FESTA DA EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ ANO B – 14 de setembro de 2015

11/09/2015 0 Por Diocese de São José do Rio Preto

Leituras

Números 21,4b-9. Aquele que for mordido e olhar para ela, viverá.
Salmo 77/78,1-2.34-38. Escuta, ó meu povo, a minha Lei.
Filipenses 2,6-11. Fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz.
João 3,13-17. Deus não enviou seu o seu Filho ao mundo para condenar o mundo.

“É NECESSÁRIO QUE O FILHO DO HOMEM SEJA LEVANTADO”

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1- PONTO DE PARTIDA

A Festa da Exaltação da Santa Cruz, da qual deriva o rito da “Adoração da Santa Cruz” na Sexta-feira Santa, tem origem no Oriente, com a celebração da dedicação das basílicas constantinianas no Gólgota e no Santo sepulcro.

Desde o século IV no Oriente e o século VII no Ocidente, o povo cristão celebra, nesta data, o triunfo da cruz, instrumento e sinal de salvação. As igrejas/basílicas que ficam em Jerusalém – no Gólgota e no sepulcro do Ressuscitado – foram consagradas em 13 de setembro de 335. São as basílicas constantinianas. No dia seguinte, mostrando o que restava do lenho da cruz do Salvador, era lembrado ao povo o significado profundo das duas igrejas. Daí a origem histórica dessa festa no dia 14 de setembro. Por volta do século VII, no dia 14 de setembro, surgiu o costume de expor a relíquia da Cruz do Salvador aos fiéis que, segundo uma tradição, fora encontrada neste dia. Esta prática se sobrepõe à festa da dedicação das basílicas, sobrepondo-se também o dia 14 ao 13 de setembro.

A primeira comemoração desta festa era devido a descoberta da verdadeira Cruz de Cristo por Santa Helena, mãe do imperador Constantino. A segunda comemoração da Santa Cruz é devido ao resgate do precioso madeiro das mãos dos persas em 3 de maio do ano 629. A reforma litúrgica uniu as duas comemorações, conservando o título mais expressivo de Exaltação da Santa Cruz.

Com olhar voltado para o mistério central da nossa fé, pedimos a Deus sempre participar dos frutos da Redenção até conseguirmos a glória da Ressurreição. Na Tradição dos Santos Padres, a Cruz é sinal de Jesus Cristo que comparecerá no fim dos tempos.

2- REFLEXÃO BÍBLICA, EXEGÉTICA E LITÚRGICA

Contemplando os textos

Primeira leitura – Números 21,4b-9. O episódio está colocado na estada dos hebreus no deserto, enquanto se movimentam de Cades para as estepes de Moab. O versículo 4 resume este percurso rodeando a terra de Edom. Nas proximidades do Mar Vermelho, ou golfo de Acab, encontra-se a atual Timna. É neste região que o autor sagrado situa a última narração de lamentações dos hebreus no “deserto” (versículos 4-5). A mordida das “serpentes”, particularmente dolorosa e mortal, causa numerosas vítimas e lança o terror entre os israelitas (versículo 6).

O versículo 5 conta a revolta do povo contra Deus e Moisés: a água e o alimento são escassos, o povo está cansado e revoltado com esta caminhada sem fim. São cabeça dura e não entenderam o projeto libertador de Deus.

Mostra o versículo 6 que, as serpentes “ardentes” (em hebraico, saraf) picam o povo: “ardentes” porque sua picada arde e seu veneno mata. Este tipo de episódio não é raro no deserto, sendo interpretado aqui, contudo, como um castigo de Deus pela revolta manifestada pelo povo.

Diante do posterior arrependimento do povo (versículo 7), Moisés constrói uma serpente de bronze (serpente ardente) que cura aqueles que a olham (versículos 8-9).

Em todo o Oriente a serpente era considerada como um símbolo da vida e um meio de cura. Por isso ela era, paras os cananeus, o símbolo (fálico) da fertilidade e estava associada aos seus cultos à vida. Era também símbolo da fertilidade dos campos. Uma serpente cananéia, de bronze, foi encontrada pelos arqueólogos em Gezer.

