Artigos, Pe. Bendito Mazeti › 18/04/2019

DOMINGO DA PÁSCOA NA RESSURREIÇÃO DO SENHOR, ANO C – Missa Vespertina

21 de abril de 2019

“FICA CONOSCO, POIS JÁ É TARDE E A NOITE VEM CHEGANDO”

 

 

 

Leituras

         Atos 10,34a.37-43. Deus o ressuscitou no terceiro dia.

         Salmo 117/118,1-2.16ab-17.22-23. A mão direita do Senhor fez maravilhas.

         Colossenses 3,1-4. Esforçai-vos para alcançar as coisas do alto.

         Sequência. Cantai, cristãos, afinal.

         Lucas 24,13-35. Realmente o Senhor ressuscitou a apareceu a Simão.

 

1- PONTO DE PARTIDA

Domingo do túmulo vazio. Ainda estamos sentindo em nosso coração, o ressoar festivo do aleluia pascal que, ontem à noite, quebrou o silêncio que vivemos após a morte do Senhor.

Maria Madalena encontrou o túmulo vazio. O Mestre não estava lá. Podemos afirmar com toda a certeza, “ele está no meio de nós”.Esta é a grande alegria que recebemos neste domingo, a descoberta do túmulo vazio e, mais do que isto, o encontro de Jesus ressuscitado, a certeza de sua presença viva no meio de nós, domingo da Páscoa da ressurreição do Senhor.

É esta certeza que, com muita fé, celebramos hoje, inaugurando, assim, os cinqüenta dias do Tempo Pascal, que culminarão com a festa de Pentecostes, quando o Espírito do Ressuscitado será derramado sobre nós.

2- REFLEXÃO BÍBLICA, EXEGÉTICA E LITÚRGICA

Contemplando os textos

 

Evangelho – Lucas 24,13-35. Lucas apresenta a aparição de Cristo aos discípulos de Emaús como a segunda do Dia de Páscoa. Com efeito, ele descreve as aparições do Ressuscitado como manifestações sucessivas aos três principais grupos de discípulos de Cristo: às mulheres (Lucas 24,1-12), aos discípulos e, finalmente, aos Doze (Lucas 24,36-39).

Lucas quer mostrar que a presença permanente de Cristo Ressuscitado pode verificar-se na Palavra e na catequese, na fração do pão e na profissão de fé, elementos fundamentais da assembléia litúrgica. Mas o rito pelo qual Cristo se faz reconhecer é o da fração do pão (versículo 30), refeição fraternal das primeiras comunidades (Atos 2,42.46; 20,7,11).

Depois da descoberta do túmulo vazio, Jesus vai ao encontro de dois discípulos para lhes mostrar vivo. Junta-se a eles enquanto, perdidos e desiludidos, se afastam da Cidade Santa. O caso singular e decisivo da narração é que o Ressuscitado, aqui, como em outros textos evangélicos, não é reconhecido imediatamente, mas só depois de um certo trabalho interior da parte dos dois discípulos e de alguns gestos feitos pelo peregrino Ressuscitado: a interpretação das Escrituras (versículos 25-27) e o partir o pão (versículo 30). Os corações dos dois discípulos podem assim “arder” e os seus olhos “abrirem-se” para poderem reconhecê-Lo (versículos 31-32).

O texto do Evangelho, que só se encontra em Lucas, é a narração da experiência do Ressuscitado feita pelos discípulos que voltam para Emaús. Lendo João 19,25, descobrimos que Maria de Cléofas estava aos pés da cruz na hora extrema de Jesus. Ligando com o texto de Emaús, podemos supor que Cléofas e sua esposa Maria eram discípulos, que retornavam para seus afazeres comuns, depois da decepção da morte de Jesus. Iam conversando sobre os acontecimentos recentes da morte de Jesus.

É importante, em primeiro lugar, não banalizar esta realidade central do Cristianismo com representações insuficientes: a ressurreição de Jesus não é como a de Lázaro, o qual volta à vida com um corpo igual ao anterior, para depois morrer de novo. Neste caso, os discípulos teriam certamente reconhecido o Homem que até três dias antes tinham visto vivo, se a Sua ressurreição fosse semelhante à de Lázaro. Pelo contrário, ressuscitado entrou numa condição radicalmente nova e inconcebível para os recursos humanos apenas, à qual Ele dá origem precisamente com a sua Páscoa. Jesus está vivo para sempre e por isso pode aproximar-Se de cada pessoa. É verdade que a sua aproximação e o Seu caminhar conosco não é reconhecível por nós só com os olhos do corpo: é preciso que o próprio Ressuscitado nos abra os olhos fazendo-nos percorrer um caminho de conversão (cf. Da Palavra para a Vida).

