"Ao que está sentado no trono e ao Cordeiro, o louvor e a honra, a glória e o poder para sempre". - Ap 5,13    - Ultimo Artigo de Dom Paulo: "Amor e Perdão"  
 

02/09/2010 23º Domingo do Tempo Comum Ano C

Conteudo

05 de setembro de 2010

Leituras

         Sabedoria 9,13-18: Os pensamentos dos mortais são incertos.
         Salmo 89/90,3-4.5-6.12-13.14.17: Ensinai-nos a contar os nossos dias.
         Filemon 9b-10.12-17: Ele é como se fosse meu próprio coração.
         Lucas 14,25-33: Se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo.


"QUEM NÃO CARREGA A SUA CRUZ E NÃO CAMINHA ATRÁS DE MIM NÃO PODE SER MEU DISCÍPULO"


1- PONTO DE PARTIDA

Domingo da opção radical. Neste 22º Domingo, Jesus está como hóspede na casa de um notável, em dia de sábado, e não se deixa manipular pelo anfitrião. Observando a disputa dos convidados pelos primeiros lugares no banquete, o Mestre faz a contra proposta: procurar os últimos lugares. Ele diz que não devem ser convidados só os que dispõem de condições para retribuir, mas também os pobres e aleijados que nada possuem para oferecer. A humildade e a gratuidade são virtudes dos discípulos promotores do Reino.

O Evangelho não proíbe afeição aos familiares e amigos, mas o amor gratuito de Deus requer algo mais: no convite a tomar parte do banquete da vida, optar solidariamente pelos que são esquecidos e tidos como menos importantes aos olhos da sociedade.

Celebremos o memorial da Páscoa de Jesus Cristo que se revela em todas as pessoas e comunidades solidárias com os pobres, aleijados e doentes, excluídos do banquete da vida. Particularmente nesta Semana da Pátria, lembremos muitos brasileiros preteridos da mesa dos bens necessários à vida de cidadãos.

2- REFLEXÃO BÍBLICO, EXEGÉTICA E LITÚRGICA

Contemplando os textos

Primeira leitura - Sabedoria 9,13-18. Havia no século I antes de Cristo muitas comunidades judaicas que viviam fora do seu país, integradas nos países estrangeiros. Essas comunidades judaicas viam ao seu redor todos seguirem o pensamento grego e interpretarem a vida de acordo de acordo com a cultura grega. Começaram, então, a comparar a sua fé tradicional, vinda da Bíblia, com o pensamento grego. Esta tentativa de diálogo fez nascer o que se chama hoje de "Livro da Sabedoria". Foi o último livro da Bíblia escrito antes do nascimento de Jesus (60 ou 80 antes de Cristo).

Ele toca em vários pontos em que, antes, os judeus nunca trataram: a liberdade de cada pessoa, a vida depois da morte, o corpo e o espírito. E também relê para a sua época a antiga história dos patriarcas.

O Livro da Sabedoria nos ensina que a fé do crente deve sempre estar aberta ao que é humano e às idéias novas que a pessoa humana descobre. Entretanto deve também, ao mesmo tempo, ser fiel ao passado e ao jeito de ser povo.

O texto da liturgia de hoje constitui a terceira parte da oração de Salomão (capítulo 9) para pedir a sabedoria. A oração se compõe: de elementos favoráveis à oração do Salomão da história (1Reis 3,6-9; 2Crônicas 1,8-10) e de idéias próprias da literatura sapiencial e de reflexões do autor.

Os versículos 13-19 falam da necessidade da sabedoria; começam por destacar a incapacidade da pessoa humana, superior ao que se declara no versículo 5, a qual parece querer sondar a vontade positiva de Deus, aquilo que Ele espera de suas criaturas racionais, em especial aquelas a quem manifestou mais abertamente seus desejos - uma resposta adequada. A pessoa humana não vale conhecer os desígnios de Deus (Isaias 40,13; romanos 11,34; 1Coríntios 2,16) e, ainda menos, penetrar nas determinações divinas.

O homem (versículo 14) possui, é claro, a consciência e o israelita, além disso, recebeu a Lei de Deus. Mas, para conhecer a Lei em toda a sua plenitude e segui-la totalmente, o homem é muito limitado em virtude de serem tímidos os seus pensamentos e incertas as suas concepções. Outra coisa é sua fraqueza (versículo 15) é a sua estrutura psicossomática: o espírito não está só, nem livre do corpo. O espírito deseja elevar-se a Deus, mas o corpo, seu co-princípio, perecível por natureza, é para ele um peso; a corporalidade sobrecarrega o espírito, já tão ocupado com mil outros cuidados. Não significa que o corpo, em si mesmo, seja mau; não obstante, torna-se fonte de muitas dificuldades.

Salmo responsorial - Salmo 89/90,3-4.5-6.12-13.14.17. O Salmo 89/90 tem um sabor sapiencial, é uma meditação sobre a brevidade da vida humana, com súplica esperançosa. Inicia dizendo com o "sempre" divino contrasta a breve vida humana: sentença de Deus que recorda o pecado de Adão. Há um decréscimo marcado nestes versículos: os mil anos para Deus, o ciclo diurno das flores. Assim se estreita a vida humana na meditação, porque o limite se apresenta com intensidade.

O salmista lembra a eternidade de Deus, o qual já existia antes mesmo da criação do mundo (cf. versículos 1-2). Daí a súplica nos versículos 12-17 para que Deus ensine o povo a conhecer a si mesmo diante dele e experimente a alegria especial de servos, dos que vêem o poder de Deus e os próprios planos confirmados na graça. "Ensina-nos a contar os nossos dias". Aceitar esta limitação com o coração resignado já é uma sabedoria que pedimos a Deus e que, de certo modo, vence a tristeza.