Esculápio, o deus grego da medicina, usa uma serpente como emblema. Coisa que se faz ainda, hoje, a Organização Mundial da Saúde e outras entidades médicas.

Significativamente, os israelitas estavam perto de Punon (Números 33,42), uma das grandes fontes de bronze dos tempos antigos, o que possibilitava tal fundição.

Mas a chave para se chegar ao texto é oferecida igualmente por 2Reis 18,4. Este texto nos informa de que o rei Ezequias (728-699 antes de Cristo), durante a reforma que promoveu, mandou destruir uma serpente de bronze que se encontrava entre os objetos do culto, no Templo de Jerusalém. Acreditava-se que tal serpente fosse aquela fabricada por Moisés no deserto. Seu culto, graças à ligação com os rituais cananeus, foi considerado, na época, como idolatria.

Finalmente, João 3,14-16 refere ao incidente do deserto como uma prefiguração da morte de Cristo, pendurado na Cruz, como a serpente na haste: olhar Cristo, como os israelitas a serpente, é ter fé, para ser salvo.

Salmo responsorial 77/78,1-2.34-38. É um salmo histórico, pois conta parte da história do povo de Deus. De gênero didático recorda a história de Israel numa alternância de dois momentos: o do amor fiel e misericordioso de Deus, que operou prodígios a favor do seu Povo; e, o da incredulidade e da inconstância de Israel.

O rosto de Deus no salmo. É o libertador, aliado fiel que não falha. Tem compaixão das fraquezas do Povo, cumprindo sua parte e perdoando as cabeçadas do aliado. É o Deus que caminha com o Povo, agindo na trama da história. Os erros do Povo não O fazem perder a paciência nem a confiança. Pelo contrário, quer que aprendamos com os nossos erros e os dos outros. No fundo, é o Deus que se sente feliz quando o ser humano é feliz.
Desde pequeno, Jesus aprendeu a história do seu povo. Os evangelhos O apresentam como o Deus-conosco (Mateus 1,23; 28,20), encarnado em nossa história (João 1,14). Encarnou-se a ponto de seus conterrâneos duvidarem dele (Marcos 6,1-6). Ensinou a tirar lições das tragédias e fatos desagradáveis (Lucas 13,1-5).

Cantando este salmo, peçamos ao Senhor que nos liberte de todos os males e tenha compaixão de nós.

DAS OBRAS DO SENHOR, Ó MEU POVO, NÃO TE ESQUEÇAS!

Segunda leitura – Filipenses 2,6-11. No contexto de uma exortação de Filipos Paulo cita um hino cristológico. Através desta citação sugere que as principais coordenadas da salvação operada através de Cristo marquem a existência cristã. Estas coordenadas aparecem na estrutura do hino. Seu tema central são a humildade e a disponibilidade do serviço do Messias Jesus. Ele não quis se beneficiar de privilégios de ser Filho de Deus, mas diminuiu-se para se tornar um de nós, como nós. E somos convidados a ter os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus.

Na glorificação (doxologia) “Jesus Cristo é o Senhor” em que culmina o hino, dirige-se a Jesus o nome que no Primeiro Testamento é reservado a Deus. Conforme o hino, Jesus, morto na cruz e depois exaltado, recebe de Deus e da comunidade o nome de “Javé”. Antes Ele não tinha este nome. Ele era Deus preexistente. Assumindo a natureza humana poderia ter-se valido desta igualdade com Deus Pai. Ma ao tornar-se homem e inaugurar a Sua missão preferia apresentar-se á humanidade como servo de Deus e não como senhor do universo. Esta preferência não era somente de ordem subjetiva, mas de ordem objetiva. Ele revela que a pessoa humana se realiza mais na submissão a Deus do que no senhorio sobre o mundo e o universo. A soberania da pessoa humana só será plenamente humana se e na medida que ela for serviço de Deus. O fato que Jesus recebe o senhorio sobre o universo depois de Sua obediência até a morte revela que nela não há nada de usurpação.

