Artigos, Pe. Bendito Mazeti › 29/03/2018

DOMINGO DA PÁSCOA NA RESSURREIÇÃO DO SENHOR ANO B – Missa matutina 01 de abril de 2018

Leituras

Atos 10,34a.37-43. Deus o ressuscitou no terceiro dia.

Salmo 117/118,1-2.16ab-17.22-23. A mão direita do Senhor fez maravilhas.

Colossenses 3,1-4. Esforçai-vos para alcançar as coisas do alto.

Sequência. Cantai, cristãos, afinal.

João 20,1-9. Viu os panos de linho estendidos.

 “TIRARAM O SENHOR DO TÚMULO, E NÃO SABEMOS ONDE O COLOCARAM”

 

 

1- PONTO DE PARTIDA

 

Domingo do túmulo vazio. Ainda estamos sentindo em nosso coração, o ressoar festivo do aleluia pascal que, ontem à noite, quebrou o silêncio que vivemos após a morte do Senhor.

 

Maria Madalena encontrou o túmulo vazio. O Mestre não estava lá. Podemos afirmar com toda a certeza, “ele está no meio de nós”.Esta é a grande alegria que recebemos neste domingo, a descoberta do túmulo vazio e, mais do que isto, o encontro de Jesus ressuscitado, a certeza de sua presença viva no meio de nós, domingo da Páscoa da ressurreição do Senhor.

 

É esta certeza que, com muita fé, celebramos hoje, inaugurando, assim, os cinqüenta dias do Tempo Pascal, que culminarão com a festa de Pentecostes, quando o Espírito do Ressuscitado será derramado sobre nós.

 

2- REFLEXÃO BÍBLICA, EXEGÉTICA E LITÚRGICA

 

Contemplando os textos

 

Primiera leitura – Atos 10,34a.37-43. Neste capítulo, Lucas narra como Pedro, após misteriosa visão (10,9ss), se dirige aos pagãos, Cornélio e sua família, admitindo-os na comunidade cristã pelo “batismo”, mas com reclamações da parte dos judeus-cristãos (Atos 11,1-3). A partir do versículo 34 nos é oferecido o primeiro discurso que Pedro faz perante um auditório não-judeu, “anunciando a salvação”. A cena empolga e a autoridade de Pedro de impõe.

 

É o resumo do discurso que Pedro faz diante de Cornélio de Cesaréia e de sua família para conduzi-los à conversão e ao Batismo.

 

Naquele tempo, não era comum um judeu ir à casa de um pagão (não-judeu). Pedro, tendo ido à casa de Cornélio, um oficial romano que se convertera, teve que explicar aos demais discípulos sua atitude. Ao fazer isso, ele anuncia o núcleo central da nossa fé cristã que acolhemos ouvindo a leitura.

 

Os discursos missionários dos Atos são diferentes daqueles discursos dirigidos aos judeus (Atos 2,14-36; 3,12-26; 4,9-12; 5,29-32; 10,34-43; 13,16-42) ou aos pagãos (Atos 14,15-17; 17,22-31; cf. 1Timóteo 1,9-10).

 

Na exortação se diz com realce que, diante de Deus, todos as pessoas são iguais (versículo 34s; cf. Gálatas 3,26ss). Jesus em várias ocasiões e de vários modos dissera que todos os povos fariam parte de seu Reino (Mateus 8,11; Marcos 16,15s; João 10,16; Atos 1,8).

 

Já no Primeiro Testamento, havia profecias que diziam a respeito da universalidade da salvação, segundo as quais judeus e pagãos formariam um só Povo sob o Messias (Isaias 2,2ss; 49,1-6; Joel 2,28; Amós 9,12; Miquéias 4,1). Os judeus conheciam estas profecias, mas porém, as interpretavam do seu modo, dizendo que os pagãos deveriam sujeitar-se à circuncisão, à Lei judaica. Para um judeu era, pois, certo que todo o não-circuncidado, embora simpatizante do judaísmo, como era ao caso de Cornélio (Atos 10,2.22), se considerasse impuro, indigno de sentar à mesma mesa.

 

A leitura diz que “Cristo” é o mesmo que “Ungido”, “Messias”. Não se trata de unção propriamente dita, como no caso dos sacerdotes, profetas e reis (Êxodo 28,41; Levítico 8,12; 1Samuel 10,1; 1Reis 19,16), mas de escolha divina para certa missão, acompanhada de graças especiais (2Samuel 12,7; Isaias 61,1; Salmo 44,8). Deus “ungiu” a Jesus quando o constituiu Messias. Esta “unção” em substância deu-se já na Encarnação, porém manifestou-se publicamente no batismo (João 1,31-34) e, mais ainda, na ressurreição (Atos 13,33).

 

Jesus de Nazaré é o verdadeiro benfeitor e único salvador, o Senhor de todos. Em seu primeiro discurso aos judeus, Pedro declarou que Jesus Cristo fora constituído “Senhor e Messias” (Atos 2,36). Agora (Atos 10,42) o proclama “juiz dos vivos e dos mortos”, expressão mais adequada para um ambiente pagão (Atos 17,31). A expressão vivos e mortos (cf. 2Timóteo 4,1; 1Pedro 4,5) passará para o símbolo o Creio que recitamos na celebração.

