Artigos, Pe. Bendito Mazeti › 12/01/2019

FESTA DO BATISMO DO SENHOR – ANO C – 13/01/2019

Imagem: Pixabay

(Domingo depois da Epifania)

13 de janeiro de 2019

 

“ELE VOS BATIZARÁ NO ESPÍRITO SANTO E NO FOGO”

 

 

 

 

Leituras

– Isaías 42,1-4.6-7. Ele promoverá o julgamento das nações.

– Salmo 28/29,1-4.3.9-10. Eis a voz do Senhor sobre as águas.

– Atos dos Apóstolos 10,34-38. Deus não faz distinção entre as pessoas.

– Lucas 3,15-16.21-22. Jesus também recebeu o batismo.

 

1 – PONTO DE PARTIDA 

Domingo do Batismo do Senhor. A festa do Batismo do Senhor encerra o Ciclo do Natal e dá início ao Tempo Comum. A conexão desta festa com o Natal sugere o novo nascimento do cristão em Cristo. A narrativa do Batismo, mais que uma cronologia da vida de Jesus, recorda Kênose e exaltação dele através do movimento de ser batizado, isto é, mergulhado nas profundezas da humanidade até o ponto de ser batizado com os contemporâneos, sem ser pecador, em solidariedade a eles. Em seguida, correspondendo à sua glorificação, sai da água, confirmado pela unção do Espírito e pela voz do Pai. Este é o aprofundamento do Natal, apresentando o Batismo e o seu Mistério Pascal, como novo nascimento do cristão. O Tempo do Natal é concluído, celebrando o início do ministério de Jesus, para o qual recebeu a unção do Espírito.

O Batismo de Jesus nos remete a considerar nosso próprio batismo, seu significado, os compromissos que dele decorrem.

O Espírito Santo desce sobre Jesus que ouve a voz do Pai: “Tu és o meu Filho amado, em ti ponho o meu benquerer”. Com certeza, o Espírito também paira sobre nós e o amor paternal do Pai lança sobre nós seu imenso bem-querer.

 

2 – REFLEXÃO BÍBLICA, EXEGÉTICA E LITÚRGICA

Contemplando os textos

Primeira leitura – Isaías 60,1-6. O Servo do Senhor é uma figura muito importante. É um dos trechos chamados de Cantos do Servo do Senhor.

A leitura começa com uma apresentação do Servo: “Eis o meu servo – eu o recebo; eis o meu eleito – nele se compraz minha alma; pus meu espírito sobre ele…” Nesta apresentação fala-se da vocação do Servo, do conteúdo de sua missão e do modo de executá-la. Em primeiro lugar fala-se dele como Servo eleito de Deus, o encarregado de seu Senhor e seu instrumento. O servo goza de especial proteção de Deus, com quem ele está em estreita união. É Deus que o chama, que o segura pela mão, que o forma (versículo 6) e lhe dá o seu apoio, sua afeição e seu Espírito (versículo 1). O Espírito de Deus repousa sobre ele como um dom duradouro que o vai ajudar na execução da missão.

O conteúdo da missão do Servo é de grande importância. Ele será intermediário da nova Aliança entre Deus e o povo de Deus, luz das nações (versículo 6). Aplicado a Ciro rei da Pérsia significa que ele, pela libertação dos cativos, inaugura aquela nova ordem de salvação que o profeta anuncia também em outros lugares como “o caminho da justiça”, que Deus vai implantar na história dos povos (cf. Isaías 40,14) ou como aliança que Deus oferece a seu povo (cf. Isaías 54,10; 55,3). Ele é luz das nações porque o decreto de alforria não se limita aos exilados de Israel, mas beneficia os cativos de todas as nações que eram vítimas do Império da Babilônia.

Nesta passagem de Isaías 42,1-7 não se enumeram, porém, várias verdades que o Servo vaio ensinar, mas diversas ações que ele vai executar: “Levar às nações a justiça” (versículo 1), “estabelecer a justiça sobre a terra” (versículo 4) fundamenta-se em “não esmagar a cana quebrada” (versículo 3), “abrir os olhos dos cegos”, “tirar do cárcere os cativos” (versículo 7); “ser aliança de Deus com o povo” (versículo 6). Trata-se, pois, muito mais de uma salvação e libertação de desgraças corporais e espirituais que o Servo realiza, do que uma religião ou de uma doutrina que ele prega. A diferença é importante. “Pregar a verdadeira religião” e “estabelecer o direito e a justiça” não são a mesma coisa. Basta ver a história do Cristianismo e da Igreja podemos ver que durante muitos séculos pregou-se a verdadeira religião sem tocar no direito e na justiça e sem se incomodar com a ausência dos mesmos. Isto não quer dizer que adiantaria muito substituir a pregação da verdadeira religião pela pregação do direito e da justiça. Aliás, parece que a tarefa do Servo não é tanto de pregação, mas muito mais de interpretação, de reconhecer na política internacional de Ciro um modo de agir que corresponde ao “caminho da justiça” (Isaías 40,14) e ao plano de libertação e salvação de Deus.