“Jesus é Javé”. Esta confissão de fé ou glorificação (doxologia) não é uma divinização ou deificação indevida que existia no mundo no mundo greco-romano, em que reis e imperadores se deixavam idolatrar como deuses. Não era uma blasfêmia para os primeiros cristãos e não o é para nós, porque nela se professa que se procura a salvação em alguém que deu honra a Deus e recebeu honra de Deus. “Esvaziou-se (ou: aniquilou-se) a si mesmo… feito obediente até a morte da cruz”. Na confissão de fé “Jesus é Javé” professamos que Deus deu razão a Jesus e que nós também Lhe damos razão. Isto não é blasfêmia, porque nisso também professamos que a realização plena da pessoa humana existe na dependência absoluta de Deus antes, durante e depois da morte; e que, por isso, pode-se arriscar a vida pela glória de Deus.

Evangelho – João 3,13-17. João estabelece um paralelo entre a serpente elevada por Moisés e “o Filho do Homem”, que “deve ser elevado” na Cruz e na glória do Céu (versículo 14; cf. João 8,28; 12,32-33). Mediante esta Sua dupla elevação, Jesus cumpre a obra da salvação, isto é, dá aos homens “a vida eterna” (versículo 15).

Acolhamos com reconhecimento esta salvação, acreditando cada vez mais na pessoa do Filho do Homem! Porque, como já ao cego de nascença, o Senhor pergunta a cada da um de nós: “Acreditas no Filho do Homem”? (João 9,35). O nosso “acreditar” consiste na adesão pela fé em Jesus Cristo, Aquele que o Pai nos “deu”: de Belém até o Gólgota, à glória, e por amor do “Seu Filho Unigênito” (versículo 16).

Nota-se, aqui, que “mundo” para o evangelista São João não significa, o mundo fechado, inimigo do plano de Deus, mas as pessoas que é objeto do amor de Deus. Deus envia seu Filho para que o mundo seja salvo, tenha a “vida eterna”. Não é somente “vida além da morte”, mas antes, vida que pertence ao aiôn, o “tempo de Deus”. É a vida divina. Ela não começa depois da morte, mas aqui e agora, se acolhemos, na fé, o dom de Deus: Jesus Cristo. Assim, quem crê em Jesus, não conhecerá a condenação, porque vive a vida de Deus. Quem não crê, porém, já é condenado, não por Jesus que veio para salvar (3,17), mas por si mesmo, porque não aceitou o dom de Deus.

Jesus provoca uma tomada de posição porque tudo o que Ele faz é em favor da vida, para que a humanidade seja salva. Ele não veio para condená-la; ao contrário, mediante sua prática de vida, propõe a todos a vida sem limites. Diante da prática de vida de Jesus as pessoas têm que tomar uma posição: com Jesus e a favor da vida ou contra Jesus e a favor da morte. Jesus não julga ninguém, nem condena. Simplesmente provoca uma tomada de posição. Mostra o que cada pessoa é a partir daquilo que faz a favor ou contra a vida. São as próprias pessoas que se julgam a partir das escolhas que fazem a favor ou contra a vida.
A pessoa humana responde a Deus com a fé ou a descrença. A fé e a descrença contêm já o juízo definitivo de Deus: salvação ou condenação. A fé é o critério último de vida e salvação plenas.

Jesus é a “vida” (João 14,6) e veio para que todos “tenham a vida e a tenham em abundância” (João 10,10), a nossa união com Ele mediante a fé liberta-nos da morte espiritual e da sentença de condenação, oferecendo-nos, de forma positiva, a vida eterna e a ressurreição final (versículo 17; cf. 6,54).