A manhã é a hora propícia em que Deus ouve, em seu Templo. Ele pode preencher a vida breve de alegria e de júbilo, recompensando assim os anos maus e tristes. Esta vida humana é capaz de outra plenitude: contemplar a revelação de Deus na história humana. A história permanece plena da ação de Deus, e quem contempla se enche de mistério. Cheios dessa plenitude divina, nossos trabalhos e nossos dias parecem superar o tempo, e nós saímos da meditação com esperança.

No sentido cristão, há, contudo uma resposta mais elevada. A condição cristã não mudou a vida humana em seu caráter temporal: o cristão continua "triste pela certeza de morrer". Mas também Cristo entrou nesta limitação humana, passou pela morte, venceu-a, e com sua ressurreição inaugurou a vida nova, que é plenitude sem fim. Se nossas obras participam da ressurreição de Cristo, permanecem chias para sempre.

"Se, pois, ressuscitastes com Cristo, procurai as coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. Pensai nas coisas do alto, e não nas coisas da terra, pois morrestes e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus: quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então vós também com ele sereis manifestados em glória" (Colossenses 3,1-4).

Cantando este o Salmo 89/90 na celebração deste domingo, peçamos a Deus que nos dê muita sabedoria para aceitar a nossa limitação humana, assim teremos um coração sensato para reconhecer a nossa finitude. Somente assim podemos conhecer melhor a nós mesmos diante do Mistério de Deus.

Segunda leitura - Filemon 9b-10.12-17. Esta carta foi escrita por Paulo a Filêmon, quando foi preso pela primeira vez (anos 61-63); ele era um cristão de Colossos e, além disso, sei amigo. Filêmon tinha um escravo que fugiu e refugiou no meio que cercava Paulo.

No texto de hoje Paulo apresenta-se como velho e prisioneiro. É um homem fraco, porque limitado pela idade e pelas grades, que se propõe a pedir algo a um amigo. Nessa posição de fraqueza, Paulo de antemão conquista a benevolência do destinatário, e pede não para si, mas por Onésimo, escravo de Filemon, mas que, convertido por Paulo ao Cristianismo, torna-se por isso mesmo irmão "no Senhor" de seu próprio amo. Para designar as relações particulares que o ligam a Onésimo, Paulo retoma a imagem de sua "paternidade espiritual" que já usou amplamente em cartas anteriores.

E Paulo, que bem podia ficar com Onésimo para cuidar dele em sua velhice e prisioneiro, o devolve a seu legítimo dono respeitando as regras da sociedade da época, deixando-o livre para colocá-lo a seu serviço se assim o desejasse.

Segundo a lei romana o escravo fugitivo poderia ser ferrado na testa, lançada às feras e mesmo crucificado. Paulo, porém, devolve-o a Filêmon como uma pessoa humana a ser respeitada e considerada como "irmão" porque "no Senhor".Não se trata, nos lábios de Paulo, de uma simples imagem sentimental: é toda sua atividade apostólica que se exprime nesses termos, pois seu ministério lhe aparece como uma verdadeira transmissão de vida. Proclamando o Evangelho, Paulo não é somente um publicista, mas transmite um apelo de Deus. Ora, a Palavra de Deus é eficaz e traz consigo vida e fecundidade. Aquele que a transmite exerce, pois, uma espécie de paternidade (1Coríntios 4,14-21).

Paulo não aprova as leis sobre a escravidão, mas serve-se delas para que lhe permitam fazer um gesto de amor e fazer as pessoas consentirem a uma maior liberdade no Senhor (cf. 1Coríntios 7,17-24); romanos 6,15-18). Reconhece a relação senhor-escravo, mas a relativiza, destacando o quanto ela é provisória diante das relações de fraternidade eterna que a fé estabelece.

Onésimo não é mais um escravo (versículo 16), nem inútil (versículo 11: agora faz jus a seu nome, pois Onésimo significa em grego útil) mas filho de Paulo (versículo 10), seu irmão querido (versículo 16), seu coração (versículo 12). Se houve uma separação, agora haverá para sempre uma nova convivência, de homens novos pois Filêmon-Onésimo foram feitos assim por Cristo. Estabeleceu-se uma nova relação de fraternidade onde não existe mais escravo ou livre (Gálatas 3,27ss; Efésios 6,9).

A Igreja não foi fundada para libertar os escravos. Esta libertação depende da iniciativa das comunidades humanas, onde os cristãos trabalham e vivem. Certamente, toda vez que as pessoas faltam às suas responsabilidades, a Igreja deve lembrar-lhes sua vocação. Mas seu papel próprio é o de libertar a pessoa humana de si mesmo, abrindo-a ao amor divino.

Evangelho - Lucas 14,25-33. Jesus está a caminho de Jerusalém. Com Ele seguem a multidão e seus discípulos. Muitos andam em sua companhia, talvez desconhecendo o caminho da cruz. Voltando-se para os que o seguiam, Jesus disse-lhes: "Se alguém vem a mim e não se desapega de seu pai e mãe {...} e até da própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não carrega a sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo". Essas condições e exigências são duras demais. O Evangelho tem presente o tempo em que os cristãos eram perseguidos e deviam optar por Jesus com todos os perigos que esta decisão implicava, e ainda implica até hoje. Uma decisão pessoal que comportava o desapego afetivo: "Abandonar pai e mãe" (Lucas 14,26), a disponibilidade à cruz (Lucas 14, 27) e a renúncia total dos bens (Lucas 14,33). Uma opção de fé não pode demorar-se em considerar critérios os familiares, sociais e econômicos. O discípulo deve largar tudo, inclusive seus familiares. Renunciar aos familiares significa a capacidade de desprender-se da tradição dos antigos para abraçar o novo.