O Servo trabalhará em silêncio, não nas ruas e praças públicas (cf. Jeremias 36) e sem movimentar as massas (cf. Ezequiel 33,30-33). Ele não vai “arrebentar” ninguém, multiplicando as ameaças e profecias de desgraças naturais, sociais ou políticas que desanimam qualquer um, mas vê a sua missão justamente em fazer o contrário. Para que a salvação que ele traz realmente atinja a todos, o Servo se compadecerá dos fracos, tratando-os com ternura (versículos 2-3). Esta atitude não é sinal de fraqueza, mas revela o amor a compaixão e compreensão de Deus

Ficou claro que o papel do Servo-Israel é o de ser luz das nações e o de fazer brilhar essa luz até as extremidades da terra (versículo 4), manifestando a salvação de Deus e levando a lei e a instrução às nações.

Assim, a vocação missionária de cada cristão está igualmente ligada a uma “vida oculta”, discreta, e dispersada com as do povo em exílio ou de Cristo em Nazaré.  Uma presença como “sal da terra e luz do mundo” (Mateus 5,13). O cristão tem que ter uma presença discreta como o sal na comida. Sentimos o sal na comida, mas, não o vemos.

Salmo responsorial 28/29,1-4.3.9-10. O Salmo 28/29 é um hino de louvor. Todo o povo de Deus é convidado a aclamar o Senhor Deus, que manifesta a sua glória numa tempestade. Na tempestade a pessoa humana experimentou a presença do Deus forte: sua voz é trovão, quase corpóreo e ativo. Ao mesmo tempo, a pessoa sente a transcendência de Deus, que está sobre a tempestade, dominador e calmo. Para o uso litúrgico, o autor estiliza a tempestade em sete trovões que se sucedem de modo irregular.

O contexto do salmo é de culto a Deus. O primeiro trovão é a voz de Deus, vindo da região celeste, atravessando a região das águas.

O povo reconhece Deus como o Senhor da natureza, mais forte do que todos os elementos da natureza. Deus é o aliado que abençoa o seu povo com a paz. Sete vezes se repete a expressão “voz de Deus”: Jesus Cristo é a voz de Deus, o Verbo que se fez gente.

O rosto de Deus neste salmo é muito interessante. É o aliado que abençoa o seu povo com a paz (versículo 11). Seu nome glorioso é Javé, o Deus do êxodo e da libertação. O povo, seu aliado, O reconhece como Senhor da natureza e do Templo, proclama Sua glória, ao passo que a natureza simplesmente se assusta e treme. É o Senhor da tempestade, mais forte do que tordos os elementos fortes da natureza. Aqui está o seu rosto: Deus forte.

Vários são os modos de aproximar este salmo da prática de Jesus. Por exemplo, Ele se revela Senhor e dominador dos elementos da natureza (vento e mar em Marcos 4,35-41); o povo, vendo o que Jesus faz, dá glória a Deus (Lucas 7,11-17; 17,18); o Evangelho de João afirma que Jesus revela plenamente o Pai (João 1,18) e faz tudo o que vê o Pai fazer (5,19).

Recordemos a voz de Cristo que impõe silêncio ao mar tempestuoso (Marcos 4,39); e a voz poderosa de Cristo na cruz, descrita como teofania por Mateus 27,50. E também a voz do Espírito no dia de Pentecostes. Estas vozes nos convidam a aclamar a glória e o poder do Senhor; mas também nos ensinam a ouvir na tempestade um eco e ressonância do poder do Senhor.

Cantando este Salmo, demos graças ao Pai que nos consagrou e nos fez participar da missão de Jesus, seu Servo que é Luz para iluminar das nações.

NAS ÁGUAS DO JORDÃO MERGULHADO,

CRISTO RECEBEU O ESPÍRITO SANTO.

Segunda leitura – Atos 10,34-38. O trecho da pregação feita por Pedro, em Cesareia, diante do centurião romano Cornélio e sua família, para atraí-los à conversão e ao batismo, quando Pedro sanciona a admissão dos “pagãos” ao Evangelho sem obrigá-los aos costumes judaicos principalmente a circuncisão. Ele começa afirmando que Deus não faz diferença de pessoas; não distingue nem privilegia um povo ou raça, mas aceita a todos e a cada um que o reconhece como Senhor e pratica a justiça.  Segundo o costume do povo judeu, era proibido ir à casa de alguém que não era judeu.

 A primeira parte da pregação contém a Atividade de Jesus na Galileia. Na segunda parte narram-se Viagens de Jesus fora da Galileia e rumo à Judeia e a Jerusalém. E a terceira parte abrange a Atividade, Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus em Jerusalém.

Na introdução há três indicações geográficas: Judeia, Galileia e Nazaré. A questão importante, isto é, o cerne da questão encontra-se no nome de Jesus de Nazaré. Jesus é aqui identificado como pessoa histórica e não através de um título cristológico.

