A polêmica da pesquisa CNT sobre eleição presidencial e porque ela importa

 

A Agência CNT, da Conferência Nacional dos Transportes, nesta segunda-feira, divulgou uma pesquisa de intenção de votos onde Luis Inácio Lula da Silva aparece com 37,3% das intenções de voto e Jair Bolsonaro com 18,8%.  A reação dos internautas no Facebook e Twitter foi de incredulidade e críticas para com a pesquisa.  Os termos “Pesquisa CNT” e outros relacionados a pesquisa ficaram no Trendsdesde o início da manhã.

Os principais comentários colocam em dúvida a credibilidade do pesquisa de intenção de votos devido a dinâmica percebida nas redes sociais, em que apoiadores de Jair Bolsonaro aparecem como maioria esmagadora, enquanto raramente se verifica algum apoio ao ex-presidente, condenado em segunda instância e preso em Curitiba.

 

 

Histórico da CNT em pesquisas eleitorais

Por Twitter, o colunista Leandro Ruschel lembrou que em 2014, seis dias antes do primeiro turno da eleição presidencial, uma pesquisa da CNT colocava Dilma com 40,4%, Marina Silva com 25,2% e Aécio com 19,8% de intenção de votos. O resultado seis dias depois nas urnas eletrônicas foi Dilma com 41,59%, Aécio com 33,55 e Marina com 21,32%. Segundo o colunista, naquele momento o objetivo era retirar Aécio do segundo turno.

Polêmicas envolvendo a fonte da pesquisa

Internautas lembraram uma notícia de maio de 2018 sobre senador e presidente da CNT, Clésio Andrade, que foi condenado a 5 anos, 7 meses e 15 dias de reclusão, em decorrência do mensalão tucano, por crime de lavagem de dinheiro. Conforme informações do site O Antagonista, o presidente da CNT teria ocultado R$ 3,5 milhões recebidos de Marcos Valério, seu ex-sócio na SMP&B.

O poder e o perigo das pesquisas de opinião

Conforme destacou a pesquisadora Elisabeth Noelle-Neumann, no clássico A Espiral do Silêncio, o ambiente social e eleitoral pode ser afetado por meio de aumento, artificialmente produzido ou não, na aparente popularidade de um candidato. Se os eleitores passam a acreditar que um determinado candidato tem muito apoio popular e é o favorito na eleição, os apoiadores do candidato oponente podem se calar e até mudar seu voto, já que temem o “isolamento” inerente aos que fazem parte de um grupo minoritário de pensamento. A teoria destaca que quando os veículos de comunicação de massa criam uma narrativa própria que prioriza um determinado partido ou candidato, a população pode ter a visão do candidato favorito deturpada. O resultado desse processo é a manipulação do ambiente de opinião. A teoria foi confirmada em diversas eleições ao redor do mundo, por décadas. No ambiente atual, com o advento das redes sociais, a dinâmica da espiral do silêncio continua sendo válida, mas deve ser sempre analisada à luz do contexto específico em que se vive.

Uma das descobertas da espiral do silêncio foi a de que as pessoas possuem uma habilidade quase estatística de identificação do clima de opinião. As pesquisas de Noelle-Neumann mostraram que com pequenas margens de erro a maioria das pessoas tinha a capacidade de acertar, por palpite, qual era o candidato favorito em um pleito eleitoral.

Não fosse pelas pesquisas de opinião desses institutos, não haveria motivo para dúvidas. Ambos os lados concordam que o clima de opinião, mensurado ou não pelas redes sociais, indica que Jair Bolsonaro detém a maioria das intenções de voto, com boa vantagem.

De que forma estas pesquisas de intenção de voto e suas polêmicas podem afetar os resultados das eleições?

 

Fonte: Estudos Nacionais

 

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