› Até o último homem

Esses dias minha sobrinha me convidou para ver um filme que, segundo ela, era sensacional.  “Você vai gostar, é de guerra e tem a ver com fé também”. Ela me falou o nome e, desatenta que sou, nem me dei conta, naquele momento, que já tinha lido a respeito, já que o filme em questão tinha sido indicado a seis Oscars este ano. Confesso que não sou nem um pouco cinéfila, mas gosto sim de um bom filme, principalmente daqueles que prendem nossa atenção do começo ao fim.
E Até o Último Homem, dirigido por Mel Gibson, é um desses filmes. No começo, ele é um pouco parado, mas depois, meu amigo, se prepare para cenas fortes, impactantes.

O filme é baseado na história real de Desmond Doss, interpretado pelo ator Andrew Garfield, o primeiro soldado a alegar ser objetor de consciência ao ser condecorado com a Medalha de Honra do governo americano.

Os objetores de consciência são pessoas que seguem princípios religiosos, morais ou éticos de sua consciência, princípios estes que são incompatíveis com o serviço militar, ou com as Forças Armadas como uma organização combatente.

Quando entrou no exército americano para participar da Segunda Guerra Mundial, Desmond se recusou a disparar uma arma. Ele nem mesmo quis ter uma, não porque o pastor da igreja tivesse dito isso para ele, nem porque o regulamento da igreja o proibisse. Era sua própria fé, fundamentada na Bíblia, que lhe dizia para não tirar a vida de outros seres humanos. Ele acreditava que Deus esperava isso dele e então decidiu que assim seria. Desmond era um objetor consciente, ou seja, alguém que, devido às suas convicções, optou por ser um militar não combatente.

Independentemente de suas crenças religiosas, a história de Desmond, um homem que não compromete seus princípios, é poderosa.

Ele foi criticado, sofreu bullying, apanhou dos colegas, tentaram de tudo para que ele desistisse e abandonasse o sonho de servir ao País como médico. Convicto de seus ideais e de que Deus estava sempre presente, ele não se entregou e nem desistiu do que acreditava ser o certo a fazer.

E assim foi. Sem chegar perto de uma arma, Desmond conseguiu resgatar dos escombros da batalha sangrenta em Okinawa, em 1945, mais de 70 homens. Carregou todos sozinho, numa ação que lhe valeu a mais alta condecoração militar.

O filme tem muitas cenas fortes, de carnificina, mas o que fica mesmo é o exemplo de perseverança desse homem. O poder da fé de uma pessoa,  que contagia durante uma boa parte do filme. Difícil não se comover, principalmente quando você para pra pensar que não se trata apenas de uma obra de ficção.  Quando acaba o filme, aparece o verdadeiro Desmond, que morreu em 2006, falando sobre a guerra, sobre a batalha em Okinawa. Ele conta que só pedia a Deus para dar força para salvar mais um, mais um e mais um.

Acho que nesses dias difíceis, de tantas incertezas, o que seria de nós sem a fé? Sem a certeza de que Deus está com a gente, cuidando de tudo, o tempo todo?

Graciela Andrade
Jornalista – Paróquia Menino Jesus de Praga
São José do Rio Preto

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