Todo este trecho está moldado e enquadrado entre os versículos 36 e 42s. No versículo 36 Jesus é apresentado como o Cristo, isto é, Messias e Ungido do povo de Deus (Israel) e como o Senhor de todos (os povos). No versículo 43 afirma-se que em Jesus se realizaram as profecias de todos os profetas de Israel e que Ele foi estabelecido Juiz dos vivos e dos mortos, isto é, de todos. Jesus é Aquele que veio trazer a “boa nova da paz” (versículo 36).

Mas quando a pregação apresenta a descrição da Paixão e da Ressurreição de Cristo (versículos 39-40), Lucas retoma uma espécie de “resumo” da Paixão que devia circular nas comunidades primitivas (cf. Marcos 8,31; 9,31; 10,33).

Uma das notas mais importantes destes resumos sobre a Paixão e Ressurreição é a citação do terceiro dia tão frequente na catequese primitiva e ainda inscrita em nossa Profissão de Fé, o Creio. De fato trata-se de uma referência a Oseias 1,2 (onde a palavra “levantar” é em grego, a mesma que indica a ressurreição). O Talmud interpretava esta profecia de Oseias da ressurreição final dos corpos: os três dias deviam indicar o espaço de tempo necessário para ressuscitar todos os mortos de Israel e permitir que chegassem a Jerusalém. A ressurreição de Cristo é, portanto, a primeira entre tantas outras (cf. Mateus 27,52-53); ela já é a grande ressurreição dos corpos. Lucas quer dizer que a ressurreição dos corpos, tal como fora prevista pelos profetas, começou deste a ressurreição de Cristo.

Os grandes eixos da pregação de Pedro: fé na ressurreição de Cristo e na nossa própria ressurreição, conversão e testemunho especificam perfeitamente as características catecumenais. O batismo é o sacramento de fé, não que ele a conceda automaticamente, mas porque habilita cada discípulo e discípula, triunfando o mal, a fazer de sua vida uma vida de ressuscitado que o prepara para outro batismo: o da morte pelo qual nos vem o acesso à vida eterna em Jesus Cristo.

Evangelho – Lucas 3,15-16.21-22. Lucas quer evitar que o povo pense que Jesus seria menor do que João Batista porque foi batizado por ele. Por isso Lucas introduziu a pergunta explícita do povo “se João não seria o Cristo” (versículo 15), interrogação que não se encontra na sua fonte que é no Evangelho de Marcos. João Batista o nega formalmente. Segundo Mateus 3,11 e Marcos 1,7 João Batista declarou: “Depois de mim vem outro mais poderoso do que eu”. Lucas (3,16) tira o depois de mim que poderia sugerir que Jesus tivesse sido discípulo de João Batista. Lucas separa explicitamente o batismo de Jesus da descida do Espírito Santo e da proclamação do Pai, inserindo entre os dois eventos a oração de Jesus: “… e no momento em que Jesus, já batizado também, estava orando, abriu-se o céu… etc.”.

Lucas tem uma particularidade muito interessante. Segundo ele, Jesus é batizado no meio de uma multidão (versículo 21: “todo o povo”) e “o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea”, isto é, visível para todo o povo.

Nos três Evangelhos (Mateus, Marcos e Lucas) a descida do Espírito Santo e a voz do céu marcam a vocação-proclamação de Jesus como Messias. A voz celeste reza: “Tu és o meu Filho; eu, hoje, te gerei”, citação do Salmo 2,7, versículo cantado no canto de abertura da noite de Natal.

Podemos, acentuar, especialmente a oração de Jesus (versículo 21), tema muito estimado de Lucas (Lucas 5,16; 6,12; 9,18-29; 11,1, 22,41). O evangelista apresenta Cristo a rezar até no momento em que se vai receber o Espírito Santo, como rezam os cristãos em ocasiões semelhantes (Atos 1,14; 2,1-12; 4,31), ocasiões sempre batismais, a fim de fazer compreender que o ritual do batismo cristão já está virtualmente constituído no Jordão (oração da comunidade, rito batismal pelo presbítero, dom do Espírito por Deus). No Evangelho de Lucas, antes de Jesus tomar qualquer decisão, Ele está em oração, isto é, em comunhão com o Pai. Lucas apresenta Jesus como modelo de oração.

Diz o Evangelho que o povo estava na expectativa da vinda do Messias, isto é, daquele que deveria chegar para resgatá-lo da opressão da tirania dos poderosos, tanto políticos como religiosos. Um Messias que viesse inaugurar a alternativa de um caminho novo de vida. O profeta João pregava, isto é, conclamava o povo a voltar para a justiça de Deus. Aos que aderiam ao conteúdo de sua pregação, o profeta mergulhava-os na água como sinal celebrativo da conversão. Sua pregação arrastava multidões, a maioria de pobres e excluídos. Tanto que começaram a imaginar ser ele, João, o próprio Messias esperado.

João reage, afirmando categoricamente que não. “Eu batizo vocês com água”, diz ele, “mas virá aquele que é mais forte do que eu. Eu não sou digno de desamarrar a correia de suas sandálias.” João nunca quis tomar o lugar do Messias.