Enquanto Mateus fala em "amar mais", Lucas é mais radical e diz literalmente "odiar" que o Lecionário Dominical traduziu por desapego. Trata-se aqui de um hebraísmo (a língua do Primeiro Testamento não conhecia o comparativo) que pode ser traduzido mais exatamente em português por "amar menos" (cf. Gênesis 29,31,33; Deuteronômio 21,15-16; Isaias 60,15; Malaquias 1,3; Lucas 16,13). Lucas 18,20 lembra a importância do quarto mandamento de Deus (Êxodo 20,12-16; Deuteronômio 5,16-20): não se trata de menosprezar os próprios familiares, mas sim de buscar em primeiro lugar o Reino de Deus (Mateus 6,33). "Ser discípulo de Jesus" ou "entrar no Reino de Deus" são duas expressões sinônimas. Podemos notar que Cristo pede tudo isto não só ao grupo dos doze, mas sim às "numerosas multidões" dos cristãos (Lucas 14,25)! A opção pelo Reino exige libertação dos condicionamentos sociais, culturais e estruturais; libertar-se das amarras da Lei para assumir a misericórdia, numa postura de fé madura, profética e libertadora.

Por meio de um processo pedagógico, Jesus provoca o seguimento, primeiro pela renuncia das coisas materiais, depois dos familiares, dos afetos e das amizades e, por fim, por uma opção mais radical, a renúncia de si mesmo.

Usando duas pequenas parábolas - a construção da torre (Lucas 14,28-30) e o rei que negocia a paz (Lucas 14,31-32) -, Jesus revela que a decisão de segui-Lo e o compromisso com sua proposta de vida devem ser frutos de algo bem planejado, amadurecido e coerente até o fim. Não pode ser uma aventura. Os inícios interrogativos são freqüentes nas parábolas de Lucas (11,5; 14,28.31; 15,4.8; 17,7); correspondem à pedagogia de Jesus. Quem lê e contempla estas parábolas são convidados a tirar por eles mesmos as conclusões. A escolha de pôr-se a caminho com Jesus implica ser realista como um arquiteto que planeja sua obra e prudente como alguém que vai à luta. Nesta dupla parábola, Jesus insiste sobre o dever de "sentar-se" (versículos 28 e 31), quer dizer, de parar e de refletir sobre as possibilidades que a gente tem ou não de atingir o objetivo proposto (a torre ou a vitória). Se perceber que não tem a capacidade agüentar a luta, mais vale desistir para escapar da catástrofe. O Senhor exige espírito de sacrifício e de firmeza: "quem põe a mão no arado e olha para trás não é capaz para o Reino de Deus" (Lucas 9,62).

Tomar a cruz seria pedir o sofrimento? Seria ter uma vida triste, calada se contentando com as dificuldades? Seguir Jesus é tomar a cruz e enfrentar os problemas da vida. É ter coragem e sabedoria para suportar as tempestades na esperança de dias melhores.

O Mestre não quer enganar nem iludir os que O seguem. Andar com Ele é um empreendimento exigente que supõe um processo chamado "iniciação" na fé. Por meio dela, as pessoas se deixam trabalhar pela sabedoria divina, a ponto de aprenderem o que agrada a Deus e de tornarem retos os caminhos dos que estão na estrada (primeira leitura). A iniciação, concluída com o batismo, transforma as pessoas. Faz de um escravo fugitivo um homem livre, digno de ser reconhecido por seu patrão como irmão querido (segunda leitura).

3- A PALAVRA SE FAZ CELEBRAÇÃO

A Instrução Geral ao Missal Romano ao falar da Profissão de Fé, ensina que se trata de uma resposta à Palavra de Deus proclamada na celebração (cf. IGMR 67). Dada sua importância, é uma peça litúrgica que deve ser entoada pela assembléia.

Taborda nos diz que sua função é simbólica, porque une os fiéis na fé e na escuta do Verbo de Deus, explicitando sua adesão ao Mistério Pascal. De fato, o conteúdo do Credo Apostólico (que é mais antigo), em sua maior parte designa o Mistério da Páscoa. O símbolo Niceno-Constantinopolitano, mais recente em relação ao primeiro, é mais denso e poderia ser mais utilizado em nossas liturgias. Igualmente ao apostólico, dedica boa parte à designação do Mistério Pascal de Jesus, como cume da Revelação. O desdobramento de ambos os Credos, após o detalhamento sobre o Mistério de Cristo é a compreensão da Igreja como lugar da experiência dessa culminância do Plano Salvador de Deus.
 
Lembrando, ainda, que a Profissão de Fé é um elemento típico da Liturgia Batismal, entendemos que sua inserção na celebração dominical e solenidades, resgata o sentido iniciático que a Eucaristia contém, de aprofundar o vínculo dos batizados e batizadas, não somente à Vida de Cristo, mas à existência mesma da Comunidade de Fé.

Ser discípulos de Cristo Jesus

Seguindo o raciocínio do Evangelho proclamado neste domingo, a postura do homem e mulher de fé tem a ver com estar ligados a Jesus, isto é, à sua pessoa, sua palavra, vocação e missão, como discípulo. Dizer "Creio em Jesus Cristo", equivale não somente à confissão verbal de uma crença, mas à proclamação de uma adesão, de um princípio de fidelidade (Profesio Fidei = Profissão de fé, da fidelidade cristã, a que é fiel a fé cristã).