3- DA PALAVRA CELEBRADA AO COTIDIANO DA VIDA

A Cruz, sem dúvida, tem um lugar importantíssimo na vida de Jesus e, por conseguinte, na vida dos cristãos. Depois da confissão de Pedro em Cesaréia de Filipe (cf. Marcos 8,27-30), os evangelhos sinóticos apresentam narrações sucessivas com os três anúncios da Paixão, morte e ressurreição de Jesus. Lucas coloca no centro da vida pública de Jesus o reflexo da luz austera que provém da Cruz (cf. Lucas 9,51 e capítulos 10-19). Mas a morte de Jesus na Cruz resulta de vitória para Ele e em salvação para nós: “Eu quando for elevado da terra, atrairei todos a mim” (João 12,32). Sua morte na Cruz resulta na redenção que une a Humanidade a Ele; torna-se glorificação para o Pai e para o Filho (cf. João 13,31-32).

Precisamente em virtude da vitória que Jesus alcança sobre ela, a Cruz, mesmo na sua materialidade, assume um significado simbólico particular: de sinal de morte que tinha antes, passa a ser símbolo de vitória e de triunfo. A Solenidade da Exaltação da Santa Cruz aponta, por isso, diretamente para um sinal de morte, enquanto símbolo e instrumento de vitória e de salvação. É o que faz na “adoração da Cruz na Sexta-Feira Santa.
O Apóstolo Paulo não tem receio de exprimir este seu sentimento de louvor de forma entusiasmada: “Toda a nossa glória está na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo” (Gálatas 6,14, cf. antífona de entrada). É a Cruz na sua materialidade e na sua simbologia de vitória, embora continue a ser sempre a cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Um conceito parecido é expresso por Pedro: “Ele sobre o madeiro da Cruz, levou os nossos pecados no Seu próprio corpo” (1Pedro 2,24).

Recordemos que Cristo crucificado entra no mais profundo da nossa vida mediante os sacramentos: pensemos no Batismo (cf. Romanos 6) e na Eucaristia (cf. Mateus 26,26-29). E ainda, lembremos a frase na qual Jesus recomenda aos Seus discípulos que carreguem a sua cruz (cf. Mateus 20,38; 16,24; Marcos 8,34; Lucas 9,23; 14,27). É a Cruz, ou o sofrimento, que nasce da fidelidade à sua Pessoa, como no caso dos mártires; é a Cruz da nossa vida monótona de todos os dias: “Tome a sua cruz todos os dias” (Lucas 9,23). Mas em todos os textos está presente o acrescento consolador: “E siga-me”. Ele desbrava sempre o caminho!

Deus mostra seu grande amor pelo mundo (João 3,16), dando seu próprio Filho querido. Contemplamos um Deus apaixonado pelo mundo. Deus retoma toda a história da salvação, estabelecendo no mundo o julgamento definitivo (não no sentido de Ele tomar a iniciativa de nos condenar, mas no sentido de Ele nos desafiar para a opção, que pode ser pelo Reino ou pelo anti-Reino).

Para essa possível opção, o Pai nos dá sua graça em Jesus Cristo, seu próprio Filho, que Ele enviou ao mundo para podermos vencer todo o pecado e começarmos já aqui a ter a vida eterna.

4- A PALAVRA SE FAZ CELEBRAÇÃO

Jesus ilumina e fortalece

A Cruz é entrega total de Cristo, por amor, e apelo a seguirmos seus passos no serviço ao Reino de Deus. Jesus, o Servo Sofredor, que viveu a experiência humana até a morte, ilumina e fortalece os que sofrem injustamente: Se com ele sofremos, com ele reinaremos (2Tm 2,12).

A Cruz manifesta o amor de Deus pela humanidade

É na Cruz que se manifesta o juízo de Deus sobre o mundo: Jesus condenado injustamente, sofre os tormentos que manifestam a distância da ruptura entre Deus e os homens. A Cruz é exaltada como sinal que manifesta o amor de Deus pela humanidade. A Eucaristia faz essa memória. Para quem dela participa dignamente, é salvação; para quem não honra o corpo do Senhor, pode ser sinal de condenação. Para dar visibilidade já no início da celebração à festa deste dia, pode ser colocada um raminho de flores na cruz processional trazida no rito inicial, ou em destaque ao lado do Altar.