Na verdade, o Messias já estava ali no meio daquela multidão, mas desconhecido, misturado no meio do povão, ombro a ombro com os pobres, solidário com eles. Ninguém sabia. Junto com o povo, Ele também mergulha na água como sinal, não de uma “conversão” (evidentemente!), mas de uma “missão”. Jesus está ali… Diz o Evangelho que, “enquanto ele rezava, o céu se abriu e o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma visível, como pomba”. E do céu ressoou uma voz dizendo: “Tu és o meu Filho amado, em ti ponho o meu bem-querer”.

 

3 – DA PALAVRA CELEBRADA AO COTIDIANO DA VIDA

 Sabemos que o Evangelho foi escrito em língua grega. A palavra “batizar”, em grego, significa “mergulhar na água”. “Batismo” quer dizer “mergulho”. “O ponto alto do batismo (mergulho) de Jesus está no fato de o Espírito Santo descer sobre ele em forma visível, e na voz que em do céu. É a voz do Pai que o proclama seu Filho amado, no qual se encontra sua complacência (v.22). Antes disso, porém, a liturgia traz dois versículos que falam de João Batista e da expectativa do povo em relação à vinda do Messias.”

Havia, entre as massas populares, uma enorme comoção de expectativas em torno da vinda de um Messias, de um rei que estaria para chegar. Ele haveria de libertar o povo das opressões internacionais e estabeleceria no país a justiça e o direito. O povo vivia intensamente essa esperança. Já não suportava mais o peso da dominação e os abusos do poder dominante. O profeta também nutria tais esperanças e expectativas, mas não usurpava o lugar do Messias. Apresentava-se como humilde servo do Libertador que estava para chegar.

O Evangelho apresenta-O misturado em meio à massa popular, lado a lado com os que sofrem, participando de suas dores e sonhos. No fundo, trata-se de uma intensa profissão de fé, à luz da Páscoa vivida pelos futuros cristãos. O Evangelho mostra-nos qual é o caminho “messiânico” de Deus na pessoa de Jesus: é o seu discreto mergulho profundo e solidário na realidade concreta do povo sofrido para, junto com ele, libertá-Lo… Por isso Jesus nos é revelado Filho de Deus. Mergulhado profundamente no Espírito (amor solidário) de Deus. Jesus é Filho e como Filho, assim se faz irmão dos que sofrem para arrancá-los da morte e restituí-los à vida. Essa é a missão de Jesus.

O mergulho nas águas junto com aquele povo constitui um verdadeiro sinal que celebra (torna célebre) esta grande mistério da comunhão trinitária. Ao mesmo tempo, celebra o início de um mergulho totalmente novo, a saber: radical e solidariamente mergulhado (pela sua prática de vida) na crua realidade humana (até no abismo da morte!), ressuscitado, ele arrasta consigo os humanos para o mais profundo mergulho, o que é no Espírito de Deus e, assim, na vida de Deus. Tornamo-nos então filhos de Deus no Filho, mistério este que celebramos (vivenciamo-nos no presente) pela profissão de fé cristã e pelo mergulho nas águas do batismo cristão.

Cumpre-se, pois, o que fora anunciado pelo profeta Isaías, séculos antes, quando Deus diz: “Eis o meu servo: nele se compraz a minha alma; pus o meu espírito (meu amor solidário) sobre ele, ele promoverá a justiça ente os povos”. Ele não esmorecerá: levará a missão até o fim, custo o que custar. “Eu, o Senhor, te chamei para a justiça e te tomei pela mão; eu te forme e constituí como o centro de aliança do povo, luz das nações, para abrires os olhos dos cegos, tirares os cativos da prisão, livrares do cárcere os que vivem nas trevas”. Foi o que ouvimos na primeira leitura, cantando depois  com o Salmo 28(29): “Que o Senhor abençoe, com a paz, o seu povo!”

É o que mais tarde, já com Jesus glorioso e vencedor da morte, nos lembra o apóstolo Pedro: “Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judéia, a começar pela Galiléia, depois do batismo pregado por João: como Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder. Ele andou por toda a parte, fazendo o bem e curando a todos os que estavam dominados pelo demônio; porque Deus estava com ele”, conforme ouvimos na segunda leitura.

“A festa do Batismo do Senhor revela, ao mesmo tempo, que é Jesus e o que ele faz, quem são os seus seguidores e o que são chamados a realizar na sociedade. Não basta termos recebido o batismo. Não são suficientes belas celebrações. O que se requer é um compromisso com a justiça que cria novas relações na comunidade e fora dela”, como Jesus fez. Ser batizado é viver “mergulhado” no projeto de Jesus, a fim de que, num mundo de jogo de poder e corrupção, haja mais justiça em favor dos pobres e excluídos. Que Deus nos ajude a perseverar, com Jesus, nessa missão em nossas comunidades.

Por isso, é pedido como conclusão dos ritos iniciais da celebração de hoje: “Ó Deus eterno e todo-poderoso, que, sendo Cristo batizado no Jordão, e pairando sobre ele o Espírito Santo, o declarastes solenemente vosso Filho, concedei aos vossos filhos adotivos, renascidos da água e do Espírito Santo, perseverar constantemente em vosso amor”.