4- A PALAVRA CELEBRADA E VIVIDA NO COTIDIANO DA NOSSA VIDA

Jesus convida-nos a levar a sério a vida cristã como seguimento, fruto de uma radical mudança de vida. Para isso se faz necessária a renúncia de tudo aquilo que impede a liberdade de optar por Jesus e de anunciar sua Boa - Nova. Sábio é aquele que, animado pelo espírito da verdadeira sabedoria, se cerca dos valores  que iluminam e fortalecem a opção por Jesus. O Mestre estimula os que haviam escolhido o Reino a não esmorecer. Eles devem enfatizar e assumir esta opção com todas as forças. A caminhada ao Reino exige abdicar de realidades muito caras na vida, tais como os pais, os irmãos e a si mesmo. O seguimento de Jesus supõe relativizar todo o processo formativo anterior para assumir uma nova realidade; libertar-se das ações litúrgicas estéreis e equivocadas, aderindo a uma postura de fé madura e comprometida com tudo o que edifica o Reino. Seguir Jesus e dedicar-se à construção do Reino por ele anunciado requerem relativizar os mestres da moral, da ética da Lei e da disciplina para dar espaço ao Mestre da verdadeira justiça e da verdadeira lei: o amor.

Jesus, como autêntico mestre, revela aos seguidores o caminho da sabedoria: a renúncia de si mesmo, dos familiares e dos bens materiais para ter coragem de aceitar a cruz. O discípulo deve ser uma pessoa livre e desapegada. Isto revela que a vida cristã, com tudo o que ela comporta, não é um caminho fácil. Num momento de entusiasmo, muitos assumem o propósito de seguir Jesus como bons cristãos. Todavia, no cotidiano, na dor, no desemprego e nas contrariedades da vida, à medida que a cruz começa a pesar, abandonam tudo. Se o ser discípulo de Jesus é um caminho difícil, não poderá constituir uma grande aventura. Sábio é quem faz um adequado planejamento e decide em que vai investir. A sabedoria cristã é aquela que ousa investir radicalmente no que é fundamental, mesmo que isto acarrete sacrifícios e privações (a cruz).

O cristão, a exemplo de um atleta que busca a medalha de ouro, sabe que terá de renunciar a determinadas realidades para assumir os valores que favorecem o discipulado. Jesus não convida a odiar os familiares nem a tirar a própria vida. Ele alerta para a necessidade de discernir entre o que amarra e o que torna livre para segui-lo como verdadeiro discípulo. A renúncia é manifestada da capacidade de superação de todo um passado em vista da fé no futuro novo.

Ser cristão nos dias atuais, a exemplo dos primeiros cristãos, requer opções corajosas e pessoais, pois, mais do que aderir a um conjunto de ensinamentos, é assumir uma proposta de vida em que se pede a renúncia de tudo, em vista de valores maiores. Seguir Jesus é tomar a cruz, ir à rua enfrentar as adversidades. Ter coragem e sabedoria para suportar as tempestades na esperança de dias melhores. É não desistir, mas perseverar na caminhada até Jerusalém, isto é, até a morte.

O discipulado de Jesus não é um projeto que se faz sozinho. A multidão e os discípulos caminhavam com Jesus. É caminhada que se faz com os(as) irmãos(ãs), com as lideranças, com a comunidade, uns apoiando os outros na hora das dificuldades. Quem deseja buscar e seguir Cristo sozinho, vai ver seus projetos desmoronarem diante dos problemas. O próprio Jesus formou uma comunidade de discípulos, para encorajar um ao outro, a fim de perseverarem na fé e na liberdade de filhos de Deus, a exemplo de Paulo, que, mesmo aprisionado, se manteve fiel ao anúncio da Boa-Nova da libertação.

5- LIGANDO A PALAVRA COM A AÇÃO EUCARÍSTICA

A radicalidade da opção de Jesus pelo projeto salvador do Pai custou-lhe sofrimento e morte na cruz. Sua ressurreição descortinou os horizontes do Reino para quem abandona tudo em vista de um futuro novo. Neste domingo, pela celebração litúrgica, atualizamos esse grande mistério de amor.

O Pai, que nos reúne por meio de seu Filho, alimenta-nos com sua Palavra e com o pão da Eucaristia para que sigamos com sabedoria e firmeza os passos de Jesus, no caminho que conduz à ressurreição. O amor misericordiosos do Pai nos liberta do individualismo, da insegurança e do medo de renunciar às realidades que nos prendem a um estilo de vida e de prática cristã alienada e materialistas, em vista de um novo modo de ser, marcado pelo seguimento de seu Filho e pela prática da caridade.

Iluminada pelo Espírito Santo, a assembléia é convida a considerar, com sabedoria, as exigências do seguimento de Jesus e ter coragem de abrir mão daquilo que a impede de optar pelo Reino. Assim, o mesmo Espírito do Senhor insere os membros da assembléia na comunidade dos que vivem guiados pela sabedoria que vem da misericórdia do Pai.

Na oração eucarística, a assembléia acredita e proclama a grandeza de Deus.

Celebrar a memória pascal é aceitar ser discípulo de Jesus em todas as atividades do cotidiano e permitir que sua morte na cruz e sua ressurreição constituam a Terra de Santa Cruz - o Brasil - numa sociedade justa e solidária.

6. ORIENTAÇÕES GERAIS

1. Preparar bem a celebração. A preparação feita por uma equipe que tenha formação litúrgica adequada pode assegurar uma celebração mais autêntica do mistério pascal do Senhor, assim como a ligação como os acontecimentos da vida, inseridos neste mesmo mistério de Cristo (cf. Doc. da CNBB 43, n. 211). Garantir que o povo de Deus exerça o direito e o dever de participar segundo a diversidade de ministérios, funções e ofícios de cada pessoa (Doc. da CNBB 43, n. 212; Sacrosanctum Concilium, n.14). Preparar a celebração e utilizar de uma metodologia - um caminho.