“As chaves de um encontro”. Para aprofundar a sua mensagem, precisamos de chaves de leitura que nos revelem a sua mensagem, precisamos de chaves de leitura que nos revelem a sua intenção e mensagem mais profunda. Destacamos estas três chaves complementares de leitura, com base no texto: a Escritura, centrada nas profecias messiânicas do Primeiro Testamento sobre Cristo, a Eucaristia, evidenciada na fração do pão, e a eclesial ou comunitária, apontada na partilha da experiência de fé com os irmãos.

  1. a) A Escritura é a primeira chave ou via que Jesus lhes abre para aprovação da fé na sua pessoa. “Então Jesus disse-lhes: “Homens sem inteligência e lentos de coração para acreditar em tudo o que os profetas anunciaram! Não tinha o Messias que sofrer tudo isso para entrar na sua glória?” Depois começando por Moisés e passando pelos Profetas,, explicou-lhes em todas as Escrituras o que dizia a Seu respeito mostrando a estreita relação que há entre as profecias messiânicas do Antigo Testamento e o seu cumprimento no Novo Testamento, ou seja, na pessoa de Jesus de Nazaré.
  1. b) A Eucaristia é a segunda chave. Perto de Emaús, o desconhecido simulou seguir adiante. Fica conosco, disseram-lhe eles, pois já cai a tarde e o dia já declina. E cearam juntos. Então o Senhor, “sentado à mesa com eles, tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e distribuiu-lhes. Abriram-se então os olhos e reconheceram o Senhor. Mas Ele desapareceu. “Partir o pão” é uma expressão específica, relativa à Eucaristia, que Lucas emprega de novo em resumo dos Atos dos Apóstolos sobre a vida da comunidade de Jerusalém. Na antiga linguagem cristã a fração do pão em fraternidade tem sabor de celebração e emprega-se habitualmente em um contexto eucarístico.
  1. c) A comunidade é a terceira chave. Assim entenderam os peregrinos de Emaús. “Levantaram-se naquele momento e voltaram a Jerusalém, onde encontraram reunidos os Onze e seus companheiros”. Os dois aprenderam uma lição fundamental, que estendida a todos os cristãos: Cristo ressuscitado continua presente entre eles, no meio da comunidade, de uma maneira nova e certa, pela fé que nasce da sua Palavra e do seu pão.

“Para realizar esta grande obra, Cristo está presente na sua Igreja, especialmente nas ações litúrgicas. Está presente no sacrifício da Missa… Está presente com o Seu dinamismo nos sacramentos, de modo que, quando alguém batiza, é o próprio Cristo que batiza. Está na sua Palavra, pois é Ele que fala ao ser lida, na Igreja, a Sagrada Escritura. Está presente, enfim, quando a Igreja reza e canta, Ele que prometeu: “Onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome, eu estou no meio deles” (Mt18,20; SC7).

Portanto, é certo que Cristo está presente na comunidade dos irmãos que partilham uma mesma fé. Assim entenderam os peregrinos de Emaús. Voltaram para Jerusalém, a comunidade mãe. Agora necessitam de comunicar e partilhar a sua experiência pessoal do Senhor ressuscitado. O seu testemunho de fé fez eco na comunidade, que repete em coro: “É verdade, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão. E eles contaram o que tinha acontecido no caminho e como o tinham reconhecido no partir o pão”.

 

3- DA PALAVRA CELEBRADA AO COTIDIANO DA VIDA

O caminho de Emaús é o caminho de nossa fé. A fé deve tornar-se pascal na convicção de que não encontraremos Jesus de modo extraordinário, mas através dos acontecimentos do cotidiano, de sua palavra esclarecedora, de seu Espírito que tudo nos explica e de sua eucaristia, a fração do pão, plenitude de nossos encontros.

No caminho para Emaús, reconhecemos nossa caminhada. Curtimos dor e tristeza  pela realidade crucial de milhões, provocada pela ganância de poucos. Estamos na direção oposta à ressurreição que é de esperança e alegria, mesmo em tempo de paixão e morte.