 

Uma questão importantíssima do discurso de Pedro é sobre a paixão e a ressurreição é a referência ao terceiro dia tão freqüente na catequese primitiva e ainda inscrita em nosso Creio. De fato é uma referência indireta a Oséias 1,2 (em que o termo “levantar” é, em grego, o mesmo significado de ressurreição).

 

Pedro quer dizer que a ressurreição dos mortos, prevista pelos profetas para preparar o povo dos últimos tempos, começou desde a ressurreição de Cristo.

 

Salmo responsorial 117/118,1-2.16ab-17.22-23(+24). É uma oração coletiva de ação de graças. Este salmo encerra o Hallel (cf. Salmo 113-117). Um invitatório (vv. 1-4) precede o hino de ação de graças posto nos lábios da comunidade personificada, vv. 19s-25s, recitadas por diversos grupos quando a procissão entrava no Templo de Jerusalém. A Igreja da graças ao Senhor que ressuscita Jesus e nos faça participar da sua Páscoa.

 

A “pedra angular” (ou “pedra cumeeira”; cf. Jeremias 51,26), que se pode tornar “pedra de tropeço”, é tema messiânico (Isaias 8,14; 28,16; Zacarias 3,9; 4,7; 8,6) e designará o Cristo (Mateus 21,42p; Atos 4,11; Romanos 9,33; 1Pedro 2,4s; cf. Efésios 2,20; 1Coríntios 3,11). Na tradição cristã, este versículo é aplicado ao dia da ressurreição de Cristo e utilizado na liturgia pascal.

 

À aclamação ritual do versículo 25 (em hebraico hoshi’ah na) Ah! Javé, dá-nos a salvação!”), que significa Hosana, que os sacerdotes respondiam com esta bênção que foi retomada pela multidão no dia de ramos. Ela entrou para o canto do Santo da Missa Romana(Hosana nas alturas).

 

O rosto de Deus no Salmo 117/118. A primeira coisa que chama a atenção é a freqüência com que aparecem o nome “Javé” (Senhor) e a expressão “em nome de Javé”. Sabemos que o nome de Deus no Primeiro Testamento é Javé, e esse nome está ,ligado à libertação do Egito. O nome dele recorda libertação, Aliança e posse da terra. Entende-se, portanto, por que o Salmo afirma que o amor dele é para sempre. Amor e fidelidade são as duas características fundamentais de Javé na Aliança com Israel. Aqui está o rosto de Deus: que ouve, alivia, anda junto do povo. A recordação da “direita” faz pensar na primeira “maravilha” de Deus, a libertação do Egito.

 

Jesus é a expressão máxima do amor de Deus. Com Jesus aprendemos que Deus é amor (1João 4,8), e Jesus foi capaz de mostrar esse amor para todos, dando a vida como conseqüência disso (João 13,1). A liturgia cristã leu este Salmo à luz da morte e ressurreição de Jesus. A Carta aos Efésios (1,3-14) nos ajuda a cantar a Deus, por causa de Jesus, um louvor universal.

 

No Salmo 117/118, somos convidados a dar graças ao Senhor que ressuscita Jesus e nos faz participar de sua Páscoa. A tradição cristã, aplica ao dia da ressurreição de Cristo e é utilizado na liturgia pascal.

 

R: ESTE É O DIA QUE O SENHOR FEZ PARAS NÓS:

ALEGREMO-NOS E NELE EXULTEMOS!

 

Segunda leitura – Colossenses 3,1-4. Paulo faz uma exposição sobre a liberdade cristã em confronto com as práticas alienantes do paganismo e da heresia (Colosseses 2,16; 3,4) mostrando que o cristão que morreu com Cristo está fora do alcance das práticas humanas de salvação (versículo 3). Paulo mostra como a vida com Cristo (versículos 1-2) leva a um comportamento novo do cristão no mundo.

 

Se a vida do cristão vier de baixo, isto é, do mundo, ela se embaraça nas mil e uma prescrições da “religião”, seja ela a religião judaica ou religião pagã, e também do materialismo. Mas se a vida do cristão vier do alto, isto é, do mundo em que Cristo vive presente, essa vida, é “dada” ao cristão, como por uma ressurreição, e ele não tem mais que se preocupar em fazê-la viver por meio de técnicas terrestres de salvação, pois ela não cessa de ser dada “do alto”.

 

São Paulo quer dizer que esta ruptura com a vida terrestre já é realizada pelo cristão, porque ele está morto para o mundo, como Cristo, por seu batismo.

 

A experiência da fé consiste, então, em descobrir que não vivemos mais por nós mesmos, mas que Cristo, é nossa vida em plenitude. Dizer sim a Cristo é viver das “coisas do alto”, isto é, de uma vida que é de fato a nossa, mas que é vivida a todo momento da nossa existência como recebida do próprio Cristo Ressuscitado. É viver como Ressuscitado, isto é, na experiência de uma vida que nos é a todo momento dada do alto. Querer ser completamente autônomo seria apoiar-se nas coisas “de baixo” e seria aceitar a morte.

 

A linha de pensamento que passa ao longo da unidade literária de Colossenses 2,8-3,4 começa, pois na condição pré-batismal, passa pelo evento batismal e atinge a eternidade. Apesar de ainda estarem na terra os cristãos já não pertencem mais ao mundo, mas já estão unidos com o Cristo glorificado que está sentado à direita de Deus. Por Ele e com Ele pertencem ao mundo celestial, porque é a vida do Cristo ressuscitado que os anima para dar foca na caminhada.