2. Falando da importância da preparação, recordamos que para a participação de toda a assembléia ser "plena, consciente e ativa" (Sacrosanctum Concilium, n.14) é conveniente que a preparação desenvolva-se com os seguintes passos: 1º: pedir as luzes do Espírito Santo; 2º: avaliar a celebração anterior; 3º: aprofundar e conversar sobre o que se vai celebrar; 4º: ler e aprofundar as leituras bíblicas e as orações; 5º: exercitar a criatividade; 6º: escolher os cantos relacionados com o mistério celebrado; 7º: elaborar o roteiro; 8º: distribuir os vários ministérios e serviços.

3. Prever alguma ação simbólica que recorde e torne presente a riqueza da terra e da vida do povo brasileiro, por ser domingo da Semana da Pátria.

4. A cor litúrgica é o verde.

5. Os cantos e músicas devem expressar o sentido de cada domingo. Para isso tempos o Hinário Litúrgico 3, da CNBB: "És um Deus justo, ó Senhor!" página 125-126; "Vós fostes, ó Senhor, um refúgio para nós" 178-179; "Aleluia, quem não carregar a sua cruz", p. 242; "As mesmas mãos que plantaram a semente aqui estão", "Quem não toma a sua cruz e não vem atrás de mim", 285-286.

6. Cada vez mais, cai em desuso os chamados "comentários" antes das leituras. Preferem-se as brevíssimas monições que exortam os fiéis para o acontecimento que se seguirá. São mais afetivos e introdutórios, do que informativos de qualquer conteúdo teológico ou catequético. São, inclusive, dispensáveis, sendo preferível o silêncio ou um refrão meditativo que provoque na assembléia aquela atitude vigilante para a escuta e conseqüentemente acolhida da Palavra de Deus. Sugerimos, neste caso, antes de iniciar a Liturgia da Palavra, o refrão "Senhor que a tua Palavra".

7. A mesa da Palavra e a mesa da Eucaristia formam um só ato de culto; portanto, é preciso manter um equilíbrio de tempo entre as duas. Demasiada atenção dada à procissão com o Lecionário ou com a Bíblia, homilias prolongadas, introduções antes das leituras parecendo comentários ou pequenas homilias, tudo isso prejudica o rito eucarístico, que em conseqüência acaba sendo feito às presas.

8. "É muito recomendável que os fiéis recebam o Corpo do Senhor em hóstias consagradas na mesma Missa e participem do cálice nos casos previstos, para que, também através dos sinais, a comunhão se manifeste mais claramente como participação do Sacrifício celebrado" (IGMR nº 56 h). Um dos mais graves abusos nas celebrações da eucaristia é a distribuição da comunhão do sacrário como prática normal. Assim pecamos contra toda a dinâmica da ceia eucarística, que consta da preparação das oferendas, da ação de graças sobre os dons trazidos, da fração do pão consagrado e da sua distribuição àqueles que, com a oblação deste pão, se oferecem a si mesmos com Jesus ao Pai.

9. Lembrar que, no dia 07 de setembro, é o dia da Pátria. Nas preces e em outros momentos da celebração, rezar pelo povo brasileiro e pelos governantes, pela paz e prosperidade de todas as pessoas e grupos humanos que constituem o Brasil.

7- MÚSICA RITUAL

O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos cantar a liturgia e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com cada domingo, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são do 23º Domingo do Tempo Comum, é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado.

A equipe de canto faz parte da assembléia. Não deve ser um grupo que se coloca à frente da assembléia, como se estivesse apresentando um show. A ação litúrgica se dirige ao Pai, por Cristo, no Espírito Santo. Portanto, a equipe de canto deve se colocar entre o presbitério e a assembléia e estar voltada para o altar, para a presidência e para a Mesa da Palavra.

A função da equipe de canto não é simplesmente cantar o que gosta, mas cantar o mistério da liturgia deste 23º Domingo do Tempo Comum, "cantar a liturgia", e não "na liturgia". Os cantos devem estar em sintonia com o ano litúrgico, com a Palavra proclamada e com o sacramento celebrado. Não devemos esquecer que a "equipe de canto" faz parte da equipe de liturgia.

O canto de abertura sugerido pelo Hinário III da CNBB, assumindo a antífona de entrada retirada do Salmo 119/118,137.124 com os versos do Salmo 86/85, é uma ótima opção. É sempre importante recuperar a tradição de cantar os salmos nas celebrações, já que eles contam as maravilhas que Deus realiza por meio da história de seu povo.

Forma de executar o canto de abertura. A vantagem de o povo responder com um refrão (cantado de cor!) a alguns versos, entoados por um cantor ou a equipe de canto, é a de a assembléia mais livremente poderem olhar e contemplar a procissão de entrada dos ministros, às vezes precedidos pelas crianças da primeira eucaristia, pelos jovens a ser crismados, pelo casal de noivos que vai se unir em matrimônio etc.

Ensina a Instrução Geral do Missal Romano que o canto de abertura tem por objetivo, além de unir a assembléia, inseri-la no mistério celebrado (IGMR nº 47). Nesse sentido o Hinário Litúrgico III da CNBB nos oferece uma ótima opção, que estão gravados nos CDs Liturgia VI e XI.

1. Canto de abertura. (Salmo 119/118,137.124) A justiça e a misericórdia de Deus. "És um Deus justo, ó Senhor, e justiça é tua sentença!", melodia da faixa nº 1, exceto o refrão - CD Liturgia VII.

2. Hino de louvor. "Glória a Deus nas alturas." Vejam o CD Tríduo Pascal I e II e também no CD Festas Litúrgicas I; Partes fixas do Ordinário da Missa do Hinário Litúrgico III da CNBB e também a versão da CNBB musicado por Irmã Miria Reginaldo Veloso e outros compositores.

