Notícias Diocesanas › 12/01/2016

Campanha da Fraternidade2016

7,3 bilhões de pessoas habitavam a Terra em 2015. Além dos humanos, animais e plantas seguiam (e ainda seguem) dependendo daquilo que é oferecido pelo planeta composto, em sua maior parte, por água. E é exatamente esse um dos elementos capazes de tornar a vida possível nessa “Casa Comum”. Consideradas as estatísticas e o contexto, um dado preocupa: se os padrões de consumo se mantiverem, duas em cada três pessoas no mundo sofrerão com a escassez moderada ou grave do recurso já em 2025. O alerta feito pela Organização das Nações Unidas mostra que o planeta está secando.

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Agora imagine: como seria a sua vida sem água? Um sexto da população mundial (pouco mais de um bilhão de pessoas) já vive a dura realidade de não ter acesso à essa riqueza em sua condição potável. Por conta disso, apenas para exemplificar, mais de 1,5 milhão de crianças com menos de 5 anos morrem, todos os anos, devido a enfermidades associadas ao consumo de líquido insalubre e/ou contaminado. Situação, essa, agravada pela falta de acesso a serviços de saneamento básico; outro mal que aflige pouco mais de 30% da população do planeta, como indica a ONU. Onde vivem essas pessoas? Ainda segundo a Organização das Nações Unidas, especialmente no sul da Ásia, África Subsaariana e em países em desenvolvimento como o Brasil; que apesar de figurar como a 7ª ou 8ª economia do mundo é – entre 200 países sondados – apenas o 112ª colocado no ranking internacional de saneamento. Os dados, de 2011, foram divulgados pelo Instituto Trata Brasil e pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável, em 2014.

Julgar

Considerando a realidade do Saneamento Básico, as pessoas de boa vontade, durante a Quaresma, refletirão sobre aspectos ligados ao assunto. “Casa Comum, nossa responsabilidade”. Esse será o tema norteador da Campanha da Fraternidade 2016. De Amós, capítulo 5, versículo 24 vem o lema: “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca”. A iniciativa, realizada de forma ecumênica pela quarta vez (detalhes na sequência), tem como objetivo geral “assegurar o direito ao saneamento básico para as pessoas; empenhando todos os esforços, à luz da fé, por políticas públicas e atitudes responsáveis que garantam a integridade e o futuro da Casa Comum”; conforme exposto no texto base da iniciativa.

Mas afinal, e por que discutir sobre saneamento básico no Brasil? O abastecimento de água potável, o esgoto sanitário, a limpeza urbana, o manejo de resíduos sólidos, o controle de transmissores de doenças e a drenagem de águas pluviais são medidas necessárias para que todas as pessoas possam ter saúde e vida dignas. A combinação do acesso à água tratada e ao esgotamento sanitário é condição para se obter resultados satisfatórios também na luta para a erradicação da pobreza e da fome, para a redução da mortalidade infantil e pela sustentabilidade ambiental. “Lanço um convite urgente a renovar o diálogo sobre a maneira como estamos a construir o futuro do planeta. Precisamos de um debate que nos una a todos, porque o desafio ambiental, que vivemos, e as suas raízes humanas dizem respeito e têm impacto sobre todos nós”, convocou o papa Francisco na Encíclica ‘Laudato Si’; que lança séria reflexão acerca da responsabilidade de todos com a Casa Comum.

Agir

As responsabilidades são coletivas, porém diferenciadas: o Poder Público tem a tarefa de realizar as obras de infraestrutura, implementar o Plano Municipal de Saneamento Básico, garantir a limpeza do espaço público e fazer a coleta seletiva do lixo. Os cidadãos e cidadãs devem cuidar do espaço onde moram, de não jogar lixo na rua, de zelar pelos bens coletivos.

Essas atitudes – destacadas no texto base da Campanha da Fraternidade – podem tornar real o sonho do profeta Amós, que é o de “ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca”.

História

A Campanha da Fraternidade nasceu em 1961 e foi efetivada na Quaresma de 1962, na Arquidiocese de Natal; à época sob o pastoreio de dom Eugênio Sales (que viria a ser, mais tarde, o cardeal arcebispo do Rio de Janeiro). A iniciativa, que visava criar um mecanismo para incentivar a corresponsabilidade dos fiéis com a manutenção das obras pastorais e sociais da Igreja, repercutiu positivamente; tanto que já no ano seguinte, a ação alcançou 16 dioceses do Nordeste.

“Lembre-se: você também é Igreja”. Com esse lema, a Campanha da Fraternidade ganhou o Brasil. Os católicos, em 1964, foram norteados pelo tema “Igreja em Renovação”. Historicamente, a iniciativa – com mais de 5 décadas de existência – foi dividida em 3 fases: a primeira, voltada para as necessidades da própria Igreja (1964 – 1972); a segunda, preocupada com a realidade social do povo (1973 a 1984) e a terceira, com o foco nas situações vividas pela população (a partir de 1985).

Além “fronteiras”

Tendo sido realizada de forma ecumênica em outras três oportunidades (2000, 2005 e 2010), essa será a quarta vez que a Campanha da Fraternidade congregará os participantes do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs. Além delas, outras Instituições foram convidadas*.

A Misereor; que é ligada à Igreja Católica da Alemanha e atua em prol do desenvolvimento de comunidades em situação de extrema vulnerabilidade na Ásia, África e em países da América Latina também está engajada na iniciativa. A aproximação, inédita, indica que – entre outros aspectos – as consequências da ausência de políticas públicas acerca do saneamento básico prejudicam pessoas ao redor do mundo; carecendo de enfrentamento por parte de todos os habitantes da “Casa Comum”.

*PARTICIPANTES DA CF 2016

Membros do CONIC (Igreja Católica Apostólica Romana, Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Episcopal Anglicana do Brasil, Presbiteriana Unida do Brasil, Sirian Ortodoxa de Antioquia), Aliança de Batistas do Brasil e a Visão Mundial (organização internacional que reúne pessoas ligadas a diferentes igrejas evangélicas que não fazem parte do CONIC). O Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular também foi convidado a participar da Campanha da Fraternidade.

TEXTO* André Botelho

Assessoria de Comunicação Santuário São Judas Tadeu

*Com informações do Texto Base da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016

Oração da Campanha da Fraternidade

Deus da vida, da justiça e do amor,

Tu fizeste com ternura o nosso planeta,

morada de todas as espécies e povos.

Dá-nos assumir, na força da fé

e em irmandade ecumênica,

a corresponsabilidade na construção

de um mundo sustentável

e justo, para todos.

No seguimento de Jesus,

Com a Alegria do Evangelho

e com a opção pelos pobres.

Amém!

 

Coleta Ecumênica da Solidariedade

Domingo de Ramos | 20 de Março

Essa Coleta é um gesto concreto de fraternidade, partilha e solidariedade (…) 40% do total arrecadado constituirá o Fundo Ecumênico Nacional da Solidariedade que apoiará, entre outras, iniciativas de grupos, associações e organizações que desenvolvam ações afins com o tema da Campanha da Fraternidade Ecumênica.

 

DADOS |DESTAQUE

34 milhões de brasileiros não tem acesso a água encanada

Mais de 100 milhões de pessoas, no país, não possuem coleta de esgoto

O Brasil gera 150 mil toneladas diárias de resíduos sólidos

Cada indivíduo gera, em média, 1 kg de resíduos sólidos todos os dias

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