Igreja no Mundo › 02/05/2018

Diálogo com a China

Diálogo com a China: Não há um toque de varinha mágica

Em mérito à “questão chinesa”, há uma série de sinais que indicam que estamos chegando a um ponto importante mesmo se – como foi comunicado pela Sala de Imprensa da Santa Sé, em 29 de março passado – não parece iminente um Acordo entre a China e a Santa Sé.

Sergio Centofanti e Pe. Bernd Hagenkord, SJ – Cidade do Vaticano

Já há algum tempo foram iniciados contatos entre os representantes da Santa Sé e da China Popular para tentar resolver, de maneira construtiva e não conflituosa, alguns problemas da Igreja, a partir do delicado e importante tema da nomeação de Bispos: trata-se de um enfoque pastoral, destinado a iniciar uma forma de cooperação que possa ser favorável a todos, sem a presunção de poder resolver todos os problemas existentes com o toque de uma varinha mágica.

A esse propósito foi muito oportuna a intervenção do cardeal Secretário de Estado, Pietro Parolin, em uma entrevista ao jornal italiano “La Stampa”, na qual, disse: “Como se sabe, com a ‘Nova China’ a vida da Igreja naquele país passou por graves contrastes e agudos sofrimentos.

A partir dos anos Oitenta do século passado, porém, foram iniciados contatos entre representantes da Santa Sé e da China Popular, com uma sucessão de altos e baixos em várias situações e acontecimentos. A Santa Sé manteve sempre um enfoque pastoral, procurando superar as contraposições e mostrando-se sempre disponível a um diálogo respeitoso e construtivo com as autoridades civis. O Papa Bento XVI representou bem o espírito deste diálogo na Carta aos católicos chineses de 2007: ‘A solução dos problemas existentes não pode ser buscada através de um permanente conflito com as legítimas Autoridades civis’ (n. 4). No pontificado do Papa Francisco, as negociações em andamento seguem na mesma linha: abertura construtiva ao diálogo e fidelidade à genuína Tradição da Igreja”.

Com a instauração na China do novo regime político comunista, consequência da revolução de Mao Tse Tung – que tinha como objetivo ideal a libertação das massas do domínio ocidental, da pobreza, da ignorância, da opressão das antigas classes dirigentes, mas também da ideia de Deus e da religião – iniciara uma fase histórica particularmente contrastada e fonte de graves sofrimentos para muitos pastores e fiéis.

Depois, a partir dos anos Oitenta, alguma coisa começou a mudar. Certamente ainda existe a ideologia e ultimamente há sinais de uma certa rigidez, principalmente nos órgãos encarregados pela segurança e pela regulamentação da vida sócio-cultural. Talvez isso também seja sinal da necessidade de colocar um pouco em ordem em um crescimento econômico impiedoso que, por um lado, produziu bem-estar e criou novas possibilidades e novos espaços de vida fazendo nascer aspirações comuns a todas as pessoas do mundo, e por outro lado, este crescimento levou a um certo caos, com fenômenos de desenraizamento social entre os trabalhadores, altos índices de corrupção nas classes mais altas, enfraquecimento dos valores tradicionais, especialmente nas novas gerações. Talvez, porém, a rigidez ideológica não seja uma resposta adequada às mudanças tão profundas que atingem também o lado religioso da vida.

Atualmente a Santa Sé está disponível, num clima de diálogo respeitoso, a dar a contribuição que lhe compete na promoção do bem da Igreja e da sociedade. Os fiéis católicos de todo o mundo, por sua vez,  não podem deixar de sentir que este fato não lhes é estranho, porque não se trata de acontecimentos de um longínquo país, mas da vida e da missão da única Igreja da qual somos todos membros, qualquer que seja o lugar onde estivermos.

Daí surge o compromisso a não promover debates polêmicos, mas acompanhar este delicado momento para a Igreja principalmente com a oração, para que seja dado um novo impulso à obra de evangelização. A mensagem de Jesus não pode ser algo alheio ao horizonte humano e espiritual de um país de tão grandes dimensões.

Com este texto iniciamos uma série sobre esse tema.

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