O Hino de Louvor, na versão original e mais antiga, é um hino cristológico, isto é, voltado para Cristo, que exprime o significado do amor do Pai agindo no Filho. O louvor, o bendito, a glória e a adoração ao Pai (primeira parte do Hino de Louvor) se desdobram no trabalho do Filho Único: tirar o pecado do mundo, exprimindo e imprimindo na história humana a compaixão do Pai. Lembremo-nos: o Hino de Louvor não se confunde com a "doxologia menor" (Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo). O Hino de Louvor encontra-se no Missal Romano em prosa ou nas publicações da CNBB versificado numa versão que facilita o canto da assembléia. 

3. Salmo responsorial 89/90. Deus, mestre de sabedoria. "Vós fostes, ó Senhor, um refúgio para nós" melodia da faixa nº 3- CD Liturgia XII.

O Salmo responsorial é uma resposta que damos àquilo que ouvimos na primeira leitura. Isto mostra que o salmo é compromisso de vida e ele também atualiza e leitura para a comunidade celebrante. Primeira leitura, Palavra proposta e salmo Palavra resposta. Por isso deve ser cantado da Mesa da Palavra (Ambão) por ser Palavra de Deus. Valorizar bem o ministério do salmista.

4. Aclamação ao Evangelho. (Mt 11,29ab). O Mestre manso e humilde, melodia da faixa nº 1, CD Liturgia XII. O canto de aclamação ao evangelho acompanha os versos que estão no Lecionário Dominical.

5. Refrão após a homilia. "Quanto a nós devemos gloriar-nos...", CD Tríduo Pasças I, melodia da faixa1; "Ninguém pode orgulhar a não ser nisto...", CD Tríduo Pascal I, melodia da faixa 2.

6. Apresentação dos dons. A escuta da Palavra e colocá-la em prática, deve gerar na assembléia a partilha para que ela possa ser sinal vivo do Senhor. Devemos ser oferenda com nossas oferendas. Podemos cantar: "As mesmas mãos que plantaram a semente aqui estão", CD Liturgia VII, faixa nº 4.

7. Canto de comunhão. (Salmo 31/30,2-3) Devemos colocar em Deus nossa esperança, Ele nos mostra a sua face e tem compaixão de nós. "Quem não toma a sua cruz", melodia da faixa nº 4, exceto o refrão, CD Liturgia XII.

O canto de comunhão deve retomar o sentido do Evangelho de cada Domingo. Esta é a sua função ministerial. Na realidade, aquilo que se proclama no Evangelho nos é dado na Eucaristia, ou seja: é o Evangelho que nos dá o "tom" com o qual o Cristo se dirige a nós em cada celebração eucarística reforçando estes conteúdos bíblico-litúrgicos, garantindo ainda mais a unidade entre a mesa da Palavra e a mesa da Eucaristia. Isto significa que comungar o corpo e sangue de Cristo é compromisso com o Evangelho proclamado. Portanto, o mesmo Senhor que nos falou no Evangelho, nós o comungamos no pão e no vinho. É de se lamentar que muitas vezes são escolhidos cantos individualistas de acordo com a espiritualidade de certos movimentos, descaracterizando a missionariedade da liturgia. Toda liturgia é uma celebração da Igreja e não existem ritos para cada movimento e nem para cada pastoral. Cantos de adoração ao Santíssimo, cantos de cunho individualista ou cantos temáticos não expressam a densidade desse momento. Tipos de cantos que devem ser evitados numa celebração eclesial: "Eu amo você meu Jesus"; "Ti olhar, ti tocar"; "Fica comigo Jesus", "Eu quero subir..."

7. Desafio para os instrumentistas. É transformar as ondas sonoras do violão, do teclado e dos outros instrumentos na voz de Deus, isto é, em sintonia com o coração de Deus. Muitas vezes os instrumentistas acham que para agradar a Deus e o povo é preciso barulho e agitação. É preciso uma conscientização maior dos instrumentistas de que Deus não gosta do barulho. Assim fala o Senhor: "Afasta de mim o barulho de teus cantos, eu não posso ouvir o som de tuas harpas" (Amós 5,23). Deus gosta da brisa leve, da serenidade, da mansidão, do silêncio... Veja o exemplo da experiência que o profeta Elias fez de Deus na brisa suave e não na agitação do furacão, nem do terremoto e nem do fogo (1Reis 19,11-13). É preciso muito cuidado com os instrumentos de percussão. As equipes de canto e as bandas barulhentas, não expressam aquilo que Deus é, mas aquilo que os músicos são. "O barulho não faz bem, o bem não faz barulho" (São José Marello).

8- O ESPAÇO CELEBRATIVO

1. Preparar bem o espaço celebrativo, de modo que seja acolhedor, aconchegante.

2. O espaço da celebração deve recordar para nós a Jerusalém celeste de que nos fala a segunda leitura. Portanto, o lugar da celebração deve ser preparado para as núpcias do Cordeiro. Deve ser belo, sem ser luxuoso; deve ser simples, sem ser desleixado; deve ser aconchegante para que todos se sintam participantes do banquete. A mesa da Eucaristia é o lugar de convergência de toda a ação litúrgica. Assim o altar não pode ser "escondido" por imensas toalhas, arranjos de flores e outros objetos. O altar é Cristo. É ele o ator principal da liturgia. "As flores, por exemplo, não são mais importantes que o altar, o Ambão e outros lugares simbólicos. Nem a toalha é mais importante que o altar. Os excessos desvalorizam os sinais principais. A sobriedade da decoração favorece a concentração no mistério celebrado" (Guia Litúrgico Pastoral, página 110).