No inicio da conversa com o forasteiro, há uma critica à falta de conhecimento do que ocorrera em Jerusalém durante a festa da Páscoa. Mas são os discípulos que estão por fora da realidade. Isso nos questiona. Será que sabemos ler os sinais dos tempos no que esta atualmente acontecendo no mundo, em nosso país, em nossa região? Ou será que caminhamos com olhos e ouvidos fechados aos fatos? A desesperança nos impede de captar a ação de Deus nos acontecimentos recentes?

A discriminação das mulheres e a não-aceitação de seu valor também são fatores que impedem uma leitura mais ampla da contribuição que essa metade da humanidade pode dar para que a força da ressurreição transforme o mundo.

Ma uma certeza temos que guardar: Jesus entra em nossa caminhada e com sua Palavra vai nos mostrando o sentido e o rumo dos acontecimentos.

4- A PALAVRA SE FEX CARNE E SE FAZ CELEBRAÇÃO

Alegremo-nos, porque o Senhor, o Vivente, vem ao nosso encontro e nos enche de alegria e caminha conosco, se interessa pela nossa vida, pelos nossos problemas e dificuldades. Frente a uma sociedade marcada pela violência somos interpelados a testemunhar a ressurreição de Jesus Cristo pela Palavra e pela vivencia fraterna. Em Cristo ressuscitado, cremos que Deus está conduzindo o anseio de vida, justiça e paz da humanidade.

Neste dia e nesta Eucaristia é nosso dever e salvação bendizer o Pai, porque Cristo, nossa Páscoa, foi imolado. Somos convidados a perder o medo e o desânimo, a vencer as incertezas, a abandonar o velho fermento da falsidade e da maldade.

  1. ORIENTAÇÕES GERAIS
  1. Os cinqüenta dias que vão desde o Domingo de Páscoa na Ressurreição do Senhor até o Domingo de Pentecostes devem ser celebrados com verdadeira alegria como se fosse um grande domingo. Esses cinqüenta dias é como se fosse um só dia de festa, “símbolo da felicidade eterna” (Santo Atanásio). Os domingos pascais se caracterizam pela “ausência de elementos penitenciais” e pela acentuação de elementos festivos. A alegria deve ser a característica do Tempo Pascal. A alegria deve estar presente nas pessoas da comunidade e também no espaço litúrgico, na cor branca (ou amarela), nas flores, no canto alegre do “Aleluia”, na alegria de sermos aspergidos pela água batismal, no gesto da acolhida e da paz. O Tempo Pascal constitui-se em “um grande domingo”. Vivenciamos dias de Páscoa e não após a Páscoa.
  1. “Os oito primeiros dias do Tempo Pascal forma a Oitava da Páscoa e são celebrados como “solenidades do Senhor”. A festa da Ascensão do Senhor é celebrada no sétimo domingo da Páscoa. A festa da Ascensão do Senhor deveria ser celebrada normalmente numa quinta-feira (quarenta dias depois da Páscoa). No entanto, no Brasil ela é transferida para o domingo seguinte, ocupando assim o sétimo domingo da Pascoa. A semana seguinte, até Pentecostes, caracteriza-se pela preparação para a vinda do Espírito Santo.
  1. A Oitava da Páscoa tem missa própria, o canto do glória, com textos bíblicos que nos levam a viver o mistério da presença do Cristo ressuscitado em nossa vida, a partir dos relatos da experiência das primeiras comunidades cristãs. As leituras litúrgicas da Oitava da Páscoa apresentam uma grande unidade. Os evangelhos relatam as primeiras aparições do Cristo Ressuscitado e as leituras relatam as primeiras pregações dos apóstolos.
  1. A catequese primitiva tem sua fonte nas instruções do Ressuscitado a seus apóstolos em dois níveis: o fato e a teologia. As cinco primeiras leituras desta semana fornecem um resumo clássico geral dessa catequese na qual se inspira a oração retomada na sexta leitura.
  1. Esta catequese se baseia nos acontecimentos da morte e da ressurreição, a apresenta-os num contexto de entronização do Senhor sobre o tempo e sobre o universo, de libertação da humanidade do pecado, de apelo ao reino e de conversão do coração.
  1. Na Igreja primitiva a Oitava da Páscoa era também chamada de “Semana Branca” porque os catecúmenos ficavam de roupas brancas durante esta semana.
  1. O Círio Pascal deve estar sempre presente, junto à Mesa da Palavra em todas as celebrações do Tempo Pascal. É importante que o Círio seja aceso no início da celebração, após o canto de abertura, enquanto a assembléia entoa um refrão pascal. Ele é o sinal do Cristo ressuscitado, Senhor de nossas vidas.
  1. Dar destaque durante o Tempo Pascal para a água batismal. Onde há pia batismal, ela deve ser o ponto de referência para a realização de ritos como aspersão, renovação de promessas, compromissos. Onde não há pia batismal, preparar alguma vasilha de cerâmica, de preferência junto do Círio Pascal.
  1. Vivamos intensamente este tempo de festa, celebrando a vida nova que Cristo nos deu, vencendo a morte. É importante que o espaço celebrativo da Vigília Pascal continue o mesmo para a celebração do Domingo de Páscoa.
  1. O Tempo Pascal é, muito indicado, liturgicamente, para as celebrações da Crisma e das primeiras comunhões, numa continuidade com a noite batismal da Páscoa.

