Artigo – Os católicos nas eleições

“Deus não reina quando se fala,
mas só quando se atua” (1Cor 4,20)

 

Érico Fumero
Doutor em Filosofia, Mestre em Teologia e Professor

 

No próximo mês escolheremos o(a) prefeito(a) e os vereadores dos nossos municípios. E, recentemente, o Papa Francisco escreveu uma encíclica intitulada “Fratelli Tutti”, muito oportuna para o nosso contexto eleitoral. Nela, o Santo Padre nos convoca para a boa política, dizendo: “Atualmente, muitos possuem uma má noção da política, e não se pode ignorar que frequentemente, por trás deste fato, estão os erros, a corrupção e a ineficiência de alguns políticos. A isto vêm juntar-se as estratégias que visam enfraquecê-la, substituí-la pela economia ou dominá-la por alguma ideologia. E, contudo, poderá o mundo funcionar sem política? Poderá encontrar um caminho eficaz para a fraternidade universal e a paz social sem uma boa política?”

O Papa ainda alerta que contra essa boa política se semeia o desânimo, se desperta a desconfiança constante, mesmo disfarçada por detrás da defesa de alguns valores, se exaspera, se exacerba, se polariza, nega-se a outros o direito de existir e pensar e, assim, a sociedade empobrece-se e acaba reduzida à prepotência do mais forte. Desta forma, a política deixa de ser um debate saudável sobre projetos a longo prazo para o desenvolvimento de todos e o bem comum, limitando-se a receitas efêmeras de marketing cujo recurso mais eficaz está na destruição do outro. Neste mesquinho jogo de desqualificações o debate é manipulado para o manter no estado de controvérsia e contraposição.
Não podemos enquanto cristãos católicos contribuir com a má política. Temos na boa política um amplo campo de atuação. Não é por nada que a tradição da Doutrina Social da Igreja considera a participação na política uma forma elevada do exercício da caridade – uma maneira exigente de viver o compromisso cristão a serviço do bem comum. E se não participarmos estaremos com certeza contribuindo para que a realidade fique como está ou, até mesmo, piore.

Como eleitores e candidatos, nós, cristãos católicos, não podemos nos omitir. À luz do Evangelho somos convocados a construir no mundo o bem comum na perspectiva do Reino de Deus. A nossa escolha dos candidatos no âmbito municipal é fundamental para consolidar uma autêntica convivência humana, porque é no município que a política atende às necessidades concretas da população: saúde, educação, segurança, transporte, moradia, saneamento básico e outras. E se desejamos uma sociedade justa e democrática não deveríamos como cristãos escolher candidatos que não se comprometam com os excluídos e que se mostra indiferente diante da morte de pessoas e das graves feridas do meio ambiente.

Devemos ficar atentos às fake news: elas contaminam o debate, desviam a atenção dos eleitores de temas importantes e distorcem o processo eleitoral. Não é difícil barrar as notícias falsas; em geral, são espetaculosas e de fontes desconhecidas, e circulam pelas redes sociais. Por isso, verifique a fonte da informação em sites ou veículos de comunicação confiáveis, veja quem é o autor da informação e se ele realmente existe, questione se a informação é uma piada, uma ironia ou uma gozação. Pessoas comprometidas com a verdade, a ética, a paz e a justiça não podem compartilhar a mentira e o ódio.

Para exercer as funções de prefeito e vereador é preciso ter qualidades pessoais. Quais são elas? Aquelas que você – e todos nós – gostaríamos de ver em todo homem público, em todos os políticos, de todos os partidos: conhecedor dos problemas da cidade, competente e bem informado; que demonstre um comportamento coerente, honesto e ético; que seja participante das lutas do povo e que tenha compromisso social com os mais necessitados; e que seja consciente da administração da coisa pública. São candidatos com essas características que devem inspirar a nossa confiança e credibilidade.

É sempre bom lembrar: voto não tem preço, tem consequências! Por isso, comprar ou vender voto são práticas irresponsáveis e criminosas, prejudiciais para todos, porque ganha quem não está preocupado com a boa política. O tempo da politicagem, do abuso do poder político e econômico, promovendo politiqueiros cujo trabalho é a autopromoção, já não pode existir mais.

Que o Espírito de Deus nos acompanhe na tarefa de ajudar a tornar mais humanos e justos os nossos municípios!

____________________

 

 

Addthis Facebook Twitter Google+ PDF Online

Deixe o seu comentário

Você deverá estar conectado para publicar um comentário.