 

4 – A PALAVRA SE CARNE E SE  FAZ CELEBRAÇÃO

Todos nós somos batizados, mas todos nós muito pouco, ou quase nada nos recordamos disso. Em geral porque fomos batizados quando ainda bebês. Foi o maior presente que nossos pais nos deram: a vida plena em Jesus. Que tal se recordássemos agora o nosso batismo? Não ritualmente como fazemos a aspersão da comunidade, mas lembrando as palavras mesmas que foram ditas e os gestos que as acompanharam: no momento central do batizado, os pais, padrinhos e familiares se aproximam da pia batismal com a criança ou adulto a ser batizado. No caso das crianças, o padre pergunta aos pais se referindo ao creio dialogado: “Senhor e senhora, vocês desejam que a seu(a) filho(a) seja batizado(a) na fé da Igreja que acabamos de professar?”. Os pais respondem: “Sim, queremos”. Então, o padre derrama água sobre a cabeça da criança por três vezes, ou mergulha por três vezes na pia, dizendo: “Fulana, eu te batizo em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo.”

Simbolicamente se dá uma conjunção de vida humana com a vida divina, o nome da pessoa batizada e o nome divino, Deus na vida dela e ela na vida de Deus. Também na água fazemos o mesmo que Jesus fez: entramos na morte para sairmos na vida nova, levados de toda com ele no contato com a água e assumimos a nossa solidariedade em sua ressurreição ao sair do mergulho (tradução exata para a palavra batismo) com um fôlego novo, o Espírito do Filho amado. Por isso não nos cansamos de recordar ritualmente o nosso batismo nas celebrações dominicais, pois como disse Tertuliano, um teólogo do século III: “Nós, os peixinhos segundo o nosso “Peixe”, Jesus Cristo, no qual nascemos, só nos salvaremos se permanecermos na água.”

 

5 – LIGANDO A PALAVRA COM A AÇÃO EUCARÍSTICA

Deus mergulha totalmente a vida do ser humano para que este possa mergulhar na vida de Deus e, assim, ajuda a construir uma sociedade alternativa em que, no Espírito de Deus, reinem a justiça, o direito, a reconciliação, a fraternidade, a paz, o amor, a vida. Eis o mistério que celebramos neste dia do Batismo do Senhor.

Daqui a pouco estaremos em torno da mesa do Senhor para celebrar a memória do seu batismo maior, isto é, do seu mergulho nossa morte, para que, com ele ressuscitado, sejamos mergulhados na Vida divina e eterna. Louvamos e bendizemos Deus pelo batismo de seu Filho e pelo nosso batismo, pela Páscoa de seu Filho e nossa Páscoa, pelo dom do Espírito de Deus e pelo espírito de solidariedade de tantas pessoas e grupos que, ultrapassando seus próprios limites, continuam hoje a missão de Jesus entre os pobres e excluídos de nossa sociedade.

Depois vamos comungar: aceitamos que o Senhor mergulhe em nós com seu corpo entregue e seu sangue derramado para que, assimilando este mistério, mergulhemos no seu Espírito e, assim, possamos também, unidos um só corpo, ajudar a construir sociedade nova, fraterna e solidária, sonhada por Deus e por todos. Participar da ceia do Senhor com este espírito, em comunidade eis um excelente “espaço” de escuta. Por isso, após a comunhão o sacerdote ora em nome de todos: “Nutridos pelo vosso sacramento, dai-nos, ó Pai, a graça de ouvir fielmente o vosso Filho amado, para que, chamamos filhos de Deus, nós o sejamos de fato.”

Que “a celebração eucarística – serviço por excelência de Jesus em vista do mundo novo – nos ajude a sermos filhos amados do Pai, responsáveis pela continuidade do seu projeto de liberdade e vida para todos.”

 

6 – ORIENTAÇÕES GERAIS
  1. Conforme o lugar e as circunstâncias, neste dia é recomendável, após a homilia, fazer a renovação das promessas batismais ao redor da pia batismal e do Círio Pascal. A renovação pode ser feita em forma de perguntas e respostas acompanhada de gestos, como tocar a água, elevar velas acesas, erguer as mãos.
  1. Os cantos desta celebração devem manifestar o mistério que estamos celebrando: é preciso cantar “o Natal” e não “cantar no Natal”. O Hinário Litúrgico I da CNBB – publicado em CD: pela Paulus, no volume “Liturgia V” – traz excelente repertório musical para celebra o mistério da Encarnação do Verbo na nossa história. Para que haja uma caminhada litúrgica comum, é importante que os cantos da celebração sejam escolhidos pela equipe de liturgia e pela equipe de canto.
  1. “O culto eucarístico, a oração individual ou comunitária diante do sacrário (tabernáculo), a bênção do Santíssimo Sacramento, procissões, como a de Corpus Christi, são desdobramentos da celebração do mistério da Eucaristia, que não devem ofuscar a natureza da Eucaristia como celebração da memória do sacrifício de Jesus Cristo em forma de ceia. Por isso, tais devoções não devem ser inseridas na missa” (Guia Litúrgico Pastoral, Edições CNBB, página 24).
7 – MÚSICA RITUAL
  1. O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos cantar a liturgia e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com cada domingo do Tempo do Natal, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são do Tempo do Natal, é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado. Jamais os cantos devem ser escolhidos para satisfazer o ego de um grupo ou de um movimento ou de uma pastoral. Não devemos esquecer que toda liturgia é uma celebração da Igreja corpo de Cristo e não de um grupo, de uma pastoral ou de um movimento.