6- MÚSICA RITUAL

 

  1. O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos “cantar a liturgia” e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com o Tempo Pascal e com cada domingo, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são do Tempo Pascal, é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado. O canto de abertura deve nos introduzir no mistério celebrado.
  1. Canto de abertura. Cristo ressuscitou verdadeiramente (Apocalipse 1,6). “O Senhor ressurgiu, aleluia, aleluia!”, CD: Liturgia X, melodia da faixa 1.

 

  1. Refrão para o acendimento do Círio Pascal. “Cristo-Luz, ó Luz bendita,/ Vinde nos iluminar!/ Luz do mundo, Luz da Vida,/ Ensinai-nos a amar!”, CD: Festas Litúrgicas I, melodia da faixa 9.

 

  1. Canto para acompanhar a aspersão com a água. “Banhados em Cristo”, CD: Tríduo Pascal II, melodia da faixa 11 ou Hinário Litúrgico II da CNBB, página 196. Outra ótima opção é o canto “eu vi foi água”, CD: Tríduo Pascal II, melodia da faixa 12 ou Hinário Litúrgico II da CNBB, página 225.

 

  1. Hino de louvor. “Glória a Deus nas alturas.” Vejam o CD Tríduo Pascal I e II e também no CD Festas Litúrgicas I; Partes fixas do Ordinário da Missa do Hinário Litúrgico III da CNBB e também a versão da CNBB musicado por Irmã Miria Reginaldo Veloso e outros compositores.

O Hino de Louvor, na versão original e mais antiga, é um hino cristológico, isto é, voltado para Cristo, que exprime o significado do amor do Pai agindo no Filho. O louvor, o bendito, a glória e a adoração ao Pai (primeira parte do Hino de Louvor) se desdobram no trabalho do Filho Único: tirar o pecado do mundo, exprimindo e imprimindo na história humana a compaixão do Pai. Lembremo-nos: o Hino de Louvor não se confunde com a “doxologia menor” (Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo). O Hino de Louvor encontra-se no Missal Romano em prosa ou nas publicações da CNBB versificado numa versão que facilita o canto da assembléia.

 

  1. Salmo responsorial 117/118. “Eis o dia que o Senhor fez!”. A pedra angular. “Este é o dia que o Senhor fez para nós: alegremo-nos e nele exultemos”; CD: Liturgia X, melodia da faixa 2.
  1. Seqüência Pascal: “Victimae Paschali Laudes”. A seqüência pascal é um hino ao Cristo, Cordeiro Pascal, que enfrentou a morte e a venceu. “Cantai, cristãos, afinal”; CD: Liturgia X, melodia da faixa 4; “Ó cristãos, vinde ofertai” Ofício Divino das Comunidades, página 336.

 

  1. Aclamação ao Evangelho. Cristo nossa Páscoa foi imolado (1Coríntios 5,7b-8a). “Aleluia, O nosso Cordeiro pascal foi imolado”, CD: Liturgia X, melodia da faixa 3. O canto de aclamação ao evangelho acompanha os versos que estão no Lecionário Dominical ou a versão que está no CD.
  1. Apresentação dos dons. O canto de apresentação das oferendas, conforme orientamos em outras ocasiões, não necessita versar sobre pão e vinho. Seu tema é o mistério que se celebra acontecendo na fraternidade da Igreja reunida em oração, no Tempo Pascal. “Bendito sejas, ó rei da glória!”, CD: Liturgia X, melodia da faixa 6.
  1. Canto de comunhão. Cristo nossa Páscoa, a festa do pão novo. (1Coríntios 5,7-8). “Celebremos nossa Páscoa na pureza, na verdade: aleluia, aleluia”, CD: Liturgia X, melodia da faixa 7. Nas missas da noite, quando se lê o Evangelho de Lucas 24,13-35, discípulos de Emaús, canta-se como canto de comunhão: “Andavam pensando tão tristes”, CD Liturgia X, faixa 9.