5- ORIENTAÇÕES GERAIS

1. É muito oportuno cantar o sinal da Cruz, portanto, deve-se escolher uma melodia que leve em conta a não repetição do rito na liturgia, conforme a SC, n. 50. Canta-se e persigna uma única vez e não três vezes.
2. As leituras são proclamadas do lecionário Dominical, dia 14 de setembro, das “Solenidades e Festas que podem ocorrer em domingo”, páginas 1041-1043.

3. Os cantos desta celebração devem manifestar o mistério que estamos celebrando: a Festa da Exaltação da Santa Cruz. Os cantos estão no CD: Festas Litúrgicas IV pela Paulus, traz presente que a Cruz deve ser exaltada porque através dela Cristo redimiu a humanidade. Para que haja uma caminhada litúrgica comum, é importante que os cantos da celebração sejam escolhidos pela equipe de liturgia e pela equipe de canto.

6- MÚSICA RITUAL

O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos cantar a liturgia e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com cada domingo, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são da Festa da Exaltação da santa Cruz, é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado. Jamais os cantos devem ser escolhidos para satisfazer o ego de um grupo ou de um movimento ou de uma pastoral. Não devemos esquecer que toda liturgia é uma celebração da Igreja corpo de Cristo e não de um grupo, de uma pastoral ou de um movimento.

“Não tem sentido, por exemplo, escolher os cantos de uma celebração em função de alguns que se apegam a um repertório tradicionalista, ou ainda de outros que cantam somente as músicas próprias de seu grupo ou movimento, nem de outros que querem cantar exclusivamente cantos ligados à realidade sócio-política, ou cantos concentrados em certos temas, se isto vai provocar rejeição da parte da assembléia” (A música Litúrgica no Brasil, estudos da CNBB, página 78).

1- Canto de abertura. A cruz de Cristo, nossa glória (Gálatas 6,14). O melhor canto de abertura para a festa de hoje está no CD: Festas Litúrgicas IV, melodia da faixa 6: “Salve, ó Cruz libertadora”.

Se a comunidade não conhecer, sugerimos o canto: “Fiel madeiro da Santa Cruz, ó árvore sem rival”, CD: Tríduo Pascal I, melodia da faixa 17. Como canto de abertura, não podemos deixar de entoar um desses cantos que nos introduzem no mistério a ser celebrado.

Ensina a Instrução Geral do Missal Romano que o canto de abertura tem por objetivo, além de unir a assembléia, inseri-la no mistério celebrado (IGMR nº 47). Nesse sentido O Ofício divino das Comunidades e os Hinários Litúrgicos da CNBB nos oferecem uma ótima opção, que estão gravados no CD: Festas Litúrgicas IV

2- Ato penitencial. Missal Romano, página 397.

3. Hino de louvor. “Glória a Deus nas alturas…” Vejam o CD: Tríduo Pascal I e II e também no CD Festas Litúrgicas, Partes fixas do Ordinário da Missa do Hinário Litúrgico III da CNBB e também a versão da CNBB musicado por Irmã Miria e outros compositores.
O Hino de Louvor (Glória) é, sem dúvida, um dos momentos altos da celebração. Deve ser cantado solenemente por toda a assembléia. Deve-se estar atento na escolha dos cantos para o momento do glória. Ideal seria cantar o texto mesmo, tal como nos foi transmitido desde a antiguidade, que se encontra no Missal Romano, ou, pelo menos, o mesmo texto em linguagem mais adaptada para o nosso meio e também a versão da CNBB musicado por Irmã Miria e outros compositores (como já existe!). Evitem-se, portanto, os “glórinhas” trinitários! O hino de louvor (glória) não de caráter Trinitário e sim Cristológico. Pode ser acompanhado de uma coreografia feita por um grupo de crianças e ao som de sinos, onde houver.

4. Salmo responsorial 77/78. Punição do povo no deserto. “Das obras do Senhor, ó meu povo, não te esqueças”, CD: Festas Litúrgicas IV, melodia da faixa 7.

O Salmo responsorial é uma resposta que damos àquilo que ouvimos na primeira leitura. Isto mostra que o salmo é compromisso de vida e ele também atualiza e leitura para a comunidade celebrante. Primeira leitura, Palavra proposta e o salmo Palavra resposta. Por isso deve ser cantado da Mesa da Palavra (Ambão) por ser Palavra de Deus. Valorizar bem o ministério do salmista.