A escolha dos cantos para as celebrações seja feita com critérios válidos. Não se devem escolher os cantos para uma celebração porque “são bonitos animados e agradáveis”, ou porque “são fáceis”, mas porque são litúrgicos. Que o texto seja de inspiração bíblica, que cumpram a sua função ministerial e que se relacionam com a festa ou o tempo. Que a música seja a expressão da oração e da fé desta comunidade; que combinem com a letra e com a função litúrgica de cada canto.

 

Canto de abertura.  “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado” (Mateus 3,17b). Sem dúvida, o canto de abertura mais adequado para esse dia é o Salmo 71: “Eis que veio o Senhor dos senhores”, CD: Liturgia V, melodia da faixa 12.

A Igreja oferece outras possibilidades: “Quem não renascer da água…”, Hinário Litúrgico I, Suplemento página 34; ao ainda o Salmo 22, “O Senhor é meu Pastor” na versão que está no Hinário Litúrgico II página 23, e gravado no CD: Liturgia X Tempo Pascal Ano B. Como canto de abertura, não podemos deixar de entoar um desses cantos que nos introduzem no mistério a ser celebrado.

Ensina a Instrução Geral do Missal Romano que o canto de abertura tem por objetivo, além de unir a assembléia, inseri-la no mistério celebrado (IGMR nº 47). Nesse sentido o Hinário Litúrgico I da CNBB nos oferece uma ótima opção, que estão gravados no CD Liturgia V.

  1. Hino de louvor. “Glória a Deus nas alturas…” Vejam o CD Tríduo Pascal I e II e também no CD Festas Litúrgicas, Partes fixas do Ordinário da Missa do Hinário Litúrgico III da CNBB e também a versão da CNBB musicado por Irmã Miria e outros compositores.

O hino de louvor foi conservado na liturgia renovada do Concílio Vaticano II por seu um hino antiquíssimo e venerável. Possivelmente esteja na liturgia desde o século II. Cabe a nós conservarmos esse tesouro recebido da tradição litúrgica. Sejamos fiéis ao Glória que nos foi legado pela Igreja. Vale dizer que se observe a letra do texto oficial do Missal Romano ou a versão da CNBB.

 

  1. Salmo responsorial 28/29. O Louvor a Deus por seus filhos. “Nas águas do Jordão mergulhado, Cristo recebeu o Espírito Santo”, CD Liturgia V, melodia da faixa 16.

O Salmo Responsorial é um canto ritual para ser entoado do Ambão. Pela voz do salmista, a Palavra de Deus cantada é dirigida à assembléia que a escuta, a recebe e manifesta sua adesão por uma aclamação, por um “responso”, que normalmente chamamos refrão. Assim se estabelece o dinamismo do diálogo incessante que se mantém na liturgia da Nova Aliança entre o esposo (o Cristo Senhor) e sua dileta esposa (a Igreja) na esperança das núpcias definitivas.

  1. Canto ritual do Aleluia. “Então o céu se abriu e Jesus viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo pousar sobre ele” (Mateus 3,16b). “Aleluia…Pois abriram-se os céus… ”, CD Liturgia V, faixa 14. O canto de aclamação ao evangelho acompanha os versos que estão no Lecionário Dominical, página 735.

A aclamação ao Evangelho é um grito do povo reunido, expressando seu consentimento, aplauso e voto. É um louvor vibrante ao Cristo, que nos vem relatar Deus e seu Reino no meio das pessoas. Ele é cantado enquanto todos se preparam para ouvir o Evangelho (todos se levantam, quem está presidindo vai até ao Ambão).

  1. Apresentação dos dons. O canto de apresentação das oferendas, conforme orientamos em outras ocasiões, não necessita versar sobre pão e vinho. Seu tema é o mistério que se celebra acontecendo na fraternidade da Igreja reunida em oração na festa do Batismo do Senhor. Sem dúvida o Salmo 95 canto é o mais apropriado para esta festa. “Cantai ao Senhor um canto novo,” CD: Liturgia V, faixa 17.
  1. O canto do Santo. Um lembrete importante: para o canto do Santo, se for o caso, sempre anunciá-lo antes do diálogo inicial da Oração Eucarística. Nunca quando o presidente da celebração termina o Prefácio convidando a cantar. Se o (a) comentarista comunica neste momento o número do canto no livro, quebra todo o ritmo e a beleza da ligação imediata do Prefácio como o canto do Santo.
  2. Canto de comunhão. “Este é o filho de Deus” (João 1,32-34). Sem dúvida, o canto de comunhão a mais adequado pra esse dia é Isaias 11: “O Espírito de Deus sobre ele pousará, de saber de entendimento este espírito será…” com este refrão: “Nas águas do Rio Jordão João batizou Jesus, a voz do Pai se ouviu, então, o Espírito o consagrou”.