O que cantar durante a comunhão? Segundo a Tradição da Igreja, desde Gregório Magno (século VI), o canto de comunhão constituía-se num salmo e seu refrão, um verso do Evangelho proclamado naquele dia. Essa indicação permanece até hoje. Esta é a sua função ministerial. Na realidade, aquilo que se proclama no Evangelho nos é dado na Eucaristia, ou seja: é o Evangelho que nos dá o “tom” com o qual o Cristo se dirige a nós em cada celebração eucarística reforçando estes conteúdos bíblico-litúrgicos, garantindo ainda mais a unidade entre a mesa da Palavra e a mesa da Eucaristia.

7- O ESPAÇO CELEBRATIVO

  1. Preparar de forma festiva o ambiente, dando destaque ao Círio Pascal e à pia batismal, com flores e a cor branca ou amarelada nas vestes e toalhas. Ornamentar com flores, mas em exageros, para não transformar o espaço celebrativo numa floresta, para não roubar a cena do altar e do ambão.
  1. A Tradição Romana usa a cor branca neste tempo. Talvez, de acordo com a nossa cultura, podemos caprichar, usando cores mais festivas de acordo com a cultura da comuniidade. Sabemos da importância do branco. O dourado vai manifestar a realeza e a vitória do Ressuscitado.
  1. É muito oportuno colocar, próximo ao Círio Pascal, as faixas jogadas ao chão e o véu dobrado.
  1. O Tempo Pascal não é nada mais, nada menos do que a própria celebração da Páscoa prolongada durante sete semanas de júbilo e de alegria. É o tempo da alegria, que culmina na festa de Pentecostes. Tudo isso deve ficar evidente o espaço celebrativo.
  1. A respeito do uso do data-show nas celebrações, a CNBB orienta que deve ser colocado somente os cantos, produções de imagens para a homilia e avisos. Não se deve colocar as leituras bíblicas e nem a Oração Eucarística para que não seja ofuscado as duas peças principais do espaço celebrativo que é o altar da ceia e a mesa da Palavra ou ambão.
  1. O simbolismo da cruz traz presente o anúncio da paixão e ressurreição do Senhor. A cruz processional, a mesma que será usada na procissão de abertura, esteja na entrada da Igreja, por onde todos passam. É uma forma de trazer presente o mistério que será celerado. Ela pode ficar aí até o início da celebração, ladeada de velas e flores, de forma que chame a atenção de todos os que vão chegando para a celebração.

 

8- AÇÃO RITUAL

A celebração da Páscoa continua por cinqüenta dias e o domingo assinala esse novo tempo inaugurado com a Ressurreição de Jesus. Transformados pela sua Ressurreição, devemos, também nós, viver na alegria dos ressuscitados e ajudar a transformar o mundo em um lugar de vida e de realização para todos e para a criação.

