Especiais › 13/07/2015

Dízimo, sinal de gratidão

Dízimo significa a “décima” parte dos rendimentos correspondentes de um ciclo de trabalho mensal.

Na história da salvação, o homem de fé, desde Abraão a Jesus Cristo nosso Senhor e Salvador e seus contemporâneos, até os nossos dias em nossas Dioceses e comunidades paroquiais, o Dízimo dos rendimentos mensais é devolvido a Deus como resposta coerente a  fidelidade de Deus que é bondoso, fiel e providente, fonte de todas as graças e bênçãos que cuida da pessoa humana como um pai com abundância de bens espirituais (dons, talentos e habilidades) e materiais (mundo, natureza e todo tipo de recursos para viver bem).

No Antigo Testamento são inúmeras as passagens da Escritura que ensinam e orientam o Dízimo. No Livro do Deuteronômio 12, 6.11; 14,26-32 o dízimo é a décima parte que a pessoa de fé devolve a Deus. O verbo é devolver, pois o dízimo é devolução; não é pagamento ou contribuição, por isso exige determinação. Em Êxodo 25, 1-9; Levítico 27, 28-32; Números 15,1-4 e Samuel 8, 15-17 o Dízimo nasce das primícias, quer dizer, aquilo que era separado dos primeiros e melhores frutos para ser oferecido a Deus, isto é, o primeiro, mais bonito e mais forte animal nascido de um rebanho ou os primeiros e mais viçosos frutos da colheita. Em Gênesis 14, 17-20 Abraão é um bom exemplo de dizimista fiel e grato a Deus por sua bondade. Em todas as citações os dizimistas fiéis são sempre muito bem sucedidos na fé, não são mais ricos que os outros, mas confiam totalmente na bondade e misericórdia de Deus fiel e justo. É fundamental entender que embora sejam variados os meios de devolução, a essência do Dízimo é crer e obedecer a Palavra de Deus.

Quando pensamos na devolução da décima parte de nossos rendimentos devemos ter em mente que tudo pertence a Deus, ele é o criador e dono de tudo (Gn 1,26-28; Sl 23, 1-10), somos apenas administradores do que recebemos dele. Devolvemos apenas a décima parte, pois em sua infinita bondade permite-nos, ainda, as outras nove partes de nossos rendimentos.

No Novo Testamento a referência para nossa atualidade é o retrato das primeiras comunidades cristãs (At 2, 42-47; 4, 32-37). No Atos dos Apóstolos a inspiração para a devolução daquilo que é de Deus é o próprio senhor Jesus no mistério de sua encarnação, paixão, morte e ressurreição. Não havia menção a dízimos, pois a partilha era da totalidade dos bens. Tudo era depositado aos pés dos apóstolos e estes dividiam tudo conforme a necessidade de cada um. Não havia necessitados entre os cristãos. Consciente desta experiência de vida totalmente nova Paulo ensina “que cada um dê segundo decisão de seu coração, sem tristeza nem coação, pois Deus ama que dá com alegria.” O apóstolo sabe que as novas comunidades são formadas por pessoas com coração convertido que anseiam pela verdadeira comunhão com o Cristo, o rompimento com o acúmulo de bens é condição para a pertença a comunidade cristã. Certamente Paulo atribui ao coração a autonomia para determinar a medida da partilha sabendo que a fonte de inspiração cristã, é o próprio Cristo na cruz.

No Novo testamento não há abolição do Dízimo, mas a vivência da plena gratidão a Deus, pelo maior de todos os dons, a ressurreição de Cristo com a partilha de todos os dons e bens.

Assim, Dízimo é uma experiência de fé, um sinal de que reconhecemos a soberania de Deus, de nossa gratidão e total confiança em sua providência.

Toda pessoa humana é dizimista, pois não há ninguém nesse mundo que não seja beneficiado pela bondade e providência de Deus. A verdade é que alguns devolvem o Dízimo enquanto outros não devolvem, por ignorância, egoísmo, ganância ou auto-suficiência.

O Dízimo é um direito do cristão. Primeiramente porque ele é meio eficaz para crescer na gratidão e confiança em Deus e também porque devolvendo a décima parte dos rendimentos o cristão cresce em condições físicas e espirituais para a partilha total dos bens sem a qual não há verdadeira pertença e participação na comunidade cristã (At 5, 1-11).

É urgente evangelizar e catequizar para despertar na pessoa cristã a consciência do Dízimo, meio eficaz para um bom relacionamento de dependência de Deus e de sustentação de nossas comunidades paroquiais na obra de evangelização e anúncio do Reino de Deus.

Pe. Rogério Corrêa
Coordenador Diocesano da Pastoral do Dízimo

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