3. O lugar onde celebramos a Eucaristia é Casa da Igreja e antes disso é Casa da Palavra, pois é esta que, sacramentalmente, forja a comunidade dos cristãos. De certo modo, a construção de pedra é imagem da construção viva, isto é, o povo de Deus, da qual fala Paulo em suas cartas, que a Igreja, Corpo de Cristo. Neste sentido, é lugar de interlocução, de diálogo a partir das escrituras que são interpretadas pelos ritos. Assim, toda a celebração litúrgica é Palavra de Deus dirigida ao povo reunido. Mas também é resposta deste povo aos apelos que lhe são expressos.

4. A cruz é uma peça importante nas celebrações do Mistério Pascal do Senhor. Ela é entendida pela Instrução Geral do Missal Romano como um elemento que deve recordar aos fiéis o acontecimento da fé ali celebrado.
 
5. O simbolismo da cruz traz presente o anúncio da paixão e ressurreição do Senhor. A cruz processional, a mesma que será usada na procissão de abertura, esteja na entrada da Igreja, por onde todos passam. É uma forma de trazer presente o mistério que será celerado. Ela pode ficar aí até o início da celebração, ladeada de velas e flores, de forma que chame a atenção de todos os que vão chegando para a celebração.

6. A cruz é símbolo da fraqueza humana fortalecida pela graça de Deus. Nela ficou exposta toda a fragilidade e se manifestou a misericórdia de Deus ao ressuscitar seu Filho Jesus Cristo.

7. A cruz dos cristãos (referência à vida gasta em favor do próximo) deve ser assumida, carregada pelo caminho da vida, à maneira de Jesus. Cláudio Pastro diz que ela é sinal da nossa vitória. Por isso "Uma procissão atrás da Cruz, traz presente a Igreja peregrina que segue a Cristo e caminha sob sua bandeira".

8. Preparar o espaço celebrativo. A mesa da Palavra receba também destaque semelhante à mesa eucarística: toalhas, cor litúrgica (verde). Os enfeites não podem ofuscar as duas mesas principais: mesa da Palavra e o altar.

9. "O altar dentro da Igreja goza da mais alta dignidade, merece toda honra e distinção, pois nele se realiza o mistério Pascal de Cristo, do qual é o símbolo por excelência. Pela sua dignidade e valor simbólico, o altar não pode ser um móvel qualquer ou uma peça sem expressão, mas precisa ser nobre, belo, digno, plasticamente elegante. Nada se sobrepõe ao altar. Ele pode ser realçado com a toalha, as velas, a cruz processional, as flores. Todos estes elementos devem enfatizar a sua nobreza e sobriedade, sem escondê-lo ou dificultar as ações litúrgicas.

10. Os castiçais com as velas, a cruz processional, as flores sejam preferivelmente colocados ao lado, deixando a mesa livre para que apareçam os sinais sacramentais do pão e do vinho. A toalha, caindo somente nas laterais, sem esconder totalmente a frente do altar, pode ser colocada para a celebração da Eucaristia, dando ênfase ao banquete que o Senhor nos prepara. "Durante o dia, o altar pode permanecer desnudo ou com um 'trilho' na cor litúrgica do tempo" (Guia Litúrgico Pastoral, páginas 105-106).

9. AÇÃO RITUAL

Celebrar a fé cristã consiste em aprofundar a relação que há entre os fiéis e o seu Senhor. Isto significa dizer que a Liturgia nos faz, pela oração, realizar a fé que professamos no Corpo da Igreja. A fé é proclamada objetivamente e assumida no interior de cada irmão e irmã que teve sua vida mergulhada no Nome de Jesus.

Planejar uma calorosa acolhida, de modo que as pessoas se sintam amparadas, amadas e percebam, pela ação celebrativa, o amor de Deus em ação.


Ritos Iniciais

1. Nesta celebração, seria oportuno enfocar a "fé/fidelidade" nos textos eucológicos, permitindo um link direto com o sentido litúrgico. Nesse sentido, a saudação a ser escolhida pode ser a fórmula "e": A vós, irmãos, paz e fé da parte de Deus, o Pai, e do Senhor Jesus Cristo. Ressalta-se assim a fé como um dom, de origem divina que recebemos no seio da assembléia reunida.

2. É um dia oportuno para realizar o rito de aspersão como recordação do Batismo, devido ao enfoque desta celebração quanto à fé.

3. O Missal Romano nos traz duas opções de oração sobre a água. Para nosso caso, a primeira opção seria mais apropriada por trazer uma referência teológica mais clara à fé: "renovai em nós a fonte viva da nossa graça".

4. Para acompanhar o rito, sugerimos o canto Aspergi-me, Senhor, CD Cantar a Liturgia, Paulus.

Liturgia da Palavra

1. É comum em alguns lugares acompanhar o Livro dos Evangelhos ser ladeado por duas ou mais velas, desde a procissão até a proclamação do texto. Sugerimos que estas velas permaneçam junto à Mesa da Palavra para que, antes da Profissão de Fé, a assembléia seja convidada a acender nestas chamas velas, que teriam recebido na chegada da igreja.

2. Há comunidades cristãs que, até hoje, fazem artisticamente sem Evangeliário. Semana após semana, alguém da comunidade com dotes artísticos copia o texto a ser proclamado, ornando-o ao estilo das iluminuras da antiguidade, de acordo com a narração da face de Cristo ou outro tema peculiar ao Evangelho. Está é uma forma muito admirável de envolver os artistas da comunidade e outros grupos. Por exemplo, porque não envolver as crianças da catequese (aquelas que sabem ler e escrever bem), para que copiem, a cada semana a página do Evangelho a ser proclamado na celebração. Neste caso, seria recomendado ensinar-lhes a arte da caligrafia e do desenho litúrgicos (ícones), caso venham a ornar o texto com tais figuras. A capa do Evangeliário  pode ser feita com duas tábuas, trazendo na capa um ícone da face de Cristo, lembrando que o Evangelho deve assumir a face humana - a nossa face...assim iremos nos tornando Cristo Jesus. Vejam um exemplo de Evangeliário em placas de prata, de Cláudio Pastro.

