Artigos, Pe. Hallison Parro › 10/05/2017

O evangelizador Paulo

Paulo não pregou o Evangelho em Anfípolis e Apolônia porque não existia nenhuma sinagoga que pudesse servir como base para uma missão evangelizadora inicial.

Por que Paulo se dirigia em primeiro lugar aos judeus em suas sinagogas?

            Paulo, como judeu, tinha consciência de que a promessa messiânica era destinada em primeiro lugar ao povo de Israel (Rm 12,28). Nesse sentido, era natural que o primeiro anúncio fosse realizado na sinagoga, onde se liam as Escrituras e se poderia utilizá-las como fonte de argumentação para demonstrar que Jesus de Nazaré era o Messias esperado e anunciado pelos Profetas. Educado no Farisaísmo, Paulo usava a palavra, durante o culto sabático, para convencer seus irmãos judeus de que o Messias deveria sofrer e ressuscitar dos mortos (At 17,3). Porém não teve muito sucesso nesse projeto. Isso será fonte de questionamento pessoal do próprio apóstolo, no sentido de tentar compreender a recusa de seus irmãos judeus sobre o messianismo de Jesus (Rm 11,1-15).

Qual foi a reação da sinagoga tessalonicense?

Apenas alguns judeus aderiram à pregação paulina. A comunidade cristã dessa cidade foi, predominantemente, constituída por pagãos convertidos. Algumas mulheres da alta sociedade creram no Evangelho, o que atraiu a preocupação das lideranças judaicas sobre a influência da nova doutrina propagada por Paulo em Tessalônica. Segundo o livro dos Atos dos Apóstolos, perseguiram o judeu convertido Jasão, que havia acolhido Paulo e seus companheiros em sua casa. Provavelmente, durante o tumulto liderado pelos expoentes da sinagoga, Paulo e Silas se esconderam em outra casa, e fugiram da cidade durante a noite.

A estratégia judaica foi acusar a pregação paulina de incitação civil contra o decreto do imperador romano, já que, segundo eles, Paulo afirmava que Jesus é basileus (rei), título atribuído somente a César no Oriente. Devemos lembrar que, em Tessalônica, o imperador era cultuado como deus. Nesse sentido, Paulo não pôde concluir a pregação do Evangelho. Teve que abandonar uma comunidade que não estava consolidada na fé, com o temor de que os novos cristãos vacilassem diante dessa perseguição inicial e abandonassem a fé. Um dos motivos da 1 Ts será, exatamente, levar a cabo a catequese sobre a fé cristã, como diz Paulo: “Noite e dia rogamos com instância poder rever-vos, a fim de completarmos o que ainda falta à vossa fé” (1Ts 3,10).

Pe. Hallison Henrique de Jesus Parro

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