Iniciação à Vida Cristã

1. Encontramo-nos às portas da celebração dos 50 anos de encerramento do Concílio Ecumênico Vaticano II. Esse “novo Pentecostes” da Igreja continua vivo e impulsiona os discípulos e discípulas de Jesus Cristo na busca de seus lugares de servidores e servidoras do outro, particularmente do mais necessitado. As renovações eclesiológicas conciliares compreenderam o leigo plenamente como Igreja e não como um fiel de pertença menor ou inferior, ou mesmo alguém a quem faltasse algo em termos de dignidade cristã. A maravilhosa “teoria” do laicato, proposta pelo Concílio, continua buscando as condições e os meios de ser praticada em toda a sua profundidade e extensão. Nessa data áurea é necessário recorrermos ao espírito e à letra das orientações conciliares para deles retirar não somente um conteúdo normativo, mas, antes de tudo, a seiva viva que nos oriente como sujeitos cristãos no mundo e na Igreja. Como frutos da “flor de inesperada primavera” (João XXIII), a Igreja nos ofereceu diretrizes teóricas e práticas sobre o significado positivo do cristão leigo, superando qualquer interpretação que o coloque 16 Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade como cidadão cristão de segunda categoria dentro e fora da Igreja.

2. Entre essas diretrizes nos é oportuno revisitar e celebrar os 25 anos da Exortação Pós-sinodal Christifideles Laici. As orientações sobre o laicato, aí presentes, além de oferecerem uma leitura sobre as orientações do Vaticano II a respeito do laicato naquele contexto, retomam e afirmam o significado positivo dos fiéis leigos como Povo de Deus: sujeitos ativos na Igreja e no mundo (cf. ChL, n. 42 e 59). Devemos acrescentar também nessa retomada histórica o Documento 62 da CNBB, que completa 15 anos. Ele ofereceu e oferece à Igreja do Brasil discernimentos e orientações sobre o laicato na chave da teologia e da organização dos ministérios (cf. Doc. 62, n. 80-93). Esses marcos expressam o pensamento da Igreja sobre os cristãos leigos, bem como a prática deles na Igreja e no mundo, pois cada qual, segundo sua natureza e abrangência, ainda tem muito a dizer para nossos dias. A recente Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, do Papa Francisco, lança um vigoroso chamado para que todo o Povo de Deus saia para evangelizar; toda a Igreja é convidada a sair agora para o encontro com Cristo vivo e com os irmãos em um mundo que clama por vida. A Igreja, na sua imensa maioria composta de cristãos leigos, ainda não reconhece ou até mesmo esconde a vitalidade e o compromisso deles na vida e na missão do povo de Deus inserido no mundo e enviado a anunciar o Reino (cf. EG, n. 102).

Fonte: Documento 107 da CNBB

Pe. José Eduardo Vitoreti

Pe. José Eduardo Vitoreti

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