Ritos Iniciais

  1. Na procissão de entrada entrar com as pessoas que foram batizadas ou pessoas que receberam um dos sacramentos na Vigília Pascal, ou crianças com vestes brancas, trazendo flores.
  1. Dar particular destaque à acolhida do Círio Pascal. Por exemplo, após o canto de abertura, fazer um pequeno lucernário, solenizando o acendimento do Círio Pascal: uma pessoa acende o Círio e diz: “Bendita sejas, Deus da Vida, pela ressurreição de Jesus Cristo e por essa luz radiante!”. Ou outros refrões que revela o sentido pascal: “Salve, luz eterna és tu, Jesus!/ Teu clarão é a fé que nos conduz! (Hinário II, pág. 292). “Cristo-Luz, ó Luz bendita,/ Vinde nos iluminar!/ Luz do mundo, Luz da Vida,/ Ensinai-nos a amar! A seguir, incensa o Círio pascal e a comunidade reunida.
  1. Se a comunidade tiver dificuldade para fazer este pequeno lucernário, a procissão de entrada pode ter à frente o Círio Pascal aceso. Neste caso, não se us a cruz processional, que permanece em seu lugar de costume.
  1. Na acolhida, pode-se retomar o costume das Igrejas Orientais de saudarem-se com as seguintes palavras: “O Senhor ressuscitou, verdadeiramente ressuscitou!”, ou “Irmãos e irmãs, Jesus ressuscitou e está vivo em nosso meio.
  1. Substituir o ato penitencial pelo rito de aspersão com a água (se possível perfumada) que foi abençoada na Vigília Pascal. Ajudar a comunidade a aprofundar sua consagração batismal. Não havendo água abençoada na Vigília Pascal, o ministro reza o oração de bênção conforme o Tempo Pascal que está no Missal Romano página 1002. No ato da aspersão, a assembléia canta: “Banhados em Cristo, somos u’a nova criatura./ As coisas antigas já se passaram,/ Somos nascidos de novo./ Aleluia, aleluia, aleluia!:/
  1. A Oração do Dia nos traz a certeza que abertas as portas da eternidade pelo Filho, vivamos na luz da vida nova.

Rito da Palavra

  1. Neste Domingo, dois elementos diferenciam a celebração dos demais domingos: o canto da seqüência pascal (ver CD Tríduo Pascal II) e a possibilidade de se proclamar dois evangelhos, um na celebração da manhã, e outro na celebração da tarde. Para os evangelhos vale a regra litúrgica de obedecer a verdade da hora. Assim, de manhã se proclama o Evangelho do encontro de Jesus com Maria Madalena que ao amanhecer foi ao sepulcro (João 20,1-9) e de noite se proclama o Evangelho do encontro de Jesus com os discípulos de Emaús, que encontram o Senhor no caminho, ao cair da tarde (Lucas 24,13-35).
  1. Não omitir o canto da “Seqüência Pascal”, expressando o diálogo entre a comunidade e Maria Madalena. Pode-se também cantar a seqüência alternando com homens e mulheres fazendo o diálogo com Maria Madalena. Onde for possível encenar o canto fazendo esse diálogo.
  1. Dar destaque à proclamação do Evangelho, que pode ser cantado. Onde for possível, usar aromas ou incenso, retomando o gesto afetuoso das mulheres que foram ao túmulo para ungir o corpo do Senhor.

Rito da Eucaristia

  1. A Oração sobre as Oferendas, nos coloca diante do Sacramento no qual a Igreja se renova e se alimenta.
  1. Seria oportuno o Prefácio I em que contemplamos a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte. Onde for possível, cantar o Prefácio e, nas celebrações da Palavra, cantar a Louvação Pascal do Hinário II da CNBB, página 156.
  1. A Oração Eucarística com prefácio próprio. Não é demais recordar que somente a oração 1,2, e 3 admitem outro prefácio. As demais não poderão ser rezadas nesse tempo.
  1. De acordo com as orientações em vigor, a comunhão pode ser sob as duas espécies para toda a comunidade.

Ritos Finais

  1. Na Oração após a Comunhão, suplicamos a Deus que guarde a Igreja e que passemos dos sacramentos pascais à Ressurreição.
  1. As palavras do envio podem estar em consonância com o mistério celebrado: O Senhor ressuscitou verdadeiramente, aleluia, aleluia. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.
  1. Dar a bênção final própria para o Tempo Pascal, conforme o Missal Romano, página 523. No final o povo responde com os dois “Aleluias”, no envio dos fiéis.

9- CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

“O primeiro dia da semana” (Mateus 28,1), é o Dia da Ressurreição, como símbolo do novo tempo, de uma nova era, o DIA DO SENHOR por excelência, o dia santo, a Páscoa. Após o Tempo Pascal, o Santo Domingo é a Páscoa semanal dos cristãos. Não mais o sábado judaico, memorial do “repouso” de Deus após a criação, mas o Domingo cristão, memorial da “ação restauradora” de Deus em Cristo, que morreu e ressuscitou, tornando-se Espírito vivificante: “Este é o Dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos!” (Salmo 117/118,24)

Celebremos nossa Páscoa, na pureza e na verdade, aleluia, aleluia.

O objetivo da Igreja é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas aquelas outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.

Um abraço fraterno a todos
Pe. Benedito Mazeti

Addthis Facebook Twitter Google+ PDF Online

Deixe o seu comentário

Você deverá estar conectado para publicar um comentário.