 

Seqüência da Páscoa. A seqüência pascal é um hino ao Cristo, Cordeiro Pascal, que enfrentou a morte e a venceu. Vejam: Cantai, cristãos, afinal… ou: Ó cristãos, vinde ofertai… Ofício Divino das comunidades.

 

Evangelho – João 20,1-9. O Evangelho de João terminou originalmente com a conclusão de 20,30-31. O capítulo 21 foi acrescentado posteriormente junto com uma nova conclusão (21,24-25). Não se exclui que as tradições contidas em João 21 tenham pertencido à mesma “escola” de pregadores ou ao mesmo grupo de comunidades cristãs que forneceram ao evangelista João as demais tradições aproveitadas no quarto Evangelho. Mesmo assim, João 20 há de ser entendido e explicado, primeiro, independentemente do conteúdo do capítulo 21.

 

No capítulo 20 o evangelista aproveitou de tradições que já existiam. Mas ele as remanejou de tal maneira que o novo conjunto literário formasse a cobertura transluzente de todo o resto do Evangelho. Neste capítulo 20 o evangelista quis sugerir o que seja a fé pascal, quais são os seus componentes principais, como se chegar a ela e quem são seus protagonistas.

 

A ida de Maria Madalena ao túmulo é imagem plena da fidelidade. Sozinha, ela jamais conseguiria retirar a pedra. Mesmo sabendo disso, foi até lá e encontrou a pedra já retirada da entrada do túmulo onde haviam colocado Jesus. Sua fidelidade garantiu-lhe a graça de ver o túmulo vazio. Mesmo assim, ela custou a entender o que havia acontecido. Seu primeiro pensamento foi de que alguém havia retirado dali o corpo de Jesus, por isso foi em busca de auxílio. São, então, os dois discípulos que constatam as faixas e os panos no chão. Esses foram os sinais para que todos compreendessem a Escritura que anunciava que Jesus iria ressuscitar dos mortos. Ela vai ao encontro de Jesus no primeiro dia da semana, de madrugada, quando ainda estava escuro. Somente os olhos do (a) verdadeiro (a) discípulos (as) sabem ver e decifrar o significado do túmulo vazio e dos tecidos deixados no chão.

 

A cena do sepulcro vazio serve de ligação entre a Narração da Paixão e Morte e a Narração da Ressurreição. O Evangelista não podia terminar o seu Evangelho sem destacar mais uma vez, e agora no contexto da ressurreição, o papel especial que competia a dois dos “Doze Apóstolos”, a saber, a Pedro e ao “outro discípulo que Jesus amava” (ambos mencionados quatro vezes), seja durante a vida terrestre de Jesus (cf. 13,6-9.22-25; 19, 26.35; etc.), seja na Igreja pós-pascal.

 

O túmulo está vazio, mas as faixas que envolvem o corpo de Cristo se encontram no chão (versículos 5-8), o que exclui a hipótese de roubo. Por isso, os apóstolos “começam a crer” (versículo 8: “ele acreditou”): o corpo não pode ser transportado para um outro túmulo; Jesus teria ressuscitado? A resposta a essa pergunta se acha na Escritura principalmente em Oséias 6,2; salmo 15/16,10, cuja chave os apóstolos ainda não possuem nesse momento (versículo 9).

 

A narração mostra, pois, o itinerário dos apóstolos até a fé na ressurreição. Pensam primeiramente num roubo, depois, averiguando que sua hipótese não explica o acontecimento (a presença das faixas), eles “começam a crer”. Mas o caminho só poderá ser percorrido completamente com o auxílio das Escrituras. Em outras palavras, não se espera dos apóstolos apenas o relato de um acontecimento, mas o testemunho de uma fé que necessariamente deve apoiar-se nas Escrituras. Não se pode esquecer que Ele cumpriu as escrituras (versículo 9) que sua ressurreição constitui a causa essencial da fé cristã.

 

Não é a vocação de Pedro ir muito depressa (versículo 4). Ele deixa que discípulos mais ardorosos tomem a iniciativa. Acontece, no entanto, que cabe a Pedro e a seus sucessores tomar a responsabilidade de entrar primeiro no túmulo, e constatar o caráter caduco de tudo o que está submetido à morte.

 

É necessária a prova do túmulo vazio para que nasça a fé. É preciso que Pedro perca sua segurança artificial para ter a ousadia de entrar, ele também, no vazio. É preciso que toda a Igreja tenha a coragem de entrar no “túmulo de Deus” que constitui o mundo moderno. A fé está no extremo do vazio.

 

Os dois discípulos corriam juntos, mas um correu mais do que o outro, chegou primeiro e acreditou. Este era, exatamente, o “discípulo amado”, representando todo aquele que coloca o amor à frente, como prioridade, e pelo amor reconhece primeiro a quem ama. Crê pelo amor, antes da razão, antes de ver, e, crendo, vê pelos olhos da fé que antecipam a verdade, dispensam as comprovações.

 

Eles ultrapassaram a escuridão, o grande vazio, o grande tempo da desesperança, pior que a dor de acompanhar a Paixão e Morte do Mestre. Sair deste tempo é, pois, o momento supremo, o grande dia de suas vidas, o grande dia da vida de todos os que professam a fé em Jesus Cristo, “o grande dia que o Senhor fez para nós!”. Por isso,, no Salmo responsorial 117/118 de ação de graças, que o (a) salmista entoa por todos os cristãos, elevemos nosso louvor a Deus, que ressuscitou Jesus dos mortos.