Outra possibilidade é o Salmo 42: “A minha alma tem sede de Deus”, Hinário Litúrgico II, página 40; “Desperta tu que dormes…” Hinário Litúrgico I, Suplemento página 2.  Estes três cantos retomam o Evangelho na comunhão de maneira autentica. Veja orientação abaixo.

O fato de a Antífona da Comunhão, em geral, retomar um texto do Evangelho do dia revela a profunda unidade entre a Liturgia da Palavra e a Liturgia, Eucarística e evidencia que a participação na Ceia do Senhor, mediante a Comunhão, implica um compromisso de realizar, no dia-a-dia da vida, aquela mesma entrega do Corpo e do Sangue de Cristo, oferecidos uma vez por todas (Hebreus 7,27).

 

8 – ESPAÇO CELEBRATIVO
  1. Preparar o espaço celebrativo, destacando além das mesas da Ceia e da Palavra, a fonte batismal com o Círio Pascal. Continuando em clima natalino, a cor é o branco.
No espaço celebrativo, colocar em destaque um arranjo que contenha alguns símbolos do batismo: água, óleo, vela, veste branca.

 

9 – AÇÃO RITUAL

A festa do Batismo do Senhor nos recorda a íntima ligação entre cruz e descida às águas, onde se dá o pleno reconhecimento da filiação divina do Homem de Nazaré e Nele todos os seres humanos.

Um pouco antes da celebração, a comunidade pode cantar um refrão meditativo.

 

Ritos Iniciais

  1. A saudação de quem preside deve, de preferência, seguir a fórmula “f”, de 1Pedro 1,1-2 por ser de caráter batismal.

“Irmãos eleitos segundo a presciência de Deus Pai, pela santificação do Espírito para obedecer a Jesus Cristo e participar da bênção da aspersão do seu sangue, graça e paz vos sejam concedidas abundantemente.”

  1. Após a saudação presidencial o diácono, ou um ministro, devidamente preparado, propõe o sentido litúrgico nos seguintes termos:

Celebramos o batismo de Jesus como expressão da sua solidariedade para com toda a humanidade. Ele é o Servo do Senhor, que carrega sobre si o pecado da humanidade, e justifica a todos. Sobre Ele repousa o Espírito de Deus e o benquerer do Pai. A liturgia nos faz olhar assim, para o nosso próprio batismo e para a filiação divina que alcançamos em Jesus Cristo.

  1. O Hino de Louvor (Glória) é, sem dúvida, um dos momentos altos dessa celebração do encerramento do Ciclo do Natal. Deve ser cantado solenemente por toda a assembléia. Deve-se estar atento na escolha dos cantos para o momento do glória. Ideal seria cantar o texto mesmo, tal como nos foi transmitido desde a antiguidade, que se encontra no Missal Romano, ou, pelo menos, o mesmo texto em linguagem mais adaptada para o nosso meio e também a versão da CNBB musicado por Irmã Miria e outros compositores (como já existe!). Evitem-se, portanto, os “glórinhas” trinitários! O hino de louvor (glória) não de caráter Trinitário e sim Cristológico. Pode ser acompanhado de uma coreografia feita por um grupo de crianças e ao som de sinos, onde houver.
  1. Na oração do dia suplicamos a Deus que conceda a todos nós seus filhos adotivos, renascidos da água e do Espírito Santo, ser perseverantes no Seu amor.

Rito da Palavra

  1. Dar destaque especial à Liturgia da Palavra, proclamando bem as leituras, especialmente o Evangelho. O Evangeliário pode ser acompanhado de tochas e incenso. E a proclamação deve ser feita de tal maneira que a comunidade viva e experiência da Encarnação de Jesus o Verbo (Palavra) que se fez carne e habitou entre nós. Palavra que é o próprio Cristo, recebendo acolhida na assembléia reunida, seu Corpo. Ao final da leitura e do Evangelho, nunca se deve dizer “Palavras do Senhor” e “Palavras da Salvação”, mas “Palavra do Senhor” e “Palavra da Salvação” (usa-se o singular, pois é Jesus, a Palavra do Pai, que acabou de falar!). A Palavra é realçada também por momentos de silêncio, por exemplo. Após as leituras, o salmo e a homilia, fortalecendo a atitude de acolhida à Palavra de Deus. No silêncio, o Espírito torna fecunda a Palavra no coração da comunidade e de cada pessoa. Nunca é demais insistir: proclamem-se bem as leituras até mesmo fazendo um breve silêncio entre cada uma delas. Por exemplo, após o salmo responsorial, não iniciar logo a segunda leitura. Dar uma pequena pausa para assimilar-se a riqueza do salmo.
  1. Após a homilia fazer a Renovação das Promessas Batismais.
  1. Onde for possível, fazer essa ação ritual. Quatro pessoas se aproximam com jarras ou cântaros de barro com água. Colocam-se ao redor da Pia Batismal ou do recipiente, previamente preparado, e enquanto despejam seu conteúdo, rezam: (Até chegarem na Pia, canta-se um refrão apropriado)

– A Ti, trazemos, Senhor, a água-sinal dos povos do Norte, a água-sinal dos Rios e Fontes da Europa, da Ásia, da América do Norte…

– A Ti, trazemos, Senhor, a água-sinal dos povos do Sul, a água-sinal dos Rios e Fontes da África, da América do Sul, da Austrália…

– A Ti, trazemos, Senhor, a água sinal dos povos do Oeste, a água sinal dos Mares e Lagos que irrigam as terras onde o sol adormece.

