Espírito Santo, o Espírito da Verdade

Deus envia sempre seu Espírito. O Espírito está sempre aí. Mas em Cristo há a plenitude do envio do Espírito de Deus. O evangelho de João nos ensina que Jesus comunicou de modo especial o Espírito no próprio dia da Páscoa. A comunhão com o Ressuscitado é completada, levada à plenitude em Pentecostes, pelo dom do Espírito, que continua em nós a obra do Cristo e sua presença gloriosa.

A espiritualidade cristã implica, portanto, a presença do Espírito de Cristo, que provoca uma proximidade com o Evangelho, para que ilumine nossa vida na busca do Reino de Deus. O Evangelho nos ensina como o Espírito Santo é a fonte de espiritualidade cristã que deve animar nossa vida e nossas ações. Jesus nos revela que somos criados pelo amor do Pai Eterno, recriados pelo amor redentor do Filho Unigênito e animados pelo amor íntimo do Espírito.

Jesus cumpre sua promessa de voltar para nós em duas dimensões essenciais da experiência humana: pelo envio “interior” do Espírito Santo e por seu Corpo Espiritual, que assume a forma “externa” na comunidade de seus discípulos. Sempre que duas ou três pessoas se reúnem “em seu nome” quando a Eucaristia é celebrada, quando os Evangelhos são lidos, quando há amizade humana e obras de misericórdia, o Espírito de Deus está presente. A fé nada mais é do que o compromisso com o Espírito que nos impulsiona a viver por ele, com ele e nele.

A Sagrada Escritura ao designar o Espírito Santo como Espírito de Verdade está iluminando e guiando as comunidades cristãs no seguimento de Jesus Cristo através da história, com Espírito de sabedoria (cf. 1Jo 2,27; 1Cor 2,10,12; Ef 1,17; 1Tm 4,1; 2Tm 1,14; Hb 10,15). Espírito e sabedoria são duas realidades convergentes e relacionadas nos escritos tardios do Antigo Testamento, e o Novo Testamento assume essa compreensão, especialmente no Evangelho de João.

São João diz que Jesus “envia” o Espírito do Pai: “o Espírito da Verdade, que vem do Pai” (Jo 15, 26). Ele também descreve Jesus afirmando que o Pai enviará o Espírito, que deve ser nosso advogado, “em seu nome” (Jo 14,26). Ou seja, o Espírito vem do Pai, mas também de Jesus, que é uno com o Pai. A comunhão de Jesus com seu Pai é o Espírito. E o Espírito permanece em nós como uma inteligência orientadora e ativa. E quando fazemos comunhão vivemos pelo Espírito. Jesus deu-nos poder de perdoar os pecados, o Espírito é o amor que perdoa. Na medida em que há o perdão eliminam-se todos os obstáculos à comunicação, as feridas são curadas, há o consolo da dor, acalma-se a cólera, o ressentimento se dissolve, há a reconciliação dos inimigos, e podemos confessar a verdade que nos liberta.

Sem o Espírito, a Igreja com certeza, teria há muito, ruído sob o peso de suas imperfeições humanas. Desde sua Ressurreição, Jesus é reconhecido por meio do Espírito Santo.  Os orientais proclamam a presença constante do Espírito na vida eclesial, dizendo: “Sem o Espírito Santo, Deus é distante, o Cristo fica no passado, o Evangelho é letra morta, a Igreja, uma simples organização, a autoridade, uma dominação, a missão, uma propaganda, o culto, uma evocação, e o agir cristão, uma moral de escravos. Mas no Espírito “o cosmos é redimido e geme dores de parto do Reino, o Cristo ressuscitado está presente, o Evangelho é força de vida, a Igreja é sinal da comunhão trinitária, a autoridade é um serviço libertador, a missão é um Pentecostes, a liturgia é memorial e antecipação e o agir humano é divinizado (prece do Metropolita Ignatios IV, patriarca da Igreja Ortodoxa na Síria, Líbano, Iraque e Kuwait)”. Abramo-nos, portanto, ao dom do Espírito Santo, o amor de Deus que tudo une, para fazermos a vontade do Pai expressa nos Evangelhos.

Érico Fumero, doutor em Filosofia, mestre em Teologia – Professor do Seminário Diocesano de São José do Rio Preto

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