 

Nas missas da noite, (vespertina) proclama-se o Lucas 24,13-35, discípulos de Emaús.

 

3- DA PALAVRA CELEBRADA AO COTIDIANO DA VIDA

 

O trecho do evangelho de hoje proclamado na liturgia pode ser chamado de o “Evangelho da corrida”. Começa indicando o tempo, primeiro dia da semana: nova criação nascida da morte e ressurreição de Jesus Cristo! Maria Madalena incapaz de aceitar a morte de Jesus, vai em busca do amado, do amigo, do mestre. É madrugada, mas ainda há trevas, isto é, ela está mergulhada nas trevas da Sexta-Feira Santa. O sol é uma esperança e certeza na madrugada. Mas as trevas da dor, da saudade, da ausência ainda persistem. Indo ao túmulo, Maria Madalena sintetiza as buscas da comunidade cristã, ansiosa de vida e amor. Maria ao sinal da pedra retirada, corre para anunciar que Jesus não estava no túmulo. Pedro e o discípulo que Jesus amava correm após o chamado de madalena.

 

Corridas de buscas e anúncios. É o processo da vida: “terminar a carreira guardar a fé”. Não se trata de competição, mas acúmulo de desejos. Quem ama, corre mais para encontrar a pessoa amada. Pedro entra no túmulo e vê, apenas, faixas de linho e o véu que cobria o rosto de Jesus. São dois símbolos importantes e belíssimos. As faixas de linho serviam para enrolar o morto. Era, mais ou menos, a veste mortuária, que indicava o desaparecimento da vida. Essas faixas estavam jogadas no chão, indicando que foram abandonadas. O mesmo pode ser constatado com o véu que cobria o rosto de Jesus. Este, em vez de jogado no chão, estava dobrado. O véu era colocado nos mortos e significava a impossibilidade de o morto ser vivo entre os vivos. Servia para esconder o rosto, que não mais poderia ver, nem poderia ser visto. As vestes da morte não vestiam mais Jesus. A prova era clara: panos no chão e véu mortuário dobrado eram inúteis para Jesus. Esses foram os primeiros símbolos da ressurreição de Jesus.

 

O discípulo amado chega primeiro, vê as faixas de linho, não entra; aguarda Pedro, vê e acredita. O texto não diz que Pedro tenha acreditado; o discípulo amado, sim, acreditou! Esta é uma diferença certamente determinada pelo amor, pela ligação afetiva com Jesus. O amor é fundamental para reconhecer o Ressuscitado em túmulos vazios, em pedras retiradas…

 

O túmulo não é lugar da morte; mais parece um quarto arrumado, lugar do encontro como Senhor com sua esposa, a comunidade. O túmulo é também lugar de reconciliação entre Pedro e Jesus. Ele o negara três vezes, e não teve oportunidade de se aproximar do mestre antes de morrer. O discípulo amado fez questão de não entrar para dar oportunidade a Pedro para uma reconciliação.

 

É muito significativo que a primeira testemunha da ressurreição seja uma mulher, Maria Madalena, discípula e amiga de Jesus, então missionária e apóstola. Nisto os evangelistas estão de pleno acordo: as primeiras testemunhas da ressurreição de Jesus foram mulheres de seu grupo que levaram a alegre notícia aos apóstolos. É ressurreição, é Páscoa quando curamos o nosso machismo para compreendermos, enfim, que na Igreja de Jesus Cristo todas as pessoas, homens e mulheres, somos iguais. Aqui Maria Madalena está no jardim como a nova Eva que procura o Esposo. No jardim do Éden a antiga Eva não contribuiu com a vida, para o encontro. Maria madalena a nova Eva vai ao encontro da vida e anuncia a nova criação

 

Só a ressurreição de Jesus pode dar sentido à nossa vida. Sem ela, vã é a nossa fé. Com a fé na ressurreição tudo ganha sentido: o compromisso por um mundo mais justo e humano e o serviço aos pobres, aos necessitados, aos crucificados e sepultados de hoje. É lá no túmulo que quem ama vê e acredita na ressurreição de Jesus e na ressurreição de todos os que são condenados à morte pelo jeito injusto que a sociedade está organizada. Para quem tem fé, o túmulo está vazio de um corpo morto, mas pleno de sinais de vida; é sementeira de ressurreição. Só encontramos o Ressuscitado se tivermos coragem de correr ao “túmulo” e de lá voltarmos, correndo como Maria Madalena, para anunciar a vida, a nova criação, o novo céu e a nova terra.

 

Pedro nos dá o testemunho vivo da ressurreição que celebramos hoje, dizendo que comeram e beberam com Jesus, depois que ele ressuscitou dos mortos. Comer e beber é próprio de quem está vivo, isto nos dá clareza de que Jesus não era apenas “espírito de luz” quando apareceu aos discípulos, após sua morte e ressurreição.

 

Paulo, escrevendo da prisão para os colossenses, recomenda a todos um grande esforço para “alcançarmos as coisas do alto” (Colossesnses 3,1), a salvação de que Jesus nos trouxe, correspondendo, com nossas atitudes e nossa vida, ao seguimento do Senhor. Alcançar a salvação tem relação direta com a nossa fé.