5. Aclamação ao Evangelho. A redenção do mundo pela Cruz. “Aleluia… Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos, porque pela vossa cruz remistes o mundo”, CD: Festas Litúrgicas IV, melodia igual à faixa 3. O canto de aclamação ao evangelho acompanha os versos que estão no Lecionário Dominical página 1043.

A aclamação ao Evangelho é um grito do povo reunido, expressando seu consentimento, aplauso e voto. É um louvor vibrante ao Cristo, que nos vem relatar Deus e seu Reino no meio das pessoas. Ele é cantado enquanto todos se preparam para ouvir o Evangelho (todos se levantam, quem está presidindo vai até ao Ambão).

6. Apresentação dos dons. O canto de apresentação das oferendas, conforme orientamos em outras ocasiões, não necessita versar sobre pão e vinho. Seu tema é o mistério que se celebra acontecendo na fraternidade da Igreja reunida em oração na Solenidade da Exaltação da Santa Cruz. Sem dúvida este é o canto mais apropriado para esta festa: “Nossa glória é a Cruz, onde nos salvou Jesus” CD: Festas Litúrgicas IV, melodia da faixa 8. É inspirado em Gálatas 6,14.

7. O canto do Santo. Um lembrete importante: para o canto do Santo, se for o caso, sempre anunciá-lo antes do diálogo inicial da Oração Eucarística. Nunca quando o presidente da celebração termina o Prefácio convidando a cantar. Se o (a) comentarista comunica neste momento o número do canto no livro, quebra todo o ritmo e a beleza da ligação imediata do Prefácio como o canto do Santo.

8. Canto de comunhão. “… Exaltado da terra… atrairei todos a mim” (João 2,32) ou “Eu, por mim, nunca vou querer outro título de glória que a Cruz de nosso Senhor Jesus Cristo”, (Gálatas 6,14). “Ninguém pode se orgulhar a não ser nisto, nos orgulhamos na cruz de Jesus Cristo”, CD: Festas Litúrgicas IV, melodia da faixa 9. Sem dúvida, este é o canto de comunhão mais adequado para esta solenidade.

O fato de a Antífona da Comunhão, em geral, retomar um texto do Evangelho do dia revela a profunda unidade entre a Liturgia da Palavra e a Liturgia, Eucarística e evidencia que a participação na Ceia do Senhor, mediante a Comunhão, implica um compromisso de realizar, no dia-a-dia da vida, aquela mesma entrega do Corpo e do Sangue de Cristo, oferecidos uma vez por todas (Hebreus 7,27).

7- ESPAÇO CELEBRATIVO

1. Preparar bem o espaço celebrativo, de modo que seja acolhedor, aconchegante para que desperte na assembléia a presença da Cruz do Senhor. A cruz introduzida na procissão de entrada seja colocada em destaque junto à mesa da Eucaristia do lado direito como de costume, ladeada de flores, velas e incenso queimando num pequeno incensório.

2. O simbolismo da cruz traz presente o anúncio da paixão e ressurreição do Senhor. A cruz processional, a mesma que será usada na procissão de abertura, esteja na entrada da Igreja, por onde todos passam. É uma forma de trazer presente o mistério que será celerado. Ela pode ficar aí até o início da celebração, ladeada de velas e flores, de forma que chame a atenção de todos os que vão chegando para a celebração.

3. A cruz é símbolo da fraqueza humana fortalecida pela graça de Deus. Nela ficou exposta toda a fragilidade e se manifestou a misericórdia de Deus ao ressuscitar seu Filho Jesus Cristo.

4. A cruz dos cristãos (referência à vida gasta em favor do próximo) deve ser assumida, carregada pelo caminho da vida, à maneira de Jesus, como está no Evangelho deste Domingo. Cláudio Pastro diz que ela é sinal da nossa vitória. Por isso “Uma procissão atrás da Cruz, traz presente a Igreja peregrina que segue a Cristo e caminha sob sua bandeira”.

