EMURB NO TÁRTARO

EMURB NO TÁRTARO

09/02/2018 0 Por Diocese de São José do Rio Preto

Na mitologia grega, o Tártaro era reservado às punições de quem havia desobedecido aos deuses. Lá estava Sísifo, que era obrigado a empurrar uma enorme pedra até o cume de uma montanha, para depois deixá-la rolar até o sopé e então refazer a mesma tarefa pela eternidade. Tântalo era acometido de fome e sede descomunais: diante dos seus olhos, apareciam banquetes e água abundantes, que sumiam num passe de mágica sempre que tentava tocá-los. Lá também, no Tártaro, estava o titã Prometeu, cujo fígado era devorado por um abutre que sempre voltava após o órgão se regenerar.

Todos os mitos acima e suas respectivas punições contêm o mesmo modus operandi: um ciclo vicioso e eterno de sofrimentos em série. Em se tratando de falhas continuadas e de um círculo de irregularidades sem fim, nada mais contemporâneo para nós rio-pretenses do que tem sido visto na Empresa Municipal de Urbanismo, a Emurb.

O ano de 2018 começou com o mais grave escândalo neste que é o terceiro mandato do prefeito Edinho Araújo (MDB). Criada com o objetivo de cuidar da estrutura da Rodoviária de Rio Preto, do Shopping Azul e do sistema da Área Azul, a Emurb caiu em pecado nos últimos anos e se enrolou em suspeitas continuadas de irregularidades e pilantragens sustentadas com o dinheiro público. O fio da meada foi a suspeita de que uma funcionária da Emurb havia ganhado um contrato para desenvolver um aplicativo para a própria empresa municipal – o que é vedado pela Lei de Licitações.  Desde então a situação só piorou e ficou confirmado que a má gestão era algo que ocorria há anos no órgão público. Licitações suspeitas, contratos direcionados e ligações perigosas custaram, até agora, o cargo de dois assessores diretos do prefeito Edinho. E o poço no qual chafurda a Emurb só tende a ficar mais profundo.

Trata-se tudo, como no Tártaro, de ciclos viciados que se arrastaram há anos e anos, sem que nenhuma atitude fosse tomada – por negligência ou conivência. Não bastasse tudo isso, há ainda a suspeita de que talões vendidos aos motoristas para a Área Azul – aquele que você paga para poder estacionar em ruas do Centro – seriam fraudados, alimentando uma suposta quadrilha de funcionários mafiosos que lucravam com um esquema digno da mais alta bandidagem.

O círculo precisa ser rompido. Sindicância aberta pela própria Prefeitura, investigação do Ministério Público e CPI formada na Câmara se propõem a interromper a esbórnia montada dentro de uma repartição pública. Os prejuízos aos cofres públicos ainda são imensuráveis. Apenas um trabalho sério dos órgãos competentes ajudará a quebrar o ciclo de vícios que levou a Emurb ao Tártaro moral. E acabar com tanto suplício às custas do interesse público.