 

Abrindo-nos ao plano de Deus, ressuscitamos também nós a cada dia, e sentimos, verdadeiramente, a presença de Jesus ressuscitado em nossas vidas. Alimentando-nos no pão da sua Palavra e da Eucaristia, servindo a mesa do irmão, sentimo-Lo ressuscitado, vivo, no meio de nós

 

Como seus discípulos e discípulas, também nós, a quem foi anunciada esta grande alegria, somos convidados a transmiti-la continuando a missão dos apóstolos.

 

4- A PALAVRA SE FAZ CELEBRAÇÃO

 

Celebrar a Páscoa na sinceridade

 

O versículo da aclamação ao Santo Evangelho sugere que celebremos a Páscoa na sinceridade e na verdade. Isto é, em nossa vida deve se operar uma transformação, uma mudança. A esta conversão do coração, leia-se do discernimento a respeito dos caminhos a seguir na vida, a Quaresma se encarregou de nos propiciar o tempo possível para a esta mudança de vida. Agora, no Tempo da Páscoa, partindo da consciência de nossa condição mortal e de nos sentirmos muitas vezes distantes e abandonados por Deus (Quaresma) damos o salto qualitativo de nos congraçarmos por sua presença fiel e ativa.

 

Na eucologia deste Domingo, a Páscoa de Cristo aparece unida a nossa páscoa. A oração depois da comunhão nos traz um bom exemplo disso: “Guardai, ó Deus, a vossa Igreja sob a vossa constante proteção para que, renovados pelos sacramentos pascais, cheguemos à luz da ressurreição”. Um escrito antigo atribuído a Nicodemos, traz uma interessante passagem sobre a ressurreição de Cristo, que nos pode ser proveitosa: “E porque vos admirais que Jesus tenha ressuscitado? O admirável não é isto. O admirável que Ele devolveu a vida a um grande numero”. Interessante notar que no Evangelho de Mateus aparece uma afirmação semelhante, vinculada à morte de Cristo na cruz: “os sepulcros se abriram e muitos cadáveres de santos ressuscitaram. E, quando ele ressuscitou, saíram dos sepulcros e apareceram a muitos na cidade santa” (Mateus 27,52-53).

 

A Liturgia é sacramento pascal

 

A Liturgia, como sacramento pascal, faz-nos participantes da morte-ressurreição de Cristo. E como tal, faz-nos aparecer diante do mundo como homens e mulheres que saíram do túmulo, passaram pela morte e mediante a ela, ressuscitaram. Esta experiência se dá no seio da Igreja que ora, escutando a Palavra de Deus – o ambão é tido como a pedra do sepulcro de onde se anuncia a Ressurreição (monumentum paschale) e em muitos lugares ele é esculpido ou ornado com imagens do Cristo ressuscitado.

A partir da escuta da Palavra e depois, do pão e do vinho eucaristizados (ou seja, sobre os quais foi feita a ação de graças), nossos olhos se abrem e nossos sentidos movidos pela fé enxergam para além da morte a vida; para além da ausência, a presença. E como dirá Santo Agostinho sobre o Corpo e Sangue de Cristo: “Por conseguinte […] a misteriosa realidade do que sois está posta sobre a mesa do altar”. Isso porque: Cristo Ressuscitou e nós com ele.

 

5- LIGANDO A PALAVRA COM A AÇÃO EUCARÍSTICA

 

Na celebração da Eucaristia, fazemos memória da Páscoa do Senhor. Nesta celebração pascal se constrói e se manifesta a Igreja, pois a Eucaristia é o centro no qual se congrega a comunidade eclesial. Nela, nós nos encontramos com o Cristo vivo, ressuscitado. Ele entregou sua vida por nós pela morte e ressurreição e continua entregando sua vida em alimento no pão e no vinho, que são partilhados entre todos.

 

A nossa fé cristã afirma que a Igreja, o povo convocado, faz a eucaristia, e que a Eucaristia faz a Igreja. Cada vez que celebramos a Eucaristia a Igreja está se reconstituindo, se reconstruindo. Volta a encontrar seu centro, que é dar a vida. Dispõe-se a entregar para os outros e assim se reconstitui como povo que tem uma missão no meio dos pobres. É a decisão renovada de dar a vida nas lutas humanas e nos projetos humanos que transforma este mundo. É povo que se transforma em presença real de Cristo, que se entregou por amor. É a conseqüência do “amém” proclamado ao comungar.

 

É impossível celebrar autenticamente a Eucaristia sem adquirir consciência de ser povo enviado e povo que se renova para cumprir melhor a missão que Deus nos mostra na história.

 

Cada vez que nos reunimos para celebrar, renovamos a Aliança selada pelo sangue de Jesus, o templo vivo do Pai. A comunidade reunida no amor de Cristo continua, com a presença do Ressuscitado e do seu Espírito, a tarefa de levar adiante a Aliança da salvação até que Deus seja tudo em todos.

 

Como Maria Madalena e os discípulos, na oração eucarística, anunciamos sua morte e ressurreição: “Anunciamos, Senhor a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!”