– A Ti, trazemos, Senhor, a água sinal dos povos do Leste, a água sinal dos Mares e Lagos que irrigam as terras onde o sol desponta.

(juntos): Água-sinal do profundo amor que tens por nós, de tua graça abundante, eterno manancial!

Refrão: “NAS ÁGUAS DO JORDÃO MERGULHADOS,

              SOMOS BATIZADOS NO ESPÍRITO SANTO!”

             (CD Liturgia V, faixa 16)

  1. b) O presidente se dirige até a Pia e reza:

Senhor Deus,

Hoje a Igreja, unida ao seu celeste esposo,

Cristo, banhando-se no Jordão,

Mergulha em tua Vida divina.

Neste dia, as águas exultam de alegria

por terem recebido, no meio do Jordão,

a bênção santificadora.

O Sol da justiça se banhou no rio,

o fogo mergulhou nas águas

e foi manifestada a todos os seres humanos

a salvação de Deus.

(estende as mãos sobre a água)

Que esta água, ó Pai recorde para nós o batismo do Senhor e seu mergulho em nossa humanidade. E teu povo passe da morte para a vida, e acolha a graça do teu Espírito que manifesta a tua misericórdia, por Cristo, nosso Senhor!

Refrão: “NAS ÁGUAS DO JORDÃO MERGULHADOS,

              SOMOS BATIZADOS NO ESPÍRITO SANTO!”

Em seguida, fazer a renovação das promessas batismais. Durante a profissão de fé e a renovação das promessas, a assembléia pode segurar velas acesas nas mãos.

(Missal Romano, página 289)

  1. c) O presidente asperge a assembléia com a água benta. Enquanto isso, pode cantar:

Banhados em Cristo, somos uma nova criatura.

As coisas antigas já se passaram, somos nascidos de novo.

Aleluia, aleluia, aleluia (bis)

(CD Tríduo Pascal II, faixa 11)

Rito da Eucaristia

  1. Na oração sobre o pão e o vinho, suplicamos a Deus que receba as nossas oferendas para que se tornem o sacrifício do Cordeiro que tira o pecado do mundo.
  1. Prefácio próprio, destaca que o Verbo habita entre nós e o servo foi ungido com o óleo da alegria e com a missão de levar a Boa-Nova aos pobres. A Oração Eucarística III, com o prefácio próprio, colocará em evidência a unção espiritual que a eucaristia reforça em cada batizado.
  1. Na celebração da Palavra, onde não houver Missa, após o rito da Palavra, cantar a Louvação do Natal sugerida no Hinário Litúrgico I, CNBB, página 75.
  1. A comunhão nas duas espécies, tal como autorizada pelo Missal Romano e alargada pelas definições da CNBB, explicitará a solidariedade do Servo do Senhor, no seu Batismo e no seu cálice (cf. n. 240 do Missal Romano).
  1. Distribuir o corpo de Cristo de forma consciente e orante, como um gesto de profundo serviço, expressando nele o próprio Cristo que se dá como servo de todos. Isso vale tanto para quem preside como para seus ajudantes.

Ritos Finais

  1. Na oração após a comunhão suplicamos a Deus que nos conceda a graça de ouvir fielmente o Filho amado, para que possamos ser chamados de filhos de Deus.
  1. As palavras do rito de envio podem estar em consonância como mistério celebrado: A alegria do Senhor seja a vossa força. Jesus Cristo manifestado nas águas do Jordão manifeste em nossa vida o seu amor. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.

 

10 – CONSIDERAÇÕES FINAIS

A celebração do batismo no Jordão desvela ao ser humano a sua condição, mostra-lhe o que é chamado a ser. É necessário que ele passe do batismo de João ai de Jesus; ao ser batizado este opera sacramentalmente esta passagem, que subsiste na conversão inerente a todo batismo cristão.

Ser batizado é portanto bem mais do que nos submeter a uma liturgia formal, a um rito de passagem ou receber uma herança de pai para filho e, muito menos ainda, nos livrarmos do caldeirão do diabo ou do limbo, por uma força mágica que descesse do outro mundo na hora do batismo. Só assim podemos esperar ouvir também de Deus as palavras: “Tu és o meu filho querido, em ti está toda a minha alegria!”

O objetivo da Igreja é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas aquelas outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.

Um abraço fraterno a todos.

 

Pe. Benedito Mazeti
Paróquia São Benedito
São José do Rio Preto, SP

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