Descarte irregular deixa rodovias com toneladas de lixo

Divulgação/Triunfo Transbrasiliana | Funcionário recolhendo lixo às margens da BR-153: 107 toneladas foram retiradas desde 2017

De janeiro a outubro, empresas que administram as rodovias BR-153 e Washington Luís recolheram 94 toneladas de lixo às margens das vias da região – média de 400 quilos de sujeira a cada quilômetro

Noventa e quatro toneladas de lixo foram retiradas das margens da BR-153 e da Washington Luís (SP-310) neste ano no trecho das vias que passam pela região. Uma média de 400 quilos de sujeira por cada quilômetro das duas rodovias. Latas de refrigerante e de cerveja, garrafas pet, sacos plásticos, restos de comida, papel, papelão, ressolagem (restos de pneus) e até sofá foram recolhidos nos dez primeiros meses deste ano pelas concessionárias que administram as rodovias. Quem é flagrado jogando lixo pode ser multado, o problema é conseguir o flagra: tanto a Polícia Rodoviária Federal como a Estadual informaram que não possuem o número de autuações na região.

Em 2018, foram retiradas da BR-153 mais de nove toneladas de lixo domiciliar e cerca de 30 toneladas de ressolagem nos 136 quilômetros da via na região. Somando os últimos três anos, mais de 106 toneladas de lixo foram recolhidas das margens da rodovia federal. No trecho entre Santa Adélia e Mirassol da rodovia Washington Luís, com 106 quilômetros, funcionários recolheram só no ano passado 125 toneladas de resíduos de todos os tipos.

Segundo o capitão da Polícia Rodoviária Estadual Maurício Noé Cavalari, a polícia rodoviária tem o poder de autuar o condutor atirando lixo na via. “Se o policial notar um cidadão jogando uma latinha de refrigerante na rodovia, é lavrada uma autuação, mas a quantidade não é tão grande, porque é difícil presenciar esse tipo de infração”, explicou.

O descarte irregular de lixo às margens de rodovias é considerado infração média. Segundo o artigo 172 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), atirar do veículo ou abandonar na via objetos ou substâncias gera multa de R$ 130,16 e perda de quatro pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

Além da poluição, a atitude dos sujões pode ajudar na proliferação do mosquito da dengue, já que alguns objetos podem virar criadouros. Há risco também de causar prejuízos à fauna regional e até provocar incêndios florestais, pois muitos motoristas insistem em descartar bitucas de cigarro.

“O maior perigo é a bituca de cigarro, principalmente em períodos secos. Uma bituca de cigarro na palha seca é como riscar fósforo em um barril de pólvora. Isso afeta a flora, a fauna, porque muitos animais morrem queimados, provoca prejuízos a propriedades privadas e polui a atmosfera”, explicou o professor voluntário do Ibilce Arif Cais.

A professora de biologia Valéria Stranghetti destaca que a maior parte dos produtos descartados às margens das rodovias apresentam grande tempo de decomposição. “Esse lixo jogado de maneira incorreta pode ir para os córregos. Alguns animais também podem comer esse lixo, levando à morte deles”, apontou a bióloga.

Outro problema do lixo jogado por motoristas é o risco de obstruir o sistema de drenagem das vias e a água alcançar as pistas, deixando os veículos sujeitos a deslizarem e perderem a aderência com o solo.

Para Valéria, o que falta no País é conscientização por parte da população sobre o descarte correto de lixo. “Tem muita informação, mas não tem a consciência ambiental. Se hoje as escolas trabalharem a questão do resíduo, por exemplo, fazer jogos com materiais recicláveis, conscientizam os pequenos. A criança leva esse aprendizado para casa e passa aos pais a importância do descarte correto do lixo”, destacou a bióloga.

Recolhimento

De acordo com a Triunfo Transbrasiliana, concessionária que administra o trecho paulista da BR-153, os funcionários primeiro realizam o recolhimento manual de cada item encontrado para depois serem retirados por caminhões para a destinação final. A Triângulo do Sol, responsável pelo trecho regional da SP-310, informou que o lixo é encaminhado para aterros sanitários, enquanto a borracha de restos de pneus são destinadas a recicladoras.

Nas sem concessão, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) é o responsável pelas vias e terceiriza a conservação da área para empresas que prestam o serviço de limpeza.

Lixo Recolhido

BR-153 (na região)

2017 – 44 toneladas
2018 – 39 toneladas
2019 – 24 toneladas

Washington Luís (SP-310) – entre Santa Adélia e Mirassol

2017 – 120 toneladas
2018 – 125 toneladas
2019 – 70 toneladas

Fonte: Triângulo do Sol e Triunfo Transbrasiliana

Ação ruim e recorrente

Em Rio Preto, lei municipal pune os moradores flagrados descartando lixo nas ruas. O morador flagrado jogando um pedaço de papel pelo vidro do carro pode sofrer uma penalidade e a aplicação das multas é feita pela Guarda Civil Municipal (GCM).

Apenas neste ano, até o dia 17 de novembro, foram flagrados 17 moradores pela atitude de jogar lixo nas ruas de Rio Preto. Ao todo, foram aplicados R$ 2.212,72 em multas. No ano passado, foram 42 multas, contra 25 de 2017.

Segundo a Prefeitura, o total em reais é do valor lançado e não significa que necessariamente esses valores foram efetivamente pagos, já que há prazos para recursos e um desconto de 20% no pagamento à vista. Além disso, o pagamento não é necessariamente feito no prazo estipulado pela multa e parte dos motoristas só regulariza a situação no momento do licenciamento anual.

Fonte: Diário da Região

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