 

  1. ORIENTAÇÕES GERAIS

 

  1. Os cinqüenta dias que vão desde o Domingo de Páscoa na Ressurreição do Senhor até o Domingo de Pentecostes devem ser celebrados com verdadeira alegria como se fosse um grande domingo. Esses cinqüenta dias é como se fosse um só dia de festa, “símbolo da felicidade eterna” (Santo Atanásio). Os domingos pascais se caracterizam pela “ausência de elementos penitenciais” e pela acentuação de elementos festivos. A alegria deve ser a característica do Tempo Pascal. A alegria deve estar presente nas pessoas da comunidade e também no espaço litúrgico, na cor branca (ou amarela), nas flores, no canto alegre do “Aleluia”, na alegria de sermos aspergidos pela água batismal, no gesto da acolhida e da paz. O Tempo Pascal constitui-se em “um grande domingo”. Vivenciamos dias de Páscoa e não após a Páscoa.

 

  1. “Os oito primeiros dias do Tempo Pascal forma a Oitava da Páscoa e são celebrados como “solenidades do Senhor”. A festa da Ascensão do Senhor é celebrada no sétimo domingo da Páscoa. A festa da Ascensão do Senhor deveria ser celebrada normalmente numa quinta-feira (quarenta dias depois da Páscoa). No entanto, no Brasil ela é transferida para o domingo seguinte, ocupando assim o sétimo domingo da Pascoa. A semana seguinte, até Pentecostes, caracteriza-se pela preparação para a vinda do Espírito Santo.

 

  1. A Oitava da Páscoa tem missa própria, o canto do glória, com textos bíblicos que nos levam a viver o mistério da presença do Cristo ressuscitado em nossa vida, a partir dos relatos da experiência das primeiras comunidades cristãs. As leituras litúrgicas da Oitava da Páscoa apresentam uma grande unidade. Os evangelhos relatam as primeiras aparições do Cristo Ressuscitado e as leituras relatam as primeiras pregações dos apóstolos.

 

  1. A catequese primitiva tem sua fonte nas instruções do Ressuscitado a seus apóstolos em dois níveis: o fato e a teologia. As cinco primeiras leituras desta semana fornecem um resumo clássico geral dessa catequese na qual se inspira a oração retomada na sexta leitura.

 

  1. Esta catequese se baseia nos acontecimentos da morte e da ressurreição, a apresenta-os num contexto de entronização do Senhor sobre o tempo e sobre o universo, de libertação da humanidade do pecado, de apelo ao reino e de conversão do coração.

 

  1. Na Igreja primitiva a Oitava da Páscoa era também chamada de “Semana Branca” porque os catecúmenos ficavam de roupas brancas durante esta semana.

 

  1. O Círio Pascal deve estar sempre presente, junto à Mesa da Palavra em todas as celebrações do Tempo Pascal. É importante que o Círio seja aceso no início da celebração, após o canto de abertura, enquanto a assembléia entoa um refrão pascal. Ele é o sinal do Cristo ressuscitado, Senhor de nossas vidas.

 

  1. Dar destaque durante o Tempo Pascal para a água batismal. Onde há pia batismal, ela deve ser o ponto de referência para a realização de ritos como aspersão, renovação de promessas, compromissos. Onde não há pia batismal, preparar alguma vasilha de cerâmica, de preferência junto do Círio Pascal.

 

  1. Vivamos intensamente este tempo de festa, celebrando a vida nova que Cristo nos deu, vencendo a morte. É importante que o espaço celebrativo da Vigília Pascal continue o mesmo para a celebração do Domingo de Páscoa.

 

  1. O Tempo Pascal é, muito indicado, liturgicamente, para as celebrações da Crisma e das primeiras comunhões, numa continuidade com a noite batismal da Páscoa.

 

7- MÚSICA RITUAL

 

  1. O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos “cantar a liturgia” e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com o Tempo Pascal e com cada domingo, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são do Tempo Pascal, é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado. O canto de abertura deve nos introduzir no mistério celebrado.

 

  1. Canto de abertura. Cristo ressuscitou verdadeiramente (Apocalipse 1,6). “O Senhor ressurgiu, aleluia, aleluia!”, CD: Liturgia X, melodia da faixa 1.

 

  1. Refrão para o acendimento do Círio Pascal. “Cristo-Luz, ó Luz bendita,/ Vinde nos iluminar!/ Luz do mundo, Luz da Vida,/ Ensinai-nos a amar!”, CD: Festas Litúrgicas I, melodia da faixa 9.

 

  1. Canto para acompanhar a aspersão com a água. “Banhados em Cristo”, CD: Tríduo Pascal II, melodia da faixa 11 ou Hinário Litúrgico II da CNBB, página 196. Outra ótima opção é o canto “eu vi foi água”, CD: Tríduo Pascal II, melodia da faixa 12 ou Hinário Litúrgico II da CNBB, página 225.

 

  1. Hino de louvor. “Glória a Deus nas alturas.” Vejam o CD Tríduo Pascal I e II e também no CD Festas Litúrgicas I; Partes fixas do Ordinário da Missa do Hinário Litúrgico III da CNBB e também a versão da CNBB musicado por Irmã Miria Reginaldo Veloso e outros compositores.

 

O Hino de Louvor, na versão original e mais antiga, é um hino cristológico, isto é, voltado para Cristo, que exprime o significado do amor do Pai agindo no Filho. O louvor, o bendito, a glória e a adoração ao Pai (primeira parte do Hino de Louvor) se desdobram no trabalho do Filho Único: tirar o pecado do mundo, exprimindo e imprimindo na história humana a compaixão do Pai. Lembremo-nos: o Hino de Louvor não se confunde com a “doxologia menor” (Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo). O Hino de Louvor encontra-se no Missal Romano em prosa ou nas publicações da CNBB versificado numa versão que facilita o canto da assembléia.

