Fotos › 17/10/2017

Experiência Missionária

CASAL DE LEIGOS FAZEM EXPERIÊNCIA MISSIONÁRIA NO NORTE

Em entrevista ao Jornal Diocese Hoje, o casal de leigos missionários Suely Bernardo Pinto e Leonildo Bernardo Pinto, da Paróquia São Francisco de Assis, de São José do Rio Preto, falam sobre a experiência missionária no Norte

1 – Como vocês decidiram participar da X Experiência Missionária da Diocese de Santarém-  Pará?

R. Fomos despertados a participar da X Experiência Missionária da Diocese de Santarém-Pa no período de 05 a 25 de janeiro de 2017 pelo Seminarista Jorge, do curso de Teologia do Seminário Sagrado Coração de Jesus de nossa Diocese, que tinha contato com aquela igreja local. Em setembro de 2016, iniciamos contatos com padre Rubnei, reitor do Seminário Pio X, de Santarém e coordenador da Missão, que nos informou da possibilidade de participação do casal. Falamos, em seguida, com o padre Eliseo, pároco de nossa Paróquia São Francisco de Assis, que deu seu aval, e autorizou-nos a colher também a aprovação do Sr. Bispo, Dom Tomé, que por sua vez, homologou o plano.

2 – Onde vocês realizaram a missão?

R. A missão foi realizada nas vinte e sete Comunidades da Paróquia de Sant’Ana, que fica no Distrito de Arapixuna, município de Santarém/PA, Suely e eu (Léo), integramos um grupo de quatro missionários, sendo os outros dois Luciano e Frank, seminaristas do Seminário Pio X de Santarém. Nós, ao longo de vinte dias, visitamos quatro Comunidades: Urucureá, Lago Central, Maicá e Carariacá. Ao mesmo tempo, outros grupos, integrados por missionários locais e de outras regiões do país, visitavam outras Comunidades.

3 – Como são as Comunidades onde realizaram a missão?

R – As Comunidades são muito tranquilas. As pessoas vivem um jeito simples de vida nessas áreas rurais da Região Amazônica, onde a fauna e a flora ainda são preservadas, embora sofram degradação As Famílias vivem da pesca, da caça, do extrativismo, como açaí, castanhas, fibras, ervas, etc., e também do cultivo da mandioca, do milho, da acerola. Algumas comunidades se unem na produção de artesanatos feitos com a folha da palmeira Tucumán. A maioria das moradias ainda é de madeira, com coberturas da palha da palmeira Curuá, mas existem casas de alvenaria e coberturas de telhas de barro e de fibrocimento. Em todas as Comunidades existem Escola do Ensino Fundamental e em algumas delas a Escola do Ensino Médio. A Igreja Católica também está presente em todas as Comunidades, que tem suas lideranças ligadas à Paróquia Sant’Ana, na Comunidade sede de Arapixuna, dirigida pelo Pe Wagner. A Igreja Evangélica também se faz presente nas Comunidades. Cinco das vinte e sete Comunidades ainda não possuem energia elétrica, assim não desfrutam de água encanada, de banheiros internos, de TV, geladeira, iluminação e outros bens que a energia elétrica proporciona. Nosso grupo missionário trabalhou em duas dessas Comunidades: Lago Central e Maicá. As comunidades na região estão ligadas aos Rios Arapiuns, Tapajós e ao próprio Rio Amazonas, e por eles tem acesso entre as Comunidades e o Município de Santarém. A Estrada de terra Interlagos liga Arapixuna à maioria das Comunidades. A flora, a fauna e as águas dos Rios e Lagos da região proporcionam, apesar da simplicidade, e às vezes, da falta de recursos materiais, um modo de vida especial, que cativa as famílias na permanência por lá. Aos fins de semana, ou em qualquer data, mediante prévia combinação, membros das Comunidades se reúnem para jogar futebol nos campos de terra, geralmente com muita areia. As “peladas” acontecem num clima de respeito, de amizade, sem xingamentos; e quase sempre as famílias vão assistir o pleito, um exemplo de sociabilidade sadia.

5 – Quais foram os maiores desafios enfrentados?

R – Ir ao encontro de um modo de vida diferente, como ter que dormir em redes, lugares sem energia elétrica, tomar banho de cacimba, lavar roupa no rio, comida sem feijão, com muita farinha, ver na primeira noite na Comunidade uma grande caranguejeira no banheiro, a noite o mugido forte do macaco Guariba, que se ouve de longe, parecia, a princípio, um grande desafio. Como levar a Palavra de Deus àquelas Comunidades com hábitos tão diferentes dos nossos, também nos desafiava. Contudo, a simplicidade das pessoas e o carinho que nos dispensavam, tanto no acolhimento inicial pelos líderes nas comunidades, como nas visitas às famílias, somados ao apoio constante do líder espiritual da equipe, Pe Rubnei, e pela graça de Nosso Senhor Jesus Cristo em estar sempre com seus servos, nos sentíamos fortes e dispostos a realizar a missão embasada no tema: “O que vimos e ouvimos, nós anunciamos” (1 Jo 1,3).

6 – Quais as experiências mais gratificantes da experiência missionária?

R – A experiência mais gratificante, pela graça de Deus, se repetia em cada família visitada, independente da religião que professava. Sentados ao redor de uma mesa simples,  na varanda, ou sob a sombra de uma árvore do quintal, ouvíamos um pouco da história das pessoas, da família, de suas experiências na Comunidade. Depois falávamos do propósito da missão, compartilhámos um texto das Sagradas Escrituras, refletíamos a aplicabilidade em nossas vidas daquela Palavra, e que a vontade de Deus é que vivamos o mandamento que nos coloca na condição de verdadeiros discípulos de Jesus, (Jo 13, 34-53) . Ao final das visitas sentíamos que o Espírito Santo estava presente naquele ambiente, em decorrência compartilhávamos com a Família uma terna e serena alegria. Outra grata experiência foi a convivência com irmãos missionários de outras partes do Brasil, com pessoas das Comunidades, com lugares aprazíveis pela presença da floresta, dos animais, das águas dos rios e dos lagos. Também a boa experiência em saborearmos um delicioso suco dos frutos da região como o Cupuaçu, o Açaí ou ainda vinho de Abacaba, ou de comermos um delicioso Tambaqui grelhado. Desejamos participar de outras experiências missionárias na Região Amazônica, mas nunca nos esqueçamos, que há muito a fazer nas missões de nossas Comunidades.



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