Artigos, Pe. Marcelo Vieira › 02/03/2017

O cristianismo católico não considera a Bíblia como única fonte da Palavra de Deus (Revelação), mas considera também a Tradição e o Magistério. Quando se fala sobre Maria na Bíblia não se quer dizer tudo sobre o que a Igreja Católica afirma sobre Maria, pois precisaríamos considerar também, Maria na Tradição e Maria nos Dogmas ou no Magistério da Igreja. Esse breve texto tratará sobre Maria na Bíblia ou, melhor dizendo, Maria no Novo Testamento, pois os textos que falam sobre Maria, estão presentes na segunda parte da Bíblia. Existem alguns textos do Antigo Testamento que podem se referir a Maria dentro de uma interpretação já firmada na Tradição, mas este já é um assunto da Tradição da Igreja.

Ao tomar um texto bíblico deve se ter o cuidado de levar em conta várias dimensões do mesmo: o texto que é antigo, com linguagem e formas próprias da época; o contexto que é fundamental para entender a política, a economia, a religião, a sociedade da época; e também o pretexto que se configura com a intenção do autor ao escrever o texto, ou seja, a mensagem que se queria transmitir para os destinatários. O que se faz muitas vezes na leitura de um texto bíblico é toma-lo como um livro de História, de Geografia, de Cosmologia, ocasionando uma interpretação que desrespeita o texto, levando-o a dizer o que não seria possível naquele momento da história.

Quando se fala sobre Maria no Novo testamento e principalmente nos Evangelhos, não se trata de textos que querem ser uma Biografia de Maria, ou seja, não querem trazer informações como: Onde nasceu? Como se chamavam seus pais? Como conheceu José? Como era seu dia-a-dia? Como foi sua vida depois da ressurreição de Jesus? Muitas dessas perguntas ficariam sem resposta e outras trariam problemas na interpretação, pois em textos diferentes há respostas divergentes como em Lucas: o anjo Gabriel fala com Maria, e em Mateus, fala com José, em sonho. Se partirmos por esse caminho teríamos que conservar um texto e desclassificar o outro.

Murad (2012), afirma que os textos sobre Maria devem ser compreendidos no contexto de cada Evangelho e que os mesmos são partes ou detalhes, costurados no lugar certo. Identifica também sete chaves para compreender Maria na Bíblia: 1) conhecer o que a escritura diz sobre Maria; 2) fazer uma leitura teológica do texto bíblico, ou seja, aprofundar o sentido do texto; 3) considerar o gênero literário do texto em questão; 4) contextualizar cada citação dentro do livro bíblico; 5) Lembrar que os textos sobre Maria, no Novo Testamento, foram escritos com os olhos centrados em Jesus e na comunidade de seus seguidores; 6) Lembrar que cada livro da Bíblia faz parte de um todo, ou seja, textos que expressam contradição podem ser integrados; 7) Lembrar que o Evangelho é Boa Notícia para a atualidade, ou seja, precisa ser atualizado.

Bibliografia: MURAD, Afonso. Maria toda de Deus e tão humana: Compêndio de Mariologia. São Paulo: Paulinas, 2012.

Pe. Marcelo Vieira

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