 

  1. Salmo responsorial 117/118. “Eis o dia que o Senhor fez!”. A pedra angular. “Este é o dia que o Senhor fez para nós: alegremo-nos e nele exultemos”; CD: Liturgia X, melodia da faixa 2.

 

  1. Seqüência Pascal: “Victimae Paschali Laudes”. A seqüência pascal é um hino ao Cristo, Cordeiro Pascal, que enfrentou a morte e a venceu. “Cantai, cristãos, afinal”; CD: Liturgia X, melodia da faixa 4; “Ó cristãos, vinde ofertai” Ofício Divino das Comunidades, página 336.

 

  1. Aclamação ao Evangelho. Cristo nossa Páscoa foi imolado (1Coríntios 5,7b-8a). “Aleluia, O nosso Cordeiro pascal foi imolado”, CD: Liturgia X, melodia da faixa 3. O canto de aclamação ao evangelho acompanha os versos que estão no Lecionário Dominical ou a versão que está no CD.

 

  1. Apresentação dos dons. O canto de apresentação das oferendas, conforme orientamos em outras ocasiões, não necessita versar sobre pão e vinho. Seu tema é o mistério que se celebra acontecendo na fraternidade da Igreja reunida em oração, no Tempo Pascal. “Bendito sejas, ó rei da glória!”, CD: Liturgia X, melodia da faixa 6.

 

  1. Canto de comunhão. Cristo nossa Páscoa, a festa do pão novo. (1Coríntios 5,7-8). “Celebremos nossa Páscoa na pureza, na verdade: aleluia, aleluia”, CD: Liturgia X, melodia da faixa 7. Nas missas da noite, quando se lê o Evangelho de Lucas 24,13-35, discípulos de Emaús, canta-se como canto de comunhão: “Andavam pensando tão tristes”, CD Liturgia X, faixa 9.

 

O canto de comunhão deve retomar o sentido do Evangelho do domingo de Páscoa. Esta é a sua função ministerial. Na realidade, aquilo que se proclama no Evangelho nos é dado na Eucaristia, ou seja: é o Evangelho que nos dá o “tom” com o qual o Cristo se dirige a nós em cada celebração eucarística reforçando estes conteúdos bíblico-litúrgicos, garantindo ainda mais a unidade entre a mesa da Palavra e a mesa da Eucaristia. Isto significa que comungar o corpo e sangue de Cristo é compromisso com o Evangelho proclamado. Portanto, o mesmo Senhor que nos falou no Evangelho, nós o comungamos no pão e no vinho. É de se lamentar que muitas vezes são escolhidos cantos individualistas de acordo com a espiritualidade de certos movimentos, descaracterizando a missionariedade da liturgia. Toda liturgia é uma celebração da Igreja e não existem ritos para cada movimento e nem para cada pastoral. Cantos de adoração ao Santíssimo, cantos de cunho individualista ou cantos temáticos não expressam a densidade desse momento. Tipos de cantos que devem ser evitados numa celebração eclesial: “Eu amo você meu Jesus”; “Ti olhar, ti tocar”; “Fica comigo Jesus”, etc.

 

8- O ESPAÇO CELEBRATIVO

 

  1. Preparar de forma festiva o ambiente, dando destaque ao Círio Pascal e à pia batismal, com flores e a cor branca ou amarelada nas vestes e toalhas. Ornamentar com flores, mas em exageros, para não transformar o espaço celebrativo numa floresta, para não roubar a cena do altar e do ambão.

 

  1. A Tradição Romana usa a cor branca neste tempo. Talvez, de acordo com a nossa cultura, podemos caprichar, usando cores mais festivas de acordo com a cultura da comunidade. Sabemos da importância do branco. O dourado vai manifestar a realeza e a vitória do Ressuscitado.

 

  1. É muito oportuno colocar, próximo ao Círio Pascal, as faixas jogadas ao chão e o véu dobrado.

 

  1. O Tempo Pascal não é nada mais, nada menos do que a própria celebração da Páscoa prolongada durante sete semanas de júbilo e de alegria. É o tempo da alegria, que culmina na festa de Pentecostes. Tudo isso deve ficar evidente o espaço celebrativo.
  2. A respeito do uso do data-show nas celebrações, a CNBB orienta que deve ser colocado somente os cantos, produções de imagens para a homilia e avisos. Não se deve colocar as leituras bíblicas e nem a Oração Eucarística para que não seja ofuscado as duas peças principais do espaço celebrativo que é o altar da ceia e a mesa da Palavra ou ambão.

 

  1. O simbolismo da cruz traz presente o anúncio da paixão e ressurreição do Senhor. A cruz processional, a mesma que será usada na procissão de abertura, esteja na entrada da Igreja, por onde todos passam. É uma forma de trazer presente o mistério que será celerado. Ela pode ficar aí até o início da celebração, ladeada de velas e flores, de forma que chame a atenção de todos os que vão chegando para a celebração.

 

9- AÇÃO RITUAL

 

A celebração da Páscoa continua por cinqüenta dias e o domingo assinala esse novo tempo inaugurado com a Ressurreição de Jesus. Transformados pela sua Ressurreição, devemos, também nós, viver na alegria dos ressuscitados e ajudar a transformar o mundo em um lugar de vida e de realização para todos e para a criação.

