariano Nacional

 ANO MARIANO NACIONAL

Mensagem dos Bispos do Brasil

 “Eis aí tua mãe” (Jo 19, 27)

 

Daqui de Aparecida, junto ao Santuário Nacional, nós Bispos do Brasil, reunidos na 55ª Assembleia Geral da CNBB, saudamos a todos com as palavras do Anjo a Maria: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo” (Lc 1,28). Alegremo-nos, pois o Senhor fez conosco maravilhas! Estamos celebrando os 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida nas águas do rio Paraíba do Sul. “Aparecida é o lugar onde pulsa o coração católico do Brasil” (São João Paulo II, na dedicação do Santuário Nacional, 1980). Comemoramos, também, os 100 anos da aparição de Nossa Senhora em Fátima, os 10 anos da canonização do primeiro santo nascido no Brasil, Frei Galvão, e os 10 anos da Conferência e do Documento de Aparecida. “Deus benigníssimo, sapientíssimo, misericordiosíssimo, para redimir o mundo pensou em Maria” (LG 52).

O Ano Mariano Nacional e a visita da imagem de Nossa Senhora Aparecida às nossas dioceses estão produzindo frutos. Acontecem em nossas comunidades uma jubilosa manifestação da fé, um florescimento da esperança e um revigoramento da caridade. Maria nos aproxima de Jesus e da Igreja, reúne a nós, seus filhos e filhas, fomentando entre nós a irmandade, a comunhão e a solidariedade. Por ocasião deste Ano Jubilar, agradecemos a Deus o testemunho de fé de todos os romeiros e devotos de Nossa Senhora Aparecida, bem como a presença, o trabalho e a missão dos Missionários Redentoristas desde 1894, no Santuário Nacional, casa da Mãe e de cada brasileiro.

A piedade mariana tem caracterizado o catolicismo brasileiro, desde as origens da nossa história. Trata-se de um precioso tesouro, uma força evangelizadora, um testemunho de fé inculturada. “Se alguém quiser saber quem é Maria, vá aos teólogos. Se quiser saber como amar Maria, vá ao povo” (Papa Francisco, Homilia em Santa Marta, 25/3/2013). O Santo Padre valoriza e promove a piedade popular com um profundo e afetuoso testemunho de devoção mariana. Quantos de nós fomos evangelizados pela piedade mariana de nossas mães e pais, catequistas, lideranças de nossas comunidades, consagrados e consagradas, presbíteros e bispos.

Para muitas pessoas e famílias, a devoção mariana facilita o relacionamento pessoal e filial com a Mãe de Deus, ajuda a sentir sua ternura, misericórdia, proteção e intercessão. Maria desperta a vocação missionária do seguimento de Jesus. Assim, são atraídos para Deus, filhos, parentes, amigos, vizinhos, como também os afastados, os que de boa vontade procuram a Deus, os incrédulos e a própria sociedade. “A piedade mariana é um vínculo resistente de manter fiéis à Igreja setores que carecem de atenção pastoral adequada” (Documento de Puebla, 284). A piedade popular é um caminho importante de evangelização, mantendo-se fiel à Palavra de Deus, à comunidade eclesial e à tradição da fé católica. Para isto, podem contribuir muito os teólogos, presbíteros, religiosos (as), líderes de movimentos eclesiais, de modo especial os dos movimentos marianos, coordenadores de comunidades e de pastorais.

Em Maria, mãe e modelo da Igreja, os cristãos leigos e leigas se alegram por compreender o que são para Deus, o que Deus realiza neles e como são chamados a fazer de sua vida um serviço aos irmãos e irmãs. Ela é a melhor e mais perfeita discípula da Palavra e nos diz: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2,5). Maria nos estimula a escutar, assimilar, pensar, falar e agir conforme as Sagradas Escrituras. Assim, podemos dizer: “Faça-se em mim, segundo a tua Palavra” (Lc 1,38) e percorrer o caminho da serva do Senhor.

Ao escolher Maria, Deus dignifica e engrandece a mulher. É necessário ampliar os espaços para uma efetiva presença feminina na Igreja, na sociedade e em todos os lugares onde se tomam decisões importantes para a defesa e promoção da vida. Maria, nossa Mãe, dá à luz a nova humanidade, um novo mundo. Um coração materno suscita um espírito fraterno e acolhedor.

No Cântico Magnificat de Maria encontramos inspiração e coragem para reavivar as obras de misericórdia, a centralidade das Bem-aventuranças, a dimensão social e profética do Evangelho. Nessa oração, Maria nos ensina a olhar com olhos misericordiosos os aflitos, os oprimidos, os pobres, os humildes, os pecadores e os desorientados, comprometendo-nos com eles. A autêntica devoção mariana leva a romper as correntes da escravidão, de ontem e de hoje. Consola-nos ver que Maria, serva de Deus, assume a fisionomia do povo a quem ela se manifesta. “Mulher forte, Maria conheceu a pobreza e o sofrimento, a fuga e o exílio” (Paulo VI, Marialis Cultus, 37). Chora nossas lágrimas e participa de nossas alegrias. O coração do povo de Deus exulta de gratidão pelas bênçãos e prodígios recebidos de Deus através da intercessão da Mãe de Deus e nossa.

A piedade mariana nos motiva a rezar o terço, especialmente em família; a visitar as casas, hospitais, presídios e periferias; a interceder pelos enfermos, pecadores, aflitos e por todos; a viver com alegria o cotidiano, a exemplo de Maria de Nazaré. Ela é saúde dos enfermos, refúgio dos pecadores, consoladora dos aflitos, auxílio dos cristãos. “Se as tentações, as tribulações, as ondas de orgulho, os desejos desordenados, o abismo da tristeza e o medo da condenação te abaterem, olha para a Estrela e invoca Maria” (São Bernardo, Homilia em louvor à Virgem Maria).

Motivados pela graça do Ano Mariano, lancemos as redes em águas mais profundas como discípulos missionários. Assim haverá peixe em abundância, famílias recuperadas, saúde alcançada, corações reconciliados, vida cristã reassumida. Maria mantém viva a nossa esperança. “Em Aparecida, Deus deu a cada brasileiro sua própria mãe. Deu-nos uma lição sobre si mesmo, sobre a Igreja e sobre a humildade. Não podemos esquecer nem desaprender esta lição” (Papa Francisco aos bispos do Brasil, Rio de Janeiro, julho de 2013).

Nossa Senhora Aparecida, cuja imagem foi encontrada há 300 anos, ajudai-nos a deixar-nos encontrar por vosso Filho Jesus, Água Viva. Volvei vosso olhar e estendei o vosso manto sobre cada um de nós, nossas famílias e nossa Pátria. Sim, Mãe querida, cuidai, protegei, intercedei em favor de todos. Ó mãe clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria, Rainha e Padroeira do Brasil, rogai por nós e mostrai-nos sempre Jesus.

Aparecida – SP, 04 de maio de 2017.

Cardeal Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília
Presidente da CNBB Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger, SCJ

Arcebispo São Salvador da Bahia
Vice-Presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB

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