3. Depois que todos acenderem as suas velas, fazer a Profissão de fé. É importante recordar que, se for cantado, a assembléia deverá conhecer a melodia, para que possa participar da Profissão de Fé, conforme exige o Rito.

4. As preces podem ter como aclamação comum a frase "Cremos, Senhor, mas aumentai nossa fé." É um bom endereçamento para o costume equivocado de algumas comunidades de, aos a narrativa da instituição na Oração Eucarística, dizer, "Creio Senhor, mas aumentai minha fé".

5. Em todo o rito, a Palavra se conjuga com o silêncio. Momentos de silêncio após as leituras, o salmo e a homilia, fortalecem a atitude de acolhida da Palavra. O silêncio é o momento em que o Espírito Santo torna fecunda a Palavra no coração da comunidade. Nem tudo cabe em palavras.

6. Destacar o Evangeliário. Depois da procissão de entrada deve permanecer sobre a Mesa do Altar até a procissão para a Mesa da Palavra como é costume no Rito Romano.

Liturgia Eucarística

1. Proclamar o Prefácio dos Domingos do Tempo Comum I que contempla o Mistério da salvação destacando sua morte libertadora na cruz.

2. Proclamar com vibração a ação de graças (Oração Eucarística). Na Oração Eucarística, "compete a quem preside, pelo seu tom de voz, pela atitude orante, pelos gestos, pelo semblante e pela autenticidade, elevar ao Pai o louvor e a oferenda pascal de todo o povo sacerdotal, por Cristo, no Espírito".

3. O amém final deve ser cantado ou proclamado com exultação, é a assinatura do povo à prece eucarística que o ministro ordenado, em nome da Igreja inteira, elevou a Deus por Cristo, com Cristo, em Cristo, na unidade do Espírito Santo.

4. Valorizar o rito da fração do pão, "gesto realizado por Cristo na última ceia, que no tempo apostólico deu o nome a toda a ação eucarística, significa que muitos fiéis pela Comunhão no único pão da vida, que é o Cristo, morto e ressuscitado pela salvação do mundo, formam um só corpo (1Coríntios 10,17" (IGMR, nº 83).

5. Distribuir a comunhão de maneira orante e sob as duas espécies, pois como diz a Instrução Geral do Missal Romano (IGMR): "A comunhão realiza mais plenamente o seu aspecto de sinal quando sob as duas espécies. Sob esta forma se manifesta mais perfeitamente o sinal dom banquete eucarístico e se exprime de modo mais claro a vontade divina de realizar a nova e eterna Aliança no Sangue do Senhor, assim como a relação entre o banquete eucarístico e o banquete escatológico do reino do Pai" (n. 271)

Ritos Finais

1. Os ritos iniciais remetem aos ritos finais, pois neles somos convocados para estar com o Senhor e sermos enviados em missão (cf. Marcos 3,14), para sermos sacramento de unidade e da salvação de todo o ser humano (cf, Lumem Gentium 1).

2. Na bênção em nome da Santíssima Trindade levem-se em conta as possibilidades que o Missal Romano oferece (bênçãos solenes, na oração sobre o povo). Ela expressa que a ação ritual se prolonga na vida cotidiana do povo em todas as suas dimensões, também políticas e sociais. Ver a bênção final do Tempo Comum do Missal Romano.

3. A bênção solene para o Tempo Comum III nomeia a fé em uma das intenções.

10- CONSIDERAÇÕES FINAIS

A fé cristã é decisão pessoal. É preciso refletir muito sobre as motivações que nos levam a tomar essa decisão. Somos "Maria-vai-com as outras", uma massa que não sabe muito bem pra onde está indo? Ou somos cristãos conscientes da opção que fizemos?

O objetivo da Igreja e da nossa equipe diocesana de liturgia é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas aquelas outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.

Um abraço fraterno a todos
 
pe. Benedito Mazeti

 


20/08/2010 - 22º Domingo do Tempo Comum Ano C
 
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06/08/2010 - 19º Domingo do Tempo Comum
 
29/07/2010 - 18º Domingo do Tempo Comum - Ano C
 
18/07/2010 - 16º DOMINGO DO TEMPO COMUM
 
02/07/2010 - 15º Domingo do Tempo Comum Ano C
 
28/06/2010 - Solenidade dos Apóstolos Pedro e Paulo
 
25/06/2010 - 13º Domingo do Tempo Comum
 
18/06/2010 - 12º Domingo do Tempo Comum
 
11/06/2010 - 11º DOMINGO DO TEMPO COMUM
 
11/06/2010 - Encontro com Ministros Extraordinários da Comunhão Eucarística
 
27/05/2010 - Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo - Ano C
 
21/05/2010 - Domingo da Santíssima Trindade Ano C
 
14/05/2010 - Domingo da Ascensão do Senhor Ano C
 
14/05/2010 - Domingo de Pentecostes
 
14/05/2010 - Mês de Maio no Tempo Pascal
 
07/05/2010 - 6º Domingo da Páscoa na Ressurreição do Senhor Ano C
 
30/04/2010 - 5º Domingo da Páscoa na Ressurreição do Senhor Ano - C
 
23/04/2010 - 4º Domingo da Páscoa na Ressurreição do Senhor - Ano C
 
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