 

Ritos Iniciais

 

  1. Na procissão de entrada entrar com as pessoas que foram batizadas ou pessoas que receberam um dos sacramentos na Vigília Pascal, ou crianças com vestes brancas, trazendo flores.

 

  1. Dar particular destaque à acolhida do Círio Pascal. Por exemplo, após o canto de abertura, fazer um pequeno lucernário, solenizando o acendimento do Círio Pascal: uma pessoa acende o Círio e diz: “Bendita sejas, Deus da Vida, pela ressurreição de Jesus Cristo e por essa luz radiante!”. Ou outros refrões que revela o sentido pascal: “Salve, luz eterna és tu, Jesus!/ Teu clarão é a fé que nos conduz! (Hinário II, pág. 292). “Cristo-Luz, ó Luz bendita,/ Vinde nos iluminar!/ Luz do mundo, Luz da Vida,/ Ensinai-nos a amar! A seguir, incensa o Círio pascal e a comunidade reunida.

 

  1. Se a comunidade tiver dificuldade para fazer este pequeno lucernário, a procissão de entrada pode ter à frente o Círio Pascal aceso. Neste caso, não se us a cruz processional, que permanece em seu lugar de costume.

 

  1. Na acolhida, pode-se retomar o costume das Igrejas Orientais de saudarem-se com as seguintes palavras: “O Senhor ressuscitou, verdadeiramente ressuscitou!”, ou “Irmãos e irmãs, Jesus ressuscitou e está vivo em nosso meio.

 

  1. Substituir o ato penitencial pelo rito de aspersão com a água (se possível perfumada) que foi abençoada na Vigília Pascal. Ajudar a comunidade a aprofundar sua consagração batismal. Não havendo água abençoada na Vigília Pascal, o ministro reza o oração de bênção conforme o Tempo Pascal que está no Missal Romano página 1002. No ato da aspersão, a assembléia canta: “Banhados em Cristo, somos u’a nova criatura./ As coisas antigas já se passaram,/ Somos nascidos de novo./ Aleluia, aleluia, aleluia!:/

 

  1. A Oração do Dia nos traz a certeza que abertas as portas da eternidade pelo Filho, vivamos na luz da vida nova.

 

Rito da Palavra

 

  1. Neste Domingo, dois elementos diferenciam a celebração dos demais domingos: o canto da seqüência pascal (ver CD Tríduo Pascal II) e a possibilidade de se proclamar dois evangelhos, um na celebração da manhã, e outro na celebração da tarde. Para os evangelhos vale a regra litúrgica de obedecer a verdade da hora. Assim, de manhã se proclama o Evangelho do encontro de Jesus com Maria Madalena que ao amanhecer foi ao sepulcro (João 20,1-9) e de noite se proclama o Evangelho do encontro de Jesus com os discípulos de Emaús, que encontram o Senhor no caminho, ao cair da tarde (Lucas 24,13-35).

 

  1. Não omitir o canto da “Seqüência Pascal”, expressando o diálogo entre a comunidade e Maria Madalena. Pode-se também cantar a seqüência alternando com homens e mulheres fazendo o diálogo com Maria Madalena. Onde for possível encenar o canto fazendo esse diálogo.

 

  1. Dar destaque à proclamação do Evangelho, que pode ser cantado. Onde for possível, usar aromas ou incenso, retomando o gesto afetuoso das mulheres que foram ao túmulo para ungir o corpo do Senhor.

 

Rito da Eucaristia

 

  1. A Oração sobre as Oferendas, nos coloca diante do Sacramento no qual a Igreja se renova e se alimenta.

 

  1. Seria oportuno o Prefácio I em que contemplamos a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte. Onde for possível, cantar o Prefácio e, nas celebrações da Palavra, cantar a Louvação Pascal do Hinário II da CNBB, página 156.

 

  1. A Oração Eucarística com prefácio próprio. Não é demais recordar que somente a oração 1,2, e 3 admitem outro prefácio. As demais não poderão ser rezadas nesse tempo.

 

  1. De acordo com as orientações em vigor, a comunhão pode ser sob as duas espécies para toda a comunidade.

 

Ritos Finais

 

  1. Na Oração após a Comunhão, suplicamos a Deus que guarde a Igreja e que passemos dos sacramentos pascais à Ressurreição.

 

  1. As palavras do envio podem estar em consonância com o mistério celebrado: O Senhor ressuscitou verdadeiramente, aleluia, aleluia. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.

 

  1. Dar a bênção final própria para o Tempo Pascal, conforme o Missal Romano, página 523. No final o povo responde com os dois “Aleluias”, no envio dos fiéis.

10- CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

“O primeiro dia da semana” (Mateus 28,1), é o Dia da Ressurreição, como símbolo do novo tempo, de uma nova era, o DIA DO SENHOR por excelência, o dia santo, a Páscoa. Após o Tempo Pascal, o Santo Domingo é a Páscoa semanal dos cristãos. Não mais o sábado judaico, memorial do “repouso” de Deus após a criação, mas o Domingo cristão, memorial da “ação restauradora” de Deus em Cristo, que morreu e ressuscitou, tornando-se Espírito vivificante: “Este é o Dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos!” (Salmo 117/118,24)

Celebremos nossa Páscoa, na pureza e na verdade, aleluia, aleluia.

O objetivo da Igreja e da nossa equipe diocesana de liturgia é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas aquelas outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.

 

Um abraço fraterno a todos

Pe. Benedito Mazeti

 

Pe. Benedito Mazeti

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