8. AÇÃO RITUAL

Hoje, participando em comunidade da celebração eucarística, o Senhor nos revela e insere no seu mistério redentor, que tem como caminho a cruz, a paixão.

Criar um agradável clima de oração no início da celebração, por meio do canto de um refrão meditativo.

Um pouco antes da celebração, a comunidade pode cantar um refrão meditativo.

Ritos Iniciais

1. A celebração tem início com a reunião da comunidade cristã (IGMR 27.47). O canto de abertura começa tendo em conta essa realidade eclesial, e vai introduzir a assembleia no Mistério celebrado.

2. A saudação de quem preside deve, de preferência, seguir a fórmula “f”, de 1Pedro 1,1-2 por ser de caráter batismal.

Irmãos eleitos segundo a presciência de Deus Pai, pela santificação do Espírito para obedecer a Jesus Cristo e participar da bênção da aspersão do seu sangue, graça e paz vos sejam concedidas abundantemente.
3. Após a saudação presidencial o diácono, ou um ministro, devidamente preparado, propõe o sentido litúrgico nos seguintes termos:

Celebrando, hoje, a festa da Exaltação da Santa Cruz, somos chamados a olhar para o mistério que fundamenta a nossa fé: pela morte de Cruz, Jesus não tomba aniquilado e derrotado, mas se oferece pela salvação do mundo, cumprindo, obedientemente, a vontade do Pai, que o ressuscita, como primícias da ressurreição da humanidade.

4. A recordação da vida pode ser o espaço ideal para manifestar os fatos marcantes como aniversários, bodas, momentos de dor e de luto, missa de 7º e 30º dia, etc. A lembrança pelos falecidos pode ser feita na Oração Eucarística (memento dos mortos) e as demais necessidades manifestadas nas preces.

5. Neste Domingo é muito oportuno cantar o terceiro formulário contido no Missal Romano, invocação alternativa 3, para o tempo da Quaresma, Missal Romano, pág. 397. É muito propício para esta Festa de hoje. Esse formulário traz consigo três invocações em perfeita consonância com o Mistério celebrado:

Senhor, que fazeis passar da morte para a vida quem ouve vossa Palavra;
Cristo, que quiseste ser levantado da terra para atrair-nos a vós;
Senhor, que nos submeteis ao julgamento da vossa cruz. Ver em Música Ritual.

6. O Hino de Louvor (Glória) é, sem dúvida, um dos momentos altos dessa celebração. Deve ser cantado solenemente por toda a assembléia e não somente pela equipe de canto. Nunca escolher músicas complicadas dificultando a participação da assembléia.

7. Na oração do dia suplicamos a Deus que nos dê sensibilidade para conhecer na terra o mistério da Cruz, para que possamos colher no céu os seus frutos.

Rito da Palavra

1. Dar destaque especial à Liturgia da Palavra, proclamando bem as leituras, especialmente o Evangelho. O Evangeliário pode ser acompanhado de tochas e incenso. E a proclamação deve ser feita de tal maneira que a comunidade viva e experiência da Encarnação de Jesus o Verbo (Palavra) que se fez carne e habitou entre nós e morreu na Cruz para a nossa salvação. Palavra que é o próprio Cristo, recebendo acolhida na assembléia reunida, seu Corpo. Nunca é demais insistir: proclamem-se bem as leituras até mesmo fazendo um breve silêncio entre cada uma delas. Por exemplo, após o salmo responsorial, não iniciar logo a segunda leitura. Dar uma pequena pausa para assimilar-se a riqueza do salmo. O silêncio é o momento em que o Espírito Santo torna fecunda a Palavra no coração da comunidade. Nem tudo cabe em palavras.

2. Rito da Cruz. Após a homilia e o silencio, erguer solenemente a Cruz. É muito oportuno que a assembleia expresse sua fé no Senhor Jesus que nos convida a carregar nossa cruz com o canto: “Salve, ó Cruz libertadora!”. Após o refrão cantar somente a primeira estrofe.

