Graciela Andrade

Já que neste mês de novembro comemoramos o dia de Todos os Santos, não podemos deixar de falar dos novos santos brasileiros canonizados pelo Papa Francisco, no Vaticano, no mês passado, no dia 15 de outubro.

Os 30 novos santos se tornaram conhecidos como mártires de Cunhaú e Uruaçu, no Rio Grande do Norte.  Em julho e outubro de 1645, esses brasileiros foram vítimas de massacres atribuídos a holandeses que ocuparam a região.

Mais de três séculos depois, pouca coisa se sabe sobre esses massacres. Alguns registros da época, analisados por estudiosos, ajudam a recontar essa parte triste da nossa história.  A evangelização no Rio Grande do Norte teve início em 1597 por missionários jesuítas e sacerdotes diocesanos, originários do reino católico de Portugal.  Nas décadas seguintes, a chegada dos holandeses, de religião calvinista, provocou a restrição da liberdade de culto para os católicos que, a partir daquele momento, começaram a ser perseguidos. É nesse contexto que se verifica o martírio dos Beatos, em dois episódios distintos.

A primeira execução aconteceu dentro da Capela Nossa Senhora das Candeias, no Engenho de Cunhaú, em Canguaretama.   Liderados por Jacó Rabbi, um alemão a serviço da Companhia das índias Ocidentais Holandesas, soldados e índios invadiram a capela durante a missa e assassinaram o Padre André de Several e um grupo de fiéis. Segundo a Igreja, os soldados holandeses eram calvinistas e exigiam que os católicos se convertessem.

Três meses depois, outro grupo de católicos que morava em Natal foi levado a Uruaçu. Nas margens do rio Potengi, homens, mulheres e crianças também foram executados.  Há relatos de que um dos fiéis, Mateus Moreira, teve o coração arrancado pelas costas.  Antes de morrer ele teria gritado, repetidas vezes: “louvado seja o Santíssimo Sacramento”.

Não foram necessários milagres para fundamentar a canonização. Por meio do chamado processo de equipolência, o papa reconhece a santidade considerando três requisitos: a prova da constância e da antiguidade do culto aos candidatos a santos, o atestado histórico incontestável de sua fé católica e virtudes e a amplitude de sua devoção.

Os 25 homens e cinco mulheres, entre eles, adultos, crianças e um bebê, foram os únicos mortos identificados nos dois massacres.  Eles já tinham sidos beatificados no ano 2000 pelo papa João Paulo II.  O Brasil já tinha seis santos considerados nacionais, só um deles, é brasileiro de nascimento, Frei Galvão, canonizado em 2007. Os outros cinco são estrangeiros que desenvolveram missões no Brasil.

De acordo com o arcebispo de Natal, Dom Jaime Vieira Rocha, a canonização dos mártires é muito importante para o país. “Eles representam o povo simples e valorizam a fé, reforçam o valor do martírio, o testemunho e a piedade. Eles devem despertar em todos nós um sentimento de espiritualidade e introspecção, para voltarmos mais para Deus, diante de realidades tão sérias como as nossas”.

 Graciela Andrade
Jornalista | Paróquia Menino Jesus de Praga – São José do Rio Preto

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