› A árvore da vida

19874596.jpg-c_215_290_x-f_jpg-q_x-xxyxxDirigido por Terrence Malick, (EUA) Drama, ganhou Palma de Ouro no Festival de Cannes 2011, como melhor filme.

A trama gira em torno do casal O’Brien e seus três filhos. Jack (Sean Penn) é o irmão mais velho e, no começo da trama, está vivendo uma feliz e inocente infância com seus 11 anos. Tudo muda quando um dos filhos morre. A história passa então a mostrar a transformação do garoto Jack em um adulto perdido no mundo moderno e em constante busca pelo sentido da vida.

Os O’Brien (Brad Pitt e Jessica Chastain) tiveram três filhos, criados com grande rigidez pelo pai. O mais velho deles, Jack (Sean Penn), sempre teve atritos com o pai, em parte por reconhecer em si mesmo um pouco dele. Além disto, já adulto, Jack enfrenta um forte sentimento de culpa devido à morte de seu irmão.

A tal “árvore da vida” retratada no filme fica localizada na cidade de Smithville, Texas e o diretor pediu consultoria à NASA para as imagens do espaço sideral.

Como enxergar profundamente o sentido da vida quando é dificílimo abandonarmos as mesquinharias cotidianas para observar o próprio ato de estar vivo com distância? Como estar à deriva e tentar tomar as rédeas do ato de estar vivo, compreendendo-o? São exemplos de discussões filosóficas que suscita.

A distinção de Natureza e Graça é um tema que está nas raízes bíblicas, passando por Agostinho, Tomás de Aquino, Calvino, Pascal, até o pensamento cristão do século XX. A Vida Eterna no Éden. O símbolo da árvore aparece do início ao fim do filme, e em todos os seus momentos cruciais. Às vezes como uma pequena planta, às vezes como uma árvore frondosa. Há dois caminhos possíveis para responder à árvore, segundo se anuncia logo nas primeiras cenas do filme:  um é o caminho da Natureza ou o caminho da Graça.

Para Terrence Malick (diretor): a vida é permeada pela beleza e pelos afetos construtivos como o amor – a vida sem amor é “flashes by”, como diz a mãe. O livro de Jó permeia todo o texto do filme, seja pela boca da mãe, seja por um narrador do futuro. O tema central do livro de Jó não é o problema do mal, nem o sofrimento do justo e inocente, e muito menos o da “paciência de Jó”, mas a natureza da relação entre o homem e Deus, em oposição à teologia da retribuição.

Malick traz a confissão final de Jó – “Eu te conhecia só de ouvir. Agora, porém, meus olhos te veem” (42,5) – é o ponto de chegada de todo o livro, e um paralelo do filme, pois sugere que a vida é lugar da manifestação e experiência de Deus. O filme mostra uma consciência do mundo, uma forma específica de relacionamento com a realidade, terminamos com uma visão da organização poética da existência.

Profª. Drª. Maria Cristina Pascutti de Oliveira
Doutora em Literatura

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