Rito da Eucaristia
1. Na oração sobre as oferendas, suplicamos a Deus que o santo sacrifício oferecido no altar da Cruz, nos purifique de todas as faltas.

2. Recorde-se que em caso de prefácio móvel, somente as orações eucarísticas I, II e III devem ser escolhidas. A segunda admite troca de Prefácio. Para a celebração de hoje deve-se escolher umas destas três orações eucarísticas porque as outras têm prefácio próprio.

3. Os prefácios deveriam ser escolhidos sempre em consonância com o Mistério celebrado em cada ocasião, evitando a escolha dos textos genéricos. Para tanto, deve-se observar o conteúdo do embolismo, parte central do Prefácio. Além de ter o núcleo desta parte da Oração Eucarística, será aí que encontraremos maior ou menor sintonia com as outras partes da celebração, no que se refere aos focos do Mistério celebrado: leituras bíblico-litúrgicas, eucologia e demais elementos como hinos, antífonas, etc.

4. Seguindo esta lógica, e a Festa da Exaltação da Santa Cruz, existe o Prefácio próprio na página 656, cujo embolismo reza: “Pusestes no lenho da Cruz a salvação da humanidade, para que a vida ressurgisse de onde a morte viera. E o que vencera na árvore do paraíso, na árvore da Cruz fosse vencido”. O grifo no texto identifica aqueles elementos em maior consonância com o Mistério celebrado neste Domingo e que pode ser aproveitado na própria, ao modo de mistagogia.

5. Na Oração Eucarística, “compete a quem preside, pelo seu tom de voz, pela atitude orante, pelos gestos, pelo semblante e pela autenticidade, elevar ao Pai o louvor e a oferenda pascal de todo o povo sacerdotal, por Cristo, no Espírito”.

6. Na motivação para o abraço da paz usar a terceira fórmula:

“Em Jesus, que nos tornou todos irmãos e irmãs com sua cruz, saudai-vos com um sinal de reconciliação e de paz”.

7. Valorizar o rito da fração do Pão, devidamente acompanhado pela assembléia com o canto profundamente contemplativo e orante do Cordeiro de Deus.

8. A comunhão em duas espécies manifestará o caráter de banquete escatológico do Reino (Lucas 13,29-30). Também De acordo com as orientações em vigor, a comunhão pode ser sob as duas espécies para toda a assembleia. “A comunhão realiza mais plenamente o seu aspecto de sinal quando sob as duas espécies. Sob essa forma se manifesta mais perfeitamente o sinal do banquete eucarístico e se exprime de modo mais claro a vontade divina de realizar a nova e eterna Aliança no Sangue do Senhor, assim como a relação entre o banquete eucarístico e o banquete escatológico no Reino do Pai” (IGMR, nº 240). Quando bem orientada, a comunidade aprende fácil esse rito que é resposta obediente ao mandamento do Senhor “tomai e bebei”.

9. Distribuir o corpo de Cristo de forma consciente e orante, como um gesto de profundo serviço, expressando nele o próprio Cristo que se dá como servo de todos. Isso vale tanto para quem preside como para os ministros extraordinários.

Ritos Finais

1. Na oração após a comunhão, suplicamos a Deus que alimentados pela Santa Ceia, possamos reconhecer que a árvore da Cruz, nos trouxe a vida.

2. As palavras do rito de envio podem estar em consonância como mistério celebrado: A Cruz do Senhor seja a vossa força. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.

3. É comum além, de entrar em procissão no início da celebração guiados pela Cruz, também retirar-se do espaço sagrado em procissão, igualmente guiados pela Cruz.

9- CONSIDERAÇÕES FINAIS

A celebração da Cruz é a celebração do Dom de Deus desde o mais íntimo da condição humana. O Cristo sobre a Cruz aparece como o homem efetivo, porque aparece como aquele que percorreu todas as estações dos seus próprios contrários: a Via Crucis.

O objetivo da Igreja e da nossa equipe diocesana de liturgia é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas aquelas outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.

Um abraço fraterno a todos
pe. Benedito Mazeti

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