› O Pobre de Deus

 

Ultimamente, tenho corrido os olhos sobre livros para conhecimento e instrução, porém há questão de dias, retomei a leitura de um livro que conheci em 1981 e já o reli duas vezes, sendo esta a 3ª vez. Trata-se de “O POBRE DE DEUS” do autor grego Nikos Kazantzakis. (1883 – 1957)

Escrito em 1953, o autor, ortodoxo, foi excomungado, por suas ideias filosóficas baseadas em Henri Bergson, Nietzsche, Buda e outros. Se dizendo ateu em constante conflito existencialista, afirmava que a vida é um processo em constante evolução criativa espiritual, pelo homem na formação Deus.

Alguns livros escritos pelo autor os quais já li, entre outros:
O Cristo Recrucificado – Fala sobre o existencialismo humano da fé.
A Última Tentação – Jesus cristo visto de forma humana de fora para dentro
Zorba, o Grego – Existencialismo do homem por ele mesmo
Os irmãos inimigos – A Grécia e a visão política da revolução bolchevique
O Pobre de Deus – A existência do homem saindo de sí e construindo a visão de Deus

A forma romanceada de ‘O POBRE DE DEUS’ é imprescindível para entender o pensamento de desapego do homem das coisas materiais existentes em toda a sua extensão, durante a vida.

No leito de morte, na cabana que os abrigavam, a qual Francisco chamava de “Porciúncula”, o Irmão Leão e o narrador e fiel assistente de “Pai Francisco” é o locutor e interlocutor de toda as lembranças e passagem de suas vidas.

O questionamento da liberdade de pobreza e esvaziamento de si próprio para entender de como enganar o inimigo que prende a alma, vai além do entendimento da vida, até a visão compreensiva e surrealista da morte.

O texto construído em belíssimos diálogos, ora simples e diretos a outros de profundo questionamento filosófico da existência espiritual, material e divina, levando a espaços de confronto entre a imposição criadora de Deus e a fraqueza humana, mas com determinantes humanas a superar imposições do criador. Nesse sentido, o autor não esquece de colocar, em toda a narrativa, a força e a beleza da natureza na suave narrativa.

É um livro que leio devagar, após as completas, como complemento, como oração, para não perder o efeito que me provoca ao coração, cujas palavras me causam choros meditativos e serenos momentos de introspecção.

É muito bom ler essa vida de São Francisco de Assis.

Reservando, à parte, a narrativa de forma não biográfica do santo, é um exercício de leitura dirigida aos que buscam entender a pobreza do amor expressadas nas linhas dos evangelhos.

Para o narrador, (o próprio Nikos) a luta de Francisco em entender Deus fora deste mundo, e que o leva pela mão, não está dentro de si, porém sendo Deus, o faz necessário conhecê-los nos outros, como se já o conhecesse.

Segue o texto final da última página do livro.
“ No bendito instante em que, na minha cela, escrevia estas últimas palavras, soluçando à lembrança do meu querido mestre, um pardal veio bater na vidraça. Tinha as asas molhadas, sentia frio. Levantei-me para abrir a janela. E és tu, Pai Francisco, que, para me ver, tomaste a aparência de um pardal. . .. “

Diácono Moitinho

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